0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações25 páginas

Unidade 3

O documento aborda a evolução da atuação dos psicólogos nas equipes de saúde, destacando a transição do modelo clínico tradicional para uma abordagem mais integrada e coletiva, especialmente na atenção primária. Enfatiza a importância da Reforma Psiquiátrica e a criação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no Brasil, que visa garantir direitos e promover a inclusão social de pessoas com transtornos mentais. Além disso, discute a necessidade de uma formação adequada para os psicólogos, alinhada às demandas contemporâneas da saúde pública.

Enviado por

2304892
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações25 páginas

Unidade 3

O documento aborda a evolução da atuação dos psicólogos nas equipes de saúde, destacando a transição do modelo clínico tradicional para uma abordagem mais integrada e coletiva, especialmente na atenção primária. Enfatiza a importância da Reforma Psiquiátrica e a criação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) no Brasil, que visa garantir direitos e promover a inclusão social de pessoas com transtornos mentais. Além disso, discute a necessidade de uma formação adequada para os psicólogos, alinhada às demandas contemporâneas da saúde pública.

Enviado por

2304892
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Psicologia nas

Equipes da Saúde
Copyright © 2021 Delinea Tecnologia Educacional
Psicologia nas equipes da saúde

Introdução da Unidade

A tradição clínica da psicologia é herança do modelo médico hospitalar, o qual


está centrado no médico, privilegia a clínica especializada, o diagnóstico e a
psicoterapia, além de orientar, por muito tempo, a formação de psicólogos,
reforçando um perfil clínico.

Os últimos avanços e reformas observadas tanto no campo conceitual, quanto


na prática da saúde geraram demandas de atuação de psicólogos em setores
onde não havia tanta tradição de sua prática, como a atenção primária e terciária
na saúde.

Esse fato exigiu do psicólogo uma ampliação conceitual do processo saúde/


doença, da compreensão das questões de saúde pública, do desenvolvimento do
trabalho em equipe interdisciplinar e, sobretudo, da abordagem do indivíduo em
um contexto menos individual e mais coletivo.

Na realidade brasileira principalmente, merece destaque a incorporação do


psicólogo ao campo da atenção primária à saúde, pois é onde se valorizam os
maiores problemas na hora de intervir. Diante disso, é exigida uma mudança do
perfil desse profissional, porque, de modo geral, ele não obteve uma formação
acadêmica que proporcionasse suporte teórico e técnico adequado à atenção
básica.

Apesar disso, continua sendo cada vez mais significativa a incorporação do


psicólogo em todos os setores da saúde, atualmente. Em todo o mundo, existe
uma demanda por esses profissionais não só nos sistemas oficiais de saúde
da maioria dos países, mas também na assistência social online. Esse contexto
revela uma descontinuidade entre as demandas sociais da prática do psicólogo e
a formação acadêmica que não caminham no mesmo ritmo.

Portanto, vamos abordar juntos algumas questões vinculadas à saúde mental e


espaços de intervenção psicossocial a serviço da população.

3
Psicologia nas equipes da saúde

Objetivos específicos de aprendizagem


• Retomar os conceitos de saúde mental e atenção psicossocial;
• Descrever a importância e funcionamento da RAPS para prática da Psicolo-
gia na Atenção Psicossocial;
• Contextualizar sobre a dinâmica de funcionamento dos CAPS e o papel do
profissional inserido nestes serviços.

4
Psicologia nas equipes da saúde

Unidade 3

Psicologia no SUS (Saúde Mental)

No Brasil, assim como aconteceu nos Estados Unidos da América e em alguns


países da Europa, iniciou-se um processo de questionamento e confronto
dos sentidos atribuídos aos denominados "loucos" e dos aparatos médico-
assistenciais prestados, até então, a essas pessoas.

Trabalhadores da saúde, internos, familiares, professores, intelectuais,


movimentos sociais e outros segmentos da sociedade, inspirados nas
contribuições de Foucault e Goffman e da Psiquiatria Democrática Italiana,
passam a apontar as atrocidades cometidas pelo modelo manicomial da época.

