HISTÓRIA ECONÓMICA E SOCIAL
1. Introducão (bases da história económica e social)
1.1. A história económica e social: conceitos fundamentais e importância.
História do pensamento econômico
A história do pensamento econômico pode ser dividida, grosso modo, em três períodos: Pré-moderno
(grego, romano, árabe), Moderno (mercantilismo, fisiocracia) e Contemporâneo (a partir de Adam Smith
no final do século XVIII). A análise econômica sistemática tem se desenvolvido principalmente a partir do
surgimento da Modernidade.
Pensamento econômico antigo
As discussões mais antigas sobre economia datam da época antiga (e.g. a Artaxastra de Cautília ou o
Oeconomicus de Xenofonte). Desde então, até a revolução industrial, a economia não era uma disciplina
separada mas uma parte da filosofia. Na Grécia Antiga, uma sociedade baseada na escravidão mas
também um modelo de democracia em desenvolvimento e embrionário,o livro A República de Platão
continha referências à especialização do trabalho e da produção. Mas foi seu pupilo Aristóteles que fez
alguns dos argumentos mais familiares ainda nos discursos de hoje.
Escola do pensamento económico
Na história do pensamento económico, uma escola de pensamento económico é um grupo de pensadores
económicos que compartilham uma perspectiva comum sobre o funcionamento das economias.
Principais linhas do pensamento económico:
Escola clássica
Tem como principasis expoentes Adam Smith e David Ricardo e é baseada em livre mercado e em como
a mão invisível e o funcionamento do mercado podem permitir uma alocação eficiente de recursos.
A escola clássica sugere que , em geral, a economia funciona de maneira mais eficiente quando a
intervenção do governo é mínima e preocupada com a proteção da propriedade privada, a promoção do
livre comércio e os gastos limitados do governo, actuando em áreas como defesa, lei, ordem e educação.
Escola neoclássica
Os principais nomes destas escola são: Leon Walras, William Jevons, John Hicks, George Stigler e
Alfred Marshall. A escola neoclássica foi constituida sobre os fundamentos da economia clássica ,
baseada no livre mercado. Incluio novas ideias, como Maximização de utilidade, Teoria da escolha
racional e Análise marginal (que estuda como os indivíduos tomam cada decisão, escolhendo a melhor
opção).
A escola neoclássica é actuamente e frequentemente chamada de escola ortodoxa e é a economia
ensinada na maioria dos livros-texto como o ponto de partida para o ensino da economia.
Escola keynesiana
O principal nome dessa escola é John Maynard Keynes e foi desenvolvida nos anos de 1930 durante a
grande depressão.
A ortodoxa económica da época estava perdida para dar explicação para a grande crise que viviam e
Keynes defendeu a intervenção do governo para resolver a situação.
Acredita-se que a economia keynesiana tenha criado a Macroeconomia como um estudo destinto. Keynes
não regeitou todos os elementos da escola neoclássica , mas sentiu que novas ideias eram necessárias
para a Macroeconomia.
Escola Monetarista
O monetarismo foi em parte uma reação ao domínio da economia keynesiana no período pós-guerra. Os
Monetaristas, liderados por Milton Friendman, argumentaram que as ideias keynesianas de acção do
governo eram muito menos eficazes do que sugeriam. Os monetaristas promoveram ideiaias clássicos
anteriores, como a de eficiência de mercados. Eles também enfatizaram o controle de emissão de moeda
como forma de controlar a inflação.
A economia monetarista tornou-se influente nas décadas de 1970 e 1980, em um período de alta inflação.
Escola Austríaca
Esta é outra escola que criticava a intervenção do Estado e o controle de preços. Apesar de defender o
mercado livre, criticoiu algumas ideias da escola clássica – colocando ênfase no valor individual e nas
acções de um indivíduo. Por exemplo, economistas austríacos argumentam que o valor um bem reflete a
utilidade marginal do bem – não os custos de produção.
Essa escola tem como principais expoentes Ludwig Von Mises e Carl Menger.
Escola Marxista
Nessa escola, o alemão Karl Marx durante o século XIX, enfatizava as desigualdades sociais e
instabilidade do capitalismo. Em vez de defender o livre mercado, Marx defendia a intervencão estatal,
que deveria deter todos os meios de produção, pondo fim à propriedade privada, e sendo o responsável
pelo planeamento e distribuição de recursos.
Importância das escolas do pensamento económico
A economia é a ciência que estuda como alocar os recursos escassos de uma sociedade para obter o
maior bem estar possível. A alocação desses recursos, ou melhor, o modo como eles serão utilizados,
depende das políticas públicas e da acção do mercado.
Quando os formulários das políticas forem pensar como podem melhorar o ambiente económico têm de
levar em conta qual o melhor caminho a seguir.
Daí as diferentes linhas de pensamento económico. Cada uma das escolas de pensamento apresentada
foi influenciada pelo período em que viveram seus pensadores. Os economistas tentam explicar como a
economia funciona e como podemos resolver os problemas da sociedade.
Cada uma das escolas levanta questionamentos diferentes, mas todas têm o mesmo objectivo de trazer o
maior bem estar para as pessoas.
A História é uma ciência que, como tal, comporta vários métodos de trabalho com seus objetos e também
formas de escrita. No século XVIII, a História cresceu em importância como ciência e adquiriu novas
metodologias que a tornaram muito mais aprimorada. O passar do tempo só fez evoluiu o trabalho do
historiador, incorporando novos elementos de pesquisa, novas fontes, novas metodologias e novas formas
de se escrever. A historiografia desenvolveu-se de forma riquíssima.
Foi no século XX que surgiram as maiores inovações nas metodologias da História, oferecendo novas
formas de escrever os resultados das pesquisas. Uma releitura da História Geral que havia sido produzida
até então permitiu a apresentação de novos personagens e novas conjunturas para a História. Os diferentes
gêneros surgidos na historiografia permitiram tratar de temas já conhecidos com olhares e propostas
diferenciadas, revelando novas realidades.
A História Social é mais um gênero que ganhou muita notoriedade e espaço entre os historiadores. A
tradicional História Geral costumava tomar os acontecimentos como de longa duração, partindo das classes
dominantes e considerando suas rupturas apenas em grandes eventos. Novas formas de encarar a História
revelaram um passado bem mais rico em detalhes.
História social
História social é um campo da disciplina História que tem como objeto a sociedade como um todo. Surgiu
como uma reação à história política e militar, que destacava figuras individuais como reis, heróis, etc.
A História Social aborda objetos de pesquisa que são alheios ao mundo das elites, parte das classes
menos favorecidas na sociedade. Este novo modo de enfocar a História revelou amplos laços sociais e
concedeu o papel de protagonistas da História também para classes inferiores.
Este gênero ganhou força com a terceira geração da Escola dos Annales, especialmente através do
historiador Edward Palmer Thompsom, o qual é considerado o maior historiador inglês do século XX.
Thompsom integrou uma corrente comprometida com a “História vista de baixo”, cujo trabalho
empenhava-se em abordar camponeses, operários, escravos, pessoas comuns ou menos favorecidas da
sociedade para revelar maior riqueza das relações sociais.
História
Desde o início das reflexões sobre a história, com Heródoto e Tucídides, pode-se rastrear tentativas de
ampliar o objeto e a concepção do sujeito da história, mas é apenas no século XX que a história econômica
e a história social se desdobram intimamente ligadas. O surgimento da história social esteve ligado à
recepção do materialismo histórico de origem marxista, sua adaptação e modificação por diferentes escolas
históricas, especialmente pela Escola dos Annales, na França. A abordagem chamada história total também
teria fronteiras imprecisas com a história social, embora a história total privilegie inter-relacionar todos os
aspectos possíveis do passado.
Para Eric Hobsbawm, a história social pode ser vista a partir de três ângulos. Primeiro como a história
dos pobres ou das classes mais baixas com foco na "história do trabalho e das idéias e organizações
socialistas". Em segundo lugar como a história sobre "diversas atividades humanas difíceis de se
classificar". E, finalmente, como o estudo da combinação entre a história social e a história econômica. A
partir dessas três variáveis, identifica-se a mudança para uma história das coletividades, que vem fornecer
contribuições significativas a partir de vivências e experiências, que permitem uma mudança na
compreensão do desenvolvimento das sociedades no estudo historiográfico.
Importância da História social
Atualmente, a História Social é um dos gêneros mais utilizados entre os historiadores, mas a evolução da
ciência histórica mostrou que mais rico se torna o trabalho de pesquisa quando os elementos de uma
corrente são mesclados com de outras. Sendo assim, a História Social colhe muitos frutos quando utilizada
em paralelo com a Micro-História. Por sua vez, depende também do auxílio da História dos Conceitos para
solucionar suas questões.
1.2. A Historia Económica de Angola: Principais Fases
A história econômica de Angola pode ser subdividida em três períodos importantes: o primeiro compreende
a economia angolana na era pré-colonial, quando se tem a formação dos meios de produção e a estrutura
social dos existente nos povos que habitavam essa região; o segundo refere-se ao período colonial, que
durou 500 anos; e o terceiro retrata as bases estruturais da economia angolana na era pós-colonial.
