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GC16

O programa do XVI Governo Constitucional de Portugal visa dar continuidade às políticas do governo anterior, focando em um Estado moderno e eficaz, crescimento econômico e justiça social. O governo busca fortalecer a defesa nacional, promover a igualdade de oportunidades e investir na qualificação dos cidadãos, reafirmando o compromisso com a estabilidade política e a melhoria da qualidade de vida. Através de reformas estruturais e uma cultura de rigor, o governo pretende posicionar Portugal como um país mais desenvolvido na Europa.

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GC16

O programa do XVI Governo Constitucional de Portugal visa dar continuidade às políticas do governo anterior, focando em um Estado moderno e eficaz, crescimento econômico e justiça social. O governo busca fortalecer a defesa nacional, promover a igualdade de oportunidades e investir na qualificação dos cidadãos, reafirmando o compromisso com a estabilidade política e a melhoria da qualidade de vida. Através de reformas estruturais e uma cultura de rigor, o governo pretende posicionar Portugal como um país mais desenvolvido na Europa.

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PROGRAMA

DO
XVI GOVERNO
CONSTITUCIONAL
ÍNDICE

Introdução

UM ESTADO COM AUTORIDADE, MODERNO E EFICAZ

1 – Defesa Nacional
2 – Política Externa
3 – Administração Interna
4 – Justiça
5 - Administração Pública
6 - Autonomia Regional
7 - Descentralização
8 – Assuntos do Mar

II

APOSTAR NO CRESCIMENTO E GARANTIR O RIGOR

1 – Finanças Públicas
2 – Economia
3 – Trabalho, Emprego e Formação
4 – Turismo
5 – Agricultura
6 – Florestas
7 – Pescas
8 – Obras Públicas e Transportes
9 – Política energética
10 – Comunicações
III

REFORÇAR A JUSTIÇA SOCIAL


GARANTIR A IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

1 – Saúde
2 – Segurança Social
3 – Família e Criança
4 – Igualdade
5 – Imigração
6 – Ambiente e Ordenamento do Território
7 – Cidades, Desenvolvimento Regional e Administração Local
8 – Habitação
9 – Defesa do Consumidor

IV

INVESTIR NA QUALIFICAÇÃO DOS PORTUGUESES

1 – Cultura
2 – Educação
3 – Ensino Superior
4 – Ciência e Inovação
5 – Sociedade da Informação e do Conhecimento
6 – Comunicação Social
7 – Juventude
8 – Desporto
INTRODUÇÃO

1. O programa do XVI Governo Constitucional que agora se apresenta


à Assembleia da República assenta na continuidade das políticas
desenvolvidas pelo XV Governo Constitucional.

A legitimidade democrática que lhe dá origem é a mesma. A maioria


parlamentar permanece intacta. O compromisso com os eleitores não se altera.

A avaliação que deverá ser feita, pelos portugueses, no final da legislatura, não
será de partes separadas, mas sim de um todo. Será o resultado da acção dos
dois governos, do que já foi feito e do que ainda será realizado, que o país
julgará.

Deste modo, não podemos, nem queremos, deixar de nos referir, neste novo
programa de governo, a muitos dos compromissos assumidos e já cumpridos.

2. Os dois anos de trabalho do XV Governo Constitucional marcaram,


de forma incontornável, a história de Portugal.

A acção deste executivo foi exemplar, sobretudo atendendo ao difícil quadro


que herdara do governo que o antecedeu. Na verdade, quando o anterior
governo iniciou funções, em Abril de 2002, Portugal vivia um dos períodos mais
difíceis da sua história democrática.

O país confrontava-se com um grave descontrolo das contas públicas, com um


crescimento desenfreado das despesas do Estado e com a ameaça de não
cumprimento das suas obrigações no quadro da União Europeia, agravada pela
interrupção do nosso processo de convergência económica e social em relação
aos parceiros comunitários.

A confiança dos agentes económicos estava fortemente abalada e a


credibilidade externa do país fragilizada. Assistia-se a uma perigosa degradação
das instituições, ao enfraquecimento da autoridade democrática do Estado, à
ausência total e completa de objectivos que mobilizassem os Portugueses.

Em Abril de 2002, Portugal era um país sem esperança e sem ambição.

3. Hoje, Portugal é um país com esperança e ambição.

O compromisso de mudança assumido pelo XV Governo Constitucional foi


honrado, mostrando claramente aos Portugueses que se deu início a um novo
ciclo na História do nosso país.

Hoje, Portugal tem uma nova atitude política, baseada numa cultura de
decisão, acção e responsabilidade.

Os critérios de rigor e de verdade que, finalmente, se impuseram às contas do


Estado, permitiram o cumprimento, com responsabilidade, dos compromissos
impostos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Esses mesmos critérios
foram aplicados, igualmente, na promoção de reformas estruturais há muito
exigidas, mas tempo demais adiadas.

E os primeiros resultados são visíveis:

- Recupera-se o controlo das contas públicas;


- O relançamento da economia está em curso, de forma lenta mas
sólida e sustentada;

- Os Portugueses ganham de novo confiança.

Mas não é só a nível interno que verificamos uma mudança. De facto, nestes
dois últimos anos, Portugal reconquistou a credibilidade externa, afirmando-se
na Europa e no mundo.

E aqui, não se pode deixar de referir o facto do XVI Governo Constitucional


iniciar funções na sequência da eleição do anterior Primeiro-Ministro como
Presidente da Comissão Europeia, uma vez que essa escolha traduz mais um
importante momento no reconhecimento internacional do nosso país.

Decorrente da anterior acção governativa, esta nova fase será marcada


sobretudo pela confiança.

Confiança nas instituições, confiança nos portugueses, confiança em Portugal.

4. Agora, mais do que nunca, Portugal pode e deve avançar.

A verdade é que estão criadas as condições para um crescimento real da


economia e para um aumento da produtividade nacional, que devemos apoiar e
incentivar.

Os sinais positivos são já visíveis e o crescimento da economia, embora ainda


na fase inicial, é já uma retribuição do esforço que a todos os Portugueses foi
pedido.
Podemos, agora, ir mais longe na justiça social. Numa área tão complexa
quanto esta haverá sempre muitas e novas metas a alcançar.

Metas que nos devem levar mais próximo dos portugueses, visando minorar os
inúmeros problemas com que se defrontam, numa sociedade muitas vezes
desumana, desatenta e sem tempo, num país onde se torna indispensável que
os cidadãos assumam o exercício da cidadania como um direito e uma
obrigação.

Nesse sentido, aprofundar a solidariedade nacional será uma das grandes


batalhas que temos pela frente, concentrando as energias governativas,
sobretudo, na melhoria da qualidade de vida dos mais desfavorecidos.

5. Clareza nos compromissos, firmeza na realização dos objectivos.

No início de funções, reafirmamos a importância da estabilidade política, no


quadro de uma coligação que mantém a convicção e a determinação do
momento inicial.

O XVI Governo Constitucional assume o cumprimento desta segunda fase da


legislatura, norteado pelas opções fundamentais expressas no programa do
anterior Governo, e no respeito pelo compromisso de mudança então assumido.

O XVI Governo Constitucional reafirma a intenção de fazer de Portugal, no


espaço de uma geração, um dos países mais desenvolvidos da Europa,
continuando a exigir de todos que apostemos no trabalho, no mérito, na
exigência, no esforço individual e na solidariedade colectiva.
Mantém-se como objectivo estratégico prosseguir a convergência económica e
social com os restantes países da União Europeia, através da implementação
das reformas necessárias e de uma forte consolidação orçamental.

Para isso, pretendemos apostar no progresso e crescimento da economia, com


o aumento da produtividade e da competitividade como instrumentos
necessários para a construção de um país mais forte e coeso.

A inovação, a formação e a qualificação dos portugueses continuarão a ser


assumidos, por este Governo, como instrumentos estratégicos para afirmar
Portugal como um país moderno, dinâmico e empreendedor.

Em toda a sua actuação, o XVI Governo Constitucional manterá uma cultura de


rigor, de acção e de responsabilidade, pois esse, e só esse, é o caminho para a
construção de um Portugal mais próspero, mais justo e mais solidário.

Estas são as condições para a afirmação de Portugal, na Europa e no Mundo.

6. Portugal continuará a contar com uma atitude política de verdade,


de responsabilidade, de determinação e de coragem.

Reforçamos o respeito pela Constituição da República e por todos os órgãos de


soberania, assumindo a cooperação institucional como um compromisso, a bem
da estabilidade e maturidade democráticas.

Manteremos uma leal e saudável cooperação com a Assembleia da República,


de quem o Governo depende e a quem o Governo deve profundo respeito, para
elevar a qualidade da nossa democracia, aperfeiçoando o sistema político em
geral e o funcionamento do Parlamento em particular.
Principalmente, afirmamos o respeito por todos os portugueses, parceiros
activos e essenciais na construção do presente e do futuro de Portugal.

Estes são os compromissos que assumimos. Estes são compromissos que


vamos concretizar, com verdade, responsabilidade, determinação e coragem.

O XVI Governo Constitucional quer apresentar-se, no final da legislatura, a


todos os portugueses, com a consciência do dever cumprido.
I
UM ESTADO COM AUTORIDADE, MODERNO E
EFICAZ
1. DEFESA NACIONAL

O fim do século XX viu surgir uma nova ordem internacional nascida da


implosão da antiga União Soviética. Terminava, assim, a lógica da confrontação
Leste/Oeste. Mas não terminavam as ameaças.

Estas mudanças no sistema internacional tiveram significativas consequências,


nomeadamente novos actores políticos nacionais, transnacionais e
internacionais, e na emergência do factor globalização.

Enfrentamos, hoje, uma situação multipolar de riscos e ameaças difusas de


grande imprevisibilidade que formaram um novo ambiente estratégico onde, a
par das tradicionais ameaças de cariz militar, se movimentam outros factores
de instabilidade, de que os trágicos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001
e de 11 de Março de 2004 são exemplos paradigmáticos.

Com a finalidade de garantir a segurança e o bem-estar dos cidadãos é


necessário repensar e adequar os instrumentos de Segurança e Defesa ao novo
cenário político-estratégico, na perspectiva de minimizar riscos e garantir a
prontidão de resposta aos novos desafios que se colocam à paz e à estabilidade
internacional.

Neste contexto, o Governo reafirma o seu empenhamento no esforço de


adaptação e actualização do funcionamento das instituições internacionais,
como é o caso da ONU, da OTAN, da União Europeia e da CPLP, às exigências
do novo ambiente estratégico.

No quadro das relações externas de defesa, Portugal assume com clareza a sua
inserção geográfica e política no espaço euro-atlântico, contribuindo como
aliado para os sistemas de segurança internacionais nos quais estamos
integrados, cujo alargamento se considera fundamental para a estabilidade e a
paz do continente Europeu e no Mundo.

A nossa história e a nossa vocação universalistas levam-nos a reafirmar o


empenhamento no reforço dos laços de amizade e cooperação com os Países
Africanos de Língua Oficial Portuguesa, identificando e promovendo políticas
consistentes, tanto no relacionamento bilateral como multilateral.

Esta nova abordagem pressupõe, desde logo, que a mesma tenha uma
tradução em termos nacionais, sustentada nas responsabilidades históricas de
Portugal, em conformidade com os princípios da independência nacional, do
respeito pelos Direitos do Homem, da igualdade entre Estados, da solução
pacífica dos conflitos internacionais e da cooperação com todos os outros
Povos.

Impõe-se, num clima de estabilidade, prosseguir a reforma da Defesa Nacional


e das Forças Armadas, integrada numa visão estratégica global sustentada por
uma atitude diferente na gestão política e técnica das questões de Defesa.
Reafirma-se, também, a inadiável racionalização e optimização dos recursos
existentes, destacando a dignificação da condição militar, bem como a
consequente qualificação e valorização do factor humano.

Assumimos esta linha de rumo com base em seis eixos fundamentais, já


aprovados:

- a reforma dos documentos estruturantes da Defesa Nacional, com a


aprovação do novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional e do
novo Conceito Estratégico Militar. Estão calendarizados os trabalhos
relativos às Missões, Sistemas de Forças e Dispositivo;

- a execução e revisão da Lei de Programação Militar. Depois de dois


anos com as mais altas taxas de execução da LPM – 66% e 67% -, a
credibilidade interna e externa do reequipamento das Forças Armadas
tornou-se um dado reconhecido, cujo esforço tem de ser
prosseguido. Em 2004 deve fazer-se a revisão ordinária da LPM;

- a inversão do declínio financeiro das Forças Armadas, que nalguns


anos chegou a afectar a sua prontidão operacional. Os dois
orçamentos de Estado do XV Governo permitiram colocar as Forças
Armadas num melhor patamar de operacionalidade, garantindo o
cumprimento das missões que lhes estão constitucionalmente
consagradas e respeitando o compromisso do nosso Conceito
Estratégico, segundo o qual devemos recuperar o investimento nesta
área, aproximando-nos, progressiva e sustentadamente, da média
dos países europeus da OTAN. Perante as conhecidas necessidades
de contenção da despesa pública, foram tomadas medidas de
optimização e racionalização dos recursos financeiros, através da
criação de uma Central de Compras e a implementação de um
Sistema Integrado de Gestão. Os anos de 2004 e 2005 são
importantes para a solidificação destes dois projectos que garantem
ao MDN mais eficiência financeira e visibilidade organizacional;

- a profissionalização das Forças Armadas, que é objectivo


constitucional e legalmente imperativo. Tomadas as medidas
necessárias para melhorar a atractividade das Forças Armadas do
ponto de vista de celebração dos contratos suficientes para o efectivo
necessário – de que se destacam a melhoria salarial, a política de
incentivos, a saída profissional para a GNR e a organização do Dia da
Defesa Nacional -, é possível encarar a profissionalização como
objectivo realista. A 19 de Novembro de 2004 o modelo do Serviço
Militar Obrigatório termina; a constituição de Forças Armadas
profissionais passará a ser um desafio todos os anos, o que implica
sustentar a política actualmente seguida que nos aproximou de um
objectivo – a profissionalização – que muitos consideravam
impossível.

