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Sam e Funabem

O documento analisa a institucionalização de crianças no Brasil, destacando a criação da FUNABEM como resposta ao fracasso do SAM e seus desafios na proteção da infância. As autoras criticam a perpetuação de práticas abusivas e a falta de efetividade nas políticas de não-internação, que muitas vezes reproduzem erros do passado. Além disso, enfatizam os impactos negativos da institucionalização, incluindo torturas, estigmatização e a culpabilização das famílias.

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Sam e Funabem

O documento analisa a institucionalização de crianças no Brasil, destacando a criação da FUNABEM como resposta ao fracasso do SAM e seus desafios na proteção da infância. As autoras criticam a perpetuação de práticas abusivas e a falta de efetividade nas políticas de não-internação, que muitas vezes reproduzem erros do passado. Além disso, enfatizam os impactos negativos da institucionalização, incluindo torturas, estigmatização e a culpabilização das famílias.

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SAM E FUNABEM

Visão geral
O documento aborda a institucionalização de crianças no Brasil, analisando seu
percurso histórico e os desafios atuais relacionados à proteção da infância e à
convivência familiar.
Quais as ideias mais i mportantes das autoras presentes na seção O Anti-SAM:
Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor?
Na seção "O Anti-SAM: Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor", as autoras
destacam as seguintes ideias principais:

Criação da FUNABEM como resposta ao fracasso do SAM: A


Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor (FUNABEM) foi criada em 1964,
durante o regime militar, com o objetivo de substituir o Serviço de
Assistência a Menores (SAM), que havia se tornado sinônimo de corrupção,
clientelismo e práticas abusivas. A FUNABEM foi concebida como o "Anti-
SAM", com diretrizes que buscavam corrigir os erros do sistema anterior.

Valorização da vida familiar e integração comunitária: A FUNABEM


adotou como princípios a valorização da vida familiar e a integração do
menor na comunidade, defendendo que a internação deveria ser uma
medida de último recurso.

Problemas herdados do SAM: A FUNABEM enfrentou desafios


significativos ao lidar com a "herança" do SAM, que incluía uma rede de
internatos com condições sub-humanas e práticas de internamento
massivo. Apesar das reformas, a prática de recolhimento de crianças das
ruas continuou, muitas vezes de forma violenta.

Contradições na política de não-internação: Apesar da política


explícita de evitar a internação, a FUNABEM e as FEBEMs continuaram a
operar com um modelo de internatos, muitas vezes reproduzindo práticas
do SAM. A demanda por vagas em internatos permaneceu alta, e a política
de não-internação não foi plenamente implementada.

Impactos negativos da institucionalização: As autoras destacam que,


apesar das tentativas de reforma, a institucionalização continuou a ser
marcada por práticas que não garantiam o desenvolvimento integral das
crianças, como a alta rotatividade e a falta de apoio efetivo às famílias.
Essas ideias refletem as críticas das autoras ao modelo de institucionalização e à
perpetuação de práticas que não atendem às necessidades das crianças e
adolescentes, além de apont
Algo de errado ocorreu. Tente novamente.
Tente novamente
Havia outras práticas herdadas do SAM consideradas negativas, como considerar
os internos - crianças - como ameaças à segurança nacional?
Sim, o texto menciona que, durante o período do SAM (Serviço de Assistência a
Menores), as crianças internadas eram frequentemente vistas como ameaças à
segurança nacional, especialmente no contexto da ditadura de Getúlio Vargas.
Essa percepção estava ligada à ideologia da "segurança nacional", que justificava
a institucionalização de crianças e adolescentes pobres como uma forma de
controle social. Essa prática foi criticada por seu caráter repressivo e por
perpetuar a exclusão social, além de contribuir para a estigmatização dos
menores como "transviados" ou "delinquentes".
Havia outras práticas negativas em relação às crianças e adolescentes
internados?
Sim, o texto destaca diversas práticas negativas relacionadas à
institucionalização de crianças e adolescentes no Brasil. Entre elas:

Torturas e castigos físicos: Apesar de condenados pela pedagogia e


abolidos por lei nas escolas, os castigos físicos continuaram sendo
aplicados nos internatos, causando sofrimento e revolta entre os internos.

Indefinição do período de internação: Os internos viviam em


constante ansiedade e sofrimento devido à falta de clareza sobre o tempo
de permanência nas instituições, ficando à mercê da decisão das
autoridades.

Circulação entre instituições: Crianças e adolescentes eram


frequentemente transferidos de uma instituição para outra, o que
resultava em rupturas nos vínculos afetivos e sociais, agravando sua
situação de vulnerabilidade.

Culpabilização das famílias: As famílias pobres eram frequentemente


desautorizadas em seu papel parental, sendo acusadas de incapacidade
de cuidar e educar seus filhos. Isso justificava a institucionalização das
crianças.
Relações clientelistas: A internação de crianças era frequentemente
realizada por meio de práticas clientelistas, visando interesses pessoais
em detrimento das necessidades das crianças.

Estigmatização e discriminação: As crianças institucionalizadas eram


frequentemente vistas como "menores transviados", "viciosos" ou
"delinquentes", perpetuando preconceitos e marginalização.

Essas práticas contribuíram para a perpetuação de uma cultura institucional que


negligenciava os direitos e o bem-estar das crianças e adolescentes, além de
reforçar a exclusão social e a desigualdade.
Pode enviar citações com oáginas sobre os tópicos de sua resposta acima, por
favor?
Certamente! Aqui estão as citações com as páginas correspondentes sobre os
tópicos mencionados:

Torturas e castigos físicos: "Nos internatos, o conflito foi maior.


Abolidos dos regulamentos nas últimas décadas dos séculos XIX, mas não
das práticas disciplinadoras nas instituições, as denúncias de
espancamentos perseguem as instituições no século seguinte,
principalmente no atendimento aos encarcerados pela justiça." (Parte III,
página 75)

Indefinição do período de internação: "A despeito dos discursos e dos


planos de se criar 'escolas' para delinquentes/infratores, e não prisões, a
internação sempre foi vivenciada como punição, causando ansiedade e
revolta nos internos o desconhecimento do tempo de cumprimento da
'pena'." (Parte III, página 76)

Circulação entre instituições: "As histórias de vida e os levantamentos


realizados junto aos internos demonstram que a circulação pelos
internatos era prática comum também com relação aos desvalidos, mesmo
quando tinham família." (Parte III, página 75)

Culpabilização das famílias: "A intervenção sobre as famílias pobres,


promovida pelo Estado, desautorizava os pais em seu papel parental.
Acusando-os de incapazes, os sistemas assistenciais justificavam a
institucionalização de crianças." (Parte III, página 74)
Relações clientelistas: "A estruturação da assistência à infância como
um aparelho de Estado centralizador e de âmbito nacional, explicitamente
identificado com a defesa e a segurança nacionais, não eliminou a prática
do favorecimento na aquisição de vagas." (Parte III, página 74)

Estigmatização e discriminação: "Pesquisa recente realizada pela


equipe do CIESPI com cerca de 70 crianças e adolescentes com várias
passagens por abrigos no Rio de Janeiro mostrou que praticamente todos
consideram que são percebidos pela sociedade com preconceito: 'O que
acham de mim? Trombadinha, marginal, vagabunda, cheira cola...'" (Parte
III, página 72)

Essas citações destacam as práticas negativas que marcaram a história da


institucionalização de crianças e adolescentes no Brasil.

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