Saiba mais
A partir do século XVIII, aquelas pessoas que, por
muito tempo, foram vistas como seres demonizados,
ou possuídos pelos instintos de feras, passaram a
ser tratadas sob o mandato médico. É por isso que
surgem instituições para o tratamento da loucura,
ou seja, asilos cujo nome foi alterado para asilos de
loucos e, depois, para hospitais psiquiátricos.

O Movimento da Reforma Psiquiátrica foi um processo complexo de estratégias


articuladas para a transformação do paradigma psiquiátrico, intervindo nas
esferas teórica, política, jurídica, cultural e social. Seu propósito era mudar
a atenção à saúde de pessoas que foram diagnosticadas com diferentes
transtornos mentais, afirmando, efetivando sua cidadania e buscando
transformar as relações que a sociedade mantinha com a vivência da loucura.

5
Psicologia nas equipes da saúde

Reflita
O manicômio tal qual lugar específico para a loucura
não é uma criação da medicina, ou um progresso da
psiquiatria, mas é o resultado de uma decisão política,
para responder a um problema social.

Como afirmam Moraes e Barros (2013), não é tarefa simples transformar a longa
história de exclusão e de rejeição vivenciada pelas pessoas com transtornos
mentais,

[...] Nesse contexto, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é um


serviço que deve favorecer os processos de inclusão social das pessoas
com transtornos mentais, atuando no território, constituindo uma rede
de pessoas e serviços que, juntos, possam se fortalecer e enfrentar o
desafio de transformar o cotidiano das pessoas (sejam os usuários, os
profissionais ou pessoas da rede social dos usuários) e o cotidiano das
instituições, serviços de saúde e de outros setores sociais (MORAES;
BARROS, 2013, p. 325).

A Reforma Psiquiátrica foi instituída e consolidada paralelamente à criação do


SUS. Por isso, é importante destacar que muitas das necessidades apontadas
nos relatórios dos Encontros Estaduais de Saúde Mental contribuíram para a
formulação do que seriam os princípios do SUS: necessidade de regionalização,
hierarquia, integração inter e intra institucional e participação popular.

FIGURA 1 - O SUS AO SERVIÇO DA POPULAÇÃO


FONTE: WIKIMEDIA (2021).
#PraCegoVer: Logo marca do SUS.

6
Psicologia nas equipes da saúde

É importante dizer que a Reforma Psiquiátrica brasileira passou a ser o principal


produto do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental e do Movimento de
Luta Antimanicomial, ambos inspirados na experiência italiana em Saúde Mental
acima referida.

Atenção
Na VIII Conferência Nacional de Saúde de 1986,
a implantação da Reforma Sanitária Brasileira foi
consolidada, sendo um marco para a implementação
do SUS, Sistema Único de Saúde.

FIGURA 2 - CADA APORTE IMPORTA


FONTE: IABD (2021).
#PraCegoVer: Dados com símbolos de saúde e cuidado médico.

Saúde Mental e Atenção Psicossocial

A saúde mental é de importância crítica para o bem-estar pessoal, das relações


familiares e das contribuições bem-sucedidas para a sociedade, bem como está
associada ao desenvolvimento das sociedades e dos países. De modo contrário,
a saúde mental precária e a pobreza interagem em um ciclo negativo: a saúde
mental precária dificulta a capacidade de aprender e lidar produtivamente com
a própria economia; a pobreza, por sua vez, aumenta o risco de desenvolver
transtornos mentais e reduz o acesso das pessoas aos serviços de saúde.

7
Psicologia nas equipes da saúde

É válido ressaltar também que o conceito de saúde mental apresenta muitas


controvérsias quanto à sua definição e ao seu campo de ação. São muitas as
áreas científicas que se referem a ele e tentam defini-lo da melhor forma. Pode
afirmar, por exemplo, que a psiquiatria, um campo da medicina, é o ramo que
mais se ocupa com isso. Porém, sua abordagem foi, até pouco tempo atrás,
reduzida a critérios puramente médicos, reduzindo a saúde mental enquanto
doença mental, a ponto de aprovar esses conceitos em seus escritos e em
termos de cuidado. Nesse contexto, a remediação e estímulo à saúde mental
também almejavam mitigar os problemas de doença mental, em vez de instigar a
melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Nesse viés, o número de pessoas afetadas, a deficiência associada aos distúrbios


mentais e de ordem neurológica, o uso excessivo de substâncias nocivas e o
fato de que tratamentos eficazes estão disponíveis destacam a importância de
abordar esses transtornos na atenção primária de saúde. Logo, deve-se garantir
que a saúde mental seja integrada aos sistemas de saúde em todo o mundo.

