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Novembro, 2020
INSTITUTO POLITÉCNICO DE LISBOA
INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE
E ADMINISTRAÇÃO DE LISBOA
Constituição do Júri:
Presidente…………………………..……Maria do Rosário Teixeira Fernandes Justino
Arguente………………………………....…Maria Carlos da Paixão S. Mourato Annes
Vogal………………………………………………………...Arménio Fernandes Breia
Declaro ser a autora desta dissertação, que constitui um trabalho original e inédito, que
nunca foi submetido (no seu todo ou qualquer das suas partes) a outra instituição de ensino
superior para obtenção de um grau académico ou outra habilitação. Atesto ainda que todas
as citações estão devidamente identificadas. Mais acrescento que tenho a consciência de
que o plágio – a utilização de elementos alheios sem referência ao seu autor – constitui
falta de ética, que poderá resultar na anulação da presente dissertação.
Dedicatória
“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós…”
Querida avó, partiste há três anos e já não me viste entrar neste que era um dos meus
sonhos, mas sabias o quanto queria isto. Dedico-te esta dissertação, pelo que apoio que
sempre me deste a partir do momento em que entrei na vida académica e pelas palavras
que me deste ainda no secundário de que iria conseguir entrar na faculdade.
Sei que, estás a olhar por mim e eu a lembrar-te todos os dias pela tua forma como viveste
sempre com um sorriso e sempre alegre.
iv
Agradecimentos
Eis que chegou o final de mais uma etapa, na minha vida académica, a realização de um
sonho que se tornou realidade com momentos de altos e baixos, mas sempre com a força
de querer ver este sonho concretizado.
Assim, agradeço aos meus pais, à minha irmã, ao meu avô e ao meu namorado por todo
o apoio e força ao longo deste percurso.
Agradeço também ao meu orientador pela contante disponibilidade ao longo desta etapa,
que esteve sempre pronto a ajudar-me.
v
Resumo
Esta crise para muitos foi considerada a crise mais aguda e relevante, dado o seu impacto
ao nível das dificuldades que se fizeram sentir nas famílias, assim como o número de
desempregados.
O risco de crédito assume-se como sendo o risco mais relevante na atividade bancária,
uma vez que corresponde ao risco da contraparte não cumprir com as suas obrigações.
Desta forma na análise ao risco de crédito, torna-se importante analisar a evolução dos
créditos por regularizar e pelo volume de imparidades.
vi
Abstract
The subprime crisis started in the beginning of 2007, having worsened in 2008, called the
“real estate bubble” crisis, which led to the risk of contagion in the entire financial system.
This crisis was considered by many to be the most acute and relevant crisis, given its
impact on the level of difficulties experienced by families, as well as the number of
unemployed.
The international financial crisis called into question basic principles of the banking and
international regulation and supervision system. At this time, credit expansion was hit
hard by the bankruptcies of some banks, such as the case of New Century Financial
Corporation in April 2007, the second largest mortgage lender in the USA, Lehman
Brothers the fourth largest investment bank in the USA and bankruptcy of Bear Stearns
the fifth largest investment bank.
Credit risk is assumed to be the most relevant risk in banking activity, since it corresponds
to the risk of the counterparty not meeting its obligations.
Thus, in the analysis of credit risk, it is important to analyze the evolution of loans to be
settled and the volume of impairments.
This dissertation seeks to analyze the evolution of credit risk and impairments over a
seven-year period, through two banks, BES / Novo Banco and Caixa Geral de Depósitos,
comparing with data from the banking sector in general based on ratios such as overdue
loans, non-performing loans, transformation and solvency.
vii
Índice
Dedicatória....................................................................................................................... iv
Agradecimentos ............................................................................................................... iv
Resumo ............................................................................................................................ vi
Abstract ........................................................................................................................... vii
Índice de figuras .............................................................................................................. xi
Índice de Tabelas ........................................................................................................... xiii
Índice de Gráficos .......................................................................................................... xiv
Lista de abreviaturas e símbolos..................................................................................... xv
[Link]ção .................................................................................................................... 17
1.1 Enquadramento e Fundamentação do Tema ......................................................... 17
1.2 Objetivo da dissertação ......................................................................................... 19
1.3 Metodologia .......................................................................................................... 20
1.4 Estrutura ................................................................................................................ 21
2. A Atividade Bancária em Portugal ............................................................................. 22
2.1 Evolução do Setor Bancário em Portugal ............................................................. 22
2.2 Atividade Bancária .......................................................................................... 23
2.3 União Económica e Monetária ............................................................................. 24
2.4 Crise do Subprime e o seu Impacto no Sistema Financeiro .................................. 27
3. Sistema Financeiro Português .................................................................................... 29
3.1 Níveis de Supervisão ............................................................................................ 31
3.2 Associação Portuguesa de Bancos ........................................................................ 33
4. Tipologias de riscos na banca ..................................................................................... 34
4.1 Risco de Crédito.................................................................................................... 35
4.2 Risco de Mercado ................................................................................................. 36
4.3 Risco de Liquidez ................................................................................................. 36
4.4 Risco Operacional ................................................................................................. 37
5. Risco de Crédito ......................................................................................................... 40
5.1 Aspetos Gerais ...................................................................................................... 40
5.2 Análise e Acompanhamento do Risco de Crédito ................................................ 43
5.2.1 Modelo de Avaliação de Riscos ..................................................................... 44
5.2.2 Notação de Risco ............................................................................................ 45
5.2.3 Sistemas de Análise de Crédito ...................................................................... 46
5.3 Imparidades em Créditos ...................................................................................... 48
viii
6. Alisamento de Resultados na Banca ........................................................................... 52
7. Gestão de Riscos ......................................................................................................... 54
7.1 A Importância da Gestão de Riscos ...................................................................... 54
7.2 Aplicação da Gestão de Riscos no BES/Novo Banco, CGD, Millennium BCP,
Santander Totta e Montepio ........................................................................................ 55
7.3 Síntese de Comparação da Análise à Gestão de Riscos nos Bancos Analisados.. 72
8. Acordos de Basileia .................................................................................................... 74
8.1 Basileia I............................................................................................................ 74
8.2 Basileia II .......................................................................................................... 75
8.3 Basileia III ......................................................................................................... 76
9. Rácios na Banca e a sua Importância ......................................................................... 78
9.1 Rácio de Solvabilidade ......................................................................................... 79
9.2 Rácio de Transformação ....................................................................................... 80
9.3 Crédito Vencido e Crédito em Risco .................................................................... 80
10. Caixa Geral de Depósitos ........................................................................................ 82
10.1 Síntese Histórica ................................................................................................. 82
10.2 Comité de Risco .................................................................................................. 83
10.3 Risco de Crédito.................................................................................................. 84
10.4 Avaliação das Imparidades ................................................................................. 85
11.1 Síntese Histórica ................................................................................................. 88
11.2 Medida de Resolução Aplicada ao BES ............................................................. 89
11.3 Inquérito da Comissão Parlamentar à Gestão do BES e do GES ....................... 91
11.4 Comité de Risco .................................................................................................. 92
11.5 Risco de Crédito.................................................................................................. 93
11.6 Avaliação das Imparidades ................................................................................. 98
12. Evolução do Crédito no Sector Bancário ............................................................... 101
12.1 Enquadramento ao ano de 2008 (Subprime) e 2010 (Antes da Intervenção da
Troika) ...................................................................................................................... 101
12.2 Evolução do Crédito no Período de 2012 a 2018 ............................................. 103
12.3 Análise do Crédito no Setor em Geral, BES/Novo Banco e CGD ................... 105
12.4 Evolução dos Níveis de Incumprimento no BES/Novo Banco e CGD ............ 109
12.6 Evolução do Rácio de Transformação no Contexto Bancário, CGD e BES/Novo
Banco ........................................................................................................................ 116
12.7 Evolução da Rendibilidade (Imparidades, Margem Financeira e Resultado
Líquido) .................................................................................................................... 121
13. Conclusão ............................................................................................................... 128
ix
14. Limitações e Perspetivas Futuras ........................................................................... 132
[Link]ências Bibliográficas ....................................................................................... 133
[Link] ..................................................................................................................... 145
x
Índice de figuras
xi
Figura 11.3: Fases do Processo de Crédito……………………………………………94
xii
Índice de Tabelas
xiii
Índice de Gráficos
xiv
Lista de abreviaturas e símbolos
xv
IAS – Internal Accounting Standard
xvi
[Link]ção
A crise do subprime teve início em meados de 2007 denominada pela crise da “bolha
imobiliária”, no mercado de alto risco, ou seja, um mercado de crédito hipotecário
americano. A crise de subprime levou ao risco de contágio em todo o sistema financeiro,
tendo-se constituído umas das crises mais graves desde a crise dos anos 20.
Para muitos, a crise do subprime carateriza-se por uma crise aguda e a mais relevante desde
1929, dado o seu impacto no número de desempregados e as dificuldades que se fizeram
sentir nas famílias.
Alguns bancos portugueses, nesta altura entraram em falência não diretamente resultante da
crise financeira, mas devido a problemas de gestão e relato financeiro fraudulento como o
caso do Banco Português de Negócios (BPN) e o Banco Privado Português (BPP).
A crise financeira em 2008 levou a que fosse necessário um reforço de Basileia, derivado de
uma revisão aos Acordos de Basileia, de forma a responder aos fatores derivados da crise do
setor bancário, como: falhas na liquidez, demasiada alavancagem e falhas na gestão de risco.
Após termos definido um dos rácios de auxílio ao longo desta dissertação na análise dos
dados dos bancos em estudo e do setor em geral, ou seja, o rácio de solvabilidade que analisa
a estabilidade financeira do banco, importa também abordar o rácio de transformação, que
tem por definição: o crédito concedido em função dos depósitos.
Neste contexto do tema risco de crédito e dos acordos de Basileia e em consequência da crise
financeira sentida em 2008, a gestão de risco assume um papel crucial nas instituições de
crédito, uma vez que houve a necessidade de garantir uma solidez financeira.
17
De forma a explicar-se a relevância do crédito e a sua evolução, bem como o volume de
imparidades associado ao mesmo, desde 2012 a 2018 irá ser analisada a sua evolução em
dois bancos portugueses, um de capitais públicos a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e outro
privado o Banco Espírito Santo/Novo Banco (BES/Novo Banco) de forma analisar-se a sua
evolução antes e depois das medidas de resolução ocorridas em 2014 e possíveis melhorias
após as mesmas.
Em suma, ao longo desta dissertação o tema fulcral irá ser o crédito com base no estudo de
dois bancos, pretende-se assim analisar a sua evolução em comparação com o setor em geral,
num período de sete anos para isto iremos começar por apresentar o que é o sistema
financeiro no seu todo, definição de risco de crédito e alguns rácios de apoio na banca.
18
1.2 Objetivo da dissertação
Esta dissertação irá incidir sobre a evolução do crédito e o volume de imparidades associado
ao mesmo, no período de 2012 a 2018 em conjunto com a evolução genérica do setor,
através da análise e tratamento de dados quantitativos do Banco de Portugal, Associação
Portuguesa de Bancos (APB) e Relatórios e Contas onde se pretende demonstrar qual a sua
evolução ao longo dos sete anos que são objeto com base em duas instituições bancárias
(Caixa Geral de Depósitos e BES/Novo Banco) com base na análise de alguns rácios
utilizados na banca.
19
1.3 Metodologia
Numa segunda fase, já numa análise quantitativa serão utilizados, dados estatísticos do BdP,
Relatórios de Estabilidade Financeira do BdP, Avisos do BdP, Relatórios e Contas do
BES/Novo Banco e CGD nos anos dos períodos em análise de 2012 a 2018.
20
1.4 Estrutura
- Do décimo capítulo ao décimo primeiro capítulo será composta pela apresentação dos dois
bancos em análise (Caixa Geral de Depósitos e BES/Novo Banco) e de seguida pela análise
do crédito e volume de imparidades ao longo dos sete anos em comparação com o setor
bancário em geral;
- Por último irão ser apresentadas as conclusões, limitações e perspetivas futuras, bem como
a revisão bibliográfica de apoio utilizada na elaborada da dissertação.
21
2. A Atividade Bancária em Portugal
De acordo com Caiado e Caiado (2008) são esquematizadas as principais datas de acordo
com o autor referente à evolução do sistema bancário, nos seguintes períodos: 1957 a 1974,
1974 a 1983, 1983 a 1998 e após 1998.
Neste período destaca-se a CGD, que além da captação de poupança e operações de crédito,
tinha também colaboração na realização da política de crédito do Governo.
No período de 1957 a 1974 existiam limitações, relativamente aos bancos comerciais, que
não podiam proceder a financiamentos superiores a um ano.
Este período ficou marcado pela revolução de 25 de Abril, onde se verificou uma
transformação bancária que decorreu das nacionalizações no sistema bancário, onde foram
excluídos os bancos estrangeiros.
Caiado e Caiado (2008), refere que este período de 1974 a 1983 caracteriza-se também pela
publicação da Lei Orgânica do BdP, criação de mercados interbancários, aprovação do plano
de contas interbancário e alargamento da rede nacional.
Neste período deu-se lugar à nacionalização de três bancos emissores: Banco de Angola
emissor para atual República Popular de Angola, Banco Nacional Ultramarino emissor para
as restantes antigas Colónias e o BdP emissor para Portugal Continental e Ilhas.
22
Período entre 1983 a 1998
Este período ficou marcado pela abertura da atividade bancária à iniciativa privada, foi
também uma altura em que foram criadas várias instituições.
Associado a este período surge a tendência da automatização, que tem vindo a marcar o
sistema bancário e que consiste no desenvolvimento de operações bancárias e financeiras
com forte suporte de meios informáticos.
Após 1998
Este foi também um período onde se deu lugar à criação do Banco Central Europeu onde
veio a substituir o Instituto Monetários Europeu, Eurosistema e Sistema Europeu de Bancos
Centrais.