- a dignificação dos Antigos Combatentes, com a criação das condições


de aplicação da Lei 9/2002, de 11 de Fevereiro, que aprova o regime
de contagem de tempo de serviço prestado por antigos combatentes,
a sua regulamentação, o alargamento do seu âmbito de aplicação
pessoal através da Lei 21/2004, e a criação prevista do Fundo dos
Antigos Combatentes. Também a atribuição da Medalha do
Reconhecimento aos Ex-Prisioneiros de Guerra e a eliminação do
requisito da carência económica para a atribuição da respectiva
pensão, bem como o início das alterações em matéria de stress de
guerra, com vista a garantir maior eficácia à Rede Nacional de Apoio,
são outras políticas a prosseguir com empenho. A maioria política que
sustenta o XVI Governo Constitucional é exactamente a mesma que
tornou possível o reconhecimento, pelo Estado, do papel dos Antigos
Combatentes. Assim continuará a ser.

- a modernização e consolidação das indústrias da Defesa. O XV


Governo Constitucional recebeu, nesta matéria, uma situação muito
difícil. A nomeação de administrações de gestão profissional, a
melhoria da eficiência comercial, a reestruturação financeira e a nova
concepção organizativa das indústrias da Defesa, permitem ter, hoje,
uma situação muito mais positiva, nos resultados e nas expectativas.
O ano de 2004 é determinante para que se conclua, com sucesso, a
internacionalização das OGMA e a reforma do pólo tecnológico, que
podem e devem ser exemplos de competitividade e excelência.

Prosseguindo estes objectivos o Governo continuará:

- o reforço e a salvaguarda da coesão nacional, procurando um


consenso político tão vasto quanto possível numa política de Estado
que tem uma componente militar e componentes não militares como
é a da Defesa Nacional;

- o envolvimento, num esforço comum, dos vários órgãos de soberania


na prossecução da política de Defesa Nacional e das Forças Armadas,
que é estruturante da identidade nacional;

- a modernização das Forças Armadas, dotando-as de uma acrescida


capacidade operacional, capaz de fazer face aos cenários actuais e
futuros para cumprimento das missões constitucionalmente
consagradas;

- o desenvolvimento de iniciativas de mudança, nomeadamente em


antecipação à emergência de situações de crise;

- a normalização da situação financeira das Forças Armadas, por via da


regularização dos ressarcimentos financeiros que lhes são devidos, de
forma a permitir o cumprimento das missões prioritárias, tanto no
apoio à política externa do Estado, como em missões de interesse
público;

- a valorização das questões relacionadas com aqueles que, no âmbito


militar, serviram o País honradamente, como forma de
reconhecimento do Estado Português;

- a aplicação de critérios rigorosos de gestão financeira, eliminando as


duplicações e combatendo os desperdícios;

Importará terminar a reformulação, bem como a devida revisão, de alguns


documentos conceptuais e legais da Defesa Nacional e das Forças Armadas,
designadamente:

- missões Específicas das Forças Armadas;

- sistema de Forças Nacional;

- dispositivo de Forças;

- Lei da Defesa Nacional e das Forças Armadas;

- Lei Orgânica de Bases de Organização das Forças Armadas;

- revisão ordinária da Lei da Programação Militar e elaboração de uma


Lei de Programação de Infra-estruturas.
Esta reformulação ou revisão será acompanhada por uma reorganização da
estrutura superior da Defesa Nacional e das Forças Armadas, garantindo:

- a qualificação das competências dos diversos órgãos de soberania


que têm intervenção na política de Defesa Nacional;

- cumprir com o papel fiscalizador da Assembleia da República também


no que respeita a participação de contingentes militares portugueses
em Operações Humanitárias e de Apoio à Paz;

- a alteração das atribuições do Conselho Superior de Defesa Nacional


e revisão da sua composição, no sentido de garantir uma
representação parlamentar mais alargada;

- a reformulação do actual modelo orgânico da Defesa e das Forças


Armadas, de forma a corrigir duplicações, omissões e conflitos de
competências entre as estruturas do MDN, EMGFA e os Ramos;

- a adopção de doutrinas comuns numa perspectiva de acção conjunta


entre as diferentes estruturas militares.

Adequadas as Forças Armadas aos novos tempos, elas terão que responder às
missões que politicamente lhes estão confiadas, a saber:

- reagir contra ameaças ou riscos que ponham em causa o interesse


nacional;

- participar no sistema de defesa colectiva da Aliança Atlântica, com


especial atenção aos objectivos nacionais no quadro da NATO
Response Force;
- participar no desenvolvimento da Política Europeia Comum de
Segurança e Defesa, acompanhando com ambição projectos como o
da Agência Europeia de Defesa;

- participar em missões de apoio à política externa, de carácter


humanitário e de manutenção da Paz, quer no quadro nacional, quer
no quadro das Organizações Internacionais de que somos membros –
ONU, OTAN, UE e OSCE;

- manter o empenhamento nos projectos de Cooperação Técnico-


Militar com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, bem
como com Timor-Leste após a sua independência, potencializando a
sua eficácia;

- executar outras missões de interesse público, de que se destacam,


entre outras, as missões auxiliares no âmbito do combate a certos
tipos de criminalidade; a busca e salvamento; a fiscalização marítima
e o apoio na prevenção e combate aos incêndios, devidamente
enquadrado e planeado.

O cumprimento das medidas acima definidas, pressupõe o envolvimento


empenhado de toda a Nação, e exige outras medidas, a saber:

- a definição de mecanismos de cooperação e complementaridade


entre as Forças Armadas e as Forças de Segurança, nomeadamente
com as que apresentam natureza militar;

- a aplicação do novo regime de contagem do tempo de serviço militar


dos ex-combatentes para efeitos de aposentação e reforma, nos
termos das Leis nº 9/2002, de 11 de Fevereiro e 21/2004,
assumindo, como previsto, o primeiro pagamento até Outubro de
2004;
- a uniformização do regime de promoção aos quadros permanentes
dos deficientes das Forças Armadas;

- melhorar a eficácia da Rede Nacional de Apoio ao Stress pós-


traumático de guerra, garantindo um maior envolvimento das
associações representativas de Antigos Combatentes e que se
encontrem em condições de prestar autonomamente este tipo de
apoio;

- a consagração do conceito de gestão profissional do património das


Forças Armadas, dotando-o de instrumentos de maior eficácia jurídica
e financeira, e preparando a elaboração de uma Lei de Programação
de Infra-Estruturas, requalificando as infra-estruturas das Forças
Armadas para as adequar às exigências da vida moderna e em
particular às novas condições de prestação de serviço militar;

- a alteração do Estatuto Militar das Forças Armadas (EMFAR) de forma


a garantir um maior equilíbrio entre os vários ramos das Forças
Armadas, e garantir os direitos dos militares;

- a concretização do novo modelo de Forças Armadas plenamente


profissionais, com especial incidência sobre o recrutamento,
formação, instrução e reinserção na vida activa dos jovens
voluntários;

- a realização, como dever militar legalmente consagrado, do Dia da


Defesa Nacional dirigido a todos os cidadãos que atinjam a
maioridade;

- o desenvolvimento de medidas de apoio à mobilidade geográfica dos


militares em função das necessidades operacionais das Forças
Armadas;
- maior destaque, neste segundo ciclo da legislatura, para a valorização
do factor humano das Forças Armadas e para a resolução de
questões estatutárias e de carreiras, de modo a permitir que as
Forças Armadas se dotem de meios humanos em número e com
qualificação necessárias às missões que lhe forem confiadas;

- confirmar a definição de mecanismos transparentes de


relacionamento institucional com as associações profissionais
representativas dos militares;

- prosseguir a racionalização das indústrias de defesa, com vista à sua


afirmação no quadro da indústria nacional e da base industrial e
tecnológica europeia de defesa;

- a revisão, já planeada e prioritária, da política de contrapartidas, de


modo a que o Estado seja dotado dos instrumentos e da base
profissional necessárias ao aproveitamento das oportunidades criadas
com a LPM;

- a maximização das estruturas comuns ou de utilização comum,


avançando, nesta segunda metade da legislatura, com as reformas
necessárias e ponderadas na área do ensino militar e dos serviços de
saúde militares.
2. POLÍTICA EXTERNA

A actuação no domínio da política externa e das Comunidades Portuguesas


resultará, primacialmente, da preservação e valorização do nosso legado
histórico-diplomático, o qual confere uma natureza diversa e plural à nossa
política externa, e da dinâmica, flexibilidade e criatividade que nos permitem
interpretar e maximizar, em cada momento, o interesse nacional.

A actuação político-diplomática de Portugal desenvolver-se-á, assim, em torno


dos seguintes eixos estratégicos:

- o de reforçar o papel de Portugal como sujeito activo no processo de


construção europeia;

- o de reforçar a relação privilegiada com o espaço lusófono,


nomeadamente através da projecção de valores e interesses nos
PALOP, no Brasil e em Timor;

- o de privilegiar a ONU, a OTAN e a OSCE como instituições basilares


da arquitectura de segurança e defesa;

- o de aprofundar as relações bilaterais com os países vizinhos e os


parceiros estratégicos;

- o de reforçar a presença nas organizações internacionais;

- o de manter uma estreita ligação às Comunidades Portuguesas e aos


Estados que as acolhem;
- o de defender e afirmar a língua e a cultura portuguesas;

- o de promover uma diplomacia económica activa;

- o de rumar a uma diplomacia do século XXI.

TORNAR PORTUGAL UM SUJEITO ACTIVO NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO


EUROPEIA

A afirmação de uma forte presença portuguesa na Europa, assente na dupla


preocupação da defesa do interesse nacional com o aprofundamento e
aperfeiçoamento do processo de integração europeia, constituirá um objectivo
prioritário da política externa do Governo, que se empenhará em responder aos
principais desafios que se colocam neste momento à União Europeia e aos seus
membros no futuro próximo:

- a ratificação e entrada em vigor do novo Tratado Constitucional;

- a consolidação dos processos de alargamento;

- as novas perspectivas financeiras após 2006.

Em qualquer destas três matérias, que serão determinantes para a


configuração e futuro modo de funcionamento da União Europeia, Portugal irá
defender, de forma responsável e credível, os interesses nacionais, estando o
Governo empenhado em reforçar sempre mais a indispensável coordenação e
articulação interna, por forma a identificar e definir atempadamente as
prioridades nacionais em cada questão e a melhor estratégia a seguir,
antecipando situações e formulando propostas.
Na actual conjuntura mundial, a União Europeia representa um pólo de
estabilidade e progresso, fundamental para o desenvolvimento dos seus
Estados membros e para a harmonia nas relações internacionais. Concluído que
está o processo de reformas internas, é necessário que todos os Estados
membros ratifiquem agora o novo Tratado Constitucional para que a União
possa adoptar os novos processos de tomada de decisão que lhe permitam
funcionar eficazmente a 25.

O Governo empenhar-se-á, assim, em coordenação com os restantes órgãos de


soberania, numa célere conclusão do processo de ratificação do Tratado, bem
como no devido e completo esclarecimento da população sobre o alcance do
mesmo e das suas implicações, com vista à possibilidade de um referendo
sobre a matéria.

Portugal foi, desde sempre, um defensor empenhado do alargamento da União


Europeia. Integrar a União é um factor de estabilidade e desenvolvimento para
os seus membros, o que só poderá reforçar o espaço europeu no seu conjunto.
Apoiamos por isso a conclusão do processo de alargamento ao centro e leste
europeu com a adesão da Roménia e Bulgária, assim que concluídas as
negociações de adesão. Somos igualmente favoráveis ao início de negociações
com a Croácia e à marcação de uma data para o início das negociações com a
Turquia, caso se confirme o cumprimento dos critérios de Copenhaga.

Os custos do alargamento deverão ser assumidos equitativamente. A melhoria


virtual dos indicadores económicos do país, por via da adesão de países com
rendimentos per capita inferiores à média comunitária, impõe uma redefinição
do conceito de "coesão" que induza a manutenção de graus de apoio por parte
da União Europeia. Portugal terá já um desafio acrescido com a adesão dos
novos Estados membros, dado o perfil das respectivas economias.
Na recente Conferência Intergovernamental, Portugal defendeu, com sucesso,
que a coesão e a solidariedade económica e social ficassem bem explícitos no
novo Tratado como um dos objectivos da União, pelo que advogaremos agora
que tal conceito tenha uma tradução prática nas novas perspectivas financeiras.
Por outro lado importa igualmente que o novo orçamento comunitário espelhe
fielmente as novas obrigações da União. Não podemos aumentar
simultaneamente as responsabilidades e exigências da União e depois manter
ou mesmo reduzir o orçamento comunitário.

O Governo será ainda um defensor empenhado da aplicação da Estratégia de


Lisboa, como o melhor modelo para fazer face aos desafios colocados pela
globalização e pelas mudanças tecnológicas, conciliando simultaneamente um
aumento da produtividade e competitividade das economias dos Estados
membros, com um maior desenvolvimento económico e bem-estar social.

A União Europeia constitui igualmente um poderoso factor de afirmação


portuguesa no mundo. Importa continuar a dinamizar a nossa participação na
formulação da Política Externa e de Segurança Comum, intervindo não apenas
nas áreas tradicionais de interesse nacional – África, América Latina, Timor,
Mediterrâneo –, mas também noutras regiões como a Europa de Leste, Balcãs,
Cáucaso e Ásia Central. Haverá que cruzar as abordagens regionais com os
conteúdos temáticos de reconhecida importância para Portugal, como são os
casos dos direitos humanos, de boa governação, do desenvolvimento
sustentado e das questões ambientais. A política europeia de ajuda ao
desenvolvimento deverá contemplar adequadamente os países de língua oficial
portuguesa.

O Governo procurará ainda acompanhar e participar de forma activa nos


desenvolvimentos registados na Política Europeia de Segurança e Defesa, com
a criação de uma Agência Europeia de Defesa e a condução, por parte da
União, de um número cada vez maior de operações de cariz militar.
Manteremos desde já uma participação empenhada, política e militarmente, na
operação Althea, que sucedeu à operação SFOR da NATO na Bósnia
Herzegovina.