Saiba mais
No contexto de mudanças e de desenvolvimento da
saúde, surgem as estratégias de Apoio Matricial, ou
de matriciamento; medidas tomadas pelo Ministério
da Saúde para promover a articulação entre atenção
básica, saúde mental e os aparelhos de auxílio
integrados a ambas. O matriciamento pode ser
definido como um modo de produzir saúde em
que equipes complementam suas atividades, num
processo de construção compartilhada, com o fim
último de tratar das dificuldades de uma pessoa por
meio de uma proposta de intervenção pedagógica e
terapêutica conjunta.

Em virtude disso, novos serviços, recursos e opções terapêuticas foram


criados, a fim de ampliar e integrar as diversas possibilidades de atendimento,
promovendo e construindo a atenção psicossocial no Brasil. Atualmente,
contamos com os seguintes serviços: Centros de Convivência e Cultura (Cecco),
Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
e outros espaços hospitalares de atenção integral. Tais serviços devem estar
articulados em rede, tendo como referência a Estratégia de Saúde da Família de
cada território de saúde.

8
Psicologia nas equipes da saúde

Os Ceccos estão abertos a toda a população, preferencialmente, a indivíduos em


situação de risco pessoal e social, promovendo a aprendizagem e o envolvimento
em ações educativas, culturais e sociais.

Por sua vez, os SRTs estão localizados na comunidade onde residem pessoas
com transtornos mentais graves e sem vínculo familiar, sendo acompanhadas
pelos serviços de saúde da rede extra-hospitalar. Não se caracterizam como
serviços de saúde, mas como espaços de convivência e de oferta de moradia, os
quais permitem a construção e o fortalecimento de laços afetivos e sociais.

As Equipe de Consultório na Rua, por sua vez, segundo a Portaria 3088 do


Ministério da Saúde (BRASIL, 2011), é constituída por profissionais que atuam
de forma itinerante, em parceria com as equipes de atenção da rede de saúde,
ofertando ações e cuidados de saúde para a população em situação de rua,
considerando suas diferentes necessidades de saúde. Com a oferta de cuidados
na saúde mental para pessoas em situação de rua de modo geral, pessoas com
transtornos mentais e os usuários de crack, álcool e outras drogas, tendo como
eixo central a construção do projeto terapêutico singular, de responsabilidade da
equipe do Centro de Atenção Psicossocial de referência.

Atenção
No Sistema Único de Saúde (SUS), as equipes da
Estratégia de Saúde da Família (ESF) passam a funcionar
como equipes de referência interdisciplinares,
proporcionando cuidados longitudinais, enquanto
que, concomitantemente, as equipes de apoio
matricial, proporcionando cuidados psicossociais,
passam a funcionar como equipes de saúde mental.

Nesse sentido, os serviços de atenção integral promovem a internação de curta


duração nos casos necessários, contando com o atendimento de uma equipe
multiprofissional e interdisciplinar, que está presente em hospitais gerais e nos
CAPS (veremos mais adiante sobre eles), os quais funcionam 24 horas. Alguns
programas oferecem assistência financeira para assistência psicossocial, apoio
e reabilitação para pacientes egressos de longas internações em hospitais
psiquiátricos, ampliando a possibilidade de sua reintegração ao grupo familiar,
com reconstrução e fortalecimento dos laços afetivos entre o paciente egresso e
os outros membros da família.