Outro marco na década de 90, foi o aumento das privatizações dando origem a uma alteração
de propriedade dos bancos comerciais. Nesta altura as instituições sob gestão privada
representavam 70% da totalidade do mercado, enquanto que os bancos estrangeiros se
mantiveram nos 5% em termos de quota de mercado e 7% na concessão de crédito. (Silva,
2010)
De acordo com o autor Caiado (2015), a atividade bancária tem vindo a sofrer algumas
alterações, bem como tendências que têm marcado o setor financeiro, essas tendências são:
concentração, inovação e globalização.
23
• Concentração
• Inovação
• Globalização
Em 1998, a Lei Orgânica do BdP sofre alterações para reforçar a autonomia do Banco
Central e desta forma preparar a sua integração no Sistema Europeu de Bancos Centrais.
Em 1999, dá-se a terceira fase da União Económica Monetária, depois do Conselho da União
Europeia ter aprovado as taxas irrevogáveis de conversão entre o euro e as moedas dos 11
Estados-Membros participantes.
24
De acordo com a informação constante no site do Conselho Europeu da União Europeia
(2018)1, a união bancária apresenta como definição: “A união bancária é um sistema de
supervisão e resolução bancária ao nível da UE que funciona com base em regras comuns a
todos na UE”.
A União Bancária Europeia (UBE) surge da falta de estrutura existente, que assegura a
supervisão bancária, resolução das crises da banca e garantia de depósitos.
A defesa pela União Bancária teve início em 2012 com o objetivo de reforçar o sistema
bancário, melhorar a integração financeira e constituir uma base sólida de confiança dos
investidores. O conselho europeu 29/6/2012, propôs desta forma a criação para os Estados
Membros (EM) um Mecanismo de Supervisão Único (MSU).
Neste sentido o Conselho Europeu da União Europeia2 (2018) apresenta quatro objetivos
que visam:
• “Garantir que os bancos são robustos e capazes de resistir a eventuais futuras crises
financeiras;
• Evitar situações em que o dinheiro dos contribuintes é utilizado para salvar bancos
em situação de insolvência;
• Reduzir a fragmentação do mercado harmonizando as regras do setor financeiro;
• Reforçar a estabilidade financeira na área do euro e na UE em geral “.
A União Bancária é composta por regras “Single Rulebook”, sujeitas a coordenação ao nível
da União Europeia.
1
Disponível em: [Link]
2
Disponível em: [Link]
25
Mecanismo Único de Supervisão
“Ao longo das últimas décadas, a União realizou progressos no sentido da criação de um
mercado interno para os serviços bancários. Um mercado interno dos serviços bancários
mais integrado é essencial para promover o crescimento económico da União e o
funcionamento adequado da economia real […]”. (Regulamento nº806/2014 do Parlamento
Europeu e do Conselho de 15 de julho de 2014, alínea 1)3.
Desta forma o primeiro passo, para a criação da União Bancária passou pela criação de um
mecanismo único de supervisão com base no regulamento nº1024/2013. Este 4mecanismo
deverá assegurar uma supervisão às instituições de crédito, onde devem ser aplicadas regras
para os serviços financeiros, para as instituições de crédito dos Estados-membros
pertencentes à zona do euro e instituições de crédito que não pertençam à zona do euro, mas
que queiram participar como estados membros participantes. (Regulamento nº806/2014 do
Parlamento Europeu e do Conselho de 15 de julho de 2014, alínea 7).
Santos (2014), refere que em julho de 2013 o Conselho Europeu apresentou uma proposta,
de forma a complementar o mecanismo único de supervisão.
Gaspar (2014) citado por Santos (2014) refere que a proposta de aplicação do mecanismo
único de resolução foi uma proposta para o segundo pilar de Basileia, que irá ser detalhado
mais à frente. Com isto, este segundo pilar pressupõe a criação de uma nova Autoridade ou
Agência, assim esta autoridade tem o poder de decidir se o banco está falido ou não.
3
Disponível em: [Link]
4
Disponível em: [Link]
5
Disponível em: [Link]
26
Em detrimento da criação do mecanismo único de resolução e através do Regulamento
nº806/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho de 15 de julho de 2014 foi criado um
sistema que centralizou a tomada de decisão feita pelo Conselho Único de Resolução (CUR):
o Fundo único de Resolução.
Leão (2009) citado por Alves (2010), refere que a crise financeira e económica teve origem
nos Estados Unidos da América (EUA) em que a elevada concessão de crédito e por sua
consequência um elevado risco associado ao crédito, levou a níveis bastante elevados de
incumprimento nas prestações bancárias. Este incumprimento, começou a ser mais
significativo em inícios de 2007, o que levou ao elevado incumprimento das dividas
bancárias, maus resultados nas instituições bancárias, bem como originou uma descida do
preço do imobiliário e de títulos ligados a dívidas.
Conforme referido por Alves (2010) os bancos titularizavam os créditos de alto risco, mas
devido ao aumento do incumprimento, o valor desses riscos aumentou, devido a esta queda
os produtos financeiros começaram a ser designados de produtos tóxicos, o que se traduz
numa desconfiança dos mesmos e também no mercado financeiro internacional.
A crise de subprime, originada pela crise financeira de hipotecas, revela uma fragilidade de
um modelo constituído por tomadores de empréstimos que não possuíam requisitos para um
empréstimo imobiliário, esta crise teve início com o impacto que surge no mercado
imobiliário, segundo a IPEA “a crise do mercado de hipotecas subprime teve início, por sua
vez, com o boom do mercado imobiliário.
Paula (2009), refere que as taxas de juro baixas, bem como as taxas reais negativas nos EUA
fizeram com que se criasse expectativas de taxas de juro baixas. Nesta altura, as instituições
pressionadas pela apresentação de resultados levaram a que fossem adotadas estratégias em
que as perdas de taxas de juro baixas, seriam compensadas por aumentos de volume, isto é,
a expansão da carteira de crédito fazendo com que houvesse uma menor aversão ao risco.
Com base na referência anterior, assistiu-se a um período de inovação financeira, que veio a
possibilitar o desenvolvimento de novos produtos.
Paul (2011) salienta que este contexto da crise financeira levou a uma insuficiência de um
quadro regulamentar e supervisão financeira, o que fez com que houvesse práticas na gestão
de risco na banca que falhassem, tais como:
27
• As práticas de remuneração incentivaram a tomada de riscos e levaram a uma
incidência de resultados a curto prazo;
• A avaliação inadequada de riscos, com testes de resistência realizados
frequentemente tendo por base condições económicas favoráveis.
A crise financeira ameaçou a “saúde” financeira de alguns bancos bem como fundos de
investimento, é o caso da falência da New Century Financial Corporation em abril de 2007,
o segundo maior credor de hipotecas dos EUA. A crise financeira veio-se a agravar em 2008,
em meados de setembro e com isso levou à falência do Bear Stearns, o quinto maior banco
de investimento, ainda em setembro Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento
começou a apresentar dificuldades.
Caldas (2013) refere que em 2008 a crise sentida em Portugal teve um forte impacto no
crédito e na redução da capacidade de acesso dos bancos aos mercados de capitais.
Neste contexto houve fatores que contribuíram para uma má gestão de risco, os produtos de
crédito complexos e as fraquezas por parte das instituições financeiras.
28
3. Sistema Financeiro Português
Mariz (2012) salienta que a atividade do setor financeiro se torna essencial para o bom
funcionamento da economia como um todo, visto realocar os recursos financeiros em
excesso para agentes económicos que têm carência destes. Com isto, é referido que o setor
financeiro é responsável pela criação de recursos entre os agentes económicos.
Amaral (2016) refere que o sistema financeiro é composto por diversos intermediários
financeiros, que tem como função de fornecedores na economia e de agentes de transação
de produtos financeiros nos mercados financeiros. Assim, salienta-se a importância dos
intermediários financeiros como as seguradoras, sociedades financeiras, instituições de
crédito e gestoras de fundos de pensões.
6
Disponível em: [Link]
7
Disponível em:
[Link]
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29
por outro, os consumidores tomam decisões sobre a afetação do seu rendimento disponível
entre poupança e consumo”.
Segundo Caiado e Caiado (2008) a atividade do BdP encontra-se num contexto internacional
com foco europeu, caracterizado pela União Económica e Monetária. A sua função enquanto
entidade reguladora é também a de supervisora das principais instituições financeiras.
Em 19 de novembro de 1846, surge o BdP com duas funções: banco comercial e banco
emissor. O BdP, surge da fusão do Banco de Lisboa em conjunto com a Companhia
Confiança Nacional, uma sociedade de investimento especializada em dívida pública.
O BdP, partilhou até 1891 com outras instituições o direito à emissão de notas. A 9 de Julho
de 1891 o BdP passou a deter o exclusivo da emissão do Continente, Madeira e Açores.
O BdP, entrou numa fase de crescimento até à I Guerra Mundial, tendo sido o banco mais
importante enquanto banco comercial.
Em junho de 1931, foram definidas novas regras que limitaram a expansão do passivo do
Banco. Estas regras limitaram o financiamento ao Estado e com isto a dependência
administrativa do Banco aumentou e o BdP assumiu o compromisso de uma política de taxas
de juros e taxas de câmbios fixas.
Durante a Segunda Guerra Mundial e o pós-guerra, surgiram restrições que deram origem a
um sistema complexo e composto pelas operações de capitais invisíveis correntes,
mercadorias. Nesta área as competências de supervisão do sistema passaram a ser do BdP,
como agente nas relações monetárias internacionais para o Governo.
Em 1957 e 1960, surgiu a aprovação de leis que levaram os bancos a efetuar constituição de
reservas mínimas de caixa, o que fez com que o BdP tivesse responsabilidades crescentes
com foco nas áreas de controlo de crédito e fixação de taxas de juro.
Em setembro de 1974, nas funções do BdP para além do estatuto de banco central foi
incluído também a função de supervisão do sistema.
30
Em abril de 1992, ocorreu a adesão do escudo aos Mecanismos das Taxas de Câmbio do
Sistema Monetário Europeu.
De acordo com Serralheiro (2014), o BdP no âmbito das suas funções e missões tem como
competência a avaliação e monitorização dos riscos emergentes no sistema financeiro. Estas
necessidades das funções do banco BdP surgiram com a crise financeira internacional, que
veio fazer com que haja uma necessidade de regular e aperfeiçoar o sistema financeiro.
Assim, nos termos do artigo 17º da Lei Orgânica compete ao BdP, “exercer a supervisão das
instituições de crédito, sociedades financeiras e outras entidades que lhe estejam legalmente
sujeitas (…)” e “compete ainda ao BdP participar, no quadro do Mecanismo Único de
Supervisão, na definição de princípios, normas e procedimentos de supervisão prudencial de
instituições de crédito (…)”.
31
De acordo com Pica (2016), regulação define-se como uma forma de uma entidade intervir
neste sector através de leis, instruções, regulamentos, intervenções e diretivas.
Outra das definições existentes é a supervisão, que surge de forma a supervisionar a gestão
de uma instituição de crédito ou sociedade financeira quanto ao cumprimento das regras e
também garantir os níveis de solvabilidade e liquidez.
De acordo com o site do BdP 8, a supervisão comportamental tem como objetivo garantir a
informação que é prestada pelas entidades supervisionadas aos clientes relativamente à
comercialização de produtos e serviços bancários, deste forma a supervisão comportamental
abrange:
De acordo com Serralheiro (2014), a supervisão prudencial tem como objetivo garantir a
solvabilidade e liquidez das entidades supervisionadas pelo BdP contribuindo para a
salvaguarda dos depositantes.
Segundo Pica (2016), o sector bancário é regulado e supervisionado pelo BdP, este reforço
das competências advém da Diretiva 2013/36/EU as quais foram transpostas para o Regime
Jurídico relativo ao acesso à atividade das Instituições de Pagamento e à prestação de
serviços de pagamento.
8
Disponível em: [Link]
32
3.2 Associação Portuguesa de Bancos
A APB, agrega 32 associações bancárias nacionais que representam 4500 bancos na Europa,
fazendo parte da Federação Bancária Europeia (European Banking Federation – EBF).
Para além das funções, objetivos e metas anteriormente designadas a APB divulga através
de publicações, dados estatísticos que permitem uma análise da atividade do setor bancário
em Portugal. Nomeadamente: 1) boletins informativos onde nos permite obter uma análise
da atividade agregada das instituições financeiras; 2) boletins estatísticos onde é
disponibilizada informação não financeira e financeira em comparação sempre com o
período anterior; 3) Estatísticas; 4) Overview do Sistema Bancário Português, onde nos
permite obter um enquadramento macroeconómico, a APB recorre a dados do BCE, INE,
Eurostat, BIS e BdP.
9
Disponível em: [Link]
33
4. Tipologias de riscos na banca
Segundo a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas citado por Amaral (2015), os riscos
financeiros e riscos não financeiros fazem parte do quotidiano das instituições bancárias e
tornam-se assim, também um dos obstáculos e para tal as instituições financeiras devem
procurar uma gestão eficiente de forma a mitigar os riscos inerentes à mesma.
• Riscos financeiros: são riscos que estão diretamente relacionados com os ativos e
passivos;
34
• Riscos não financeiros: são riscos que resultam de circunstâncias externas,
nomeadamente relacionados com fenómenos sociais, económicos e políticos;
Segundo a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas citado por Amaral (2015), refere que os
empréstimos são uma das mais antigas atividades das instituições financeiras, estando por
isso associado o risco de crédito. Ainda, na mesma linha de pensamento Silva [et. al.] (2013),
refere que o risco tem de ter uma atenção especial, por parte das instituições internacionais,
nacionais e de supervisão bancárias.
Ainda de acordo com as mesmas linhas de pensamento dos outros autores, Rosário (2016),
salienta que o risco de o mutuário não cumprir com a dívida resulta de um evento de default.
