Aula 01
PM-AP (Oficial Combatente) Bizu
Estratégico - 2025 (Pós-Edital)
Autor:
Elizabeth Menezes de Pinho Alves,
Glauber Peixoto Macedo Bueno,
Leonardo Mathias, Neidsi Paraizo,
Arthur Fontes da Silva Jr
30 de Julho de 2025
02551076250 - Felipe Manoel Viana Morais
Elizabeth Menezes de Pinho Alves, Glauber Peixoto Macedo Bueno, Leonardo Mathias, Neidsi Paraizo, Arthur Fontes da Silva Jr
Aula 01
BIZU ESTRATÉGICO DE HISTÓRIA DO ESTADO DO AMAPÁ
(PM-AP/OFICIAL)
Olá, prezado aluno. Tudo certo?
Neste material, traremos uma seleção de bizus da disciplina de História do Estado do
Amapá para o concurso da PM-AP.
O objetivo é proporcionar uma revisão rápida e de alta qualidade aos alunos por meio
de tópicos que possuem as maiores chances de incidência em prova.
Todos os bizus destinam-se a alunos que já estejam na fase bem final de revisão (que já
estudaram bastante o conteúdo teórico da disciplina e, nos últimos dias, precisam revisar por
algum material bem curto e objetivo).
Este bizu foi confeccionado tomando-se como base livros digitais elaborados pelo
professor Sergio Henrique.
Neidsi Paraizo Leonardo Mathias
@neidsiparaizo @profleomathias
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Apresentação
Salve, concurseiro(a)!
Meu nome é Neidsi Paraizo, e ocupo o cargo de Auditor Fiscal
da Receita Estadual do Maranhão. Minha vida no mundo dos
concursos iniciou ainda jovem quando aos 16 anos fui aprovado
nas principais escolas militares existentes no Brasil (Colégio
Naval e EPCAr). Fiz opção pela Marinha do Brasil e obtive a
conclusão do Bacharelado em Ciências Navais com posterior
ingresso no quadro de Oficiais do Corpo de Fuzileiros Navais. Após o ciclo de formação militar
dei início aos estudos para concursos públicos da área fiscal e, fui aprovado para o cargo de
Analista da Fazenda na SEFAZ-RJ. Continuei na luta almejando o cargo de Auditor Fiscal até
ser aprovado no certame de 2016 da SEFAZ-MA. Atualmente sou Pós-graduado em Direito
Tributário e exerço meu cargo no setor de Fiscalização de Mercadorias em Trânsito.
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História do Estado do Amapá – PM AP
Assunto Bizus Caderno de Questões
História do Amapá Colônia 1a5 Devido à baixa quantidade de
História do Amapá Império questões da banca sugerimos a
6 a 11
resolução das questões apresentadas
História do Amapá República 12 a 18 no material.
História do Amapá Colônia
1. Contexto Regional do Brasil e a Posição do Amapá
❖ O Brasil é um país de dimensões continentais, com diversidade geográfica, cultural,
econômica e social. O IBGE divide o território em cinco regiões fisiográficas, baseadas em
critérios naturais e socioeconômicos, e o desenvolvimento não é homogêneo entre elas.
As maiores regiões, em ordem decrescente de extensão territorial, são: Norte, Centro-
Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul.
❖ Região Norte: Composta por Pará, Tocantins, Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e
Rondônia, é a maior região do Brasil em extensão territorial (45% do território nacional).
Apesar de seu tamanho, é a região com o menor povoamento do país, com uma população
pouco superior a 17,35 milhões (2022). O Estado do Amapá está localizado nesta região,
sendo reconhecido por sua rica biodiversidade e vasta cobertura da Floresta Amazônica.
Cerca de 73% do seu território é composto por unidades de conservação, terras indígenas
e outras áreas protegidas, destacando-se o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque
como a maior unidade de conservação do Brasil.
❖ Características Demográficas do Amapá: Possui um nível de desenvolvimento médio, com
o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) classificado como "médio". A população é
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predominantemente urbana, mas a mortalidade infantil é um problema. O estado é "pouco
populoso" e "pouco povoado", e sua paisagem plana apresenta formações vegetais
variadas como mangue, campos, cerrado e floresta amazônica.
2. Colonização e Primeiros Contatos Estrangeiros
❖ A região do Amapá foi, desde os primeiros momentos, considerada uma área estratégica,
principalmente devido à sua localização na desembocadura do rio Amazonas. Isso a tornou
alvo de constantes disputas territoriais e incursões estrangeiras.