REFORÇAR A RELAÇÃO PRIVILEGIADA COM O ESPAÇO LUSÓFONO

A valorização e o aprofundamento dos estreitos laços que nos unem ao mundo


lusófono passará necessariamente, para além do contínuo estreitamento das
relações bilaterais com os seus membros, pela dinamização da Comunidade de
Países de Língua Portuguesa, através da prossecução de uma política de
"empenhamento criativo".

A este respeito importa continuar a estimular:

- o aperfeiçoamento do Secretariado Executivo e a promoção da


reforma da organização, por forma a revitalizar e tornar mais
eficiente a sua actuação;

- o aproveitamento pleno do recém constituído Fórum Empresarial da


CPLP que deverá servir também para aumentar o relacionamento
económico e comercial entre os países membros;
- a dinamização da actividade do Instituto Internacional de Língua
Portuguesa e a utilização do português como língua de trabalho em
várias organizações internacionais;

- o reforço da concertação política e diplomática dos "oito" nos fora


internacionais.

No plano do relacionamento bilateral procurar-se-ão reforçar os laços de


cooperação e amizade entre os estados e povos, privilegiando uma actuação a
três níveis: concertação político-diplomática, cooperação e promoção da língua
portuguesa. Será ainda dada particular atenção à consolidação da paz em
Angola, à estabilização política em São Tomé e na Guiné-Bissau, e ao
crescimento económico e social em Cabo-Verde e Moçambique.

Manter-se-á igualmente o compromisso do Estado português para com Timor-


Leste, nomeadamente no respeitante à assistência para o esforço de
construção nacional.

Estreitar-se-á, também, o nosso relacionamento bilateral com o Brasil tanto nos


planos político e cultural como económico.

Será também uma prioridade o apoio e o desenvolvimento de projectos nas


áreas da educação e da língua, da saúde e da formação profissional, que
possibilitem a criação de condições de base para o desenvolvimento. Estimular-
se-ão as sinergias entre cooperação pública e privada, nomeadamente escolas,
ONG's e o mundo empresarial.

PRIVILEGIAR A ONU, OTAN E OSCE COMO INSTITUIÇÕES BASILARES DA


NOSSA ARQUITECTURA DE SEGURANÇA E DEFESA

Os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 e 11 de Março de 2004


provaram que a segurança e a defesa não devem ser entendidas unicamente
numa perspectiva militar. Efectivamente, os desafios que se colocam hoje em
dia à paz e estabilidade mundiais devem privilegiar uma abordagem
multifacetada e plural de acção política.

O fenómeno terrorista e a proliferação de armas de destruição maciça são, hoje


em dia, as maiores ameaças à nossa sociedade e ao nosso modo de vida.
Torna-se por isso fundamental desenvolver políticas, a um nível global, capazes
de lidar de forma preventiva e efectiva com estas ameaças.
A Organização das Nações Unidas deverá ser assim o areópago privilegiado
para enfrentar estas ameaças e assegurar a paz e estabilidade, porquanto
permite respostas globais a problemas comuns. Contudo o multilateralismo para
ser produtivo tem de ser eficaz, pelo que o Governo procurará contribuir para
uma real implementação das resoluções das instâncias decisoras das Nações
Unidas.

No âmbito desta organização o Governo procurará ainda assegurar que na


agenda internacional seja conferida particular atenção às camadas
populacionais mais desfavorecidas e vulneráveis, incluindo as crianças, a
terceira idade e as pessoas com deficiências, assim como pugnará por acções
decididas no combate às pandemias, tais como a SIDA, tuberculose e malária.

A OTAN permanecerá uma instituição de referência na defesa colectiva, visto


tratar-se de uma organização que dispõe de garantias de solidariedade
consagradas no artigo 5.º do Tratado. O progressivo alargamento das
operações ‘out of area’ faz igualmente da Aliança uma instituição cada vez mais
importante para a paz e estabilidade mundiais.

A OSCE desempenha igualmente um papel importante no campo da diplomacia


preventiva, na concertação de posições e na solução de conflitos pela via
negocial.

O Governo considera também que a segurança se garante através de políticas


que promovam activamente o avanço da democracia, Estado de direito, a boa
governação, o respeito pelos direitos humanos, a igualdade do género, e o
desenvolvimento económico e social da população mundial.
APROFUNDAR AS RELAÇÕES BILATERAIS COM OS PAÍSES VIZINHOS E OS
PARCEIROS ESTRATÉGICOS

Sendo a Espanha o único vizinho terrestre, as nossas relações bilaterais devem


ser objecto de particular atenção. É fundamental maximizar as sinergias criadas
pela intensificação das relações políticas, económicas e culturais entre os dois
países, identificando convergências de interesses conjunturais e estruturais e
procedendo à sua valorização no quadro de uma relação peninsular equilibrada.

A dimensão mediterrânica da nossa política externa será igualmente valorizada,


tendo em vista a consolidação de uma zona de paz, estabilidade, liberdade e
prosperidade na região. Destaca-se a este respeito o relacionamento com os
países do Magrebe, em particular Marrocos, com o qual se realizam cimeiras
periódicas.

No contexto do Médio Oriente o Governo procurará contribuir activamente a


resolução do Processo de Paz no Médio Oriente, apoiando para esse efeito os
esforços desenvolvidos pelo Quarteto. Neste âmbito manteremos ainda o nosso
empenho na efectiva democratização, estabilização e desenvolvimento
económico e social no Iraque.

Actualizar e dinamizar a vertente transatlântica da nossa política externa


através do relacionamento com os Estados Unidos é uma prioridade, já que a
posição central dos EUA no xadrez mundial exige uma relação de estreita
articulação, a cultivar também nos diversos fora internacionais. Para além da
dimensão bilateral, o Governo procurará ainda estreitar no seio da União
Europeia a parceria estratégica com os Estados Unidos, potenciando a
‘comunidade de valores’ existente entre as duas margens do Atlântico.

A Região Administrativa Especial de Macau será objecto de particular atenção à


luz dos acordos celebrados com a República Popular da China. A relação
especial com a RAEM deverá ser potencializada, também no sentido de
estimular e aproveitar as oportunidades de que a adesão da RPC à OMC é
exemplo. Ainda no continente asiático, a Índia e o Japão constituem países-
chave com os quais importa aprofundar e desenvolver o relacionamento
bilateral.

REFORÇAR A PRESENÇA NAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

A importância das organizações internacionais, reflectida nas progressivas


delegações de competências dos Estados para essas mesmas organizações,
implica que Portugal desempenhe nelas uma participação activa. A defesa do
interesse nacional passará por continuar a pugnar por:

- uma desejável participação de Portugal e de portugueses nos órgãos


de decisão;

- a promoção, a nível externo e interno, de uma política coerente e


activa de apoio ao ingresso e ascensão de altos funcionários
portugueses nas instituições e organismos europeus e mundiais;

- a realização de iniciativas internacionais de relevo.

MANTER UMA ESTREITA LIGAÇÃO ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS E AOS


ESTADOS QUE AS ACOLHEM

Reconhecendo que as comunidades portuguesas dispersas pelo mundo são um


vector fundamental da política externa, o Governo empreenderá acções que
privilegiem a integração social, política e cívica dos cidadãos nacionais nos
países em que residem, aproveitando igualmente este ‘activo’ na identificação
de oportunidade de negócios e na estratégia de internacionalização da
economia portuguesa.
Serão reforçados e valorizados os elos de ligação dessas comunidades e, muito
especialmente, dos luso-descendentes com Portugal, através do ensino da
língua, da promoção da cultura e valorização do património e do apoio aos
meios de comunicação social vocacionados para os cidadãos nacionais
residentes no estrangeiro.

A continuação da reorganização e modernização dos serviços de apoio e a


requalificação da rede consular serão meios de aproximar e melhorar a ligação
às comunidades.

O Governo atribuirá particular atenção à defesa dos direitos dos cidadãos


nacionais no estrangeiro e desenvolver-se-ão programas na área sócio-
económica de apoio aos portugueses mais carenciados e mais idosos e aos
mais expostos a situações de crise.

DEFENDER E AFIRMAR A LÍNGUA E A CULTURA PORTUGUESAS

A identidade nacional face à globalização e ao processo de integração europeia


afirma-se através de factores culturais e da defesa da língua portuguesa.

Será privilegiada a coordenação e a convergência das políticas culturais


promovidas por diversos departamentos ministeriais, de forma a criar sinergias,
a optimizar a gestão daquelas políticas no exterior e a contribuir para o desígnio
nacional de afirmação da língua e da cultura portuguesas.

PROMOVER UMA DIPLOMACIA ECONÓMICA ACTIVA

Uma intervenção diplomática que suporte a promoção externa da economia


portuguesa, nomeadamente na detecção e exploração de oportunidades nos
domínios do comércio externo, do investimento estrangeiro e da
internacionalização das empresas portuguesas permanecerá uma das
prioridades do Governo português.

Para esse efeito estreitar-se-á a articulação dos organismos e estruturas do


Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério das Actividades
Económicas e do Trabalho com a rede de representação externa do Estado na
identificação de oportunidades de negócio e na promoção das empresas e
produtos nacionais.

Tendo em vista o reforço da cooperação económica e empresarial com os


países de língua oficial portuguesa, merecerá especial atenção a criação de
parcerias entre a iniciativa empresarial e o Estado Português, em particular
através do Fórum Empresarial da CPLP.

RUMAR A UMA DIPLOMACIA DO SÉCULO XXI

Subjacente à modernização da acção externa está a adequação das estruturas


do Ministério dos Negócios Estrangeiros às novas realidades. Neste contexto, e
dada a pluralidade de matérias que são abordadas nos fora internacionais,
assume especial importância a coordenação inter-ministerial que prepare e
sustente as posições nacionais. Por outro lado, a constante mudança e a
emergência de novos desafios obrigam a uma política externa dinâmica e
consistente, capaz de antecipar e responder em cada momento às exigências
da política internacional. Torna-se, assim, fundamental desenvolver
capacidades de planeamento político, alerta precoce e gestão de crises, que
projectem a nossa actuação no mundo.
3. ADMINISTRAÇÃO INTERNA

Uma sociedade livre e democrática pressupõe a realização de uma política de


segurança que assegure o exercício pleno da cidadania, como garantia da
liberdade e postulado fundamental do Estado de Direito.

Para tal, é imprescindível a percepção da existência de um novo quadro de


ameaças internas e externas, potenciado pelos recentes acontecimentos
internacionais.

Até à entrada em funções do XV Governo, eram evidentes manifestações de


enfraquecimento da autoridade do Estado, a par do aumento da intranquilidade
pública, bem como de uma certa banalização da desobediência civil, traduzida
numa proliferação de protestos não autorizados, de bloqueios das vias públicas
e de boicotes eleitorais.

Por força de tudo isto, questionava-se a autoridade do Estado sempre que os


seus órgãos ou agentes tinham de actuar, quer ao nível da prevenção, quer ao
nível da repressão dos acontecimentos ilícitos, acentuando-se a desconfiança na
justiça e nos valores essenciais, numa corrida vertiginosa em direcção a uma
enfatização das questões relativas à insegurança.

Ora, se essa tendência foi invertida com a acção meritória e determinada do XV


Governo, impõe-se que as orientações políticas do Governo para este sector,
antes de mais, recoloquem a segurança no seu lugar próprio, enquanto valor
essencial de uma sociedade democrática e factor imprescindível para o
desenvolvimento social e económico do País.

Neste quadro importa definir prioridades e a adopção das medidas necessárias


para que se desenvolva uma estratégia de segurança proactiva e não reactiva.
Por isso a prossecução de uma política de segurança interna eficaz na
manutenção da ordem e tranquilidade pública, na prevenção e no combate a
todos os tipos de criminalidade e na salvaguarda dos direitos, liberdades e
garantias dos cidadãos, implica que se prossiga a reposição do prestígio e da
autoridade do Estado e se confiram os meios e os instrumentos adequados para
a consecução de tal finalidade.

Para este desafio importa ter presente que a segurança dos cidadãos começa
pelo exercício pleno dos direitos de cidadania, no respeito pela lei e na
transmissão de valores fundamentais, designadamente em áreas como a
educação e a integração social das minorias.

A segurança é, em primeira linha, uma responsabilidade colectiva assumida


pelo Estado, mas também um direito e um dever de cada cidadão.

Daí que seja impreterível instituir ligações sólidas e institucionais das Forças de
Segurança e dos seus agentes à sociedade civil, sejam elas de natureza pública
ou privada, através de encontros conjuntos e contactos permanentes.

No âmbito de uma política eficaz de segurança, afigura-se ainda necessário


proceder a uma correcta ponderação do actual Sistema de Informação da
República (SIRP), sempre numa lógica de reforço do sistema democrático face
a ameaças de carácter transnacional, que são cada vez mais complexas e que
requerem uma detecção atempada de eventuais focos de perigosidade, no
quadro de uma democracia consolidada como a nossa.

Importa, também, aperfeiçoar e intensificar, em reciprocidade, a cooperação


policial no âmbito do terceiro pilar da União Europeia – especialmente no
quadro do novo Espaço Europeu de Liberdade, Segurança e Justiça – no
combate à criminalidade e ao terrorismo internacional.

Do mesmo modo se torna necessário desenvolver a cooperação com as


instâncias europeias no âmbito da política de imigração.

