Unidade Curricular: Matemática Aplicada à Gestão
Ano letivo 2025/2026 – 1º Semestre
2º ano do curso de licenciatura:
Gestão e Administração Pública
Docente: Ricardo Jorge Vieira Correia
Novembro de 2025
Rendas MAG - 2º ano – GAP
RENDAS
Anteriormente estudámos como calcular o capital comum e o vencimento comum em
equivalência a um dado conjunto de capitais com diversos vencimentos. Vamos tratar
agora do caso particular da periodicidade de vencimentos, de acordo com a
definição seguinte:
renda = sucessão de capitais vencíveis periodicamente
A cada um destes capitais vamos chamar termo da renda – T1, T2, T3, ... Tn.
A renda será o conjunto de todos os termos da renda T1, T2, T3, ... Tn
O período da renda é o intervalo de tempo constante que separa os vencimentos
consecutivos.
.......... 1º período 2º período 3º período (n-1)º período nºperíodo
0 k k+1 k+2 ....... k+n-1 k+n
prazo de diferimento k 0
Não é condição necessária para que se fale de uma renda que os capitais vencidos
em cada momento sejam iguais.
É condição suficiente para que se fale de uma renda que o intervalo de tempo que
decorre entre o vencimento de dois termos consecutivos (o período da renda) seja
uma constante.
Falamos desta forma de anuidades, semestralidades, trimestralidades, mensalidades,
etc.
Três momentos importantes na vida de uma renda:
1 – o momento 0, em que se acorda a constituição da renda, podendo esta começar a
produzir-se imediatamente ou não, conforme a renda seja imediata ou diferida;
2 – o momento k, no qual se inicia o 1º período da renda. O intervalo (0;k) é o prazo
de diferimento que decorre desde a constituição da renda até que começa a produzir-
se;
3 – o momento k+n, é o último período da renda, quando esta tem n termos. Se a
renda for perpétua, o número de termos, em princípio, é ilimitado e o momento “k+n”
não tem relevância;
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
CLASSIFICAÇÃO DAS RENDAS
• Quanto ao número de termos:
- Renda Temporária – quando tem um número limitado de termos.
- Renda Perpétua – quando o número de termos é ilimitado.
• Quanto à sua dependência de termos aleatórios:
- Renda Certa – quando a disponibilidade dos seus termos é absoluta,
ou seja, o vencimento de qualquer deles não está dependente de
fatores aleatórios.
- Renda Incerta – quando o vencimento dos termos está dependente
de qualquer facto aleatório.
• Quanto ao momento a que são referidos os seus valores atuais:
- Renda Imediata – quando o seu valor atual é referido a um momento
que coincide com o início do seu primeiro período.
- Renda Diferida – quando o valor atual se refere a um momento
anterior ao início do seu primeiro período.
• Quanto à relação entre o seu período e o da taxa:
- Renda Inteira - quando o período da renda e o período da taxa
coincidem.
- Renda Fracionada – quando os períodos da renda e da taxa não
coincidem.
CLASSIFICAÇÃO DOS TERMOS
• Quanto ao momento do seu vencimento:
- Termos Normais ou Postecipados– quando se vencerem no fim do
período a que dizem respeito.
- Termos Antecipados – quando se vencerem no início do período a
que correspondem.
• Quanto ao seu valor:
- Termos Constantes – se todos tiverem o mesmo valor.
- Termos Variáveis – se os termos forem diferentes.
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
Esquema de uma renda de termos antecipados:
T1 T2 T3 T4 Tn
k k+1 k+2 k+3 ....... k+n-1 k+n
prazo de diferimento k 0 períodos de renda
Exemplo: Os pagamentos da renda ao senhorio são efetuados, normalmente, no
início do mês respetivo.
Esquema de uma renda de termos postecipados:
T1 T2 T3 Tn-1 Tn
0 k k+1 k+2 k+3 ....... k+n-1 k+n
Prazo de diferimento k 0 períodos de
renda
Exemplo: Os pagamentos dos ordenados são efetuados, normalmente, no final do
mês respetivo.
Uma renda antecipada diferida de k períodos é igual à renda postecipada com o
mesmo diferimento e capitalizada por um período.
Renda(t) antecipada d = (1+i) Renda(t) postecipada k períodos
Assim, as rendas antecipadas poderão ser facilmente convertíveis em rendas
postecipadas.