❖ A Expedição de Vicente Pinzón (1500): O primeiro europeu a identificar e aportar no
Amapá foi o espanhol Vicente Yáñez Pinzón em janeiro de 1500, três meses antes da
chegada de Cabral ao litoral brasileiro. Ele navegou pelo litoral das Guianas e reconheceu
o rio Oiapoque, que durante o período colonial foi conhecido como Rio Pinzon.
❖ Tratado de Tordesilhas (1493): Inicialmente, todo o território do Amapá estava dentro da
demarcação espanhola, conforme o Tratado de Tordesilhas. No entanto, a dificuldade
logística impediu a ocupação efetiva por Espanha e Portugal, o que abriu caminho para a
entrada de franceses, holandeses e ingleses na região.
❖ Presença Estrangeira (Século XVII): Ingleses: Charles Leigh chegou à margem esquerda do
Oiapoque em 1604, fundando a colônia de Principium. Outros estabelecimentos ingleses
ocorreram entre 1608 e 1617.
❖ Holandeses: Começaram a visitar a região por volta de 1598, estabelecendo feitorias e
fortes entre o Jari e Macapá.
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❖ Franceses: Embora menos duradouras que outras presenças estrangeiras, os franceses
invadiram o território fundando Caiena, hoje capital da Guiana Francesa. Tentaram duas
invasões oficiais ao Brasil (França Antártica no Rio de Janeiro e França Equinocial no
Maranhão), sem sucesso.
3. Disputas Territoriais com a França e Soluções
❖ A imprecisão da fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa resultou em três séculos de
rivalidade, com a França frequentemente desrespeitando os tratados e reivindicando terras
ao sul do rio Oiapoque.
❖ Tratado Provisional (1700): Foi a primeira tentativa legal de resolver o impasse entre
Portugal e França. Este acordo determinou a neutralização da área em disputa, proibindo
o estabelecimento de colonos de ambas as nações. No entanto, os franceses não o
respeitaram.
❖ Tratado de Utrecht (1713): Com o apoio da Inglaterra, este tratado definiu o rio Oiapoque
(ou Rio de Pinzon) como o limite entre a colônia da França e a de Portugal. O princípio do
"uti possidetis" (o direito da posse é de quem utiliza) foi fundamental. Apesar disso,
segmentos da sociedade francesa consideraram o tratado condescendente e continuaram
as incursões na área.
❖ Invasões Francesas e Respostas Portuguesas: Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a França
continuou a tentar ultrapassar os limites, argumentando que o Rio Pinzon não era o
Oiapoque, mas rios mais meridionais (como Cassiporé, Calçoene, Cunani, Carapapóris,
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Araguari). Napoleão Bonaparte tentou impor o rio Calçoene (1797) e depois o rio Araguari
(1801, 1802) como limites.
❖ Invasão da Guiana Francesa (1809): Como retaliação à invasão napoleônica de Portugal, o
príncipe regente D. João VI invadiu e ocupou a Guiana Francesa. A Guiana foi restituída à
França pelo Tratado de Paris (1817), que ratificou o Oiapoque como fronteira com "dados
geográficos precisos".
❖ A Questão do Amapá (Contestado Franco-Brasileiro): No último quarto do século XIX, os
franceses voltaram a reivindicar o território do Amapá. A disputa se agravou a partir de
1895.
❖ Arbitragem Suíça (1900): O Brasil encarregou o diplomata Barão do Rio Branco de
defender sua posição perante o conselho federal suíço, escolhido como tribunal arbitral.
Os argumentos brasileiros basearam-se no reconhecimento internacional da posse pelo
Tratado de Utrecht (1713) e pela clareza do Tratado de Paris (1817) sobre o rio Oiapoque
como limite.
❖ Resultado: A sentença de 1º de dezembro de 1900, conhecida como "laudo suíço", deu a
vitória ao Brasil, incorporando 260.000 km² ao seu território. Para o Brasil, isso representou
"uma decisão de justiça, pelo reconhecimento oficial de uma injustiça que tirou da
soberania brasileira um território que lhe tinha sido atribuído duas vezes com tratados
internacionais, em 1713 e 1817."
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4. Povoamento e Desenvolvimento da Região
❖ A ocupação e defesa da região do Amapá foram cruciais para Portugal, especialmente
durante o governo do Marquês de Pombal.