No domínio da segurança, o Governo tem em vista:

- a adopção de políticas de prevenção da insegurança e da


delinquência, designadamente através de programas nas áreas da
educação, da ocupação dos tempos livres e da prática desportiva;

- a definição de medidas concretas que garantam uma eficaz


articulação entre as forças de segurança no combate ao crime,
designadamente a nível da coordenação orgânica, e a efectivação de
acessos ao já criado sistema integrado de informação criminal, por
parte das autoridades com competência de investigação;

- a orientação estratégica e a preparação das Forças de Segurança


para o combate aos principais tipos de criminalidade que afectam a
segurança dos cidadãos nas áreas onde se verificam maiores índices
de violência e perigosidade;

- a aprovação de uma lei de reorganização das Forças de Segurança,


clarificando o seu estatuto, consagrando o regime dual – natureza
militar da GNR e natureza civil da PSP;

- a introdução de critérios de avaliação de mérito na gestão da Forças


de Segurança e a melhoria das condições de exercício das respectivas
funções, incluindo a previsão de compensações pelas situações de
risco;

- a consagração de uma estratégia global para a modernização e o


reequipamento das Forças de Segurança, dotando-as de meios
tecnológicos actuais, por forma a que possam prevenir e reprimir a
criminalidade;
- a substituição dos elementos das polícias que realizam tarefas de
natureza administrativa por funcionários civis, permitindo a sua
afectação a tarefas de natureza exclusivamente policial;

- o desenvolvimento de políticas de proximidade, orientando a


actividade policial para a resolução dos problemas dos cidadãos;

- o incremento de medidas de erradicação da violência em


espectáculos desportivos, mormente a da responsabilidade de grupos
organizados;

- o desenvolvimento da implantação e o reforço da intervenção das


Polícias Municipais e a sua correcta articulação com a PSP e a GNR,
libertando, também por essa via, estas forças de tarefas locais
burocráticas, bem como da segurança a determinados edifícios e
fazendo-as intervir em programas específicos destinados à acção dos
polícias junto das escolas e de grupos determinados de cidadãos;

- o reforço da cooperação, ao nível da segurança, com a União


Europeia e com os países de língua oficial Portuguesa, bem como da
participação nas forças internacionais e de manutenção da paz no
quadro da União Europeia e das Organizações Internacionais de que
Portugal seja membro.

No que concerne ao Serviço de Informações de Segurança, a sua dignificação,


no quadro da necessária reavaliação do SIRP, passa pela implementação de
uma estratégia que, por um lado, permita a adopção de um conjunto de
medidas que restabeleçam a credibilidade e a dignidade destes serviços e, por
outro, lhes confira meios e instrumentos adequados ao contexto internacional
actual e às novas ameaças que o mundo enfrenta.
No âmbito da Protecção Civil e Bombeiros, o Governo considera necessário
assegurar:

- uma eficaz coordenação dos meios e estruturas postos à disposição


da Protecção Civil;

- a programação, com a necessária antecedência, de um conjunto de


medidas de prevenção dos fogos florestais;

- o apetrechamento dos bombeiros com equipamentos adequados e a


garantia da sua articulação com as Forças Armadas, com o recurso
aos meios de combate aos fogos florestais;

- a adequada cobertura social dos bombeiros, a sua formação


profissional e especializada, estimulando e incentivando o
voluntariado;

- o apoio à criação de um órgão coordenador dos serviços de protecção


civil a nível da União Europeia, com a missão de proceder à avaliação
permanente e actualizada de riscos e à canalização de ajudas em
situação de catástrofe em qualquer Estado membro.

No âmbito da Prevenção Rodoviária, o Governo preconiza:

- a estreita cooperação entre os departamentos responsáveis pela


Administração Interna e Obras Públicas e os Transportes,
promovendo uma política integrada de prevenção e segurança
rodoviária particularmente orientada para as principais causas de
sinistralidade;

- a continuação da implementação das acções previstas no Plano


Nacional de Prevenção Rodoviária;

- a eliminação progressiva dos chamados "pontos negros" na rede


viária nacional, com vista a reduzir a sinistralidade rodoviária.

Importa, por último, enumerar princípios orientadores da política de imigração


do XVI Governo, ainda que de forma não exaustiva, a saber:

- a adopção de uma política de admissão baseada em critérios sociais e


não apenas económicos, favorecendo o reagrupamento familiar;

- a consagração de um limite anual do número de imigrantes oriundos


de países não comunitários que podem entrar em Portugal, que
deverá ser compatível com a sua capacidade de integração na
sociedade portuguesa;

- a adopção de uma política eficaz de combate às redes de imigração


clandestina;

- a celebração de acordos bilaterais entre o Estado Português e os


Países de origem, por forma a regular os fluxos migratórios e a co-
responsabilizar os governos dos Estados envolvidos no combate às
redes de imigração clandestina e imigração ilegal;

- a gestão adequada de postos e agências consulares, ou de equipas


especializadas nos países onde já existam aquelas representações,
para, em colaboração com as autoridades locais, se proceder à
fiscalização dos fluxos migratórios desde a sua origem, com a
consequente celebração de acordos bilaterais.
4. JUSTIÇA

O Governo, numa linha de continuidade, desenvolvimento e aprofundamento do


programa e da acção política do XV Governo Constitucional, valora como
prioritária a política de justiça.

Neste contexto serão prosseguidas e aprofundadas as amplas reformas levadas


a cabo pelo Executivo anterior, obedecendo a dois pilares estratégicos: um, de
índole política, o outro, de natureza administrativa.

O primeiro pilar, assumidamente político, visa criar as condições para reforçar a


legitimidade e a confiança em todos os patamares do sistema judicial, as quais,
em virtude do crescimento exponencial da procura de tutela jurisdicional e dos
mais variados factores sociológicos e até civilizacionais, se encontram fragiliza-
das. Neste domínio, e com integral respeito pela separação dos poderes,
revestirá especial importância a acção política dirigida à concertação
institucional entre todos os actores do poder judicial e do sistema de justiça.

O segundo pilar, com repercussões administrativas directas, assenta numa


política que privilegiará a «celeridade» como desígnio programático. Celeridade
processual, ao nível jurisdicional; celeridade procedimental, ao nível da
actividade administrativa do sector da justiça. Uma parte substancial dos
estrangulamentos do sistema judicial e até da sua «crise de legitimidade»
resultam apenas da morosidade. Na verdade, muitos dos problemas assacados
ao regime jurídico de certas matérias (processo penal, execução por dívidas,
dinâmica de criação e extinção de empresas) não são mais do que sequelas da
lentidão e morosidade da justiça. Todas as medidas que possam acelerar,
agilizar e flexibilizar processos e procedimentos darão, pois, um contributo ines-
timável não só em sede de funcionamento e eficácia do sistema, mas outrossim
no quadro da modernização da economia e até no plano mais fundo da
legitimação da justiça portuguesa.
Os objectivos centrais do Governo são, pois, os de continuar a política de
modernização da Justiça. Torná-la mais acessível aos cidadãos e mais adequada
às necessidades das empresas, mais célere e ágil. Reforçar as interligações e
ganhos de produtividade advindos da informatização em curso. Reformar os
sectores mais obsoletos e menos adaptados às necessidades da vida moderna.
Instituir normas de produtividade e de eficiência, de simplificação processual,
de reforço das garantias dos cidadãos e da responsabilização do Estado pela
administração da Justiça.

Assim:

- persistir-se-á na adopção de medidas de emergência destinadas a


reduzir o número de pendências, avaliando e ponderando os re-
sultados obtidos com a denominada “Bolsa de Juizes”. Na medida do
possível, serão criados mais novos juízos ou secções extraordinárias e
temporárias, em ordem a aliviar o serviço dos já existentes. O
Governo mantém a disposição de alargar as possibilidades de recurso
a assistentes judiciais;

- o Governo conservará uma enorme determinação na criação e reforço


de todos os instrumentos alternativos de resolução de conflitos;

- o Governo ponderará também, em diálogo com os diferentes actores


da justiça e em respeito pelas garantias constitucionais, a redução
dos âmbitos de competência dos tribunais de recurso, no sentido de
os reservar para os litígios de maior importância humana, económica
e social. Ao que acrescerá também um programa de redefinição e
requalificação do mapa judicial, visando adequar as circunscrições ao
volume da chamada «procura judicial».
Para a prossecução destes objectivos, terá de se manter o enorme esforço de
revisão do modelo de financiamento da justiça, tendo em conta as
especificidades do sector.

Reforçar-se-á, pois, a capacidade do sistema judicial através da adopção e/ou


execução das seguintes medidas:

- aumento e requalificação do parque judicial existente;

- reforço do recrutamento e da formação de novos magistrados, quer


para acorrer às necessidades geradas pela criação de novos juízos ou
secções, quer para preencher as vagas abertas pela instalação de
novos tribunais (com especial ênfase na área da jurisdição
administrativa e fiscal);

- aposta na instalação de assessorias técnicas e dos secretariados de


apoio aos juízes;

- criação de mecanismos que libertem os juízes da prática de actos


meramente burocráticos;

- reforço dos poderes procedimentais dos secretários judiciais;

- reforço da política de qualificação e formação contínua dos técnicos


de justiça na área processual e das novas tecnologias e redefinição
das exigências mínimas para preenchimento de lugares abertos nos
quadros dos tribunais;

- desenvolvimento e a ultimação da informatização dos tribunais e a


sua ligação em rede, entre si e aos restantes sistemas do sector da
Justiça;
- continuação da reforma da acção executiva, desencadeada pelo Dec.-
Lei n.º 38/2003, de 8 de Março, e por toda a legislação subsequente,
submetendo-a a uma constante avaliação dos seus resultados;

- aumento dos meios de recurso a formas não jurisdicionais de


composição de conflitos, incentivando a mediação, a conciliação e a
arbitragem;

- implementação do projecto, já em fase adiantada de preparação, do


alargamento das competências dos julgados da paz.

A qualificação do sistema de acesso à Justiça permanece um desígnio central


do Governo, que aproveitará todo o esforço desenvolvido pelo anterior
Executivo.

Assim, e no quadro da proposta de lei já aprovada, serão proporcionadas todas


as condições que sejam necessárias ao funcionamento do Instituto de Acesso
ao Direito.

Neste domínio, prosseguir-se-á o esforço de redução da complexidade do nosso


quadro legislativo e, bem assim, de «democratização» do acesso à informação
jurídica, designadamente através do aproveitamento da aposta no chamado
«governo electrónico».

O Governo continua a considerar fundamental a modernização das áreas de


administração da Justiça vocacionadas para as empresas. Haverá, pois, o maior
empenho no acompanhamento do início de vigência do Código da Insolvência e
Recuperação de Empresas e da legislação complementar, promovendo-se as
medidas regulamentares e executivas necessárias à sua boa aplicação.
Em sede de legislação económica, conservar-se-ão os trabalhos de preparação
de revisão do Código das Sociedades Comerciais e do Código do Registo
Comercial.
Preconiza-se ainda a consolidação e desenvolvimento da experiência dos
tribunais de comércio, de molde a torná-los gradualmente no foro especializado
para as questões de natureza económica.

No que se refere ao funcionamento do sistema de justiça, o Estado Português


não se pode eximir da sua responsabilidade perante o seu defeituoso
funcionamento, matéria que já deu origem a variadas condenações no Tribunal
Europeu dos Direitos do Homem. Renovará, por isso, as iniciativas legislativas
que se mostrem adequadas a este efeito.

O Governo considera necessário fazer avançar a reforma do regime de


responsabilidade civil do Estado por actos praticados pelos seus órgãos,
serviços ou agentes, pelo que, com base na proposta existente e no amplo
debate entretanto travado, promoverá as cabidas iniciativas legislativas.

Estando já em vigor a profunda reforma do contencioso administrativo e sendo


possível fazer uma primeira avaliação do seu impacto, o Governo empenhar-se-
á em dotar os respectivos tribunais dos meios humanos e logísticos
indispensáveis ao seu cabal e regular funcionamento.

Noutro plano, o Governo concluirá a decisiva reforma da privatização do


notariado, sempre ressalvando a garantia de acessibilidade universal a esse
serviço público.

É convicção do Governo que existem já sinais – e rapidamente se intensificarão


– de que é este o modelo que melhor concretiza as exigências de celeridade,
eficiência e modernização, sem prejuízo da indispensável fé pública dos actos
notariais.
Será prosseguida a informatização das conservatórias e criadas novas
conservatórias nos locais onde o atraso do serviço e o crescimento do mesmo
revele a necessidade de reforço dos meios existentes, com especial atenção à
criação, sempre que tal se justifique, de novas conservatórias de registo
comercial.

Seguirão o curso já iniciado o processo de informatização do sector de registos


em conexão com os cartórios notariais e com os tribunais e promover-se-á
também o processo de microfilmagem dos registos ainda existentes em livros.

Prosseguir-se-á o esforço de desenvolvimento e qualificação das experiências


iniciadas com as lojas do cidadão e com os centros de formalidades de
empresa, tendo em vista a desburocratização e a simplificação do
relacionamento entre a Administração, o cidadão e as empresas.

No domínio da política criminal, o entendimento do Governo conserva intocados


os critérios do Governo anterior: aos órgãos de soberania – Assembleia da
República e Governo – compete, no quadro dos seus poderes, a definição da
política criminal; ao Ministério Público cabe, no respeito pela sua autonomia,
participar na sua execução.

São estes os princípios que balizarão a acção do Governo neste domínio,


devendo cada qual – órgãos de soberania e Ministério Público – agir em
conformidade, assumindo, na plenitude, os seus poderes e responsabilidades
constitucionais.

Na sequência das muitas acções já empreendidas, o Governo privilegiará a


vocação humanista da sua política, tutelando os interesses das vítimas de
crimes, a eficácia do combate ao crime, a salvaguarda dos direitos dos
arguidos, a humanização do sistema prisional e a eficiência do sistema de
reinserção social.
O apoio às vítimas de crimes, já muito presente na política governamental
anterior, será reforçado, privilegiando uma articulação estreita com as
instituições de solidariedade social. Será dada especial atenção à revisão do sis-
tema de indemnização das vítimas de crimes, em curso no plano europeu.

A prioridade assinalada ao sistema prisional será mantida. Levar-se-á a cabo


uma programação calendarizada da construção de novas prisões, projectadas
em moldes que tenham em atenção os fins a que se destinam e a humanização
da vida dos reclusos. Serão, igualmente, reforçados os meios dos centros
penitenciários de alta segurança.

A questão das medidas preventivas merecerá especial cuidado do Governo,


devendo ser postos em prática os mecanismos que permitam a separação da
população prisional de diferente perigosidade, com especial preocupação para
os reclusos mais jovens que, excepcionalmente, devam ser objecto de medidas
preventivas de privação de liberdade.

