A Pequena Nuvem que Queria Escolher seu Caminho
No céu azul, bem alto, morava uma pequena nuvem branca chamada Clara. Clara
era macia, leve e muito curiosa. Ela passava seus dias flutuando devagar, olhando
o mundo lá embaixo.
Clara via muitas coisas.
Ela via casas coloridas.
Ela via árvores verdes.
Ela via rios brilhantes.
Ela via crianças brincando.
Clara gostava de observar tudo.
Mas havia algo que deixava Clara pensativa.
Ela não escolhia para onde ir.
O vento sempre a levava.
Quando o vento soprava para a direita, Clara ia para a direita.
Quando o vento soprava para a esquerda, Clara ia para a esquerda.
Quando o vento soprava rápido, Clara ia rápido.
Quando o vento soprava devagar, Clara ia devagar.
Um dia, Clara perguntou ao vento:
— Vento, por que você sempre me leva?
O vento respondeu com sua voz suave:
— Porque esse é o meu trabalho. Eu ajudo as nuvens a viajar.
Clara pensou por um momento.
— Mas eu queria escolher meu próprio caminho.
O vento soprou com cuidado e disse:
— Você está escolhendo. Você está aprendendo. Cada lugar que você visita
ensina algo novo.
Clara não entendeu completamente, mas continuou pensando.
Naquele dia, Clara passou por uma montanha alta. A montanha era grande e forte.
Clara nunca tinha visto algo tão alto.
— Olá, montanha — disse Clara.
A montanha respondeu com sua voz profunda:
— Olá, pequena nuvem.
— Você sempre fica no mesmo lugar? — perguntou Clara.
— Sim — respondeu a montanha.
— Você não quer ir para outros lugares?
A montanha respondeu com calma:
— Eu não preciso ir. O mundo vem até mim.
Clara ficou surpresa.
Ela nunca tinha pensado nisso.
O vento soprou novamente, e Clara continuou sua viagem.
Ela passou por um lago. O lago era calmo e brilhava com a luz do sol.
— Olá, lago — disse Clara.
— Olá, nuvem — respondeu o lago.
— Você nunca sai daqui? — perguntou Clara.
— Não — disse o lago. — Mas eu vejo o céu todos os dias. E isso me faz feliz.
Clara continuou pensando.
Mais tarde, Clara viu crianças brincando em um campo.
As crianças olhavam para o céu.
Uma delas apontou para Clara e disse:
— Olhe! Aquela nuvem parece um coelho!
Outra criança disse:
— Para mim, parece um sorvete!
Clara ficou surpresa.
Ela não sabia que podia ser tantas coisas.
Ela não sabia que podia fazer as crianças sorrirem.
Clara se sentiu feliz.
O vento soprou com cuidado.
Clara flutuou devagar.
Ela percebeu algo importante.
Ela não precisava escolher um único caminho.
Cada lugar que ela visitava era importante.
Cada viagem tinha um significado.
Cada momento era especial.
Clara não estava perdida.
Clara estava viajando.
Clara não estava sem escolha.
Clara estava aprendendo.
O vento soprou novamente.
Clara não ficou triste.
Clara não ficou preocupada.
Ela apenas flutuou.
Calma.
Leve.
Feliz.
E naquele dia, Clara entendeu algo que nunca tinha entendido antes.
Às vezes, o caminho não é algo que escolhemos no começo.
Às vezes, o caminho é algo que descobrimos enquanto seguimos em frente.
E Clara continuou sua viagem pelo céu.
Observando.
Aprendendo.
Mudando.
E sorrindo, enquanto o mundo sorria para ela também.