1.
DESCRIÇÃO DA ÁREA
O município de Porto Alegre está situado na porção leste estado do Rio Grande do Sul,
às margens do rio Guaíba, pertencente a Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba. Apresenta uma
área de 495, 390 km² e latitude – 30º/ longitude W – Greenwich 51º, sendo a capital mais
meridional do Brasil.
Equação 1: Localização da cidade de Porto alegre.
Fonte: Google Earth
1.1 Solos
A maior parte da cidade, cerca de 65%, é formada pelo escudo Cristalino Rio Grandense,
com relevo constituído de morros e coxilhas. A parte baixa da cidade planícies, terraços e
lacustres. Há na cidade duas feições geológicas, o embasamento cristalino e sedimentos do
grupo quaternário patos.
A classificação dos solos na cidade Porto Alegre são :Podzólicos Vermelho-Amarelos,
Litólicos e Cambissolos, com substrato de granitos e gnaisses, e Planossolos, Gleis e Solos
Aluviais, desde sedimentos quaternários.
1.2 Vegetação
O Bioma presente em Porto Alegre é o Pampa (IBGE, 2019). Caracterizado pela
presença de campos nativos, mas também com a presença de matas ciliares, matas de encosta,
matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos (MMA).
A região apresenta grande diversidade de flora, uma riqueza específica, devido a cidade
está situada em meio a diferenças ambientais, como relevo, drenagem e os vários tipos de solo,
apresentando desde vegetação rasteira a de grande porte.
2. PRECIPITAÇÃO
A precipitação é um dos componentes mais importantes do ciclo hidrológico, e para a
manutenção de água na atmosfera. Varia tanto no ponto de vista geográfico quanto sazonal.
Sendo influenciada por vários fatores latitude, distância de fontes de água, altitude, orientação
de encostas e vegetação. Para medir a quantidade de precipitação utiliza-se o pluviômetro.
Gráfico 1: Precipitação média em cada mês do ano, correspondente ao período de
1981-2010.
A precipitação total anual em Porto Alegre se encontra em torno de 1400. A
probabilidade de dias com chuva varia ao longo do ano.
A nível sazonal o maior período de precipitação é nos meses de junho a outubro
principalmente.
Observa-se a relação entre os meses mais quentes do ano em Porto Alegre e as menores
precipitações, assim como as maiores precipitações nos meses mais frios. A precipitação em
Porto Alegre ocorre de forma dividida em todos os meses do ano, contando com poucos meses
que possuem precipitação baixa demais.
3. EVAPORAÇÃO
A evaporação consiste na transferência de água para a atmosfera sob a forma de vapor,
este parâmetro depende das medidas de insolação, umidade, temperatura e intensidade dos
ventos. Os valores para evaporação são obtidos a partir do evaporímetro de piché e tanque classe
A.][
Gráfico 2: Evaporação média em cada mês do ano, correspondente ao período de 1981-2010.
A evaporação está diretamente relacionada a temperatura local, pois a medida que a
radiação é maior, maior torna-se a evaporação. Para a constatação dessa afirmação necessita
apenas da observação do gráfico 2 acima, nos meses em que apresentam-se as temperaturas
mínimas, a evaporação também é mínima, e o contrário ocorre para os meses mais quentes, em
que a evaporação é maior.
A medida em que o período chuvoso passa, os solos ficam mais expostos a radiação, e
esta por sua vez aumenta, configurando assim aumento na evaporação.
4. TEMPERATURA
A temperatura corresponde a quantidade de calor, alguns fatores influenciam nas suas
variações, como altitude, latitude e mudanças das massas de ar. Quanto maior a latitudes
menores serão as temperaturas, devido a distância da linha do equador e menor recebimento de
insolação. Da mesma forma para a altitude, que quanto maior inversamente proporcional será
a temperatura, devido ao aumento das pressões.
A variável climática de temperatura é analisada em mínimas, médias e máximas. O
gráfico 3 apresenta os dados correspondentes.
