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FARMACOSEMIOLOGIA

O documento apresenta a história e a missão de uma instituição educacional voltada para a formação de profissionais nas áreas de saúde, com ênfase na semiologia farmacêutica. Destaca a importância da orientação farmacêutica na automedicação responsável e a necessidade de capacitação contínua dos farmacêuticos para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, discute a aplicação da semiologia farmacêutica em diferentes contextos e países, enfatizando seu papel na promoção do autocuidado e na prevenção de problemas relacionados ao uso de medicamentos.

Enviado por

Cirio Jorge
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FARMACOSEMIOLOGIA

O documento apresenta a história e a missão de uma instituição educacional voltada para a formação de profissionais nas áreas de saúde, com ênfase na semiologia farmacêutica. Destaca a importância da orientação farmacêutica na automedicação responsável e a necessidade de capacitação contínua dos farmacêuticos para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, discute a aplicação da semiologia farmacêutica em diferentes contextos e países, enfatizando seu papel na promoção do autocuidado e na prevenção de problemas relacionados ao uso de medicamentos.

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FARMACOSEMIOLOGIA

NOSSA HISTÓRIA

A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de


empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior.

A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de


conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais,
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação.

A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma


confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.
Sumário
Unidade 1: Semiologia Farmacêutica E Os Desafios Para Sua Consolidação ....4
Seção 1.1: Introdução .................................................................................................4
Seção 1.2: Metodologia ...............................................................................................5
Seção 1.3: Resultados ................................................................................................6
Seção 1.4: Discussão ................................................................................................ 11
Seção 1.5: Considerações ........................................................................................ 13

Unidade 2: Noções De Semiologia ........................................................................ 14


Seção 2.1: Tese acerca de semiologia ..................................................................... 14

Unidade 3: Etapas Do Processo Semiológico E Raciocínio Clínico ................... 18


Seção 3.1: Introdução ............................................................................................... 18
Seção 3.3: Situações de alerta para encaminhamento ............................................. 25
Seção 3.4: Plano de cuidado..................................................................................... 26
Seção 3.5: Avaliação dos resultados ........................................................................ 31
Seção 3.6: Documentação ........................................................................................ 32

Referências .............................................................................................................. 33

3
Unidade 1: Semiologia Farmacêutica E Os Desafios
Para Sua Consolidação

Seção 1.1: Introdução


De acordo com a Organização Mundial de Saúde - OMS, muitos são os fatores
que desencadeiam o uso irracional de medicamentos, entre eles a carência de
conhecimento do usuário e o acesso de muitos medicamentos que não necessitam
de receita médica, permitindo o uso de medicamentos desnecessários e propiciando
uma terapêutica duvidosa. Grande parte da população por não dispor de assistência
médica com facilidade recorre à automedicação, buscando nas farmácias a resolução
para os seus sintomas mais comuns. No entanto a automedicação quando feita sem
a orientação adequada de um profissional da saúde pode provocar agravos que
seriam minimizados com a implantação de dispensação ativa, onde o usuário recebe
orientação farmacêutica adequada quanto ao uso seguro dos medicamentos, como
indicação e forma correta de administração, os benefícios e riscos de sua utilização
minimizando assim, o ônus sócio econômico nos diferentes níveis de atenção à saúde
com atendimentos devido a agravamentos a saúde.
No ano de 1992, o International Pharmaceutical Federation (FIP) elaborou um
documento para padronizar as Boas Práticas de Farmácia, que abrange atividades
para incentivar o auto-cuidado, incluindo o aconselhamento aos usuários e, quando
apropriado, a indicação de tratamentos medicamentosos, para aliviar desconfortos e
enfermidades leves. O farmacêutico deve estar atento ao histórico médico do usuário
para dispensar medicamentos seguros, eficazes e de qualidade em colaboração com
os outros profissionais.
A Associação Mundial de Médicos da Família (WONCA) entende que, um
problema de saúde, é qualquer queixa, observação ou fato que o paciente ou o
profissional percebam como um desvio da normalidade e que possa afetar a
capacidade funcional do paciente. O farmacêutico é o profissional capaz de identificar,
resolver e prevenir potenciais problemas relacionados a medicamentos (PRMs) com
o uso racional de medicamentos e possíveis intervenções, em um plano terapêutico
efetivo e seguro, através da educação do paciente frente aos medicamentos. Estes
recursos permitem otimizar a terapia medicamentosa, promovendo o bem estar e são
capazes de reduzir PRMs melhorando a qualidade de vida dos usuários.

4
A semiologia farmacêutica é a aplicação dos conhecimentos previamente
adquiridos, no qual o farmacêutico como profissional da saúde utiliza a fim de resolver
distúrbios menores relacionados à farmacoterapia. Os sinais e sintomas referidos pelo
paciente devem ser observados a fim de esclarecer a natureza da doença e traçar os
planos terapêuticos conjuntos com o paciente e com a equipe de saúde. Os sinais
podem ser percebidos e quantificados, enquanto que os sintomas são percepções
humanas e dependem do relato do paciente. A prática da semiologia farmacêutica é
ainda pouco conhecida entre os profissionais de saúde por isso, é necessário agregar
conhecimentos ao currículo do farmacêutico, inserindo desde a graduação a
importância de prestar cuidados de saúde à sociedade, para que possam assim,
implantá-la de forma segura.
Em vista da importância da semiologia farmacêutica e de seu pouco
conhecimento e aplicação, foi realizada uma revisão, com o objetivo de identificar
estudos de semiologia farmacêutica em diferentes países, incluindo Brasil. Os
principais sinais e sintomas, que incentivam os usuários de medicamentos a
procurarem as farmácias para indicação de medicamentos para o tratamento dos
distúrbios referidos e a automedicação responsável no tratamento de distúrbios
menores também foi investigada e relatada neste estudo.

