CEETEPS- CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA “PAULA SOUZA”
ETEC PROFESSOR JOSÉ CARLOS SENO JUNIOR
HABILITAÇÃO: TÉCNICO EM ADMINISTRAÇÃO INTEGRADO AO ENSINO MÉDIO
ALESSANDRA CRISTINA LEVA
JULIA DE MELO FRANCHINI
JOÃO PEDRO BARROS POI
MARIA SILVA GOMES
MARIANA LOUZADA PIMENTA
“DIVERSIDADE CULTURAL BRASILEIRA –
MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS E FOLCLÓRICAS:
CONGADA”
Orientador: Prof.ª Carolina Balthazar Silva
Disciplina: Laboratório de Processos Criativos
OLÍMPIA
2025
Qual a diferença entre cultura popular, folclore e arte tradicional?
Uma análise rigorosa da diversidade cultural brasileira exige a diferenciação entre
os conceitos de cultura popular, folclore e arte tradicional. Esta distinção não é
meramente descritiva, mas carrega um peso sociopolítico significativo, refletindo
diferentes visões sobre a tradição e a modernidade.
A Cultura Popular é geralmente analisada na intersecção entre os estudos de
comunicação e os estudos culturais. Sociologicamente, o conceito ganhou uma
conotação dinâmica a partir dos anos 1950, notadamente impulsionada pelos debates
no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Neste processo, houve uma ruptura
conceitual crucial: enquanto o Folclore passou a ser associado à tradição (permanência),
a Cultura Popular foi vinculada à transformação. A Cultura Popular moderna abrange
as expressões que dialogam com a sociedade de massas, a indústria cultural e a
evolução progressiva. O hip-hop, por exemplo, é citado como uma manifestação de
sincretismo social que combina diferentes culturas urbanas. Embora expressões como o
samba tenham raízes profundas no folclore e nas práticas ancestrais, seu
reconhecimento e transformação ao longo do tempo (principalmente após a
criminalização) posicionam-no como um elemento central da cultura popular em
constante mutação.
O Folclore abarca o conjunto de lendas, mitos, crenças, festas, danças e
costumes de um povo, transmitidos de forma espontânea. Na definição sociológica pós-
ISEB, o Folclore é visto como a personificação da tradição e das práticas anônimas
que buscam a permanência de saberes. Para que uma manifestação seja reconhecida
como fato folclórico, é necessário que apresente características essenciais como
anonimato, antiguidade, continuidade ao longo do tempo e transmissão principalmente
oral e prática. Exemplos clássicos do folclore brasileiro incluem lendas notórias como a
Cuca, o Lobisomem e a Serpente Lendária da Região Norte (Cobra-Grande).
Manifestações como o Maracatu, a Umbigada, o Jongo, o Tambor de Crioula e
brincadeiras tradicionais (Rabo do Burro, Corrida do Saco) também se enquadram neste
domínio.
A Arte Tradicional e o artesanato estão ligados à produção material e às
técnicas manuais herdadas historicamente. Esta categoria engloba desde a
arquitetura colonial (influenciada pelas matrizes portuguesas) até a produção de objetos
cotidianos. No Brasil, as técnicas manuais se diversificaram a partir de uma referência
inicial na cultura indígena, mas foram profundamente influenciadas pela regionalidade.
Arte Tradicional se destaca pelo foco na técnica e na estética regional, como
exemplificado no Sul do país, onde a forte influência europeia resulta em tapetes feitos
à mão, peças em madeira e argila, com grande atenção aos detalhes.
Para consolidar esta distinção, a tabela a seguir ilustra as principais diferenças
conceituais:
Diferenciação Conceitual: Folclore, Cultura Popular e Arte Tradicional
Conceito Foco Dinâmica Exemplos Citação Chave
Principal Central
Folclore Tradição e Permanência Lendas "Folclore passa
práticas e transmissão (Cuca), a ser tradição"
anônimas oral e/ou brincadeiras
prática
Cultura Transformaçã Mutação, Samba (pós- "Cultura
Popular o, disputas indústria criminalizaçã popular é
sociais cultural, o), Hip-Hop tradição em
sociedade de transformação"
massas
Arte Técnicas Herança Arquitetura Caracterizado
Tradicional manuais, técnica e colonial, de acordo com
artesanato, regionalidade artesanato a regionalidade
estética em argila
regional
Fonte: Elaborado pelos autores.
