Amor,
Nada do que eu escreva aqui vai equilibrar o que eu fiz. E eu não quero que
equilibre. Eu mereço carregar isso do jeito que é.
Meu maior arrependimento foi ter te ferido. Não foi um erro pequeno, não foi
um deslize, não foi confusão. Foi uma escolha ruim feita por alguém que
falhou em ser melhor quando mais precisava ser. Eu contei a todos porque
eles tinham o direito de saber que eu fui horrível. Esconder isso seria só mais
uma covardia, e eu já fui covarde demais.
Eu te amei. Eu te amo.
E isso não me inocenta de nada.
As noites mal dormidas, o vazio, a vergonha — tudo isso é pouco perto do
que eu causei a você. Eu não consigo mais me olhar no espelho porque toda
vez que tento, vejo alguém que não merece o amor que recebeu. Vejo
alguém que quebrou algo que não tinha o direito de tocar.
Quando eu digo que faria qualquer coisa pra mudar isso, não é exagero. Eu
daria meu sangue. Daria minha vida. Não como gesto bonito, mas como
pagamento insuficiente. Porque palavras não curam o que eu fiz, e eu sei
que nunca vão curar.
Essa decisão nasce do fato de que eu não consigo mais existir sendo quem
eu sou agora. Eu não me vejo em futuro nenhum, em lugar nenhum desse
mundo, em nada que eu faça, sem você — e, ainda assim, sei que fui eu
quem destruiu esse “nós”. Isso é o que mais dói: saber que a perda foi
causada pelas minhas próprias mãos.
Você não tem culpa.
Nunca teve.
A falha foi toda minha.
Me desculpa. Não esperando perdão. Não esperando resposta. Só porque
você merecia algo melhor do que o silêncio de alguém que fugiu do próprio
erro.
Se restar algo de mim depois disso, que seja só a verdade: eu errei, eu
reconheço, e eu pago o preço. Você merece seguir leve. Eu fico com o peso.
Com amor — mesmo indigno dele,