DIDÁTICA DO
ENSINO SUPERIOR
Módulo 1
SUMÁRIO
MÓDULO 1- Conceito de Didática
1.1 Histórico da Didática: Jan Amos Komensky ou Comenius (1592-
1670)
1.2 O Histórico da Didática e seu caráter pedagógico
1.3 As Fases Naturalista-Essencialista, Psicológica e Experimental
MÓDULO 1 - Conceito de Didática
Carlos Eduardo Damian Leite
Disciplina: Didática do Ensino Superior
Módulo 1 – Conceito de Didática
Faculdade Campos Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 1 – Conceito de Didática.
[Link]ática 2. Educação 3. Ensino Aprendizagem.
Orgs.: Adriana Alves Farias e
Cláudia Regina Esteves
Faculdade Campos Elíseos
Conversa Inicial
Neste primeiro módulo da disciplina “Didática do Ensino Superior”, serão
elucidadas a origem e fundamentação da Didática, as tendências e práticas
condizentes com esta área, os enfoques positivista, tecnicista e construtivista,
assim como as técnicas didáticas em função da aprendizagem.
Iniciaremos então nossa trajetória de estudos!
Bons Estudos!
1.1 Origem e Fundamentação da Didática
Entre os séculos XVI e XVII, a produção feudal da Idade Média era aos
poucos superada por uma nova e poderosa classe socioeconômica, que
impulsionou e modificou os meios de produção, em função de um sistema
baseado na cooperação, precursor do denominado trabalho em série do século
XX, apresentado por meio de atos coletivos.
As técnicas, artes e estudos permitiram ao homem um maior domínio
sobre a natureza, bem como uma desconfiança em torno de tudo o que havia
sido feito até então. Tais questionamentos fizeram surgir métodos de
investigação nas mais variadas ciências, tais como Matemática, Astronomia,
Geografia, Medicina, Ciências Físicas e Biologia.
Francis Bacon (1561-1626) é considerado o fundador do método científico
moderno. O filósofo ofereceu às ciências um ordenamento diferenciado e
inovador, por meio do método indutivo de investigação (oposto ao método
dedutivo de Aristóteles), propondo a distinção entre fé e razão, para que a
sociedade pudesse evitar preconceitos que distorcem, a partir da religião, a
compreensão efetiva da realidade.
Os princípios de Bacon foram reforçados por René Descartes (1596-
1650), que escreveu, em 1637, o “Discurso do Método”, no qual apresentava as
etapas necessárias ao estudo e à pesquisa, criticando o ensino humanista e
propondo o modelo de ciência perfeita como sendo a Matemática.
Com relação à Filosofia, Descartes realizou uma pontuação dualista, ou
seja, resumiu sua essência a uma relação entre o pensamento e o ser, com base
na crença total da razão humana. Propôs então um método novo, científico, por
meio do qual se poderia obter o conhecimento relativo ao mundo, substituindo-
se a fé pela ciência de modo definitivo.
Assim, surge a máxima de Descartes: “penso, logo existo”, expressão que
simboliza a tendência deste pensador em trabalhar com ideias voltadas para a
razão como pressuposto para a existência humana. Torna-se, desde então, o
pai do racionalismo, apresentando os quatro grandes princípios do método
científico:
1) Jamais acolher alguma coisa como verdadeira se não a conhecesse
evidentemente como tal, evitando-se a precipitação e a prevenção a
incluir uma verdade em juízo que não pudesse ser questionada;
2) Dividir cada uma das dificuldades em um número de parcelas
necessárias para sua melhor resolução.
3) Conduzir os pensamentos ordenadamente, com início pelos objetos
mais simples e fáceis de compreender, subindo gradativamente aos
conhecimentos mais complexos;
4) Fazer a todo momento enumerações completas e revisões gerais de
conteúdos, de forma que nada seja omitido.
O pensar é realmente uma premissa à existência do ser
humano?
Vinte anos após a publicação da obra de René Descartes, Johannes
Amos Comenius (1592-1670) elaborou um método com fins pedagógicos,
publicado na “Didática Magna” (1657), a fim de que se pudesse preparar o ser
humano para ensinar com rapidez, economia de tempo e energia.
A ideia principal de Comenius era a de que, ao invés de se ensinar com
palavras, tidas por ele como “sombras das coisas”, a escola deveria se esforçar
pelo prevalecimento do ensino voltado ao conhecimento das coisas. Desta
forma, pode-se considerar que o pensamento pedagógico moderno era pautado
pelo realismo.