Veloso (2016) considera este tipo de risco o mais relevante na atividade bancária, podendo
assim dividir-se em várias categorias:
• Incumprimento (default);
• Concentração – conforme referido por Bessis (2010) citado por Veloso (2016)
consiste em perdas potenciais, que decorrem de empréstimos a um número pequeno
de mutuários, ou a grupos de risco, ou em poucos setores de atividade;
Bessis (2010) citado por Veloso (2016), salienta ainda o risco de degradação da garantia
(colateral) que se traduz numa forma imediata da perda, resulta da probabilidade de
incumprimento sustentada pela qualidade da garantia oferecida.
Mattews e Thompson (2008) citado pelo autor Veloso (2016), os bancos minimizam o risco
de crédito em três formas:
35
Ainda na mesma linha de pensamento do autor, a literatura bancária define os empréstimos
suportados por garantias como colateralizados.
Segundo Silva [et al.] (2013:232) “a taxa de juro é uma das variáveis de mercado que mais
influenciam irremediavelmente um conjunto de ativos financeiros e que condicionam quase
universalmente todos os agentes económicos”.
Na mesma linha de pensamento dos autores anteriores, Pereira (2015) refere que o risco de
mercado está ligado ao risco de taxa de juro e risco de taxa de câmbio, bem como aos preços
de mercado, ou seja, à sua volatilidade.
Par tal, segundo Préfontaine et al. (2010) e Choudhury (2010) citado por Silva (2019) este
risco refere-se às reservas e disponibilidades do banco em não serem suficientes de forma a
cumprirem as suas obrigações. Este é também um risco que faz parte das recomendações do
Comité de Supervisão Bancária de Basileia (CSBB).
Neste contexto, o autor Bico (2016) refere a corrida à instituição bancária Northern Rock,
que ocorreu na Inglaterra em setembro de 2007 onde derivou de movimentações que
36
ocorreram nos mercados financeiros internacionais, o que levou a evidenciar uma reduzida
liquidez, assim o autor salienta que “após a sequência destes eventos, os Bancos Centrais
decidem intervir, de modo a acalmar os mercados e evitar um contágio sistémico global,
através de injeções avultadas de liquidez nos mercados interbancários”.
Em suma, o risco de liquidez deve ser acompanhado e gerido na medida em que o mesmo,
poderá ser mitigado através de medidas de controlo e gestão adequadas, a análise da posição
de liquidez serve para avaliar se a entidade dispõe de fundos líquidos para cumprir as suas
obrigações financeiras. (MAR,2007)
Complementando com Jorion (1997) citado por Guerra (2009), o risco operacional refere-se
a perdas potenciais que resultam das falhas de gestão, sistemas inadequados, erros ou fraudes
humanas.
De acordo com a tabela 4.2, podemos ver as rúbricas importantes na avaliação do risco
operacional, segundo o Modelo de Avaliação de Riscos (MAR).
37
Tabela 4.2: Rúbricas de Referência no Risco Operacional
Segundo o BSBS (2005) citado por Oliveira (2015), Basileia II prevê a utilização de três
abordagens diferentes em relação à mensuração do risco operacional, sendo os bancos
encorajados a avançar ao longo destas abordagens:
38
Tabela 4.3: Fatores de Risco e Eventos de Perda
Através da tabela 4.3, podemos ver os fatores de risco e eventos de perda, ou seja, um outro
tratamento do risco operacional para além do efetuado pelo Comité de Basileia.
39
5. Risco de Crédito
Após um enquadramento sobre a tipologia de riscos de crédito iremos abordar com um maior
destaque o tema de risco de crédito, umas das partes fulcrais ao longo da dissertação e que
constitui o risco mais relevante na generalidade dos bancos em Portugal.
De acordo com Gaspar (2014) citado por Dias (2014) o desafio mais relevante na gestão de
risco de crédito é encontrar um equilíbrio entre a qualidade do crédito e o crescimento da
carteira.
O risco de crédito está presente ao longo do ciclo, com início na concessão de crédito seguido
da sua monitorização e com finalização em situações de incumprimento no processo de
recuperação de crédito.
De acordo com Ferreira, (2014) a origem do crédito e da expressão utilizada surge no latim
(credo), tendo como significado a transferência de bens, ativos ou através da prestação de
serviços como forma de pagamento no futuro.
Para Mota [et al.] (2013), risco de crédito está associado a oportunidade e risco, uma vez que
as organizações recorrem ao mesmo para a concretização dos seus investimentos e risco
dado que poderá existir a possibilidade de o devedor entrar em incumprimento, de uma forma
mais sintética, a concessão de crédito trata-se na troca de um bem por contrapartida futura.
Silva [et al.] (2013:226), refere que o risco de crédito “é tanto mais relevante para a solidez
das IC quanto maior for a importância dos resultados obtida via atividade creditícia e maior
o volume dos ativos inerentes a essa mesma atividade […]”.
A situação de incumprimento pode ser originada por diversos motivos nomeadamente por
questões financeiras, má gestão, falta de vontade de cumprimento, estes são alguns dos
motivos que podem originar a contraparte não cumprir o pagamento.
Para Vaz, (1999:114), o risco de crédito numa carteira de empréstimos depende de:
Além dos fatores acima mencionados, existem outros fatores que influenciam o risco de
crédito e que ocorrem em períodos de maior recessão-depressão, tais como:
40
• Instabilidade social;
• Falência de empresas;
• Contração de mercados
De acordo com Mileris (2012) citado por Ribeiro (2017), associado ao risco de crédito
existem fatores macroeconómicos associados tais como: 1) fatores relacionados com os
mercados financeiros (ações, retorno de mercado e taxas de juro); 2) conjuntura
macroeconómica como o crescimento do PIB e mudanças no comportamento dos
consumidores; 3) condições relacionadas com fatores macroeconómicos como por exemplo,
a taxa de desemprego.
Assim, o risco de crédito está dividido em três subcategorias, que consideram o risco do
ativo ou do empréstimo se tornar irrecuperável em caso de default. Bessis (2010) citado por
Amaral (2015)
• Risco de Incumprimento
Segundo Bessis (2010) citado por Amaral (2015), o risco de incumprimento é considerado
como o risco de default, ou seja, segundo o autor, é o risco do mutuário não cumprir com a
dívida em caso de default, como o caso de atrasos no pagamento de um empréstimo, falência
ou liquidação do devedor.
41
O autor Figueiredo (2001) citado por Matias (2012:23) refere o risco de incumprimento
como o “risco de não pagamento, por parte do tomador, de uma operação de crédito –
empréstimo, financiamento, adiantamentos, operações de leasing- ou ainda a possibilidade
de uma contraparte de um contrato ou emissor de um título não honrar seu crédito”.
• Risco de Concentração
Amaral (2015) refere que o risco de concentração ocorre quando existe a possibilidade de
perdas em função de concentração de empréstimos elevados.
Nesta mesma linha, Figueiredo (2001) citado por Matias (2012) refere que este risco reflete
também a perda em financiamentos, empréstimos elevados para um particular ou grupo
económico.
Amaral (2015) aborda este risco como resultado de uma perda imediata, no entanto, também
na probabilidade de ocorrer um evento de default, ocasionado por uma desvalorização do
mercado, ou perda do património.
Figueiredo (2001) citado por Matias (2012:23) refere como uma “perda pela qualidade
creditícia do tomador de crédito, emissor de um título ou contraparte de uma transação,
ocasionando uma diminuição no valor de suas obrigações, Este risco pode acontecer em uma
transação, ocasionando uma diminuição no valor de suas obrigações. Este risco pode
acontecer com uma transação tipo aquisição de ações ou de títulos soberanos que podem
perder valor”.
Ainda neste contexto, Figueiredo (2001) citado por Matias (2012:23) apresenta mais duas
subcategorias: risco de degradação da garantia e risco soberano.
“Risco de perdas em função das garantias oferecidas por um tomador deixar de cobrir o valor
de suas obrigações junto à instituição em função de desvalorização do bem no mercado,
dissipação do património empenhado pelo tomador”.
• Risco Soberano
42
5.2 Análise e Acompanhamento do Risco de Crédito
A análise de risco de crédito consiste na avaliação dos riscos que podem ter impacto na
capacidade futura dos clientes. O processo de análise de crédito deve ter em consideração o
perfil de risco do cliente, finalidade do crédito e capacidade de reembolso do cliente.
Para uma melhor análise, é necessário na concessão de crédito passar por três etapas tornam-
se fulcrais, dado que a presença de risco de crédito é inerente a toda a operação de crédito.
O processo de gestão de risco de crédito vai da etapa inicial de análise, formalização da
operação até ao seu cancelamento, passando pelas fases de aprovação, acompanhamento e
recuperação.
• Aprovação
Complementando com Coleshaw (1989) citado por Geraldo (2005), existem técnicas de
avaliação seguidas pelos bancos, entre as quais destacamos as seguintes:
• Capacidade
• Margem Financeira;
• Garantia
• Montante;
• Finalidade/ objetivo do empréstimo;
• Reembolso.
É salientado por Coleshaw (1989), que a capacidade de gestão torna-se numa das análises
mais importantes da análise ao crédito, ou seja, nesta variável é permitido analisar o produto
ou o serviço da empresa, o mercado em que opera bem como o nível de competitividade do
mesmo.
43
A análise à margem financeira da empresa também torna-se fundamental na avaliação do
risco de crédito, como foi referido anteriormente que numa análise coletiva são usados rácios
económicos ou financeiros, também Geraldo (2005) salienta a importância da análise de
indicadores económico ou financeiros para complementar a análise da margem financeira.
Assim, podem ser analisados rácios económico financeiros, tais como: 1) Rácio de
Rendibilidade; 2) Rácio de Liquidez; 3) Rácios de produtividade ou eficiência e rácios de
estrutura.
De acordo com Breia, Mata e Pereira (2014), a avaliação do risco não se esgota nessa fase
de análise de risco de crédito, sendo um processo continuado de acompanhamento, controlo
e monitorização do crédito concedido e do risco associado.
44
perfil de risco de cada instituição, avalia os riscos que emergem das atividades desenvolvidas
(riscos intrínsecos) e análise dos dispositivos de governo da sociedade com a incorporação
de processos de controlo, de forma a mitigar os riscos incorridos.
Para além da avaliação do risco o MAR tem também como objetivo a avaliação da posição
da instituição financeira, em termos de liquidez e solvabilidade.
Com base no modelo de avaliação (MAR) a notação de risco é obtida, com base na agregação
das rúbricas da tabela 5.2. Esta agregação respeita ao risco que poderá ser ajustada pelo
supervisor e devidamente fundamentada pelo mesmo. A evolução esperada do risco,
segundo classificação obtida pelo MAR poderá ser aumentada ou diminuída até 0,5 pontos
no curto prazo (até 1 ano) consoante degradação ou melhoria do risco de crédito.
45
Tabela 5.2: Notação de Risco
Desta forma o modelo teórico tem por base a experiência e a sensibilidade do analista
financeiro, contudo tem por base também as exigências de Supervisão dos Acordos de
Basileia II e III, enquanto que os modelos empíricos utilizam técnicas estatísticas para a
ponderação dos rácios. (Carvalho, 2012)
Batista (2016) citado por Vasconcelos (2017), define o scoring como uma medida de
capacidade de crédito de uma pessoa singular ou coletiva. Esta medida resulta numa
pontuação final designada por score resultante da soma das pontuações que são atribuídas
pela primeira vez a um crédito ou a clientes com crédito rotativo.
10
O sistema de rating é um sistema de avaliação, onde são utilizados rácios e que apesar da sua utilização o
rating tem julgamentos profissionais.
46
Neste contexto de sistemas de análise de crédito são várias as definições apresentadas de
rating, veja-se:
Segundo Pereira (2017:28) o rating “consiste num instrumento de informação destinado aos
investidores, uma vez que, pode ser designado como um modelo de avaliação à credibilidade
de um tomador de crédito”.
São várias as definições que existem sobre rating, utilizadas por diversos autores e para tal
importa abordar que o rating se pode dividir em rating externo e interno. Segundo
Figueiredo (2017), o rating externo é atribuído pelas agências de rating mediante a avaliação
da qualidade do crédito e risco de dívida emitida, esta avaliação é feita sob a forma de letras.
No caso do rating interno, é aplicado pelas instituições de crédito (IC) quando se inicia o
processo de recolha de informações importantes acerca do cliente, assim a notação de risco
é tanto maior quanto maior for o risco de crédito associado.
Na mesma linha de pensamento (Batista, 2004), aborda a palavra rating como um indicador
de risco, que tem como função medir a probabilidade de cumprimento dos compromissos,
em que quanto maior for a probabilidade de cumprir atempadamente o pagamento de juros
e do capital maior será a notação atribuída.
Desta forma, as agências de rating utilizam os seus próprios modelos, mediante as escalas
de (AAA a D), as notações apresentadas abaixo dizem respeito à Standard & Poor`s (S&P),
sendo que as principais agências de rating utilizam indicadores semelhantes.
Como referido, a escala é de AAA a D, sendo AAA a mais elevada e D o mais baixo:
• AAA, AA, A e BBB são obrigações “investment grade”, ou seja, são obrigações que
estão salvaguardadas do risco de incumprimento;
• B, CCC, CC e C, são consideradas de maior risco e podem ser vulneráveis ao risco
de incumprimento;
• D, são obrigações que já estão em situação de incumprimento.
47
5.3 Imparidades em Créditos
A Imparidade consiste na perda de valor que os ativos de uma entidade económica sofrem e
que se vai traduzindo na diminuição de capacidade de os ativos gerarem benefícios no futuro.
De acordo com Silva et al. (2006) citado por Palmeirinha (2013) “a imparidade surge como
instrumento para modificar o valor do ativo, após a mensuração inicial, com a finalidade de
mostrar da melhor forma o benefício provável a obter no futuro a partir dele”.
