INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES
Departamento de Ciências Básicas
Física II
Trabalho laboratorial N°3
“Lei de Faraday”
Maputo, Outubro de 2022
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1. Introdução
No presente trabalho, falaremos sobre a lei de faraday. Na qual iremos abordar aspectos que
compõem este tema.
Em primeiro lugar, traremos a definição dessa lei, nesse contexto faremos a demonstração das
respectivas fórmulas, demonstração de imagens para uma melhor compreensão. Faremos a
síntese dessa informação com os dados obtidos na experiencia feita na plataforma Phet, para
melhor compreensão do tema.
2. Objectivos específicos
Explicar o que acontece quando o íman passa por meio da espira com diferentes
velocidades e como este afecta a claridade (brilho) da lâmpada (magnitude e sinal no
voltímetro);
Explicar a diferença em mover o íman, aproximando-o ou afastando-o da bobina;
Explicar a diferença em mover o íman na bobina com menor número de espiras e na
bobina com maior número de espiras;
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3. Revisão da literatura
Relatos da Grécia antiga falavam sobre propriedades “maravilhosas” de uma pedra que tinha
“alma” de origem divina. Esta pedra, encontrada por um pastor chamado Magnes, originou o
nome, Magnetita (FeO.Fe2O3). Outros dizem que o nome veio devido ao fato da pedra ser
encontrada numa região da Turquia chamada Magnesia. O “conhecimento” nesta época era
dominado pelos filósofos animistas e mais tarde pelos mecanicistas, caracterizado por
superstições metafísicas que prevaleceram até a renascença.
O primeiro tratado, “De Magnete” datado de 1600 foi escrito por Gilbert, considerado o “Pai do
Magnetismo”. Foi o primeiro a dizer que a Terra era uma grande magneto. A primeira teoria
publicada por Descartes, eliminou a ideia de “efluvia” (emanações) e passou a atribuir a partes
“enroscadas” que penetram em “canais” existentes nos magnetos e na Terra, indo de um polo a
outro (daí o conceito de polos).
Quando um pedaço de ferro é aproximado a qualquer uma das duas extremidades de um ímã
natural em forma de barra, ele é atraído pelo ímã. Mesmo com a atração em qualquer uma das
duas extremidades do ímã, elas possuem propriedades magnéticas opostas. Isto pode ser
facilmente verificado quando dois ímãs em forma de barra são aproximados. Se duas
extremidades se atraem, virando uma das extremidades e aproximando novamente os ímãs,
verifica-se que as duas extremidades próximas, agora, se repelem, como é mostrado no esquema
da figura abaixo. Estas duas extremidades são denominadas de pólo norte (N) e de pólo sul (S)
do ímã, que por convenção, é chamado de pólo norte da agulha de uma bússola o pólo que
aponta para o norte geográfico da Terra, que na realidade é o pólo sul magnético, pois a Terra
também é um grande ímã natural.
Figura 1 de dois imas de barra atraindo-se e repelindo-se
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O mais interessante dos polos magnéticos é o fato de que, apesar de todos os esforços da
comunidade científica sua existência não é estabelecida de forma experimental. Os efeitos
ocorrem sempre em pares, ou seja, se dividirmos um imã em duas partes, essas duas partes serão
outros dois imãs, com dois polos, exatamente como o imã que deu origem aos demais.
Na China, no século Ι a.C., observou-se que um imã suspenso por um fio (ou flutuando sobre a água),
tende a orientar-se na direção norte-sul terrestre. Isto deu origem à Bússola.
A bússola é um ímã, assim como o planeta Terra. Todo ímã tem um pólo norte e outro sul, sendo que os
opostos se atraem. Por isso, o pólo norte magnético da bússola (ponteiro pintado) aponta para o pólo
sul magnético do planeta que, por coincidência, está perto do pólo norte geográfico da Terra.