Gráfico 3: Temperatura média em cada mês do ano, correspondente ao período de
1981-2010.
Percebe-se uma tendência homogênea para as temperaturas durante o ano, quando tanto
em se tratando de máximas, médias e mínimas as temperaturas tendem sempre a serem mais
quentes de dezembro a março e as mais frias tendem a possuir valores mínimos, verão e inverno
respectivamente.
5. UMIDADE RELATIVA DO AR
A umidade do ar está relacionada com a quantidade de vapor de água presente na
atmosfera, antes que ela precipite, ou seja, até seu ponto de saturação. É um dos elementos mais
relevantes que atuam na atmosfera, por se relacionar com a temperatura, ocorrência de chuvas
e a própria saúde humana.
A influência da umidade no clima é sentida tanto nas temperaturas quanto regime de
chuvas. Devido ao calor específico da água, ela tende a conservar mais tempo as temperaturas,
fazendo com um dado local, tenha variação pequena, havendo médias térmicas mais constantes.
Em relação às chuvas, quanto maior a umidade, grande será a possibilidade da ocorrência de
chuvas, devido maior condensação das gotículas de água.
Gráfico 4: Umidade relativa do ar média em cada mês do ano, correspondente ao
período de 1981-2010.
Para a estação estudada os maiores valores de umidade relativa apresentam-se nos meses
de abril a setembro, variando de 77 a 82, 7, conforme o gráfico 4 acima. Entretanto, em
comparação com a variação de temperatura, época do ano com menores valores umidade vai
desde de outubro a maio, período que cresce a temperatura. Sendo a parte do ano
correspondente a primavera e verão.
Como é visto, de acordo com o gráfico 4, os períodos de maior umidade são aqueles
quem tem menor taxa de evaporação, que correspondem aos períodos chuvosos, onde há menor
radiação solar e o solo está carregado.
6. INSOLAÇÃO
A insolação é o número de horas que a luz solar chega à superfície da Terra sem
interferência de nuvens, ou seja, a quantidade de energia solar que atinge uma unidade de área
do planeta. Essa quantidade irá depender da área a ser atingida dependendo da inclinação dos
raios sobre a superfície e o horário.
Para medir as horas de insolação é utilizado um instrumento chamado heliógrafo, que
consiste em uma semiesfera de quartzo que fica exposta sobre um papel fotossensível, cada
comprimento de papel queimado é transformado em horas de irradiação solar efetiva. As
estimativas dos valores dessas medidas podem ser acumuladas mensalmente ou anualmente.
Tal método é importante para constatar as condições energéticas da superfície, que em
alguma instância poderá definir o clima e microclima da região.
Gráfico 5: Insolação total em cada mês do ano, correspondente ao período de 1981-
2010.
A área de estudo apresenta maiores valores de insolação nos períodos de novembro a
março, variando entre 215, 2 a 202, 4 W/m², em uma média anual de 2010,4 W/m². Este período
também é correspondente a fase de maior temperatura, em maior exposição ao sol e menor
quantidade de nuvens.
Mais uma vez é possível ver a relação dos parâmetros uns com os outros, a medida em
que, a insolação é maior no verão, justamente onde a temperatura é maio e a precipitação é
menor e a insolação é menor no período invernoso, onde a precipitação é maior, ou seja, há a
maior formação de nuvens o que impede que a radiação atinja o solo diretamente, baixando
assim os valores de insolação.
7. INTENSIDADE E DIREÇÃO DOS VENTOS
O vento nada mais é do que o ar em movimento, sendo caracterizado por duas variáveis,
a velocidade e direção, estas que são influenciadas por diferenças topográficas. Quando quente
e seco os ventos intensificam a transferência de água para a atmosfera. A formação dos ventos
se dá pela variação de temperatura ao longo das diferentes latitudes.
Alguns fatores influenciam na velocidade e direção dos ventos, como a força centrífuga,
forças de pressão, força de atrito com a superfície e o efeito da rotação da Terra.