Quais são as principais influências culturais que formaram a
identidade brasileira?
As principais influências culturais que formaram a identidade brasileira são as
indígenas, africanas, europeias e asiáticas.
Os povos indígenas contribuíram significativamente com seus vastos
conhecimentos sobre a natureza, práticas agrícolas e costumes que permanecem
presentes no cotidiano dos brasileiros. Entre esses legados estão o uso de redes, o
preparo de pratos como a tapioca e o pirão de peixe, o emprego de plantas medicinais,
as lendas do folclore — como o Saci-Pererê e o Curupira — e o próprio vocabulário da
língua portuguesa, que incorporou palavras de origem tupi-guarani.
Os europeus, principalmente os portugueses, trouxeram a língua portuguesa, a
religião católica, técnicas agrícolas e costumes que se mesclaram aos das
populações locais, formando a base da cultura brasileira. Além disso, importantes
movimentos artísticos europeus, como o Renascimento, o Maneirismo, o Barroco e o
Neoclassicismo, influenciaram profundamente a arte nacional, refletindo-se na literatura,
na pintura, na arquitetura e em outras expressões culturais. A arquitetura brasileira, por
exemplo, carrega traços marcantes dessa herança europeia, com construções
simétricas, ornamentações em vidro e o uso de materiais como tijolos e madeira. A
culinária também foi influenciada, principalmente pelos italianos, que introduziram pratos
e hábitos como o spaghetti de domingo, o panetone de Natal e a pizza, além de novas
técnicas agrícolas que permanecem em uso, especialmente na região Sul.
Arquitetura barroca, materialização da influência europeia. Fonte: Reprodução – Beduka
A cultura africana, por sua vez, deixou marcas profundas na música, na dança,
na culinária e na religiosidade. Práticas como o candomblé e a capoeira se tornaram
símbolos nacionais. Na música, os ritmos africanos deram origem a gêneros tipicamente
brasileiros, como o samba, o afoxé, o axé, o maracatu, o jongo e o maxixe. Muitos
instrumentos musicais populares — como o berimbau, o atabaque, o tamborim, o agogô,
a cuíca e o ganzá — também têm origem africana. Na culinária, a presença africana se
manifesta em pratos como o vatapá, o caruru e a canjica (inspirada na “kanzika”, sopa
de milho africana), além do uso de ingredientes como o azeite de dendê e o leite de coco,
que se tornaram essenciais na cozinha brasileira.
Capoeira. Fonte: Reprodução – Senado Federal
A influência asiática, trazida principalmente por imigrantes japoneses, sírios e
libaneses, acrescentou novos sabores e valores à cultura nacional. A culinária
japonesa, em especial, tornou-se uma das mais apreciadas pelos brasileiros, com pratos
como sushi, sashimi, udon e tempurá. Essa gastronomia também introduziu o cuidado
estético na apresentação dos alimentos e o respeito pelos ingredientes, características
que influenciaram a culinária local. No Brasil, ela evoluiu com adaptações criativas,
dando origem a combinações únicas, como o temaki com frutos do mar e o sushi com
toques tropicais. Na literatura, autores nipo-brasileiros também contribuíram para o
enriquecimento cultural do país, mesclando visões orientais e brasileiras em suas obras,
o que amplia a diversidade de perspectivas na literatura contemporânea.
Culinária asiática. Fonte: Reprodução – Nagumo Delivery
Dessa forma, a identidade brasileira é resultado da fusão dessas diversas
influências — indígenas, africanas, europeias e asiáticas — que, ao se entrelaçarem,
transformaram o Brasil em um país plural, rico em tradições, saberes e expressões
culturais. A identidade cultural brasileira é o resultado de uma intensa miscigenação.
As principais influências formadoras são inegavelmente a europeia (fundamentos
linguísticos, jurídicos e religiosos, especialmente o Catolicismo), a indígena (base de
técnicas manuais e costumes) e a africana (essencial para a música, culinária e
religiosidade). A maneira pela qual essas culturas se fundiram é definida pelo fenômeno
do sincretismo.
Como essas culturas se misturaram ao longo da história?
