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Férias - Aspectos Gerais

O documento aborda os aspectos gerais das férias, incluindo o direito ao descanso anual, a proibição da conversão total em pecúnia e as condições para a concessão. Ele detalha as regras sobre faltas, perda de direito, época de concessão, formalidades e penalidades, além de especificar direitos de empregados em diferentes situações. O texto também menciona as particularidades para empregados menores de 18 anos e maiores de 50 anos, e as implicações de licença-maternidade e doenças durante o período de férias.
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Férias - Aspectos Gerais

O documento aborda os aspectos gerais das férias, incluindo o direito ao descanso anual, a proibição da conversão total em pecúnia e as condições para a concessão. Ele detalha as regras sobre faltas, perda de direito, época de concessão, formalidades e penalidades, além de especificar direitos de empregados em diferentes situações. O texto também menciona as particularidades para empregados menores de 18 anos e maiores de 50 anos, e as implicações de licença-maternidade e doenças durante o período de férias.
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FÉRIAS – ASPECTOS GERAIS

Férias é o período de descanso anual, que deve ser concedido ao empregado após o
exercício de atividades por um ano, ou seja, por um período de 12 meses, período este
denominado "aquisitivo".

As férias devem ser concedidas dentro dos 12 meses subseqüentes à aquisição do direito,
período este chamado de "concessivo".

A lei não permite a conversão de todo o período em pecúnia, ou seja, "vender as férias",
apenas autoriza que 1/3 do direito a que o empregado fizer jus seja convertido em dinheiro.

DIREITO ÀS FÉRIAS

Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um período de férias, sem prejuízo da
remuneração, computando-se este período inclusive como tempo de serviço, na seguinte
proporção:

Férias Até 5 6 a 14 15 a 23 24 a 32
proporcionais faltas faltas faltas faltas
1/12 2,5 dias 2 dias 1,5 dias 1 dia
2/12 5 dias 4 dias 3 dias 2 dias
3/12 7,5 dias 6 dias 4,5 dias 3 dias
4/12 10 dias 8 dias 6 dias 4 dias
5/12 12,5 dias 10 dias 7,5 dias 5 dias
6/12 15 dias 12 dias 9 dias 6 dias
7/12 17,5 dias 14 dias 10,5 dias 7 dias
8/12 20 dias 16 dias 12 dias 8 dias
9/12 22,5 dias 18 dias 13,5 dias 9 dias
10/12 25 dias 20 dias 15 dias 10 dias
11/12 27,5 dias 22 dias 16,5 dias 11 dias
12/12 30 dias 24 dias 18 dias 12 dias

É proibido o desconto de faltas do empregado ao serviço do período de férias, sendo


vedado, desta forma, a permuta de faltas por dia de férias.

Quando o empregado tiver mais de 32 faltas no período aquisitivo, este perderá o direito às
férias.

Para maiores detalhes sobre faltas, acesse o tópico Faltas Justificadas.


CRITÉRIO DE FALTAS A CONSIDERAR NA PROPORÇÃO DE FÉRIAS

As faltas não justificadas se computam individualmente, não se somando o desconto do


DSR, nem se somam horas de atraso quebradas ou meio-período.

Isto para não haver a dupla penalidade ao empregado, ou seja, uma vez, por ocasião do
desconto do repouso DSR durante o ano e outra vez para computar o desconto na
proporcionalidade de férias. Por inexistência de previsão legal, as horas quebradas ou meio-
período também não podem ser considerados dias inteiros ou “somados” a outros períodos
de ocorrências semelhantes.

PERDA DO DIREITO

Perderá o direito a férias o empregado que, no curso do período aquisitivo:

- deixar o emprego e não for readmitido dentro de 60 (sessenta) dias subseqüentes à sua
saída;
- permanecer em gozo de licença, com percepção de salários, por mais de 30 (trinta) dias;
- deixar de trabalhar, com percepção do salário por mais de 30 (trinta) dias em virtude de
paralisação parcial ou total dos serviços da empresa. Neste caso a empresa comunicará ao
órgão local do Ministério do Trabalho, com antecedência mínima de 15 dias, as datas de
início e fim da paralisação total ou parcial dos serviços da empresa, e, em igual prazo,
comunicará nos mesmos termos, ao sindicato representativo da categoria profissional, bem
como afixará aviso nos respectivos locais de trabalho; e
- tiver percebido da Previdência Social prestações de acidente do trabalho ou de auxílio-
doença por mais de 6 (seis) meses, embora descontínuos.