Ainda no domínio da delinquência juvenil o Governo considera que é necessária


a revisão do actual quadro normativo aplicável, à luz das novas realidades
emergentes das diversas formas de criminalidade.

O Governo dará, portanto, sequência às medidas seguintes:

- aprofundamento da introdução das medidas preventivas alternativas


à privação provisória de liberdade, seja pela continuação do
programa de vigilância electrónica, seja pela promoção das
necessárias alterações no domínio penal e processual penal;

- desenvolvimento do regime prisional hospitalar, o qual deverá ser


estruturado de acordo com as conclusões das comissões
interministeriais criadas para o efeito (com especial ênfase na
situação dos reclusos toxicodependentes);
- conclusão do programa de articulação integrada e adequada do
Instituto de Reinserção Social com os tribunais;

- revisão da lei de execução de penas e da lei orgânica dos


correspondentes tribunais, aproveitando o estado adiantado da
actividade dos dois Grupos de Trabalho;

- alteração do regime do segredo de justiça, no sentido da restrição do


seu âmbito, de acordo com as alterações a prover nos ordenamentos
penal e processual penal;

- despenalização da área das transgressões, que deverão passar a


contra-ordenações, de acordo com os estudos ainda em curso.

Finalmente, na vertente externa, o Governo dará uma particular atenção ao


reforço da cooperação judicial no quadro do espaço europeu de liberdade,
segurança e justiça (3º pilar da União Europeia) e à cooperação com os Estados
membros da CPLP.
5. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Pilar fundamental e estruturante do Estado Democrático, a Administração


Pública traduz-se numa prioridade de acção do XVI Governo Constitucional,
aproveitando o trabalho desenvolvido nesta matéria pelo Governo anterior.

Pretende-se uma Administração Pública que desenvolva a sua acção orientada


pelo primado da cidadania, dirigida para o serviço ao cidadão, fundada nos
valores do serviço público e na ética da responsabilidade. Uma Administração
Pública que aposte no primado do mérito, na definição de objectivos e na
avaliação dos resultados;

Por isso, é imperativo aprofundar uma cultura de ética e de serviço público,


prestigiar a missão da Administração Pública e os seus agentes e orientar a sua
actuação de acordo com critérios de rigor e de excelência.

Constituem princípios fundamentais da acção governativa no domínio da


Administração Pública:

- garantir os direitos de cidadania, assegurando o primado da


igualdade dos cidadãos perante a lei e o respeito pelo princípio da
proporcionalidade;

- assegurar o respeito pelos princípios da legalidade, da justiça, e da


oportunidade;

- prosseguir a transparência, criando mecanismos que permitam aos


cidadãos conhecer com clareza os seus direitos e deveres para com a
Administração Pública;
- estabelecer processos de decisão céleres que permitam a resolução,
em tempo útil, das situações colocadas pelos cidadãos e criem no
público a confiança no funcionamento da Administração Pública;

- promover o respeito e a valorização da missão de serviço público;

- actuar com rigor e eficácia, rendibilizando a utilização dos recursos


públicos.

São assim objectivos a prosseguir pelo XVI Governo Constitucional:

- dignificar a missão da Administração Pública e o exercício da função


pública pelos seus agentes;

- criar uma Administração Pública eficiente capaz de gerir com eficácia


os recursos públicos, mobilizadora de iniciativas e aberta às
exigências da sociedade;

- aproximar a Administração dos cidadãos, prestando um serviço de


qualidade e facilitando o acesso dos cidadãos à informação;

- simplificar os procedimentos, impedindo a burocratização e circuitos


de decisão complexos e pouco transparentes, reduzindo os custos e
encurtando os tempos de resposta.

É neste âmbito que cabe definir sem ambiguidades, o papel do Estado, a sua
dimensão e funções. Importa pois:

- delimitar as funções que o Estado deve desenvolver directamente


daquelas que, com vantagem para o cidadão, melhor podem ser
prosseguidas de forma diferente;
- reservar para o Estado as funções essenciais de serviço público, como
são as que envolvem o exercício do poder de autoridade, funções de
regulação, auditoria e fiscalização;

- externalizar para a sociedade civil as funções que possam ser


desenvolvidas desse modo, nomeadamente através de parcerias ou
de contratos de gestão;

- dinamizar mecanismos de mercado, nomeadamente subcontratação,


adjudicação, cedência e privatização, nas actividades de carácter
instrumental;

- descentralizar e desconcentrar a actividade administrativa;

- reduzir os níveis hierárquicos, promover a desburocratização dos


circuitos de decisão, a melhoria dos processos, a colaboração entre
serviços, a partilha de conhecimentos e a correcta gestão da
informação;

- evitar excessivas departamentalizações que acabam por ser uma


fonte de pressão para o crescimento de efectivos;

- descontinuar as funções que deixaram de ter sentido útil, evitar a


proliferação de organismos e a duplicação de competências.

É também neste contexto que se funda a prioridade dada por este Governo à
formação e qualificação dos Funcionários e Dirigentes, agentes do desempenho
e organização preconizados. Assim, entende-se como essencial:

- a promoção de uma cultura de Administração Pública fundada na


ética e no aprofundamento dos valores de serviço público, apostando
no mérito, no incentivo ao desempenho individual e colectivo, na
responsabilidade e na responsabilização, na definição de objectivos e
subsequente avaliação dos seus resultados;

- a valorização dos recursos humanos através do reconhecimento do


mérito individual, de oportunidades de aperfeiçoamento profissional e
pelo estímulo à participação activa e responsável na satisfação do
bem comum;

- a necessidade de alterar o processo decisório e de responsabilização


dos dirigentes da Administração Pública para o que se impõe passar
de uma Administração de procedimentos e de despesa para uma
Administração de responsabilidade, de iniciativa e de resultados.

Sendo os serviços de recepção e atendimento verdadeiras “vitrinas” do


funcionamento da Administração Pública, e encontrando-se concluído, ao nível
dos Ministérios, a identificação dos serviços com impacto no cidadão e nas
empresas, importa prosseguir na consolidação e melhoria deste processo.

O Governo considera igualmente imperativo a aposta na generalização da


utilização das tecnologias de informação e no desenvolvimento do “e-
government”, no sentido de melhorar a qualidade e a celeridade dos serviços
prestados pela Administração.

A utilização das novas tecnologias de informação deverá contribuir de forma


decisiva para a redução do quase-imposto tempo e do carácter supérfluo de
algumas formalidades, permitindo serem os próprios serviços a recolher
elementos de prova através do acesso directo às fontes de informação.

O objectivo primeiro e o aferidor por excelência de qualquer Reforma


Administrativa é simplificar o acesso da sociedade ao uso e fruição dos bens e
serviços prestados pelo Estado.
Assim sendo, entende ainda o Governo que deverá ser estabelecido um
Programa de Simplificação de Actos e Procedimentos na relação entre o Estado
e as pessoas, famílias e empresas, designadamente através da simplificação de
formalismos e de procedimentos no relacionamento entre a Administração e os
cidadãos, de forma a criar uma nova cultura da Administração Pública ao
serviço das pessoas.
6. AUTONOMIA REGIONAL

Tal como o Governo anterior, o XVI Governo Constitucional assume


expressamente o compromisso de aprofundamento da Autonomia Regional.

Defendemos um modelo aberto, susceptível de permanentes melhorias e


aperfeiçoamentos. De facto, se a autonomia tem estado na base de notáveis
progressos, os problemas que afectam as Regiões Autónomas continuam a ser
vários. A sua solução deve caber, antes de mais, às próprias Regiões, que, para
tal, têm de contar com a solidariedade nacional.

Pelas suas características próprias, pela sua natureza insular, pela periferia em
que se encontram e por conhecidas razões históricas, os Açores e a Madeira,
não só justificam a autonomia de que gozam, como têm direito, reafirmamos, à
solidariedade do todo nacional.

Como qualquer construção humana, a autonomia regional suscita dificuldades.

Mas a forma de as resolver não será através da criação de impasses ou do


estabelecimento de mais limites, mas sim através de um melhoramento que
responda, no quadro da unidade nacional, às necessidades e aos legítimos
anseios das populações regionais.

Nestes últimos dois anos, a Região Autónoma dos Açores e a Região Autónoma
da Madeira conheceram uma acção governativa que confirmou, de forma
inequívoca, a autonomia regional como um verdadeiro direito das Regiões
Autónomas e não como uma concessão do Estado.

O aperfeiçoamento dessa autonomia, sempre num quadro de solidariedade,


tem sido uma prioridade estabelecida e cumprida.
Através da criação de mecanismos de coordenação e de acompanhamento
permanente das matérias relativas às Regiões Autónomas, em colaboração com
os respectivos Governos Regionais, foi possível reforçar a Autonomia Regional,
por via da análise das propostas formuladas pelos Governos das Regiões
Autónomas, assegurando o empenho do Governo da República na satisfação,
com carácter prioritário, das necessidades das populações regionais.

Esta dinamização das relações entre os Governos da República e Regionais, em


nome de um maior respeito pelas autonomias, permitiu uma resolução mais
célere dos problemas que se colocaram e dos que permaneciam sem resposta,
muitos dos quais há vários anos.

Procurou-se também salvaguardar, com seriedade e empenho, os interesses


específicos das regiões ultra-periféricas no âmbito da União Europeia,
defendendo-os de forma inabalável, junto dos seus parceiros europeus.

Este quadro de actuação tem sido, sem dúvida, determinante. Mas a resolução
dos problemas específicos das Regiões Autónomas permanece um desafio.

Por isso, este Governo continuará a adoptar medidas e orientações que


contribuam para afastar concepções dogmáticas ou fechadas desta importante
mais-valia da democracia portuguesa.

Nesse sentido, a actuação do governo continuará a considerar inquestionável a


defesa da autonomia regional, visando um aprofundamento dessa realidade,
através da:

- permanente defesa dos interesses das regiões autónomas junto da


União Europeia, incentivando a concretização de todas as medidas
que se afigurem benéficas para estas regiões ultraperiféricas;
- continuada promoção da regionalização gradual dos serviços, dando-
se seguimento ao processo iniciado pelo anterior governo;

- incessante defesa do principio da continuidade territorial,


nomeadamente nos sectores dos transportes e comunicações;

- constante aplicação do princípio da subsidiariedade nas relações


entre o Estado e as Regiões Autónomas, designadamente nos
sectores da educação, cultura, desporto, saúde e segurança social;

- normalização e estabilização das relações financeiras entre as Regiões


Autónomas e o Estado, através da revisão da Lei de Finanças das
Regiões Autónomas, com vista a promover um desempenho
adequado das suas responsabilidades no esforço de convergência
nacional e europeu.

Sem prejuízo de eventuais restrições decorrentes do esforço de consolidação


orçamental que a todas as autoridades públicas continuará a ser exigido, o
Governo assegurará acções que permitam um maior grau de satisfação das
necessidades das populações das Regiões Autónomas, a par de uma maior
dinamização da economia regional.

As desigualdades resultantes da ultra-periferia destas Regiões continuam a


impor que este Governo assuma, com empenho, uma repartição favorável dos
recursos nacionais, de modo a alcançar um maior equilíbrio dos Açores e da
Madeira com o resto de Portugal.
7. DESCENTRALIZAÇÃO

O País está vinculado à directiva constitucional da descentralização e ao


princípio fundamental comunitário da subsidiariedade, constituindo para o
Governo um imperativo nacional adoptar uma nova atitude política, capaz de
realizar aquela directiva e ser fiel àquele princípio.

A linha fundamental da política do Governo, nesta matéria, passa pela


restauração da confiança nas autarquias locais, com o intuito de promover a
qualidade de vida nas mais diversas localidades, com especial incidência para as
cidades.

Os municípios têm sido, no Portugal democrático, dos principais agentes do


desenvolvimento sustentado.

Numa situação em que o País necessita de ser capaz de gerir melhor os


recursos disponíveis, a descentralização constituirá um factor decisivo para
atingir melhores e mais eficientes e eficazes níveis de satisfação das
necessidades colectivas.

Ao longo dos últimos anos, em especial, os municípios preocuparam-se,


fundamentalmente, com a dimensão quantitativa de desenvolvimento,
realizando-se através deles boa parte do processo de concretização das redes
de infra-estruturas básicas.

Urge confiar neles e na capacidade já demonstrada pelos autarcas, numa


vertente essencial à modernização de Portugal e à aproximação do País à
Europa: a qualificação das obras e dos serviços por eles prestados à população.

Neste quadro de confiança, o Governo, no domínio da descentralização


administrativa, propõe-se levar à prática as seguintes medidas:
- transferir novas atribuições e competências para as autarquias locais
e respectivos órgãos, acompanhando essa transferência dos meios e
recursos financeiros adequados ao pleno desempenho das novas
funções, sem aumento da despesa pública global;

- reforçar as atribuições e competências das novas realidades


territoriais (áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais), de
acordo com o princípio da adaptação do processo de descentralização
a cada área do território nacional, em função das especificidades e
necessidades, em especial:

- no âmbito da competência tributária respeitante aos


impostos que constituem receita municipal (organização
do respectivo processo de liquidação e cobrança);

- no domínio do abastecimento público, designadamente


quanto à gestão dos sistemas plurimunicipais de
tratamento e distribuição da água;

- no âmbito dos transportes e comunicações, atribuindo


responsabilidades de gestão directa ou concessionada
dos sistemas de transportes colectivos urbanos e/ou
suburbanos;

- no melhor aproveitamento dos fundos comunitários.

Noutro plano, mas na linha da mesma política descentralizadora, o Governo


procederá:
- à efectiva implementação das novas áreas metropolitanas e das
comunidades intermunicipais, racionalizando e planeando o seu
desenvolvimento sustentado;

- à efectiva aplicação à Lei n.º 159/99, de 14 de Setembro,


considerando como destinatários das deslocações de atribuições e
competências, não só os municípios mas igualmente as freguesias;

- à integração dos Gabinetes de Apoio Técnico (GAT) nas novas


realidades territoriais, permitindo um aproveitamento de recursos
humanos e de sinergias;

- à introdução, no ordenamento jurídico, de mecanismos de delegação


contratualizados com os municípios para a execução de obras,
lançamento de iniciativas e empreendimentos e aquisição de serviços
que continuam a ser competências dos órgãos da administração
central.

