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Unidade 1

O documento aborda a importância da Psicologia da Saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) e a necessidade de formação rigorosa para os profissionais da área. Destaca os objetivos de aprendizagem relacionados ao processo de saúde e doença, o papel do psicólogo nas equipes multiprofissionais e a relevância da ética na prática da psicologia na saúde. Além disso, explora a evolução histórica das interpretações de saúde e doença, enfatizando a necessidade de uma abordagem multicausal para compreender esses processos.

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Unidade 1

O documento aborda a importância da Psicologia da Saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) e a necessidade de formação rigorosa para os profissionais da área. Destaca os objetivos de aprendizagem relacionados ao processo de saúde e doença, o papel do psicólogo nas equipes multiprofissionais e a relevância da ética na prática da psicologia na saúde. Além disso, explora a evolução histórica das interpretações de saúde e doença, enfatizando a necessidade de uma abordagem multicausal para compreender esses processos.

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Psicologia nas

Equipes da Saúde
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Psicologia nas Equipes da Saúde

Apresentação da disciplina

Há muitos anos, o desenvolvimento da Psicologia da Saúde, no âmbito do Sistema


Único de Saúde (SUS), torna o nosso país e o Ministério da Saúde mundialmente
reconhecidos por autoridades e instituições internacionais. Essa experiência de
mais de 30 anos gerou novas abordagens e métodos de trabalho que a tornaram
uma precursorada Psicologia da Saúde em outros países.

Assim, para que ela continue avançando em consonância com o


desenvolvimento da Saúde Pública, é necessário alcançar o aprimoramento
sistemático de nossos profissionais.

Nesse sentido, a formação do especialista exigida pelo nosso SUS deve ter um
alto rigor teórico, mas, acima de tudo, deve ser baseadana prática nas áreas
de trabalho de nossas instituições, sob a supervisão de quem tem a
qualificação e experiência necessárias. Com essa intenção, a disciplinade
Psicologia nas Equipes de Saúde apoia a formação de recursos humanos
qualificados.

Objetivos de aprendizagem
• Revisar o processo de saúde e doença e suas representações e a relação
desses conceitos com a psicologia da saúde. Retomar os conceitos de saúde
pública e da saúde coletiva;
• Identificar e contextualizar os principais campos de atuação da psicologia nos
diferentes níveis de atenção do SUS;
• Compreender o papel do psicólogo nas equipes multiprofissionais e na
atuação interdisciplinar no recorte da Saúde Mental;
• Contextualizar a Rede deAtenção Psicossocial;
• Fomentar o diálogo sobre a Clínica da Atenção Psicossocial e seus desafios;
• Proporcionar o reconhecimento de outros contextos e populações que
atravessam a prática da psicologia na saúde;
• Descrever a importância e osdesafios de sustentar o discurso da ética no
campo da saúde.

3
Psicologia nas Equipes da Saúde

Introdução da unidade

O aprimoramento da formação dos psicólogos que atuam no SUS surge


como uma necessidade para o desenvolvimento do próprio sistema de saúde,
razão pela qual foi criada a especialização em Psicologia da Saúde. Com uma
abordagem teórica, metodológica e organizacional, ela foi desenvolvida no
contexto do SUS como resposta às necessidades levantadaspelo
desenvolvimento da Saúde Pública brasileira.

Assim, nesta unidade, vamos abordar os conceitos de saúde e doença, propondo


ambos como processos de caráter histórico e social. Também, vamos aprender
sobre a Psicologia da Saúde como campo de produção científica e ação
profissional. Por fim, veremos os conceitos de Saúde Pública e da Saúde Coletiva.

Objetivos específicos de aprendizagem


• Retomar os conceitos de saúde e doença e suas representações;
• Revisar conceitos de Psicologia da Saúde e a diferença entre esta e
Psicologia Hospitalar;
• Revisar os conceitos de Saúde Pública e de Saúde Coletiva.

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Psicologia nas Equipes da Saúde

Unidade 1

Desde o nascimento formal da Psicologia da Saúde, ocorrido nos EUA entre 1960
e 70, várias definições foram propostas nesse campo de ação, sendo que todas
compartilham uma característica marcante: elas se definem sem o apoio de um
modelo teórico e nem sempre possuem a devida e delimitada dimensão
psicológica acerca dos processos de saúde e doença.