A interrupção da prestação de serviços deverá ser anotada na Carteira de Trabalho e


Previdência Social.

Novo período aquisitivo iniciará quando o empregado, após o implemento de quaisquer das
condições previstas anteriormente, retornar ao serviço.

ÉPOCA DA CONCESSÃO

A época da concessão das férias corresponderá ao melhor período de interesse do


empregador, salvo as exceções.

O início das férias não poderá coincidir com sábado, domingo, feriado ou dia de
compensação de repouso semanal, conforme Precedente Normativo TST 100, adiante
reproduzido:

PRECEDENTE NORMATIVO Nº 100 - Férias. Início do período de gozo (positivo)


O início das férias, coletivas ou individuais, não poderá coincidir com sábado, domingo,
feriado ou dia de compensação de repouso semanal.
CANCELAMENTO OU ADIANTAMENTO DE FÉRIAS

O início das férias só poderá ser cancelado ou modificado pelo empregador, desde que
ocorra necessidade imperiosa, e ainda haja o ressarcimento ao empregado dos prejuízos
financeiros por ele comprovados, conforme Precedente Normativo TST 116, adiante
reproduzido:

PRECEDENTE NORMATIVO Nº 116 - Férias. Cancelamento ou adiantamento (positivo)


Comunicado ao empregado o período do gozo de férias individuais ou coletivas, o
empregador somente poderá cancelar ou modificar o início previsto se ocorrer
necessidade imperiosa e, ainda assim, mediante o ressarcimento, ao empregado, dos
prejuízos financeiros por este comprovados.

EXCEÇÕES:

O empregado estudante, menor de 18 (dezoito) anos, terá direito a fazer coincidir suas
férias com as férias escolares.

Os membros de uma família, que trabalharem no mesmo estabelecimento ou empresa, terão


direito a gozar férias no mesmo período, desde que não haja prejuízo para o serviço.

FRACIONAMENTO DO PERÍODO

As férias deverão ser concedidas por ato do empregador, em um só período, durante o


período concessivo.

Apenas em casos excepcionais as férias poderão ser concedidas em 2 (dois) períodos, um


dos quais não poderá ser inferior a 10 (dez) dias corridos.

Menores de 18 Anos e Maiores de 50 Anos

É proibido ao empregador fracionar o período de férias dos empregados menores de 18


(dezoito) anos e maiores de 50 (cinqüenta) anos.

FORMALIDADES PARA A CONCESSÃO

Comunicação ao Empregado

A concessão das férias deverá ser comunicada ao empregado, por escrito, com antecedência
mínima de 30 dias, mediante "aviso de férias" em 2 vias, mencionando o período aquisitivo
a que se referem e os dias em que serão gozadas, dando o empregado ciência.

Carteira de Trabalho e Previdência Social – Apresentação

A legislação trabalhista determina que o empregado antes de entrar em gozo de férias


deverá apresentar sua CTPS ao empregador para que seja anotada a respectiva concessão.
Registro de Empregados

Quando da concessão das férias, o empregador, inclusive de microempresa e empresa de


pequeno porte, deverá efetuar, também, a anotação devida no livro ou nas fichas de registro
de empregado ou ainda no sistema informatizado, se a empresa assim o adotar.

As anotações na CTPS podem ser feitas também com o uso de etiquetas gomadas,
autenticadas pelo empregador ou seu representante legal.

ABONO PECUNIÁRIO

O empregado tem a faculdade de converter 1/3 (um terço) do período de férias em abono
pecuniário.

O abono de férias deverá ser requerido até 15 (quinze) dias antes do término do período
aquisitivo. Após este prazo, caberá ao empregador aceitar ou não a solicitação do
empregado de converter 1/3 do seu direito em abono pecuniário.

PRAZO PARA PAGAMENTO

O pagamento das férias, do adicional de 1/3 (um terço) constitucional e do abono


pecuniário deverá ser feito até dois dias antes do início do período de férias. Neste
momento, o empregado dará quitação do pagamento, em recibo, no qual deverão constar as
datas de início e término do respectivo período.

ADIANTAMENTO DA 1ª PARCELA DO 13º SALÁRIO

Fazem jus ao adiantamento da primeira parcela do 13º salário os empregados que gozarem
férias a partir do mês de fevereiro do correspondente ano.

O empregado que quiser receber a primeira parcela do 13º salário deverá requerê-la no mês
de janeiro do ano correspondente.

SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO

Durante o período de afastamento para o serviço militar obrigatório não será computado o
tempo para efeito de férias. Será computado o período anterior ao afastamento, desde que o
empregado compareça à empresa dentro de 90 dias contados da respectiva baixa.

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DURANTE O PERÍODO DE FÉRIAS

O empregado em gozo de férias não poderá prestar serviços a outro empregador, exceto
quando já exista contrato de trabalho regularmente mantido com aquele.

FÉRIAS E PARTO
Se, durante as férias da empregada gestante, ocorrer o nascimento da criança, o gozo das
mesmas ficará suspenso e será concedida a licença-maternidade.

Após o término do respectivo benefício, as férias serão retomadas, efetuando-se o


pagamento das diferenças salariais ocorridas durante o período da licença-maternidade, se
for o caso.

FÉRIAS E DOENÇA

O empregado que ficar doente durante as férias não terá seu período de gozo suspenso ou
interrompido.

Após o término das férias, se o empregado continuar doente, começará a contar a partir dali
os 15 dias para a empresa efetuar o pagamento, competindo à Previdência Social conceder
o auxílio-doença previdenciário após referido período.

FÉRIAS E AVISO PRÉVIO

O empregador deverá computar como tempo de serviço para efeito de férias o prazo do
aviso prévio trabalhado e do indenizado, conforme determina o artigo 487, parágrafo 1º da
CLT.

O aviso prévio também não poderá ser concedido durante o período de férias, em virtude da
incompatibilidade entre os objetivos de cada um desses institutos, uma vez que férias é um
período para descanso do empregado e aviso prévio é um período para que o empregado
procure um novo emprego no caso de demissão sem justa causa e pedido de demissão é um
prazo para que o empregador encontre novo profissional para substituí-lo.

EMPREGADOS COM MENOS DE 12 MESES DE SERVIÇO

O empregado só fará jus às férias após cada período completo de 12 meses de vigência do
contrato de trabalho. Se o mesmo solicitar dispensa antes deste período, na rescisão
contratual não receberá qualquer verba a título de férias, salvo Convenção ou Acordo
Coletivo em contrário.

Entretanto, o Enunciado 261 do TST, reformulado pela Resolução 121/2003 (DOU


19.11.2003), assim dispõe:

“O empregado que se demite antes de completar 12 (doze) meses de serviço tem direito a
férias proporcionais.”

Portanto, apesar de constar da CLT o não direito á percepção de férias proporcionais, no


pedido de demissão pelo empregado com menos de 12 meses de serviço, os tribunais
trabalhistas, baseados na Convenção 132 da OIT (ratificada pelo Brasil através do Decreto
3.197/1999), reconhecem este direito.

Caso for demitido, terá direito ás férias proporcionais.


Quando se tratar de férias coletivas, que acarrete paralisação das atividades da empresa ou
de determinados estabelecimentos ou setores da mesma, os empregados que não
completaram ainda o período aquisitivo ficam impedidos de prestar serviços.

Assim, o artigo 140 da CLT estabelece que os empregados contratados há menos de 12


meses gozarão, na oportunidade, férias proporcionais ao tempo de serviço, iniciando-se,
então, novo período aquisitivo.

Para maiores detalhes sobre férias coletivas, acesse o tópico Férias Coletivas

CONTRATO DE TRABALHO SUSPENSO

Caso durante o período aquisitivo tenha ocorrido suspensão do contrato de trabalho


(exemplo: concessão de licença não remunerada), o empregado não perde o direito às
férias, pois o período de suspensão pára a contagem.

PRESCRIÇÃO

Empregado Urbano e Rural

As férias para empregados urbanos e rurais prescrevem no prazo de 5 anos contados do


término do período concessivo, ou após 2 anos da extinção do contrato (art. 149 da CLT e
art. 7º da CF/88).

Empregado Menor

Contra empregado menor de 18 anos de idade não corre nenhum prazo prescricional (art.
440 da CLT).

PENALIDADES

As infrações aos dispositivos que regulam a matéria serão punidas com multa de 160 (cento
e sessenta) Ufir por empregado em situação irregular.

Em caso de reincidência, embaraço ou resistência à fiscalização, emprego de artifício ou


simulação com o objetivo de fraudar a lei, a multa será dobrada.

Bases: artigos 129 a 145 e 153 da CLT; Lei nº 8.036/90; Decreto nº 3.048/99; e os citados
no texto.

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