Figura 2 Bussula
Michael Faraday (1831), afirma que a variação no fluxo de campo magnético através de
materiais condutores induz o surgimento de uma corrente eléctrica […].
Segundo Halliday e Resnick (1983, p. 569), Faraday descobriu que uma força eletromotriz e uma
corrente podem induzidas em uma espira, fazendo variar a quantidade de campo magnético que
atravessa a espira.
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Faraday percebeu ainda que a “quantidade de campo magnético” pode ser visualizada em termos
das linhas de campo magnético que atravessam a espira […] (Halliday & Resnick 1983, p. 569)
Lei de Faraday, também conhecida como lei da indução eletromagnética, afirma que:
“A variação no fluxo de campo magnético através de materiais condutores induz o
surgimento de uma corrente elétrica.”(Young, D.,/Freedman, E. A, 2009)
Unidade de fluxo magnético: Weber [Wb] = [T][m²].
O fenómeno indução eletromagnética foi descoberto pelo físico e químico
britânico Michael Faraday em 1831. Essa descoberta foi uma das mais importantes de toda a
história, uma vez que, graças a esse fenômeno, somos capazes de gerar energia em
usinas hidrelétricas, produzir movimento usando motores elétricos, gerar calor por meio
de fornos de indução, fazer leituras e gravações magnéticas e outros.
A lei de indução de faraday, quando aplicada a experimentos diz o seguinte:
“ (…) Uma força electromotriz é induzida na espira quando varia o número de linhas de
campo magnético que atravessam a espira” (Halliday e Resnick, p. 570).
Usando a definição de fluxo magnético, a lei de faraday pode ser definida como:
“O módulo da força electromotriz induzida em uma espira condutora é igual à taxa de
variação, com o tempo, do fluxo magnético ϕ B que atravessa a espira” (Halliday e
Resnick, p. 570).
O fluxo magnético ϕ B de um campo magnético ⃑
B através de uma área A é dado por
ϕ B=∫ ⃑
B× d ⃑
A
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Figura 1: Lei de indução de Michael Faraday.
Em síntese dos aspectos acima citados, comprovamos que a força electromotriz induzida ε se
opõe à variação do fluxo, de modo que, matematicamente, a “Lei de Faraday” pode ser escrita da
seguinte forma:
−d ϕ B
ε=
dt
Se o fluxo magnético através de uma bobina de N espiras sofre uma variação, uma força
electromotriz é induzida em cada espira e a forca electromotriz total é a soma dessas forças
electromotrizes. Em caso das bobinas estarem muito próximas ( temos um enrolamento
compacto), o mesmo fluxo magnético ϕ B atravessa todas as espiras, e a força electromotriz total
induzida na bobina é dada por:
d ϕB
ε =−N
dt
Força electromotriz induzida
De acordo com a lei de Faraday:
“O surgimento de correntes elétricas depende da mudança no fluxo magnético, por isso,
escrevemos que a variação de tempo do fluxo magnético equivale a um potencial
elétrico medido em volts (V), que, por razões históricas, é chamado de força
eletromotriz induzida (ε).” (Halliday & Resnick, 1983).
Onde temos:
ε - força eletromotriz induzida (V - volts)
ΔΦ = ΦF - Φi
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∆ ϕ- Variação do fluxo magnético (Wb)
Δt - intervalo de tempo (s)
Figura 2: Força electromotriz.
Além disso, devido ao princípio da conservação de energia, é necessário que adicionemos
um sinal negativo na lei de Faraday. Esse sinal foi introduzido pela Lei de Lenz, que nos
permite conhecer qual é o sentido da corrente elétrica induzida:
“A corrente elétrica induzida sempre será formada em um sentido tal que o fluxo
magnético por ela produzido oponha-se ao fluxo magnético que a induziu.”
Figura 3: Campo criado por uma corrente induzida.