7.1 FINANÇAS LOCAIS

O sucesso da reforma da administração pública exige o reforço da


descentralização administrativa de forma consolidada e sustentada, o que passa
pela definição de um regime financeiro adequado aos desígnios nacionais de
rigor e transparência das finanças públicas portuguesas.

O recente processo de transferências de novas competências para os


municípios, a aprovação do quadro legal de criação das novas áreas
metropolitanas e das comunidades intermunicipais, bem como a promoção de
novas formas de provisão de bens e serviços públicos que rentabilizem os
recursos públicos disponíveis para a prossecução dos objectivos estratégicos
disciplinadores da acção dos poderes públicos ao nível local e supra municipal,
requerem igualmente uma reflexão cuidada sobre a adequação do actual
regime financeiro dos municípios e freguesias às exigências de modernidade da
sociedade portuguesa.

Urge, por isso, proceder ao levantamento das potencialidades e fraquezas


desse mesmo regime financeiro e desenvolver os trabalhos conducentes à
definição de um novo quadro financeiro capaz de dinamizar os processos de
descentralização administrativa em curso e de reforço da autonomia do poder
local.

Uma intervenção que deverá ser compatibilizada com a recente reformada


tributação do património imobiliário e contribuir para o aperfeiçoamento do
modelo de relacionamento entre a administração fiscal e os contribuintes.

Pretende-se, ainda, um quadro legal que possibilite a consolidação orçamental


de forma sustentada, através da revisão da Lei das Finanças Locais e da
procura de novos modelos de financiamento para as autarquias locais.

7.2 DESENVOLVER COMPETÊNCIAS E VALORIZAR OS RECURSOS HUMANOS


DAS AUTARQUIAS LOCAIS

A formação para as autarquias locais constitui uma aposta do Governo, no


sentido de contribuir para a modernização e reforma administrativa do Estado a
nível local e para a melhoria dos serviços prestados aos cidadãos e às
empresas.

As questões relacionadas com a formação e a gestão dos Recursos Humanos


constituem hoje um elo indissociável do desenvolvimento local, tornando-se
particularmente relevantes no contexto do progressivo reforço do poder local
inerente ao processo de descentralização em curso.

Assim constituem medidas prioritárias do Governo, no âmbito do


desenvolvimento de competências e da valorização dos Recursos Humanos na
Administração Local:

- incrementar a utilização de novas modalidades de formação,


apoiando e estimulando o desenvolvimento de projectos de formação
inovadores, nomeadamente recorrendo à formação-acção e à
formação à distância;

- desenvolver e qualificar a oferta formativa e promover uma cultura de


Planeamento e Gestão da Formação e de contínua avaliação do seu
impacto e eficácia;

- dinamizar o acesso dos funcionários e agentes da Administração Local


aos processos de reconhecimento, validação e certificação de
competências (RVCC);

- reforçar a articulação entre os processos formativos e as reformas em


curso, nomeadamente a Reforma da Administração Pública a nível
local, o processo de descentralização e o desenvolvimento da
Sociedade de Informação e do e-gov local;

- desenvolver um novo “Programa Foral”, com a abertura a novas


tipologias de projectos e a novos destinatários, constituindo-se como
um instrumento privilegiado na implementação das iniciativas da
reforma da Administração Pública a nível Local e da reforma da
Descentralização Administrativa do Estado;
- criação de incentivos à implementação de um Plano Nacional de
Estágios para a Administração Local, em articulação com o Plano
Nacional de Emprego (PNE), por forma a permitir o rejuvenescimento
dos activos da Administração Pública Local e a fixação de jovens fora
dos grandes centros urbanos, potenciando o reforço da acção dos
municípios rurais, combatendo a desertificação humana do território e
permitindo a consolidação das novas unidades territoriais (Áreas
Metropolitanas e Comunidades Intermunicipais), associadas ao
processo de descentralização.
8. ASSUNTOS DO MAR

A nomeação de um Secretário de Estado dos Assuntos do Mar, na dependência


do Ministro de Estado e sem intromissão orgânica na esfera da Defesa Nacional,
mas beneficiando das óbvias sinergias que a proximidade das duas tutelas
proporciona, constitui uma aposta estratégica do XVI Governo Constitucional.

A aposta nos Assuntos do Mar representa uma ideia de país, uma estratégia de
futuro e uma oportunidade com valências tão diferentes como as que se
perspectivam numa visão integrada e multidisciplinar do potencial estratégico
representado pela condição marítima e oceânica de Portugal. O cumprimento
deste programa implica um elevado sentido de cooperação e coordenação entre
vários departamentos governamentais.

O Mar significou, na História de Portugal, uma condição de liberdade e


independência. O Mar deve, também, significar no Portugal de futuro, uma
extraordinária oportunidade de criação de riqueza.

O Mar significa, por outro lado, um desafio permanente, seja no plano do


relacionamento internacional de Portugal – é o caso das Nações Unidas e da
União Europeia -, seja no plano da revitalização das capacidades nacionais para
garantir a segurança da nossa costa.

Enfim, o Mar representa uma oportunidade para gerar postos de trabalho,


fortalecer sectores industriais, promover o desenvolvimento científico, articular
uma nova competitividade das políticas de tráfego marítimo e infra-estruturas
portuárias e, em geral, dotar o Estado Português das normas e instituições que
clarifiquem as responsabilidades nos domínios directa ou indirectamente
relacionados com o Mar.
Como pano de fundo da aposta no Mar, o Governo apreciará o trabalho muito
positivo da Comissão Estratégica dos Oceanos, densificado no respectivo
relatório e conclusões já entregues ao Primeiro Ministro e a merecer reflexão e
despacho prioritários.

As prioridades estabelecidas no âmbito dos Assuntos do Mar são, nos próximos


dois anos, as seguintes:

- promover a apreciação em Conselho de Ministros do relatório e


conclusões apresentadas pela Comissão Estratégica dos Oceanos;

- promover o reforço da discussão pública e do debate político sobre as


grandes questões oceânicas e marítimas que interessam a Portugal,
tanto no plano da defesa do interesse nacional como no plano da
articulação das políticas mais correctas para o sector no âmbito das
organizações internacionais de que fazemos parte;

- assumir como necessário e útil para a articulação das políticas do Mar


a definição do melhor modelo orgânico para dar representação
técnica qualificada e integrada às políticas públicas do sector;

- contribuir com as acções necessárias para uma representação externa


qualificada e coordenada de Portugal em todos os fora multilaterais
sobre Oceanos e Mares, nomeadamente no âmbito das agências das
Nações Unidas e da União Europeia, bem como no das organizações
intergovernamentais de âmbito global, regional e sub-regional
relevantes;

- dar prioridade à revitalização, recuperação, modernização e


internacionalização das capacidades industriais de Portugal no sector
da Construção Naval, articulando com uma política de estaleiros com
especial atenção para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e para
o potencial económico que deriva da Lei de Programação Militar, dos
planos de modernização da Marinha e, ainda, o aproveitamento
coerente das demais capacidades industriais existentes em Portugal
neste sector;

- assegurar a cooperação reforçada e absolutamente necessária entre


a Autoridade Marítima Nacional, a administração marítima e as
autoridades portuárias;

- desenvolver uma política legislativa, executiva e administrativa


orientada para o reforço e valorização da segurança marítima,
procurando o funcionamento coordenado das diversas instituições do
Estado com responsabilidades nesta área e valorizando as sinergias
resultantes da instalação em Portugal da Agência Europeia de
Segurança Marítima;

- agilizar a aprovação de diplomas e instrumentos no domínio da


segurança marítima, entre os quais se destacam a definição de áreas
Marítimas Nacionais; a criação da zona contígua; o novo regime legal
do registo patrimonial marítimo; o regulamento do Conselho
Coordenador Nacional do Sistema da Autoridade Marítima; o regime
geral da remoção de destroços; o reforço do regime legal dos ilícitos
de poluição marítima e a densificação, na legislação portuguesa, dos
crimes ecológicas no mar;

- conceder atenção redobrada à questão do ISPS Code e os objectivos


de Portugal no que toca à vigilância e fiscalização marítimas, seus
meios e instrumentos;

- cumprir de forma atempada e competente os compromissos de


Portugal no quadro da Agência Europeia de Segurança Marítima;

- Dar novo impulso a uma concepção economicamente competitiva


institucionalmente coordenada e efectivamente descentralizadora do
modelo de administração portuária;
- apoiar o desenvolvimento da investigação cientifica, tecnológica e da
formação em áreas relativas ao oceano;

- apoiar a constituição do dossier português para a extensão da


plataforma continental.
II
APOSTAR NO CRESCIMENTO E GARANTIR O
RIGOR
1. FINANÇAS PÚBLICAS

A consolidação orçamental foi durante os dois últimos anos um objectivo


instrumental de primeira prioridade. Sê-lo-á também com o XVI Governo
Constitucional.

Com efeito, a ordem nas finanças públicas e a correcção dos desequilíbrios


macro-económicos não constituem um fim em si mesmo, mas um meio para a
realização de superiores objectivos, da justiça social à projecção de Portugal no
Mundo.

A política financeira do Estado tem que se exprimir com sentido estruturante e


de alcance geracional, erradicando, de um modo definitivo, as políticas do
facilitismo, do imediatismo e da desresponsabilização.

Tem de ser assumida com a coragem – constante e não errática – de decidir


com sentido patriótico, com tudo o que isso implica de opção ou de renúncia.

Com a percepção de que os meios são escassos e não se auto-alimentam e de


que os fins não se alcançam sem esforço e sem definição rigorosa e lúcida de
prioridades.

Ao mesmo tempo, o Governo está consciente que, para além das reformas de
fundo já encetadas nos últimos dois anos e a prosseguir até ao fim da
legislatura, é necessário responder com rapidez, justiça e humanismo aos
problemas conjunturais que enfrentamos, em especial no que às famílias com
pessoas desempregadas diz respeito.

A saúde orçamental, as reformas estruturais, o aprofundamento da justiça


social constituirão sempre as bases da política do Governo tendo em vista o
primado de um modelo de crescimento, orientado pelas exportações, por
investimentos verdadeiramente reprodutivos e com o objectivo de uma
acrescida coesão económica e social.

Este não é o caminho da popularidade fácil, mas é a via da política exigente.

O Estado deve criar condições para uma melhor sociedade e não alimentar a
falsa ideia de uma sociedade sempre dependente de um Estado gastador.

O “contrato orçamental” entre o Estado e os portugueses deve sempre ter por


base a confiança, a transparência, o realismo e o rigor. É um objectivo nacional
e, como tal, incompatível com “quadraturas do círculo” do tipo mais despesa e
menos imposto.

Por isso, o Governo procurará criar as condições para o desenvolvimento de


uma política orçamental virada para o progresso: menos despesa pública para
menos impostos e menos endividamento; não mais impostos e dívida para
financiar mais e pior despesa.

A confiança das pessoas e dos agentes económicos e sociais não se decreta.


Constrói-se. Através de políticas consistentes, persistentes e com visibilidade a
prazo, entre as quais são determinantes as políticas referentes às finanças
públicas.

Em primeiro lugar, porque a contenção dos gastos públicos e a sua adequada


afectação é uma exigência permanente e independente do valor do défice
global e primário do Sector Público Administrativo.

Em segundo lugar, porque é uma condição necessária para um


desenvolvimento económico sustentável e porque contribui positivamente para
a redução dos desequilíbrios macroeconómicos que ainda subsistem na
economia nacional.
Deram-se, nestes dois últimos anos, passos decisivos para a consolidação num
contexto macroeconómico muito difícil, quer nacional, quer internacional. Os
sinais positivos são já visíveis e a retoma económica, embora ainda na fase
inicial, é já uma retribuição do esforço que a todos os Portugueses foi pedido.

O Orçamento do Estado tem que ser a melhor expressão do equilíbrio entre a


exigência financeira, a justiça social, a dinamização da economia e a
responsabilidade cívica e ética.

Um dos corolários mais significativos deste caminho traduziu-se no reforço da


credibilização de Portugal no contexto da União Europeia, que culminou com o
levantamento, por parte da Comissão Europeia, do Procedimento dos Défices
Excessivos (PDE) para o nosso País.

O Programa de Estabilidade e Crescimento para o período de 2004-2007 é um


instrumento fundamental que o Governo irá continuar a utilizar para se
atingirem os principais objectivos de diminuição estrutural e consolidada do
défice com redução real das despesas correntes, de requalificação consistente
da despesa, de melhoria da eficácia na arrecadação da receita e,
consequentemente, de criação de condições que permitam o aumento da
produtividade nacional e da competitividade do tecido empresarial, factores
imprescindíveis de promoção saudável do emprego.

Tudo isto exige um cumprimento estrito da Lei de Estabilidade Orçamental, a


qual consagra para todo o Sector Público, a nível nacional, regional e local, três
princípios fundamentais:

- o da própria estabilidade, no sentido de os orçamentos se


aproximarem gradualmente do equilíbrio global, de acordo com o
Sistema Europeu de Contas;
- o da solidariedade recíproca, de modo a que todos os sectores da
Administração Pública contribuam, proporcionalmente, para a
estabilidade orçamental;

- o da transparência na prestação das contas de todas as entidades


incluídas no Orçamento.

Por outro lado, o Estado, como sujeito de deveres, não pode descurar a sua
qualidade de pessoa de bem. Só assim pode exigir à Sociedade o estrito
cumprimento das suas obrigações e contribuir para uma relação transparente e
rigorosa, em que a impunidade e a desresponsabilização não sejam toleradas
ou estimuladas.

