A Segunda Tópica: Id, Ego e
Superego
PROF. ANNA KAROLYNE VILAR
Objetivos de Aprendizagem
1 2
Compreender a transição da Primeira para a Segunda Analisar as funções e dinâmicas das três instâncias
Tópica psíquicas
Identificar as limitações do modelo topográfico e a necessidade de Explorar as características e princípios regentes do Id, Ego e
uma abordagem estrutural-dinâmica Superego
3 4
Reconhecer os conflitos intrapsíquicos e seus Aplicar o modelo estrutural à compreensão de casos
mecanismos clínicos
Examinar as tensões entre as instâncias e as estratégias defensivas Utilizar a Segunda Tópica como ferramenta diagnóstica e
do aparelho psíquico terapêutica
Contexto Histórico
Transição Teórica (1920-1923)
A Segunda Tópica emerge em um momento crítico da
obra freudiana, após a Primeira Guerra Mundial e as
revisões conceituais introduzidas em "Além do Princípio
do Prazer" (1920).
Este período marca uma profunda reorganização do
pensamento psicanalítico.
O contexto da Viena pós-guerra influenciou
significativamente o desenvolvimento da teoria
estrutural de Freud, que buscava explicações mais
abrangentes para fenômenos clínicos complexos.
A Primeira Tópica: Limitações
Modelo Topográfico Limitações Explicativas Questões não Respondidas
Divisão da mente em consciente, Insuficiência para explicar Como explicar a autopunição e a
pré-consciente e inconsciente, conflitos intrapsíquicos culpa inconsciente? Por que
focando nos "lugares" psíquicos complexos certos conteúdos conscientes
mais que nas funções dinâmicas. Dificuldade em abordar a podem agir de forma
resistência e a transferência na "inconsciente"?
clínica
Impossibilidade de
contemplar a dimensão moral
do aparelho psíquico
A Necessidade de um Novo Modelo
Limitações da Primeira Tópica
Foco excessivo na topografia em detrimento da
economia pulsional
Incapacidade de explicar fenômenos como sonhos
de angústia e repetição traumática
Dificuldade em conceituar a autodestrutividade e os
conflitos morais internos
"A distinção entre consciente e inconsciente é, em
última análise, uma questão de percepção."
- Sigmund Freud, "O Ego e o Id" (1923)
A transição para um modelo funcional surgiu da
necessidade clínica de compreender forças psíquicas em
constante interação.
A Inovação da Segunda Tópica
De um Modelo Topográfico Para um Modelo Funcional Com Ênfase na Dinâmica
Baseado em "lugares" da mente Centrado em como a mente opera Focado nas relações e conflitos
(consciente, pré-consciente, através de instâncias com funções entre as estruturas psíquicas
inconsciente) específicas
Esta mudança teórica permitiu uma compreensão mais aprofundada dos conflitos internos e dos processos de defesa,
abrindo novas possibilidades para a clínica psicanalítica.
O Id: O Caldeirão das Pulsões
Características Fundamentais
Reservatório primitivo das pulsões (Eros e Thanatos)
Funciona pelo princípio do prazer: busca gratificação
imediata
Desconhece negação, temporalidade ou contradição
Totalmente inconsciente e inacessível diretamente
O Id constitui a parte mais antiga e originária do aparelho
psíquico, de onde derivam as outras instâncias.
Permanece como força motriz fundamental da psique.
"O id desconhece julgamentos de valor, não conhece o
bem nem o mal, nem moralidade."
- Sigmund Freud
O Ego: O Mediador
Definição e Origem Princípio da Realidade Funções Principais
Instância que se diferencia do Id Opera adiando a gratificação Mediação entre Id, Superego
pelo contato com a realidade imediata para encontrar e realidade externa
externa. Desenvolve-se a partir satisfação possível e aceitável, Tomada de decisões e
do Id para mediar suas demandas considerando as condições reais controle da motilidade
com o mundo externo. do ambiente.
Utilização de mecanismos de
defesa
Integração das experiências
(função sintética)
"O ego não é senhor em sua própria casa."