Segundo Halliday & Resnick (1983, p. 571), existem três formas de mudar o fluxo magnético
que atravessa uma bobina:
1. Mudar o módulo B do campo magnético.
2. Mudar a área total da bobina ou a parte da área atravessada pelo campo magnético.
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3. Mudar o ângulo entre a direção do campo magnético B e o plano da bobina.
Figura 4: campo magnético em torno de uma bobina.
Para Alonso e Finn:
“A própria Terra é um enorme íman. Por exemplo se suspendermos uma haste horizontal
magnetizada em qualquer superfície da terra e deixemos que gire livremente em torno de
um eixo vertical, a haste se movimentará de modo que a mesma extremidade aponte
sempre em direção ao polo norte gráfico. Este resultado demonstra que a terra exerce
uma força adicional a haste magnetizada, o que não acontece em haste não magnetizada
[…]”. (Alonso e Finn, 2013).
Figura 5: Indução magnética.
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A lei de Faraday foi de suma importância para o desenvolvimento do eletromagnetismo, uma vez
que ela revela a existência de uma relação directa entre fenómenos elétricos e magnéticos.
Maxwell (1861) usou os experimentos de Faraday e deu a eles uma interpretação matemática.
Para criar a corrente no fio é necessário uma força agindo nos portadores de carga. Seja uma
carga qq submetida a uma força F⃗ F→. Então podemos introduzir um campo elétrico: ⃑
E =⃑
F
/qE→=⃑
F /q. Denominemos de "força eletromotriz'', por razões históricas, o trabalho por unidade
de carga.
Lei de Lenz
Pouco depois de faraday descobrir a lei de indução, Heinrich Friedrich Lenz propôs uma regra,
hoje conhecida como a Lei de Lenz, para determinar o sentido da corrente induzida em uma
espira:
“A corrente induzida em uma espira tem um sentido tal que o campo magnético produzido pela
corrente se opõe ao campo magnético que induz a corrente” (Halliday & Resnick, p. 573).
A Lei de Lenz determina o sentido da corrente elétrica que surge em um circuito, a partir da
variação do fluxo magnético (indução eletromagnética).
Essa Lei foi concebida pelo físico russo Heinrich Lenz, pouco tempo depois da descoberta da
indução eletromagnética por Michael Faraday (1831).
Em seus experimentos, Faraday comprovou a existência da corrente induzida e identificou que
esta apresentava sentido variável, contudo, não conseguiu formular uma lei que indicasse esse
sentido.
Os estudos de Faraday e Lenz contribuíram de forma significativa para o entendimento da
indução eletromagnética.
Essas pesquisas são de vital importância para a vida moderna, pois grande parte da energia
elétrica produzida em larga escala está baseada nesse fenômeno.
Indução e Transferência de energia
De acordo com a Lei de Lenz em (Halliday & Resnick, p. 574), quando o íman é afastado da
espira, uma força magnética se opõe ao movimento e, portanto, é preciso realizar um trabalho
positivo para executá-lo.
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Quando mais rápido o movimento do íman, mais depressa a força aplicada realiza trabalho e
maior é a rapidez com a qual a energia se transforma em energia térmica, em outras palavras,
maior a potência associada à transferência de energia.
Figura 6: Lei de lenz
Segundo (Halliday & Resnick, p, 574), “qualquer que seja a forma como a corrente é induzida, a
energia sempre se transforma em energia térmica durante o processo (a menos que seja
supercondutora) por causa da resistência elétrica do material de que é feita a espira […]”.
Lei de Faraday – Lenz
Por meio da aplicação da 1ª lei de Ohm, é possível calcularmos a resistência elétrica ou
a corrente elétrica que se forma em condutores ôhmicos, graças ao fenômeno da indução
eletromagnética:
R - resistência elétrica (Ω).
i - corrente elétrica (A).
Segundo a lei de Faraday, o movimento relativo entre o imã e a espira gera corrente elétrica.
O fluxo magnético (Φ) é uma grandeza escalar que mede a quantidade de linhas de campo
magnético (B) que atravessam uma área fechada (A). Além disso, o fluxo magnético depende do
ângulo que é formado entre o campo magnético e a recta normal (N) na área A.