Valor Atual de uma Renda Imediata de termos constantes e postecipados
T T T T T
0 1 2 3 4 ....... n
Sendo a renda uma renda certa, temporária, imediata e inteira, com n termos
postecipados:
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
• O Valor Atual (no período 0) de cada um dos seus termos será: (1+i)-1 ; (1+i)-2 ;
(1+i)-3 ; ... ; (1+i)-(n-1) ; (1+i)-n ; ou seja, uma progressão geométrica de razão
(1+i)-1.
• Calcular o Valor Atual da renda não custa então mais do que calcular o
somatório daquela progressão.
Para uma renda de n termos postecipados e constantes de valor Tc, e seja i a taxa de
juro referida ao período da renda. O valor atual da renda será o capital no momento
inicial C0.
C0 = T (1+i) –1 + (1+i) –2 +...+ (1+i) –n = ... = T 1-(1+i) –n
I
n
C0 = V (1+i) –k ou C0 = V 1-(1+i) -n
K=1 i
A expressão 1-(1+i) -n é convencionalmente representada por a n¬ i , podendo a
i
expressão do valor atual poderá ser representada por C0 = T a n¬ i
Esta é a expressão que nos dá o valor atual de uma renda com as características
anteriormente indicadas, ou seja, dá-nos no fundo o Fator de Desconto de uma
Renda.
Valor Acumulado de uma Renda Imediata de termos constantes e
postecipados
Seja de novo uma renda certa, temporária, imediata e inteira, com n termos
postecipados:
• O Valor Acumulado ou Futuro (em n) de cada um dos seus termos será então:
(1+i)n-1; (1+i)n-2 ; (1+i)n-3 ; ... ; (1+i)n-(n-1) ; (1+i)n-n ; ou seja, também uma
progressão geométrica de razão (1+i)-1 .
• Calcular o Valor Acumulado desta renda não custa então mais do que calcular
o somatório daquela progressão.
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
Para uma renda de n termos postecipados e constantes de valor Tc, e seja i a taxa de
juro referida ao período da renda. O valor atual da renda será o capital no momento
inicial C0.
Cn = T (1+i) n-1 + (1+i) n-2 +...+ (1+i) n-n = ... = T (1+i)n-1
I
Cn = T (1+i)n-1
i
Esta expressão é convencionalmente representada por sn¬ i , podendo a expressão do
valor atual poderá ser representada por Cn = T s n¬ i
É a expressão que nos dá o valor acumulado ou futuro de uma renda com as
características anteriormente indicadas, ou seja, dá-nos no fundo o Fator de
Capitalização de uma Renda.
Note-se ainda que capitalizando a expressão do Valor Atual durante n períodos, ou
seja, multiplicando-a por (1+i)n, se obtém a expressão do Valor Acumulado. Pode-se
assim afirmar que o valor atualizado de uma renda, capitalizado durante n períodos, é
igual ao valor acumulado da mesma renda, ao fim de n períodos.
Valor Atual e acumulado de uma Renda Diferida de termos constantes e
postecipados
Caso a renda postecipada seja diferida de k períodos a expressão anterior seria
facilmente adaptável. Basta atualizar o 2º membro da expressão anterior por k
períodos à taxa de juro i:
........................ T T T T T
0 1 2 3 4 5 ....... k+(n-1) k+n
prazo de diferimento k 0
Neste caso, seria k=2, dado que se se tratasse de uma renda imediata de termos
postecipados, o 1º termo venceria no período 1. Como no exemplo apresentado se
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
vence no período 3, quer dizer que o mesmo se vence dois períodos mais tarde
do que na renda imediata. Por isso se diz que estamos em presença de uma renda
diferida de termos postecipados com 2 períodos de diferimento, ou seja k=2.
Então, a fórmula virá:
C0 = T a n¬ i (1+i) -k
Para calcular o valor duma renda em qualquer outro momento h bastará capitalizar ou
atualizar o valor da expressão anterior para o momento pretendido:
Ch = T a n¬ i (1+i) h-k
Obs: O caso exposto anteriormente é o caso particular de h=0
Se, em particular, h=k+n, a expressão anterior dá o valor final ou acumulado da renda
constante, postecipada, temporária diferida de k períodos.
Ck+n = T (1+i)n-1 = T (1+i)n a n¬ i = T S n¬ i
i
Qual o significado de S n¬ i? É o valor da renda postecipada unitária referido ao fim da
sua produção.