- Sigmund Freud, "O Ego e o Id" (1923)
O Superego: O Censor
Natureza e Desenvolvimento
Herdeiro do Complexo de Édipo
Internalização das proibições parentais e exigências
sociais
Formado pela identificação com as figuras de
autoridade
Funções Principais
Estabelecimento de ideais e padrões morais
Censura e crítica das pulsões consideradas
inaceitáveis
Promoção do sentimento de culpa como forma de
controle
O Superego manifesta-se como uma força censora
interna que estabelece padrões de conduta moral e
social, operando parcialmente no inconsciente. Sua
formação rígida pode levar ao desenvolvimento de
neuroses.
Os Três Pilares da Segunda Tópica
Estrutura Definição Princípio Regente Exemplo Clínico
Id Reservatório de pulsões Princípio do Prazer Compulsão por comer
(Eros e Thanatos) doces sob estresse
Ego Mediador entre Id, Princípio da Realidade Adiar gratificação para
Superego e realidade estudar
Superego Herdeiro do Complexo de Princípio do Ideal Culpa por desejar algo
Édipo (censura moral) "proibido"
Esta tabela resume as principais características e funções de cada instância psíquica, evidenciando suas diferenças
fundamentais e interrelações na dinâmica psíquica.
Topografia vs. Estrutura
Primeira Tópica Segunda Tópica
Modelo topográfico que divide a mente em consciente, Modelo estrutural que apresenta Id, Ego e Superego
pré-consciente e inconsciente. Focado nos "lugares" como instâncias funcionais interrelacionadas. Focado na
psíquicos e no grau de acessibilidade à consciência. dinâmica e nos conflitos entre as estruturas psíquicas.
Importante ressaltar que a Segunda Tópica não substitui a Primeira, mas a complementa, oferecendo uma
compreensão mais ampla e dinâmica do aparelho psíquico.
Relação entre as Duas Tópicas
Complementaridade, não Substituição
As duas tópicas coexistem e se complementam, oferecendo
perspectivas distintas sobre o funcionamento psíquico.
Correspondências Parciais
O Id é totalmente inconsciente, o Ego tem partes conscientes,
pré-conscientes e inconscientes, e o Superego opera
principalmente no inconsciente.
Diferentes Abordagens
A Primeira Tópica enfatiza a acessibilidade à consciência,
enquanto a Segunda destaca as funções e conflitos
intrapsíquicos.
Dinâmica Pulsional
As Duas Grandes Pulsões A Dualidade Pulsional
Freud postulou que estas duas classes de pulsões estão
Eros (Vida) Thanatos (Morte)
em constante interação e conflito, misturando-se em
Preservação, união, Destruição, diferentes proporções nas manifestações psíquicas.
reprodução agressividade, retorno
"A meta de toda vida é a morte."
ao inorgânico
- Sigmund Freud, "Além do Princípio do Prazer" (1920)
Libido e Autodestrutividade e
autoconservação hostilidade A teoria pulsional foi fundamental para a formulação da
Segunda Tópica, especialmente na compreensão dos
Fusão, ligação, síntese Separação, dissolução, conflitos entre Id e Superego mediados pelo Ego.
fragmentação
Conflitos Intrapsíquicos
Demandas do Id
Censura do Superego
Busca de satisfação imediata das
Imposição de padrões morais e
pulsões, independentemente de
sociais, gerando culpa e inibições
consequências
Exigências da Realidade
Tentativas de Mediação do Ego
Limitações e possibilidades do
Desenvolvimento de mecanismos
mundo externo que restringem a
para equilibrar as forças em conflito
satisfação
O conflito psíquico é a essência da dinâmica mental na teoria freudiana, sendo a matriz dos sintomas neuróticos e dos
fenômenos psíquicos em geral.
O Ego sob Pressão
Na concepção da Segunda Tópica, o Ego encontra-se
constantemente sob pressão de três fontes: as exigências pulsionais
do Id, as proibições do Superego e as limitações da realidade
externa.
"O pobre ego tem de servir a três senhores severos e fazer o
possível para conciliar as exigências dos três."
- Sigmund Freud, "O Ego e o Id" (1923)
Esta tripla pressão explica a fragilidade do Ego e sua suscetibilidade
a desequilíbrios que podem resultar em sofrimento psíquico e
formação de sintomas.
Mecanismos de Defesa do Ego
Repressão Projeção
Exclusão de ideias, afetos ou desejos inaceitáveis da Atribuição dos próprios impulsos indesejáveis a outras
consciência, mantendo-os no inconsciente. pessoas ou ao mundo externo.