Assim, é necessário especificar o que é psicológico e quais são as categorias


analíticas que permitirão sua correta interpretação, buscando sua avaliação
sistemática em estrita harmonia com as medidas biológicas e sociais relevantes
para a saúde e a doença. Abaixo, você pode ver as principais propostas:

Autor(es) Definições
A psicologia da saúde é uma especialidade da psicologia que
compreende a aplicação de conceitos e métodos psicológicos
para qualquer problema que surja no sistema de saúde, se
Stone (1979) falamos dos níveis de atenção à saúde, saúde pública, educação
e planejamento de saúde, ou outros componentes do sistema,
acrescentando que a prática tradicional da psicologia clínica se
tornaria uma de suas subdivisões.

Para este autor, Psicologia da Saúde é o agregado das


contribuições profissionais, científicas e educacionais da
Matarazzo (1980) psicologia para a promoção e manutenção da saúde,
prevenção e tratamento da doença e para a identificaçãodos
correlatos etiológicos e diagnóstico de saúde, doença e
disfunções relacionadas.
A Psicologia da Saúde tem a ver com o estudo científico do
Bloom (1988) comportamento, ideias, atitudes e crenças relacionadas à saúde
e à doença.

A Psicologia da Saúde está interessada na relação


Holtzman, Evans, biopsicossocial da mente e do corpo em um determinado
Kennedy e Iscoe ambiente sociocultural, bem como no desenvolvimento de
(1988) novas tecnologias comportamentais para a promoção e
manutenção da saúde.

QUADRO 1: ALGUMAS DEFINIÇÕES DE PSICOLOGIA DA SAÚDE


FONTE: STRAUB (2005).
#PraCegoVer: quadro contendo algumas definições de Psicologia da Saúde.

5
Psicologia nas Equipes da Saúde

Assim, todas as definições evidenciam as diversas formas com as quais é possível


conceber a Psicologia da Saúde. Em algumas delas, como para Stone (1979)
Matarazzo (1980), acabam sendo definições bastante gerais, contemplando boa
parte das funções e atividades que os psicólogos podem desenvolver no campo
citado.
Outros, como Bloom (1988), Holtzman et al. (1988) e Carrobles (1993), sãomais
específicos, na medida em que afirmam, ainda que parcialmente, qual modelo ou
orientação teórica está subjacente, bem como quais variáveis psicológicas são
consideradas relevantes para o seu estudo.

Pode-se entender a Psicologia da Saúde como um campo de desempenho


profissional, no qual os psicólogos possuem tanto o conhecimento,osaber sobre
as coisas, quanto as competências, ou seja, o saber como fazer as coisas em
eficientemente, fatores essenciais para cumprir as funções de pesquisa,
prevenção e reabilitação, fundamentalmente, com ênfase especial na pesquisa do
que e como as variáveis psicológicas facilitam ou não a prática dos
comportamentosinstrumentais de risco ou prevenção, a fim de prevenir doenças
e promover a saúde.

FIGURA 1 - PROMOÇÃO DE SAÚDE E BEM-ESTAR


FONTE: PLATAFORMA DEDUCA (2021).
#PraCegoVer: árvores humanas como símbolo de saúde.

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Psicologia nas Equipes da Saúde

Processo de saúde e doença


Historicamente, as interpretações causais de saúde e doença têm se orientado
em duas perspectivas:

Perspectiva 1:

Perspectiva 2 – as habilidades sociais:

Um possível início dessa reflexão está na Grécia Antiga, na qual existiam duas
correntes distintas sobre o assunto. A primeira era a escola platônica, ligada à
interpretação divina que os primitivos atribuíam à doença e à saúde, sendo essas
determinadas por um princípio imaterial, a alma divina, ou pneuma, que afetava
os órgãos. Logo, a doença era uma punição dos deuses e a cura só ocorria com
canções, hinos e outros rituais simbólicos (Silva; Lins; Castro, 2016).

FIGURA 2 - MUNDO GREGO E AS REPRESENTAÇÕES DA SAÚDE E DA DOENÇA


FONTE: PLATAFORMA DEDUCA (2021).
#PraCegoVer: afresco com dois homens gregos sentados em um divã.