Em termos de valor acumulado, podemos afirmar que o mesmo não difere sejam as
rendas imediatas ou diferidas.
Valor Atual e Acumulado de uma Renda Imediata com Termos Constantes
e Antecipados
Os casos analisados anteriormente referiam-se a rendas com termos normais ou
postecipados, ou seja, com termos vencidos no fim de cada período.
No caso da renda possuir termos antecipados, ou seja, vencidos no início de cada
período:
• O Valor Atual da Renda difere do caso anterior pelo facto do primeiro termo
não dever ser atualizado (já que se vence no início da contagem de tempo).
Isso será o mesmo que fazer uma atualização a menos, ou seja, no fundo usar
o anterior valor atual e capitalizá-lo por um período – multiplicá-lo por (1+i):
Valor atual =
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
• O Valor acumulado da Renda difere do caso anterior pelo facto de faltar
capitalizar o último termo. Isso será o mesmo que fazer mais uma capitalização
de um período, ou seja, também multiplicar o anterior valor acumulado por
(1+i):
Valor acumulado =
Valor Atual e Acumulado de uma Renda Diferida com Termos Constantes
e Antecipados
Caso a renda de termos antecipados seja diferida de k períodos, as expressões
anteriores são facilmente adaptáveis. Basta, tal como acontece nas rendas imediatas
de termos antecipados, atualizar o 2º membro da expressão anterior por k períodos à
taxa de juro i:
........................ T T T T T
0 1 2 3 4 5 ....... k+(n-1) k+n
prazo de diferimento k 0
Neste caso, seria k=3, dado que se se tratasse de uma renda imediata de termos
antecipados, o 1º termo venceria no período 0. Como no exemplo apresentado se
vence no período 3, quer dizer que o mesmo se vence três períodos mais tarde do que
na renda imediata. Por isso se diz que estamos em presença de uma renda diferida de
termos antecipados com 3 períodos de diferimento, ou seja k=3.
Então, a fórmula virá:
C0 = T a n¬ i (1+i) –k+1
Em termos de valor acumulado, continuamos a afirmar que o mesmo não difere sejam
as rendas imediatas ou diferidas, portanto, neste caso o mesmo será igual ao valor
acumulado das rendas imediatas de termos antecipados, ou seja:
Valor acumulado =
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
EXEMPLOS:
I - VALOR DA RENDA NUM DADO MOMENTO
Momento 0
1. Na aquisição de um equipamento foi convencionado que se pagaria imediatamente
14 188 euros, seguindo-se cinco anuidades de 10 000 euros, vencendo-se a
primeira só após 3 anos (no final de 3 anos). A taxa de avaliação adotada foi de
7% ao ano. Qual o preço do equipamento?
Resolução:
14188 10.000 10.000 10.000 10.000 10.000
0 1 2 3 4 5 6 7 anos
Trata-se de uma renda de amortização.
Considerando a sucessão de 5 anuidades como uma renda diferida de termos
postecipados, o prazo de diferimento k = 2:
Valor do equipamento = 14 188 + 10 000 * a 5¬ 7% * (1+7%) –2 =
= 14 188 + 10 000 * 1-(1+7%) –5 * (1+7%) –2 =
7%
= 14 188 + 10 000 * 4,100197 * 0,873439 = 50.000 euros
Se quiséssemos considerar as anuidades como antecipadas, viria um k = 3:
Valor do equipamento = 14 188 + 10 000 * a 5¬ 7% * (1+7%) –3 =
= 14 188 + 10 000 1-(1+7%) –5 (1+7%) –3 = 47 658 euros
7%
Para verificarmos a relação Renda(t) antecipada d = (1+i) Renda(t) postcipada d
Basta-nos capitalizar um período, então:
Valor do equipamento = 14 188 + 10 000 * a 5¬ 7% * (1+7%) –3 * (1+7%) = 50 000 euros
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
Momento h
2. Para amortizar uma dívida, foram já pagas quatro anuidades de 20 euros em 31 de
Dezembro de cada ano (no fim de cada ano) e assim deverá ser ainda nos 5 anos
seguintes. Se imediatamente após ter pago a 4ª anuidade, o devedor propusesse
ao credor substituir as prestações em dívida por um pagamento único a efetuar no
vencimento da 7ª anuidade, qual deveria ser o valor deste pagamento,
considerando um taxa anual de 5%?
