O § 4º do art.
66 do PDDU de Vitória da Conquista introduz uma exceção relevante ao
enquadramento de imóveis como não edificados, subutilizados ou não utilizados, ao excluir dessa
classificação aqueles que abriguem atividades cuja finalidade não exija edificação. Tal
dispositivo desloca o critério de avaliação da função social da propriedade do aspecto meramente
físico-construtivo para um critério funcional, no qual a efetividade do uso passa a prevalecer
sobre a presença de edificação. Embora essa previsão possa ser interpretada como um mecanismo
de adequação normativa a usos legítimos do território — como atividades agropecuárias,
recreativas ou ambientais —, ela também amplia a margem de discricionariedade administrativa,
uma vez que a definição do que constitui uma atividade que “não necessite de edificação”
depende de interpretação técnica e política caso a caso. Nesse sentido, o dispositivo exemplifica
uma forma de abertura normativa que permite ao poder público modular a aplicação dos
instrumentos urbanísticos conforme circunstâncias específicas, dialogando com o que Harvey
(2012) identifica como flexibilização institucional no urbanismo neoliberal, em que a legislação
urbana incorpora cláusulas interpretativas capazes de ajustar a ação estatal às dinâmicas e
interesses predominantes no território.