O processo de formação cultural no Brasil ocorreu de modo lento e desigual,
acompanhando as transformações sociais, econômicas e políticas ao longo da
história do país. Desde a colonização, o contato entre indígenas, africanos e europeus
— posteriormente somado à chegada de imigrantes asiáticos e de outras origens — deu
origem a um intenso processo de mistura cultural, em que tradições, crenças e
costumes diversos se combinaram, criando novas expressões e identidades.
Nos primeiros tempos coloniais, o convívio entre europeus e povos indígenas foi
essencial para a sobrevivência dos colonizadores, que aprenderam técnicas de cultivo,
alimentação e uso dos recursos naturais, enquanto impunham suas instituições, sua fé
e sua língua. Com a vinda dos africanos escravizados, a pluralidade cultural se ampliou:
mesmo sob repressão, eles mantiveram vivas suas tradições por meio da oralidade, da
música, da religiosidade e da culinária, que se misturaram às práticas locais, originando
manifestações típicas como o samba e as religiões afro-brasileiras.
Entre os séculos XIX e XX, o país recebeu grandes ondas de imigrantes europeus
e asiáticos, que trouxeram novos costumes, técnicas agrícolas, pratos e modos de
pensar. A integração gradual desses grupos à sociedade brasileira fortaleceu uma
cultura marcada pela diversidade e pelas particularidades regionais. Assim, a cultura
brasileira consolidou-se como resultado de um contínuo processo de trocas, resistências
e adaptações, em que cada povo deixou sua contribuição, formando uma identidade
coletiva fundamentada na diversidade e na convivência entre diferentes heranças
culturais.
O que é considerado patrimônio cultural (material e imaterial)?
O patrimônio cultural é o conjunto de bens, manifestações, saberes e
expressões que representam a história, a memória e a identidade de um povo. Ele reflete
o modo como uma sociedade vive, se organiza e transmite seus valores ao longo do
tempo. De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN),
o patrimônio cultural pode ser dividido em duas categorias principais: material e
imaterial, ambas essenciais para a preservação da diversidade cultural de um país.
O patrimônio cultural material engloba os bens físicos e tangíveis que possuem
relevância histórica, artística, arquitetônica, arqueológica ou científica. São exemplos
desse tipo de patrimônio os monumentos, igrejas, obras de arte, construções antigas,
livros raros e sítios arqueológicos. No Brasil, podem ser citados o Cristo Redentor, no
Rio de Janeiro, o Centro Histórico de Ouro Preto, em Minas Gerais, e o Pelourinho,
na Bahia, todos reconhecidos por sua importância na formação cultural e histórica do
país. Esses bens representam a herança visível da trajetória do povo brasileiro e sua
evolução ao longo dos séculos.
Já o patrimônio cultural imaterial compreende as práticas e expressões
intangíveis que são transmitidas de geração em geração e mantêm viva a identidade
cultural de uma comunidade. Incluem-se nesse grupo as tradições orais, as festas
populares, as danças, a culinária típica, os modos de fazer artesanais, os saberes e as
expressões linguísticas regionais. Exemplos notáveis são o samba de roda da Bahia, o
frevo de Pernambuco, o Círio de Nazaré no Pará e o Bumba Meu Boi do Maranhão,
todos reconhecidos pelo IPHAN como patrimônios culturais brasileiros. Essas
manifestações revelam a riqueza simbólica e a diversidade que compõem o tecido social
do país.
Frevo. Fonte: Reprodução – Toda Matéria
Centro Histórico de Ouro Preto. Fonte: Reprodução – TripAdvisor
Pelourinho. Fonte: Reprodução – TripAdvisor
Círio de Nazaré. Fonte: Reprodução – Toda Matéria
CONGADA
Qual a origem da Congada?
A congada é considerada uma mistura das festas tradicionais dos povos
africanos — especialmente angolanos e congolenses — com a religiosidade católica.
Sua origem remonta à África, onde os súditos realizavam cortejos em homenagem ao
Rei do Congo, como forma de gratidão e respeito.
Com a chegada dos portugueses e a colonização do Brasil, as tradições africanas
passaram por um processo de ressignificação, influenciadas pelo catolicismo. Nesse
contexto, diversas divindades africanas foram associadas a santos católicos, como
São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário, reconhecidos como símbolos
da fé e da resistência negra.
Essa fusão cultural foi trazida para o Brasil Colônia, onde a congada se difundiu
e se transformou em uma importante manifestação cultural afro-brasileira. Entre as
figuras mais lembradas nas festas de congada está Chico Rei, personagem lendário que
representa a luta, a fé e a libertação do povo negro.