❖ Importância Estratégica: As terras e a foz do Amazonas eram fundamentais para a
metrópole, permitindo a penetração no território e o acesso a "drogas do sertão" e
madeira.
❖ Drogas do Sertão: Incluíam produtos como guaraná, anil, salsa, urucum, noz de pixurim,
pau-cravo, gergelim, cacau, baunilha e castanha-do-pará. Esses produtos tinham alto valor
de revenda na Europa, impulsionando o contrabando. A exploração era inicialmente
deixada a cargo das missões jesuíticas, que empregavam mão de obra indígena. A
descoberta das drogas do sertão coincidiu com o declínio da busca por especiarias
orientais, impulsionando a economia da região.
❖ Fundação de Macapá: Originou-se de um destacamento militar estabelecido em 1740, no
local das ruínas da antiga Fortaleza de Santo Antônio.
❖ A chegada de colonos açorianos foi um meio de garantir a posse do território.
❖ Em 2 de fevereiro de 1758, Mendonça Furtado instalou os poderes Legislativo e Judiciário,
elevando o povoado à categoria de vila dois dias depois.
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❖ A emancipação de Macapá despertou a cobiça de holandês
es, ingleses e franceses.
❖ Fortaleza de São José de Macapá: Construída entre 1764 e 1782, foi uma fortaleza
estratégica para a defesa do rio Amazonas, parte do projeto de consolidação e defesa de
fronteiras do Marquês de Pombal.
❖ Suas dimensões são comparáveis ao Forte Príncipe da Beira, em Rondônia.
❖ "Macapá cresceu à sombra desta fortaleza, testemunho do esforço luso-brasileiro na
conquista, colonização e manutenção da Amazônia e representa a mais vigorosa afirmação
do domínio português no Território do Amapá." Embora jamais tenha sido usada em
combate, cumpriu sua função dissuasiva e servia de refúgio em caso de retirada do
exército.
❖ Mazagão (Nova Mazagão): Criada em 1770 (elevada à vila em 23 de janeiro de 1770) para
receber 340 famílias portuguesas transferidas da desativada cidade de Mazagão na África
(atual Marrocos) por ordem do Marquês de Pombal em 1769.
❖ A transferência tinha razões geopolíticas e econômicas, buscando terras férteis para
agricultura e criação de gado, e acesso ao rio Amazonas.
❖ Os colonos mazaganistas chegaram em junho de 1771. A presença de comunidades
afrodescendentes no Amapá está relacionada à vinda dessas famílias, que trouxeram
escravos negros. Mazagão Velho abriga uma das principais comunidades negras do
Amapá.
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❖ Período Pombalino e Trabalho Indígena: O governo pombalino promoveu mudanças
significativas, incluindo a expulsão dos jesuítas da Amazônia em 1759, retirando seu poder
temporal sobre os índios.
❖ O "Diretório dos Índios" (1758) foi um instrumento para formalmente "libertar" os índios,
mas na prática institucionalizou seu trabalho forçado, com práticas de "descimentos" e
"resgates" para aprisioná-los
5. Outros Fatos Históricos Relevantes
❖ Nazistas na Amazônia: Relatórios de 1940 indicam planos de expansão nazista para
colonizar a América do Sul, incluindo as Guianas e a foz do Rio Amazonas ("Operação
Guiana"), com expedições de reconhecimento realizadas entre 1935 e 1937.
❖ Comunidades Quilombolas: Historicamente presentes no Amapá, resultantes da fuga de
escravos e da resistência negra. A presença de afrodescendentes também se intensificou
com a vinda das famílias de Mazagão Africana. Existem comunidades quilombolas tanto na
zona rural quanto urbana do Amapá, e não apenas o Curiaú, mas muitas outras foram
identificadas e certificadas.
❖ A "Guerra da Lagosta": Embora não relacionada diretamente à formação do Amapá, é
mencionada como um contencioso entre Brasil e França no século XX (1961-1963) sobre a
captura ilegal de lagostas no litoral brasileiro, exemplificando outras tensões bilaterais.
❖ Educação na Região Norte: A região Norte é a segunda menos urbanizada (após o
Nordeste), e a menos povoada. Possui a maior taxa de fecundidade e a segunda maior taxa
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de mortalidade infantil (atrás do Nordeste), além da menor expectativa de vida, refletindo
desafios em políticas públicas, acesso à saúde e infraestrutura sanitária.
