Cap 2
Cap 1.4
Era quase fim do intervalo quando abordei Helena que estava caminhando
sozinha:
— O-oi Helena - Sentia aquele nervosismo denovo e meu coração batia mais
rápido.
— Oi Akage! - Disse com uma voz animada.
— En-então… - Eu sentia as palavras sumirem e colequei minha mão na nuca,
um hábito de anos, tentando falar algo coerente quando de repente um cara
alto, loiro, de olhos cor ruby, lobo e cupido, chegou com a mão esquerda
encima dos meus ombros e a outra no bolso da calça. Saltei de susto e olhei
pra ele.
— Eai Akira? - Disse bem chegado. Eu não conhecia aquela pessoa, ou melhor,
não reconheci de cara - Não tô atrapalhando nada né? - Disse com um sorriso
amigável olhando para Helena. - Então, vai pra festa do final de semana? - Ele
tirou o braço dos meus ombros e me cutucou para eu olhar para frente.
— Que festa?
— Pensei que ele já tinha te convidado. Então, em alguns finais de semana o
pessoal do terceirão faz festa, aí eu convidei o Akira e seus amigos e disse pra
eles convidarem mais alguém se quisessem e o Akira disse que iria convidar tu,
a Bea e a Íris.
— Sério? - Ela demonstrou interesse - Quando?
— Eu não sei se vai ser sexta ou sábado, mas pode deixar que o Akira te avisa
por mensagem certinho depois. - Ele colocou sua mão no meu ombro
novamente, dessa vez só em um. A esse ponto eu já sabia quem era.
— Pode ser então. Vou te passar meu número Akira - Ela pega seu celular e eu
anoto seu número. - Eu vou indo agora. Até mais. - Ela vai embora com o
sorriso de sempre.
— Meu Deus… - Yuna suspira, larga meu ombro e volta a ser uma garota -
Ainda bem que eu estava aqui. Depois de tudo conseguimos um bônus.
— Muito obrigado Yuna. Eu de repente travei na frente dela. - Eu estava de
frente pra ela, mas olhava pra baixo encarando minha mão que estava suando
Cap 2 1
momentos atrás.
— Não pense muito sobre isso - Deu um empurrãozinho no meu ombro direito
para me fazer levantar a cabeça e sorriu levemente. Senti sua mão tremer
levemente. - Conseguiu uma oportunidade. - Ela se virou para ir embora em
passos largos. Eu vi suas mãos tremerem, mas decidi ignorar.
— Ei, mas tu vai tá lá se eu precisar né? - Corri um pouquinho para andar do
seu lado.
— Não sei. Não gosto de festas. - Ela continuava olhando pra frente e sorrindo
como se esperasse que eu insistisse.
— Por favor, vai! Eu não sei o que fazer perto dela! - Pedi em um tom choroso.
— E os seus amigos? Eles não podem te ajudar? - Deu uma risadinha.
— Isso é maldade. Tu não deveria ser meu cupido? - Olhei pra frente fazendo
bico.
— Ok - Ela entrou na sala, se virou pra mim e continuou a falar - Talvez eu vá.
Te vejo depois - E foi se sentar.
O sinal havia tocado logo após depois de eu terminar de falar com ela, então
fui pra minha sala. Na sala pensava o porquê suas mãos estariam tremendo,
mas logo meus amigos vieram para me tirar de meus pensamentos.
— Eai? O que fez durante o intervalo? - Veio Taehyun sentar a minha direita
com aquele sorriso sem expressão que ele sempre faz.
— A gente foi pra biblioteca conversar e depois fui convidar a Helena pra festa
do final de semana. - Deitei encima dos meus braços na mesa escondendo
minha cara - E vocês dois também estão convidados.
— Que festa? - Pergunta Garry que havia se sentado a minha esquerda. Antes
que eu pudesse responder ouvi alguém me chamar.
— Akira! - Olhei para a porta e vi que era Yuna ofegante. - Vem cá rapidinho.