Na ótica contabilística dos bancos, estes utilizavam até 2017 metodologias de cálculo de
imparidade com base na norma internacional IAS 39 (Instrumentos Financeiros:
Reconhecimento e Mensuração) para avaliação do risco associado à carteira de crédito e
quantificação das perdas incorridas e a partir de 1 de janeiro de 2018 entrou em vigor a
Norma Internacional de Relato Financeiro 9 “Instrumentos Financeiros” (IFRS 9) 11 em
substituição da IAS 39.
Neste sentido o BdP, no uso das suas competências que é lhe atribuída pelo artigo 120º do
Regime Geral das Instituições Financeiras, determina que a quantificação de imparidade em
carteira de crédito deve ser objetivo de avaliação por parte do auditor externo no que se
refere às metodologias e fontes de informação utilizadas.
11
A IFRS 9, tem por objetivo estabelecer princípios aplicáveis ao relato financeiro de ativos e passivos
financeiros que constituam informações importantes através das demonstrações financeiras.
48
A Instrução nº18/2018 no ponto 3 descreve como dever ser feita esta análise tanto individual
como coletiva.
De acordo com Pernão (2014), as perdas que ocorrem nas carteiras de crédito devem ser
identificadas e reconhecidas como imparidade a cada segmento de crédito. Para tal, num
âmbito de contexto de salvaguarda da estabilidade do sistema financeiro, por parte do BdP
em que a sua função é de acompanhamento e supervisão do sistema financeiro, torna-se
essencial abordar o ciclo de inspeções transversais iniciado em 2011, pelo BdP.
O BdP tem como missão assegurar a estabilidade do sistema financeiro, procurando assim
garantir um desenvolvimento natural, garantir a robustez e resiliência dos níveis de capital e
liquidez do sistema financeiro, para isso foram definidas estratégias que passam por proteger
a liquidez do sistema, melhorar o quadro regulamentar, um maior acompanhamento de
supervisão do sistema bancário, reforçar a solvabilidade dos bancos e proteger a liquidez do
sistema.
49
Figura 5.1: Características do Programa Especial de Inspeções
Fonte: BdP com base no Enquadramento do Ciclo de Inspeções Transversais 12
Esta medida tomada pelo BdP, abrangeu os oito maiores grupos bancários em 2011 que eram
nessa data: Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco Comercial Português (BCP), Banco
BPI (BPI), Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), Espírito Santo Financial Group
(ESFG), Santander Totta (BST), Rentipar Financeira (Banif) e Sistema Integrado do Crédito
Agrícola Mútuo (SICAM).
12
Disponível em: [Link]
relacionados/[Link]
50
Figura 5.2: Exercícios Transversais de Inspeção
Fonte: Banco de Portugal com base no enquadramento do Ciclo de Inspeções Transversais 13
Para além destas ações promoverem o reforço dos níveis de imparidade e provisões também
contribuírem para a identificação de melhores práticas em procedimentos da gestão de risco
e adoção de medidas corretivas referentes às deficiências e oportunidades de melhoria.
13
Disponível em: [Link]
relacionados/[Link]
51
6. Alisamento de Resultados na Banca
O alisamento de resultados define-se como sendo uma ação do gestor que conduz à
manutenção de um certo nível de resultados, com o objetivo de evitar que estes venham a
ter ao longo do tempo muitas variações.
De acordo com Tchebete (2017), as razões que levam os gestores ao alisamento de resultados
é pelo facto de levar os acionistas a sentirem mais confiança numa empresa que reporta os
resultados com uma certa estabilidade financeira. Outra razão é também o efeito que os
resultados possam ter no valor das ações no mercado.
Bhat (1996) citado por Nunes (2015), refere que os bancos alisam os resultados pelos
seguintes motivos:
Healy e Wahlen (1999) citados por Nunes (2015), referem nos seus estudos em relação à
manipulação de resultados que existem algumas evidências que os bancos utilizem provisões
para créditos de cobrança duvidosa, quer para aumentar lucro bem como para a redução da
rentabilidade.
52
Neste contexto conforme o Artigo do IX Congresso de Contabilidade e Auditoria (2002),
citado por Alves, S; Carmo, C; Cravo, D & Ferreira, A (2002) referem que no alisamento de
resultados, existem variáveis que são consideradas como um conjunto de instrumentos de
alisamento, tais como:
É importante salientar que as normas contabilísticas divergem de país para país, contudo
muitas vezes a discrepância nas informações prestadas acontece por interesses dos gestores,
ou seja, muitas vezes as suas remunerações estão dependentes dos resultados obtidos, o que
leva a uma importância bastante significativa na forma como são apresentadas, preparadas e
divulgadas as informações contabilísticas.
• O jornal de negócios refere numa notícia que: “O BES regista 4,3 mil milhões de
euros em imparidades” (Jornal de Negócios, 2014)
Com base no relatório de gestão do BES referente ao do primeiro semestre de 2014, o banco
identificou um prejuízo de 3.577,3 milhões de euros, essencialmente devido a ter registado
cerca de 4,3 mil milhões de imparidades que diziam respeito a períodos anteriores.
14
Disponível em: [Link]
financas/detalhe/bes_regista_42_mil_milhoes_de_euros_de_imparidades
15
Disponível em: [Link]
se-imparidades-nao-fossem-escondidas
53
7. Gestão de Riscos
No artigo 2º, alínea nº1 é referido que “a presente instrução é aplicável a todas as instituições
de crédito e empresas de investimento com sede em território português e sujeitas à
supervisão do Banco de Portugal”.
54
7.2 Aplicação da Gestão de Riscos no BES/Novo Banco, CGD, Millennium BCP,
Santander Totta e Montepio
BES/Novo Banco
Nos Relatórios e Contas do BES (2012 e 2013) é definido que a função de gestão de risco
permite identificar, acompanhar, avaliar e reportar todos os riscos que são relevantes, de
forma a que os riscos que se encontram interna como externamente se mantenham em níveis
que não afetem negativamente a situação patrimonial do grupo.
Neste sentido nos Relatórios e Contas (2014 a 2018) a definição de gestão de riscos encontra-
se praticamente detalhada da mesma forma, contudo é referido que a evolução dos níveis de
risco é reportada ao Comité de Risco mensalmente.
Na análise inicialmente feita aos relatórios e contas de 2012 a 2018, verifica-se a necessidade
de análise aos relatórios de 2012 e 2013, 2014 derivado das acontecimentos que aconteceram
no BES, 2017 pela nova alteração em termos de estatutos e do modelo de governação, o que
levou a que o Conselho Geral e os Comités passassem assumir mais responsabilidades e por
final o período de 2018 por ser o último período de análise desta dissertação.
55
também estas são detalhadas quase da mesma forma em ambos os relatórios, passando-se
então a referenciar algumas de forma a perceber-se quais são as funções deste departamento
com base no relatório e contas (2012):
Neste contexto de análise à forma como é detalhada a gestão de risco, verificamos que
existem dois pontos nas funções onde no relatório e contas (2013), que se apresentam de
uma forma mais detalhada, nomeadamente as seguintes funções:
Em termos de organização da gestão de risco, também esta é nos apresentada tanto em 2012
como em 2013 da mesma forma e começando mesmo o capítulo da gestão de risco, por nos
fazer referência que a definição de apetite de risco é da responsabilidade da Comissão
Executiva e é de salientar que a definição de funções e responsabilidades obedece ao
princípio das “Três Linhas de Defesa”.
56
Figura 7.2: Estrutura das Três Linhas de Defesa
Fonte: Relatório e Contas (2012 e 2013)
Neste contexto torna-se ainda importante salientar, como Ricardo Salgado referiu em
declarações à comissão parlamentar de inquérito ao departamento de risco global:
16
Disponível em:
[Link]
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57
porque tínhamos, rapidamente, credenciado o Banco dentro dos novos sistemas de análise
de risco e de ratings, os chamados IRB Foundation e o IRB Advanced”. (Inquérito da
Comissão Parlamentar ao BES, 2015:103).
58
Figura 7.4: Funções dos Comités Superiores
Fonte: Relatório e Contas (2013)
59
Figura 7.6: Funções dos Comités de Suporte
O ano de 2014, deve ser analisado dado ter sido o ano de transição do BES para o Novo
Banco e com isto trouxe mudanças no banco e nomeadamente também na forma como é
apresentada a gestão de risco no relatório e contas.
Na figura 7.7, podemos ver como se encontra organizado o departamento de risco global e
quando comparado com o período de 2012 e 2013 que apresenta diferenças nomeadamente
na ordem como se encontra organizado nas figuras 7.1 e 7.7.
60
Figura 7.8: Organização da Gestão de Risco
Fonte: Relatório e Contas do Novo Banco (2014)
61
comités a assumirem responsabilidades com bastante relevância na supervisão da gestão de
risco do grupo. É importante também salientar que a função de gestão de risco a partir de
2017 passou a estar centralizada no departamento de risco global e de rating.
Na figura 7.11 podemos ver que em 2017 foram incluídos mais três comités especializados,
o que nos leva a verificar que em 2017 houve uma alteração na gestão de riscos desde 2014,
já em termos de funções do departamento de risco global, as mesmas continuam detalhadas
de forma igual no relatório e contas.
62
Caixa Geral de Depósitos
A Caixa Geral de Depósitos efetua a gestão de riscos de uma forma centralizada, onde
abrange a avaliação e o controlo dos riscos de crédito, mercado e de liquidez onde são
consagradas as funções entre a área comercial e a área de gestão de risco.
Na figura 7.12, podemos ver as áreas de atuação da gestão de risco tanto em 2012 como em
2013 onde se encontram detalhadas da mesma forma. Neste sentido de forma a perceber-se
melhor a gestão de riscos, torna-se importante aprofundar as atribuições no Comité de
Gestão de Ativos e Passivos (ALCO), de forma a perceber-se a forma como está organizado
este comité e para tal foi usado o relatório e contas de 2012:
63
• Preparação de orientações estratégias em relação aos rácios de capital;
• Preparação de orientações estratégicas sobre a política de financiamento e liquidez.
No relatório e contas (2014), existem diferenças na forma como é tratada a gestão de risco,
ao analisar-se a figura 7.13 verificamos que em 2014 a gestão de risco tem uma maior área
de atuação, onde passa a ter presença o Conselho de Administração, Comité Geral de Risco
(CGRI) e o Conselho Delegado de Acompanhamento de Crédito (CDAC), em 2014 o
relatório passa também a fazer referência à Diretiva 2013/36/UE onde está suportada a
gestão de riscos com base em práticas explicitas nesta diretiva.
64
O Conselho Delegado de Acompanhamento de Crédito (CDAC) é responsável pela
atribuição, debate e decisão dos níveis de imparidade de crédito em conjunto com as áreas
de acompanhamento especializado, planeamento, controlo e contabilidade.
Em 2015, o relatório e contas apresenta uma estrutura no capítulo (1.10) da Gestão de Riscos
muito diferente em relação aos anos anteriores, onde não apresenta nenhuma figura que
mostre como se encontram as áreas de atuação da gestão de risco, desta forma em 2015 a
CGD dedica menos páginas neste capítulo, ou seja, fazendo apenas referência ao capítulo 3
ao qual se refere ao Relatório de Governo Societário, onde apresenta detalhadamente o
modelo de governação de risco e política de risco através da Declaração de Apetência pelo
Risco.
Já no relatório e contas de 2016, começa o capítulo da Gestão de Riscos por fazer referência
ao responsável máximo pela função de gestão de risco da CGD, designado por “Chief Risk
Officer” (CRO) o qual é membro da comissão executiva do conselho de administração. Na
análise ao ano de 2016, é de salientar a referência que o relatório nos faz na página 116, em
relação à criação do gabinete de validação de modelos que foi criado no final de 2016 com
o objetivo de consagrar o principio da segregação de funções, mais uma vez também este
relatório nos remete para o capitulo referente ao relatório do governo societário onde
podemos constatar que detalha os mesmo comités que em 2015 referentes à gestão de risco.
Em 2017 e 2018, os relatórios e contas dedicam o seu capítulo da gestão de riscos da mesma
forma detalhada ao de 2016 e fazendo mais uma vez, referência à criação do gabinete de
validação de modelos, com o objetivo de uma validação interna dos modelos de avaliação
de riscos.
Em suma após a análise da gestão de riscos ao longo de 2012 a 2018 nos relatórios e contas,
foi verificado que têm ocorrido alterações na forma quer ao nível de detalhe, assim como
nas áreas de atuação e ainda na forma como é detalhado este tema da gestão de riscos, desta
forma salienta-se o ano de 2016 pela criação do gabinete de validação de estudos com o
objetivo da segregação de funções.
65
Millennium BCP
O Millennium BCP dedica um nível detalhe maior à gestão de risco, quando comparado com
o BES/Novo Banco e CGD.
Neste sentido vamos analisar o período de 2012 e 2018, ou seja, o primeiro período durante
o horizonte temporal definido e o último período.
17
Esta subcomissão, tem como objetivo a evolução dos indicadores de crédito vencido e imparidade, bem
como nos casos de clientes em processo de recuperação de cliente.
66
• Comissão de Risco;
• Subcomissão de Acompanhamento do Risco de Crédito;
• Subcomissão de Risco dos Fundos de Pensões;
• Group CALCO;
• Group Risk Officer.
Ao analisarmos ainda o relatório e contas (2012), o Millennium BCP faz também referência
ao sistema de controlo interno que tem por base, três funções de controlo: Gestão de Riscos,
Compliance e Auditoria Interna. Ainda neste tema o Millennium BCP dedica-se à definição
das responsabilidades que os conselhos de administração têm no âmbito do sistema de
controlo interno, onde passamos a referenciar algumas:
67
Figura 7.15: Estrutura da Gestão de Risco
Fonte: Relatório e Contas Millennium BCP (2018)
O relatório e contas (2018) quando comparado com o relatório e contas de 2012, detalha
mais as composições, competências e responsabilidades por parte dos órgãos que fazem
parte da gestão de risco, nomeadamente a comissão de avaliação de riscos e comissão de
risco, existem também novas composições e competências em comparação com o relatório
de 2012. Desta forma, o relatório e contas (2018) apresenta a seguinte estrutura na gestão de
risco:
68
• Compliance Office;
Neste âmbito é importante referir que a função de gestão de riscos é uma parte integrante do
sistema de controlo interno, neste sentido as funções de gestão de risco e de compliance
formam o sistema de gestão de risco (SGR).