Exemplo: Esquecer completamente uma experiência Exemplo: Acusar os outros de sentimentos hostis que
traumática. são próprios.
Racionalização Deslocamento
Justificativa lógica para comportamentos ou Transferência de emoções de um objeto original para
sentimentos inaceitáveis. um substituto mais seguro.
Exemplo: Justificar um fracasso culpando Exemplo: Descarregar raiva do chefe em familiares.
circunstâncias externas.
Mais Mecanismos de Defesa
1 2
Formação Reativa Regressão
Transformação de um impulso inaceitável em seu Retorno a estágios anteriores do desenvolvimento
oposto consciente. quando sob estresse.
Exemplo: Excessiva gentileza para mascarar Exemplo: Adulto que adota comportamentos infantis
hostilidade inconsciente. em situações de ansiedade.
3 4
Sublimação Negação
Canalização de impulsos inaceitáveis para atividades Recusa em reconhecer aspectos dolorosos da
socialmente valorizadas. realidade externa.
Exemplo: Transformar agressividade em Exemplo: Ignorar evidências de uma doença grave.
competitividade esportiva ou profissional.
O Ego e seus Mecanismos de Defesa
Função dos Mecanismos de Desenvolvimento da Teoria
Defesa
A teoria dos mecanismos de
Proteção do Ego contra defesa foi ampliada por Anna
angústias intoleráveis Freud em "O Ego e os
Manutenção da homeostase Mecanismos de Defesa" (1936),
psíquica onde ela sistematizou estas
operações psíquicas e destacou
Mediação dos conflitos
seu papel no desenvolvimento
entre Id e Superego
normal e patológico.
Adaptação às exigências da
realidade A compreensão dos
mecanismos defensivos
tornou-se fundamental para a
técnica psicanalítica,
orientando a interpretação e o
manejo da resistência.
O Superego e a Culpa
Desenvolvimento do Superego
O Superego forma-se pela internalização das figuras
parentais durante a resolução do Complexo de Édipo.
Esta internalização ocorre através da identificação com o
genitor do mesmo sexo após a renúncia ao objeto
edípico.
Funções do Superego
Consciência moral (repreensão e culpa)
Ideal do Ego (aspirações e valores)
Auto-observação e autocrítica
"O sentimento de culpa é a expressão do conflito de
ambivalência, da eterna luta entre Eros e a pulsão de
destruição ou morte."
- Sigmund Freud, "O Mal-Estar na Civilização" (1930)
Características do Superego
Severidade Paradoxal Natureza Inconsciente
Quanto mais a pessoa renuncia às pulsões, mais Grande parte do Superego opera inconscientemente,
severo pode se tornar o Superego, gerando um ciclo o que explica sentimentos de culpa aparentemente
de culpa e autopunição. irracionais ou desproporcionais.
Transmissão Cultural Papel na Patologia
O Superego incorpora não apenas as proibições Um Superego muito rígido pode levar à neurose
parentais, mas também valores culturais, religiosos e obsessiva, enquanto um Superego frágil pode
sociais mais amplos. resultar em comportamentos antissociais.
Manifestações Clínicas: Neurose Obsessiva
Dinâmica Psíquica
Na neurose obsessiva, observa-se um Superego
hiperrigoroso que gera intensa culpa, levando o Ego a
desenvolver rituais e pensamentos obsessivos como
defesa contra desejos inaceitáveis do Id.
Características Clínicas
Rituais compulsivos de caráter defensivo
Pensamentos intrusivos e angustiantes
Ruminações sobre temas morais
Ambivalência e dúvida constantes
Formações reativas pronunciadas
Exemplo Clínico: Paciente que lava as mãos 30 vezes ao
dia para "purificar" pensamentos considerados
"pecaminosos". O ritual de lavagem representa uma
tentativa do Ego de controlar impulsos sexuais ou
agressivos do Id, apaziguando as exigências morais do
Superego.
Manifestações Clínicas: Histeria
Dinâmica Psíquica
Na histeria (hoje chamada de transtorno conversivo), o
conflito entre os desejos do Id e as proibições do
Superego é "convertido" em sintomas corporais,
permitindo uma satisfação substitutiva disfarçada.