Seção 1.2: Metodologia


Foi realizada uma busca nas bases de dados: Bireme, Embase, Lilacs,
Medline/PubMed, Periódicos Capes, Scopus, ScienceDirect, Scielo e SciFinder,
utilizando-se os seguintes descritores científicos em saúde: "Community pharmacy
services", “Clinical interview”, “Clinical pharmacist”, “Drugstore”, “Minor illnesses”,
“Nonprescription drugs”, “Over-the-counter”, “Pharmaceutical care”, “Pharmaceutical
semiology”, “Pharmaceutical services”, “Pharmacist counseling”, “Primary care”, “Self-
medication”, “Signs and Symptoms”. Uma pré-análise dos artigos foi realizada a fim
de identificar estudos de semiologia farmacêutica em diferentes países, incluindo
Brasil.
Foram considerados elegíveis para o estudo os manuscritos originais, redigidos
em português, inglês ou espanhol, disponíveis com texto completo, que
correlacionavam à ação farmacêutica com sinais e sintomas e/ou que avaliaram os
serviços farmacêuticos realizados em farmácias e drogarias. Excluíram-se da
pesquisa os artigos de revisão, pesquisas realizadas com pacientes simulados,

5
trabalhos qualitativos, os editoriais, cartas ao leitor, resumos apresentados de anais
de congressos e resultados de dissertação de mestrado ou tese de doutorado. O
período para a busca de evidências decorreu de 1900 a 2014.

Seção 1.3: Resultados


Um movimento de incentivo à Semiologia Farmacêutica nas instalação de
cuidados primários para atender a população capaz de se “autocuidar” tem sido
observado, essa mudança vem sendo apoiada por muitos países, para manter
capacidade produtiva da população, melhorar a qualidade de vida e diminuir os custos
com os cuidados de saúde, permitindo que os profissionais de saúde possam se
concentrar em problemas mais graves. Os termos “auto-cuidado” e “automedicação
responsável” estão intimamente relacionados à semiologia farmacêutica. Em 1998 a
Organização Mundial da Saúde – OMS no documento “The role of pharmacist in self
care and self medication” ressalta a importância do farmacêutico na atenção primaria,
auxiliando os pacientes na tomada de decisão por meio da orientação. Neste
documento o autocuidado é definido como, o que as pessoas fazem por si mesmas
para manter a saúde e prevenir as doenças. Nestas circunstâncias engloba a
automedicação, que por sua vez é a seleção e uso de medicamentos para tratamento
de enfermidades ou sintomas reconhecidos, pelo próprio individuo, e se difere da
automedicação responsável, pois nesta, há o consumo de fármacos de venda livre
aprovados, que quando usados como indicados são considerados seguros e eficazes.
A automedicação quando realizada de maneira responsável, é necessária para
complementar as funções dos sistemas de saúde, particularmente para os países em
desenvolvimento. Em 1986, a Organização Mundial de Saúde já publicava diretrizes
para a avaliação dos medicamentos que poderiam ser empregados na
automedicação, os quais devem ser eficazes, confiáveis, seguros e de emprego fácil
e cômodo. Com a expansão de medicamentos disponíveis sem receita médica, o
farmacêutico assume um papel fundamental no aconselhamento ao paciente. Em
muitos casos os pacientes são capazes de tomar decisões em relação a sua própria
saúde, se este dispor de orientação especializada. Muitas pessoas querem liberdade
para escolher os seus medicamentos e cabe aos farmacêuticos orientá-los para que
elas façam a melhor opção baseadas nas informações e conselhos referidos pelo
farmacêutico.

6
A anamnese realizada pelo farmacêutico é essencial na prevenção de doenças
primárias, no tratamento de doenças agudas de rotina e na questão de doenças
crônicas, para isso é necessário alcançar uma relação fidedigna com o paciente. Este
é o principal veículo de informações sobre o seu estado de saúde e, portanto,
representa a principal ferramenta utilizada para identificar os sinais e sintomas
apresentados e correlacioná-los com possíveis enfermidades.
Um estudo realizado na Estónia definiu a “doença menor” como um
autocuidado que requer uma tomada de decisão, um processo que envolve a auto-
observação, percepção dos sintomas e julgamento da gravidade para a escolha de
um tratamento. As doenças menores são autocondições limitantes que requerem
pouca ou nenhuma intervenção médica, tais como: resfriados, tosses e indigestão,
que podem ser tratadas com medicamentos isentos de prescrição (MIP). Apesar de
serem considerados relativamente seguros, muitos MIPs também são conhecidos por
conter agentes farmacológicos com potencial para causar reações adversas e
interações medicamentosas, por isso a sua utilização exige o mesmo grau de cuidado
que os medicamentos vendidos sob prescrição médica. No Reino Unido as
estatísticas de morbidade sugerem que mais de 40% das consultas ao clínico geral
são para doenças menores que poderiam ser tratados sem aconselhamento médico,
mas com uso acompanhado por outros profissionais da saúde a exemplo dos
farmacêuticos.
A política do governo do Reino Unido destaca o papel das farmácias
comunitárias no apoio seguro e eficaz de auto-cuidado, elas fornecem conselhos de
saúde em geral e informações específicas sobre os medicamentos isentos de
prescrição. Na Escócia a implantação de um serviço de atendimento a doenças
menores nas farmácias comunitárias tem sido reforçada, permitindo que estes
pacientes sejam tratados diretamente na farmácia. As campanhas farmacêutica como,
“Escolha o remédio certo” e “pergunte ao seu farmacêutico”, foram implementadas
para encorajar os pacientes a solicitar orientações aos farmacêuticos. Este foi apenas
um primeiro passo em uma ampla gama de serviços prestados por esses
profissionais, incluindo assistência em doenças menores. Novas legislações foram
então criadas para permitir que os farmacêuticos, (bem como outros profissionais de
saúde) possam prescrever certos medicamentos para suprir a atenção primaria,
baseandose sempre em protocolos rígidos, tais protocolos foram introduzidos pelo
governo do Reino Unido em agosto de 2000.