De acordo com a lenda, Chico Rei, cujo nome verdadeiro era Galanga, era um rei
africano do Congo que foi capturado junto de seu povo e trazido ao Brasil como escravo.
Durante a viagem, uma tempestade fez com que os marinheiros, em desespero,
lançassem sua esposa e filha ao mar. Já em terras brasileiras, ele e seu filho foram
comprados e levados para trabalhar nas minas de Ouro Preto, em 1740. Com esforço e
coragem, Chico Rei conseguiu juntar ouro suficiente para comprar sua liberdade, a de
seu filho e de mais de duzentos escravizados.
Após conquistar a liberdade, foi reconhecido pelos demais libertos como rei, e em
sua homenagem foi construída a Igreja de Santa Efigênia. Todos os anos, antes da missa
dedicada à Nossa Senhora do Rosário, no dia 7 de outubro, realiza-se um cortejo com
cantos e danças em sua memória, celebrando sua história de superação e esperança.
Embora sua existência não seja comprovada historicamente, a lenda de Chico Rei
permanece viva na tradição oral mineira e entre os congadeiros. Além de Chico Rei e da
princesa Isabel — lembrada por seu papel na abolição da escravidão —, outro símbolo
marcante da congada é a devoção a Nossa Senhora do Rosário.
Uma das lendas místicas que fundamentam essa devoção conta que uma imagem
da Virgem apareceu no mar. Diversos grupos tentaram resgatá-la, cantando e dançando,
mas a santa sempre se afastava. Somente o grupo de Moçambiques, formado por
escravos acorrentados, conseguiu trazê-la até a costa. Movidos por seus lamentos e fé,
trouxeram a imagem à terra firme. Desde então, os Moçambiques e Congadeiros são
reconhecidos como os guardiões da imagem de Nossa Senhora do Rosário, símbolo de
fé, resistência e união entre os povos.
Em que regiões do Brasil são mais comuns?
A congada é uma manifestação folclórica presente em diversas regiões do Brasil,
expressando a força da cultura afro-brasileira em diferentes estados. Sua presença é
especialmente marcante nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, com destaque para os
estados de Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás.
Em Catalão (GO), acontece uma das celebrações mais conhecidas do país,
reunindo milhares de dançadores e grupos tradicionais em um grande espetáculo de fé,
música e devoção.
Além disso, a congada também é celebrada em várias outras cidades brasileiras,
preservando costumes e tradições passadas de geração em geração. Entre elas,
destacam-se:
• Congado Reinado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia – Ouro Preto (MG)
– Região Sudeste
• Moçambique de Osório – Osório (RS) – Região Sul
• Congada da Lapa – Lapa (PR) – Região Sul
• Congada da Serra do Salitre – Serra do Salitre (MG) – Região Sudeste
• Festa da Congada em Uberlândia – Uberlândia (MG) – Região Sudeste
Essas celebrações mantêm viva a herança africana e o sincretismo religioso que
formam a base cultural da congada, reafirmando sua importância no patrimônio
imaterial brasileiro.
Fonte: Reprodução - iStock Fonte: Reprodução - Notícias de Mogi
Qual o significado e simbolismo da Congada?
O significado da Congada vai além de sua função religiosa, sendo também um
instrumento de preservação da memória e da identidade do povo negro no Brasil.
Surgida durante o período colonial, a Congada permitiu que os africanos escravizados
adaptassem festas e ritos católicos às suas próprias tradições, criando um espaço de
resistência cultural e espiritual. Por meio dessa manifestação, eles transmitiam
valores, histórias e saberes de geração em geração, garantindo que a ancestralidade
africana permanecesse viva apesar da opressão e da marginalização. Além disso, a
Congada funciona como um mecanismo de coletivização e solidariedade, já que as
celebrações envolvem toda a comunidade na preparação, na música, na dança e na
organização dos cortejos, reforçando laços sociais e identitários.