Neste contexto de análise à Gestão de Riscos do Millennium BCP, verificamos que não
houve mudanças significativas, ou seja, as mudanças que ocorrem de um relatório para o
outro (2012 e 2018) foi a nível de detalhe na forma como se encontram especificadas as
competências, composições e responsabilidades por parte dos órgãos da gestão de risco.
Santander Totta
A análise da gestão de risco do Santander Totta vai ser feita com base, mais uma vez, no
mesmo modelo que os bancos anteriores onde vai ser analisado o período de 2012 e 2018,
assim torna-se importante referir que a análise é feita com base no relatório e contas do
Santander Totta SGPS.
O relatório e contas (2012) faz referência que a função de gestão de riscos é transversal ao
grupo Santander Totta, neste sentido ao analisar-se o relatório e contas verifica-se que em
termos de princípios e deveres que a Comissão Executiva conferiu à função de gestão de
risco é transversal para o relatório e contas de 2018 passando a estar detalhado da mesma
maneira.
Desta forma com base nos relatórios de 2012 e 2018 alguns dos princípios e deveres são:
69
Ainda se verifica no relatório e contas (2012), logo na primeira página referente à gestão de
risco que os mesmos referem que em 2012 estava em aplicação pelo gabinete de
controlo/função de gestão de riscos uma metodologia “muito própria” com o objetivo de
avaliar o alcance e efetividade dos controlos e mitigação do perfil de riscos. Esta
metodologia aplicada não é referenciada no relatório e contas de 2018.
Desta forma esta metodologia própria foi criada, pelo Gabinete de Controlo/Função de
Gestão de Riscos (GCFGR) com o objetivo de avaliar o perfil de riscos e efetividade dos
controlos em que foram analisados num conjunto de testes em recomendações com o Comité
de Basileia, European Banking Autorithy (EBA), Committee of Sponsoring Organizations of
the Treadway Comission (COSO), Financial Services Authority, bem como também a
regulamentação portuguesa sobre o controlo interno que constante no RGICSF, no Modelo
de Avaliação de Riscos (MAR) e no Aviso Regulamentar nº3/200818.
Neste sentido torna-se importante salientar, segundo o relatório e contas (2012) que a
atividade desenvolvida pela Função de Gestão de Risco é abordada num relatório próprio,
com periodicidade anual.
O relatório e contas (2018) apresenta o seu capítulo da gestão de risco de uma forma
diferente, ou seja, começa por abordar a criação e implementação de um programa chamado
de Risk Pro, que foi implementado com o objetivo de envolver todos os colaboradores do
Santander Totta na gestão de riscos, contudo apresenta os mesmos princípios e deveres da
gestão de riscos.
É importante concluir que em ambos os relatórios (2012 e 2018) o Santander Totta dedica
um nível de detalhe maior a este tema da gestão de risco, bem como é de salientar que no
relatório e contas de 2012, o Santander Totta faz referência a um modelo próprio de avaliação
dos riscos e a um relatório anual onde é detalhado a atividade desenvolvida pela gestão de
riscos.
18
Disponível em:
[Link]
x
70
Montepio
É importante também referir que a análise da Gestão de Risco, foi feita com base nos
relatórios de disciplina de mercado, dado que no seu relatório e contas anual de 2012, a parte
do relatório dedicada a este tema, não o tratava detalhadamente, mas sim passando logo para
a abordagem de cada um dos riscos e sua evolução, contudo em 2018 como referido
anteriormente o relatório anual apresenta este tema bastante detalhado, o que nos leva a
verificar que o Montepio passou a ter uma maior ênfase na abordagem e importância da
gestão de risco e também pelo facto das notícias jornalísticas a que tem sido alvo.
Desta forma, a gestão de risco do Montepio é assegurada pela Direção de Gestão de Riscos
(DRI) que deve aconselhar o Conselho de Administração Executivo (CAE) em relação a
medidas de gestão de risco. A Direção de Gestão de Riscos integra três departamentos:
Com base na análise mais detalhada ao relatório e contas (2018), o Montepio dispõe de um
sistema de gestão de riscos que é um dos pilares de controlo interno. Esta função de gestão
de risco é feita pela Direção de Riscos e onde em complemento com a função de compliance
e auditoria interna assenta no sistema de controlo interno do Montepio.
71
• Monitorizar os indicadores de apetite ao risco aprovados;
• Apoiar a Comissão Executiva nas tomadas de decisões relativamente ao perfil de
risco do grupo.
Após a análise aos relatórios e contas (2012 a 2018), onde se começou por analisar o BES
verificou-se que nos relatórios e contas de 2012 e 2013 não houve alterações significativas
a nível da gestão de risco, desta forma foi necessário analisar o período de 2014 derivado
dos acontecimentos ocorridos, onde se constatou que não ocorreram alterações, já em 2017
salientou-se a alteração de estatutos e modelos de governação e onde a gestão de risco passou
a estar centralizada no departamento de risco global e de rating. Na CGD salienta-se que a
partir de 2015 o relatório e contas passou a fazer referência ao Relatório de Governo
Societário e em 2016 verificou-se a criação do Gabinete de Validação de Modelos. Na
análise feita ao Millennium BCP, verificou-se que os relatórios e contas de 2012 e 2018,
períodos estes analisados referem a utilização de um sistema de controlo interno o que até
aqui não se verificou detalhado nos relatórios e contas dos bancos anteriormente falados, já
no Santander Totta verificou-se uma metodologia designada nos seus relatórios e contas por
“própria”, o que comparado anteriormente com o BES/Novo Banco, CGD e Millennium
BCP não é referido nos seus relatórios e contas. O Montepio em comparação com todos os
bancos analisados anteriormente é o que dedica menos detalhe à gestão de risco e onde é
importante referir que o ano de 2012 teve ser analisado com base no relatório de disciplina
de mercado, dado que o relatório e contas não nos permitiu obter uma análise mais detalhada
da gestão de risco.
Em suma, verificou-se que tanto no BES/Novo Banco, CGD, Millennium BCP, Santander
Totta e Montepio referem a apresentação dos seus capítulos dedicados à gestão de risco com
o detalhe das diferentes áreas de atuação, comités ou então a explicação dos departamentos
que integra a gestão de riscos, pelo que nesta análise pode-se verificar em termos de
diferenciação entre estes bancos é a forma como detalham a informação que pretendem
72
disponibilizar, bem como o nível de detalhe dedicado à gestão de risco, no caso do Santander
Totta a designação feita nos relatórios e contas por “metodologia própria” diferencia-se em
relação à análise que foi feita aos outros bancos.
73
8. Acordos de Basileia
Neste capítulo iremos dedicar uma explicação sobre a importância dos acordos de Basileia
dado o seu impacto sobre o rácio de solvabilidade que irá ser abordado no capítulo 9.
Segundo, BIS (2013) citado por Figueiredo (2017:17) “O Comité de Supervisão Bancária de
Basileia (BCBS) é o padrão mundial para a regulação e supervisão prudencial dos bancos e
permite que haja uma cooperação na supervisão bancária”. Desta forma o Comité de Basileia
tem como objetivo a regulação e supervisão de forma a aumentar a estabilidade financeira.
8.1 Basileia I
Mendes (2013), refere que a julho de 1988 o Comité de Basileia publicou o denominado
Acordo de Basileia I, no entanto este acordo só viria a ser implementado em 1992. Este
acordo tinha como objetivo a garantia da estabilidade do sistema financeiro, através de
requisitos mínimos de capital para a banca.
74
Figura 8.1: Adequação de Capital (componentes)
Fonte: Banco de Portugal (Liquidez, Solvabilidade e Risco nas Instituições de Crédito: Rácios
Financeiros, 2017)
O acordo de Basileia I, conforme referido na figura 8.1 divide-se em duas partes: Capital
Principal (Core Capital ou Core Tier I) e Capital Suplementar (Supplementary capital ou
Tier II).
Assim, Mendes (2013) apresenta as seguintes definições para os dois tipos de capital:
• Capital Principal (Core Capital ou Core Tier I)- designado por pelo capital social,
lucros acumulados, reservas, prejuízos acumulados, imobilizações incorpóreas e
despesas pré-operacionais;
• Capital Suplementar (Supplementary capital ou Tier II)- este capital é constituído
por provisões gerais, reavaliação e provisões para o risco de crédito.
8.2 Basileia II
Basileia II, considerado como a evolução do rácio de Cooke considerou que os riscos
inerentes associados ao rácio de cooke decorriam não só dos riscos de crédito, como dos
riscos de mercado. Segundo Santos, (2013) refere que Basileia II viria a substituir o acordo
assinado em 1998 inicialmente divulgado em 1999, esta versão foi analisada de forma a
perceber os contributos do setor bancário, assim a versão final foi divulgada a 26 de junho
de 2004.
75
Requisitos de Capital no âmbito do Acordo de Basileia II
De acordo, com o Relatório de Estabilidade Financeira (2008) a junho de 2004 surge a versão
final do Acordo de Basileia II, sendo um culminar de um processo longo entre o Comité de
Basileia e Supervisão Bancária. O acordo de Basileia II, detém elementos relevantes de
Basileia I, nomeadamente a estrutura básica de 1996 relativa ao tratamento do risco de
mercado (Basel Committee on Banking Supervision).
O capital elegível deverá ser superior ou igual a oito por cento dos ativos ponderados, pelo
que se deverá verificar que o total dos ativos ponderados por risco corresponda à soma dos
ativos ponderados por risco de crédito e doze e meio dos requisitos de capital para o risco de
mercado e risco operacional.
As motivações que levaram a esta revisão de Basileia I para Basileia II foram a intenção de
substituir as categorias do risco de crédito. Assim, os bancos podem decidir entre duas
metodologias para o cálculo dos ativos ponderados por risco: Método Padrão e Método
baseado nas Notações Internas (IRB). Existem diferenças, entre estes dois métodos
nomeadamente a forma como baseiam as suas avaliações, ou seja, o método padrão baseia-
se nas avaliações externas do risco por agências de notação, enquanto que o método IRB
baseia as suas avaliações em avaliações de crédito desenvolvidos pelos próprios bancos,
também importa referir que no método padrão as ponderações de risco são fixadas pelo
Comité, através de notação externa, enquanto que no método IRB as ponderações do risco
são obtidas por ponderadores de risco.
A crise financeira levou a que a União Europeia decidisse elaborar um normativo de forma
a estruturar e regular o sistema bancário, dando assim origem a um novo acordo de Basileia.
Este acordo tinha como objetivo, aumentar a robustez do sistema bancário e financeiro, para
tal surgiu a necessidade da revisão do acordo de Basileia III. (Dias, 2014)
Complementando com o BdP, o acordo de Basileia III surge com o propósito de melhorar a
capacidade do setor bancário, para tal foi estabelecida uma definição mais restrita de capital
regulamentar (fundos próprios).
Almeida (2011), refere que em setembro de 2009 foram anunciadas um conjunto de medidas
pelos Governadores dos Bancos Centrais e Responsáveis de Supervisão, de forma a regular
e supervisionar o sistema bancário. Face ao exposto foram propostas as seguintes melhorias:
76
• Medidas macro prudenciais para melhorar a resiliência do sistema bancário;
• Medidas de supervisão micro prudenciais com o objetivo de melhorar as instituições
financeiras, referente ao stress financeiro e económico.
Com isto a crise financeira de 2007-2008 culminou um período de crédito excessivo,
devendo-se a vulnerabilidade do sector bancário a três fatores:
77
9. Rácios na Banca e a sua Importância
Com isto, a utilização de rácios serve para determinados fins como: análise de desempenho,
evolução, avaliação de estratégias, análise de crédito, provisão de falências, entre outros fins.
Na banca, muitos rácios são fonte relevante da supervisão e dos requisitos mínimos para o
exercício da atividade, assim estão neste grupo os rácios de transformação e solvabilidade.
Ferreira (2018), refere algumas das vantagens onde podemos salientar as seguintes:
78
9.1 Rácio de Solvabilidade
O rácio de solvabilidade define-se como o rácio de capital, que permite avaliar a segurança
em perdas futuras, assim como a liquidez.
De acordo com Santos (2013), o rácio de solvabilidade apresenta-se pela seguinte fórmula:
Fundos Próprios
Os fundos próprios, são constituídos pelos fundos próprios de base (Capital Tier 1, Core
Capital ou Basic Equity) e pelos fundos complementares (Capital Tier 2 ou Suplementary
Capital).
Os bancos têm especial atenção ao rácio de Core Tier 1, isto por ser o tipo de capital com
mais qualidade e também conhecido, segundo o BdP20 como o rácio mais valorizado nos
mercados como indicador de solidez financeira.
De acordo com o BdP, o rácio de Core Tier 1 estabelece um nível mínimo de capital que as
instituições deverão deter em função dos requisitos de fundos próprios decorrentes, este rácio
é o quociente entre os fundos próprios “Core” e as posições ponderadas em função do seu
risco.21
19
Disponível em: [Link]
20
Disponível em: [Link]
relacionados/[Link]
21
Baslieia III – Disponível em: [Link]
79
9.2 Rácio de Transformação
Depósitos de clientes
De acordo com Silva (2012), o rácio de transformação calcula a relação do crédito concedido
em função dos depósitos totais. De acordo com a síntese do sistema bancário português
(2012) na sequência do PAEF em Portugal, o BdP recomendou a redução do rácio para 120%
até 2014 para os oito maiores grupos bancários.