A pedagogia realista, por sua vez, veio de encontro ao formalismo
humanista, apontando que o domínio do mundo exterior era superior ao domínio
do mundo interior, destacando-se assim a premissa de que as coisas eram
supremas diante das palavras.
Foi desenvolvida a paixão pelo mundo natural, a partir das ideias de
Francis Bacon, como também a predileção pelo mundo da razão, com base nas
considerações de René Descartes. Nesse sentido, a tendência da educação foi
tornar-se essencialmente científica, com um direcionamento do conhecimento
como válido apenas se preparava o indivíduo para a vida.
A ascensão das ciências naturais logo despertou o interesse humano
pelos estudos científicos e o abandono progressivo do estudo de autores
considerados até então como clássicos e das línguas grega e latina. A moral e a
política deveriam também ser modeladas pelas ciências da natureza.
A educação não era mais analisada enquanto meio de aperfeiçoamento
do ser humano, mas tanto o desenvolvimento educacional quanto o científico
possuíam um fim em si mesmos. O saber foi tido como poder, principalmente de
domínio sobre a natureza. Segundo Bacon, “saber é poder”, sendo este o filósofo
que dividiu as ciências em: ciência da memória (histórica), ciência da imaginação
(poética) e ciência da razão (filosófica).
Johannes Amos Comenius é ainda hoje considerado o grande educador
e pedagogo moderno, sendo um dos maiores reformadores de seu contexto
histórico e sociocultural. Foi pioneiro ao propor um sistema articulado de ensino,
reconhecendo o direito reservado a todos os homens com relação à aquisição
do saber.
Para Comenius, a educação deveria ser um elemento permanente na
existência humana, ocorrendo ao longo de sua existência. Isto porque, segundo
o próprio, a educação do homem nunca termina. Sua formação é tão duradoura
quanto a sua própria vida.
A proposta de Comenius para a organização do sistema educacional era
de 24 anos, correspondendo a quatro tipos de escolas: a escola materna (0 a 6
anos);
escola elementar ou vernácula (6 aos 12 anos); a escola latina ou ginásio (12 a
18 anos) e a academia ou universidade (18 a 24 anos).
Era ainda proposto que em cada família deveria existir uma escola
materna, em cada município ou aldeia uma escola primária, em cada cidade um
ginásio e em cada capital, uma universidade. O ensino seria unificado, ficando a
escola materna responsável pelo cultivo dos sentidos e do saber falar; a escola
primária desenvolveria a língua materna, a leitura e a escrita; o ginásio
desenvolveria o estudo das ciências e a universidade, trabalhos práticos e
viagens.
Seriam válidas as propostas de Comênio para a Pedagogia
atual?
Síntese
As técnicas, artes e estudos permitiram ao homem um maior
domínio sobre a natureza, bem como uma desconfiança em
torno de tudo o que havia sido feito até então. Bacon é
considerado o fundador do método científico moderno, por
meio do método indutivo de investigação, propondo a
distinção entre fé e razão. Descartes realizou uma
pontuação dualista, ou seja, resumiu sua essência a uma
relação entre o pensamento e o ser, com base na crença
total da razão humana. Comenius, autor da “Didática
Magna”, foi pioneiro ao propor um sistema articulado de
ensino, reconhecendo o direito reservado a todos os
homens com relação à aquisição do saber, ao longo de 24
anos, por meio das escolas materna, elementar, latina e a
academia.
1.2 Tendências e Práticas Didáticas
A tendência de pensamento positivista na Pedagogia foi uma
consolidação da concepção de educação por parte da burguesia. Desde o final
do século XVIII, houve um antagonismo por parte do movimento socialista e
popular, de um lado e do movimento elitista burguês, do outro. No século XIX,
essas tendências são renomeadas de, respectivamente, marxismo e positivismo,
representadas por Karl Marx (1818-1883) e Auguste Comte (1798-1857).
A obra de Comte que trouxe à tona os preceitos do Positivismo (também
chamado de Teoria Positiva) foi “Curso de Filosofia Positiva”, publicado entre
1830 e 1842, em seis volumes. Na primeira parte de sua vida se esforçou por
transformar a ciência em filosofia, para então transformar a filosofia em religião.