Neste sentido, o Governo, na esteira e em complemento do Programa do XV


Governo Constitucional considera como acções prioritárias:

- a continuação de uma política de progressiva contenção quantitativa


da despesa em todos os sectores das administrações públicas,
avaliando a sua necessidade, grau de eficácia e eventuais
redundâncias ou sobreposições;

- a melhoria da qualidade da despesa corrente e de capital através da


exigente e permanente avaliação da sua contribuição para o
desenvolvimento das funções cometidas ao Estado;

- o aperfeiçoamento da previsão e execução dos investimentos


públicos, não só através da selectividade privilegiando investimentos
directa ou indirectamente produtivos, como tendo em conta as
diversas fontes de financiamento nacional e comunitária;

- a reforma da lei de enquadramento orçamental para, de uma maneira


gradual e solidária, o Orçamento vir a ser a expressão dos
compromissos das diferentes instâncias públicas, consolidando as
responsabilidades repartidas;

- a adopção de medidas com vista a acelerar o processo de


concretização do Plano Oficial de Contabilidade Pública por forma a
aumentar a transparência, a comparabilidade dos resultados, a
disponibilidade de informação sobre os compromissos futuros, a
gestão previsional dos gastos, o acompanhamento, controlo e
prestação de contas e a informação consolidada para o conjunto das
Administrações Públicas;

- o levantamento exaustivo e a progressiva recuperação dos atrasos de


pagamento por parte do Estado, através de instrumentos adequados
e consistentes com a disciplina orçamental;

- o reforço dos mecanismos de mobilidade de pessoal no interior da


Administração Pública dando uma maior efectividade à bolsa de
emprego público;

- a necessidade de rejuvenescimento e maior qualificação dos quadros


de pessoal em proporção das saídas, de modo a atingir uma
Administração simultaneamente mais preparada para o futuro e
menos redundante;

- o desenvolvimento de mecanismos de articulação entre as


necessidades de quadros na Administração Pública e a bolsa de
desempregados qualificados inscritos nos Centros de Emprego,
substituindo prestações de desemprego por trabalho público;

- o prosseguimento de uma política fiscal com mais verdade, maior


equidade, mais clareza e simplificação e tempestivo controlo;
- a continuação do combate à fuga e à evasão fiscais, potenciando a
Administração Fiscal Electrónica, o cruzamento de dados entre
diferentes sectores, a fiscalização aferida por diferentes patamares e
a prossecução de objectivos muito concretos e expeditos quanto a
situações notoriamente desajustadas e injustas, quer no que respeita
à tributação pessoal, quer à das empresas e sobre o património;

- a revisão do Imposto sobre as Pessoas Singulares (IRS),


designadamente tornando mais justas e racionais as múltiplas
deduções fiscais e privilegiando a vertente familiar. Sem prejuízo da
disciplina orçamental, avaliar as possibilidades do ajustamento dos
escalões que penalizam fortemente a classe média;

- a revisão global dos benefícios e isenções fiscais, designadamente em


matéria de IRC e transmissões patrimoniais, tendo em vista a sua
clareza, simplicidade, equidade, razoabilidade e adaptação às
necessidades presentes e futuras;

- a extensão do princípio do consumidor-pagador a actividades públicas


que o justifiquem em função da natureza do bem ou serviço prestado
e da necessidade de maior justiça social evitando a não penalização
dos não utilizadores;

- a racionalização do Sector Empresarial do Estado tendo em vista o


saneamento da sua situação financeira e a concretização da política
de privatizações;

- a alteração profunda na gestão patrimonial do Estado e nas compras,


rendibilizando o activo imobiliário existente e considerando os custos
da sua utilização pelos serviços, agilizando procedimentos,
racionalizando critérios, maximizando as compras electrónicas,
eliminando separações departamentais que sempre são factor de
despesismo e de fragilização do Estado.
2. ECONOMIA

O aumento do bem-estar e do poder de compra dos Portugueses constitui o


objectivo central da acção do Governo na área económica.

Os indicadores de conjuntura económica mais recentes apontam claramente no


sentido de que a nossa economia entrou já numa fase de inversão do ciclo que
permite olhar com mais optimismo o futuro próximo. Para tal, muito
contribuíram as medidas adoptadas ao longo dos dois últimos anos. Mas os
desafios que se colocam ao nosso país são ainda muito significativos e obrigam-
nos a um redobrar de esforços no sentido de consolidar a retoma económica já
iniciada.

Para tanto, é fundamental assegurar um maior dinamismo da nossa economia,


através do aumento da produtividade e da criação de condições para uma
maior competitividade das nossas empresas.

Nesse sentido, importa prosseguir a adopção de um conjunto de medidas


estruturais – dando assim sequência ao Programa para a Produtividade e
Crescimento da Economia – que promovam a recuperação do diferencial de
produtividade face aos nossos principais parceiros europeus como forma de
assegurar uma maior e mais rápida aproximação do nível de vida dos
Portugueses relativamente aos cidadãos dos demais Estados-membros da União
Europeia.

Constituem linhas de acção prioritárias do Governo nesta matéria:

- o reforço da solidez financeira e da produtividade das empresas


portuguesas, com vista a permitir uma rápida consolidação do tecido
empresarial e o aumento da competitividade da nossa economia;
- a promoção de um ambiente concorrencial que contribua
decisivamente para o desenvolvimento económico do nosso país;

- a criação de condições efectivas para o reforço e consolidação do


investimento directo estrangeiro em Portugal;

- a promoção da internacionalização das empresas nacionais;

- a consolidação da reestruturação e racionalização dos serviços do


Estado na área da economia, tendo em vista libertar os agentes
económicos do peso administrativo e burocrático dos procedimentos
e prosseguir a diminuição dos tempos de apreciação e decisão;

- a prossecução do esforço de racionalização e redimensionamento do


sector empresarial do Estado, por forma a alcançar uma maior
disciplina das contas do sector público e uma eficiência produtiva
acrescida.

2.1 CONSOLIDAÇÃO E REFORÇO DA COMPETITIVIDADE DO TECIDO


EMPRESARIAL

A evolução recente da nossa economia veio provar que a consolidação do


tecido empresarial nacional e o desenvolvimento do investimento privado não
são compatíveis com a existência de desequilíbrios macro-económicos
insustentáveis.

Sem prejuízo da necessidade de manter os objectivos que, no plano


orçamental, foram traçados e prosseguidos nos últimos dois anos, importa
agora prosseguir o esforço de criação de condições para o desenvolvimento do
investimento privado, assegurando simultaneamente o reequilíbrio financeiro
das empresas, através do reforço dos respectivos capitais próprios e solidez
financeira.

Como condição essencial da consolidação do tecido empresarial, o Governo


prosseguirá o esforço de eliminação de todos os obstáculos de natureza fiscal e
burocrática aos processos de concentração, crescimento ou reestruturação das
empresas e dos grupos empresariais, a par da promoção de efectivas condições
de concorrência no mercado.

O desenvolvimento do investimento reprodutivo, em particular no sector dos


bens e serviços transaccionáveis, exige uma renovada aposta na inovação, na
qualidade e na formação profissional. Tendo em conta que, neste domínio
particular, os empreendedores privados desempenham um papel essencial,
compete sobretudo ao Governo criar condições que permitam a maximização
da eficiência empresarial, bem como um ambiente propício à iniciativa e ao
risco. Neste sentido assumem especial importância:

- a flexibilização dos mercados, com vista a permitir uma maior


mobilidade dos factores produtivos em condições socialmente
aceitáveis;

- a eliminação das regulamentações desnecessárias ou redundantes,


bem como de todos os níveis de intervenção da Administração
Pública que sejam dispensáveis;

- a simplificação dos processos de criação de empresas e de


investimentos de expansão;

- a existência de um quadro regulamentar e fiscal simples, estável e


atractivo para o investimento;
- a promoção de um mercado de capitais eficiente e que permita um
mais fácil acesso de empresas, independentemente da respectiva
dimensão;

- o funcionamento célere e seguro da Justiça na vertente económica,


nomeadamente dos processos de insolvência, através de uma melhor
adequação e concretização das inovações recentemente introduzidas
em processos desta natureza;

- a definição de uma política de energia que possibilite o acesso das


empresas portuguesas às fontes energéticas em condições
competitivas;

- a oferta de infra-estruturas de qualidade que criem condições


favoráveis para o desenvolvimento económico.

No seguimento das orientações adoptadas pelo Governo anterior para o apoio a


estratégias empresariais ganhadoras, a concessão de apoios públicos,
nomeadamente no âmbito dos programas com financiamento comunitário,
deverá assumir preferencialmente a forma de parcerias, designadamente
através de instrumentos de capital de risco e de desenvolvimento, de forma a
que o Estado continue a assumir a partilha do risco e do sucesso dos projectos
e a contribuir para a manutenção de estruturas de capital equilibradas.

Ainda no âmbito dos programas comunitários, outros tipos de apoio público ao


investimento privado deverão privilegiar a filosofia do prémio aos projectos
efectivamente rentáveis desenvolvidos por empresas fiscalmente cumpridoras.
Nesse sentido, os apoios serão concedidos a empresas que desenvolvam
projectos de interesse nacional ou local, sob a forma de prémios determinados
em função do resultado tributável das mesmas num certo número de anos
posteriores à concretização dos projectos.
2.2 CONCORRÊNCIA

A promoção de um ambiente concorrencial dinâmico tem sido – e continuará a


ser – uma condição de sucesso das economias mais desenvolvidas. A política de
concorrência constitui, neste contexto, um instrumento fundamental para o
desenvolvimento da nossa economia e para o dinamismo das nossas empresas
e dos nossos mercados.

A entrada em vigor do novo regime jurídico da concorrência e a criação da


Autoridade da Concorrência constituiu um passo decisivo para a criação de um
ambiente concorrencial dinâmico. Importa agora assegurar que a aplicação da
nova lei da concorrência contribua de forma inequívoca para um mais eficiente
funcionamento dos mercados e uma repartição eficaz dos recursos,
satisfazendo assim os interesses das empresas e dos consumidores. Nesse
sentido, compete ao Governo criar as condições para a plena afirmação da
Autoridade da Concorrência, dotando-a dos meios adequados ao exercício das
suas funções.

2.3 INVESTIMENTO DIRECTO ESTRANGEIRO

O desequilíbrio existente entre poupança doméstica e investimento, para além


de outras razões, torna premente a manutenção do esforço de incremento do
investimento directo estrangeiro (IDE).

Os projectos de investimento estrangeiro, quando bem seleccionados, poderão


dar um contributo extraordinariamente positivo para a divulgação e adopção de
processos mais eficientes de produção e de gestão, estimulando a investigação
e a utilização de novas tecnologias e contribuindo, assim, para aumentar o nível
de competitividade da economia nacional.
Também no domínio do IDE se tem assistido, nos últimos anos, a um
predomínio dos sectores de bens e serviços não transaccionáveis, bem como da
aquisição de participações financeiras. Tal como o investimento nacional, é
crucial que o IDE se dirija para os sectores produtores de bens e serviços
transaccionáveis, pelas suas repercussões na produtividade, pela sua ligação a
redes internacionais de tecnologia e marketing e pelo seu efeito de
demonstração no desenvolvimento de factores de competitividade mais
avançados.

Com vista a assegurar a criação de condições para o reforço do IDE, e tal como
se afirmou também para o reforço do tecido empresarial português, entende o
Governo ser fundamental promover a adopção de medidas que permitam
assegurar a existência de:

- um ambiente económico adequado e estável;

- um quadro fiscal estável, simples e muito competitivo;

- uma maior flexibilidade dos mercados;

- infra-estruturas de qualidade;

- uma Administração Pública eficiente e desburocratizada;

- uma regulamentação e regulação das actividades produtivas


adequada;

- recursos humanos qualificados.

E este esforço de atracção do investimento directo estrangeiro (IDE) continuará


a ser prosseguido através da Agência Portuguesa para o Investimento (API),
instituição criada pelo Governo anterior e que constitui um instrumento decisivo
na dinamização do investimento estrangeiro.

2.4 PROMOÇÃO DA INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS NACIONAIS

À medida que se atinjam níveis adequados de dimensão, de solidez financeira e


de maturação dos negócios das empresas nacionais, o Governo considera
imperativo adoptar medidas com vista a estimular a adopção de estratégias de
internacionalização, preferencialmente através de parcerias com associações
empresariais. Tais estratégias deverão, todavia, pressupor a existência de uma
clara base doméstica onde sejam concentrados a massa crítica da produção
mais sofisticada e os centros de decisão estratégica e de desenvolvimento.

2.5 RACIONALIZAÇÃO E REDIMENSIONAMENTO DO SECTOR EMPRESARIAL DO


ESTADO

O princípio orientador da acção do Governo é o da subsidiariedade do Estado, o


qual deve, no entanto, intervir no exclusivo interesse nacional, assumindo a
qualidade de gestor eficiente.

A política de privatizações deve ser mantida de forma consolidada, com total


respeito pelas regras de mercado. O Governo continua a defender uma política
de privatizações com especial incidência noutros domínios para além do sector
empresarial.

Relativamente às empresas de capitais públicos que não possam ser objecto de


privatização, o Governo definirá programas de reestruturação, assegurando a
competência e a independência da sua gestão (obviamente dentro das
orientações do accionista Estado), com vista a garantir a sua sustentabilidade
económica e financeira.

Qualquer privatização deverá ser objecto de relatório presente à Assembleia da


República, de forma a permitir a fiscalização do modo como se processou.

Por outro lado, a evolução da situação financeira de grande parte das empresas
que constituem o sector empresarial do Estado, a par do consumo de recursos
públicos que ele representa, tornam urgente a reconstrução de mecanismos
que assegurem um exercício activo do papel do Estado como accionista,
designadamente controlando o endividamento e a estrutura de capitais
daquelas empresas e promovendo acções rápidas e determinadas de
reestruturação.

Finalmente, actuar-se-á no sentido de evitar situações de distorção de


concorrência provocadas por empresas de capitais públicos que actuem em
mercado concorrencial. Sendo o objectivo último a sua privatização, haverá que
garantir aqueles princípios enquanto a mesma não ocorrer, bem como a
definição do modelo de privatização a adoptar em cada caso.