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Psicologia nas Equipes da Saúde

A segunda era a escola hipocrática, a qual se opôs a essa interpretação teúrgica,


insistindo na profanação das doenças e propondo uma causa natural para elas.
Hipócrates argumentou que o mundo externo tem efeitos sobre a produção
da doença e também reconheceu nela a incidência das características pessoais
(Silva; Lins; Castro, 2016).

SAIBA MAIS: O termo "teúrgico" deriva do grego "theourgia", que significa


"trabalho divino" ou "ação divina". Na filosofia e na religião, a teurgia
refere-se a práticas rituais destinadas a invocar a presença de divindades
ou forças espirituais, com o objetivo de alcançar a união com o divino ou
obter intervenções sobrenaturais.

Atenção

do demônio.

Simultaneamente, durante o período medieval, a medicina do mundo árabe


avançava no suporte materialista da doença e apontava os seguintes princípios,
que influenciam na manutenção da saúde ou na produção de doenças:

• ar puro;
• moderação no comer e no beber;
• descanso e trabalho;
• vigília e sono;
• evacuação das reações supérfluas e emocionais.

Já no Renascimento, com o novo modo de produção capitalista e com seu


grande avanço cultural e científico, os ensinamentos da escola hipocrática e
da medicina árabe foram reavaliados, gerando o incentivo à pesquisa
médica,diante da necessidade de respostas práticas aos problemas de saúde
que afetavam a população. O nascimento da microbiologia, junto com a
invenção do microscópio, confirmou a interpretação materialista da doença,
mas produziu um esquema biológico unicausal para explicá-la.

8
Psicologia nas Equipes da Saúde

FIGURA 3 - O RENASCIMENTO
FONTE: PLATAFORMA DEDUCA (2021).
#PraCegoVer: ilustração renascentista que representa pessoas analisando um doente.

O vínculo entre biologia e medicina se fortaleceu no século XX, o que permitiu


ampliar e aprofundar o conhecimento sobre o substrato material das doenças.
Essa perspectiva propõe que não só os microrganismos deixam de ter efeitos,
mas que também uma série de processos bioquímicos que ocorrem nos órgãos,
tecidos ecélulas influenciam significativamente o organismo.

Porém, com o século XXI, o paradigma genético é estabelecido. Em virtude disso,


múltiplas explicações e aplicações dessa área para a interpretação e tratamento
de doenças surgiram, mas o esquema causal único foi o que predominou no que
diz respeito a explicar as causas biológicas dos processos de saúde e doença.

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Psicologia nas Equipes da Saúde

FIGURA 4 - O MUNDO MICROSCÓPICO


FONTE: PEXELS (2021).
#PraCegoVer: cultivo de microrganismos em uma placa.

Essa visão reducionista dos problemas de saúde tem gerado a reação dos
camposmais típicos das disciplinas sociais, as quais questionam a causalidade
única mencionada anteriormente, propondo uma perspectiva multicausal, a partir
da qual há interação entre três componentes: agente, hospedeiro e ambiente.
Assim, esses determinam a manutenção da saúde, ou a gênese das doenças.

Essa abordagem alerta para a importância de inserir, no estudo dos agravos à


saúde, o caráter ativo do sujeito humano, o que obriga a superar o esquema
simplista de hospedeiro e agente patogênico externo.

Por conta disso, houve a necessidade de que novas disciplinas contribuíssem


para o estudo de um campo tradicionalmente exclusivo do discurso médico.
Particularmente, a Psicologia, com seu ramo específico da Psicologia da Saúde,
tornou-se uma disciplina que lida com os fatores psíquicos e sociais que
influenciam a manutenção da saúde ou o surgimento e a evolução de umadoença
em determinadas condições (Morales, 1999).

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Psicologia nas Equipes da Saúde

Conceito: o processo saúde-doença


como campo de aplicação da
psicologia
A preocupação da disciplina psicológica em relação às questões de saúde foi
historicamente orientada para o estudo e tratamento da saúde e das doenças
mentais. Todavia, em 1960, a Psicologia começou a se relacionar com o processo
de saúde e de doença em sua dimensão mais ampla e a dar contribuições, como
já mencionado, a um campo tradicionalmente exclusivo do discurso médico. A
áreadisciplinar que se dedicou a esse estudo se consolidou com o nome de
Psicologiada Saúde e foi, progressivamente, construindo o seu próprio espaço
como campo aplicado da Psicologia.