Resolução:
20 20 20 20 20 20 20 20 20 anuidades
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 anos
Ch = T a n¬ i (1+i) h-k
k=4
C7 = 20 * (1+5%)(7-4) * a 5¬ 5% = 20 * (1+5%)3 * 1-(1+5%) –5 = 100, 238
5%
II – VALOR DO TERMO DA RENDA
3. Queremos constituir um capital acumulado de 5.000 euros através de 15 depósitos
iguais a efetuar no fim de cada ano. A taxa de juro praticada é 4.5% ao ano. Qual o
valor de cada colocação anual?
Resolução:
T T T T T T T T anuidades
0 1 2 3 4 5 6 7 .... 15 anos
C15=5 000
T=?
k=0
Ck+n = T (1+i) n-1 = T (1+i)n a n¬ i = T S n¬ i 5 000 = T S 15¬ 4.5%
i
5 000 = T (1+4,5%) 15-1 T= 5000/20,784 = 240,570 euros
4,5%
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
III – PRAZO DE DIFERIMENTO (k)
4. Para amortizar 50.000 euros foi convencionado que o devedor pagaria 15.181
euros no fim do 1º ano, seguindo-se 5 anuidades de 10.000 euros com primeiro
vencimento a determinar. A uma taxa de juro de 7% ao ano, quais são os
vencimentos das anuidades constantes?
Resolução:
k=?
50.000 15.181 10.000 10.000 10.000 10.000 10.000 anuidades
0 1 ....k =.?... k+1 k+2 k+3 k+4 k+5 anos
50.000 = 15.181 (1+7%)-1 + 10.000 a 5¬ 7% (1+7%) –k
50.000 = 14.188 + 10.000 1-(1+7%) –5 (1+7%) –k
7%
(1+7%) –k = 0,873439
aplicando o logaritmo:
-k log (1.07) = log (0,873439)
-k (0,029383) = -0,05876742
k=2
Assim, a primeira anuidade tem vencimento no final do 3º ano dado que os termos são
postecipados, sucedendo-lhe as restantes, ou seja, a 2ª no final do 4º ano, a 3ª no
final do 5º ano, a 4ª no final do 6º ano e a quinta no final do 7º ano.
5. O Sr. A pretende contrair um empréstimo de 6.000 euros a amortizar em 60
mensalidades iguais e postecipadas à taxa de juro anual nominal de 18%.
a) Qual o valor de cada mensalidade?
18%/12 = 1,5% taxa efetiva mensal
6.000 = T a 60¬ 1,5% T = 152,361 euros
b) Qual o valor em dívida após o pagamento de 36 mensalidades?
C36= 152,361 a 60-36¬ 1,5%= 3.051,85 euros
c) Qual o valor pago após a 36:ª mensalidade?
C`36= 152,361 S 36¬ 1,5% = 152,361*47,2759692 = 7.203 euros
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
d) Admitindo que, após o pagamento da 36.ª mensalidade, a taxa de juro
anual nominal passa para 21%, qual será o valor das novas mensalidades?
21%/12 = 1,75% tx efetiva mensal
3.051,85 = T a 24¬ 1,75% T = 156,821 euros
e) Se a 1.ª mensalidade ocorrer passados 6 meses qual o valor de cada
mensalidade para a taxa dada inicialmente?
k = 5; renda postecipada
6.000 = T a 60¬ 1,5%(1+1,5%)-5 T = 164,136 euros
f) E se o devedor pretendesse limitar o valor de cada pagamento mensal a
150 euros. Qual o montante máximo que o financiamento poderia atingir,
para uma taxa anual nominal de 18% e para o diferimento considerado
anteriormente?
C0` = 150 a 60¬ 1,5%(1+1,5%)-5 = 5.483,271 euros
Rendas temporárias de termos variáveis
Depois de tratarmos as rendas de termos constantes, abordamos então as rendas de
termos variáveis.
Quando os termos de uma renda são variáveis quaisquer (no sentido de que não
apresentam qualquer padrão de evolução), a única forma de calcular os seus valores
acumulado e atual consiste em capitalizar e atualizar, respetivamente, todos e cada
um dos seus termos, um a um, para o momento desejado. Porém, se os termos
variarem de acordo com determinado padrão (por exemplo, em progressão aritmética
ou em progressão geométrica), é possível calcular os seus valores acumulado e atual
de forma mais rápida e cómoda.