A direção tem dependência também da distribuição da pressão atmosférica, se é zona de
baixa ou alta pressão, e do hemisfério considerado, norte ou sul. Com isso é visto a convergência
ou divergência dos ventos, correspondendo para onde o vento sopra. Tendo direções padrões,
norte, sul, leste e oeste, sendo representadas na rosa dos ventos, em até dezesseis direções. Já
a velocidade é a quantificação do ar em movimento por unidade de tempo, sendo medida de
vários modos, em nós ou milhas por hora. Estas são verificadas a partir de anemômetros.
A intensidade corresponde a força que a massa de ar faz sobre um determinado obstáculo
perpendicular a sua direção.
Gráfico 6: Intensidade dos ventos média em cada mês do ano, correspondente ao período de
1981-2010.
Gráfico 7: Direção dos ventos em cada mês do ano, correspondente ao período de 1981-
2010.
Na área de estudo na maior parte do ano os ventos vão em direção Norte.
Observa-se sobre a intensidade dos ventos que nos períodos maios secos a intensidade
é maior. O que coincide com a realidade, visto que nos períodos em que as chuvas cessam e o
tempo tende a ser mais seco, os ventos tendem a aumentar a força e a frequência
De acordo com o gráfico 6 os maiores valores para intensidade são no final do segundo
semestre, variando de 2,5 a 2, 7.
8. BALANÇO HÍDRICO
O balanço hídrico climatológico da região foi feito segundo a evapotranspiração de
Perman-Monteith-FAO, para uma Capacidade de Água Disponível (CAD) de 100mm.
O balanço hídrico do solo é baseado no total de perda de água do solo por efeitos de
evaporação e evapotranspiração, que representa a evapotranspiração real. Diversos fatores
influenciam a variabilidade desse índice, como as características do solo, cobertura vegetal local
existente, grau de umidade do ar atmosférico, temperatura média local, entre outros.
Para o balanço hídrico conforme Perman-Monteith os parâmetros meteorológicos
utilizados são: altitude, altura anemômetro, insolação, latitude, umidade relativa do ar,
velocidade dos ventos e temperaturas máximas, médias e mínimas. Para Porto Alegre a tabela
1 a seguir relacionada.
Tabela 1: Parâmetros de entrada para balanço hídrico.
As relações seguintes a serem realizadas seguem uma sequência de determinações, as
quais são definidas a seguir:
a) Evapotranspiração Potencial (ETP-mm): representa a quantidade de água máxima
exposta a perda, é o que a atmosfera demanda, pois diz respeito a uma extensa superfície
vegetada com grama, em crescimento ativo e sem restrição de água no solo;
b) Diferença entre Precipitação e Evapotranspiração (P-ETP): valores positivos indicam
maior entrada de água, e valores negativos indicam que a precipitação não supriu a
demanda de evapotranspiração;
c) Negativo Acumulado (NEG-AC): perda hipotética de água do solo;
d) Armazenamento (ARM): volume de água no solo disponível as plantas em dado
momento;
e) Alteração no Armazenamento (ALT): variação da quantidade de água disponível no
solo, quando positivo representa o reabastecimento e se negativo demonstra diminuição
de volume no interior do solo;
f) Evapotranspiração Real (ETR): é o que a atmosfera consegue realmente retirar do
sistema solo-planta;
g) Deficiência Hídrica (DEF): demonstra quanto o sistema deixou de evapotranspirar para
ter seu crescimento e desenvolvimento se realizando em condições normais;
h) Excedente Hídrico (EXC): quantidade de água que ultrapassou o limite de retenção do
solo, causando assim escoamento superficial.
Os dados desses parâmetros para Porto Alegre estão tabelados a seguir.
Tabela 2: Balanço hidrológico.
Gráfico 8: Balanço hidrico climatológico.
A partir desses dados tem-se o gráfico do balanço hídrico climatológico conforme
Perman-Montheith para Porto Alegre.