História do Amapá Império
6. Contexto da Independência do Brasil e o Norte (Grão-Pará)
❖ O processo de Independência do Brasil (1822) foi singular na América Latina. Enquanto a
maioria dos países vizinhos proclamou repúblicas e aboliu a escravidão sob influência das
ideias liberais do Iluminismo (inspiradas pela Revolução Francesa e as independências dos
EUA e Haiti), o Brasil optou por uma monarquia e manteve a escravidão.
❖ Distinção da Independência Brasileira: "O Brasil foi o último país da América a abolir a
escravidão, e a custo de uma grande pressão internacional inglesa, e da resistência de
grandes proprietários, a abolir a escravidão sem receber indenização do estado." A
independência foi "principalmente formal, e um acordo entre as elites políticas de Portugal
e da colônia".
❖ Adesão Tardía do Norte: As províncias do Norte (Maranhão, Pará e Amazonas) mantinham
fortes laços comerciais e administrativos com Portugal, sendo "quase isoladas da
administração do Rio de Janeiro". Sua adesão à independência foi forçada por "ação militar
da armada brasileira". "O Grão-Pará e Maranhão, e a província do Amazonas não aderiram
imediatamente às notícias da independência, que foram expedidas do Rio de Janeiro."
❖ Insatisfação com a Corte Portuguesa: A presença da corte de D. João VI no Rio de Janeiro
(1808-1820) gerou descontentamento no Norte e Nordeste. "Os impostos sobre todo o
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território aumentaram. No entanto, a aplicação dos recursos ficou toda concentrada na
capital."
❖ Centralização Monárquica vs. Separatismo: A monarquia centralizada é vista por alguns
historiadores como o fator que permitiu a manutenção do vasto território brasileiro, apesar
das inúmeras propostas de separatismo.
7. Invasão de Caiena (Guiana Francesa) e Questões de Fronteira
==106cea==
❖ A chegada da corte portuguesa ao Brasil em 1808, fugindo das tropas napoleônicas, teve
impacto direto na região amazônica.
❖ Motivação: Uma das primeiras ações de D. João VI no Brasil foi "invadir Caiena (a capital
da Guiana Francesa) como uma retaliação (resposta militar) à França."
❖ Ocupação e Devolução: Caiena foi conquistada em 1809. Não foi anexada, mas ocupada.
Após a queda de Napoleão, o Congresso de Viena (1815) buscou restaurar monarquias e
territórios europeus. Consequentemente, a Guiana foi restituída à França pelo Tratado de
Paris em 1817, que "colocava claramente a fronteira no rio Oiapoque, desta vez com dados
geográficos precisos."
❖ Persistência da Disputa: Apesar do tratado de 1817, a França "insistiu em ultrapassar os
limites do tratado, argumentando que o Rio Pinzón não seria o Oiapoque, mas outro, mais
meridional (ao sul)". Reivindicavam a posse de terras entre os rios Araguari e Oiapoque,
propondo limites como Cassiporé, Calçoene, Cunani, Carapapóris, e Araguari.
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8. A Cabanagem (1835-1840)
❖ A Cabanagem foi um dos conflitos mais violentos da história do Brasil, ocorrendo durante
o Período Regencial (1831-1840), um tempo de grande instabilidade política e movimentos
separatistas.
❖ Local e Participantes: A revolta eclodiu na antiga província do Grão-Pará (que abrangia o
atual território amazônico). Os "Cabanos" eram as camadas mais pobres da população:
"pescadores ribeirinhos, carpinteiros, lavradores humildes, negros forros [...] e indígenas".
Viviam em condições sociais e sanitárias "extremamente precárias."
❖ Causas: A precariedade da vida econômica, o isolamento da província em relação ao
governo central do Rio de Janeiro, a dependência da extração de produtos florestais, e a
insatisfação da elite local com o poder centralizado foram fatores chave. "O governador
nomeado para a província não era da região (era do RJ) e bastante autoritário. Falamos de
Bernardo Lobo de Sousa."
❖ Objetivos: Os líderes populares tinham "projetos separatistas, mas não era a motivação do
povo." A elite, por sua vez, buscava "maior autonomia política frente ao governo central
do Império." Ideais liberais, como o fim da escravidão e a defesa de um regime
republicano, eram propagados por figuras como Batista Campos.