Economia da Angola no período pré-colonial
Antes da chegada dos portugueses na região que hoje constitui o território angolano, era ocupada pelos
bochimanes, que desapareceram com a chegada dos povos “Bantos”, cujo termo significa “homem”.
Interessante que esses povos possuiam uma organização administractiva e econômica bastante
desenvolvida. Os bantos constituem a base da formação racial hoje em Angola.
Do ponto de vista administractivo, os bantos estavam organizados em reinos ou grupos étnicos como:
reino do Congo, reino do Ndongo e o reino dos Kwanhamas.
Antes da chegada dos portugueses em Angola, os povos que habitavam o país já praticavam uma intensa
actividade comercial, baseada na produtividade agrícola e na exploração mineira, principais actividades
econômicas da região. Esse comércio estava restrito ao continente africano, visto que uma das principais
dificuldades eram os poucos conhecimentos sobre a navegação, de tal forma que o mar foi um dos
obstáculos físicos ao comércio com outros povos.
As primeiras relações comerciais com povos não africanos foram com os portugueses, em 1482, com a
chegada da primeira delegação portuguesa comandada pelo capitão português Diogo Cão.
As primeiras trocas comerciais entre Portugal e Angola ocorreram na foz do rio Zaire. Nessa ocasião, os
portugueses trouxeram produtos como armas de fogo, produtos manufacturados e outros, recebendo em
troca por parte de Angola, produtos como marfins e minerais.
Economia da Angola no período colonial (1930-1974)
Portugal, colocou sob seu domínio o povo angolano e assim a produção de Angola passou a ser
subordinada aos interesses da coroa portuguesa, que tinha como obrigatoriedade, dedicar-se à agricultura
e à actividade extrativa. Portanto, a colónia só poderia produzir o que a metrópole não tinha condições de
de fazer, em suma, a função principal da economia colonial era servir à metrópole aqueles produtos que
ela necessitava e não tinha condições de produzir.
Durante o período colonial, o fator principal e essencial de produção que dinamizava a economia angolana
era o factor trabalho, considerado o grande pilar do sistema colonial, visto que um dos principais interesses
da potência colonial era o fomento de uma economia de exportação tropical (café, milho, sisal, algodão e
óleo de palma) e extrativa (mineiros), apoiado na manutenção do trabalho forçado.
Então pode se notar que, durante esse período, esse factor de produção era pouco remunerado.
Na economia, a estratégia colonial assentava na agricultura e na exportação de matérias-primas. O
comércio da borracha e do marfim, acrescido pela receita dos impostos tomados às populações, gerava
grandes rendimentos para Lisboa.
Economia da Angola no período pós-colonial
em 1975, quando Angola se tornou um Estado independente, a economia apresentava-se próspera, quer
devido à existência de exportações consideráveis de produtos agrícolas (café, algodão, açúcar, sisal e
outros provenientes de plantações; milho proveniente de explorações tradicionais) e minerais (diamantes,
ferro e petróleo) e mesmo de serviços (particularmente através de trânsito para o Shaba, antigo Catanga,
pelo caminho de ferro de Benguela), quer devido ao início de um processo de industrialização.
É sabido que a situação de prosperidade foi interrompida pela guerra civil e apenas após 2002 se assistiu
a um forte relançamento da economia. Contudo, esse re-arranque foi baseado na exploração bruta do
petróleo e não em qualquer processo de industrialização sustentado. Mesmo naquilo que se refere ao
petróleo não houve a preocupação de o integrar num processo de industrialização e fazer com que Angola
fosse um país que apostasse na transformação da sua matéria prima em vez de a exportar bruta. Isso
significava investir na refinação, na petroquímica, na produção de fertilizantes o que não aconteceu.
Chegados à segunda década do século XXI, a situação da economia torna-se preocupante quando a
exploração do petróleo já não satisfaz devido à baixa do seu preço. Neste quadro, começa-se a falar de
diversificação da economia e a olhar para a indústria.
Actualmente economia angolana é baseada no setor primário, com destaque para as atividades de
extrativismo. O país é um grande produtor de petróleo, gás natural e diamantes. Na agricultura, os principais
produtos cultivados são café, milho, amendoim e algodão. Os principais rebanhos são de bovinos e suínos.
Já a indústria é caracterizada pela transformação de bens primários, com destaque para fábricas de
alimentos, bebidas, celulose e cimento. No terceiro setor, predominam o serviço público e o comércio.
1.3. Período pré-colonial de História de Angola
História pré-colonial
Na Lunda, no Zaire e no Cuangar foram encontrados instrumentos de pedra e outros, dos homens do
Paleolítico. No Deserto do Namibe foram encontradas gravuras rupestres nas rochas. Trata-se das gravuras
do Chitundo-Hulu, atribuídas aos antepassados dos san.
Nos primeiros quinhentos anos da era actual, as populações bantu da África Central, que já dominavam a
siderurgia do ferro, iniciaram uma série de migrações para leste e para sul, a que se chamou a expansão
bantu.
Os primeiros habitantes do actual território angolano
• Os Pigmeus
• Os Khoissan
• Os Vátuas e Kuisses
A população angolana de hoje forma um só povo e uma só nação, mas isto não foi sempre assim.
Houve um tempo em que o território angolano actual era habitado por vários povos que muitas vezes eram
inimigos uns dos outros.
O povo mais antigo que habitou o território angolano há milhares de anos, foi o dos Khoissan. Estes, viveram
sempre em tribos sob a forma de comunidade primitiva na zona de savana.
Algumas partes do actual território Norte e Nordeste de Angola (Cabinda, Zaire, Uíge e Lunda-Norte) foram
habitadas por Pigmeus.
Grupos etno-línguisticos bantu
As populações de origem bantu formaram em Angola nove etnias, ou povos, que são: Bakongo,
Nganguela, Nyaneka-Humbe, Herero, Lunda-Kioko (Côkwe), Ovambo, Ambundo, Umbundu e
Xindonga. Cada um destes povos possui a sua própria língua. É por esse motivo que são chamados grupos
etno-linguísticos. Todos eles já possuíam técnicas de trabalho com o ferro e praticavam a agricultura.
À medida que ocorriam as migrações cada um desses povos bantu que vieram ocupar uma porção do
actual território de Angola organizou-se até formar inportantes reinos.
Os principais reinos formados antes da ocupação europeia foram o Reino do Kongo, o Reino do
Ndongo, o Reino de Kassanje, o Reino de Matamba, o Reino da Lunda, o Reino do Bailundo, e o
Reino de Kwanyama.
O primeiro Estado bantu formado na costa ocidental de África foi o Reino do Kongo, fundado no periodo
entre 1200 e 1300 por Ntinu Wene Wa Kongo (Nimi-a-Lukeni)
O Reino do Kongo tinha como capital Mbanza-Kongo
1.4. Etapas da penetração portuguesa e a formação do espaço territorial Angolano
Os portugueses, sob o comando de Diogo Cão, no reinado de D. João II, chegam ao Zaire em 1482. É a
partir daqui que se iniciará a conquista pelos portugueses desta região de África, incluindo Angola. O
primeiro passo foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul
deste reino existiam dois outros, o do Reino de Ndongo e o de Reino da Matamba, os quais não tardam
a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola (c. 1559), esse reino foi pelos povos Mbundus.
A denominação “Angola” deriva da denominação do quarto rei do Ndongo, chamado Ngola Kiluanje ou
Ngola Inene, imigrante vindo do Kongo sucessor e sobrinho do Ngola Kimbanda. Foi empossado no poder
após a morte de seu tio.
A colónia de Angola foi criada depois de ter sido fundada a capitania de Luanda em 1575, por Paulo Dias
de Novais.
Na colónia iniciou-se imediatamente a construção de um forte, e em 1578 começaram a chegar a Luanda
reforços de homens e munições.
Quando houve os primeiros contatos com os portugueses, o mais importante dos muitos pequenos chefes
da região de Ndongo era um que possuía o título hereditário de Ngola, que os colonizadores deturparam
dando mais tarde o nome de Angola à Colonia.
Depois de se terem instalado em Luanda, os Portugueses começaram com as preparações da guerra que
viriam a prosseguir com o processo de penetração para o [Link] seguida, Paulo Dias de Novais iniciou
a guerra.
Na primeira batalha, o exército de Ngola Kiluanji derrotou os Portugueses, mas os Portugueses acabaram
por vencer.
A pilhagem e o saque prosseguiram nas vizinhanças da capitania, obrigando os respectivos sobas a
entregar como tributo um certo número de escravos, panos de ráf a, sal e víveres.
A colónia de Angola desenvolveu-se graças às guerras que se faziam com os Estados do interior, onde os
Portugueses recolhiam produtos comerciais, como ouro, marf m e escravos.
Durante este período, a actividade principal dos Portugueses foi a captura dos escravos. Com o passar dos
anos, os reinos do Kongo e do Ndongo acabaram por ser destruídos, enquanto o comércio português de
escravos era continuamente alimentado por uma sucessão de acordos de paz seguidos de novas
agressões. Para o transporte desses escravos utilizavam-se muitas rotas - uma delas era o rio Kwanza.
A baía de Luanda funcionava como principal porto de recepção de navios que transportavam mercadorias,
e a cidade de Luanda era habitada por cerca de 400 famílias portuguesas e um maior número de população
africana.