Para Comte, a verdadeira ciência seria capaz de oferecer uma visão
analítica de todos os fenômenos, inclusive os de natureza humana, a fim de que
pudessem ser considerados fatos. As ciências da natureza e as ciências
humanas deveriam se afastar de qualquer preconceito ou pressuposto
ideológico, sendo neutras a ponto de se tornarem positivas.
O Positivismo, portanto, representava uma doutrina que consolidaria a
ordem pública, desenvolvendo nas pessoas uma sábia resignação ao seu status
quo – situação em que se encontram no contexto em que se inserem, no
momento atual de análise.
Tal tendência ganha força com o desenvolvimento da “sociologia da
educação”, na qual o Positivismo negava a especificidade metodológica das
ciências sociais em relação aos naturais, de forma que fossem identificadas e
categorizadas – por exemplo, a pedagogia seria uma teoria de “prática social”.
O cenário educacional nacional apresenta uma educação constituída por
tendências liberais, sendo em momentos distintos conservadora e renovada,
onde as tendências manifestam se nas práticas escolares e na pedagogia de
muitos profissionais docentes, embora sem que os mesmos percebam tal
influência.
Em tal pedagogia, a escola tem o papel de preparar os indivíduos para a
vida em sociedade, considerando as habilidades individuais de cada um, onde
os indivíduos precisam aprender e adaptar-se à sociedade de classes,
desenvolvendo sua própria cultura, sendo a mesma um processo de reprodução
de saberes.
Com foco específico voltado à Teoria Tecnicista, que consiste em
subordinar a educação às necessidades sociais, tendo como função principal
preparar de "recursos humanos", ou seja, mão-de-obra para indústrias. Sabe-se
que a sociedade industrial e tecnológica possui metas econômicas, sociais e
políticas, onde então a educação treina os alunos para que os mesmos possam
cooperar com tais metas, onde a escola funciona como uma modeladora para o
comportamento humano onde as relações entre professor e aluno são objetivas
para a construção do processo de ensino aprendizagem e os conteúdos são
técnicos de acordo com a necessidade de cada curso.
Nesse sentido os conteúdos trabalhados são apenas técnicas que
possam gerar mão de obra qualificada, desconsiderando inúmeros fatores,
sendo a tecnologia o alvo de tal teoria, garantindo com tais processos de ensino
aprendizagem um bom funcionamento da sociedade tendo a educação como
recurso tecnológico, dando um enfoque sistêmico.
Por sua vez, pode ser considerada a Teoria Construtivista, oriunda da
Escola Nova, com base em preceitos desenvolvidos pelos teóricos da educação,
em função de métodos que atendessem às exigências da sociedade
contemporânea, motivados pelo processo de ensino aprendizagem significativo.
Pode ser citado o exemplo da médica italiana Maria Montessori (1870-
1952), que direcionou os métodos empregados na recuperação de crianças com
necessidades especiais para com os alunos tidos como normais. Desenvolveu
uma enorme quantidade de materiais pedagógicos e jogos, que ficavam à
disposição na Casa dei Bambini.
A ideia central do método de Montessori era a construção de um ambiente
escolar com objetos pequenos, para estimular o pleno domínio da criança sobre
os mesmos. Por meio dos sentidos, as crianças eram induzidas a explorar cores,
formas, texturas e espaços, em técnicas como a “lição do silêncio” (domínio da
fala) e a “lição da obscuridade” (educação das percepções auditivas).
Também pode ser considerado na Teoria Construtivista a participação
relevante de Jean Piaget (1896-1980), investigou a natureza do desenvolvimento
da inteligência na criança. Destacou ainda a importância de uma “pedagogia
experimental”, a fim de que fossem respeitadas as etapas específicas do
desenvolvimento da criança.
Para Piaget, o objetivo maior da educação não deve ser repetir ou
conservar verdades acabadas, mas aprender por si próprio a conquista do
verdadeiro. A escola deve então ser ambiente de apropriação do saber, sendo
ela democrática e parte integrante dos processos sociais. A educação deve ser
mediadora, preparando o aluno para a socialização, enquanto ser atuante.
Os conteúdos trabalhados são universais, considerando a realidade dos
alunos, destacando os saberes culturais, utilizando-se de métodos que
compreendam a ação e compreensão, a ação e síntese, unindo teoria e prática,
onde o professor participa como coautor dos processos de ensino-
aprendizagem, para que ocorra de forma significativa.