❖ Desenvolvimento e Violência: A rebelião começou em 7 de janeiro de 1835, com a invasão
do palácio do governador em Belém e a morte de Bernardo Lobo de Sousa. A Cabanagem
foi "o único movimento regencial em que as camadas mais inferiores da população
conseguiram ocupar o poder de toda uma província". No entanto, o controle dos Cabanos
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foi "frágil e instável", durando cerca de 10 meses. A repressão imperial foi brutal: "quase
40 mil pessoas foram assassinadas", o que representava "mais de 30% da população do
estado."
❖ Consequências: Ao final do conflito, a província do Grão-Pará foi desmembrada, dando
origem à província do Amazonas em 1850, que não participou do conflito e organizou
resistência à Cabanagem. Em Macapá, a elite local organizou resistência armada aos
cabanos.
9. Abolição da Escravidão e Comunidades Quilombolas
❖ O processo de abolição da escravidão na França e nas Guianas teve um impacto direto na
dinâmica social e demográfica do Amapá.
❖ Abolição na Guiana Francesa: A França aboliu a escravidão na Guiana Francesa em 1794,
e novamente em 1848, "dois anos antes da lei Eusébio de Queiroz" no Brasil. Essa abolição
precoce criou um destino para escravos fugitivos do Brasil.
❖ Rotas de Fuga para a Guiana: A manutenção da escravidão no Grão-Pará levou a um
aumento nas fugas de africanos escravizados para a Guiana Francesa, especialmente
através do rio Oiapoque. "Surgiram rotas de fuga através do rio Oiapoque para a Guiana
Francesa. Este assunto é muito relevante para a história do Amapá, mas também a do
Brasil, porque há poucos estudos de fatos parecidos com estes: fuga para os países
vizinhos, conforme aboliam a escravidão ao longo do século XIX."
❖ Comunidades Quilombolas no Amapá: A maioria das comunidades quilombolas atuais se
concentra nos limites municipais de Santana e Macapá, e "ao longo do rio Cunani",
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atestando as rotas de fuga. O início do trabalho escravo africano no Amapá está ligado à
"transferência de Mazagão da África, por Marquês de Pombal".
❖ Definição e Reconhecimento dos Quilombos: O termo "quilombola" designa comunidades
remanescentes de antigos quilombos, e a Constituição de 1988 (Art. 68 do ADCT) garantiu-
lhes "o direito à propriedade das terras em que estão." O conceito foi ampliado para incluir
"núcleos povoados que surgiram no contexto da abolição, ou formados por famílias em
migração, que se estabeleceram em busca de sobrevivência." Os quilombos não eram
exclusivamente de negros, mas também de mestiços, indígenas, e marginalizados.
10. O Contestado Franco-Brasileiro e a Proclamação da República
❖ O final do século XIX foi marcado pela intensificação da disputa territorial entre a França e
o Brasil na região do Amapá.
❖ Retomada das Reivindicações Francesas: "No último quarto do século XIX os franceses
voltaram a reivindicar o território do Amapá, episódio conhecido como a Questão do
Amapá, ou Contestado franco-brasileiro, que se refere a uma disputa de limites envolvendo
França e Brasil, e que agravou-se a partir de 1895". A motivação era a "mineração de ouro
nos aluviões do rio" Calçoene.
❖ Invasão Francesa e República de Cunani (1895): Franceses liderados por Jules Gross
invadiram o território e "fundaram a República de Cunani". As tropas brasileiras, sob
Francisco de Xavier da Veiga Cabral (Cabralzinho), "avançaram sobre os franceses e
ocorreram batalhas na Vila do Espírito Santo do Amapá, atual município do Amapá." A
República de Cunani foi extinta em 1897 pelo governo francês.
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❖ Resolução pela Arbitragem Internacional (1900): O Barão do Rio Branco, diplomata
brasileiro, foi fundamental na resolução pacífica do conflito. A questão foi submetida à
"arbitragem internacional" do conselho federal suíço. "A sentença, de 1º de dezembro de
1900, finalmente redigida pelo conselheiro federal coronel Edouard Müller, deu a vitória
ao Brasil, que incorporou a seu território 260.000 km²."
❖ Argumentos Brasileiros: A posse brasileira foi reconhecida internacionalmente pelo
Tratado de Utrecht (1713), que definiu o Rio Pinzon (Oiapoque) como limite, e confirmado
pelo Tratado de Paris (1817). O princípio do uti possidetis (a posse pertence a quem usa o
território) foi crucial. Além disso, a presença de uma população majoritariamente brasileira,
que falava português e desejava pertencer ao Brasil, foi um forte argumento, como
observado por Emilio Goeldi.