9
Psicologia nas equipes da saúde

Os CAPS, regulamentados pela Portaria n.º 336/2002 (BRASIL, 2002), devem


ser compostos por uma equipe multiprofissional, e esses profissionais devem
trabalhar com perspectiva interdisciplinar, sendo responsáveis pela unidade
durante todo o seu período de funcionamento, o que inclui criar uma ambiência
terapêutica acolhedora. Os CAPS podem se constituir em 5 modalidades: CAPS I,
CAPS II e CAPS III, diferenciando-se apenas no que se refere à ordem crescente
de porte/complexidade e abrangência populacional. E outros 2 serviços
específicos de atenção psicossocial: CAPSi (Criança e Adolescente), voltado à
atenção psicossocial para atendimentos de crianças e adolescentes; e CAPSad
(Álcool e outras Drogas), responsável pela atenção psicossocial de pessoas com
transtornos decorrentes de uso e dependência de substâncias psicoativas

Aliás, é garantida a presença e participação ativa de psicólogos nos CAPS e


Ceccos, nos serviços de enfermagem em saúde mental de hospitais gerais e
ambulatórios de saúde mental, desde que façam parte da equipa mínima desta
área.

Eles também são encontrados em alguns postos de saúde, bem como em outros
serviços de enfermagem e setores hospitalares, até mesmo em alguns hospitais
que ainda existem no país. Desta forma, eles promovem a colaboração aos
profissionais do Programa de Regresso ao Lar e as Residências Terapêuticas,
além de fornecer apoio às Unidades de Saúde da Família.

Atenção
É preciso lembrar que a atuação do psicólogo na área
da saúde mental está enquadrada nos princípios do
SUS. Portanto, é imprescindível que trabalhem com
a noção ampliada de saúde, produzindo, assim, uma
prática clínica nessa mesma concepção. O trabalho
em equipes multiprofissionais e interdisciplinares, a
produção e fortalecimento das redes de saúde, bem
como a intersetorialidade confirmam as práticas
psicológicas da atualidade na área da saúde mental.
Assim, busca-se superar mais um desafio, que é a
divisão que persiste entre saúde mental e saúde
pública.

10
Psicologia nas equipes da saúde

Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)

Portaria 336/2002

A Portaria 336, de 19 de fevereiro de 2002, é um marco no que diz respeito à


atenção psicossocial. Já existia a Lei 10.216, de 06 de outubro de 2001, que o
objetivo era proteger os direitos das pessoas com transtorno mentais, assim
como redirecionar o modelo assistencial em saúde mental.

Essa portaria definiu os Centros de Atenção Psicossocial, conhecidos como CAPS,


um serviço ambulatorial que deve ter atenção diária e que funcionasse de acordo
com o território. Em seu art. 1º estabeleceu que os CAPS se dividiriam em: CAPS
I, CAPS II e CAPS III e que cada um deles seria definido por ordem crescente de
porte/complexidade e abrangência populacional.

Portaria 3.088/2011

Já a portaria 3088, de 23 de Dezembro de 2011, possui algumas diferenças, pois


atualiza alguns aspectos referentes a atuação do CAPS e cria a Rede de Atenção
Psicossocial (RAPS) para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e
com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas no
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Quando foi criada a portaria da RAPS o objetivo era a criação, ampliação e a


articulação dos pontos de atenção à saúde para as pessoas com sofrimento
ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack,
álcool e outras drogas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o funcionamento da RAPS foram definidas diretrizes essenciais:

I - respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia e a liberdade


das pessoas;
II - promoção da equidade, reconhecendo os determinantes sociais da
saúde;
III - combate a estigmas e preconceitos;
IV - garantia do acesso e da qualidade dos serviços, ofertando cuidado
integral e assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar;
V - atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas;
VI - diversificação das estratégias de cuidado;

11
Psicologia nas equipes da saúde

VII - desenvolvimento de atividades no território, que favoreça a inclusão


social com vistas à promoção de autonomia e ao exercício da cidadania;
VIII - desenvolvimento de estratégias de Redução de Danos;
IX - ênfase em serviços de base territorial e comunitária, com participação
e controle social dos usuários e de seus familiares;
X - organização dos serviços em rede de atenção à saúde regionalizada,
com estabelecimento de ações intersetoriais para garantir a integralidade
do cuidado;
XI - promoção de estratégias de educação permanente; e
XII - desenvolvimento da lógica do cuidado para pessoas com transtornos
mentais e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras
drogas, tendo como eixo central a construção do projeto terapêutico
singular.

Também a RAPS tinha como objetivo chegar a todos que precisassem dos
serviços de saúde mental, ou seja, toda a população em geral. A prioridade era
o acesso, e não somente do paciente, mas também oferecer acolhida para os
familiares.