Características Clínicas
Sintomas físicos sem base orgânica
Forte carga simbólica nos sintomas
Uso frequente do mecanismo de recalque
Belle indifférence (falta de preocupação com os
sintomas)
Exemplo Clínico: Mulher com paralisia nas pernas sem
causa orgânica detectável. O sintoma conversivo
representa simbolicamente a inibição do impulso de
"fugir" de uma situação familiar conflituosa, revelando o
compromisso entre desejo e proibição.
Caso Clínico: O Homem dos Lobos
Contexto do Caso Sintomatologia
Sergei Pankejeff, conhecido Apresentava fobias, sintomas
como "O Homem dos Lobos", obsessivos, problemas
foi um paciente russo tratado intestinais e depressão. Seu
por Freud entre 1910 e 1914, caso recebeu este nome
cujo caso foi publicado em devido a um sonho
1918 ("História de uma recorrente com lobos
Neurose Infantil"). brancos em uma árvore.
Análise pela Segunda Tópica
O caso exemplifica um Ego frágil incapaz de mediar
adequadamente as demandas do Id (fantasias primitivas sexuais
e agressivas) e do Superego (culpa intensa), resultando em
sintomas neuróticos como solução de compromisso.
O Ego Patológico vs. Ego Saudável
Ego Patológico Ego Saudável
Fragilidade na mediação de conflitos Capacidade adaptativa e flexibilidade
Uso rígido e inflexível de defesas Uso variado e apropriado de defesas
Dificuldade de adaptação à realidade Equilíbrio na mediação dos conflitos
Submissão excessiva ao Id ou ao Superego Teste adequado da realidade
Fragmentação e falta de coesão Integração e coesão das funções psíquicas
O Superego como "Fortaleza Inconsciente"
A Metáfora da Fortaleza
Freud compara o Superego a uma "fortaleza
inconsciente" porque:
Mantém-se inacessível à consciência em grande
parte
Impõe punições e restrições severas sem justificativa
consciente
Opera automaticamente, sem necessidade de
deliberação
Representa a internalização de autoridades externas
"O superego é herdeiro do complexo de Édipo e,
assim, representa a introjeção no ego das primeiras
figuras parentais."
- Sigmund Freud, "O Ego e o Id" (1923)
Desenvolvimentos Pós-Freudianos
Anna Freud (1936) 1
"O Ego e os Mecanismos de Defesa" - Expandiu a
compreensão das defesas do Ego, classificando-
as sistematicamente e destacando seu papel 2 Melanie Klein (1940s)
adaptativo no desenvolvimento normal. Propôs que o Superego se forma muito antes do
Complexo de Édipo, a partir da introjeção de
Heinz Hartmann (1950s) 3 objetos parciais, sendo inicialmente mais primitivo
e severo.
Desenvolveu a Psicologia do Ego, enfatizando
funções autônomas do Ego que operam
independentemente dos conflitos, como 4 Jacques Lacan (1960s)
percepção e motilidade. Reinterpretou o Superego como um "mandato de
gozo", não apenas proibindo mas também
impondo um imperativo paradoxal de satisfação.
A Contribuição de Anna Freud
Principais Contribuições
Sistematização dos mecanismos de defesa
Ênfase no papel adaptativo das defesas
Defesas como parte do desenvolvimento normal
Aplicação da psicanálise à psicologia infantil
Desenvolvimento de métodos terapêuticos para
crianças
"O Ego e os Mecanismos de Defesa" (1936) representa
um marco na compreensão das funções egoicas e
ampliou significativamente o escopo da Segunda
Tópica freudiana.
Anna Freud (1895-1982), filha de Sigmund Freud, foi uma
importante psicanalista que expandiu significativamente
a teoria psicanalítica, especialmente no que diz respeito
ao Ego e seus mecanismos de defesa.
O Superego Segundo Lacan
Superego Freudiano Superego Lacaniano
Instância primariamente proibitiva que censura os Mandato paradoxal de gozo que não apenas proíbe,
desejos e impõe restrições morais, gerando culpa mas também exige a satisfação ("Goza!"), criando uma
quando transgredida. demanda impossível de cumprir.
Dimensão Social Implicações Clínicas
Lacan enfatiza como o Superego incorpora os Esta concepção ajuda a compreender sintomas
imperativos contraditórios da sociedade contemporâneos como as adições, compulsões e o
contemporânea: tanto a proibição quanto a obrigação mal-estar na cultura do consumo.
de desfrutar.