A partir desse referencial, é importante considerar quatro aspectos


fundamentais para se discernir as diferentes perspectivas de trabalho que a
Psicologia da Saúde trata:

• Em linhas gerais, destaca-se o interesse desse campo em investigar e


intervir sobre os aspectos psíquicos que afetam o processo saúde-doença,
oqual, como já foi dito, pressupõe-se multifuncional.
• A Psicologia da Saúde trata do atendimento psicológico a pacientes
enfermos, ou com sequelas de alguma doença, partindo do pressuposto de
que os fatores psíquicos impactam na origem e evolução da doença, na
formacomo ela ocorre e na experiência de estar doente.
• Esse ramo da psicologia aplicada está interessado na área chamada "saúde
positiva", a qual afirma que os fatores psicológicos e sociais interferemna
manutenção da saúde, propondo um olhar que, a partir do estudo
psicológico, subsidia os processos de promoção da saúde e prevenção
dedoenças.
• Além disso, esse campo trata do estudo dos fatores psíquicos que intervêm
nos vínculos entre os sujeitos que fazem parte das ações de saúde.
Reconhece-se, então, que, no campo da saúde, desempenham um papel
importante não só os aspectos psicológicos e sociais dos doentes e das
populações objeto de campanhas de promoção e prevenção, mas também
a subjetividade dos profissionais envolvidos nessa área.

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Psicologia nas Equipes da Saúde

FIGURA 5 - OLHAR COMPLEXO E PLURIDETERMINADO À SAÚDE HUMANA


FONTE: PEXELS (2021).
#PraCegoVer: imagem ilustrativa do processo complexo multicausal e multifuncional de
saúde-doença.

Representações

A primeira tarefa, então, é demonstrar que a doença efetivamente tem um


caráter histórico e social. Para isso, seria necessário distinguir dois problemas
que fundamentam essa questão. Por um lado, temos o conceito de saúde,
que expressa como um determinado fenômeno é conceituado e definido
socialmente. Por outro lado, por trás da palavra "doença", esconde-se um
processo biológico que ocorre na população, independentemente do que é
pensado sobre isso (Laurell, 1986).

Uma segunda tarefa da corrente médica e social seria definir o objeto de estudo
que permite aprofundar a compreensão do processo saúde-doença como um
processo social. Tentar a análise na direção indicada parece levar a um beco
sem saída, a menos que haja uma reflexão sistemática sobre como construir um
objeto de estudo que possibilite o avanço do conhecimento (Backes et al., 2009;
Camargo et al., 2011).

Assim, é uma tarefa extremamente necessária determinar a definição de doença,


porque permitiria considerar o estudo de processo saúde-doença como um
processosocial não só referido apenas a uma exploração de suas características
biológicas concretas, mas imediatamente levanta o problema de sua articulação
com outros processos sociais, o que, inevitavelmente, nos remete ao problema
de suasdeterminações.
12
Psicologia nas Equipes da Saúde

De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (CFP), Psicologia da Saúde é a área


de atuação profissional da Psicologia referente à aplicação de técnicas psicológicas
em cuidados, promoção e manutenção da saúde integral, bem como no diagnóstico,
prevenção e tratamento de doenças.

Herzlich (1973 apud Albuquerque; Oliveira, 2002) agrupa as representações da doença a partir
de três metáforas:

Psicologia da Saúde
A Psicologia da Saúde nas instituições dedicadas aos cuidados de saúde tem
uma história curta, mas intensa. Em quase todos os países latino-americanos
e em outras partes do mundo, os psicólogos da década de 1960 atuavam,
principalmente, no setor privado, mas alguns se aventuraram a trabalhar em
instituições hospitalares estaduais, buscando, acima de tudo, maior
experiência, além de, talvez, uma economia escassa e uma instável
remuneração.

Na maioria das vezes, existiam alguns hospitais que tinham psicólogos


integrados em equipes de saúde mental, cuja principal função é o atendimento
de pacientes psiquiátricos localizados em diferentes situações clínicas e cujos
objetivos superam, em muito, os de diagnóstico, com a aplicação de diferentes
técnicas e com poucas funções terapêuticas ou de investigação, quase sempre
ligadas a interesses psiquiátricos. Esse foi o legado reducionista da psicologia
clínica tradicional para a psicologia da saúde atual.