11. Cândido Mendes e a Proposta de Província do Oyapóka/Pinzônia
❖ Apesar do centralismo imperial, houve figuras que defenderam maior autonomia para a
região do Amapá.
❖ Cândido Mendes: "Um grande intelectual do império, de orientação liberal (defendia a
autonomia provincial), foi professor, advogado e deputado por cinco legislaturas, até que
em 1871 é escolhido senador por Dom Pedro II."
❖ Proposta de Nova Província: Cândido Mendes defendeu a "criação de uma nova província
separada do Grão Pará, com sede em Macapá, que seria chamada de Província de
Oiapóka." A proposta, também conhecida como Pinzônia (em homenagem a Vicente
Pinzón), foi apresentada ao parlamento em 1853 e 1873, mas "rejeitada pela Assembleia
Geral do Império."
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❖ Objetivo: Mendes não defendia a separação do Amapá do Brasil, mas sim "do Grão Pará,
ou seja, pretendia maior autonomia administrativa."
História do Amapá República
12. Os Ciclos da Borracha
❖ A Amazônia, embora o Amapá não tenha sido um centro produtivo de látex, desempenhou
um papel crucial em dois ciclos distintos da borracha, impulsionados pela demanda global.
❖ Primeiro Ciclo (1879-1912):
➢ Contexto: Impulsionado pela Segunda Revolução Industrial e a invenção do automóvel,
a vulcanização da borracha (descoberta em 1842) pela Goodyear e Hancock aumentou
sua utilidade, especialmente para pneus.
➢ Mão de Obra e Sistema de Exploração: A extração, “um trabalho penoso e perigoso”,
dependia de “um exército de homens acostumados à vida mais rude” vindos
principalmente do Nordeste, fugindo da miséria e secas. Eles eram explorados pelo
“perverso sistema de aviamento”, uma rede de créditos onde seringueiros eram
obrigados a comprar suprimentos a crédito de seus seringalistas, pagando com a
borracha produzida.
➢ Decadência: A “euforia econômica... foi efêmera”. O biopirata inglês Henry Wickham
contrabandeou sementes de seringueira para Londres, levando à implantação de
seringais de cultivo no Sudeste Asiático. Essa produção asiática, “racionalizando e
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modernizando a produção da borracha”, drasticamente reduziu os custos, derrubando
os preços internacionais e levando ao colapso do sistema de aviamento na Amazônia.
➢ Impacto no Amapá: Apesar de não ser uma região de alta produção de látex devido às
suas características geográficas (áreas alagadas, rios de difícil navegação, menor
densidade de seringueiras), “o ciclo econômico da borracha foi relevante para a
organização agrária territorial do estado.”
➢ Consequências Regionais: A crise resultou no despovoamento da Amazônia brasileira e
a migração de milhares de seringueiros nordestinos. A crise impulsionou a agricultura,
misturando conhecimentos nordestinos e indígenas.
❖ Segundo Ciclo (1942-1945):
➢ Contexto: Durante a Segunda Guerra Mundial, a ocupação japonesa do Sudeste
Asiático cortou o fornecimento de borracha para os Aliados. Os Estados Unidos e o
Brasil (sob Getúlio Vargas) assinaram os Acordos de Washington (1942) para reativar os
seringais amazônicos.
➢ Cooperação Brasil-EUA: O Brasil contribuiu com seringais, mão de obra e 58% do
capital para o Banco de Crédito da Borracha, enquanto os EUA forneceram 42% do
capital e meios para produção e escoamento.
➢ Infraestrutura e "Soldados da Borracha": Foi montada uma infraestrutura logística,
incluindo o SEMTA/CAETA para recrutar e encaminhar trabalhadores (principalmente
nordestinos, conhecidos como "soldados da borracha"), o SAVA para abastecimento,
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o RRC/RDC para transporte, o SESP para saúde pública (combate à malária e
saneamento), e o Banco da Borracha para crédito e monopólio da compra e venda.
➢ Fim do Ciclo: Com o término da guerra em 1945, a borracha asiática foi liberada,
cessando o interesse norte-americano pela produção amazônica, levando ao acúmulo
de estoques e ao declínio gradual da produção até os anos 1960.