À medida que a conquista ia avançando ao longo do rio Kwanza, os Portugueses foram construindo fortes
em Calumbo, Muxima, Massangano, Cambambe, Ambaca e Mpungu-a-Ndongo.
A falta de sucesso no estabelecimento de relações pacíficas entre os povos africanos e os
portugueses levou o rei de Portugal a criar um sistema de capitanias que entrou em vigor com a
fundação da capitania de Luanda em 1575. OBS: pesquisar se foi em 1575 ou foi em 1576.
A partir de 1575, os portugueses, comandados por Paulo Dias de Novais, iniciaram a conquista e a
ocupação do reino do Ndongo.
Durante a ocupação os portugueses construiram fortes para se abrigarem.
A ocupação do território em 1575 não foi fácil, pois o povo do Ndongo sempre resistiu à presença e à
ocupação estrangeira. Quando Paulo Dias de Novais foi libertado pelo rei Ngola Kilwanje e regressou a
Portugal, propôs ao rei de Portugal o uso da força para a colonização do reino do Ndongo.
Em consequência desta decisão, foram enviados para Angola cerca de 400 soldados e 100 famílias
portuguesas.
O avanço para o interior intensificou-se através de conflitos armados que culminaram com a ocupação
portuguesa ao longo da costa marítima e ao longo do rio Kwanza.
A capitania de Luanda estava protegida por um forte. As relações entre a população africana e os habitantes
da capitania variavam da simples troca de produtos e escravos, aos assaltos e conflitos armados.
À medida que os Portugueses iam conquistando terras, foram construindo diversos fortes, tanto ao longo
do curso do rio Kwanza - Calumbo, Muxima, Massangano, Cambambe, Ambaca e Mpungo-a-Ndongo
-, como em direcção ao Planalto Central - Hanha e Caconda.
Foi através desses fortes que os portugueses criaram uma linha ofensiva e defensiva para as guerras de
kuata-kuata e para o tráfico de escravos.
Portanto, o poder colonial exercia-se a partir dos presídios e dos fortes, mas de uma forma instável,
conforme os avanços e recuos da resistência.
Da resistência armada, temos os exemplos de Ngola Kiluanje, Bula Matadi, Njinga Mbandi, Ekuikui II,
Mutu-ya-Kevela, Mandume e tantos outros que pegaram em armas para lutarem contra os Portugueses
para que os seus territórios ocupados por estrangeiros fossem libertos.
Explorando as rivalidades e conflitos entre estes reinos, na segunda metade do século XVI os portugueses
instalam-se na região de Angola. O primeiro governador de Angola, Paulo Dias de Novais, procura
delimitar este vasto território e explorar os seus recursos naturais, em particular minas de prata que ouvira
falar. A penetração para o interior é muito limitada. Em 1576 fundam São Paulo da Assunção de Luanda,
a actual cidade de Luanda.
1.5. Indústria extractiva e transformadora
Indústria
A colónia de Angola tinha uma indústria débil, embora existissem alguns centros industriais em Luanda
(Viana), Benguela (Lobito), Huambo e Lubango nas áreas da agro-pecuária, bebidas e materiais de
construção.
Indústria extrativa
Com excepção da exportação do Petróleo e a exportação de Diamantes, assistiu-se à quase nula
participação dos outroas sectores, não obstante disso reconhece-se as potencialidades do país.
Este facto deve-se à situação politico-militar instável que vivemos nos últimos anos.
Actualmente, nas províncias das Lundas Norte e Sul, Malange e Bié exploram-se os diamantes. Na Huila
e no Namibe, o granito preto e cinzento, mármore e outras rochas de embelezamento. Em Cabinda,
Luanda e Zaire explora-se o petróleo. Também existem algumas pedreiras
em Luanda,Bengo, Benguela, Cabinda e Huila. Todas estas indústrias
contribuem para o desenvolvimento do país.
extracção do Petróleo é, sem dúvidas, a actividade mais importante do sector mineiro de Angola,
Sendo o factor que contribui em maior medida para a criação de divisas do páis, apesar da queda
do preço no mercado internacional . É a actividade económica que mais utiliza tecnologia de ponta,
com o objectivo de elevar ao máximo o coeficiente de extracção, pesquisa e perfuração, de forma a
melhorar os seus índices de produção.
Extracção de diamantes na Lunda Norte e em outras áreas;
Extracção de ferro em Cassinga;
Extracção de fosfato em Cabinda, Zaire e entre outros;
Indústria transfomadora
Durante a guerra civil que assolou o país, muitas indústrias decaíram.O pais vivia apenas de exportações
de matérias-primas.
Com a conquista da paz, Angola tem conhecido um notável desenvolvimento industrial em todos os ramos:
indústria alimentar;
• indústria têxtil e de confecções;
• indústria de bebidas;
• indústria de tabaco;
• indústria química;
• indústria de mobiliário metálico e em madeira;
• indústria de materiais de construção e de instrumentos de trabalho agrícola;
• indústria de montagem de meios de transporte;
• indústria de construção civil e naval
A indústria transformadora destina-se fundamentalmente ao consumo interno, com prioridade para as
empresas produtoras de bens essenciais à vida das populações.
Esta indústria é a principal responsável pela produção de bens de consumo.
Este sector, embora acuse um certo grau de diversificação e desenvolvimento está quase parado à
destruição que a guerra provocou na infra-estruturas do país e a crise económica que o país viveu nos
últimos anos.
A indústria transformadora localiza-se essencialmente no litoral e sublitoral do país, mais concretamente
nas províncias de Luanda, Bengo, Benguela, Huambo e Huila.
Os produtos resultantes da indústria transformadora vão desde os alimentos processados até ao
calçado, aos têxteis à metalurgia à industria de refregerantes, à indústria de madeira entre outros.
A indústria pesada dá prioridade, na sua estratégia de desenvolvimento, à produção de meios para a
actividade agrícola e para as indústria geradoras de divisas, como por exemplo:
As siderurgias;
As unidades produtoras de alfaias agrícolas,adubos, celulose e cimento.
1.6. Os caminhos-de-ferro de Angola
A história do transporte ferroviário em Angola iniciou-se durante o século XIX, quando Angola era uma
colónia de Portugal.
O país tem uma rede ferroviária de 2 852 km.
Principais linhas ferroviárias e respectiva extensão:
Caminho-de-ferro de Luanda, que vai de Luanda a Malanje, tem uma extensão de 455 km.
Caminho-de-ferro de Benguela, com uma extensão de 1399 km, estende-se da cidade portuária
do Lobito à fronteira leste de Angola , na cidade do Luau no Moxico.
Caminho-de-ferro de Moçâmedes, estende-se desde a cidade portuária de Moçâmedes à cidade
de Menongue, na província do Kuando Kubango, numa extensão de 748 km.
1.7. A Divisão político-administrativa de Angola, posição económica, geográfica do território e as
fronteiras de Angola
A Divisão político-administrativa de Angola
Províncias;
Municípios;
Comunas;
Bairros;
18 Províncias;
164 Municípios;
518 Comunas; OBS: Número de municípios e comunas, fonte: wikipédia-2019
Posição geográfica do território e as fronteiras de Angola
Angola, localiza-se no continente africano, a sul do Equador (Hemisfério sul), e a Este do Meridiano de
GreenWich (Hemisfério oriental).
Angola faz parte da África Austral e o território da república de Angola não se encontra unificado, já que a
província de Cabinda se encontra separada do resto do território nacional por uma pequena faixa litoral.
Para podermos localizar com precisão o nosso país na superfície terrestre, utilizamos as coordenadas
geográficas extremas.
Coordenadas geográficas extremas de Angola
4º 22’ de latitude Sul a Norte e 18º 02’ de latitude Sul a Sul, o que dá uma amplitude latitudinal de
13º 40’.
11º 41’ de longitude Este a Ocidente e 24º 05’ de Longitude Este a Oriente , pelo que a amplitude
longitudinal é de 12º 24’
Onde: º (graus) e ’(minutos)
Ponto mais alto: Morro do Moco, 2.620 metros
Ponto mais baixo : Oceano Atlântico, 0 metros
Maior rio: Rio Congo ou Zaire, 4.344 metros
Populações
Menor população: Bengo, 356.641
Maior população: Luanda, 6.945.386
Áreas
Menor: Cabinda, 7.270 km²
Maior: Moxico, 223.023 km²
Fronteiras de Angola
Norte e Nordeste - República Democrática do Congo;
Noroeste – Congo Brazzaville;
Este – Zâmbia
Sul - Namíbia
Oeste – Oceano Atlântico
A Fronteira angolana tem uma extensão de 6487 km, sendo 4837 km de fronteira terrestre e 1650 km de
fronteira marítima.
A superfície total de Angola é de 1 246 700 km².
2. A expansão europeia: a questão dos descobrimentos sua importância económica,
histórica e social
2.1. condicionalismos gerais da expansão europeia (factores económicos sociais e políticos)
A expansão europeia
A expansão marítima europeia foi o período compreendido entre os séculos XV e XVIII quando alguns
povos europeus partiram para explorar o oceano que os rodeava.
As primeiras grandes navegações permitiram a superação das barreiras comerciais da Idade Média, o
desenvolvimento da economia mercantil e o fortalecimento da burguesia.