Síntese
A Teoria Positiva reflete a concepção de Auguste Comte,
para quem a verdadeira ciência seria capaz de oferecer
uma visão analítica de todos os fenômenos, inclusive os
de natureza humana, a fim de que pudessem ser
considerados fatos. A Teoria Tecnicista consiste em
subordinar a educação às necessidades sociais, tendo
como função principal preparar de "recursos humanos",
ou seja, mão-de-obra para indústrias. Já a Teoria
Construtivista, oriunda da Escola Nova, apresentava como
base os preceitos desenvolvidos pelos teóricos da
educação, em função de métodos que atendessem às
exigências da sociedade contemporânea, motivados pelo
processo de ensino aprendizagem significativo.
1.3 Enfoques da Didática
Pode-se definir a instituição escolar, segundo Paro (2000), enquanto
âmbito sociocultural que desenvolve conteúdos com base em valores e
realizações da sociedade em que está inserida. A função do professor volta-se
à atenção para com estas questões, a fim de que se promova, em sala de aula,
o aprendizado e a utilização de recursos que remetam o aluno ao seu cotidiano.
Este processo constitui a verdadeira “práxis” educacional (união entre teoria e
prática).
A educação vem passando por um processo lento e gradativo de
transformação, tentando construir uma identidade, definir seu papel perante a
sociedade moderna e se preparar para atender os alunos do século XXI. As
contribuições da comunidade, especificamente aquelas que vêm da relação que
a escola estabelece com os familiares de seus alunos, são passíveis de análise,
à medida que se constata a importância e o uso das expectativas deste público
como norteadoras das ações educacionais.
A dificuldade, entretanto, da efetiva construção dessa relação, de uma
maneira que proporcione condições de igualdade na relação das duas
instituições, isto é, estabelecendo-se uma parceria, onde a participação dos pais
seja real – diferente daquela participação onde enviam uma contribuição mensal,
colaboram comprando rifas, ou vêm à escola para ouvirem a professora contar
das inúmeras dificuldades dos filhos. Tais afirmações são presentes quando se
analisa o paralelismo entre as duas instituições, rompidos por raros e frágeis
pontos de intersecção.
Considerando-se a necessidade primordial que a família possui como
base psicológica e sociocultural, faz-se fundamental a ação de colocá-la como
face agente da instituição de ensino. Para que as realizações pedagógicas sejam
efetivadas pelo que é transmitido no lar, em meio aos pais, irmãos e familiares,
cuja contribuição é, de fato, valiosíssima para que seja trabalhada a autoestima
e a possibilidade de o aluno ser incluído de modo efetivo na interação com os
colegas e nas ações escolares.
Neste sentido surge uma acomodação, já que a instituição segue as
realizações que lhe são tradicionais, sem buscar a participação familiar efetiva,
com isso deixando de lado a integração que se faz necessária, no sentido de
aproximar a comunidade do âmbito educacional: “Parece haver, por um lado,
uma incapacidade de compreensão por parte dos pais (...); por outro lado, uma
falta de habilidade dos professores para promoverem essa comunicação”
(PARO, 2000, p. 68).
Assim, deve ser considerada a atuação dos professores, complementada
pelo apoio da gestão escolar, para que a devida interação com as famílias possa
ser promovida, em torno do bem comum que vem a ser o aprendizado realizado
de maneira eficaz, com conteúdos relacionados à prática exigida pela vida
cotidiana do educando.
No ambiente escolar, as realizações pertinentes às dimensões
pedagógica, política e administrativo-financeira se desenvolvem por meio de
processos interligados. O currículo muitas vezes prioriza teorias que não vem ao
encontro de competências que um cidadão precisa hoje para agir em sociedade
– dentre elas, a interação social, garantida pela escola quando esta se propõe a
ser um espaço de integração entre alunos, familiares e a comunidade em geral.
Como tornar efetiva a participação dos públicos escolares no
processo de ensino aprendizagem?
A gestão participativa propõe questões que vão ao encontro da desejada
autonomia, de acordo com as concepções de Freire (2002), que apontava a
educação como forma de aquisição de um olhar crítico diante da sociedade, das
desigualdades. Desta forma, adquire o aluno autonomia o suficiente para
verificar tais questões e, consequentemente, propor mudanças voltadas à
construção igualitária das realizações socioculturais.