— Que foi? - Cheguei perto dela e ela me estendeu o celular dela.
— Seu número. Preciso dele pra te avisar os detalhes da festa. - Peguei seu
celular, anotei meu número e então ela foi embora.
Depois disso eu voltei pro meu lugar e expliquei o plano de Yuna. As aulas
passaram lentamente após isso e quando cheguei em casa me atirei de
qualquer jeito na cama jogando a mochila pra algum canto. Na verdade não sei
se posso chamar esse lugar de casa, porque é tão grande que caberiam
Cap 2 2
algumas famílias aqui. É isso que eu meio que escondo das pessoas: Eu sou
um príncipe. Mais especificamente o herdeiro porque sou filho único. Moro em
um lugar que não é o mesmo da escola. É difícil explicar, mas é como se fosse
um lugar que fica em outra dimensão e que pode facilmente ser acessado pelo
portal que fica no centro da capital de Assilint, e é nessa capital que a escola
que estudo fica.
Ouvi alguém bater na porta e deixei que entrasse.
— Vossa alteza, sua majestade o chama para almoçar. - Era uma das
empregadas do castelo.
— Pode dizer pra ele que logo estarei lá - Ela então se retirou fechando a porta
enquanto eu suspirava me levantado para trocar minha roupa por algo mais
confortável.
Eu gosto de almoçar com meu pai, o problema é a minha madrasta/tia. Não é
que eu não goste dela, mas eu não conseguiria chama-la de mãe nunca,
mesmo tendo passado anos desde a morte da minha mãe, então ficou um ar
desconfortável entre nós depois do casamento. Eu nem sabia como chamar
ela. No final acabei chamando ela pelo nome mesmo, Jessye.
Depois de me arrumar atravessei os corredores até a sala de jantar e lá
encontrei os dois. Me sentei e começaram a servir a comida.
— Teve algo de diferente hoje na escola, Akira? - Jessye me perguntou com
um sorriso. Ela estava sentada a minha frente.
— Nada demais. - Só continuei a comer sem olhar pra ela.
— Akira, seu avô quer fazer um jantar em família pra falar do seu casamento. -
Virei minha cabeça para meu pai rapidamente e vi a cara dele de que já sabia
que eu não iria concordar com aquilo. - Eu sei que é meio cedo, por isso, pedi a
ele que vocês se conhecessem antes de decidir definitivamente. No jantar ele
só quer falar do ponto de vista dele e juntar a família. - Meu pai sorriu
gentilmente pra mim. Ele era muito legal comigo, principalmente depois que as
coisas ocorreram. Ele sempre tentava priorizar minha felicidade, mas ele era
um rei acima de tudo.
— Tudo bem. Obrigado. - Sorri pra ele e suspirando voltei a comer. - Pelo
menos sabe quem é a garota que ele escolheu?
— Ele não contou nem pra mim, só disse que é de uma boa família tradicional e
falou que ela seria perfeita pra você, mas não se sinta pressionado filho. Eu
não espero que você se case com alguém que foi escolhido.
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— Eu sei. - Eu não estava triste ou com medo de desapontar alguém, mas
estava um pouco nervoso pensando se eu deveria contar que tinha até um
cupido pra me ajudar a ficar com a garota que eu gostava.
— Falando no seu vô… Ele não tá muito bem da saúde então… - Ele deu uma
pequena pausa limpando a garganta - O que acha de fazermos uma visita hoje
mais tarde?
— Por mim tudo bem. - Meu pai sempre parecia hesitante quando ia me pedir
algo e eu nunca entendi isso.
Foi mais um almoço quieto como qualquer outro. O clima era estranho pela
pouca afinidade que eu tinha por Jessye, mas eles sempre garantiam que pelo
menos uma refeição por dia todos iriam estar juntos.
Passei o resto daquele dia jogando e fazendo alguns trabalhos da escola. Em
algum momento daquela tarde recebi mensagem de Yuna informando local,
data e hora da festa, depois segui o que fazia até as 7 da noite.