Estas viagens deram início ao processo da Revolução Comercial, ao encontro de culturas diferentes e da
exploração do novo mundo, possibilitando a interligação dos continentes.
A partir do século XV, sob a liderança de portugueses e espanhóis, os europeus começam um processo de
intensa globalização, a chamada Expansão Marítima. Este fato também ficou conhecido como as Grandes
Navegações e tinha como principais objetivos: a obtenção de riquezas (atividades comerciais) tanto pela
exploração da terra (minerais e vegetais) quanto pela submissão de outros seres humanos ao trabalho
escravo (indígenas e africanos), pela pretensão de expansão territorial, pela difusão do cristianismo
(catolicismo) para outras civilizações e também pelo desejo de aventura e pela tentativa de superar os
perigos do mar (real e imaginário).
A precisão náutica foi favorecida pela bússola e o astrolábio, vindos da China. A bússola já era utilizada
pelos muçulmanos no século XII e tem como finalidade apontar para o norte (ou para o sul). Por sua vez, o
astrolábio é utilizado para calcular as distâncias tomando como medida a posição dos corpos celestes.
Portugal saiu na frente, investindo em tecnologia marítima. Além de desenvolverem o uso de ferramentas
de navegação (bússola, astrolábio, quadrante), inventaram as caravelas, principal embarcação utilizada
nas grandes navegações. Também favoreceu seu desenvolvimento o fato de Portugal não estar inserido
em nenhuma guerra, nesse período. Enquanto os outros países europeus se endividavam com a
manutenção destas, Portugal se dedicava somente à sua expansão.
Motivados por sua situação positiva, várias expedições portuguesas obtiveram êxito, não só na extração de
especiarias e metais, mas também na descoberta de novas terras e na colonização de seus habitantes.
Além do famigerado navegador Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, o navegador Vasco da Gama
também teve destaque, descobrindo as Índias e, consequentemente, um novo caminho para o Oriente.
Conforme Portugal ia alcançando novos patamares na economia marítima, os outros países europeus iam
cessando seus conflitos e se interessando pelas navegações. Foi o caso da Espanha, que, após expulsar
os muçulmanos da cidade de Granada, em 1492, patrocinou a expedição do navegador genovês Cristovão
Colombo, resultando no descobrimento da América. Mais tarde, franceses, ingleses e holandeses também
se dedicaram às expedições.
Causas/factores da expansão europeia
1. Monopólio comercial arabe-italiano que impulsinou a busca de novas rotas marítimas;
2. Busca por mercadores consumidores para os produtos manufaturados europeus;
3. Procura por riquezas (metais preciosos como ouro e prata) para cunhagem de moedas;
4. Divulgação da fé cristã para os povos de outros territórios;
5. Desenvolvimento de técnicas de navegação, principalmente na Escola de Sagres em Portugal;
6. Busca de regiões produtoras, ou com capacidade de produzir, gêneros agrícolas para
abastecer o mercado consumidor europeu.
Consequências da expansão europeia
- Aumentou e dinamizou as relações econômicas internacionais, principalmente entre Europa e Ásia e
Europa e América.
- Aumentou as regiões conquistadas e controladas pelos europeus, principalmente na África, Ásia e
América.
- Enriquecimento das coroas portuguesa e espanhola, assim como da burguesia comercial desses dois
países. Portugal e Espanha se tornaram as grandes potências econômicas dos séculos XV, XVI e XVII.
- Aumentou a cunhagem e circulação de moedas de ouro e prata, assim como o comércio de especiarias.
- A escravidão negra africana passou a ser uma importante fonte de lucro para traficantes de escravos. A
mão de obra escrava passou a ser usada em larga escala na América.
- O eixo econômico, assim como a principal rota comercial, foi transferido do Mediterrâneo para o Oceano
Atlântico.
- Fez desenvolver as técnicas e conhecimentos sobre navegação.
- Fortaleceu o Mercantilismo, que passou a ser a principal política econômica entre as nações europeias.
2.2. O mercantilismo na europa e a exploração de África
Mercantilismo
O mercantilismo (ou capitalismo comercial) foi um conjunto de práticas e idéias econômicas desenvolvidas
na Europa e que caracterizou a economia das principais nações europeias entre os séculos XV e XVIII.
O nome mercantilismo foi criado pelo economista Adam Smith em 1776. O mercantilismo tinha por objetivo
fortalecer o Estado e enriquecer a burguesia, para isso, era preciso ampliar a economia para dar mais
lucro afim de que a população pudesse pagar mais impostos.
Características do mercantilismo
As principais características que definiram o mercantilismo foram:
Metalismo: esse princípio consistia em defender a acumulação de metais preciosos como principal
forma de obtenção de riquezas.
Colbertismo: essa prática foi adotada pelos franceses por influência de Jean-Baptiste Colbert e
ficou caracterizada pelo incentivo ao desenvolvimento manufatureiro como forma de atrair moeda
estrangeira e, consequentemente, riqueza. Defendia também uma política de limitação de gastos
internos.
Balança comercial favorável: essa teoria defendia que o volume de mercadorias vendidas deveria
ser superior ao volume de mercadorias compradas.
Outros pontos: incentivo ao desenvolvimento manufatureiro, incentivo à construção de
embarcações (base para a expansão comercial na época), protecionismo alfandegário (imposição
de impostos sobre mercadorias estrangeiras).
A exploração de África
A expansão marítima e comercial europeia, a partir do século XV (15), mudou drasticamente a história da
humanidade ao unir três continentes: a Europa, a África e a América.
Em busca de enriquecimento, os europeus (os portugueses foram pioneiros), organizaram todo um aparato
político, econômico e militar que lhes garantiu o controle sobre africanos e americanos. Dessa forma surgiu
o que chamamos de sistema colonial, que durou do século XVI (16) ao século XIX (19).
O continente africano e o asiático foram os últimos a serem colonizados pelos europeus. Nas Américas, o
processo de colonização teve início ainda no século XVI. Três séculos mais tarde o continente americano
já havia sido descolonizado e a Primeira Revolução Industrial se encontrava em plena expansão. Diante
disso, os europeus buscaram novas fontes de recursos para abastecer as suas indústrias.
A divisão do continente africano foi consolidada através de um acordo realizado em 1885. Esse evento
contou com a participação da Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Itália, Portugal e Espanha. Esse
acordo foi executado na Conferência de Berlim.
Porém, o processo de exploração da África aconteceu antes mesmo de haver a partilha do território,
isso porque diversos países enviaram delegações de cientistas para o continente. Segundo eles, os
cientistas tinham o propósito de realizar pesquisas de caráter científico, mas na verdade esses coletavam
dados acerca do potencial mineral, ou seja, as riquezas do subsolo.
Os colonizadores rapidamente promoveram as plantations, com destaque para a produção de café, chá,
cana-de-açúcar e cacau.
Outra atividade desenvolvida foi o extrativismo mineral, com destaque para a extração de ouro, ferro,
chumbo, diamante, entre outros. Assim, os europeus conseguiram garantir por um bom tempo o
fornecimento de matéria-prima para abastecer as indústrias existentes nos países europeus
industrializados.
Os colonizadores buscaram impor sua cultura (a “civilização”) aos povos da África. Assim, a educação
formal era, na maioria das vezes, oferecida apenas na língua do colonizador. Os conteúdos eram a cultura,
a religião e os costumes europeus. Existiram também algumas tentativas de ensinar valores europeus a
partir da língua e dos costumes africanos, trazendo-os gradualmente à “civilização”. Neste caso, as aulas
eram feitas inicialmente nas línguas nativas.
Os missionários e exploradores adentram no continente com a finalidade de “salvar as almas selvagens”,
mascarando pela religiosidade que a verdadeira intenção era a da conquista da África pela Europa.
Características do sistema colonial
Os sistemas coloniais foram diferentes porque cada potência europeia tinha os seus métodos de domínio.
Contudo, todos os sistemas assentavam em duas regras básicas:
• A primeira era que os interesses dos europeus tinham sempre prioridade sobre os interesses dos
africanos.
• A segunda regra era que as colónias existiam para dar lucros aos seus possuidores – os europeus.
Portanto, o sistema colonial foi concebido para dar à Europa matérias-primas a baixo preço em troca das
mercadorias que a Europa manufacturava.
O período colonial pode dividir-se em quatro épocas distintas
• O primeiro período foi o da invasão e conquista, que durou até 1900.
• O segundo foi o da instalação do sistema colonial e destruição final das resistências africanas.
Prolongou-se até 1920 em algumas colónias.
• O terceiro foi o período central do domínio colonial. Estendeu-se de 1920 até 1950, embora
houvesse algumas excepções.
• O quarto foi aquele em que uma nova forma de resistência política africana ocupou o centro das
atenções. Isto começou a acontecer por volta de 1950. Esta nova forma de resistência política
chamou-se nacionalismo. Era um nacionalismo orientado para a recuperação da independência
africana.
Principais causas da ocupação colonial em África
Causas econômicas
procura de novas fontes de matérias - primas
para fazer face às crescentes necessidades por parte das novas indústrias, resultantes da revolução
industrial. As matérias primas incluíam produtos agrícolas e minerais.