13
Psicologia nas Equipes da Saúde

Porém, a necessidade de pacientes portadores das mais diversas doenças de


atendimento psicológico, desde uma concepção biopsicossocial, não tem sido
suficientemente desenvolvida e são poucos os países onde o psicólogo atua em
hospitais plenamente dentro dos princípios da Psicologia da Saúde. Apesar disso,
o fato de que os aspectos psicológicos desempenham um papel importante e
vital nesses pacientes vem emergindo com mais força, o que é aceito com mais
ênfase não só pelos mais diversos profissionais, mas também pelos próprios
pacientes.

O psicólogo especializado em Psicologia da Saúde é um profissional de perfil


amplo e competente para desempenhar funções de atendimento psicológico,
aconselhamento, pesquisa, ensino e administração na solução de situações
psicológicas, psicossociais e psicofisiológicas que indivíduos, famílias e grupos
apresentam nas diferentes unidades e níveis do SUS, nosquais realizam ações de
promoção, prevenção, recuperação e reabilitação psicológica.

Como profissional, o psicólogo da saúde deve:

abordagens clínica, social e epidemiológica.

Igualmente, ele deve influenciar com o seu trabalho as mudanças de


comportamento que permitam ao indivíduo alcançar uma qualidade de vida
superior, com o devido respeito pela decisão pessoal, com plena consciência de

14
Psicologia nas Equipes da Saúde

que a responsabilidade pela vida e a felicidade de cada um é, ao mesmo tempo,


dela como especialista. Resumindo, o psicólogo da saúde deve se conscientizar
da responsabilidade ética e humana que se adquire diante de um ser humano
que sofre e que confia que o aliviarem.

Conceito

A Psicologia da Saúde é uma área que permite a aplicação de escopos


e metodologias de outras áreas da psicologia, gerando um impacto no
comportamento dos indivíduos e suas comunidades, para o cuidado,
manutenção e promoção da saúde como estilo de vida, propondo uma
alternativa diferente da organização do comportamento individual e
coletivo a esse respeito.

Em outras palavras, a Psicologia da Saúde almeja compreender como os fatores


biológicos, comportamentais e sociais influenciam a saúde e a doença (APA,
2003).

FIGURA 6 - ESTILO DE VIDA E SAÚDE


FONTE: PEXELS (2021).

#PraCegoVer: fotografia de um menino andando na praia perto de um


píer.

15
Psicologia nas Equipes da Saúde

Psicologia da Saúde x Psicologia Hospitalar


Vale ressaltar que a Psicologia Hospitalar no Brasil está inserida na grande
definição de Psicologia da Saúde em outros países. Entretanto, esses dois
conceitos não são equivalentes, sendo relevante analisar o que significa saúde e
o que significa hospital.

Enquanto saúde se refere a um conceito complexo, relativo às funções orgânicas,


físicas e mentais (WHO, 2003; Ministério da Saúde, 2012), hospital diz respeitoa uma
instituição concreta onde se tratam doentes, internados ou não.

Logo, o próprio sentido da palavra saúde nos leva a refletir sobre a dimensão
da prática profissional centrada na intervenção primária, secundária e terciária.
Agora, pensar em hospital, automaticamente, remete a algum tipo de doença já
instalada, só sendo possível a intervenção secundária e terciária para prevenir
seus efeitos adversos, sejam eles físicos, emocionais ou sociais.

Psicologia Hospitalar (Brasil) Psicologia da Saúde.


Atenção secundária e terciária. Atenção primária, secundária e terciária.

Atuação em centros de saúde, hospitais,


Atuação em hospitais.
ONGs etc.

Prática profissional na área de saúde


Prática profissional no hospital não
exige especialização obrigatória em
exige especialização obrigatória.
alguns países.

Prática interdisciplinar (em alguns Prática interdisciplinar (em alguns


hospitais). hospitais e outras instituições de saúde).

Distintas teorias psicológicas utilizadas. Distintas teorias psicológicas utilizadas.

QUADRO 2: DIFERENÇAS ENTRE PSICOLOGIA HOSPITALAR E PSICOLOGIA DA SAÚDE


FONTE: CASTRO E BORNHOLDT (2004).
#PraCegoVer: quadro com duas colunas e seis linhas, contendo diferenças entre Psicologia
Hospitalar e Psicologia da Saúde.