Neurociências e a Segunda Tópica
Correlações Contemporâneas
Id - Sistemas límbicos e subcorticais relacionados às
emoções básicas e impulsos
Ego - Córtex pré-frontal envolvido em funções
executivas, planejamento e controle inibitório
Superego - Circuitos neurais relacionados à
moralidade, empatia e regulação social
O debate contemporâneo busca estabelecer pontes
entre os conceitos psicanalíticos e os achados das
neurociências, sem reduzir um ao outro, mas explorando
possíveis correlações e complementaridades.
A pergunta "O Id seria análogo ao inconsciente cognitivo?" representa um exemplo dessas tentativas de integração
entre diferentes modelos da mente.
A Segunda Tópica e a Técnica Psicanalítica
Resistência Transferência
A compreensão das defesas do Ego permitiu um A Segunda Tópica forneceu uma base para entender a
manejo mais refinado das resistências no processo transferência como reedição de relações objetais
analítico, reconhecendo sua função protetora. internas, envolvendo aspectos do Id, Ego e Superego.
Interpretação Objetivo Terapêutico
As interpretações passaram a considerar não apenas "Onde havia o Id, deverá estar o Ego" - fortalecer o Ego
conteúdos inconscientes, mas também conflitos entre para melhor mediação dos conflitos e adaptação à
as instâncias psíquicas e defesas específicas. realidade.
Críticas à Segunda Tópica
Antropomorfização das Instâncias Reducionismo Cultural
Críticos apontam a tendência a tratar Id, Ego e A formação do Superego a partir do Complexo de
Superego como "personagens" internos com vontade Édipo pode refletir específicos arranjos familiares
própria, em vez de processos psíquicos. ocidentais, não sendo universal.
Verificabilidade Empírica Simplificação Excessiva
Dificuldade em operacionalizar e verificar A divisão tripartite pode simplificar excessivamente a
empiricamente os conceitos da Segunda Tópica dentro complexidade e fluidez dos processos psíquicos.
dos paradigmas científicos contemporâneos.
Apesar destas críticas, a Segunda Tópica continua sendo um modelo heurístico valioso para a compreensão clínica e
teórica dos fenômenos psíquicos.
Aplicações Contemporâneas
Análise Cultural
Psicoterapia
Aplicação dos conceitos à
Utilização dos conceitos de Id, Ego e compreensão de fenômenos sociais,
Superego para compreender conflitos artísticos e políticos contemporâneos
psíquicos e guiar intervenções 2
terapêuticas 1 Psicologia do Desenvolvimento
Estudo da formação gradual das
instâncias psíquicas ao longo do
Saúde Mental desenvolvimento infantil
Compreensão de transtornos
Educação
psíquicos como expressões de
desequilíbrios entre as instâncias Consideração do papel do Superego e
psíquicas do Ego ideal na formação educacional
e nos processos de aprendizagem
Outras Perspectivas Estruturais
Teoria Autor Estruturas Propostas
Teoria das Relações Objetais Melanie Klein Posição esquizo-paranoide e
posição depressiva
Psicologia do Self Heinz Kohut Self nuclear, Self virtual e Self
grandioso
Psicologia Analítica Carl Jung Ego, Self, Sombra, Anima/Animus
Teoria Estrutural do Sujeito Jacques Lacan Real, Simbólico e Imaginário
Análise Transacional Eric Berne Pai, Adulto e Criança
Estas teorias representam diferentes abordagens estruturais da psique, cada uma enfatizando aspectos distintos do
funcionamento mental e oferecendo perspectivas complementares à Segunda Tópica freudiana.
Neurose, Psicose e Perversão
Neurose Psicose Perversão
Ego intacto que luta contra impulsos Ruptura entre o Ego e a realidade Desmentido (Verleugnung) da
do Id reprimidos devido às exigências externa, com falha na função realidade em aspectos específicos. O
do Superego. O conflito ocorre entre mediadora. O Ego funde-se Ego reconhece a realidade mas
as instâncias psíquicas, mantendo o parcialmente com o Id, perdendo o simultaneamente a nega, criando
teste de realidade. teste de realidade. uma cisão.