A RAPS é uma rede que engloba diversos setores da saúde com as Unidades
Básicas de Saúde (UBS), Equipe de Consultório na Rua, Centros de Convivência,
CAPS, SAMU 192, UPA, dentre outros.

A Portaria 3088/2011 é um complemento com as demais portarias voltadas para


a saúde mental como 336/2022 que cria os diversos serviços do CAPS.

Atuação dos Psicólogos (as) nos CAPS

Como dito anteriormente, os CAPS são unidades especializadas em saúde mental


destinadas a acolher pacientes com transtornos mentais graves e persistentes,
estimular sua integração cultural, social e familiar, oferecendo um atendimento
interdisciplinar, composto por uma equipe multiprofissional, ou seja, médico,
assistentes sociais, psicólogos, psiquiatras, entre outros. A ideia é que tais locais
devem funcionar como articuladores estratégicos da rede de atenção à saúde
mental, promovendo vida comunitária e autonomia dos usuários (CONSELHO
FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2013, 2015, 2019).

Os objetivos e ações centrais da atuação profissional dentro dos CAPS são:

12
Psicologia nas equipes da saúde

1. Atendimento diário aos usuários dos serviços.

2. Redução de danos.

3. Cuidados personalizados.

4. Atendimento nas modalidades intensiva, semi-intensiva e não-


intensiva.

5. Condições para repouso/desintoxicação ambulatorial.

6. Cuidados aos familiares dos usuários dos serviços.

7. Promover, mediante diversas ações a reinserção social dos


Objetivos usuários, utilizando recursos intersetoriais, com estratégias
conjuntas para o en-frentamento dos problemas.

8. Trabalhar a diminuição do estigma e preconceito relativos ao uso


de substâncias psicoativas mediante atividades de cunho preventi-
vo/educativo.

9. Trabalhar os fatores de proteção para o uso e dependência de


subs-tâncias psicoativas, buscando minimizar a influência dos
fatores de ris-co.

10. Monitorizar a saúde mental na comunidade.

11. Promover cuidados comunitários.

QUADRO 1: OBJETIVOS CAPS


FONTE: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (2019, 2015, 2013).
#PraCegoVer: quadro em que os objetivos das CAPs estão escritos.

Neles, ainda existem atendimentos individuais, seja medicamentoso,


psicoterapêutico e de orientação, atendimentos em grupos, oficinas terapêuticas,
visitas domiciliares e ações de prevenção.

CAPS

Desde a década de 1980, os CAPS são espaços privilegiados para oferecer


aos usuários um tratamento mais humanizado, além de propiciar a
desinstitucionalização da doença mental. Assim, os CAPS como centro de
acolhimento,

13
Psicologia nas equipes da saúde

[...] são serviços de saúde municipais, abertos, comunitários, que


oferecem atendimento diário às pessoas com transtornos mentais
severos e persistentes, realizando o acompanhamento clínico e a
reinserção social dessas pessoas através do acesso ao trabalho, lazer,
exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e
comunitários. (BRASIL, 2005, p. 27)

Os CAPS são a primeira etapa de introdução à rede de assistência em saúde


mental na rede básica. Assim, eles representam como a linha central do trabalho
referente ao atendimento clínico em regime de atenção diária, com a função
de tentar evitar as internações em hospitais psiquiátricos, a partir da promoção
e prevenção de saúde no campo das doenças mentais. Abaixo, veja outras
atividades e intervenções feitas nos CAPs.

Acolhimento.

Grupo de família.

Grupo de adolescentes.

Grupo terapêutico com alcoolistas.

Grupo terapêutico com drogadictos.

Grupo recreativo.

Oficinas terapêuticas.
Atividades
Grupo antitabagismo.

Atendimento individual (psicoterapia).

Visita domiciliar.

Grupo de motivação.

Grupo de psicoterapia.

Grupo de prevenção de recaída.

Grupo de relaxamento.

14
Psicologia nas equipes da saúde

Grupo de orientação em saúde.

Grupo de reencontro.

Atividades Grupo psicopedagógico.

Grupo de promoção de abstinência.

Grupo de mulheres.