16
Psicologia nas Equipes da Saúde

Historicamente, a Psicologia da Saúde começou com um grupo de trabalho em


1970, na American Psychological Association (APA), e, em 1978 foi criada a
divisão 38, chamada Health Psychology, em resposta a uma crescente área de
prática e pesquisa. Os objetivos básicos da divisão são avançar no estudo da
Psicologia como disciplina, que compreende a saúde e a doença através da
pesquisa, e encorajar a integração da informação biomédica com o conhecimento
psicológico, fomentando e difundindo a área. Apesar de ser uma disciplina nova, a
Psicologia da Saúde tem crescido rapidamente. A APA publica, desde 1982, a
revista Health Psychology, a primeira oficial da área. Seguindo a tendência, em
1986, formou-se, na Europa, a European Health Psychology Society (EHPS,
2003), uma organização profissional que visa promover a pesquisa teórica e
empírica e suas aplicações para a Psicologia da Saúde europeia. Cada país-
membro possui, ainda, sua associação de Psicologia da Saúde, que realiza
atividades como congressos, simpósios, pesquisas, dentre outras atividades.
Foram criadas várias revistas especializadas: British Journal of Health Psychology
(Reino Unido), Revista de Psicologia de la Salud (Espanha), Psicologia della
Salutte (Itália), entre outras (Kerbauy, 2002; De Marco, 2003; Castro; Bornholdt,
2004; Sarafino, 2004).
No início dos anos 60, a psicologia é oficialmente reconhecida como profissão
no Brasil e também observamos a expansão de várias iniciativas do psicólogo,
no sentido de desenvolver o seu trabalho vinculado aos hospitais gerais. Na
mesma década, foi fundada em Cuba a primeira Sociedade de Psicologia da
Saúde do mundo. Tanto no Brasil, quanto em outros países da América Latina,
estão sendo iniciadas atividades voltadas ao cuidado à saúde da população,
coma participação de psicólogos, já ampliando seu campo de atuação para
além das clássicas delimitações do modelo clínico e atividade estritamente
voltada para a chamada "saúde mental".

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Psicologia nas Equipes da Saúde

FIGURA 6 - TRABALHO CONSTANTE E DETALHADO


FONTE: PLATAFORMA DEDUCA (2021).
#PraCegoVer: médica com uma prancheta na mão anotando algo.

Saúde Pública e Saúde Coletiva


Souza (2014) afirma que a Saúde Coletiva surge como espaço alternativo de
crítica à Saúde Pública. Adiante, veremos os conceitos principais relacionados a
isso.

Conceitos

A aceitação do nome Saúde Pública tem uma longa história, que começa com
o trabalho dos governos, a fim de cuidar de problemas individuais. A partir de
uma evolução gradual, hoje, a Saúde Pública se volta aos grupos humanos em
relação ao desenvolvimento de melhores condições de vida para a população,
sobretudo, visando aos grupos vulneráveis, os quais exigem seus direitos e
estão atentos às redes que o próprio sistema outorga. Atualmente, a
conquista nessa área é a busca por melhores ideias e ações que permitam o
surgimento deuma Saúde Pública que responda com conhecimento, qualidade
e equidade às preocupações da população empoderada.

Já o conceito de Saúde Coletiva, com origens no Brasil e Equador, tendo a


Colômbia e o Peru como grandes entusiastas, surge das práticas técnicas,
ideológicas, políticas e econômicas desenvolvidas no meio acadêmico, nas

18
Psicologia nas Equipes da Saúde

instituições de saúde, nas organizações da sociedade civil e em institutos de


pesquisa que se alimentam por correntes de pensamento resultantes da adesão
ou crítica de projetos de reforma da saúde. É um campo científico e prático,
aberto à incorporação de propostas inovadoras para o surgimento de uma nova
saúde pública que possa interpretar e mediar, com conhecimento e eficiência, a
melhoria e cuidado dos níveis de saúde da população, sendo compreendido
como um direito.