Nem toda água que ultrapassa o limite de necessidade do bom desenvolvimento de
cultivo, ou seja disponibilidade hídrica igual a 0,6, significa excedente hídrico. Pode-se
observar isso no gráfico acima, apesar de conter excedente hídrico em todos os meses, em
alguns a água armazenada no solo é rapidamente esgotada causando-lhe deficiência (área
vermelha), de Dezembro a Março, meses de verão em Porto Alegre.
As estimativas de evapotranspiração potencial para a localidade de Porto Alegre estão
presentadas a seguir
9. CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA
O sistema de classificação dos tipos climáticos mais utilizado globalmente em
climatologia é a classificação Koppen-Geiger. Proposta por Wladimir Koppen em 1900 e
aperfeiçoada por ele mesmo em anos posteriores, a classificação leva em consideração a
sazonalidade e os valores médio anuais e mensais da temperatura do ar e precipitação. Além
disso, o pressuposto da classificação é de que o clima nas grandes regiões é essencialmente
expressado de acordo com a vegetação natural ali existente.
A estrutura Geral da classificação denota-se como:
a) Primeira letra - maiúscula (A-B-C-D-E), indicador do grupo climático da região,
conforme a tabela 1;
b) Segunda letra - minúscula quando a primeira letra for “A”, “C” ou “D”,
representa a quantidade e distribuição da precipitação, e estabelece o tipo de
clima dentro de um grupo, caso a primeira letra for “B” ou “E”, a segunda
também é maiúscula, segue-se a tabela 2;
c) Terceira letra - minúscula, denotando temperatura média mensal no mês mais
quente e média anual, segue-se a tabela 3.
Tabela 3: Classificação primeira letra Koppen.
Tabela 4: Classificação segunda letra Koppen.
Tabela 5:Classificação terceira letra Koppen.
Porto Alegre possui latitude 30,02° na direção sul e dessa forma encontra-se na zona
climática C, a qual sua latitude de ocorrência varia entre 30° e 60°.
A descrição da categoria C, sendo essa a primeira letra da classificação segundo
Koppen, identifica-se como sendo um clima temperado em que a temperatura média do ar dos
3 meses mais frio ficam entre -3° e 18° e a temperatura média do mês mais quente é maior que
10° possuindo estações de inverno e verão bem definidas (Tabela 1). O que pode-se observar
da localidade de Porto Alegre é que as temperaturas mais frias atendem a essa descrição, ao
passo que, as menores temperaturas médias registradas são 13,80°, 14,40° e 15,30, e a
temperatura do mês mais quente equivale a 24,70°.
Para a classificação da segunda letra, conforme apresentado na tabela 2, dentre as
opções em que o grupo C pode ser enquadrado, a região de Porto Alegre se encaixa na
classificação f, em que ocorre precipitação em todos os meses do ano e suas estações de inverno
e verão são bem definidas coincidindo com as características de Porto Alegre.
A terceira e última letra dessa classificação é categorizada levando em conta
principalmente as temperaturas, e como pode-se observar na tabela 3 é que entre as grupo em
que o grupo C poderia se enquadrar, Porto Alegre atende apenas a descrição grupo a, seguindo
o quesito em que a temperatura média no mês mais quente é superior a 22°.
Conclui-se, que a classificação segundo Kopper para Porto Alegre equivale a Cfa que
corresponde a um clima temperado húmido com verão quente.
REFERÊNCIAS
BASTOS, Cezar; DIAS, Regina. UNIDADES GEOTÉCNICAS DE SOLOS DE PORTO
ALEGRE . Rev. IG. São Paulo, Volume especial, 1995.
BRASIL, Ministério do Meio Ambiente. Pampa. Brasília, 1997.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2002. Pesquisa
Características de Porto Alegre, RS. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
2017.
NUGEO. Núcleo Geoambiental, 2012. Climatologia. Disponível em : <
[Link] Acesso em : 08/12/19
Weather Spark. Condições Meteorológicas de Porto Alegre. Disponível em :<
[Link]
durante-o-ano >. Acesso em: 07/12/19