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Sarampo e Rubeola

O documento aborda os vírus do sarampo e da rubéola, incluindo suas classificações, morfologias, modos de transmissão e manifestações clínicas. Destaca a importância da vacinação e os dados epidemiológicos relacionados a surtos no Brasil, além de métodos de diagnóstico e tratamento. O sarampo e a rubéola continuam a ser preocupações de saúde pública, especialmente em populações vulneráveis.

Enviado por

Elias Paixao
Direitos autorais
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Sarampo e Rubeola

O documento aborda os vírus do sarampo e da rubéola, incluindo suas classificações, morfologias, modos de transmissão e manifestações clínicas. Destaca a importância da vacinação e os dados epidemiológicos relacionados a surtos no Brasil, além de métodos de diagnóstico e tratamento. O sarampo e a rubéola continuam a ser preocupações de saúde pública, especialmente em populações vulneráveis.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS


LABORATÓRIO DE VIROLOGIA

SARAMPO E RUBÉOLA

Profa. Dra. Rosimar N. M. Feitosa


VÍRUS DO SARAMPO

Histórico
Descrito no século X, por Rhazes

Estabeleceu-se na população
humana há 5.000 anos

1954: isolamento do vírus do sarampo


(John Enders e Thomas Peebles)
VÍRUS DO SARAMPO

Classificação
Ordem: Mononegavirales

 Família: Paramyxoviridae
 Subfamília: Orthoparamyxovirinae
Gênero: Morbillivirus
 Espécie: Measles morbillivirus (Vírus do
sarampo)

 24 genótipos (A, B1, B2, B3, C1, C2, D1, D2, D3, D4, D5,
D6, D7, D8, D9, D10, D11, E, F, G1, G2, G3, H1, H2)
MORFOLOGIA

• Partícula viral esférica: 100 a 300 nm


• Capsídeo de simetria helicoidal

Formam o
Formam o Capsídeo
Envelope
VÍRUS DO SARAMPO

Genoma viral
RNA, linear de fita simples, polaridade
negativa

Codifica oito proteínas

Seis estruturais (P, L, N, H, F e M)

Duas não-estruturais (V e C)
VÍRUS DO SARAMPO
Transmissão: Pessoa a pessoa: secreções
nasofaríngeas (tosse, espirro, fala).

A transmissão pelo contato direto com a urina de pessoas


infectadas tem sido relatada (rara).
Manifestações clínicas

# Sarampo Típico:
 Febre, anorexia, coriza, tosse e conjuntivite,
fotofobia;
 Secreção nasal profusa e mucopurulenta;
 Aparecimento do exantema e das manchas de
Koplik (pequenos pontos brancos que
aparecem na mucosa bucal), um sintoma
patognomônico do sarampo.
Manchas de Koplik
[Link]
9/[Link]

[Link]
br/wp-
content/uploads/sites/7/201
9/06/sarampo-1-
[Link]
Foto: OPAS
Manifestações clínicas

# Sarampo atenuado:
 Indivíduos parcialmente imunizados
contra o sarampo:
 Pessoas que receberam imunoglobulina anti-
sarampo após a exposição;
 Crianças com anticorpos maternos residuais;
 Pessoas que, ocasionalmente, apresentaram
resposta imunológica fraca pós-vacinação ou
infecção natural.
Manifestações clínicas

# Sarampo atenuado:
 É geralmente brando

 Período de incubação prolongado

 A febre é reduzida, as manchas de Koplik,


quando presentes, são poucas e
desaparecem rapidamente
Manifestações clínicas
# Sarampo atípico:
 Pessoas previamente vacinadas com uma
ou mais doses da vacina anti-sarampo
inativada com formalina e que foram
subsequentemente expostas à infecção
natural.
Manifestações clínicas
# Sarampo atípico:
 Reação de hipersensibilidade tardia, causada
por determinantes antigênicos comuns presente
nas vacinas.

 O vírus não foi isolado de pacientes com a


doença atípica e estes parecem não transmitir a
infecção para outros indivíduos.
Manifestações clínicas
# sarampo congênito:
 Observada ao nascimento ou nos primeiros dias do
nascimento.

 Varia de branda até um quadro fatal.

 Doença grave com índices de mortalidade que


excedem 3%, a maioria das mortes associadas à
pneumonia (ausência de anticorpos maternos).
Diagnóstico
 Eminentemente clínico.

 As manchas de Koplik são de grande valia


(patognomônicas).