O simbolismo da Congada é riquíssimo e multifacetado. A figura do rei e da
rainha do Congo é central, representando a nobreza africana, a dignidade do povo
negro e a memória de sociedades africanas organizadas em hierarquias e tradições
próprias. A coroação desses personagens não apenas remete à autoridade e ao respeito,
mas também simboliza a igualdade espiritual diante de Deus, demonstrando que a fé
é universal, independente de origem étnica. Outros elementos simbólicos importantes
incluem os instrumentos musicais, como tambores, caixas e ferrinhos, que evocam os
ritmos africanos e criam um elo entre os participantes e seus antepassados. As danças
coreografadas representam rituais de harmonia e celebração, enquanto os trajes
coloridos e ornamentados, muitas vezes inspirados na realeza africana, expressam
alegria, criatividade e orgulho da herança cultural.
Além disso, a Congada é marcada pelo sincretismo religioso, combinando
elementos do catolicismo popular — como as procissões e as homenagens a santos —
com práticas africanas de música, dança e canto. Esse caráter sincrético reforça a ideia
de adaptação e resistência, mostrando que as culturas africanas foram capazes de
sobreviver e se transformar em contextos adversos, criando novas formas de
expressão cultural. A participação coletiva, a transmissão oral e a prática ritual
constante garantem que a Congada seja não apenas uma celebração festiva, mas
também um patrimônio imaterial, reconhecido pelo IPHAN, capaz de preservar valores
históricos, sociais e espirituais que são fundamentais para a identidade cultural brasileira.
Como a Congada reflete a cultura e história do povo?
A Congada reflete a cultura e a história do povo ao atuar como um registro vivo
das relações sociais, resistências e identidades construídas ao longo do tempo.
Ela mostra como comunidades afro-brasileiras adaptaram práticas e símbolos de
diferentes origens — africana, indígena e europeia — para criar uma expressão própria,
que preserva e valoriza seus valores, saberes e formas de organização social.
Culturalmente, a Congada evidencia a criatividade e a capacidade de síntese
do povo, transformando elementos religiosos, musicais e cênicos em uma linguagem
simbólica única. Historicamente, ela narra experiências coletivas, como a luta contra a
escravidão, a afirmação de dignidade e a resistência cultural, servindo como ponte entre
o passado e o presente. Ao mesmo tempo, fortalece a identidade comunitária, pois
envolve todos os membros na produção do ritual, garantindo que os ensinamentos e
tradições continuem vivos.
Em suma, a Congada é mais que uma celebração: é uma expressão cultural
que sintetiza história, memória e identidade, mostrando como o povo brasileiro
construiu sua cultura por meio da resistência, adaptação e valorização das raízes.
Como a Congada é mantida viva hoje?
A Congada é mantida viva hoje por meio da transmissão intergeracional, da
valorização comunitária e do reconhecimento institucional. As famílias e
comunidades que tradicionalmente realizam a Congada continuam ensinando danças,
cantos, ritmos e rituais para os mais jovens, garantindo que os saberes e práticas não
se percam.
Além disso, a participação em festas religiosas, procissões e celebrações
locais mantém a tradição ativa, promovendo o envolvimento coletivo e fortalecendo os
laços sociais. A documentação acadêmica, registros audiovisuais e apoio de
instituições culturais, como o IPHAN, também contribuem para preservar a Congada,
classificando-a como patrimônio cultural imaterial e reconhecendo sua importância
histórica, social e simbólica.
Eventos culturais, festivais e apresentações em escolas e comunidades urbanas
ou rurais ajudam a difundir a tradição, garantindo que a Congada continue sendo uma
expressão viva da identidade afro-brasileira, conectando passado e presente.
Quais são os desafios para a preservação da Congada?
A Congada é uma manifestação cultural essencialmente intergeracional, na qual
os saberes, cantos e rituais são transmitidos pelos Mestres e Griôs, detentores da
memória coletiva. Essa transmissão não se limita à herança sanguínea; é um
movimento ativo de vínculo social, em que a história e a cultura da comunidade são
incorporadas pelo corpo e pela prática cotidiana.
A modernidade impõe pressões significativas, como a adaptação das tradições ao
contexto urbano e o engajamento de novos participantes. Muitos jovens, que não
nasceram na tradição, precisam aprender a hierarquia, os cantos e os significados
profundos da Congada, transformando a herança ancestral em prática contemporânea.
A manutenção da manifestação depende, portanto, do entrelaçamento entre gerações,
superando a transmissão apenas por descendência familiar.