7
Em 2004, foi realizado um trabalho com refugiados asilados no sul de Londres,
que por estarem afastados da atenção basica de saúde recebiam “tickets” que lhes
permitiam ter uma consulta com farmacêutico e troca-los por medicamentos isentos
de prescrição (MIPs) gratuitamente, para tratar de suas doenças menores. Este
estudo fez um levantamento das doenças mais frequentes nessa região e os fármacos
mais dispensados para essas enfermidades. Indica que é possivel tratar as “doenças
menores” com os fármacos de venda livre, evitando consultas médicas desnecessaria.
É importante considerar que uma pequena parcela desses individuos foram
encaminhados para unidade médica.
Em 2007, uma revista americana já apontava uma tendência crescente para as
consultas farmacêuticas e recomendações de MIPs nos cuidados de saúde, pois o
farmacêutico é a pessoa mais próxima ao paciente para aconselhá-lo. Neste mesmo
período uma pesquisa nos Estados Unidos confirmou que muitos farmacêuticos já
estavam oferecendo este valioso serviço profissional. A pesquisa apontou que
produtos isentos de prescrição mais recomendados por farmacêuticos são os
medicamentos para tosse e resfriado, analgésicos, antiinflamatórios, agentes
gastrointestinal, antiácidos, suplementos nutricionais e vitaminas, antifúngicos,
medicamentos dermatológicos, produtos oftalmológicos, higiene oral, laxantes,
correlatos para primeiro socorros, contraceptivos e produtos de saúde da mulher.
Para a consolidação da semiologia farmacêutica se faz necessário que o
farmacêutico esteja em constante atualização para adquirir informações sobre estes
produtos em fontes confiáveis, a fim de ajudar os pacientes a tomar decisões seguras
sobre suas compras de MIPs. Sabe-se que no Reino Unido alguns farmacêuticos já
estão oferecendo serviços adicionais, como conselho pró ativo de promoção da
saúde, serviços de informações nas farmácias ou consultas com pacientes individuais.
Os MIP’s devem ser seguros e efetivos, trazendo benefícios a sociedade quando
usado de forma adequada pela automedicação responsável, uma vez que em busca
de qualidade de vida da população consegue tratar suas pequenas enfermidades com
praticidade e ainda acarreta diminuição de custos para o individuo e para o sistema
de saúde.
Em 2009, um levantamento realizado pelo “Guía Terapéutica en Atención
Primaria Basada en la Selección Razonada del Medicamento”, reassaltou a
importância da escolha na seleção dos medicamentos, pois novos fármacos são
lançados a cada dia e milhares de artigos com ensaios clínicos estatisticamente

8
significativos são publicados todos os anos. A elaboração de um método de prescrição
fundamentado no uso racional de medicamentos, de forma a ordenar as ideias e
direcionar os farmacêuticos à tomada de decisões vem sendo aconselhado pela OMS.
Um estudo realizado no norte da Índia observou que muitos medicamentos que
só podem ser comprados com receita médica em países desenvolvidos são
considerados medicamentos isentos de prescrição nos países em desenvolvimento.
Na Finlandia os pacientes tem facil acesso aos medicamentos isentos de prescrição,
em farmácias comunitárias, para tratar suas doenças menores. Desde 1983, a Lei de
Medicamentos da Finlândia nº 395, § 5 º, 895/96, delega aos farmacêuticos a oferecer
“aconselhamento farmacêutico”, sendo sua responsabilidade na prestação de terapia
medicamentosa, para alcançar resultados concretos que melhorem a qualidade de
vida do paciente, assegurando que o mesmo compreendeu as instruções e
advertências de sua medicação.
No Canadá a campanha “drugbenefit program” permite que os membros das
Forças Armadas canadenses recebam medicamentos de venda livre nas farmácias
sem consultar um médico e o farmacêutico é reembolsado pelo custo da medicação
como uma taxa de serviço. O programa tem sido benéfico para reduzir a carga de
trabalho dos médicos em tratamento de doenças menores e minimizar os custos
associados com visitas desnecessárias ao médico. Em Nottingham, para melhorar o
acesso aos medicamentos foi implantado um esquema para atender doenças
menores “Pharmacy First Minor Ailments Scheme (PFS)”, em dezembro de 2003,
onde as pessoas inscritas no programa “Primary Care Trust” (PCT) receberam
gratuitamente as medicações para atenção primária.
Na Austrália a prescrição farmacêutica se restringe aos medicamentos isentos
de prescrição. Estudos realizados em 2011 para explorar as questões da ampliação
da prescrição farmacêutica, concluiu que do ponto de vista dos farmacêuticos e
pacientes a prescrição farmacêutica deveria ser ampliada para beneficiar a
população. Os farmacêuticos interagem com 80% dos usuários de sistema de saúde
paliativos, sendo eles pacientes ou acompanhantes, o constante aprendizado do
farmacêutico é essencial para garantir um atendimento correto e adequado ao
paciente. Para isso, sistemas computadorizados, são elaborados para fornecer
informações sobre determinadas patologias auxiliando assim o profissional
farmacêutico. A interveção farmacêutica deve ser realizada em colaboração com o
médico, pois é dele o papel fundamental no diagnóstico.

9
Dois estudos realizados na Austrália e na Suíça, indicou que os farmacêuticos
recebem treinamentos para aconselhar e orientar os usuários de medicamentos
quanto ao uso seguro e correto, promovendo a automedicação responsável. Mas na
realidade os pacientes se automedicam para diversos sintomas e muitas vezes as
indicações para a escolha do medicamento advêm de familiares, amigos e
tratamentos prévios, sendo que, a participação do farmacêutico no processo da
automedicação é verificada em apenas alguns casos.
Em 2012 um estudo apresentado por Fletcher e colaboradores demonstrou que
a intervenção do farmacêutico e profissionais de enfermagem na avaliação e
otimização do uso de fármacos, alcançou melhorias terapêuticas, e o aconselhamento
fornecido por profissionais da saúde em relação ao uso correto e seguro de fármacos
contribui significativamente para a redução das taxas de morbidade e mortalidade.
No Brasil a RDC n.º 357/2001 aprova o regulamento técnico das “Boas Práticas
de Farmácia”, sequencialmente na Resolução Brasileira - RDC nº 138/2003, os
farmacêuticos encontram uma lista de Grupos e Indicação Terapêuticas Especificadas
– GITE, esses fármacos podem ser vendidos sem prescrição médica. Logo, todos os
medicamentos cujos grupos terapêuticos e indicações terapêuticas não estão
descritos no GITE são de venda sob prescrição médica. A resolução nº 499/2008, do
Conselho Federal de Farmácia que dispõe sobre a prestação de serviços
farmacêuticos, em farmácias e drogarias, e dá outras providências, bem como a
Resolução nº 44, de 17 de agosto de 2009 que dispõe sobre Boas Práticas
Farmacêuticas para o controle sanitário do funcionamento, da dispensação e da
comercialização de produtos e da prestação de serviços farmacêuticos em farmácias
e drogarias e dá outras providências, são documentos que auxiliam o farmacêutico
para melhor orientar o paciente frente à tomada de decisões ao escolher um
tratamento, procurando padronizar os tipos de medicamentos usados como primeira
escolha para as doenças consideradas de transtornos menores, especialmente na
atenção primária à saúde.
Ações educativas para todos os farmacêuticos são desenvolvidos pelo
Conselho Federal de Farmácia sendo a maioria oferecida gratuitamente como os
cursos de educação continuada, disponibilizados em Fascículos “Farmácia
Estabelecimento de Saúde", que tratam de temas técnicos de interesse da profissão
farmacêutica. Cursos presenciais são periodicamente realizados nas sedes dos
conselhos regionais de farmácia em diferentes regiões do país, o farmacêutico

