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Oliver, após ser maltratado, decide fugir de sua situação opressiva e parte em direção a Londres, sonhando com uma vida melhor. Durante sua jornada, ele reflete sobre suas dificuldades e se despede de um amigo do passado, que está doente. Com poucos recursos, Oliver enfrenta o frio e a fome, mas continua determinado a buscar sua fortuna na grande cidade.
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Oliver, após ser maltratado, decide fugir de sua situação opressiva e parte em direção a Londres, sonhando com uma vida melhor. Durante sua jornada, ele reflete sobre suas dificuldades e se despede de um amigo do passado, que está doente. Com poucos recursos, Oliver enfrenta o frio e a fome, mas continua determinado a buscar sua fortuna na grande cidade.
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Tão contrária resposta àquela que ele esperava fez com que o bedel hesitasse.

Deixou a fechadura, empertigou-se e


contemplou uma por uma as três testemunhas desta cena, sem proferir uma palavra. — Olhe, Sr. Bumble — disse a Sra.
Sowerberry —, Oliver naturalmente endoideceu. Uma criança que tivesse algum juízo não lhe responderia daquele
modo. — Não é loucura — disse o Sr. Bumble, depois de alguns instantes de reflexão, é carne. — Carne? — perguntou a
Sra. Sowerberry. — Sim, minha senhora, aquilo é carne — disse o bedel com um tom majestoso. — A senhora deu-lhe
carne a comer. Por isso fez com que ele criasse uma alma artificial, deslocada em pessoas daquela condição. Pergunte
isto aos membros do conselho, que são filósofos práticos. Que vale aos pobres ter alma? Já é muito que lhe
alimentamos a vida do corpo. Se lhe houvesse dado mingau, nunca aconteceria semelhante coisa. — Meu Deus! — disse
a Sra. Sowerberry, levantando os olhos para o resto da comida. — Aqui está o que é ser generosa! — Olhe — disse o Sr.
Bumble, à dona da casa —, na minha opinião o que se deve fazer é deixá-lo no celeiro um ou dois dias até que a fome o
enfraqueça, soltá-lo depois e alimentá-lo com mingau durante todo o tempo de aprendizagem; a família dele toda era
composta de gente raivosa; o médico e a alma disseram que a mãe chegara ao asilo depois de fadigas tais que teriam
morto outra qualquer mulher. O Sr. Bumble estava neste ponto do seu discurso quando Oliver, que ouvia assaz o
diálogo para compreender que tratavam de sua mãe, tornou a desprender pontapés na porta. Sowerberry chegou nessa
51 ocasião; explicaram-lhe o atentado de Oliver com a exageração que as duas mulheres acharam conveniente para
encolerizar o patrão; ele abriu a porta e trouxe Oliver pela gola. As roupas de Oliver tinham-se rasgado na luta; estava
com o rosto arranhado, os cabelos em desordem; estava porém calmo; ao sair lançou a Noé um olhar de cólera. — Você
é uma pérola! — disse Sowerberry a Oliver dando-lhe uma bofetada. — Ele insultou minha mãe — respondeu Oliver. —
E quando assim fosse... miserável — disse a Sra. Sowerberry. — Ele ainda disse pouco, ela merecia muito mais. — Não
— disse a criança. — Sim, sim — disse a Sra. Sowerberry. — Mente! — respondeu Oliver. A Sra. Sowerberry desatou a
chorar. A torrente de lágrimas não deixou ao marido nenhuma alternativa. Se ele hesitasse um instante em punir Oliver
mais severamente, é claro como o dia que segundo os usos recebidos nas brigas domésticas ele seria um bruto, um
marido desnaturado, tendo só de homem o rosto e mil outros epítetos agradáveis que não posso meter neste capítulo.
O fabricante de caixões de defunto tinha alguma estima ao pequeno, mas era impossível deixar de o castigar. O castigo
foi tal que a Sra. Sowerberry ficou satisfeita e a bengala paroquial do Sr. Bumble não entrou em serviço. Oliver foi
metido no quarto que ficava por trás da cozinha; de noite, abriram-lhe a porta e, no meio de descomposturas a ele e a
mãe, saiu o pobre Oliver para a cama debaixo do balcão. 52 Oliver entrou a refletir. Ouvira os sarcasmos e as injúrias
com desdém; sofrera a pancada sem um grito; já se ia desenvolvendo nele um sentimento de orgulho. Mas agora que
ninguém o via, ajoelhouse e derramou amargas lágrimas. Oliver ficou muito tempo nessa posição. A vela ia acabar de
arder quando ele se levantou; olhou prudentemente à roda de si, escutou atentamente; depois puxou o ferrolho da
porta e olhou para a rua. A noite estava fria e escura; as estrelas pareciam mais do que nunca longe da terra; não