No século XIX, as nações europeias, começaram a explorar de maneira efetiva o continente africano e o
asiático. A Revolução Industrial motivou esses países a explorar matérias-primas, especialmente minérios,
dentre os quais podemos destacar o ferro, cobre, chumbo, além de produtos de origem agrícola, como
algodão e borracha; todos fundamentais para a produção industrial.
As potências europeias, para garantir matéria-prima, ocuparam os territórios contidos no continente
africano. Logo depois, promoveram a partilha do continente entre os principais países europeus da época,
dando direito de explorar a parte que coube a cada nação.
Procura de novos mercados
O aumento da produção fez com que os produtos não fossem todos consumidos dentro da Europa.
Consequentemente, os europeus tiveram que procurar novos mercados para colocar a sua produção.
Causas políticas
Procura de novas colônias
As potencias colonialistas atingiram uma fase de desenvolvimento chamada imperialismo. Tinha como
objectivo conseguir criar um império com o máximo de colônias possível, trazendo benefícios econômicos
às metrópoles.
Consequências da colonialismo
O continente africano é o mais pobre economicamente do planeta, além de apresentar vários problemas de
ordem social (conflitos étnicos, fome, doenças, etc.). Um dos principais motivos desse cenário foi o processo
de colonização e independência dos países africanos, em que apenas os interesses das potências
imperialistas foram levados em conta.
Esse processo foi marcado por muita violência e intensa exploração das riquezas dos países africanos
que, após conquistarem a independência, ficaram instáveis politicamente e economicamente, visto que os
colonizadores simplesmente abandonaram a região em meio a diversos conflitos étnicos e separatistas.
- Enfraquecimento da economia africana;
- Enfraquecimento dos reinos e perda da autoridade dos chefes tradicionais africanos;
- Os europeus introduziram culturas (produtos) que não faziam parte da dieta do povo nativo;
- Exploração dos recursos naturais de África de forma desenfreada (diamante, ouro);
- Miséria do povo africano;
- aculturação;
Consenquências do tráfico de escravos em África
Como consequências nefastas, a África perdeu os seus melhores filhos, enquanto a Europa e a América
fizeram a acumulação de grandes fortunas com o trabalho dos escravos negros.
Consequências políticas
1. Enfraquecimento dos reinos e perda da autoridade dos chefes tradicionais africanos;
2. Desorganização das sociedades africanas;
3. Debilidade dos exércitos nos diferentes reinos.
Consequências económicas
1. A deslocação de milhares de africanos jovens para os outros continentes provocou a diminuição do
crescimento da população e da força de trabalho necessária para o desenvolvimento, lançando a
África no subdesenvolvimento;
2. Enfraquecimento da economia, provocado por guerras internas;
3. Regressão das forças produtivas.
Consequências sociais
1. Diminuição da população produtora e reprodutora;
2. Enfraquecimento do artesanato e de outras expressões artísticas;
3. Desestruturação familiar;
4. Debilidade cultural.
Conceitos Extras:
Conferência de Berlim – Realizou-se em 15 de Novembro de 1884 a 26 de Fevereiro de 1885, sob
a tutela do chanceler (primeiro-ministro) alemão Otto Von Bismarck, a reunião tinha como objetivo
acabar com a competição e os conflitos entre as potências européias, estabelecer acordos entre as
nações a fim de regulamentar a ocupação da África, dividir África e definir arbitrariamente fronteiras,
que existem até hoje. Os países signatários foram: França, Grã-Bretanha, Portugal, Alemanha,
Bélgica, Itália, Espanha, Áustria-Hungria, Países Baixos (Holanda), Dinamarca, Rússia, Suécia,
Noruega, Turquia e Estados Unidos.
Plantations - sistema baseado na monocultura para exportação para a metrópole, latifúndios,
trabalho escravo.
Latifúndio - é uma propriedade agrícola de grande extensão, pertencente a uma única pessoa,
família ou empresa que se caracteriza pela exploração intensa de seus recursos.
Aculturação – é um processo de troca entre culturas diferentes a partir de sua convivência, onde a
cultura de um sofre influência sobre a cultura de outro, a cultura mais forte influência a mais fraca.
O tráfico de escravos na África Ocidental foi inaugurado pelo navegador português Antão Gonçalves
em 1441.
Os Portugueses e os Espanhóis foram os pioneiros do comércio de escravos.
O tráfico de escravos só foi possível graças à colaboração dos chefes políticos africanos, ávidos de
enriquecimento fácil.
No período a cidade de Luanda chamava-se São Paulo da Assunção de Luanda, Benguela (São
Filipe de Benguela), Huambo (Nova Lisboa), Lubango (Sá da Bandeira), Malanje (Malange),
Menongue (Serpa Pinto), Ondjiva (Vila Pereira d'Eça), Uíje (Carmona), M'Banza Kongo (São
Salvador do Congo).
Em 1951, a colônia portuguesa de Angola tornou-se uma província ultramarina de Portugal,
classificação que continuou até a independência de Angola em 1975.
2.3. O comércio europeu em áfrica
O comércio triangular
Comércio triangular foi o nome atribuído às relações comerciais estabelecidas entre três continentes do
mundo: África, Europa e Américas (do Norte, do Sul e Central), entre os séculos XVI e XIX. Os europeus
e suas metrópoles como Portugal, Espanha, Inglaterra e França lideraram esta forma de exploração e
fizeram do mundo atlântico um negócio bastante lucrativo.
Início do comércio triangular
Depois da descoberta do continente americano, os Portugueses e outros europeus (Holandeses,
Franceses, Espanhóis, Ingleses) precisavam de mão-de-obra para trabalhar nas minas e nas grandes
plantações que tinham na América. Os povos índios locais da América não aguentavam esses trabalhos -
uns morriam e outros fugiam.
Nestas circunstâncias, os traficantes recorreram aos escravos africanos, mais experientes na agricultura
das regiões quentes. Foi assim o início do comércio triangular
Comércio triangular envolvia a troca de manufaturas, metais preciosos, diamantes, produtos agrícolas e,
especialmente, escravos negros entre a Europa, a África e a Américas.
O principal elemento do comércio triangular foi o chamado tráfico negreiro, que envolvia o aprisionamento
de africanos em seus povos, sua transferência forçada – a diáspora africana – por meio dos navios negreiros
e a chegada no novo mundo. Todo esse movimento era organizado por agentes do tráfico, em troca de
produtos manufaturados apreendiam e enviavam forçadamente homens e mulheres para serem explorados
nas colônias europeias.
Produtos manufaturados como armas de fogo, joias, aguardente, tabaco e tecidos de algodão eram
trocados por homens e mulheres no continente africano.
Da Europa partiam embarcações carregadas de produtos manufaturados, como armas de fogo, joias,
aguardente, tabaco, rum, tecidos de algodão asiático, joias de pouco valor, entre outros artigos de menor
valor comercial. O destino principal era África, onde se trocavam escravos por estes produtos. Os
compradores de escravos comerciavam com europeus ou africanos que vendiam os seus conterrâneos,
quer no litoral quer no interior, onde quase só se aventuravam os negreiros autóctones. Muitas vezes
eram colonos americanos a comprar diretamente em África a sua mão de obra servil, sem intermediários
europeus. Os escravos africanos eram, de facto, a mola principal desta rede comercial de capital
importância para a economia europeia, pelos lucros que rendiam aos países negreiros, e também para o
sistema de produção das colónias mineiras e de plantação das Américas, seu destino além-Atlântico.
Nesta segunda junção de vértices do comércio triangular (África-Américas), muitos dos escravos morriam
a bordo dos navios, onde se amontoavam em condições infra-humanas. Chegados às Américas, eram
vendidos aos donos de minas e de plantações em troca dos seus produtos: açúcar, tabaco, moedas de
ouro e prata (ou em barra, e até mesmo em forma de letras de crédito de praças financeiras como Londres,
Bordéus, Nantes, Antuérpia...). Completava-se o triângulo comercial com a compra por parte da Europa
desses produtos americanos.
Os nativos africanos traficantes de escravos tinham papel importante nesta forma de comércio, afinal,
sem os escravizados as produções de açúcar e tabaco e a exploração das minas não teria sucesso nem
seria tão lucrativa.
3. A economia de angola depois da abolição do tráfico de escravos
3.1. As guerras de ocupação do território
Da expansão marítima europeia resultaram os primeiros contactos dos antigos povos do
actual território angolano com os Portugueses.
Os primeiros contactos entre os portugueses e o Reino do Kongo, que constitui uma das partes do actual
território de Angola, tiveram lugar em 1482, quando Diogo Cão chegou à foz do rio Zaire ou Congo.
Em 1484, durante o reinado de Nzinga Nkuwu, houve notícia em Mbanza Kongo de que homens brancos
tinham desembarcado e entrado em contacto com os habitantes da província do Soyo e com o próprio mani
Soyo.
O Rei Nzinga Nkuwu acabou por receber mais tarde os primeiros portugueses e com eles estabeleceu
relações de amizade.
As campanhas de ocupação efectiva
A ocupação do território em 1575 não foi fácil, pois o povo do Ndongo sempre resistiu à presença e à
ocupação estrangeira. Quando, em 1565, Paulo Dias de Novais foi libertado pelo rei Ngola Kilwanje e
regressou a Portugal, propôs ao rei de Portugal o uso da força para a colonização do reino do Ndongo.