Nós fomos à casa do meu avô e no caminho eu ficava pensando em quem ele
escolheu pra mim. Chegamos na casa dele e quem foi que nos recebeu foi uma
empregada que nos levou até uma sala onde meu avô estava. Lá, ele se
levantou quando nos viu entrar.
— Oi pai - Meu pai foi na direção dele para ajudar a se levantar direito e lhe
alcançar sua bengala.
— Oi vô - Eu estava sorrindo, mas isso se desfez quando ele tossiu fortemente
- Tá tudo bem?
— Sim, sim. Eu só tô velho garoto - Disse ele com aquela voz rouca - Venha
aqui, vocês nem me visitam direito mais, daqui a pouco vou esquecer seus
rostos.
Me aproximei dele e ele bagunçou meu cabelo como se eu fosse uma criança.
— A cara da sua mãe… - Ele deu uma risada leve. - Como tem ido a escola?
Ele passou por mim indo na direção da porta junto com meu pai do lado.
— Tá tudo bem, não tenho muita dificuldade em nada - Segui eles atrás do meu
vô.
— Que bom. E suas aulas de magia?
Eu fiquei em silêncio. Eu era péssimo nisso apesar da minha linhagem e minha
metade demônio. Os demônios e variantes eram conhecidos como os melhores
em magia e a maioria dos famosos eram demônios por causa disso. Tosses
Cap 2 4
seguidas quebraram o silêncio. Eram vindas de meu avô que se curvava
tossindo. Eu fui para seu lado para ajudar meu pai a deixa-lo em pé, mas logo
ele colapsou e fomos correndo para o hospital.
Sua situação não era tão grave, mas podia piorar por conta da idade dele. Foi
recomendado pelo médico que não ficassem muitas pessoas a sua volta, por
isso, meu pai ficou no hospital e eu e Jessye voltamos pra casa. Eu realmente
não queria jantar sozinho com ela justamente num momento desses, então saí
pela janela do meu quarto discretamente e fui para as ruas da capital. Na
capital era um lugar muito mais tranquilo de se andar pela noite além de ter
uma ótima pizzaria com clima aconchegante. Era pra lá que eu iria naquela
noite esvaziar minha mente.
Na frente da pizzaria se podia ver as pessoas de dentro comendo felizes e
conversando. Eu era influenciado pelo humor das pessoas a minha volta então
essa visão automaticamente me deixou menos deprimido. Tirando minhas
mãos do bolso e o capuz do meu moletom, entrei na pizzaria procurando uma
mesa. Uma figura brilhante me chamou a atenção em uma mesa bem no canto.
Ela não brilhava realmente, mas a luz refletida no seu cabelo loiro fazia parecer
que era verdade. Logo me aproximei para cumprimenta-la.
— Não esperava te ver aqui. - Disse sorrido enquanto eu chegava perto.
— Eu muito menos. - Ela havia ficado em silêncio antes de falar e sorrir
levemente.
— Tá esperando alguém?
— Ah não, eu só vim porque deu vontade. E você? - Ela olhou de cima a baixo a
minha roupa - A Helena te convidou pra jantar ou algo assim? - Disse em um
tom de brincadeira.
— Queria muito, mas não é isso. - Continuei sorrindo, mas acho que não
escondi bem - Só me deu vontade de comer pizza também. - Dei de ombros.
Yuna me encarou por um tempinho, mas ela não estava mais sorrindo. Então
continuou:
— Senta aí. Eu ainda não pedi nada. - Ela ofereceu educadamente.
— Não vou estar incomodando? - Sorri sem graça.
— Não é nada, e ainda podemos falar sobre o que você pode fazer em relação
a Helena.
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— Uma cupido muito dedicada. - Fui me sentando - Sempre falando de
trabalho. - Ela deu uma leve risada como se estivesse algo a esconder.
Cap 3
cap 3.2
Cap 2 6