Como citar: Barbosa RM, Carvalho LPC, Santos ACN.
Maximizando a recuperação funcional após AVC: a importância da avaliação
individualizada e da reabilitação baseada em evidências. Rev Bras Fisiol Exerc 2024;23(2):e235598. doi: 10.33233/rbfex. 1
v23i2.5598
RBFEx Revista Brasileira de
ISSN Online: 2675-1372
Fisiologia do Exercício
Editorial
Maximizando a recuperação funcional após AVC:
a importância da avaliação individualizada e da
reabilitação baseada em evidências
Maximizing functional recovery after stroke: the importance of
individualized assessment and evidence-based rehabilitation
Ramon Martins Barbosa1,2,3 , Leandro Paim da Cruz Carvalho4 , Alan Carlos Nery dos Santos1,2
1. Escola Bahiana de Medicina e Saúde Humana (EBMSP), Salvador, BA, Brasil
2. Faculdade da Região Sisaleira (FARESI), Conceição do Coité, BA, Brasil
3. Universidade Salvador (UNIFACS), Salvador, BA, Brasil
4. Universidade de Pernambuco (UPE), Recife, PE, Brasil
O recente estudo publicado por Gardenghi et al. [1] na Revista Brasi-
leira de Fisiologia do Exercício, que versa sobre a associação entre a gravidade
do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a dependência funcional de pacientes
hospitalizados, apresenta implicações significativas para a Fisioterapia, e em
especial para a Neurofuncional. Este editorial discute as principais implicações
acerca da reabilitação, e como esse estudo pode nos ajudar a refletir e criar
raciocínio clínico crítico, possibilitando-nos visualizar além dos horizontes,
tendo como objetivo central potencializar a prática clínica fisioterapêutica e as
produções científicas futuras.
Na universidade nos ensinaram que ao fazermos uma avaliação ou po-
pularmente conhecida como “anamnese”, deveríamos partir dos dados sociode-
mográficos e, logo após, investigar qual a condição de saúde que motivou o in-
divíduo a buscar os serviços de saúde. E assim, posteriormente, esses indivíduos
eram conduzidos a intervenções baseadas na clínica da condição em questão e,
embasados por protocolos técnicos e engessados, nos colocando em uma “zona
de penumbra”, relacionada a ausência de informações acerca do prognóstico e
tempo de reabilitação. Contudo, a “Condição de saúde” é apenas o mar e a “ava-
liação individualizada” é a bússola que nos guiará ao nosso destino. Como o
pintor capta a essência da paisagem que deseja expressar, a avaliação realizada
pelo Fisioterapeuta Neurofuncional é a bússola que aponta o norte da recupe-
ração, onde a reabilitação é o caminho e a melhora funcional é o seu destino.
Assim, quando nos deparamos com o cenário da avaliação do indivíduo
com AVC, devemos visualizar em primeiro momento que esta é a condição de
Recebido em: 10 de junho de 2022; Aceito em: 25 de julho de 2024.
Correspondência: Ramon Martins Barbosa, ramonmartinsbarbosa@[Link]
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Rev Bras Fisiol Exerc 2024;23(2):e235598
base que o sujeito apresenta quando realizada a entrevista clínica, ou seja, este é o
mar. Mas, a bússola existe para nos permitir visualizar quais são os pontos chaves que
deveríamos potencializar, uma vez que “Se você não sabe aonde quer ir, qualquer ca-
minho te serve”. Neste caso, devemos visualizar quais são as deficiências em funções/
estruturas do corpo, limitações em atividades e, restrições de participação social,
além de fatores ambientais que podem inferir no ciclo da reabilitação, além de vi-
sualizar também fatores positivos que possam potencializar [2]. Para isso, contamos
com diversas ferramentas, como a NIHSS para a classificação da gravidade do AVC e
o Índice de Barthel [3] para análise do estado funcional, além de testes máximos e
submáximos devidamente validados, que permitem ao Fisioterapeuta Neurofuncio-
nal iniciar a reabilitação com dados quali/quantitativos e uma compreensão objetiva
do ponto de partida do paciente em termos de funcionalidade e aspectos que possam
influenciar na reabilitação, com o objetivo de gerar mobilizações de reservas, e nutrir
o paciente com um cuidado personalizado.
Em adição, o planejamento terapêutico, anteriormente considerado uma via
unicaudal, passou a ser uma via bicaudal. Isso porque, atualmente, o paciente tam-
bém é considerado o protagonista da sua evolução. Com base na prática baseada em
evidências, o planejamento terapêutico perpassa pela melhor evidência disponível,
associada a expertise do profissional e as preferências do paciente [4]. Dessa forma,
permitindo-nos compreender que fatores como a gravidade estrutural e o acometi-
mento funcional podem influenciar nos fatores cruciais como intervenção (séries,
repetições, tempo de utilização, tipo de intervenção), tempo de reabilitação (prog-
nóstico) e desfechos associados ao planejamento, sugerindo que ajustes acerca dos
ciclos da reabilitação possam sofrer modificações conforme necessárias.
Além disso, a mobilização precoce do paciente é uma estratégia positiva e
indicada pelas principais evidências. Dando ênfase ao exercício físico orientado a
tarefa, que tem como objetivo melhorar a demanda funcional [5,6], além de potencia-
lizar a liberação de substâncias como o irisina, BDNF, e outros fatores neurotróficos,
com o objetivo de potencializar a neuroplasticidade positiva [7]. E isso acaba emer-
gindo a conscientização sobre o papel crucial do Fisioterapeuta Neurofuncional na
recuperação funcional e qualidade de vida desses pacientes. Outro ponto também é
que os resultados do estudo podem incentivar a pesquisa adicional, especialmente no
desenvolvimento de novas técnicas e abordagens de tratamento que possam ser mais
eficazes para diferentes níveis de gravidade do AVC.
Em resumo, o estudo fornece informações valiosas que podem guiar e apri-
morar a prática da fisioterapia neurofuncional na reabilitação de pacientes após o
AVC, com ênfase na necessidade de uma abordagem individualizada e baseada em
evidências para maximizar a recuperação funcional, em que “Cada passo é uma estro-
fe no poema da vida reabilitada”.
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Rev Bras Fisiol Exerc 2024;23(2):e235598
Referências
1. Barbosa IOF, Nunes ELG, Pereira LS, Ferreira BK, Campos MLS, Petto J, et al. Correlação entre a gravi-
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5. Cheng-Yu Lee, Tsu-Hsin Howe. Effectiveness of Activity-Based Task-Oriented Training on Upper Ex-
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doi: 10.5014/ajot.2024.050391
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