Atendimentos clínicos.

Intervenções Grupos terapêuticos.

Avaliação psicológica.

QUADRO 2: ATIVIDADES E INTERVENÇÕES NOS CAPS


FONTE: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (2019, 2015, 2013).
#PraCegoVer: quadro em que as atividades e intervenções nos CAPs estão escritos.

Os CAPS, antagônicos da perspectiva hospitalocêntrica, defendem a inserção


social, garantindo os direitos de cidadania desses pacientes a partir da
reabilitação social dos portadores de sofrimentos mentais. De uma forma
direta, promove-se o fortalecimento dos laços familiares e comunitários através
do convívio social. Nesse sentido, eles se distinguem por sua complexidade e
organizam-se, segundo o número populacional de cada cidade, dividindo-se em:
CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPSi e CAPSad (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA,
2013, 2019). Abaixo, existe um breve detalhamento de cada um:

§ CAPS I

A equipe técnica mínima para atuação no CAPS I, para o atendimento


de 20 (vinte) pacientes por turno, tendo como limite máximo 30 (trinta)
pacientes/dia, em regime de atendimento intensivo.

§ CAPS II

Serviço de atenção psicossocial com capacidade operacional para


atendimento em municípios com população entre 70.000 e 200.000
habitantes.

15
Psicologia nas equipes da saúde

§ CAPS III

Serviço de atenção psicossocial com capacidade operacional para


atendimento em municípios com população acima de 200.000 habitantes.

Segundo a Portaria nº 336, de 19 de fevereiro de 2002 do Ministério da Saúde, a


assistência prestada ao paciente nos CAPS incluem as seguintes atividades:

CAPS I CAPS II CAPS III


• atendimento • atendimento • atendimento individual
individual individual (medicamentoso, psicoterápico,
(medicamentoso, (medicamentoso, orientação, entre outros);
psicoterápico, de psicoterápico, de • atendimento grupos
orientação, entre orientação, entre (psicoterapia, grupo operativo,
outros); outros); atividades de suporte social,
•atendimento em • atendimento em entre outras);
grupos (psicoterapia, grupos (psicoterapia, • atendimento em oficinas
grupo operativo, grupo operativo, terapêuticas executadas por
atividades de suporte atividades de suporte profissional de nível superior ou
social, entre outras); social, entre outras); nível médio;
•atendimento em • atendimento em • visitas e atendimentos
oficinas terapêuticas oficinas terapêuticas domiciliares;
executadas por executadas por • atendimento à família;
profissional de nível profissionalde nível • atividades comunitárias
superior ou nível superior ou nível enfocando a integração do
médio; médio; doente mental na comunidade e
• visitas domiciliares; • visitas domiciliares; sua inserção familiar e social;
•atendimento à • atendimento à • acolhimento noturno, nos
família; família; feriados e finais de semana,
com no máximo 05 (cinco)
leitos, para eventual repouso e/
ou observação;

16
Psicologia nas equipes da saúde

CAPS I CAPS II CAPS III


• atividades • atividades • os pacientes assistidos em um
comunitárias comunitárias turno (04 horas) receberão uma
enfocando a enfocando a refeição diária; os assistidos em
integração do paciente integração do doente dois turnos (08 horas) receberão
na comunidade e sua mental na comunidade duas refeições diárias, e os
inserção familiar e e sua inserção que permanecerem no serviço
social; familiar e social;• os durante 24 horas contínuas
• os pacientes pacientes assistidos receberão 04 (quatro) refeições
assistidos em um em um turno (04 diárias;
turno (04 horas) horas) receberão • a permanência de um mesmo
receberão uma uma refeição diária: paciente no acolhimento
refeição diária, os os assistidos em dois noturno fica limitada a 07 (sete)
assistidos em dois turnos (08 horas) dias corridos ou 10 (dez) dias
turnos (08 horas) receberão duas intercalados em um período de
receberão duas refeições diárias. 30 (trinta) dias.
refeições diárias.

QUADRO 3: ATIVIDADES DE ASSISTÊNCIA PRESTADAS AO PACIENTE NOS CAPS


FONTE: BRASIL (2002).
#PraCegoVer: quadro com as atividades de assistência prestadas ao paciente nos CAPSI, II e III.