Em consequência desta decisão, foram enviados para Angola cerca de 400 soldados e 100 famílias
portuguesas.
O avanço para o interior intensificou-se através de conflitos armados que culminaram com a ocupação
portuguesa ao longo da costa marítima e ao longo do rio Kwanza.
A capitania de Luanda estava protegida por um forte. As relações entre a população africana e os habitantes
da capitania variavam da simples troca de produtos e escravos, aos assaltos e conflitos armados.
À medida que os Portugueses iam conquistando terras, foram construindo diversos fortes, tanto ao longo
do curso do rio Kwanza - Calumbo, Muxima, Massangano, Cambambe, Ambaca e Mpungo-a-Ndongo
-, como em direcção ao Planalto Central - Hanha e Caconda.
Foi através desses fortes que os portugueses criaram uma linha ofensiva e defensiva para as guerras de
kuata-kuata e para o tráfico de escravos.
Contudo, depois de 1617, os Portugueses tentaram dominar a população africana a sul do rio Kwanza a
partir de Benguela-a-Nova até Caconda, onde em 1769 construíram o primeiro forte.
Após dessa data, a pressão sobre os povos do planalto intensificou-se devido à fixação de pombeiros e
de forças militares em alguns presídios e aldeias criados por interesse da estratégia colonial.
Os Portugueses aproveitavam-se das crises de sucessão dos reinos, auxiliando um dos grandes
pretendentes ao trono. Os Portugueses sabiam que o candidato ajudado, uma vez no trono, reconheceria
a ajuda recebida ao protectorado dos Portugueses. Assim, iam alargando as fronteiras da colónia de
Angola.
No entanto, a ocupação efectiva do território que hoje constitui a República de Angola só foi terminada
pelos Portugueses em 1917, com a conquista do Reino do Kwanyama.
A resistência à ocupação colonial
Até ao início dos anos de 1900, Portugal não tinha conseguido ainda ocupar efectivamente algumas regiões
de Angola, em virtude da resistência que as sociedades tradicionais ofereciam aos colonialistas.
Esta resistência caracterizou-se principalmente sob o ponto de vista cultural e guerreiro.
Quanto à resistência cultural, esta verificou-se porque os Africanos não quiseram aceitar a religião cristã,
a religião adoptada pelos colonialistas.
Da resistência armada, temos os exemplos de Ngola Kiluanje, Bula Matadi, Njinga Mbandi, Ekuikui II,
Mutu-ya-Kevela, Mandume e tantos outros que pegaram em armas para lutarem contra os Portugueses
para que os seus territórios ocupados por estrangeiros fossem libertos.
A defesa do território contra a invasão do Sul de Angola
No início dos anos de 1900, os colonialistas portugueses e alemães disputavam o Sul de Angola, pois nessa
altura eram verdadeiros rivais. As principais razões desta disputa eram o território e o gado, que
constituíam grandes fontes de riqueza dos povos do Sul de Angola. Os Alemães nunca tinham perdido a
esperança de conquistar os territórios da parte sul de Angola. Os Alemães venderam armas aos
Kwanyamas.
Aproveitando essa rivalidade, Mandume, rei dos Kwanyamas, garantiu aos Alemães que as suas armas
serviriam para lutar contra os Portugueses.
Temendo que os Alemães ocupassem o território, os Portugueses capturaram
Ondjiva de surpresa, antes que a defesa estivesse totalmente preparada. Mandume começou então a
percorrer o território Ambo, tentando unir todas as tribos para a luta.
Os Kwanyamas, grandes guerrilheiros muito bem organizados e comandados por um chefe corajoso,
venceram os Portugueses numa série de batalhas.
Devido às vitórias dos Kwanyamas, os colonialistas tiveram de mandar vir reforços. Desesperados, os
Portugueses utilizaram a traição, corrompendo alguns elementos Kwanyamas.
Dessa forma, os Kwanyamas foram vencidos nas batalhas de Môngua e de Mufilo. Perante esta situação,
e devido ao grande poder militar do inimigo, assim como à traição de alguns sobas, Mandume acabou por
se suicidar em 1917, preferindo a morte a ter de sujeitar-se a viver sob a dominação estrangeira.
Foi a partir da morte deste rei que os Portugueses conseguiram ocupar o reino definitivamente.
Conhecimento extra:
A partir de 1575, os portugueses, comandados por Paulo Dias de Novais, iniciaram a conquista e a
ocupação do reino do Ndongo.
Durante a ocupação os portugueses construiram fortes para se abrigarem.
Os pombeiros eram negociantes europeus (portugueses) que atravessavam regiões do interior para
negociarem com os indígenas (africanos).
Presídio era um lugar de socorro e de defesa onde se abrigavam as forças militares coloniais.
1992, ano das primeiras eleições gerais em Angola,as segundas em 5 e 6 de Setembro de 2008,
terceiras em 31 de agosto de 2012 e as últimas em 2017
3.2. O papel dos nativos na economia colonial
“Guerras de Kuata-Kuata” eram guerras em que alguns escravos eram apanhados por grupos de
portugueses armados, que assaltavam de surpresa as aldeias, por vezes com a ajuda de alguns
chefes africanos.
Além das agressões militares, os Portugueses aproveitavam-se das crises de sucessão dos reinos,
auxiliando um dos grandes pretendentes ao trono. Os Portugueses sabiam que o candidato ajudado,
uma vez no trono, reconheceria a ajuda recebida ao protectorado dos Portugueses.
Alguns dirigentes africanos, desejosos de manter o poder, não se importaram de servir de
intermediários
das intrigas fomentadas pelos Portugueses, uma vez que estes os ajudariam a manter-se ou a
conquistar o trono.
Os efeitos do tráfico no litoral
Devido à procura excessiva de escravos, as populações assustadas começaram a abandonar o
litoral para se refugiarem no interior. Procuravam refúgio nos lagos do interior. Como os traficantes
negreiros tinham medo de penetrar no interior, havia intermediários africanos que iam para lá caçá-
los para os vender aos negreiros. Esses homens eram designados por lançados.
Os lançados organizavam mercados onde os escravos eram vendidos em leilão.
A abolição do tráfico de escravos em Angola
O trafico de escravos praticado pelos europeus desde o século XV seria condenado mais tarde por
alguns homens. Na Inglaterra, o despertar de várias correntes religiosas, como o Metodismo e
outras, levou à condenação da escravatura. A atitude dessas correntes religiosas influenciou a
opinião internacional para se pôr fim ao tráfico de escravos e à escravatura.
Os factores económicos estiveram na base das razões que provocaram o término da escravatura.
A Inglaterra foi o primeiro país europeu a inventar máquinas para a fabricação de produtos.
O aperfeiçoamento das máquinas usadas nas industrias exigia cada vez mais matérias primas,
sendo as suas fontes as colónias africanas, utilizando desta forma a mão-de-obra livre em vez de
escravos.
Pouco a pouco, a abolição da escravatura foi-se alargando a todos os países europeus que possuíam
colónias. Mas todos eles permitiram aos governadores das colónias e aos colonos assegurarem os
seus intereses e intensificarem a exploração da população africana, substituindo a escravatura pelo
trabalho forçado sob forma de contrato.
A principio, Portugal tinha-se recusado a abolir o tráfico de escravos e a escravatura nas suas
colónias, mas devido às pressões da Inglaterra foi obrigado a decretar a abolição da escravatura nas
suas colónias em 1836.
Portugal foi a última potência colonial a parar com esse comércio, mas em sua substituição instalou
o trabalho forçado, que era uma das características mais dominantes nas colónias portuguesas.
O trabalho forçado e o contrato
Já vimos que devido ao avanço da tecnologia e à abertura de novos mercados, as indústrias
europeias precisavam cada vez mais de matérias-primas, cuja fonte eram as colónias.
As colónias foram profundamente afectadas por esta situação, em virtude da abertura de novas
minas de cobre, diamantes, ferro, ouro e outras.
Para tal, os colonialistas empregaram a força - e esta utilizada de forma directa ou indirecta:
• Directa - através de prisões, a fim de obrigar os povos colonizados a trabalhar nas minas, nas
plantações de cana-de-açúcar, de café, sisal e algodão.
• Indirecta - por meio de pagamento de impostos. Como os africanos não tinham dinheiro, eram
obrigados a vender a sua força de trabalho.
Este “modelo de exploração” era, no fundo, o mesmo que a escravatura.
Os africanos eram obrigados a trabalhar cada vez mais para os Europeus e cada vez menos para si
próprios. Deste modo a Europa e a América enriqueceram e a África empobreceu.
Foi criada uma taxa, ou imposto de trabalho, que servia para dar dinheiro ao governo colonial,
dificultando cada vez mais a vida dos camponeses e dos homens livres, que desta forma eram
obrigados a assalariar-se. Por vezes essa taxa era paga com produtos: algodão, café e outros.
Extra:
Em Angola, o representante da autoridade administrativa portuguesa na colónia chamava-se capitão
ou governador. Contudo, ele era em primeiro lugar um chefe militar, e tinha como função conquistar,
saquear e receber os tributos extorquidos à população.
Revolução industrial
Refere-se ao conjunto de transformações económicas e sociais que ocorreram na inglaterra na segunda
metade do século XVIII. Espande-se por toda a Europa na primeira metade do século XIX e fora da Europa
na segunda metade do século XIX. Contudo, no século XX, após a II Guerra Mundial, expandiu-se por topos
os hemisférios.