Vejamos, então, relativamente a rendas com termos variando em progressão
aritmética e a rendas com termos variando em progressão geométrica, como calcular
os seus valores acumulado e atual, tal como foram definidos anteriormente, ou seja,
reportados ao momento em que ocorre o último termo e à origem, respetivamente. Se,
numa dada situação, pretendermos obter o valor da renda em qualquer outro
momento, só temos que efetuar os ajustamentos necessários, do mesmo modo que
acontecia nas rendas de termos constantes.
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
Também à semelhança do anteriormente referido, o período da renda pode ser
qualquer um (desde que constante, pela própria definição de renda); apenas deve ser
prestada a devida atenção à taxa a utilizar, a qual deve estar reportada ao mesmo
período da renda.
Cálculo dos valores atual e acumulado de uma Renda imediata, de termos
postecipados e variáveis em progressão aritmética
Genericamente, os n termos de uma renda variando em progressão aritmética de
razão r, sendo o primeiro deles no valor de T euros, são:
T, T+r, T+2r, T+3r, … , T+(n-2)r, T+(n-1)r
Ou seja, verifica-se que a razão é dada pela diferença entre dois termos consecutivos
quaisquer.
Em esquema, temos:
T T+r T+2r T+3r T+(n-2)r T+(n-1)r
0 1 2 3 4 ....... n-1 n
Neste caso, os valores atual e acumulado são dados, respetivamente, pelas seguintes
fórmulas:
Co = an┐i (1º T + r/i + nr) – nr/i
Cn = sn┐i (1º T + r/i ) – nr/i
É de referir que estas fórmulas permitem calcular os valores referentes a rendas
imediatas de termos postecipados. Para obter as fórmulas de valores atuais e
acumulados dos restantes tipos de rendas estudadas (imediatas de termos
antecipados e diferidas de termos postecipados e antecipados), devem-se fazer os
ajustamentos necessários já estudados aquando do estudo das mesmas.
Deve notar-se ainda que:
• Quando r>0 → Estamos em presença de uma renda de termos variáveis em
progressão aritmética crescente (os termos aumentam);
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
• Quando r<0 → Estamos em presença de uma renda de termos variáveis
em progressão aritmética decrescente (os termos diminuem).
Exemplo:
Considere uma renda composta por 5 termos anuais variando em progressão
aritmética de razão igual a 200 euros, ocorrendo o primeiro termo, no valor de 1.000
euros, hoje mesmo. Determine o valor acumulado por esta renda (reportado ao
momento em que ocorre o último termo) à taxa anual efetiva de 6%.
Resolução:
Comecemos por representar esquematicamente a situação:
1.000 1.200 1.400 1.600 1.800
0 1 2 3 4 5
Note-se que o último termo ocorre no momento 4 (porque o primeiro dos 5 termos
ocorre no momento 0).
Assim, temos :
Cn = sn┐i (1º T + r/i ) – nr/i
Cn = [s5┐0,06 (1.000 + 200/0,06 ) – 5x200/0,06] * (1+0,06) = 8.226,38 euros
Vejamos agora um exemplo um pouco mais elaborado:
Relativamente a uma renda de 20 termos semestrais variando em progressão
aritmética, sabe-se que o 6º termo é de 600 euros e o 9º termo é de 660 euros. À taxa
anual nominal de 10%, capitalizável trimestralmente, determine os seus valores
acumulado e atual.
Resolução:
Precisamos de saber o valor do 1º termo e a razão da renda. Como a renda varia em
progressão aritmética, podemos dizer que:
T9 = T6 + 3r, ou seja
660 = 600 + 3r
r = 20 euros
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
Por outro lado,
T6 = T1 + 5r, pelo que
600 = T1 + 5x20
T1 = 500 euros
Quanto à taxa, é-nos dada uma taxa anual nominal, composta trimestralmente, mas a
que nos interessa é a taxa semestral efetiva, dado que os termos da renda ocorrem
semestralmente.
Através das regras de conversão já estudadas (ver material disponibilizado sobre
taxas de juro), verificamos que a taxa semestral efetiva equivalente à que nos é dada
é de 5,0625%.