Para além dos rácios abordados como o rácio de solvabilidade e transformação que irão ser
usados para uma análise no capítulo 12 num âmbito quantitativo, existem também outros
rácios importantes para uma melhor compreensão dos dados e posterior análise referentes
ao crédito vencido e crédito em risco.
Desta forma começando pela definição de ambos os rácios, podemos definir o crédito
vencido, segundo o BdP22como o crédito que encontra-se vencido, ou seja, os montantes de
crédito que se encontrem por regularizar no prazo de 30 dias após o seu vencimento, já o
crédito em risco é definido pelo BdP consoante as seguintes condições:
22
Disponível em: [Link]
80
Figura 9.1: Conceitos para Análise da Qualidade de Crédito: Principais Caraterísticas
Fonte: Relatório de Estabilidade Financeira do BdP de novembro (2016)
A instrução nº23/2011, faz-nos também referência a estas definições, em que o crédito em
risco corresponde aos seguintes aspetos:
81
10. Caixa Geral de Depósitos
A Caixa Geral de Depósitos começou por ser administrada pela Junta do Crédito Público,
sucedeu do Depósito Público de Lisboa e Porto tendo sido a sua primeira organização com
base nas instituições estrangeiras idênticas, das quais se destacaram: em 1816 a Caisse des
Dépôsts et Consignations francesa e em 1865 a Caisse Générale d´Épargne et de Retraite
belga.
Desta forma, destacam-se alguns acontecimentos importantes da história da CGD, por ordem
cronológica:
82
10.2 Comité de Risco
No que diz respeita aos riscos de crédito o comité de riscos da CGD, tem em atenção os
seguintes pontos:
83
10.3 Risco de Crédito
A CGD apresenta o risco de crédito como o risco associado à capacidade do cliente de não
cumprir com as suas obrigações, o que faz o risco de crédito estar associado a perdas ou
incertezas.
84
• Cumprimento das condições contratuais acordadas com o Grupo.
Ainda neste sentido, no segmento do retalho a análise do risco de crédito é feita por modelos
de scoring e rating e por um conjunto de normativos.
Em suma, na análise aos relatórios e contas (2012 a 2018), verificamos que a forma como
tem vindo a ser abordado o risco de crédito tem sido semelhante, contudo salienta-se em
2016 a criação da Direção de Riscos de Crédito com o objetivo de desenvolvimento de
funções nas áreas de análise, decisões em operações de crédito e emissão de pareceres, em
2017 salienta-se a entrada em funcionamento de um novo modelo de decisão de crédito, com
a separação das decisões de risco e de pricing e por final em 2018 salienta-se a entrada de
um novo modelo de decisão centralizada de crédito a empresas, que teve como objetivo que
todas as operações de crédito tivessem a intervenção da direção de risco de crédito.
Neste âmbito de avaliação das imparidades, importa verificarmos com base nos relatórios e
contas do grupo, como se encontra detalhado em 2012 e 2018.
Nos relatórios de 2012 a 2017, encontra-se detalhado que a CGD procede à análise e
tratamento da carteira de crédito, com base em duas abordagens:
85
• Análise individual de imparidade trata-se de análise com clientes de elevada
exposição, onde é feita uma análise trimestral, que envolve três áreas: áreas
comerciais da CGD, área de gestão de risco e área de recuperação de crédito.
É importante salientar que a CGD refere que para os casos em que não foram identificadas
situações de imparidades, é criada uma provisão que esteja em conformidade com os fatores
de risco determinados para créditos que sejam semelhantes.
Na análise que será efetuada de qual o nível de incumprimento, o Grupo CGD efetua uma
análise individual dos clientes com base em:
Em termos de abordagem individual a CGD no seu relatório e contas (2018), tem em conta
as seguintes abordagens:
No caso dos clientes de grande exposição a avaliação da imparidade centra a sua avaliação
em:
86
• Verificação de operações com crédito, juros vencidos no sistema financeiro bem
como na CGD;
• Situação económico-financeira;
• Evolução da atividade do cliente.
87
11. BES/Novo Banco
Assim, destacamos algumas das datas importantes no BES/Novo Banco por ordem
cronológica:
88
11.2 Medida de Resolução Aplicada ao BES
Para além dos fatores mencionados, outro fator que contribuí para a situação do BES, foi a
falta de controlo por parte da administração relativamente ao Banco Espírito Santo Angola
(BESA) que levou a um excesso de concessão de crédito de grandes quantias e que por sua
consequência levou a uma perda de milhões de euros de capital. (Rocio, 2015)
A julho de 2014, o BES registou um prejuízo de cerca de 3,6 mil milhões de euros, resultado
este divulgado no primeiro semestre do ano onde 1,5 mil milhões de euros que respeitaram
a atos de gestão em incumprimento.
Neste contexto, foram descritas as seguintes situações que tiveram impacto no BES:
A transição efetuada pelo BdP, levou à transferência de ativos, passivos, ativos sob gestão e
elementos extrapatrimoniais, com estas medidas o objetivo foi a proteção dos depositantes e
do risco sistémico.
89
Figura 11.1: Organograma dos Principais Acionistas do BES
90
Figura 11.2: Organograma do Modelo de Governo do Novo Banco
Fonte: Novo Banco Relatório e Contas (2017)
• Apurar as práticas anteriores do BES, papel dos auditores externos, relações entre o
BES e o GES;
• Avaliação do quadro legislativo e regulamentar, nacional e comunitário, aplicável ao
sector financeiro;
• Avaliação a ligação entre o estatuto patrimonial e o funcionamento do sistema
financeiro;
• Avaliação das medidas de resolução aplicadas pelo BdP;
• Avaliar a intervenção do Fundo de Resolução.
Segundo o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito, umas das holdings que merece
destaque em primeiro lugar, é a situação da Espírito Santo Internacional (ESI), uma vez que,
91
se prendeu com o aumento excessivo do passivo aquando da realização do exercício
ETRICC223.
Neste sentido o BdP teve de intervir em três pontos que considerou como importantes, tais
como:
23
ETRICC2 – Exercício Transversal de Revisão das Imparidades.
92
• Aprovar e rever propostas do Conselho de Administração relativas à concessão de
uma nova operação de crédito ou de séries de operações de crédito;
• Apoiar e emitir recomendações do Conselho Geral e de Supervisão na supervisão da
implementação da estratégia de risco do Banco;
No BES (2012 e 2013) e Novo Banco (2014 a 2018) verifica-se que a definição de risco de
crédito não apresentou alterações significativas, pelo que o risco de crédito resulta da
possibilidade de ocorrerem perdas financeiras decorrentes do incumprimento do cliente ou
contraparte, no que respeita às obrigações contratadas.
Ao longo do processo de crédito, é efetuada uma gestão das carteiras de crédito através das
equipas que acompanham as sucessivas fases do processo de crédito, relativamente à
evolução do mesmo e monitorização das perdas.
Desta forma iremos analisar os relatórios e contas do BES/Novo Banco, sendo em primeiro
lugar analisado o BES e posteriormente o Novo Banco de forma a perceber-se o que mudou
a partir de 2014 e por final 2018 (último período de análise).
Conforme podemos ver na figura 11.3, nos relatórios e contas do BES (2012 e 2013),
podemos ver as diferentes fases do processo de crédito, que passam pela: originação,
monitorização e recuperação.
93
Figura 11.3: Fases do Processo de Crédito
Fonte: Relatório e Contas BES (2012 e 2013)
É importante salientar que na análise aos relatórios e contas do BES em 2012 e 2013,
relativamente ao risco de crédito, face aos diferentes segmentos de crédito foram
desenvolvidos sistema internos de notações, tanto para particulares como para empresas.
Neste sentido, podemos ver na figura 11.4 como se desenvolvem estes sistemas:
94
Figura 11.4: Critérios de Segmentação a Empresas
Fonte: Relatório e Contas BES (2012 e 2013)
No caso dos modelos de rating para as empresas, são efetuadas abordagens em função da
dimensão e setor, bem como utilizados modelos específicos que sejam adaptados a operações
de crédito, assim como: Project Finance, Object Finance, Acquisition Finance, Commodity
Finance.
95
Figura 11.5: Modelos de Scoring a Particulares
Fonte: Relatório e Contas BES (2012 e 2013)
Nos relatórios e contas de 2014 a 2018 é referido que foram desenvolvidos modelos de Loss
Given Default (LGD) e Credit Conversion Factors (CCF), onde em 2015 foi concluído o
processo de estimação de risco Expected Loss Best Estimate (ELBE).
96
As atividades de acompanhamento e de controlo de risco de crédito, efetuadas pelo BES
(2012 e 2013) tem por objetivo medir e controlar a evolução do risco de crédito e mitigar
perdas potenciais, neste sentido são constituídas pelos seguintes processos:
O relatório e contas do BES (2012 e 2013) faz referência, que o acompanhamento de clientes
com sinais de alerta é da competência da Comissão de Acompanhamento de Risco de Crédito
(CARC) e onde as conclusões são efetuadas com uma periodicidade periódica ao Comité de
Risco e à Comissão Executiva.
Neste contexto, verifica-se ainda que no Novo Banco o relatório e contas (2018) apresenta
o CARC de forma diferente, ou seja, onde não faz referência às funções, contudo nos
relatórios tanto de 2014 como 2018 fazem referência que o grupo de acompanhamento de
risco (GAR), em conjunto com GARC, os clientes são classificados com uma escala de risco
– Pré-Watchlist, Watchilist e Recuperação. Neste âmbito de análise são analisadas as
caraterísticas económico-financeiras dos clientes, ações de mitigação de risco, assim como
a estrutura de novas medidas de mitigação de risco.
97
Complementando esta análise à forma como é analisado o risco de crédito no BES (2012 e
2013) e Novo Banco (2014 a 2018), verifica-se ainda em 2017 a cisão do Departamento de
Risco Global (DRG) das áreas de Risco de Crédito e Monitorização de Risco de Crédito e
desta forma o Novo Banco criou o Departamento de Rating (DRT) com o objetivo de avaliar
o risco de crédito dos clientes.
Com base nos relatórios e contas o BES (2012 e 2013) verificamos que a avaliação é feita
de forma regular na sua carteira de crédito. Os créditos concedidos encontram-se em risco
de imparidade, quando o banco define que existe evidência objetiva de imparidade resultante
de um ou mais acontecimentos, após o seu reconhecimento inicial ou quando esse evento
tenha um impacto no valor recuperável dos fluxos de caixa de determinados créditos ou
carteira de créditos.
Já no Novo Banco no relatório e contas (2018) começa este capítulo das imparidades,
referindo os seguintes instrumentos de dívida para reconhecimento de imparidades:
• Carteira de Títulos;
• Linhas de Crédito não utilizadas;
• Garantias Prestadas;
• Crédito a clientes;
• Crédito Documentários de Exportação Confirmados;
Assim iremos analisar a evolução das imparidades com base nos relatórios e contas do BES
(2012 e 2013) e o Novo Banco (2018), de forma a perceber como se encontra detalhado e
organizado no BES e depois da transição no Novo Banco.
Para tal evidência, objetivo de imparidade verificamos que o BES (2012 e 2013) utiliza os
seguintes métodos de avaliação:
98
Os créditos avaliados numa base coletiva são aqueles que o grupo considera com
caraterísticas de risco semelhantes, ou seja, são avaliados numa carteira de créditos coletiva.
O cálculo da perda por imparidade numa base individual é calculado entre a diferença do
valor contabilístico do crédito e o valor atual dos fluxos de caixa futuros estimados,
descontados à taxa de juro efetiva original do contrato, enquanto que numa análise coletiva,
os créditos são avaliados em função da avaliação de risco definida pelo Banco, ou seja, as
imparidades coletivas têm por base os fluxos de caixa contratuais e a experiência histórica
de perdas.
Nos relatórios e contas do Novo Banco (2018) é apresentada a seguinte abordagem para o
cálculo da imparidade, definido em três etapas:
• Stage 1 – após a data de cálculo, perda esperada de potencial e perda nos próximos
12 meses;
• Stage 2 – perda de eventos esperados até à maturidade, aplicados à projeção dos
cash-flows contratuais;
• Stage 3 – perda entre o montante em dívida e o valor atual dos fluxos de caixa.
Stage 1
99
Stage 2
É atribuído pelo grupo à exposição/mutuário uma nota interna de risco, esta nota poderá estar
associada a uma probabilidade de entrada em default, para além das notas acima referidas
material há mais de 90 dias, nota interna de risco de crédito e indícios de risco no sistema
financeiro.
Stage 3
Neste contexto verificamos que a forma como se encontra detalhado o tema “Imparidades”,
no BES/Novo Banco tem vindo a ter alterações significativas, no entanto salienta-se que em
2018 no relatório e contas nas notas finais a abordagem para o cálculo de imparidade
apresenta-se por níveis de stage.
100
12. Evolução do Crédito no Sector Bancário
Ao analisar-se a evolução do crédito no setor bancário de 2012 a 2018, existem dois períodos
prévios para analisar e perceber qual o seu impacto na banca, são eles 2008 com a crise do
subprime e 2010 o ano anterior à intervenção da Troika.
A integração económica e financeira fez com que Portugal sentisse as consequências dos
mercados financeiros internacionais, de um modo indireto através do impacto do sistema
bancário e por fim a deterioração do enquadramento macroeconómico, ou seja,
desaceleração da procura externa e aumento da incerteza.
101
Na figura 12.1 abaixo podemos ver a evolução dos resultados e os principais indicadores:
Podemos constatar que de acordo com o boletim informativo da APB (2008), o ativo líquido
revelou uma taxa de crescimento, tendo o crédito a clientes apresentando no ano em causa
um crescimento de 11,8%.
Outra das variáveis que se salienta nesta tabela, são os recursos de clientes onde podemos
verificar um aumento de 11,0%.
No ano de 2009, Portugal ainda ficou marcado pela contração da atividade económica. A
margem financeira aumentou derivado da redução das taxas de juro de curto prazo e as
imparidades para crédito aumentaram, conforme referido pelo relatório de estabilidade
financeira do Banco de Portugal (2009), em termos de rendibilidade os resultados dos bancos
melhoraram depois da situação difícil em 2008 e dos primeiros meses de 2009.