 Se as manifestações clínicas não forem suficientes


para o diagnóstico, ou ainda, confundirem com
outras doenças exantemáticas, realizar métodos
específicos para sua confirmação.
Diagnóstico laboratorial
# Isolamento viral em culturas de células:

 A partir de secreções respiratórias, swabs de


nasofaringe ou conjuntiva, células
mononucleares do sangue periférico e urina.
 Durante a fase febril da doença.
 Técnica difícil e nem sempre disponível em
laboratórios clínicos.
Diagnóstico laboratorial
# Diagnóstico sorológico:
 No Brasil: técnica de ELISA para detecção
de IgM e IgG.
 Têm sensibilidade e especificidade entre 85 a
98%.
Diagnóstico laboratorial

# Biologia molecular:
 Detecção do RNA viral: RT-PCR

 A RT-PCR quando combinada à análise da


sequência de nucleotídeos, permite a
caracterização do genótipo viral, facilitando os
estudos epidemiológicos.
Epidemiologia
 Uma das principais causas de
morbimortalidade entre crianças menores de
5 anos, sobretudo as desnutridas e as que
vivem nos países em desenvolvimento;
 A incidência, a evolução clínica e a letalidade
são influenciadas pelas condições
socioeconômicas, o estado nutricional e
imunitário do doente.
Reintrodução do vírus do sarampo no Brasil
•11 estados: 10.326 casos confirmados
• Amazonas (9.803), Roraima (361), Pará (79), Rio Grande do Sul (46), Rio de Janeiro (20),
2018 Sergipe (4), Pernambuco (4), São Paulo (3), Bahia (3), Rondônia (2) e Distrito Federal (1)

•23 estados: 18.203 casos confirmados


• São Paulo (16.090), Amazonas, Pará, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina e Minas
2019 Gerais

•21 estados: 8.100 casos confirmados


•Pará (4.906), Rio de Janeiro (1.358),e São Paulo (879)apresentaram o maior número de
2020 casos.

• 6 estados: 668 casos confirmados


2021 • Amapá (527), Pará, Alagoas, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

•4 estados: 41 casos confirmados


•Amapá (30), São Paulo (8), Rio de Janeiro (2) Pará (1).
2022 • O último caso confirmado de sarampo no Brasil teve data de exantema de 05/06/2022.

•12 em 2018, 16 em 2019, 10 em 2020 e 2 em 2021.


•Em 2022, o Brasil não confirmou óbitos para sarampo.
Óbitos
Recertificação do Brasil
 2023: Nenhum caso confirmado.

 2024: 5 casos importados: São Paulo (2 - D8), Minas Gerais (1-


D8), Rio grande do Sul (1- B3) e Rio de Janeiro (1).

 Novembro de 2024: “Certificado de país livre do Sarampo”

 Cobertura vacinal: 80,7% (2022), 88,4% (2023), 92,3% (2024).

 2025: 38 casos: Distrito Federal (n=1), Rio de Janeiro (n=2),


São Paulo (n=2), Rio Grande do Sul (n=1), Tocantins (n=25),
Maranhão (1) e Mato Grosso (6).
Tratamento
 Não existe tratamento antiviral específico.

 Casos sem complicações: repouso e hidratação,


suporte nutricional e diminuição da hipertermia.

 Complicações como diarréia, pneumonia e otite


média devem ser tratadas de acordo com normas e
procedimentos estabelecidos pelo MS.
Prevenção e controle
 Vacina com vírus vivo atenuado: única
forma de prevenir a ocorrência do
sarampo na população.

[Link]
2018/[Link]
PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO - 2026
VÍRUS DA RUBÉOLA
Histórico
 Século XVIII: Médicos alemães de Bergan, em
1752, e Orlow, em 1758.

[Link]
VÍRUS DA RUBÉOLA
Histórico
 Hiro e Tasaka (1938): doença era transmitida
por um vírus.

 Conseguiram reproduzir a doença


inoculando crianças sadias com fluidos de
secreções nasais passados em filtros que
retinham bactérias.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Histórico
 1941: Oftalmologista australiano Norman
Gregg - correlações entre anomalias
congênitas e o quadro clínico da rubéola.

 Casos de catarata e outras patologias em


crianças recém-nascidas durante ou após
uma epidemia de rubéola.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Classificação
 Família: Matonaviridae

 Gênero: Rubivirus

 Espécie: Rubivirus rubellae (Vírus da


rubéola)

 13 genótipos
VÍRUS DA RUBÉOLA
Morfologia

• Partícula viral esférica: ~61 nm


• Envelope lipídico
• Capsídeo de simetria icosaédrica
• RNA, linear de fita simples, polaridade
positiva
VÍRUS DA RUBÉOLA
Transmissão
 Disseminação de gotículas ou através de
contato direto com os indivíduos infectados.