Verifica-se também a tendência de que os professores atuem em prol de
que a família complete a educação oferecida na escola, principalmente
auxiliando as crianças nos deveres escolares, o que ele denomina como “um
continuidade de mão única”. Paralelamente a este procedimento, espera-se que
os pais, embora cheguem a conceber a escola como “segunda família”, possam
perder “a timidez diante dos professores, o medo da reprovação dos filhos e a
distância que sentem da cultura da escola (...)” (PARO, 2000, p. 33).
Paro (2000) aponta ainda a existência de uma “duplicidade discursiva”, já
que a família demonstra que possui preocupação e desejo de envolver-se com
os assuntos escolares. Por outro lado, os discursos dos educadores demonstram
o interesse na participação dos pais em situações que acontecem fora dos muros
da escola, como o auxílio nas tarefas de casa.
Contudo, verifica-se que os professores apresentam, constantemente,
uma insegurança de que haja interferência em procedimentos como avaliação,
definição de calendário e currículos escolares, sendo que é comum que o corpo
docente acabe ofertando possibilidades de participações restritivas, ou exigindo
um conhecimento que os pais não possuem, acabando por afastar a família.
Segundo Paro (2000), pode-se afirmar que, além de problemas como
professores malformados e outros, a escola tem falhado, principalmente, “porque
que não tem dado a devida importância ao que acontece fora e antes dela, com
seus educandos” (p. 15). E como ponto de partida para a busca de uma solução
para tal realidade, articula sua pesquisa, “(...) com a preocupação de estudar
formas organizacionais mais adequadas de integração dos pais a propósitos
escolares de melhoria de ensino (...)” (p. 17)
Para tanto, é necessário ter a habilidade de integrar e motivar toda a
equipe para garantir o êxito de tais processos. Isso significa que a liderança
exercida pelo gestor irá influenciar na condução dos processos de trabalho e,
consequentemente, nos resultados esperados para a escola na gestão
democrática.
Síntese
A função do professor no contexto atual volta-se à
atenção para com as questões sociais e culturais, a fim
de que se promova, em sala de aula, o aprendizado e a
utilização de recursos que remetam o aluno ao seu
cotidiano. Este processo constitui a verdadeira “práxis”
educacional (união entre teoria e prática). A educação
vem passando por um processo lento e gradativo de
transformação, tentando construir uma identidade,
definir seu papel perante a sociedade moderna e se
preparar para atender os alunos do século XXI. Assim,
deve ser considerada a atuação dos professores,
complementada pelo apoio da gestão escolar, para que a
devida interação com as famílias possa ser promovida,
em torno do bem comum que vem a ser o aprendizado
realizado de maneira eficaz, com conteúdos relacionados
à prática exigida pela vida cotidiana do educando.
1.4 Técnicas Didáticas e a Aprendizagem
Surgem para o profissional docente novos desafios, à medida que são
reconhecidos novos espaços de aprendizagem. Deste modo, o processo de
ensino aprendizagem se efetiva além dos muros escolares, gerando a ampliação
deste
processo educacional em um contexto multidisciplinar, bem como as
possibilidades para pedagogos e profissionais da educação.
A quebra de paradigmas se faz fundamental em meio aos pensamentos
voltados para a inserção dos alunos em outros espaços educacionais, além da
própria escola. Neste aspecto, o pedagogo e o profissional da educação são
fundamentais para que tal rompimento ocorra, gerando a construção de um novo
modelo sociocultural.
A partir da compreensão das relações humanas e profissionais, bem
como os anseios da sociedade, a educação pode reformular conceitos postos
como imutáveis, voltando o foco da educação para ações baseadas na reflexão,
na crítica e na inovação.
Os responsáveis por se organizar a educação de um modo multidisciplinar
e em lugares públicos, além dos limites escolares, terão a ousadia de mudanças,
bem como a iniciativa para encontrar espaços para saberes inéditos. Portanto,
tal renovação de conceitos irá oportunizar espaços educativos em todos os
lugares das cidades, nos quais diferentes pessoas se reunirão com o objetivo de
gerarem novas realidades educacionais, a partir da qual surgirão cidadãos
conscientes de seus deveres e potencialidades
O ideal em torno de uma gestão democrático-participativa é o incentivo
por parte do coordenador, não apenas para a realização de atividades, mas para
que as ideias sejam desenvolvidas de um modo comum entre escola e família,
para que as expectativas desta sejam atingidas pelo planejamento e execução
das realizações escolares. Pais, familiares e alunos são parte da sociedade
moderna, em meio aos avanços tecnológicos, onde as pessoas precisam muito
mais do que apenas os saberes, que as escolas defendem e julgam como
suficientes: precisam de maneiras diversificadas de participar ativamente do
processo educacional como um todo.