10
também pode optar por assistir via internet cursos, palestras e seminários realizados
fora de sua localidade. No Brasil, recentemente aprovada, a resolução do Conselho
Federal de Farmácia – CFF nº 585 de 29 de agosto de 2013 e nº 586 de 29 de Agosto
de 2013 vem regulamentar as atribuições clínicas do farmacêutico, bem como,
implantar e regulamentar a prescrição farmacêutica. Este documento autoriza os
farmacêuticos a prescreverem medicamentos e outros produtos com finalidade
terapêutica, cuja dispensação não exija prescrição médica, para o tratamento dos
transtornos menores. No inicio de 2014 campanhas comemorativas ao dia nacional
do farmacêutico (20 de Janeiro) foram veiculadas em rede nacional tendo como tema:
"Onde tem medicamento tem que ter farmacêutico" com o intuito de conscientizar a
população da importância deste profissional para a sociedade. Ressalta-se considerar
que a prestação de serviços farmacêuticos com qualidade possivelmente fidelizará os
clientes e consequentemente haverá um maior retorno financeiro aos proprietários.

Seção 1.4: Discussão


A análise deste trabalho corrobora a idéia de que existe um movimento de
mobilização mundial, no sentido de capacitação do farmacêutico para o tratamento de
doenças menores, considerando esse fato como um avanço necessário para
beneficiar a população e diminuir custos atrelados a forma convencional de
atendimento, que se mostra menos eficiente do ponto de vista econômico. Em alguns
países, os farmacêuticos já têm autonomia prescritiva para auxiliar os pacientes que
buscam nas farmácias os medicamentos isentos de prescrição médica,
desencadeando o tratamento imediato de seus sinais e sintomas prevenindo assim
uma possível piora do seu quadro clínico. O farmacêutico desempenha a função de
acompanhamento, orientando e verificando adesão do tratamento dos usuários. Nos
casos de grupos de risco e doenças de maior complexidade, os pacientes são
encaminhados às especialidades médicas. Em 2011, o Canadá aderiu a este modelo,
de forma que os farmacêuticos daquele país passaram a gozar de maior grau de
autonomia prescritiva. Mas um estudo conduzido por Awad e colaboradores verificou
que aproximadamente 75% dos farmacêuticos relataram que há necessidade de
maior aprendizado em como promover a saúde em farmácias e drogarias e a falta de
tempo é o principal fator que dificulta a promoção da saúde no nível primário de
atenção.

11
No Brasil, o farmacêutico ainda não tem atuação destacada no
acompanhamento da utilização de medicamentos, na prevenção e promoção da
saúde, e é pouco reconhecido como profissional de saúde tanto pela sociedade
quanto pela equipe de saúde. Observa-se uma postura passiva dos farmacêuticos
perante o principal serviço que deveria ser oferecido nas farmácias, à orientação
quanto ao uso correto e seguro, contribuindo para o uso racional de medicamentos,
prevenindo agravos à saúde do paciente e a sobrecarga das instituições de saúde.
Ademais, fomenta o questionamento do ato de dispensação ter sido delegado aos
balconistas, cujo conhecimento técnico é restrito, pelo fato do nível de escolaridade
destes atendentes abrangerem muitas vezes apenas o ensino médio. Portanto, a ação
do farmacêutico como promotor da saúde e do auto-cuidado e, principalmente, de
educador em relação ao uso seguro do medicamento, deixa a desejar devido à
demanda de trabalhos burocráticos nas drogarias, de modo geral, o principal serviço
prestado nas farmácias e drogarias é a dispensação de medicamentos, sendo a
qualidade dessa prática considerada abaixo do padrão, uma vez que os afazeres
técnicos toma grande parte da sua carga horária de trabalho e acabam não fazendo
a sua real função que é exercer os seus conhecimentos sobre medicamentos e assim
auxiliar na promoção da saúde. Esta omissão pode resultar em agravos à saúde dos
usuários de medicamentos.
Embora estejamos muito aquém dos níveis atingidos por países europeus,
Estados Unidos e Canadá, é possível verificar que existe um grande interesse
brasileiro, tanto da comunidade acadêmica, como do Conselho Federal de Farmácia
– CFF desse País, no sentido de viabilizar as possibilidades para a implementação
dessa prática. Ressaltam-se neste debate as dificuldades encontradas, relativas à
qualificação dos profissionais, devido à falta de conteúdos curriculares relacionados à
semiologia farmacêutica e farmacoterapia nos cursos de graduação e pós-graduação.
Essas estratégias de aprendizagem ampliam a capacitação para atuação dos
profissionais farmacêuticos. No Brasil, a inclusão de disciplinas de Semiologia
Farmacêutica, Atenção Farmacêutica e Farmacovigilância é recente em algumas
universidades do país, para promover a capacitação e habilitação desses
profissionais, mas há poucos profissionais aptos a desenvolverem a atividades
clínicas, e específicas para o tratamento de determinados sinais e sintomas.

12
Com esta formação, o farmacêutico poderá colocar em prática a semiologia
farmacêutica, como um segmento dentro da atenção farmacêutica, que busca através
dos sinais e sintomas dos pacientes investigar a efetividade e segurança de
medicamentos em uso ou não, e auxiliá-los na resolução de problemas de saúde
relacionados à farmacoterapia. É necessário um monitoramento desses pacientes,
com base na fidedignidade dos mesmos em relação à terapia proposta pelo
farmacêutico e a sua percepção com relação aos sinais e sintomas, pois somente
desta forma é possível avaliar se a terapia proposta pelo profissional está sendo bem
sucedida.