ventava. As árvores tinham um aspecto sepulcral. Oliver fechou a porta e, aproveitando os últimos clarões da vela para
reunir em um lenço o pouco que possuía, assentou-se em um banco e esperou a madrugada. Desde que um raio de luz
penetrou na loja, Oliver levantou-se e abriu outra vez a porta, olhou timidamente, hesitou alguns instantes, depois
empurrou a porta para trás; estava na rua. Olhou para todos os lados, incerto sobre que caminho tomaria. Lembrou-se
de ter visto as carroças, quando saíam da cidade, galgarem juntamente à colina; foi pela mesma direção e chegou a um
pequeno atalho pelos campos, que iam ter à grande estrada; meteuse por ele e caminhou rapidamente. Lembrou-se de
ter ido por aquele atalho quando acompanhava o Sr. Bumble da casa onde fora criado ao asilo de mendicidade. O
caminho levou-o direitinho à tal casa; batia-lhe o coração violentamente, e ele esteve a ponto de voltar para trás; mas já
tinha andado muito e, se se desviasse, perderia muito tempo; demais era já tão claro que receava ser visto, continuara a
andar. Chegou à casa da velha onde fora criado; tudo estava silencioso; Oliver parou e olhou para o jardim; uma criança
estava ali capinando, e, no momento de levantar a cabeça, Oliver reconheceu um de seus antigos companheiros. Sentiu-
se contente por vê-lo antes de se ir embora; ainda que mais moço que ele, era aquele menino seu 53 amigo e
companheiro; tantas vezes tiveram fome, tantas vezes foram espancados ambos. — Silêncio, Dick! — disse Oliver,
vendo a criança correr à grade. — Já estão todos levantados? — Não, eu só. — Não digas que me viste, Dick; vou
fugindo; dão-me pancadas; vou buscar fortuna, tão longe que nem sei. Como estás pálido! — Ouvi dizer ao médico que
eu ia morrer — disse a criança com um ligeiro sorriso. — Estou bem contente por te ver, meu amigo; mas não te
demores. — Sim, até algum dia; estou certo de que nos havemos de tornar a ver; e então hás de estar bom e feliz. —
Feliz, creio, quando tiver morrido, e não antes. O médico tem razão, Oliver, porque eu sonho todas as noites com anjos.
Abraçame; adeus, meu amigo, que Deus te abençoe. Aquela bênção vinha da boca de uma criança, mas era a primeira
que Oliver ouvia. No meio das provanças, dos sofrimentos, das vicissitudes de sua vida, jamais a esqueceu. CAPÍTULO 8:
OLIVER VAI A LONDRES E ENCONTRA EM CAMINHO UM RAPAZ MISTERIOSO Chegando ao fim do atalho, achou-se Oliver
na grande estrada. Eram oito horas; e, posto que estivesse já a cinco milhas da cidade, correu e escondeu-se por trás de
uma cerca até meio-dia; assentou-se num marco de pedra, e pela primeira vez entrou a considerar que lugar escolheria
para ganhar a vida. 54 O marco indicava, em letras grossas, que a cidade de Londres ficava a 70 milhas; o nome Londres
despertou no espírito do menino uma nova série de ideias. Não poderia ele ir a Londres, a cidade imensa, onde nem o
sr. Bumble viria a descobri-lo? Oliver ouvira sempre dizer aos velhos mendigos do asilo que um rapaz de juízo nunca
ficava desamparado em Londres, e que havia nessa grande cidade meios de existência desconhecidos à gente do campo.
Era esse o lugar que convinha a um rapaz sem asilo, destinado a morrer na rua, se lhe não dessem a mão. Oliver
levantou-se e continuou viagem. Andou mais quatro milhas, sem pensar no que devia sofrer antes de chegar a Londres;
como essa ideia lhe surgisse ao espírito, atrasou o passo e pôs-se a pensar nos meios de lá chegar. Tinha no embrulho
que levava um pedaço de pão, uma camisa velha, dois pares de meias, e na algibeira um penny que lhe dera o Sr.
Sowerberry depois de um enterro em que se distinguira na alta qualidade de urubu. — Não é mal, pensava Oliver, ter
uma camisa lavada, dois pares de meias, e um penny; mas é escasso recurso para viajar 63 milhas a pé durante o
inverno. Oliver tinha, como muita gente, fácil penetração para descobrir as dificuldades, e lenta inteligência para achar
os meios de a remover; de maneira que, depois de refletir muito, sem achar a solução que procurava, pôs o embrulho às
costas e continuou a andar. Nesse dia andou 20 milhas sem comer outra coisa além do pedaço de pão e alguns copos
d'água que pediu à porta das cabanas. De noite, entrou em um campo, deitou-se ao pé de um moinho, resolvido a
esperar ali o dia. Ao princípio teve medo, ouvindo o assobiar do vento; sentia frio e fome; mais que nunca estava
desamparado; contudo o cansaço fê-lo dormir e ele esqueceu tudo.

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