A Segunda Tópica e o Desenvolvimento Infantil
Fase Oral (0-1 ano) 1
Predominância do Id; início da formação do Ego
através das primeiras experiências de satisfação e
frustração. O bebê ainda não diferencia 2 Fase Anal (1-3 anos)
completamente o eu do não-eu. Desenvolvimento significativo do Ego; primeiras
internalizações de normas sociais (controle
Fase Fálica (3-6 anos) 3 esfincteriano) e confronto com a autoridade
externa.
Complexo de Édipo; formação do Superego
através da identificação com o genitor do mesmo
sexo e interiorização das proibições. 4 Latência (6-12 anos)
Consolidação do Superego; desenvolvimento de
interesses sociais e cognitivos; repressão
Genital (após 12 anos) 5
temporária das pulsões sexuais.
Reorganização das instâncias psíquicas sob a
primazia genital; busca de equilíbrio entre Id, Ego
e Superego na vida adulta.
Questões para Discussão
O Ego Saudável vs. Patológico O Superego como Fortaleza
Como podemos caracterizar um Ego saudável em Por que Freud comparou o Superego a uma "fortaleza
contraste com um Ego patológico? Quais seriam os inconsciente"? Quais as implicações desta metáfora
critérios para avaliar o funcionamento egoico em para a compreensão dos conflitos morais internos e
termos de adaptação e sofrimento psíquico? do sentimento de culpa?
Diálogo com as Neurociências Relevância Contemporânea
O Id seria análogo ao inconsciente cognitivo estudado A Segunda Tópica mantém sua relevância para a
pelas neurociências contemporâneas? Quais as compreensão dos fenômenos psíquicos atuais? Como
possibilidades e limites dessa aproximação entre ela poderia ser repensada ou atualizada frente aos
psicanálise e neurociências? desafios contemporâneos?
Recursos Complementares
Leituras Obrigatórias
FREUD, S. (1923). O Ego e o Id. In: Obras Completas,
vol. 19.
FREUD, S. (1894). As Neuropsicoses de Defesa. In:
Obras Completas, vol. 3.
FREUD, A. (1936). O Ego e os Mecanismos de Defesa,
Cap. 1.
Leituras Complementares
LAPLANCHE, J. & PONTALIS, J-B. Vocabulário da
Psicanálise. (Verbetes: Id, Ego, Superego, Segunda
Tópica)
GARCIA-ROZA, L. A. Freud e o Inconsciente. Cap. 6:
Recursos Audiovisuais
"A Segunda Tópica".
Documentário "Freud Além da Alma" (BBC, 2004)
Série "Contos do Inconsciente" (disponível online)
Podcast "Falando em Psicanálise" - Episódio sobre a
Segunda Tópica
Principais Pontos da Segunda Tópica
Ego
1 Mediador entre as forças psíquicas e a realidade
Id e Superego
2
Forças opostas em constante tensão dentro do aparelho psíquico
Mecanismos de Defesa
3
Estratégias do Ego para administrar os conflitos e a angústia
Conflito Estrutural
4 Base fundamental da dinâmica psíquica e dos sintomas
neuróticos
Modelo Funcional
5 Foco nas operações e interações das instâncias
psíquicas em constante dinâmica
A Segunda Tópica representa um modelo estrutural-dinâmico que oferece uma compreensão profunda dos conflitos
psíquicos e dos processos mentais, tanto normais quanto patológicos.
Referências Bibliográficas
FREUD, S. (1923). O Ego e o Id. In: Obras Completas. São Paulo: Companhia das Letras, vol. 16.
FREUD, S. (1920). Além do Princípio do Prazer. In: Obras Completas. São Paulo: Companhia das Letras, vol. 14.
FREUD, S. (1924). O Problema Econômico do Masoquismo. In: Obras Completas. São Paulo: Companhia das Letras,
vol. 16.
FREUD, S. (1930). O Mal-Estar na Civilização. In: Obras Completas. São Paulo: Companhia das Letras, vol. 18.
FREUD, A. (1936/1986). O Ego e os Mecanismos de Defesa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
LAPLANCHE, J. & PONTALIS, J-B. (2001). Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes.
GARCIA-ROZA, L. A. (2009). Freud e o Inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
MEZAN, R. (2006). Freud: Pensador da Cultura. São Paulo: Companhia das Letras.
NASIO, J.-D. (1999). O Prazer de Ler Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.