A revolução industrial introduziu no processo produtivo várias técnicas que foram diminuindo a necessidade
de mão-de-obra e que possibilitaram a aceleração e aumento da produção de mercadorias. A oferta foi
largamente ampliada e diversos produtos, antes apenas consumidos nos países desenvolvidos e por
pessoas das classes mais altas, passaram a ser consumidos à escala mundial pela classe média e até pela
classe pobre. Daí ser ser um dos aspectos-chave responsável pelo moderno processo de globalização.
Causas da revolução industrial
1. A riqueza do subsolo inglês(carvão e ferro) – a abundância de minérios de ferro e carvão mineral
permitiram uma produção abundante de ferro e aço, indispensáveis para o fabrico de maquinarias
diversas.
2. A acumulação de enormes capitais – como resultado do intenso comércio externo, sobretudo com
as suas colónias, a Inglaterra tornou-se a maior potência comercial e colonial do mundo e investiu
os dividendos deste comércio na indústria.
3. A posse de um gigantesco império colonial – a metrópole conseguiu obter matérias-primas
(minerais e agrícolas) através das suas colónias.
4. Revolução agrícola – o desenvolvimento da agricultura proporcionou , por um lado, o aumento da
acelerado da produção agrícola, e por outro a libertação de muita mão-de-obra rural de que a
indústria necessitava. Nesta senda, constatou-se que a agricultura exigia novos instrumentos
técnicos que estimulassem maior produção e produtividade. Daí surgiram novos instrumentos que
possibilitaram maior produtividade agrícola e asseguraram a satisfação das necessidades da
população.
5. Revolução demográfica – este foi um dos factores que aumentou extraordináriamente a procura
de produtos fabricados e pôs à disposição da indústria vastos recursos humanos, com uma forte
proporção de jovens, ansiosos por abandonarem os campos e procurarem na actividade industrial
uma ocupão mais bem remunerada.
6. Invenções técnicas – assiste-se também nesta altura a sucessão de grandes invenções técnicas –
foram inventadas e aperfeiçoadas diversas máquinas como as máquinas de tecer, fiar, cardar e a
máquina a vapor, e novos métodos de produção do ferro e de aço, etc.
7. A situação geográfica – a boa localização geográfica junto das vias de transportes e
comunicação(rios navegáveis e acesso a bons portos) proporcianaram um comércio muito activo.
8. Espírito de iniativa – dispor de capitais , matérias-primas abundantes, vastos mercados, etc nada
seria possível se os ingleses não tivessem espírito de iniativa. Com efeito, foi graças a esse espírito
que eles foram bem sucedidos.
Fases da revolução industrial
1. Fase: A força Mecânica (1750-1875) – marcou a passagem da manufactura para a maquinaria.
Nesta fase a revolução foi essencialmente mecânica para responder à crescente procura, resultante
do acentuado crescimento demográfico que exigia um maior consumo de bens primários bem como
secundários. Assim, a indústria teve de melhorar a produtividade, fazendo um apelo às máquinas.
2. Fase: Revolução energética (1880-1950) – são descobertas novas formas energéticas como a
electricidade, o petróleo e o gás natural decorrentes da invenção do motor de explosão , a turbina e
o dínamo que vão revolucionar novamente a indústria acabando com o condicionalismo energético.
3. Fase: Revolução da energia atómica e da automação – iniciou-se após a II Guerra Mundial ,
chegou aos nossos dias a menos que os progressos tecnológicos nos coloquem perante nova
revolução indústrial. A característica marcante desta fase é a submissão da mecanização pela
automação e automatização. O trabalho humano é substituido pelo robot e/ou computador. O
trabalho que até há pouco era feito por um grande número de operários passa a ser feito por um
único operário cuja tarefa é carregar num botão.
Consequências da revolução industrial
A revolução industrial teve consequências socioeconómicas e ambientais, que se sentiram em especial ao
nível da demografia, da agricultura, dos transportes e do desenvolvimento urbano.
Assistiu-se um rápido crescimento demográfico como resultado dos progressos técnicos e científicos
alcansados nos campos da agricultura e medicina.
Na agricultura, a revolução industrial trouxe novos instrumentos técnicos que permitiram incrementar a
produção e produtividade. Assim a introdução de diversas maquinaria agricola, de novas culturas e novos
sistemas de irrigação, o aumento de terras de cultivo, constituíram factores indispensáveis para a
maximização da produção agrícola, uma vez que há necessidade crescente de satisfação de alimentos de
uma população que crescia e cresce a um ritmo acelerado.
No ramo dos transportes, assiste-se uma profunda transformação. Iniada pela máquina a vapor, os
transportes ferroviários, terrestres, marítimos e aérios permitiram o contacto imediato com o resto do mundo
possibilitando a ampliação do horizonte geográfico.
No desenvolvimento urbano, a revolução industrial veio criar novas cidades de grande concentrção
populacional e industrial.
Ao nível ambiental, constata-se que a revolução industrial incrementou o papel dos metais, mobilizou
fontes de energia cada vez mais importantes. Os laços entre as actividades de transformação e o meio
ambiente sofreram profudas alterações. Por exemplo, a revolução industrial contribuiu para a delapidação
e deterioração dos recursos naturais.
Antigo regime
“Como a Revolução Francesa não teve apenas por objetivo mudar um governo antigo, mas abolir a forma
antiga da sociedade, ela teve de ver-se a braços a um só tempo com todos os poderes estabelecidos,
arruinar todas as influências reconhecidas, apagar as tradições, renovar costumes e os usos e, de alguma
maneira, esvaziar o espírito humano de todas as idéias sobre as quais se tinham fundado até então o
respeito e a obediência.”
As instituições feudais do Antigo Regime iam sendo superadas à medida que a burguesia, a partir do século
XVIII, consolidava cada vez mais seu poder econômico.
A revolução francesa (1789-1799)
Processo revolucionário que aconteceu na França entre 1789 e 1799 e que recebeu o nome de Revolução
Francesa, foi responsável pelo fim dos privilégios da aristocracia e pelo término do Antigo Regime.
A Revolução Francesa foi um ciclo revolucionário que aconteceu na França entre 1789 e 1799 e que teve
como resultado prático o fim do absolutismo no país. A Revolução Francesa aconteceu por conta da
insatisfação da burguesia com os privilégios que a aristocracia francesa gozava e da insatisfação do povo
com sua vida de sofrimentos, marcada pela pobreza e fome.
Importância da revolução francesa
A Revolução Francesa é um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade porque dela
iniciou-se o processo de universalização dos direitos sociais e das liberdades individuais, previstos na
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Essa revolução também abriu caminho para o
republicanismo na Europa e para a democracia representativa. A Revolução Francesa inspirou-se nos
ideais do Iluminismo, que surgiram no século XVIII.
Causas da revolução francesa
A Revolução Francesa foi resultado da crise política, econômica e social que a França enfrentou no final
do século XVIII. Essa crise marcou o fim da monarquia absolutista que existia na França há séculos e da
antiga ordem de privilégios que constituía o Antigo Regime Francês. Nessa época, a França era governada
por Luís XVI, e a sociedade era dividida em classes sociais, conhecidas como Estados:
Primeiro Estado: clero;
Segundo Estado: nobreza;
Terceiro Estado: restante da população que não se incluía nos outros dois Estados.
A sociedade francesa era muito bem definida: um grupo que possuía uma série de privilégios em detrimento
do restante do país. É importante observar que o Terceiro Estado era uma classe extremamente
heterogênea, formada por grupos distintos, como a burguesia e o campesinato.
De toda forma, a sociedade francesa era marcada por uma desigualdade extrema, uma vez que nobreza e
clero gozavam de privilégios, como a isenção de determinados tributos e o direito de cobrar impostos por
suas terras. Essa desigualdade social era a raiz da crise enfrentada pela França no século XVIII.
A França, nesse período, começou a sofrer as consequências de seu atraso econômico em relação às
mudanças que estavam acontecendo no mundo em decorrência do avanço do capitalismo. As tentativas
de reforma que haviam sido cogitadas na segunda metade do século XVIII fracassaram, porque nobreza e
clero impunham forte resistência a qualquer medida que resultasse na perda de seus privilégios.
Além do atraso em relação ao avanço do capitalismo, principalmente em comparação com a Inglaterra,
havia também os gastos elevados e desnecessários do governo francês nessa época. Um grande exemplo
foi o envolvimento da França na Revolução Americana, o que causou um grande impacto na economia
francesa.
O resultado foi uma crise econômica duríssima que impactou diretamente as relações sociais, pois a
nobreza intensificou a exploração sobre o povo, principalmente sobre o campesinato e a classe média
francesa. Isso aconteceu em decorrência da ocupação de cargos governamentais pela nobreza (até então,
esses cargos eram destinados à classe média) e do aumento dos impostos cobrados dos camponeses.
Esse aumento de tributos foi extremamente pesado, pois grande parte dos camponeses não possuía terras.
Assim, foram obrigados a ceder uma parcela cada vez maior de sua renda, que era utilizada basicamente
para a própria subsistência. Dessa forma, a situação do campesinato nos vinte anos que antecederam a
Revolução Francesa agravou-se consideravelmente.