19
Psicologia nas Equipes da Saúde

Conclusão

A Psicologia da Saúde desempenha um papel abrangente e multifacetado no


sistema de saúde, atuando em diversos níveis de prevenção e tratamento. Essa
área identifica e divulga fatores condicionantes da saúde populacional, oferecendo
tratamentos psicológicos individuais, familiares e grupais. Desenvolve programas
de prevenção a doenças e transtornos mentais baseados em dados
epidemiológicos, avaliando fatores de risco e proteção para planejar intervenções
eficazes. Também, contribui para a formulação de políticas de saúde que
promovem o direito à saúde nos campos econômico e social, assistindo a
população através de ações integradas de promoção, proteção e recuperação da
saúde. A atuação dos psicólogos da saúde abrange todos os níveis de
complexidade do sistema de saúde, desde a atenção primária até hospitais
especializados, integrando conhecimentos clínicos, educacionais e sociais com
outras ciências da saúde. Além disso, desenvolve estratégias para melhorar a
qualidade de vida da população, participa da formação de recursos humanos na
área da saúde, colabora na proteção do meio ambiente e das condições de trabalho
dos profissionais de saúde. Os psicólogos da saúde também atuam na
coordenação e análise de serviços de saúde pública, participando do planejamento,
avaliação e controle de políticas de saúde e desenvolvem ações relacionadas à
profilaxia, etiologia, diagnóstico e prognóstico de doenças, com ênfase especial na
sua relação com a saúde mental. .

Psicologia da Saúde

Psicologia hospitalar
e manutenção da saúde.

Saúde-doença

20
Psicologia nas Equipes da Saúde

FONTE: PLATAFORMA DEDUCA (2021).

Resumo da unidade

Agora que você concluiu a leitura do conteúdo, assista a seguir à videoaula com o
resumo da unidade.

Acesse a câmera do seu celular e aponte para o


QR Code ao lado para assistir ao vídeo "Psicologia
nas equipes de saúde - Unidade1". Disponível em:
[Link]

21
Psicologia nas Equipes da Saúde

Referências

ALBUQUERQUE, C.; OLIVEIRA, C. Saúde e doença: significações e perspectivas


em mudança. Millenium, 25. Instituto Politécnico de Viseu. 2002. Disponível em:
[Link]
Doen%c3%[Link] ; (Texto 1).

ALEMIDA, R. A. de; MALAGRIS, L. E. N. A prática da psicologia da saúde.


Revista da SBPH, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2, p. 183-202, jul./dez. 2011.
Dsiponível em:
[Link]
08582011000200012. Acesso em: 30 set. 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento


de DST, Aids e Hepatites Virais. Atenção em saúde mental nos serviços
especializados em DST/Aids. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância
em Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. – Brasília:
Ministério da Saúde, 128 p, 2012. Disponível em: [Link]
publicacoes/atencao_saude_mental_servicos_dst.pdf ; (Texto 2)

BACKES, M. T. S et al. Conceitos de saúde e doença ao longo da história


sob o olhar epidemiológico e antropológico. Rev. enferm. UERJ, Rio de
Janeiro, v.17, n.1, p.111-117, 2009. Disponível em: [Link]
upload/S/0104-3552/2009/v17n1/[Link] ; (Texto 3)

CASTRO, E. K.; BORNHOLDT, E. Psicologia da saúde x psicologia hospitalar:


definições e possibilidades de inserção profissional. Psicol. cienc. prof. [online].
vol.24, n.3, 2004, pp. 48-57.

CAMARGO, B. V. et al. Representações sociais de saúde e cuidado: um estudo


multicêntrico sobre vulnerabilidade masculina. Temas em Psicologia (Ribeirão
Preto), v.19, p. 179-192, 2011. Disponível em: [Link]
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LAURELL, A. C. La salud-enfermedad como proceso social. Revista


Latinoamericana de Salud, México, 2, 1982, pp. 7-25.

22
Psicologia nas Equipes da Saúde

SILVA, E. S.; LINS, G. A.; CASTRO, E. M. N. V. Historicidade e olhares sobre o


processo saúde doença: uma nova percepção. Revista Sustinere, 4, 2016.
Disponível em: [Link]
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SOUZA, L. E. P. F de. Saúde Pública ou Saúde Coletiva? Revista Espaço para a


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[Link]/arquivos/File/saude_publica_4.pdf ; (Texto 21).

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Biblioteca da Universidade (Texto 22).

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