Do mesmo modo, os gestores dos sistemas de ensino encontram-se
influenciados por fatores externos e internos: “os externos são fatores de ordem
social, econômico-cultural, científica e tecnológica; os internos estão
relacionados ao desenvolvimento do conhecimento sobre o processo educativo”
(PARO, 2000, p. 46).
De acordo com Saviani (1991, p. 21 apud GADOTTI, 2000, p. 148), a
escola lida com uma realização muito mais complexa, voltada à “produção de
ideias, conceitos, valores, símbolos, hábitos, atitudes e habilidades”. Isto é, o
foco na instituição escolar tende a ser a produção de saber, por meio da análise
crítica das informações disponíveis pelas tecnologias digitais, desenvolvendo-se
deste modo um olhar discente atento à formação de ideias, opiniões e um
indivíduo voltado ao desenvolvimento de competências e formação de atitudes.
Na verdade, o ponto chave da gestão democrático-participativa é garantir
que os interessados no desenvolvimento integral dos discentes possam
acompanhar e participar, efetivamente, de toda e qualquer decisão ou
acontecimento promovido pela instituição de ensino (FREIRE, 2002).
O gestor auxilia a docência, segundo Saviani (1991, p. 21 apud GADOTTI,
2000, p. 151) à medida que entende o bom funcionamento da escola e tem
clareza em relação às razões que a instituição que dirige possui como centrais,
bem como os papéis do professor e do educando em meio ao trabalho educativo.
Se o foco da função de gestor deve ser a educação, logo ele deve estar
“comprometido com a qualidade educativa, deve ser antes de tudo um educador;
antes de ser um administrador ele é um educador”.
Este pensamento aponta elementos que são indispensáveis aos centros
educacionais, visto que ideias e atitudes que se baseiam na constante inovação,
bem como na interferência construtiva daqueles que são, direta ou indiretamente
beneficiados pelo processo de ensino-aprendizagem, garantindo-se assim a
renovação de valores em prol do desenvolvimento institucional e, principalmente,
humano.
No contexto contemporâneo de desenvolvimento, é relevante destacar o
papel do pedagogo e demais profissionais da educação em meio às realizações
do âmbito escolar. A atuação daqueles que lidam com a educação de
desenvolver um pensamento voltado para a possibilidade de se educar fora do
ambiente educacional, fazendo com que seja efetiva a aprendizagem de
conhecimentos, habilidades e atitudes.
É possível que a educação seja efetivamente reconhecida
como autêntica fora do ambiente escolar?
Síntese
A quebra de paradigmas se faz fundamental em meio aos
pensamentos voltados para a inserção dos alunos em outros
espaços educacionais, além da própria escola. Neste aspecto, o
pedagogo e o profissional da educação são fundamentais para que
tal rompimento ocorra, gerando a construção de um novo modelo
sociocultural. Este pensamento aponta elementos que são
indispensáveis aos centros educacionais, visto que ideias e
atitudes que se baseiam na constante inovação, bem como na
interferência construtiva daqueles que são, direta ou indiretamente
beneficiados pelo processo de ensino-aprendizagem, garantindo-
se assim a renovação de valores em prol do desenvolvimento
institucional e, principalmente, humano.
Considerações Finais
Finalizando o módulo 1, esperamos que você tenha compreendido a
origem e fundamentação da Didática, as tendências e práticas condizentes com
esta área, os enfoques positivista, tecnicista e construtivista, assim como as
técnicas didáticas em função da aprendizagem.
Referências Bibliográficas
Módulo 1
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
GADOTTI, M. História das Ideias Pedagógicas. São Paulo: Ática, 2000.
LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2006.
____________. Tendências pedagógicas na Prática Escolar.
____________. (1985) apud LUCKESI, C. C. Tendências pedagógicas na
prática escolar. In: Filosofia da Educação. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
PARO, V. H. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais. São Paulo: Xamã,
2000.
PERRENOUD, P. Por que construir competências a partir da escola?
desenvolvimento da autonomia e luta contra as desigualdades. Curitiba: Melo,
2010.