Segundo o historiador Hobsbawm, o Estado francês gastava cerca de 20% a mais do que deveria, usava
50% do seu orçamento para pagar dívidas, e a inflação crescia rapidamente2. Tamanha crise econômica
demandava reformas, mas, como mencionado, nobreza e clero não estavam dispostos a abrir mão de seus
privilégios. Em 1788, as colheitas na França haviam sido ruins, o que aumentou consideravelmente o custo
de vida tanto no campo quanto nas cidades. Logo, em 1789, a França já se encontrava em estado avançado
de convulsão social. O efeito disso foi que a crise instalada nesse momento empurrou as pessoas para a
rebelião e para o banditismo. Para contornar esse cenário, os Estados Gerais foram convocados.
Os Estados Gerais eram uma espécie de assembleia que surgiu na França medieval e que era convocada
em momentos de crise (a última convocação havia sido feita em 1614). O povo francês via nessa
assembleia uma forma de obter soluções para a situação do país. Para entender essa esperança popular,
é importante saber como os Estados Gerais funcionavam.
Os Estados Gerais reuniam representantes dos três Estados que formavam a sociedade francesa. As
soluções debatidas nesse conselho eram determinadas a partir de votação, que era realizada por Estado,
e não por indivíduo. Sendo assim, nobreza e clero sempre se uniam para derrotar o Terceiro Estado. O
grande problema é que, naquele momento, os representantes do Terceiro Estado começaram a exigir que
o voto fosse individual, o que possibilitaria que as propostas da burguesia (grupo que representava o povo
no conselho) fossem aprovadas. A proposição do Terceiro Estado por voto individual foi rejeitada, o que o
motivou a criar uma Assembleia Nacional Constituinte.
Todo esse contexto fez com que o povo colocasse suas esperanças nos representantes do Terceiro Estado.
Assim, o apoio popular foi a chave do sucesso das ações da Assembleia Nacional Constituinte. A
população, já insatisfeita, enfureceu-se quando o rei mostrou-se contrário à Constituição que estava sendo
elaborada e ordenou o fechamento da Constituinte.
Assim, em 14 de julho de 1789, a população parisiense conhecida como sans-culottes rebelou-se e atacou
a Bastilha, prisão para onde eram enviados os opositores do Absolutismo Francês e símbolo do Antigo
Regime. A Queda da Bastilha, nome pelo qual ficou conhecida a tomada da prisão pela população
parisiense, marcou o início da Revolução Francesa e espalhou o fervor revolucionário pelo país.
Fases da Revolução Francesa
Após a Queda da Bastilha, o processo revolucionário espalhou-se pelo país e estendeu-se por um período
de dez anos. A revolução só foi encerrada na França quando Napoleão Bonaparte tomou o poder do país
por meio do Golpe do 18 de Brumário. Esses dez anos de extensão da Revolução Francesa são divididos
em três fases:
1. Assembleia Nacional Constituinte e Assembleia Legislativa (1789-1792)
2. Convenção (1792-1795)
3. Diretório (1795-1799)
Assembleia Nacional Constituinte e Assembleia Legislativa (1789-1792)
Essa é fase da Revolução Francesa na qual ocorreu a atuação da Assembleia Nacional Constituinte e da
Assembleia Legislativa. Após a Queda da Bastilha, a revolução espalhou-se pelo país e chegou às zonas
rurais. Os camponeses temiam que a aristocracia reagisse aos fatos que aconteciam em Paris e deixasse
a população sem alimento. Com isso, partiram para o ataque.
Essa reação recebeu o nome de Grande Medo e aconteceu entre julho e agosto de 1789. Nesse episódio,
camponeses começaram a invadir as propriedades de aristocratas, promovendo saques e assassinando os
proprietários. Além disso, exigiam o fim de alguns impostos e queriam ter direito a mais alimentos.
Os constituintes, temendo que a violência aumentasse, tomaram algumas medidas para conter as ações
do povo. Assim, os privilégios feudais foram abolidos na França no início de agosto e, ainda nesse mês, foi
anunciada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, um dos documentos mais importantes
de toda a Revolução Francesa. Essa declaração estabelecia, na teoria, que todos os homens eram
iguais perante a lei.
A violência popular e as mudanças que estavam acontecendo fizeram com que parte da aristocracia
francesa fugisse do país e fosse para outras nações absolutistas, como Áustria e Prússia. Essa aristocracia
que fugiu da França iniciou esforços contrarrevolucionários com o objetivo de reimplantar o absolutismo na
França.
O rei francês Luís XVI e sua esposa, Maria Antonieta, também tentaram fugir da França, mas foram
reconhecidos quando se aproximavam da fronteira com a Bélgica. Após ser capturado, o rei francês foi
reencaminhado para o Palácio de Tulherias, local onde vivia desde 1789 – antes disso, o rei francês vivia
no Palácio de Versalhes.
Outras mudanças que aconteceram nesse período foram decorrentes da Constituição Civil do Clero, uma
tentativa de colocar o clero francês sob o controle do governo. Em 1791, foi promulgada a nova Constituição
da França, que transformou o país em uma monarquia constitucional. Após a promulgação, a Assembleia
Constituinte transformou-se em Assembleia Legislativa.
Nessa Assembleia, consolidaram-se dois partidos, que foram muito importantes para os anos seguintes da
Revolução Francesa: girondinos e jacobinos. Os girondinos assentavam-se à direita da Assembleia e
tinham uma postura mais conservadora em relação às mudanças em curso. Já os jacobinos assentavam-
se à esquerda e partilhavam de uma posição mais reformista, que defendia a ampliação das reformas em
curso no país.
Nesse período, rumores de que austríacos e prussianos estavam organizando forças para invadir a França
espalharam-se e fizeram com que a Assembleia emitisse uma declaração de guerra contra esses dois
países. Os franceses lutaram essa guerra com a Guarda Nacional, tropa que tinha surgido em Paris no
começo da revolução e que era liderada pelo Marquês de La Fayette.
O início da guerra criou condições para a radicalização da revolução e levou a população a apoiar os
jacobinos e os sans-culottes. A guerra foi declarada em abril de 1792 e, em setembro de 1792, a Monarquia
Constitucional na França caiu. Os sans-culottes anunciaram a instauração da República na França.
Convenção (1792-1795)
Com a República, a Assembleia Legislativa transformou-se em Convenção. Os membros da Convenção
foram escolhidos por sufrágio universal masculino, e o rei francês, naturalmente, foi destituído de sua
função. Nesse momento, uma nova discussão tomou a política francesa: o destino de Luís XVI.
Os jacobinos defendiam que o rei deveria ser guilhotinado, pois era considerado o grande culpado pelos
males que a França enfrentava. Já os girondinos defendiam o exílio do rei. O processo de Luís XVI teve
uma reviravolta quando um suposto cofre foi encontrado em Tulherias com evidências do envolvimento do
rei com a contrarrevolução. O resultado disso foi a execução de Luís XVI na guilhotina em janeiro de 1793.
Esse regicídio inaugurou a fase do Terror na revolução. Os jacobinos tomaram o poder da França e,
liderados por Maximilien Robespierre, iniciaram uma fase de radicalização, que ampliou as reformas no
país e perseguiu todos aqueles que se opunham a ela. Na República controlada pelos jacobinos, os
opositores foram alvos da Lei dos Suspeitos, responsável pela morte na guilhotina de 17 mil pessoas em
14 meses.
O Terror imposto pelos jacobinos levou os girondinos a organizarem-se e a reagirem com a Reação
Termidoriana em 1794. Com esse evento, os jacobinos foram destituídos do poder, Robespierre foi
guilhotinado e a agenda reformista foi substituída por uma agenda mais conservadora e liberal. Em 1795,
a Convenção foi substituída pelo Diretório.
Diretório (1795-1799)
Com o enfraquecimento dos jacobinos, os girondinos, à frente dos interesses da alta burguesia francesa,
redigiram uma nova Constituição para a França e reverteram algumas medidas. Utilizaram ainda o exército
francês para reprimir todos aqueles que se opusessem às medidas que estavam sendo implantadas.
A França permaneceu em uma onda de instabilidade política, social e econômica durante os anos
seguintes, que fez com que a alta burguesia defendesse a implantação de um governo autoritário presidido
por uma figura de força. Essa figura era Napoleão Bonaparte, general do exército francês, famoso na
época por liderar as tropas do país no exterior.
Napoleão tomou o poder da França em 1799, quando organizou um golpe que ficou conhecido como
Golpe do 18 de Brumário. Isso marcou início do Período Napoleônico.
Consequências da revolução francesa
A Revolução Francesa estendeu-se por dez anos e, nesse período, uma série de transformações aconteceu
naquele país. As transformações trazidas pela Revolução Francesa, porém, não se mantiveram apenas na
França e espalharam-se pelo mundo. Elas foram:
1. Fim dos privilégios de classe na França;
2. Fim de qualquer resquício do feudalismo no país e início da consolidação do capitalismo;
3. Início do processo de queda do absolutismo na Europa e na França;
4. Inspiração para movimentos de independência no continente americano;
5. Popularização da república como forma de governo;
6. Separação entre os poderes;
7. Imposição das liberdades individuais, que tornavam os homens “iguais perante a lei”.