 Pouco frequente: contato indireto com


objetos recém contaminados com secreções
nasofaríngeas, sangue e urina.

 Rubéola congênita: transmissão por via


transplacentária da mãe para o feto.
Manifestações clínicas
# Rubéola pós-natal
 Doença exantemática aguda - sarampo de
três dias ou sarampo alemão.

 Apresenta alta contagiosidade.

 Acomete principalmente crianças.

 Pode ocorrer também na fase adulta.


Manifestações clínicas
# Rubéola pós-natal
 Sintomas clássicos: febre (3 dias), exantema
macular, linfadenopatia, conjuntivite, faringite e
artralgia.

 Infartamento dos gânglios cervicais posteriores


e occipitais e erupção cutânea: manifestações
mais proeminentes em 95% dos casos da
doença.
Crédito pela imagem: Google.

Imagem cedida por cortesia da Biblioteca


de Imagens de Saúde Pública dos Centros
de Controle e Prevenção de Doenças dos
EUA.
Manifestações clínicas
# Rubéola Congênita

 Consequência clínica da invasão do vírus da


rubéola nos tecidos fetais é variada.

 Se a infecção for perto da concepção, pode


resultar na morte do feto.
Manifestações clínicas
# Rubéola Congênita

 O feto sobrevive na maioria dos casos e a


gestação continua com nascimentos a termo
com a criança podendo apresentar
malformações ou anomalias congênitas.
Manifestações clínicas

Tríade da rubéola congênita

Catarata Patologias Surdez


cardíacas neurossensorial
RUBÉOLA CONGÊNITA

[Link]
Santos et al., 2021
RUBÉOLA CONGÊNITA

 Lactentes podem eliminar grandes


quantidades de vírus através das
secreções faríngeas e urina, por até 20
meses.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Diagnóstico laboratorial
 O material clínico preferencial: lavado
de orofaringe ou swab de nasofaringe.

 Pode ser isolado também de sangue


total, urina, saliva e LCR.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Diagnóstico laboratorial
 Isolamento viral em cultura de células:
isolado de secreções respiratórias 5 a 7
dias antes e depois do aparecimento do
exantema.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Diagnóstico laboratorial
 ELISA: teste mais empregado para
pesquisa de anticorpos das classes
IgM e IgG.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Diagnóstico laboratorial
 Na rubéola congênita, o vírus pode ser
isolado das fezes, urina e secreção
nasofaríngea logo após o nascimento.

 Nos fetos natimortos, é possível o


isolamento do vírus em todos os tecidos.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Diagnóstico laboratorial
 Diagnóstico da rubéola congênita: Não pode ser
estabelecido somente com base nos achados
clínicos;

 Isolamento viral em secreções ou tecidos, com a


demonstração da IgM anti-rubéola no soro do
cordão umbilical (método de escolha para o
diagnóstico da infecção congênita).
VÍRUS DA RUBÉOLA
Diagnóstico laboratorial

 Ministério da Saúde: fluxograma para a


interpretação dos resultados dos exames
sorológicos para o diagnóstico da rubéola pós-
natal, em gestantes e recém-nascidos com suspeita
de rubéola congênita, através do teste de ELISA.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Diagnóstico laboratorial
 Testes moleculares de amplificação do
ácido nucléico: diagnóstico das
infecções congênitas ainda nas
primeiras semanas de gestação.
VÍRUS DA RUBÉOLA
Epidemiologia
 Importância epidemiológica: possibilidade de
ocorrência da síndrome da rubéola congênita
(SRC), atingindo o feto e recém-nascidos de
mães infectadas durante a gestação.
 Brasil: certificado de eliminação da rubéola
(dezembro de 2015), cinco anos sem registros
de casos de transmissão da doença.
 Desde 2008 não registra casos de rubéola;
 Desde 2009 não registra casos de Síndrome da
Rubéola Congênita.

 Porém ainda é endêmica em 14 países da


Europa (Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Dinamarca,
França, Geórgia, Alemanha, Itália, Kazaquistão, Polônia,
Romênia, Sérvia, Suíça, Ukrânia)
VÍRUS DA RUBÉOLA
Tratamento
 Não há tratamento específico para casos de
rubéola sem complicações.

 Complicações decorrentes da rubéola:


desde diarreia até pneumonia e encefalite.

 As complicações são geralmente mais


severas em adultos que contraem o vírus.
E VOCÊ????

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