A fórmula utilizada para calcular esse fluxo:
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ϕ=BA cos θ
Onde:
Φ – Fluxo magnético (Wb Webber ou Tm²).
B – Campo magnético (T tesla).
A – área em (m²).
A figura a seguir ilustra o fluxo magnético através de uma superfície de área A, observe:
Figura 7: O fluxo de campo magnético produzido por em uma superfície A.
Importância do magnetismo
As aplicações tecnológicas e industriais não pararam de se desenvolver nas últimas décadas de
tal modo que hoje estamos circundados por todos os lados por fenômenos e aplicações do
magnetismo. Quase todas aplicações envolvem materiais ferromagnéticos (ou ferrimagnéticos):
- Sistemas de geração e distribuição de energia.
- Conversão eletromecânica (eletrodomésticos, automóveis e aviões)
- Eletrônica e telecomunicações.
- Transdutores, sensoriamento, prospeção geológica.
- Medicina e engenharia biomédica.
- Eletrônica, informática e automação industrial.
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4. Experimentos
Materiais e métodos
Para realização da experiência foram necessários os seguintes materiais:
Voltímetro, uma lâmpada, um íman, uma bobina com duas espiras e outra bobina com quatro
espiras.
O voltímetro serve para medir a magnitude de diferença de potencial criada;
A lâmpada serve para visualizar a intensidade da corrente no circuito;
O íman serve para a variação do fluxo de campo magnético.
Para realização da experiência e posterior recolha de informação posicionamos o íman em
frente das bobinas e fizemos movimentos repetitivos de vai e vem, e em seguida verificamos
o comportamento dos respectivos componentes da experiência.
5. Resultados experimentais
Na bobina de 2 espiras:
Primeiramente, quando passamos o íman pelo polo negativo pudemos perceber que a intensidade
da luz é desproporcional a velocidade realizada, ou seja, quanto maior for a velocidade menor
será a intensidade da luz.
Quando o polo norte do íman atravessa a espira, a seta do voltímetro ia para o lado negativo, e
quando saí vai para o lado positivo.
Quando o polo sul atravessa a bobina com uma velocidade baixa, a intensidade da luz é maior, e
quando a aumentamos a velocidade do movimento, a intensidade da luz é baixa e permanece
constante.
Na bobina de 3 espiras:
Ao atravessarmos pelo lado sul a seta do voltímetro vai para o lado positivo e ao sair vai para o
lado negativo.
Quanto menor for a velocidade do íman ao atravessar a bobina, maior será a intensidade da
lâmpada.
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E quando fazemos movimentos constantes numa alta velocidade, intensidade da luz permanece
constante e o voltímetro realiza movimentos repetitivos de alternância entre positivo e negativo.
Ao posicionarmos o íman no meio de ambas as bobinas, a intensidade da luz e a voltagem são
nula
6. Considerações finais
Tendo em vista os aspectos abordados podemos concluir que, lei da indução eletromagnética é
conhecida como lei de Faraday-Neumann-Lenz, porém, é frequentemente referida apenas
como lei de Faraday. Isso acontece porque o fenômeno da indução foi descoberto por Michael
Faraday, mas sua formulação matemática foi feita por Franz Ernst Neumann.
A Lei de Faraday teve uma importância trivial no desenvolvimento do eletromagnetismo, visto
que, ela revela a existência de uma relação direta entre fenômenos elétricos e magnéticos, esses
que foram tratados como fenômenos de natureza distinta durante muitos anos.
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7. Referências bibliográficas
M. Alonso e E. J. Finn, 2013. Física, Portugal: Escolar Editora.
R. Resnick e D. Halliday, 1983, Física, 4 ͣ edição, John Willey & Sons, Inc.
Young, D., & Freedman, R.A. (2009). Física III:
Eletromagnetismo. São paulo: Pearson Education.
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