Psicanálise (lacaniana, freudiana)

Cognitivo-comportamental

Histórico-cultural
Abordagens
Perspectiva de psicopatologia

Grupo operativo

Psicossocial

Escuta clínica

Testes psicológicos

Instrumentos Brinquedos em geral

Materiais escolares

Jogos didáticos

QUADRO 4: ABORDAGENS E INSTRUMENTOS NO CAPS


FONTE: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (2019, 2015, 2013.
#PraCegoVer: quadro em que as abordagens e instrumentos no CAPS estão escritos.

17
Psicologia nas equipes da saúde

CAPSi

O Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) é um serviço voltado à


população infantojuvenil em sofrimento psíquico grave, severo e persistente
e os que fazem uso de crack, álcool e outras drogas. Trata-se de um serviço
de atenção psicossocial para atender crianças e adolescentes, constituindo-
se na referência para uma população acima de 150.000 habitantes, ou outro
parâmetro populacional a ser definido pelo gestor local, atendendo a critérios
epidemiológicos.

Saiba mais
Inclusive, foi a partir da implementação dos CAPSi que
o Ministério da Saúde passou a produzir as bases, os
princípios e as diretrizes de uma política pública de
saúde mental dirigida a crianças e adolescentes.

O CAPSi se define (BRASIL, 2002):

• constituir-se em serviço ambulatorial de atenção diária destinado a crian-


ças e adolescentes com transtornos mentais;
• possuir capacidade técnica para desempenhar o papel de regulador da
porta de entrada da rede assistencial no âmbito do seu território e/ou do
módulo assistencial, definido na Norma Operacional de Assistência à Saú-
de (NOAS), de acordo com a determinação do gestor local;
• responsabilizar-se, sob coordenação do gestor local, pela organização da
demanda e da rede de cuidados em saúde mental de crianças e adolescen-
tes no âmbito do seu território;
• coordenar, por delegação do gestor local, as atividades de supervisão de
unidades de atendimento psiquiátrico a crianças e adolescentes no âmbito
do seu território
• supervisionar e capacitar as equipes de atenção básica, serviços e progra-
mas de saúde mental no âmbito do seu território e/ou do módulo assisten-
cial, na atenção à infância e adolescência;
• realizar, e manter atualizado, o cadastramento dos pacientes que utilizam
medicamentos essenciais para a área de saúde mental regulamentados

18
Psicologia nas equipes da saúde

pela Portaria/GM/MS nº 1077 de 24 de agosto de 1999 e medicamentos ex-


cepcionais, regulamentados pela Portaria/ SAS/MS nº 341 de 22 de agosto
de 2001, dentro de sua área assistencial;
• funcionar de 8:00 às 18:00 horas, em 02 (dois) turnos, durante os cinco
dias úteis da semana, podendo comportar um terceiro turno que funcione
até às 21:00 horas.

CAPSad

O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, como centro de atendimento


psicossocial, direciona a sua atenção a pacientes com transtornos decorrentes
do uso prejudicial de álcool e outras drogas. O CAPSad II é um serviço de atenção
psicossocial para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do
uso e dependência de substâncias psicoativas, com capacidade operacional para
atendimento em municípios com população superior a 70.000.

Esse centro organiza processos terapêuticos individualizados de evolução


contínua, possibilitando intervenções precoces, além de apoio de práticas de
atenção comunitária e de leitos psiquiátricos em hospitais gerais. Como em
outros espaços CAPS, no CAPSad, a multidisciplinaridade é de fundamental
importância para que os atendimentos possam ser mais humanizados.

FIGURA 3 - AJUDA A QUEM PRECISA


FONTE: PEXELS (2021).
#PraCegoVer: imagem preto e branco em que uma mulher tem a boca tampada por um rosto.

19
Psicologia nas equipes da saúde

Reflita
Em função do contexto pós-moderno com diversas
mudanças de valores, ocorre um crescimento
vertiginoso do consumo de drogas no mundo. Diante
disso, de que maneira tal fenômeno ocorre no Brasil
durante a pandemia da COVID 19?