Seção 1.5: Considerações


A semiologia farmacêutica é uma nova prática profissional que visa a
identificação de sinais e sintomas em distúrbios menores para posterior decisão
terapêutica do medicamento isento de prescrição (MIP) mais efetivo e seguro. A
seleção adequada do MIP, sob responsabilidade farmacêutica, tem como finalidade a
promoção da saúde e prevenção de problemas relacionados com uso de
medicamentos. A semiologia farmacêutica vem sendo encorajada em diferentes
países, entretanto, desafios à sua implementação ainda devem ser superados, como
por exemplo, formação profissional. Critérios de seleção de medicamentos devem ser
conhecidos e pautados em protocolos clínicos para garantir uso adequado do
medicamento. Sendo a farmácia comunitária uma das portas de acesso da população
à saúde, o desenvolvimento dessa prática contribui para melhor do sistema de saúde
do país, ampliando acesso da população e permitindo resolutibilidade de agravos
menores na farmácia da comunidade.

13
Unidade 2: Noções De Semiologia

Seção 2.1: Tese acerca de semiologia


No campo da saúde, os serviços tornam-se mais eficientes quando são
organizados com o foco no atendimento às necessidades de saúde da população
(HINO et al., 2009). Entre essas necessidades, descrevem-se: boas condições de
vida, acesso e utilização das tecnologias de atenção à saúde, vínculos entre usuário,
profissional e equipe de saúde, e o desenvolvimento da autonomia do paciente
(CECILIO, 2001). O farmacêutico pode contribuir para a melhoria da saúde, na medida
em que auxilia pacientes, família, comunidade e equipe de saúde em suas
necessidades e problemas de saúde, propiciando o uso ótimo e responsável dos
medicamentos (INTERNATIONAL PHARMACEUTICAL FEDERATION; WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2011).
Neste contexto, a semiologia é uma das áreas do conhecimento que auxiliam
o farmacêutico no reconhecimento da(s) necessidade(s) e do(s) problema(s) de saúde
do paciente, a partir de uma demanda ou queixa apresentada, e na seleção das
melhores intervenções possíveis, a fim de obter resultados ótimos em saúde, reduzir
a morbimortalidade relacionada a medicamentos e melhorar a qualidade de vida do
paciente.
Este módulo apresentará as principais definições, as etapas do processo
semiológico e o raciocínio clínico para a prescrição farmacêutica, incluindo o
acolhimento da demanda, a coleta e análise das informações, a identificação da(s)
necessidade(s) e do(s) problema(s) de saúde, a constatação de situações de alerta
para o encaminhamento, a seleção da intervenção adequada, a elaboração do plano
de cuidado, a avaliação dos resultados e a documentação do processo de cuidado
em saúde. Essa discussão será iniciada com algumas definições.
Anamnese
A palavra anamnese origina-se do grego aná = trazer de novo, e mnesis =
memória. Significa, portanto, trazer à memória todos os fatos relacionados à doença
e à pessoa doente (PORTO, 2009).
Dados objetivos
São dados mensuráveis e observáveis, cuja acurácia depende da qualidade da
medida, Figura 1 (CORRER; OTUKI, 2013).

14
Dados subjetivos
São aqueles que não podem ser medidos diretamente, nem sempre são exatos
e reprodutíveis, e incluem percepções, queixas, crenças, emoções, entre outros. São,
em sua maioria, coletados diretamente do paciente; contudo, também podem ser
percebidos pelo profissional, Figura 1 (CORRER; OTUKI, 2013).

Exame clínico
Compreende a anamnese e o exame físico para avaliação da(s)
necessidade(s) de saúde do paciente (PORTO, 2009).
Exame físico
Envolve inspeção, palpação, percussão, ausculta, olfato e uso de alguns
instrumentos e aparelhos simples para avaliação da(s) necessidade(s) de saúde do
paciente (PORTO, 2009).
Necessidades de saúde
Cecilio (2001) indica que as necessidades de saúde englobam boas condições
de vida; acesso e utilização das tecnologias de atenção à saúde; vínculos entre
usuário, profissional e equipe de saúde, e o desenvolvimento da autonomia do
paciente, apesar de não indicar uma definição precisa da expressão.
Problema de saúde
É qualquer queixa, observação ou evento que o paciente ou o profissional da
saúde percebe como um desvio da normalidade, e que já afetou, afeta ou poderá
afetar a capacidade funcional do paciente (NEELON; ELLIS, 1976).

15
Propedêutica e semiogênese
Consistem em conhecer e buscar os sintomas e sinais, compreender sua
gênese, aprender a coletar os dados da anamnese e do exame físico para avaliação
das necessidades de saúde do paciente (JESUS, 2008).
Semiologia clínica
A palavra semiologia vem do grego semeion (signo, sinal) e logos (discurso). A
semiologia clínica é o estudo dos sinais e/ou sintomas das doenças que afetam o ser
humano, por meio de competências que envolvem a realização do exame clínico
(anamnese e exame físico), análise de resultados de exames laboratoriais e
complementares, com o objetivo de identificar a(s) necessidade(s) de saúde do
paciente (PORTO, 2009; JESUS, 2008).
Semiotécnica
Consiste na técnica de coleta dos sinais e/ou sintomas para avaliação da(s)
necessidade(s) de saúde do paciente (PORTO, 2009).
Sinais
São dados objetivos que podem ser avaliados pelo examinador, por meio da
inspeção, palpação, percussão, ausculta, ou evidenciados mediante outras
manobras.São exemplos de sinais: temperatura corporal, pressão arterial, tosse,
edema, cianose, presença de sangue na urina, entre outros (LÓPEZ; LAURENTYS-
MEDEIROS, 2004; PORTO, 2009).
Sintomas
São percepções do paciente de condição de saúde anormal. Como não são
mensuráveis pelo examinador, não são absolutas. Os sintomas podem ser
influenciados pela cultura, inteligência, experiências prévias, condição
socioeconômica, entre outras (LÓPEZ; LAURENTYS-MEDEIROS, 2004; PORTO,
2009; CORRER; OTUKI, 2013; SWARTZ, 2006). São exemplos de sintomas: dor,
indigestão, tontura, náusea, dormência e tristeza.
Nem sempre é possível fazer uma distinção clara entre sinal e sintoma, porque
alguns sintomas, como cansaço, apesar de subjetivos, podem ser constatados
objetivamente pelo examinador. De forma análoga, alguns sinais, como febre e
taquicardia, apesar de serem mensuráveis, podem ser percebidos pelo paciente e
relatados de forma subjetiva (LÓPEZ; LAURENTYS-MEDEIROS, 2004; PORTO,
2009; SWARTZ, 2006), Figura 2.