13. A Criação do Território Federal do Amapá
❖ A criação do Território Federal do Amapá em 1943 foi uma decisão estratégica de Getúlio
Vargas no contexto da Era Vargas e da Segunda Guerra Mundial.
❖ Estado Novo (1937-1945): A ditadura varguista, de inspiração fascista (“a polaca”),
centralizou o poder, fechou o Congresso e censurou a mídia através do DIP, promovendo
a imagem de Vargas como o “pai dos pobres”. Seu projeto de “nacionalismo econômico”
visava reduzir a dependência estrangeira e criar estatais como a Usina de Volta Redonda e
a CVRD.
❖ Participação do Brasil na II Guerra Mundial: Inicialmente simpático ao Eixo, o Brasil se
alinhou aos Aliados após o bombardeio de navios brasileiros por submarinos nazistas. A
contradição de Vargas, um ditador lutando contra o autoritarismo, levou à sua saída em
1945.
❖ Motivações para a Criação do Território: A “necessidade estratégica de ampliação da
defesa do território”, especialmente nas fronteiras amazônicas, foi crucial. Havia
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preocupação com um “plano de invasão nazista no norte da América do Sul, através do
território brasileiro”, com expedições alemãs na Amazônia antes da guerra.
❖ Decreto-lei 5.812 (1943): Criou os territórios federais do Amapá, Guaporé, Rio Branco,
Ponta Porã e Iguaçu. O Amapá foi desmembrado do Pará, compreendendo Macapá,
Amapá e Mazagão. A Base Aérea de Amapá, construída desde 1941, e a destruição de
submarinos alemães na costa do Amapá por guarnições navais americanas, destacam a
importância militar da região.
❖ Janary Gentil Nunes: Primeiro interventor do Amapá, nomeado por Vargas. Ele “promoveu
uma estruturação física e política do Território”, com obras em Macapá, que se tornou a
capital devido à facilidade de acesso, simbolizando “otimismo, patriotismo, progresso”.
14. Operações de Guerra dos EUA no Território Brasileiro
❖ A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial resultou em uma significativa presença
militar dos EUA no território brasileiro.
❖ Acordos com EUA: Vargas autorizou operações militares dos EUA no Brasil, levando à
construção de bases militares em Recife, Natal, Belém e Amapá (município), a partir de
1941.
❖ Função das Bases: As bases no Norte e Nordeste serviam como “ponto de apoio e
reabastecimento para aviões dos aliados rumo à África”, além de proteger rotas aéreas e
marítimas e oferecer suporte logístico.
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❖ Amapá como Ponto Estratégico: O município de Amapá foi considerado uma área
estratégica devido à sua localização na foz do Amazonas e à proximidade com as Guianas,
que se tornaram possessões alemãs após a invasão da França. Dois submarinos alemães, o
U-590 e o U-662, foram abatidos na costa do Amapá por guarnições americanas.
15. Conflitos Diplomáticos: A Guerra da Lagosta e do Camarão
❖ O Brasil e a França se envolveram em disputas sobre direitos de pesca no litoral brasileiro
nas décadas de 1960 e 1970.
❖ Guerra da Lagosta (1961-1963):
➢ Início: Navios pesqueiros franceses foram encontrados pescando lagosta
industrialmente no litoral nordestino. A França solicitou licença para pesquisa, mas foi
flagrada com mais navios e pesca de arrasto, levando ao cancelamento da licença.
➢ Questão de Direito Internacional: O cerne do conflito era a classificação da lagosta: se
fosse considerada um “recurso imóvel” (como um recurso do fundo do mar), estaria sob
controle brasileiro em sua plataforma continental (200 milhas náuticas); se fosse “peixe”
(se desloca dando saltos), a pesca internacional seria permitida além do mar territorial
(12 milhas náuticas). A ironia do comandante Paulo de Castro Moreira da Silva: “por
analogia, se lagosta é peixe porque se desloca dando saltos então o canguru é uma
ave.”
➢ Escalada Militar: O presidente francês Charles de Gaulle enviou um navio de guerra
para o litoral brasileiro, enquanto a Marinha Brasileira mobilizou sua frota, autorizada a
usar força. Navios brasileiros emprestados dos EUA foram usados, apesar da proibição
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dos EUA de usá-los contra aliados da OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte),
o Brasil recusou-se a seguir, invocando o tratado interamericano de defesa mútua.