20
Psicologia nas equipes da saúde

Conclusão

Saúde não é apenas ausência de doenças, mas o resultado de um processo


complexo

Assim, é relevante frisar que saúde não é só inexistência das doenças,


mas também está ligada ao pleno desenvolvimento das capacidades e
potencialidades humanas, considerando fatores biológicos, econômicos, sociais,
políticos e ambientais influenciam nesse processo.

Em psicologia, quando se trata de saúde mental, essa é entendida tal qual um


estado relativamente duradouro em que a pessoa está bem adaptada, sente
gosto pela vida e está alcançando a autorrealização.

A partir desse viés, saúde mental está associada ao cotidiano de todos, à


forma como cada um se relaciona com as atividades em geral na comunidade,
compreendendo a maneira pela qual cada um harmoniza seus desejos,
vontades, habilidades, ideais, sentimentos e valores morais com as exigências
para enfrentar as exigências da vida.

Desta forma, a saúde mental depende de como você se sente a respeito de


si mesmo, como se sente a respeito das outras pessoas e como responde às
demandas da vida.

§ Centros de Atenção Psicossocial

Serviços de saúde municipais, abertos, comunitários, que oferecem


atendimento diário às pessoas com transtornos mentais severos e
persistentes, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social
dessas pessoas através do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos
civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários (BRASIL, 2005).

§ Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil

Serviços direcionados à atenção específica da população infantojuvenil


em sofrimento psíquico grave e persistentes e os que fazem uso de crack,
álcool e outras droga.

21
Psicologia nas equipes da saúde

§ Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas

Serviços de atenção psicossocial para atendimento de pacientes com


transtornos decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas.

§ Rede de Atenção Psicossocial

Rede de Atenção Psicossocial, cuja finalidade é a criação, ampliação e


articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool
e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

FONTE: SITE CIENTISTASFEMINISTAS

Resumo da Unidade

Agora que você concluiu a leitura do conteúdo, assista a seguir à videoaula com o
resumo da unidade.

22
Psicologia nas equipes da saúde

Vídeo
Acesse a câmera do seu celular e aponte para o
QR Code ao lado para assistir ao vídeo "Psicologia
nas equipes da saúde - Unidade3". Disponível em:
[Link]

23
Psicologia nas equipes da saúde

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 3088, de 23 de dezembro de 2011.


Instituiu a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou
transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso
de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Brasília, DF; 2011. Disponível em: [Link]
gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html. Acesso em: 13 out. 2021

______. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. DAPE. Coordenação


Geral de Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no
Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços
de Saúde Mental: 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005.

___________. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 336, de 19 de Fevereiro de


2002. Estabelece que os Centros de Atenção Psicossocial poderão constituir-se
nas seguintes modalidades de serviços: CAPS I, CAPS II e CAPS III, definidos por
ordem crescente de porte/complexidade e abrangência populacional. Diário
Oficial [da] União, Brasília, DF, 9 fev. 2002. Disponível em: [Link]
[Link]/bvs/saudelegis/gm/2002/prt0336_19_02_2002.html. Acesso em: 13 out.
2021.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Práticas Emergentes e Inovadoras de


Psicólogos (as) no Campo das Políticas Públicas de Centros de Atenção
Psicossocial - Álcool E Drogas. Brasília, 2015. Disponível em: [Link]
[Link]/wp-content/uploads/2015/09/CREPOP_PraticasInovadoras_
[Link] ; (Texto 12).

________. Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) em Políticas


Públicas de álcool e outras drogas. Brasília, 2019. Disponível em: [Link]
[Link]/wp-content/uploads/2019/09/AlcooleOutrasDrogas_web-[Link] ;
(Texto 14).

24
Psicologia nas equipes da saúde

_______. Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) no CAPS –


Centro de Atenção Psicossocial. Brasília, 2013. Disponível em: [Link]
[Link]/wp-content/uploads/2013/11/CAPS_05.[Link] ; (Texto 16).

SALLES, M. M.; BARROS, S. Transformações na atenção em saúde mental e


na vida cotidiana de usuários: do hospital psiquiátrico ao Centro de Atenção
Psicossocial. Saúde debate, Rio de Janeiro, v. 37, n. 97, p. 324-335, 2013.
Disponível em: [Link] ; (Texto
23).

25

Você também pode gostar