16
17
Unidade 3: Etapas Do Processo Semiológico E
Raciocínio Clínico

Seção 3.1: Introdução


É importante considerar que, em seu dia-a-dia, as pessoas realizam ações a
fim de prevenir doenças e controlar ou reduzir o impacto de condições mórbidas na
sua vida, o que constitui o autocuidado. As práticas de autocuidado variam em função
da gravidade da doença, da necessidade de atenção profissional e do grau de
autonomia do paciente, indo desde o “autocuidado puro” (paciente totalmente
autônomo) até a “responsabilidade abdicada” (paciente sem nenhuma autonomia)
(CHAMBERS, 2006).
Neste contexto, o paciente pode recorrer, por conta própria, por influência de
pessoas próximas ou da mídia, ao uso de medicamentos ou de outras estratégias
terapêuticas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2014; NONPRESCRIPTION
MEDICINES ACADEMY, 2014; BRASIL, 2013a; COUGHLAN; SAHM; BYRNE, 2012).
No que concerne aos medicamentos, há o risco de que a utilização destes recursos,
sem assistência, não seja adequada, propiciando o insucesso no manejo dos sinais
e/ou sintomas, ou ainda, acarretando outros problemas de saúde (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2014; NONPRESCRIPTION MEDICINES ACADEMY, 2014;
BRASIL, 2013a).
O paciente pode buscar ajuda da equipe de saúde, com o intuito de ampliar a
sua habilidade e confiança para o manejo da(s) necessidade(s) e do(s) problema(s)
de saúde. O farmacêutico, por ser um profissional amplamente acessível nos serviços
de atenção à saúde, é frequentemente demandado pelo paciente (BRASIL, 2013a;
BRASIL, 2014; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2005). Cabe ao farmacêutico, por
meio de escuta ativa, fazer o acolhimento da demanda, a anam nese farmacêutica
(com os objetivos de coletar informações para identificar a(s) necessidade(s) e o(s)
problema(s) de saúde, as situações especiais e precauções e as diferentes
possibilidades de conduta), elaborar o plano de cuidado, pactuado com o paciente,
assim como proceder à avaliação dos resultados. Ressalte-se que deve ser feito o
registro de todo o atendimento no prontuário do paciente e que durante todo o
processo de cuidado podem ser identificadas situações de alerta para o
encaminhamento do paciente a outro profissional ou serviço de saúde, Figura 3.

18
19
O Caderno de Atenção Básica nº 28 – “Acolhimento à demanda espontânea:
Queixas mais comuns na Atenção Básica” –, publicado pelo Ministério da Saúde, em
2012, (<[Link] docs/publicacoes/cadernos_ab/caderno_28.pdf>)
constitui uma referência importante para o atendimento das demandas espontâneas;
está disponível em dois volumes (BRASIL, 2012). O livro traz as condutas a serem
seguidas pelos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) para uma série de
queixas comuns. Ressalte-se que este foi elaborado para nortear a atuação dos
profissionais no contexto da equipe multidisciplinar.
O Caderno de Atenção Primária nº 29 – “Rastreamento” –, foi publicado pelo
Ministério da Saúde, em 2010 (BRASIL, 2010). Este livro trata de atividades de
rastreamento ou triagem em saúde, auxiliando o farmacêutico no cuidado ao paciente,
tanto para a identificação de situações que exigem encaminhamento ao médico para
elucidação diagnóstica, quanto para avaliação dos resultados clínicos. Este
documento encontra-se disponível no link:
<[Link]
Classificar a demanda do paciente é importante para a documentação do
processo de cuidado, para a remuneração dos serviços do farmacêutico e para a
comunicação interprofissional. Os sinais e/ou sintomas que constituem motivos de
consulta na atenção primária podem ser codificados segundo a Classificação
Internacional de Atenção Primária (CIAP), proposta pela WONCA (Associações
Nacionais, Academias e Associações Acadêmicas de Clínicos Gerais/Médicos de
Família, mais conhecida como Organização Mundial de Médicos de Família) (COMITÊ
INTERNACIONAL DE CLASSIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE
ASSOCIAÇÕES NACIONAIS, ACADEMIAS E ASSOCIAÇÕES ACADÊMICAS DE
CLÍNICOS GERAIS MÉDICOS DE FAMÍLIA, 2010)
(<[Link]
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda o uso do CIAP-2 como
modelo de referência para registros na atenção básica. Esta classificação baseia-se
na forma como o paciente expressa os seus problemas, não constituindo, portanto,
qualquer exercício de diagnóstico da doença, o qual deve ser feito exclusivamente
pelo médico, Figura 4.
Os Guias de Prática Clínica do Conselho Federal de Farmácia norteiam o
processo de cuidado nas situações em que o farmacêutico apoia o paciente no manejo
de problema(s) de saúde autolimitados e na prescrição farmacêutica. Estes guias

20
fazem parte do Programa de Suporte ao Cuidado Farmacêutico na Atenção à Saúde
(ProFar).
Acolhimento da demanda
O acolhimento da demanda tem início, na maioria das vezes, pela iniciativa do
paciente em procurar o farmacêutico para a resolução de um problema de saúde.
Neste caso, o paciente reconhece que precisa de auxílio profissional, assim como da
expertise do farmacêutico para manejar o problema. A demanda espontânea pode ser
acompanhada de relatos sobre sinais e/ou sintomas identificados pelo paciente, e de
suas expectativas, crenças, preocupações e tentativas prévias de tratamento
(CORRER; OTUKI, 2013).