102
12.2 Evolução do Crédito no Período de 2012 a 2018
Neste contexto do PAEF, a banca esforçou-se para reforçar os níveis de solvabilidade através
do através do cumprimento do rácio de Core Tier I mínimo de 8%, tendo sido este rácio
definido pelo Programa de Assistência Económica e Financeira, é de referir que em 2012
este rácio situava-se nos 9.6%. Neste sentido, o rácio de solvabilidade foi uma das
prioridades para os bancos portugueses, assim como o rácio de transformação em que o
objetivo foi até 2014 este rácio situar-se nos 120%.
103
Em 2015 a evolução da qualidade do crédito ainda não refletia as melhorias da atividade
económica, onde se reflete que o rácio de crédito em risco do setor privado agravou-se pelo
que as SNF tiveram destaque na carteira de crédito, já em 2016 os níveis de solvabilidade
diminuíram ligeiramente e salientou-se também a constituição das imparidades realizadas
pelos bancos.
O ano de 2017 já refletiu uma evolução positiva, marcada pelas melhorias macroeconómicas
sentidas, desta forma os resultados do setor bancário refletiram uma redução dos custos com
imparidades e provisões, já em 2018 a rendibilidade do sistema bancário melhorou,
decorrente de menos imparidades para crédito bem como a redução de empréstimos NPL
(non-performing loans) o que levou a um aumento dos rácios de cobertura por imparidade,
em 2018 também foi registado uma diminuição do custo de risco de crédito.
Neste sentido irão analisar-se no subcapítulo 12.3 de um modo quantitativo os dois bancos
alvo deste estudo, assim como a comparação com o setor em geral.
104
12.3 Análise do Crédito no Setor em Geral, BES/Novo Banco e CGD
Após a crise financeira de 2008 e a crise da dívida soberana na área do euro, houve diversos
fatores que condicionaram a atividade das instituições bancárias, entre eles as restrições aos
mercados financeiros, condições de baixos rendimentos, desequilíbrios dos balanços,
adequação aos níveis de liquidez e de capital, bem como um ambiente macroeconómico
desfavorável.
O esforço feito por parte das instituições financeiras com o objetivo de equilibrarem os seus
balanços, alcançarem os rácios de transformação impostos, baixo rendimento das famílias,
aumento do desemprego, bem como o aumento da carga fiscal tudo isto são fatores que
contribuíram para a redução da procura de crédito.
105
Empréstimos concedidos pelo setor financeiro
Tabela 12.1 Empréstimos Concedidos pelo Setor Financeiro
Fonte: Elaboração Própria com consulta ao Boletim Estatístico do BdP de 2012 a 2018
Nesta tabela pode ainda verificar-se que em termos de segmentos referentes às SNF as
pequenas e médias empresas são as que recorrem mais aos empréstimos financeiros, no caso
das famílias os empréstimos para habitação são os que apresentam um maior crescimento
quando comparado com o consumo e outros fins.
106
Figura 12.3: Evolução do Volume de Crédito na Área do Euro, Core e Periferia
Fonte: Revista de Estudos Económicos Volume V do Banco de Portugal (2019)
Podemos ainda verificar-se que de acordo com a revista de estudos económicos do BdP
(2019), a fase de recuperação do crédito bancário na área do euro teve início em finais de
2013 e inícios de 2014 e em primeiro lugar nos empréstimos às famílias enquanto que em
2018 os empréstimos concedidos por parte das instituições financeiras foram mais relevantes
nas sociedades não financeiras comparativamente com as famílias.
107
Gráfico 12.1 - Crédito a Clientes no BES/Novo Banco, CGD e Setor em Geral
Fonte: Adaptado dos relatórios e contas do BES/Novo Banco e CGD de 2012 a 2018
Tabela 12.2 – Evolução do Crédito a Clientes
Crédito a clientes 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
BES/NOVO BANCO 47.706.392,00 46.334.896,00 31.341.787,00 28.272.583,00 25.905.409,00 25.790.943,00 24.754.445,00
CGD 64.002.245,00 59.557.428,00 55.200.604,00 53.179.260,00 52.042.092,00 48.072.190,00 44.851.817,00
Em termos de comparação com os dois bancos em estudo o crédito a clientes tem vindo a
diminuir. O BES em 2013, apresenta no relatório e contas uma redução de 2,9 mil milhões
de euros. Esta redução no BES/Novo Banco entre 2013 e 2014 deveu-se ao ano de resolução.
A CGD, tem vindo também a apresentar uma diminuição do crédito a clientes embora mais
pequena. Em suma, se virmos em termos de evolução com o setor em geral analisado
anteriormente e com o auxílio da tabela 12.1, verificamos que os dois bancos mantêm a
tendência do setor em geral, ou seja, de diminuição do crédito a clientes.
Neste sentido, importa perceber a evolução dos níveis de incumprimento através de vários
indicadores, o que nos vai permitir perceber como tem sido a evolução em termos de crédito
em incumprimento.
108
12.4 Evolução dos Níveis de Incumprimento no BES/Novo Banco e CGD
Neste sentido em 2018, no Novo Banco iremos analisar o crédito vencido há mais de 90 dias
sobre o crédito a clientes e o crédito vencido total sobre o crédito a clientes, no caso da CGD
iremos analisar o rácio de NPL, bem como a cobertura de NPL por imparidades.
109
Gráfico 12.2 - Qualidade do Crédito – BES/Novo Banco
a) Valores não indicados por não serem comparáveis de acordo com o Relatório e Contas.
Fonte: Elaboração Própria adaptado dos Relatório e Contas do BES/Novo Banco de 2012 a 2017
110
Gráfico 12.3- Qualidade do Crédito CGD
Fonte: Elaboração Própria adaptado dos Relatório e Contas da CGD de 2012 a 2017
111
Ao analisarmos em separado o ano de 2018, com base nos indicadores disponíveis no
relatório e contas do Novo Banco24, verifica-se que o rácio de crédito vencido há mais de 90
dias sobre o crédito a clientes com 12,1% voltou a diminuir, assim conforme é referido no
relatório e contas de 2018, o rácio de cobertura de provisões aumentou face a 2017 em 4,5%
o que levou a um aumento de cobertura de crédito vencido e por final o rácio de crédito
vencido total sobre o crédito a clientes (12,3%) também diminui.
Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do BdP de 2012 a 2018
Durante o horizonte temporal definido, se fizermos uma análise com o setor em geral
verificamos que o rácio de crédito vencido tem vindo a aumentar no caso das SNF, por
comparação com as famílias, salienta-se neste sentido o ano de 2015 nas SNF com 15,8% o
que segundo o relatório de estabilidade financeira do BdP (2015) neste ano não tinham sido
ainda refletidas as melhorias na atividade económica, no caso das famílias o rácio de crédito
também aumentou (5,1%) contudo este rácio melhorou a partir de 2016, tanto nas SNF, bem
como nas famílias em virtude de um menor incumprimento de crédito.
24
Disponível em: [Link]
112
Em suma, verifica-se que dos rácios apresentados em ambos os bancos e que nos permite
uma comparação com a tabela 12.5 é o rácio de crédito em risco que no caso do Novo Banco,
em 2015 apresenta um aumento em comparação com o setor em geral, ou seja, com a tabela
12.5 onde também se verificou um aumento do crédito em risco em 2015, já a CGD apresenta
um acréscimo deste rácio em 2014, contudo não muito significativo em comparação com
anos anteriores.
Assim, nesta análise à evolução do rácio de solvabilidade iremos perceber com base em
dados dos relatórios e contas dos dois bancos em análise e com base nos dados do setor
através de dados da APB, a evolução deste rácio.
Fonte: Overview do Sistema Bancário Português (2012) com base em dados do BdP
113
dos bancos portugueses, assim a figura 12.4 demonstra um cenário de esforço, uma vez que,
para esta evolução o reforço do capital elegível destaca-se pelo seu contributo positivo.
Fonte: Adaptado dos Relatório e Contas do BES/Novo Banco, CGD e dados da APB de
2012 a 2018
Tabela 12.6: Evolução do Rácio de Solvabilidade no Sector em Geral, BES/Novo Banco e
CGD
Rácio de Solvabilidade 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
BES/Novo Banco 11,30% 11,80% 9,50% 13,50% 12,00% 13,00% 14,50%
CGD 13,60% 13,30% 12,70% 12,90% 14,10% 15,60% 17,00%
Setor Bancário 12,50% 13,20% 11,90% 13,00% 12,30% 15,20% 15,10%
Neste contexto de análise ao rácio de solvabilidade que tem em análise a totalidade dos
fundos próprios elegíveis, vimos anteriormente no subcapítulo 9.1 referente à explicação do
rácio de solvabilidade, que em 2011 o Programa de Assistência Económica e Financeira
(PAEF) reforçou os níveis de exigência referentes aos níveis de solvabilidade.
Na análise ao gráfico 12.4 em conjunto com a tabela 12.6, podemos constatar que o
BES/Novo Banco apresenta uma variação de 12,22%, a CGD com 12,32% e o setor em geral
114
uma taxa de variação de 13,31%, o que se pode constatar que em ambos os bancos alvo de
análise tem vindo a acompanhar o setor em geral.
Torna-se também essencial referir que no caso do setor bancário em geral, as melhorias de
2012 para 2013 refletiram, segundo o BdP 26 as operações de recapitalização através de
investimentos públicos e privados.
De uma forma geral, verificou-se uma melhoria ao longo deste período (2012 a 2018) no
rácio de solvabilidade, o que reflete tanto nos dois bancos em estudo como no setor em geral
um reforço de fundos próprios, bem como uma melhoria da rendibilidade.
25
Disponível em: [Link]
boletim/sistemabancario2015t4_pt.pdf
26
Disponível em: [Link]
boletim/sistemabancario2013t2_pt.pdf
115
12.6 Evolução do Rácio de Transformação no Contexto Bancário, CGD e BES/Novo
Banco
Em 2012, a banca tinha como objetivo uma redução do rácio de transformação, que se
situasse nos 120% até 2014, consequência do Programa de Assistência Financeira (PAEF)
em Portugal. Como se pode verificar, em 2013 esta tendência já se fez sentir tanto no
contexto bancário, como nos dois bancos em análise.
Neste contexto o BdP recomendou aos oito maiores grupos bancários que reduzissem o rácio
de transformação para 120% na sequência da aplicação do Programa de Assistência
Financeira em Portugal (PAEF)27.
Segundo Silva (2014), o processo de desalavancagem com o programa PAEF está centrado
na contração de ativos e diminuição do rácio de transformação, para tal torna-se necessário
uma diminuição dos créditos e um aumento dos depósitos.
Neste sentido através da análise ao setor em geral em comparação com os dois bancos em
estudo (BES/Novo Banco e CGD) iremos perceber como tem ocorrido a evolução deste
rácio.
27
Foi acordado, em maio de 2011, entre as autoridades portuguesas, a União Europeia e o FMI em que o
programa assentou em 3 pilares: consolidação orçamental, estabilidade do sistema financeiro e transformação
estrutural da economia portuguesa.
116
Gráfico 12.5 - Evolução do Rácio de Transformação
Fonte: Adaptado dos Relatórios e Contas de 2012 a 2018 do BES/Novo Banco e CGD
Tabela 12.7 – Evolução do Rácio de Transformação no BES/Novo Banco, CGD e Sector
Bancário
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
BES/NOVO BANCO 137% 121% 126% 113% 110% 88% 89%
CGD 114% 104% 95% 90% 91% 87% 81%
SECTOR BANCARIO 128% 117% 102% 96% 95% 92% 89%
Fonte: Adaptado dos relatórios e contas do BES/Novo Banco, CGD e Dados da APB de
2012 a 2018.
No capítulo 12.3, verificamos que o crédito a clientes ao longo de 2012 a 2018 tem vindo a
diminuir, o que se reflete na análise ao rácio de transformação onde os depósitos a clientes
têm vindo a aumentar.
117
Comparando os dois bancos em estudo com a média do setor, verificamos que a CGD
apresenta uma média inferior (94%) e desde 2014 que se verifica uma taxa média inferior a
100%, o que em termos de performance de liquidez apresenta um melhor rácio.
Em suma, podemos analisar o setor em geral e os dois bancos em estudo, onde podemos
verificar que o facto do rácio de transformação ter vindo a diminuir, levou a um aumento
dos depósitos e que exista tanto por parte das empresas como dos particulares um aumento
na captação das poupanças e não diretamente por via do desemprego no caso das famílias,
dado que ao analisarmos os dados desde 2012 e 2018 da Pordata com base no gráfico 12.8,
podemos verificar que a taxa de desemprego tem vindo a diminuir.
Fonte: Elaboração Própria com base em dados da Pordata em Portugal no período de 2012
a 2018
É importante também perceber a evolução dos depósitos no caso dos particulares e nas SNF,
onde através das tabelas 12.8 e 12.9 podemos ver numa análise a estas duas tabelas tanto os
depósitos a prazo como à ordem tem sido maiores no caso dos particulares, o que significa
que o rácio de transformação tem vindo a refletir uma melhoria por parte dos particulares.
Torna-se ainda essencial referir que logo no início do período analisado (2012), como
referido os depósitos foram maiores no caso dos particulares, dado que o período de 2012
118
foi de grandes incertezas devido à conjuntura macroeconómica e também marcado por um
período de difícil situação financeira, o que levou a uma maior captação de poupanças, as
SNF já não acompanharam a mesma tendência como se pode verificar na tabela 12.9, por
final se virmos os restantes anos salienta-se o ano de 2018 no caso das SNF onde os depósitos
a prazo foram bem mais pequenos em relação aos depósitos à ordem, contudo conforme o
relatório de estabilidade financeira de novembro (2018) do BdP refere que o passivo do
sistema bancário aumentou 1,5% tendo refletido um aumento dos depósitos, tanto nos
particulares com nas SNF onde podemos verificar esta tendência nas tabelas abaixo
apresentadas.