Assim, os valores atual e acumulado desta renda (reportados aos momentos 0 e 20,
respetivamente), serão:
Co = an┐i (1º T + r/i + nr) – nr/i
Co = a20┐0,050625 (500 + 20/0,050625 + 20x20) – 20x20/0,050625 = 8.152,91 euros
Cn = sn┐i (1º T + r/i ) – nr/i
Cn = s20┐0,050625 (500 + 20/0,050625 ) – 20x20/0,050625 = 21.891,08 euros
Cálculo dos valores atual e acumulado de uma Renda imediata, de termos
postecipados e variáveis em progressão geométrica
Genericamente, os n termos de uma renda variando em progressão geométrica de
razão r, sendo o primeiro deles no valor de T euros, são:
T, Tr, Tr2, Tr3, … , Trn-2, Trn-1
Ou seja, verifica-se que a razão é dada pelo quociente entre dois termos consecutivos
quaisquer.
Em esquema, temos:
T Tr Tr2 Tr3 Trn-2 Trn-1
0 1 2 3 4 ....... n-1 n
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
Neste caso, os valores atual e acumulado são dados, respetivamente, pelas seguintes
fórmulas:
Co = 1ºT rn – (1+i)n
(1+i)n r – (1+i)
Cn = 1ºT rn – (1+i)n
r – (1+i)
É de referir que estas fórmulas permitem calcular os valores referentes a rendas
imediatas de termos postecipados. Para obter as fórmulas de valores atuais e
acumulados dos restantes tipos de rendas estudadas (imediatas de termos
antecipados e diferidas de termos postecipados e antecipados), devem-se fazer os
ajustamentos necessários já estudados aquando do estudo das mesmas.
Deve notar-se ainda que:
• Quando r>1 → Estamos em presença de uma renda de termos variáveis em
progressão geométrica crescente (os termos aumentam);
• Quando 0<r<1 → Estamos em presença de uma renda de termos variáveis em
progressão geométrica decrescente (os termos diminuem).
Exemplo:
Considere uma renda composta por 5 termos anuais variando em progressão
geométrica de razão igual a 1,05, ocorrendo o primeiro termo, no valor de 1.000 euros,
hoje mesmo. Determine o valor atual desta renda à taxa anual efetiva de 8%.
Resolução:
Comecemos por representar esquematicamente a situação:
1.000 1.050 1.102,5 1.157,63 1.215,51
0 1 2 3 4 5
Note-se que o último termo ocorre no momento 4 (porque o primeiro dos 5 termos
ocorre no momento 0).
Assim, temos :
Co = 1ºT rn – (1+i)n
(1+i)n r – (1+i)
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
Co = 1.000 x 1,055 – (1+0,08)5
(1+0,08)5 1,05 – (1+0,08)
= 4.379,47 euros
Para obter o valor acumulado devemos, ou usar a fórmula respetiva já enunciada, ou
então capitalizar o valor acumulado para o último período da renda.:
Cn = 4.379,47 (1+0,08)5 = 6.434,88 euros
Vejamos agora um exemplo um pouco mais elaborado:
Relativamente a uma renda de 120 termos mensais variando em progressão
geométrica, sabe-se que o 10º termo é de 10.936,85 euros e o 50º termo é de
16.283,48 euros. À taxa anual efetiva de 12%, determine os seus valores acumulado e
atual.
Resolução:
Precisamos de saber o valor do 1º termo e a razão da renda. Como os termos da
renda variam em progressão geométrica, podemos dizer que:
T50 = T10 r40, ou seja
16.283,48 = 10.936,85 r40, em que
r40 = 1,488864
r = 1,01
Por outro lado,
T10 = T1 r9, pelo que
10.936,85 = T1 1,019, ou seja,
T1 = 10.000 euros
A taxa que nos interessa é a taxa efetiva mensal, pois é essa a periodicidade da
renda. Como a taxa dada é efetiva anual, podemos calcular diretamente a taxa mensal
efetiva equivalente.
Através das regras de conversão já estudadas (ver material disponibilizado sobre
taxas de juro), verificamos que a taxa mensal efetiva equivalente à que nos é dada é
de 0,9489%.
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Rendas MAG - 2º ano – GAP
Assim, os valores atual e acumulado desta renda (reportados aos momentos 0 e 120,
respetivamente), serão:
Co = 1ºT rn – (1+i)n
(1+i)n r – (1+i)
Co = 10.000 x 1,01120 – (1+0,009489)120
(1+0,009489)120 1,01 – (1+0,009489)
Cn = 1ºT rn – (1+i)n
r – (1+i)
Cn = 10.000 1,01120 – (1+0,009489)120
1,01 – (1+0,009489)
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