➢ Resolução: A firmeza brasileira dissuadiu os franceses, que sofreram prejuízos
econômicos. A França assinou um documento comprometendo-se a respeitar a
plataforma continental brasileira.
❖ Guerra do Camarão (1978): A situação se repetiu no litoral amapaense, no Cabo Norte,
devido à pesca ilegal de camarão por navios franceses. O Brasil novamente posicionou sua
frota para defender seu território marítimo.
16. O Projeto de Desenvolvimento e Integração Nacional da Ditadura Militar
❖ Durante a Ditadura Militar, o Brasil implementou um projeto desenvolvimentista para a
Amazônia, com foco em ocupação militar, povoamento e exploração econômica.
❖ Visão Desenvolvimentista: O meio ambiente era visto como “oposição ao desenvolvimento
e modernidade”.
❖ Medidas para a Amazônia: Projetos: Projeto Jari e Projeto Grande Carajás (Pará).
❖ Infraestrutura e Povoamento: Estímulo à imigração do Sul para a Amazônia (“Terra sem
gente, para gente sem terra”), construção de rodovias (BR 10 Transamazônica, BR 164
Cuiabá-Santarém, BR 153 Belém-Brasília – notando que a BR 156 no Amapá é a única do
estado sem acesso rodoviário), criação da Zona Franca de Manaus e hidrelétricas (Tucuruí,
Balbina, Coaracy Nunes).
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❖ Projeto Jari (1967-1982): Empreendimento privado do empresário norte-americano Daniel
Keith Ludwig, um “complexo econômico de grandes dimensões, envolvendo atividades
industriais, agrícolas, pecuárias e de extração mineral e vegetal” em terras do Pará e
Amapá.
❖ Reforma Política e "Pacote de Abril" (1977): O presidente Geisel buscou controlar o
Legislativo e cargos executivos. O “Pacote de Abril” enfraqueceu o MDB, instituiu a eleição
indireta para um terço do Senado, alterou regras para governadores, e ampliou o número
de deputados para os estados do Norte e Nordeste (onde a ARENA era mais forte). O
Amapá foi beneficiado, “aumentou mais um deputado” (de 1 para 2).
17. A Mineração no Amapá: O Projeto ICOMI
❖ A mineração foi uma atividade econômica marcante no Amapá, com destaque para a
exploração do manganês.
❖ Início da Exploração: Em 1953, o Governo Federal autorizou a empresa mineira ICOMI
(Indústria de Comércio e Mineração) a explorar manganês na Serra do Navio por 50 anos.
A ICOMI se associou à americana Bethlehem Steel e Foley Brothers Inc.
❖ Desenvolvimento de Infraestrutura: O projeto ICOMI levou a grandes investimentos em
infraestrutura, incluindo a construção da estrada de ferro do Amapá, as company towns
Vila Amazonas e Serra do Navio, o Porto de Santana para escoamento do minério, e parte
do financiamento da hidrelétrica Icoracy Nunes.
❖ Legado: A saída da ICOMI em 1997 deixou “dejetos de manganês contaminado, um
grande prejuízo ambiental, além do desemprego de um grande número de trabalhadores.”
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18. A Criação do Estado do Amapá
❖ A elevação do Amapá de Território Federal a Estado foi um processo longo, concluído na
Constituição de 1988.
❖ Processo Histórico: A criação do Território Federal em 1943 foi vista como uma etapa
transitória. Contudo, a transformação em Estado não se deu “necessariamente, dessa
experiência territorial”, mas sim de um processo que visava “garantir a tutela político-
administrativa da região pelo Estado brasileiro, bem como o controle da decisão sobre a
exploração das riquezas naturais.”
❖ Constituição de 1988: O Amapá “foi elevado à condição de estado membro da federação
pela constituição de 1988”.
❖ Consequências da Estadualização: Significou um “expressivo aumento da participação
política no país”, com a “montagem de um aparelho administrativo de estado, um
governador, 3 senadores e 8 deputados.” A autonomia política e econômica tornou-se a
principal mudança, colocando a organização da economia e política local sob
responsabilidade do governo estadual e da sociedade.
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Vamos ficando por aqui.
Esperamos que tenha gostado do nosso Bizu!
Bons estudos!
" Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura,
para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.”
Eclesiastes 9:10
Neidsi Paraizo Leonardo Mathias
@neidsiparaizo @profleomathias
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