28
Disponível em: [Link]
119
Tabela 12.9: Evolução dos Depósitos das SNF
29
Disponível em: [Link]
120
Neste contexto de análise ao rácio de transformação, é importante ainda salientar que de
acordo com o objetivo do PAEF em 2012, os dois bancos alvo de estudo em comparação
com o setor em geral, conseguiram atingir uma melhoria do rácio de transformação.
Nos gráficos 12.7 e 12.8, podemos analisar no caso da CGD as imparidades acumuladas e
no BES/Novo Banco as provisões para crédito. Numa primeira análise aos gráficos
constatamos que na CGD estes rácios não foram calculados da mesma forma, pelo que em
virtude de ter havido alterações no formato dos relatórios e contas de 2018 da CGD
decidimos não apresentar dados de modo a evitar distorções ou necessidade de interpretar
ou identificar pressupostos no cálculo.
121
Tabela 12.10: Imparidades Acumuladas na CGD
Imparidades Acumuladas na CGD 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Imparidade Acumulada /Crédito Vencido 92,80% 91,00% 94,30% - - -
Imparidade Acumulada /Crédito Vencido >90 dias 100,60% 99,90% 102,30% - - -
Imparidade Crédito /Crédito a Clientes (saldo médio) - - - 0,78% 3,42% 0,13%
122
• A CGD, refere no seu Relatório e Contas de 2016 que: “Após o significativo reforço
de imparidades e provisões, e o write-off de créditos, o crédito em risco na CGD
reduziu-se para 10,5% da sua carteira” (…) (Relatório e Contas 2016:9);
O BES/Novo Banco utiliza o termo provisões, onde ao longo do período analisa diferentes
tipos de rácios, logo no período inicial de análise em 2012 para 2013 (BES), verifica-se um
aumento das provisões para crédito sobre o crédito em risco, se observarmos o relatório e
contas de 2013, verificamos que:
• O peso do crédito em risco, teve um aumento em 10,6% face a 2012 que tinha sido
de 9,4%, o que é explicado pelo aumento deste rácio através do aumento do custo
com provisões e imparidades em 1,4 mil milhões de euros.
Outro dos rácios calculados foi o das provisões para crédito sobre o crédito a clientes (bruto)
onde salienta-se no gráfico a descida bastante acentuada deste rácio e onde é explicada, pela
redução das provisões e imparidades (-36,7%) de acordo com o relatório e contas de 2018.
No ano de 2018 é apresentado o rácio de provisões para crédito sobre non-performing loans,
que segundo o relatório e contas (2018) faz referência que o elevado volume de NPL reduziu-
se de uma forma substancial, o que refletiu no final do ano uma carteira líquida de
imparidades inferior a 3 mil milhões de euros.
Dado em ambos os bancos em análise, nos serem facultados rácios diferentes não nos
permite uma comparação, pelo que iremos analisar as imparidades líquidas em ambos os
bancos.
Neste sentido, o BdP em 2012 levou a uma revisão e análise das carteiras de crédito (OIP –
On Site Inspections Programme) onde foram estimadas um reforço de imparidades aos oito
maiores grupos bancários.
123
Gráfico 12.9 – Evolução das Imparidades em Milhares de Euros no BES/Novo Banco e
CGD
2.000.000
1.500.000
1.000.000
500.000
0
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Adaptado dos Relatórios e Contas de 2012 a 2018 do BES/Novo Banco e CGD
Em 2012, todo o processo de ajustamento da economia portuguesa levou a que os bancos
aumentassem os seus níveis de imparidade, uma vez que, o aumento do desemprego e o
número de empresas a entrar em falência ou em processos de insolvência levou a um
aumento das imparidades para fazer face aos níveis de incumprimento em relação ao crédito.
Esta análise gráfica poderá indicar que alguns créditos são de facto malparados e que não
estão totalmente reconhecidos tanto no BES/Novo Banco assim como na CGD.
124
Gráfico 12.10 – Resultado Líquido do BES/Novo Banco e CGD
0
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
-500.000
-1.000.000
-1.500.000
-2.000.000
-2.500.000
Fonte: Adaptado dos Relatórios e Contas de 2012 a 2018 do BES/Novo Banco e CGD
Em termos de rendibilidade importa também analisar o resultado líquido, que após
analisarmos as imparidades verificamos que em 2016 no caso da CGD, onde verifica-se um
acréscimo significativo das imparidades regista um resultado líquido marcadamente
negativo, podemos também destacar no caso do Novo Banco em 2018 que regista um
resultado marcadamente negativo, mas onde houve uma diminuição do nível de imparidades.
125
Fonte: Overview do Sistema Bancário (2018)
900.000
800.000
700.000
600.000
500.000
400.000
300.000
200.000
100.000
0
2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Fonte: Adaptado dos Relatórios e Contas de 2012 a 2018 do BES/Novo Banco e CGD
Verifica-se que de uma forma geral a margem financeira não tem mantido a mesma tendência
ao longo do período analisado, ou seja, tem apresentado oscilações pelo que não
acompanhou o setor financeiro, nem o custo do capital. O BES/Novo Banco de 2012 para
2014 apresenta uma descida bastante significativa, onde a partir de 2014 até 2016 já
apresentou um amento da margem financeira, a CGD apresentou uma descida de 2012 para
2013, no entanto não foi tão significativa como a do BES/Novo Banco.
Por fim, conforme podemos constatar na figura 12.7 (Margem Financeira) o sector em geral
ao longo dos anos apresenta uma margem financeira com oscilações.
126
Figura 12.7: Resultado Líquido e Margem Financeira de Portugal vs Europa
Fonte: Séries Longas Setor Bancário Português 1990-2018 com base em dados do BdP e BCE
Por fim, se compararmos com os dois bancos em análise tem-se vindo a verificar que em
termos de imparidades o BES/Novo Banco apresenta uma maior descida, já em termos de
resultado líquido a tendência é a mesma, uma vez que, a CGD apresenta oscilações e por
fim a margem financeira ao longo de 2012 a 2018 onde são apresentadas oscilações,
conforme foi analisado nos gráficos 12.9, 12.10 e 12.11.
127
13. Conclusão
No presente trabalho pretendeu-se analisar a evolução do crédito, num período de sete anos,
em dois bancos em comparação com o setor bancário em geral. Assim, destaca-se a análise
de indicadores, como o rácio de solvabilidade, rácio de transformação e análise dos níveis
de incumprimento com base em três rácios: crédito em incumprimento sobre o crédito total,
crédito em risco sobre o crédito total e crédito vencido há mais de 90 dias, a utilização destes
rácios permitiu chegar a uma análise da evolução do crédito neste período.
Numa primeira análise observou-se a evolução em dois períodos prévios, 2008 (crise do
subprime) e 2010 (antes da intervenção da Troika).
Neste contexto analisou-se o crédito total nos dois bancos ao longo do período em análise
(2012-2018), onde se verificou que os empréstimos concedidos pelo setor financeiro
apresentaram uma diminuição, tanto nas sociedades não financeiras como nas famílias. No
BES verificou-se em 2013 uma redução de 2,9 mil milhões de euros, redução originada pelas
medidas entre 2013 e o primeiro semestre de 2014, a CGD apresentou um decréscimo desde
2013 embora mais pequeno. Desta forma, o setor em geral seguiu a mesma tendência de
decréscimo dos dois bancos em análise.
Desta forma, prosseguiu-se para análise aos níveis de incumprimento com base em rácios
anteriormente referidos, onde verificamos que em termos de crédito em incumprimento, a
CGD apresentou menores níveis de incumprimento nos três indicadores analisados nas
tabelas 12.3 e 12.4.
Podemos constatar que no Novo Banco entre o período 2014-2017, o rácio de crédito em
incumprimento sobre o crédito total apresentou-se no início do intervalo temporal em 2014
com 9,90% e no final do horizonte temporal com 18,30%.
128
horizonte temporal em 2012 apresentaram um rácio 4,1%, em 2014 de 4,9%, 2017 de 4,2%
e no último horizonte temporal (2018) de 3,9%.
Outro dos rácios analisados foi o crédito em risco sobre o crédito total, onde no período
(2012-2017) pela forma como se apresentou este rácio no início do temporal definido o BES
(2012) teve um rácio de 9,44% (2012) e o Novo Banco (2017), no final do horizonte temporal
apresentou um rácio de 23,60%.
A CGD no rácio de crédito em risco sobre o crédito total durante o período definido (2012-
2017), apresentou no início do horizonte temporal um rácio de 9,4% e no final do horizonte
temporal um rácio de 8,9%.
Por fim nesta análise aos níveis de incumprimento, outro dos rácios analisados foi o rácio de
crédito vencido há mais de 90 dias, onde no período definido (2012-2017), o BES (2012)
apresentou no início do horizonte temporal um rácio de 3,9% e no final do horizonte
temporal em 2017 (Novo Banco) um rácio de 16,30%.
A CGD na análise que foi feita a este rácio, apresentou no horizonte temporal definido (2012-
2017) um rácio de 5,3% e no final do horizonte temporal um rácio de 7,0%.
Neste trabalho tínhamos como objetivo a análise de alguns indicadores, assim de forma
analisar-se a estabilidade financeira dos dois bancos tal como o setor em geral foi analisado
o rácio de solvabilidade.
Desta forma verificou-se desde 2012 de uma forma geral que este rácio apresentou
aumentos. No período definido (2012-2018) o BES/Novo Banco apresentou um rácio no
início do horizonte temporal de 11,30%, no final do horizonte temporal um rácio de 14,50%.
Na sequência do PAEF, foi definido um rácio de transformação até 2014 com um limite de
120%, assim verificou-se que no BES/Novo Banco durante o período definido (2012-2018)
um rácio de 137% e no final temporal de 89%, já a CGD no mesmo período definido teve
um rácio de 114% e no final do horizonte temporal um rácio de 81%.
129
Em comparação com o setor em geral, verificamos que no período (2012-2018), no início
do horizonte temporal o rácio de transformação foi de 128% e no final do horizonte temporal
o setor em geral teve um rácio de 89%.
Outro dos rácios analisados na CGD foi também as imparidades acumuladas sobre crédito
vencido há mais de 90 dias, onde no mesmo período definido verificou-se que em 2012 a
CGD apresentou um rácio de 100,60% e em 2014 um rácio de 102,30%.
No BES/Novo Banco no período (2012-2017) foi possível analisar o rácio (provisões para
crédito/crédito a clientes bruto) onde se verificou no início do horizonte temporal um rácio
de 5,34% e no final temporal um rácio de 2,70%.
No rácio de provisões para crédito sobre crédito vencido há mais de 90 dias, constatou-se no
período definido (2012-2017), o início do horizonte temporal com um rácio de 136,90% e
no final temporal um rácio de 109,80%.
Em 2018 foi analisado com base no rácio de provisões non-performing loans, onde se
verificou que o volume de NPL diminui pelo que se refletiu no final do ano numa carteira
líquida de imparidades inferior a 3 mil milhões de euros, consequência da “limpeza” de
ativos.
Em termos de resultados o BES desde 2013 que tem vindo sempre a apresentar prejuízo,
salienta-se desta forma no Novo Banco no período definido (2016-2018) um aumento dos
resultados negativos, onde em 2016 foram apresentados resultados de 744.744 milhares de
euros e em 2018 resultados negativos de 1.432.875 milhares de euros.
Na CGD salienta-se em termos de análise que foi feita ao gráfico 12.10 o período (2016-
2017) com um aumento de prejuízo apresentando desta forma um resultado negativo de
2.050.413 milhares de euros e em 2017 um resultado de 24.641 milhares de euros.
Por fim analisou-se a margem financeira através do gráfico 12.11 onde se verificou no
BES/Novo Banco onde se salienta uma diminuição no período de 2014, assim verifica-se no
período definido (2012-2018), no início do horizonte temporal uma margem financeira de
658.154 milhares de euros, em 2014 uma margem financeira de 173.636 milhares de euros
130
e por final no horizonte temporal definido uma margem financeira de 446.241 milhares de
euros.
Na CGD salienta-se o período de 2013 com base na análise gráfica (12.11) onde se verificou
uma margem financeira mais baixa, assim podemos constatar que no período definido (2012-
2018), no início do horizonte temporal a margem financeira foi de 785.365 milhares de
euros, em 2013 verificou-se uma margem financeira de 442.714 milhares de euros e no final
do horizonte temporal definido uma margem financeira de 880.076 milhares de euros.
O rácio de solvabilidade do setor tem vindo desde 2012 a refletir melhorias, assim como o
rácio de transformação que no período em análise (2012-2018) acompanharam o objetivo de
redução deste rácio preposto em 2012 na sequência do PAEF.
131
14. Limitações e Perspetivas Futuras
Ao longo deste trabalho as maiores limitações encontradas neste estudo estão relacionadas,
por um lado com a dificuldade na obtenção dos dados nomeadamente em dados relativos à
análise dos níveis de incumprimento do setor em geral.
Por outro lado, numa análise aos relatórios e contas referentes aos rácios de provisões no
BES/Novo Banco e Imparidades na CGD relativos à forma como têm vindo a ser calculados,
ou seja, de 2012 a 2018 a informação tem vindo a ser alterada o que dificultou a análise no
capítulo dedicado a este tema.
Não obstante, estas limitações não impediram a realização deste trabalho e de concluir com
base nos dados investigados as conclusões necessárias para a obtenção deste trabalho.
As perspetivas futuras para o presente estudo são o aumento da amostra do número de bancos
e a análise de bancos estrangeiros com um maior número de anos analisados.
132
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Figura 5.3: Políticas, procedimentos e controlos
Anexo 2. Detalhe da Amostra da Instrução nº18/2018
Fonte: Instrução nº18/2018 do BdP (2018)
146
Anexo 3. Organograma da CGD
147