21
No acolhimento da demanda, é importante que o farmacêutico faça a escuta
ativa e qualificada do(s) problema(s) de saúde do paciente, dando-lhe sempre uma
resposta positiva e responsabilizando-se pela sua resolução. Esta atividade implica
também a garantia de acesso aos recursos necessários ao seu tratamento, sejam
estes providos pelo próprio farmacêutico ou por outro profissional ou serviço de saúde.
O acolhimento deve humanizar o atendimento e ser feito em um ambiente adequado,
que garanta conforto e privacidade ao paciente (SOLLA, 2006).
Anamnese farmacêutica e verificação de parâmetros clínicos
O relato espontâneo feito pelo paciente, na maioria das vezes, é insuficiente
para a identificação do(s) seu(s) problema(s) de saúde, tornando-se necessária a
realização da anamnese e da verificação de parâmetros clínicos (JONES; ROSPOND,
2008; HERRIER; BOYCE; FOSTER, 2014; HARDY, 2014). Os objetivos destas
avaliações são: identificar a(s) necessidade(s) e o(s) problema(s) de saúde do
paciente, as situações especiais e as precauções, além de outras informações
relevantes para a seleção da melhor conduta para a resolução do(s) problema(s).
Durante o processo semiológico, serão identificadas situações de alerta, que
determinam a necessidade de encaminhamento do paciente a outro profissional ou
serviço de saúde. Após esta análise, o farmacêutico, de forma compartilhada com o
paciente, definirá um plano de cuidado.
A anamnese possibilita analisar o discurso do paciente, por meio de
questionamentos do profissional (JONES; ROSPOND, 2008; HERRIER; BOYCE;
FOSTER, 2014; HARDY, 2014). A sequência das perguntas depende do relato
espontâneo e do tipo de condição de saúde do paciente, assim como do processo de
comunicação entre ele e o farmacêutico. Os elementos da anamnese que permitem
atingir os objetivos acima descritos são: identificação, queixa principal ou demanda,
história da doença atual (HDA), história médica pregressa (HMP), história familiar
(HF), história pessoal – fisiológica e patológica – e social (HPS), e revisão por
aparelhos (RA) ou por sistemas (RS) (JONES; ROSPOND, 2008; HERRIER; BOYCE;
FOSTER, 2014; HARDY, 2014), Figura 5.

22
A verificação de parâmetros clínicos feita pelo farmacêutico complementa as
informações provenientes da anamnese e objetiva subsidiar a triagem do paciente e
a avaliação de resultados da farmacoterapia. Envolve a medida da pressão arterial,
da temperatura, de alguns parâmetros antropométricos, como o peso e a altura, entre
outros (JONES; ROSPOND, 2008; HERRIER; BOYCE; FOSTER, 2014; HARDY,
2014).
Identificação da(s) necessidade(s) e problema(s) de saúde
A identificação da(s) necessidade(s) e do(s) problema(s) de saúde do paciente
ocorre pela análise dos sinais e/ou sintomas, o que inclui informações sobre início,
duração, frequência, localização precisa, características e gravidade, em qual
momento do dia ou em que circunstâncias surgem ou desaparecem, fatores que
agravam ou aliviam, Figura 6.

23
Estas informações permitem ao farmacêutico fazer a triagem do paciente em
relação à gravidade da demanda, distinguir situações autolimitadas daquelas que
apresentam sinais e/ou sintomas semelhantes, mas que não são autolimitadas, e que,
portanto, não são passíveis de prescrição pelo farmacêutico (farmacológica ou não
farmacológica). Nestes casos, a prescrição deverá incluir um encaminhamento a outro
profissional ou serviço de saúde (BRASIL, 2013c).
Estas informações permitem ao farmacêutico fazer a triagem do paciente em
relação à gravidade da demanda, distinguir situações autolimitadas daquelas que
apresentam sinais e/ou sintomas semelhantes, mas que não são autolimitadas, e que,
portanto, não são passíveis de prescrição pelo farmacêutico (farmacológica ou não
farmacológica). Nestes casos, a prescrição deverá incluir um encaminhamento a outro
profissional ou serviço de saúde (BRASIL, 2013c).

24
Identificação de situações especiais e precauções
Identificada(s) a(s) necessidade(s) e o(s) problema(s) de saúde do paciente, é
necessário complementar a análise com informações que podem modificar a definição
da conduta, incluindo situações adicionais de alerta para o encaminhamento e as que
indicam a necessidade de personalização da conduta. Estas situações especiais e
precauções podem incluir informações sobre o ciclo de vida (neonatos, crianças,
adolescentes, adultos, idosos, gestantes e lactantes), preferências e crenças do
paciente, experiências de medicação, comorbidades e seus tratamentos, história
pregressa de tratamento da demanda apresentada, nível de evidência e grau de
recomendação das diferentes modalidades de intervenção disponíveis, entre outras,
Figura 7.

Seção 3.3: Situações de alerta para encaminhamento


No acolhimento do paciente e durante a anamnese, é necessário analisar a
natureza, a complexidade e a gravidade da demanda, a fim de determinar se o
problema de saúde poderá ser solucionado no serviço ou irá requerer, a priori,
encaminhamento a outro profissional ou serviço de saúde. Contudo, mesmo que a
demanda não constitua, por si só, um alerta para encaminhamento, muitas vezes, ao
longo da anamnese, podem ser identificadas situações que o justifiquem. Em geral,
pessoas que apresentam sinais e/ou sintomas de maior gravidade, ou todas as

25
situações que requerem diagnóstico e tratamento pelo médico, devem ser
encaminhadas (BRASIL, 2013c).
O encaminhamento deverá ocorrer de forma orientada, de modo que o paciente
compreenda seu estado e possa seguir as orientações recebidas. Deve ainda garantir
que o outro profissional entenda a situação atual do paciente, de acordo com a análise
feita pelo farmacêutico. Para isso, deve-se proceder ao encaminhamento por escrito.
No Caderno de Atenção à Saúde nº 28, estão descritas situações de alerta para
encaminhamento (BRASIL, 2012).
Caso não identifique nenhuma situação de alerta para encaminhamento, o
farmacêutico deverá elaborar, de forma compartilhada com o paciente, o seu plano de
cuidado, que poderá conter terapias não farmacológica, farmacológica e/ou outras
intervenções relativas ao cuidado em saúde.