Além disso, fatores externos, como a pressão da urbanização e a mudança nos
hábitos sociais, ameaçam a continuidade dos grupos. A falta de renovação e de
visibilidade pode levar ao enfraquecimento das práticas. Nesse sentido, o apoio
comunitário e institucional é essencial: festivais culturais, reconhecimento em cidades
como Ibiá/MG e iniciativas do IPHAN, como o Inventário Nacional de Referências
Culturais e o registro dos “Saberes do Rosário”, contribuem para a salvaguarda e
visibilidade da Congada, garantindo suporte logístico, financeiro e simbólico.
Em síntese, os desafios da preservação da Congada residem na manutenção da
chama ancestral, no engajamento dos jovens e na valorização institucional contínua.
Superar esses desafios é fundamental para que o Reinado continue a ser símbolo de
fé, resistência cultural, identidade afro-brasileira e memória histórica.
Fonte: Reprodução – Brasil Escola Rei e Rainha do Congo. Fonte: Reprodução – UOL
Instrumentos e estandartes utilizados na Congada. Fonte: Reprodução – Pulsar Imagens
Fonte: Reprodução – Brasil Escola
Referências Bibliográficas
BRASIL ESCOLA. Cultura brasileira: hábitos, costumes, influências. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23–28 out.
2025.
TODA MATÉRIA. Cultura brasileira: formação e atualidade. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23–28 out. 2025.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. “Nóis somo irmão congueiro”: estudo sobre congadas
no século XXI em São Paulo. Disponível em:
[Link]
irmao-congueiro-estudo-sobre-congadas-no-seculo-xxi. Acesso em: 23–28 out. 2025.
CORDIS – Revista Eletrônica de História Social da Cidade. Fé, devoção e tradição
rosarina nos festejos de congada: entre as águas de Oxum e as faces da Virgem do
Rosário. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 23–28 out. 2025.
WIKIPÉDIA. Folclore brasileiro – Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23–28 out. 2025.
SEVERO, Ricardo. A arte tradicional no Brasil. Organização de Alessandra Xavier dos
Santos, Andressa Amaral da Silva e Wesley Nunes Dantas. DezenoveVinte. Disponível
em: [Link] Acesso em: 23–28 out.
2025.
TODA MATÉRIA. Patrimônio material e imaterial: o que é e exemplos (Artes). Disponível
em: [Link]
exemplos/. Acesso em: 23–28 out. 2025.
IPHAN – INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL.
Dossiês Patrimônio Imaterial. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23–28 out.
2025.
IPHAN – INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL.
Saberes do Rosário: reinados, congados e congadas – Bem Brasileiro (BCR). Disponível
em: [Link]
congadas/. Acesso em: 23–28 out. 2025.
TODA MATÉRIA. Congada: origem, dança e festa. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23–28 out. 2025.
OBSERVATÓRIO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DO SUDESTE. Congado. Disponível
em: [Link]
patrimonio/congado. Acesso em: 23–28 out. 2025.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV). A transmissão intergeracional das
lembranças familiares e da história coletiva: um recurso presente no congado de São
Miguel. Disponível em: [Link]
a0e839aef6d4/download. Acesso em: 23–28 out. 2025.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS (UFG). A congada como espaço de socialização.
Disponível em: [Link]
Acesso em: 23–28 out. 2025.
IPHAN – INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL.
Congadas e Reinado do Rosário. Disponível em: [Link] Acesso em:
23–28 out. 2025.
BRASILEIRINHO. A influência japonesa na cultura brasileira. Disponível em:
[Link]
. Acesso em: 30 out. 2025.
BRASIL ESCOLA. Congada: origem, características, figurino. Disponível em:
[Link]
. Acesso em: 31 out. 2025.
BRASIL ESCOLA. Influência da cultura africana na cultura brasileira. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em: 30 out. 2025.
BRASIL ESCOLA. Quais são as principais contribuições culturais e sociais do Brasil?
Disponível em: [Link]
contribuicoes-culturais-e-sociais-do/[Link] em: 30 out. 2025.
EURODICAS. Influência europeia na cultura brasileira. Disponível em:
[Link]
. Acesso em: 30 out. 2025.
PENSAMENTO VERDE. Influências indígenas presentes na cultura brasileira.
Disponível em: [Link]
indigenas-presentes-cultura-brasileira/. Acesso em: 30 out. 2025.
TODA MATÉRIA. Congada: origem, dança e festa. Disponível em:
[Link] Acesso em: 31 out. 2025.