Seção 3.4: Plano de cuidado


Uma vez estabelecidas a(s) necessidade(s) e o(s) problema(s) de saúde do
paciente e determinada a ausência de sinais e/ou sintomas de alerta para
encaminhamento, prossegue-se a análise das possíveis condutas, de acordo com as
melhores evidências disponíveis (BRASIL, 2013b, 2013c). O plano de cuidado deve
ser construído em conjunto com o paciente e incluir uma síntese da situação, os
detalhes sobre a(s) intervenção(ões) para a resolução da(s) necessidade(s) e do(s)
problema(s) de saúde do paciente, os objetivos terapêuticos e os parâmetros para
avaliação dos resultados (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 2012). O plano pode
envolver a seleção das seguintes condutas: terapias farmacológica e não
farmacológica, o encaminhamento a outro profissional ou serviço de saúde, e/ou
outras intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente, Figura 8.
Terapia farmacológica
A seleção da terapia farmacológica deve resultar de um processo de decisão
que considere a(s) necessidade(s) e o(s) problema(s) de saúde do paciente, a
efetividade e a segurança dos medicamentos, as características do paciente e a
presença de situações especiais e precauções. Deve ainda ser baseada nas melhores
evidências disponíveis e considerar a definição dos componentes descritos na Figura
9 (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998; BRASIL, 2013b, 2013c).

26
Os medicamentos isentos de prescrição médica estão relacionados na Lista de
Grupos e Indicações Terapêuticas Especificadas (GITE) (BRASIL, 2003). A indicação
farmacêutica de plantas medicinais e fitoterápicos isentos de prescrição médica está
descrita na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC)/Anvisa nº 138, 29 de maio de
2003 (BRASIL, 2003), e na Resolução/CFF nº 546, de 21 de junho de 2011 (BRASIL,
2011).

Terapia não farmacológica


O manejo das diferentes condições clínicas pode necessitar de terapia não
farmacológica, de forma isolada, ou associada à farmacológica (BRASIL, 2013a,
2013b, 2013c). As não farmacológicas podem incluir recomendações de mudanças
de hábitos de vida, dietéticas ou do ambiente, entre outras intervenções educativas.
A seleção de terapia não farmacológica contempla critérios similares aos da
farmacológica, sendo importante levar em consideração a(s) necessidade(s) e o(s)
problema(s) de saúde do paciente, as situações especiais e as precauções, e as
melhores evidências de efetividade e segurança.

27
Para a prescrição de ambas as terapias, devem ser consideradas as doses, a
frequência de administração, a duração do tratamento e as contraindicações.
Encaminhamento
Quando o farmacêutico decide pela prescrição de encaminhamento, deve
diferenciar claramente casos de maior gravidade, que requerem atendimento
imediato, daqueles de gravidade leve ou moderada, que não exigem atendimento de
urgência/emergência. Desta forma, sempre que o farmacêutico decidir que esta é a
melhor conduta, o encaminhamento deve ser:
• anotado na receita;
• descrito no prontuário do paciente;
• registrado em documento, também denominado “Encaminhamento”,
destinado a outro profissional ou serviço de saúde, em que constam as
justificativas pelas quais o paciente foi derivado.
A redação do documento “Encaminhamento” deve possibilitar que o paciente
compreenda os motivos da derivação e possa seguir as orientações recebidas, que o
outro profissional ou serviço entenda a situação de saúde do paciente e, assim, possa
dar continuidade ao cuidado.
As informações relativas ao estado de saúde do paciente que justificaram o
encaminhamento devem ser mantidas em arquivo, como forma de comprovar qual
conduta foi selecionada pelo farmacêutico, especialmente em situações de
urgência/emergência (Figura 10).

28
29
Educação e orientação ao paciente
O farmacêutico deve garantir que o paciente entenda o seu problema de saúde,
as intervenções realizadas, o plano de cuidado a ser seguido e a avaliação dos
resultados. A orientação ao paciente deve ser precisa em relação à(s) sua(s)
necessidade(s), condição socioeconômica e nível cultural, complexidade do
tratamento, entre outros fatores. A Figura 11 apresenta as principais orientações ao
paciente.
A forma de execução, na maioria das vezes, é verbal, tendo o receituário como
documento escrito de referência ao paciente e o prontuário para consulta do
farmacêutico e de outros profissionais da saúde. Contudo, recomenda-se que estejam
disponíveis materiais educativos impressos para situações específicas que sejam
comuns no cotidiano do cuidado à saúde dos pacientes.

30
Seção 3.5: Avaliação dos resultados
É responsabilidade do farmacêutico avaliar o alcance dos objetivos das
intervenções selecionadas. Além disso, é a avaliação que possibilita a identificação
precoce de problemas que interferem na obtenção dos resultados terapêuticos
desejados, como a inefetividade do(s) medicamento(s) ou o surgimento de reações
adversas. Este procedimento deve ser feito por meio da reavaliação dos sinais e
sintomas apresentados inicialmente pelo paciente, assim como pela análise da sua
evolução. Ele pode evidenciar quatro diferentes resultados: resolução da(s)
necessidade(s) e do(s) problema(s) de saúde do paciente, melhora parcial, ausência
de melhora ou piora dos sinais e sintomas, Figura 3. No processo de avaliação de
resultados, é fundamental que o farmacêutico mantenha o registro do atendimento e
inclua uma forma de contato com o paciente (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 2012).

31
Seção 3.6: Documentação
A documentação compreende o registro das informações, desde o acolhimento
da demanda até a avaliação dos resultados em saúde, o que inclui, pelo menos, o
registro no prontuário do paciente, a redação da prescrição e do documento de
encaminhamento a outro profissional ou serviço de saúde, conforme detalhado no
módulo anterior.
A redação da prescrição e do documento de encaminhamento deve ser feita
de acordo com a Resolução/CFF nº 586, de 29 de agosto de 2013 (BRASIL, 2013c).
Modelos de registro no prontuário do paciente, redação da prescrição e do documento
de encaminhamento serão apresentados no módulo de documentação (LOPES,
2005).

32
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