2.6 INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS

O fenómeno da globalização e uma cada vez maior e mais rápida mutação


técnica e tecnológica de conceitos, de comportamentos e de padrões de
qualidade de vida são os principais factores determinantes do ambiente
concorrencial que enquadra a actividade das empresas nacionais. O sucesso
competitivo da economia portuguesa será, fundamentalmente, o resultado do
sucesso competitivo do seu tecido empresarial, constituído maioritariamente
por pequenas e médias empresas (PME), das quais um número significativo são
micro empresas de base familiar.
A dimensão média das empresas portuguesas, o reduzido nível de cooperação
inter-empresas, o diminuto grau de diversificação de alguns produtos, a
necessidade de modernização de algumas infra-estruturas, a existência de
circuitos de distribuição ainda pouco coesos, bem como a necessidade de
melhorar a promoção e a imagem do produto português nos mercados
externos, são claras fraquezas da empresa enquanto unidade, que importa
combater.

Assim, o Governo continuará a levar a cabo uma actuação integrada, através:

- da redução da dimensão do sector público, com restrição do Estado


àquilo que são as suas funções fundamentais na Economia
(essencialmente reguladoras e fiscalizadoras), e da aposta decisiva no
desenvolvimento do sector privado;

- da promoção da inovação e do desenvolvimento tecnológico,


promovendo a valorização crescente da articulação das empresas
com agentes catalisadores da investigação e da inovação;

- da disseminação de informação referente a casos de excelência e a


novas tecnologias e processos de sucesso, segmentada por sectores;

- da dinamização do espírito empreendedor, apoiando especialmente o


empreendedorismo de base tecnológica, incentivando a aposta no
risco e na inovação (i.e. de gestão, de processos);

- da promoção de uma crescente aposta na formação e qualificação


dos recursos humanos, investindo na efectiva adequação da oferta
formativa ao perfil da procura, através da inserção de jovens técnicos
qualificados em domínios específicos; da orientação das acções de
formação para o reforço da competitividade e para a inovação e da
aposta na formação contínua;
- da aposta na internacionalização de forma selectiva, coordenada e
objectivada, apoiada nos conceitos de cluster e de cooperação entre
empresas;

- do desenvolvimento de regimes jurídicos e fiscais desburocratizados,


que premeiem a criação de riqueza, propiciem o reinvestimento e
atraiam capitais externos para actividades produtivas que
disseminem, pelo espaço nacional, novas tecnologias e actividades de
alta produtividade;

- da promoção de um mais fácil acesso ao financiamento, quer através


da criação de mecanismos de informação, análise de risco, auditoria
externa e rating, que permitam diminuir o risco percebido das PME,
quer melhorando o sistema de garantia mútua, em articulação com
os fundos disponíveis nos programas com financiamento comunitário;
neste contexto, deve ser apoiada a dinamização da figura do capital
de risco e a revisão do seu quadro legal;

- da manutenção do desenvolvimento de uma política de apoios que


tenha como critério fundamental a riqueza realmente criada;

- da garantia de maior selectividade, transparência e eficácia na gestão


dos programas com financiamento comunitário, simplificando e
garantindo maior transparência de avaliação dos sistemas de
incentivos;

- do apoio a estratégias de ganhos de dimensão e de escala das


empresas portuguesas, seja através de fusões e aquisições, seja
através de parcerias e de alianças estratégicas;
- da continuação da promoção dos esforços de adaptação do comércio
tradicional às novas envolventes económicas, designadamente
através do apoio à formação profissional para reforço de
competências e qualificações;

- do estímulo às empresas para progressão na cadeia de valor dos


produtos, através do desenvolvimento de marcas, da diferenciação de
produtos e da sua adequação aos mercados externos;

- do desenvolvimento de projectos de parceria para prospecção,


recolha e tratamento de informações sobre mercados externos e
avaliação das oportunidades existentes;

- do fomento de acções conjuntas com a iniciativa privada – empresas


e associações empresariais – orientadas para a internacionalização da
economia e baseadas em produtos âncora e em casos de sucesso.
3. TRABALHO, EMPREGO E FORMAÇÃO

Em matéria de política de trabalho, emprego e formação profissional, a acção


do Governo prosseguirá quatro objectivos essenciais:

- a melhoria da qualidade do emprego e o reforço da qualificação


profissional;

- o combate ao desemprego, em particular o desemprego jovem, o


desemprego qualificado e o desemprego de longa duração e a
conciliação do objectivo de um elevado nível de emprego com a
necessidade de responder aos desafios da qualidade, da
competitividade e da inovação tecnológica;

- a permanente adequação da legislação laboral às novas necessidades


da organização do trabalho, do reforço da produtividade e da
competitividade da economia nacional e dos interesses dos
trabalhadores e empregadores;

- a promoção da concertação social como instrumento fundamental


para a regulação do mercado de trabalho e para definição da política
de trabalho, emprego e formação profissional.

A melhoria da qualidade do emprego pressupõe uma forte aposta na


qualificação dos recursos humanos adequada às necessidades dos
trabalhadores e das empresas. Neste contexto, deverá ser prestada particular
atenção à formação profissional inicial e contínua e ao combate às situações de
inadequação tecnológica.

Por outro lado, desenvolver-se-á um esforço significativo no sentido de reforçar


as condições de protecção do trabalho, nomeadamente ao nível da segurança
no trabalho.
Assim, constituem medidas prioritárias do Governo:

- a aprovação, e posterior regulamentação, da Lei da Formação


Profissional;

- a criação do Sistema Nacional de Formação Profissional;

- a revisão do regime jurídico da formação em cooperação;

- a reestruturação do Sistema Nacional de Certificação Profissional;

- o reforço do papel do serviço público de emprego e formação na


formação profissional inicial;

- o alargamento dos incentivos à formação e orientação profissionais,


em particular no que se refere à formação contínua dos
trabalhadores e à formação de técnicos de graus intermédios, dando
particular ênfase aos níveis de desempenho e aos ganhos de
produtividade obtidos em acções anteriores;

- a prossecução da revisão dos processos de formação profissional,


nomeadamente ao nível da gestão e da actividade dos centros de
formação;

- o reforço da articulação entre o Ministério das Actividades


Económicas e do Trabalho e o Ministério da Educação, na definição e
execução da política de formação profissional;

- a dinamização de programas de acesso ao mercado de trabalho em


ligação com as instituições do ensino superior e as empresas;
- o reforço dos mecanismos de prevenção dos riscos profissionais;

- o aprofundamento das medidas de combate à sinistralidade laboral,


através do reforço sistemático das acções de inspecção e das
medidas de prevenção, de forma a prosseguir e consolidar a
tendência de redução do número de acidentes - em particular dos
acidentes de trabalho mortais - até ao final da legislatura;

- a intensificação das medidas de prevenção e combate à exploração


do trabalho infantil.

Por outro lado, na vertente externa, o Governo privilegiará a cooperação com


os países de língua oficial portuguesa, em particular na área da formação
profissional.

O combate ao desemprego, em particular o desemprego jovem, o desemprego


qualificado e o desemprego de longa duração, constitui um objectivo central do
Governo. A crise económica que, desde 2001, afectou a generalidade dos
países industrializados, em particular na Europa, aliada à difícil situação das
finanças públicas no nosso país, conduziu ao aumento do número de
desempregados. Não obstante a tendência verificada nos últimos meses de
claro abrandamento do desemprego, em resultado da melhoria da situação
económica e das medidas já adoptadas, importa prosseguir os esforços com
vista a assegurar não só a continuação da diminuição do desemprego, mas
sobretudo a sustentabilidade futura do emprego.

Por outro lado, importa sublinhar que os desafios prementes da qualidade, da


competitividade e da inovação tecnológica não são incompatíveis com o
objectivo de um elevado nível de emprego e da sua melhoria qualitativa.

Nesse sentido, a par das acções a desenvolver no âmbito da formação


profissional, da segurança no trabalho e da permanente adequação da
legislação laboral às novas necessidades, deverá prosseguir-se o esforço de
criação das condições que permitam assegurar a eficácia social das políticas de
emprego, facilitar a entrada dos jovens na vida activa e contribuir para o
reforço da empregabilidade.

Neste contexto, constituem medidas prioritárias, nomeadamente:

- o reforço dos instrumentos ao dispor do serviço público de emprego


na promoção das medidas activas de emprego, em particular no que
se refere aos desempregados qualificados;

- a adopção de uma política activa de apoio ao primeiro emprego, que


aposte na qualificação dos jovens trabalhadores e na adequação da
oferta e da procura;

- a revisão e simplificação das medidas activas de emprego, com vista


a uma maior e mais eficaz empregabilidade;

- o aprofundamento da dimensão regional e local das medidas activas


de emprego, em efectiva colaboração com autarquias locais,
empresas e suas associações e instituições particulares de
solidariedade social;

- a adopção, no âmbito do Ministério das Actividades Económicas e do


Trabalho, de mecanismos que permitam uma eficaz articulação entre
os organismos da área económica e da área do emprego (em
particular, IAPMEI, DGE e IEFP), com vista a permitir uma
intervenção acrescida na promoção da empregabilidade e na gestão
da oferta e da procura de emprego.

Após a aprovação e entrada em vigor do Código do Trabalho e da respectiva


regulamentação, importa prosseguir o esforço de adaptação da legislação
laboral às novas necessidades da organização do trabalho, ao reforço da
produtividade e da competitividade da economia nacional e aos interesses dos
trabalhadores e empregadores.

Neste contexto, constituem medidas prioritárias:

- a conclusão da reforma laboral iniciada pela XV Governo


Constitucional, em particular no que respeita ao regime jurídico
aplicável aos chamados “contratos especiais” (nomeadamente,
trabalho temporário, rural, doméstico, transportes, etc.);

- a dinamização da contratação colectiva, enquanto instrumento


fundamental para a regulação do mercado de trabalho e para a
promoção da adaptabilidade e da flexibilidade da organização do
trabalho, sem prejuízo das responsabilidades particulares que, nesta
matéria, cabem às empresas e aos trabalhadores e respectivas
estruturas associativas;

- a adopção das medidas necessárias com vista a incentivar a


mobilidade dos trabalhadores, assegurando uma maior convergência
regional e uma economia mais competitiva;

- o incentivo à introdução de novos métodos de trabalho mais


adequados às microempresas e às pequenas e médias empresas,
nomeadamente o trabalho a tempo parcial, o trabalho ao domicílio e
o teletrabalho.

A concertação social constitui um instrumento fundamental para a regulação do


mercado de trabalho e para definição da política de trabalho, emprego e
formação profissional.
Assim, na linha da prática já desenvolvida pelo XV Governo Constitucional,
constituem medidas prioritárias:

- a prossecução do diálogo social no âmbito da Comissão Permanente


de Concertação Social, com vista a permitir um contributo dos
parceiros sociais na definição da política de trabalho, emprego e
formação profissional e no seu acompanhamento permanente;

- a conclusão das negociações tendentes à celebração de um Contrato


Social para a Competitividade e o Emprego.
4. TURISMO

A criação, com a entrada em funções do XVI Governo Constitucional, do


Ministério do Turismo, constitui uma opção estruturante para o
desenvolvimento económico e social do nosso país, tendo em consideração a
relevância do Turismo enquanto sector estratégico e a sua expressão na
economia portuguesa pelas receitas que gera, pela mão-de-obra que emprega,
pelo seu peso no PIB e pelos efeitos que induz em outros sectores de
actividade.

Com efeito, trata-se de um sector cuja transversalidade produz efeitos


significativos de interdependência com outras áreas chave da economia
portuguesa.

Por isso mesmo, o Turismo mereceu, no âmbito do desenvolvimento do


Programa do XV Governo Constitucional, uma atenção particular, centrada na
definição de orientações e no planeamento e execução de medidas,
correspondentes ao seu carácter prioritário e estratégico, no quadro da
presente legislatura.

O Turismo pode e deve assumir um papel de fundamental importância no


âmbito da retoma da economia. Portugal tem, neste sector, uma situação
privilegiada porquanto corresponde a um dos principais destinos turísticos, no
contexto internacional, fruto das suas condições climatéricas e recursos
naturais, por um lado, e, por outro, da sua riqueza histórica, cultural,
patrimonial e arquitectónica. Potenciar estas riquezas e garantir uma maior
complementaridade entre os factores naturais e os factores culturais é parte
importante do desafio que nos está colocado, enquanto país.
Mais do que um sector fundamental de progresso e de desenvolvimento do
país, o Turismo assume-se, hoje, como um verdadeiro desígnio nacional. Por
isso atravessa toda a sociedade portuguesa e deve ser um factor de
mobilização e opção fundamental no país que queremos ser.

Tal desafio, afigura-se particularmente relevante num ano excepcional para a


divulgação do nosso país e das suas potencialidades na sequência da
realização, entre nós, de eventos com a importância e a dimensão internacional
como foram o Euro 2004, o Rock-in-Rio Lisboa ou o Laureus. Os eventos com
esta natureza são, de resto, um instrumento essencial para a promoção
turística, sendo, por isso, fundamental aproveitar o seu efeito multiplicador.

Importa, por outro lado, utilizar a capacidade de organização demonstrada por


Portugal como argumento para a selecção do nosso país, em futuras iniciativas.

Os objectivos essenciais são agora os seguintes: aumentar a procura e


qualificar a oferta, diversificando-a.

Continuar a apostar no desenvolvimento deste sector enquanto eixo central do


nosso desenvolvimento significa, também, uma opção pela maior qualificação
dos seus profissionais, por uma gradual especialização das várias vertentes do
turismo, por uma firme defesa da qualidade e da excelência e, sobretudo, pelo
desenvolvimento de uma cultura de vocação turística baseada na
disponibilidade e na hospitalidade próprias de Portugal e dos portugueses e a
sua promoção.

Por outro lado, a criação do Ministério e a concepção deste sector como


desígnio nacional obriga-nos a pensar ser urgente, na sua definição estratégica,
o desenvolvimento de opções que acentuem as vertentes de especialização. Ou
seja, partir das vantagens naturais para uma diversificação e qualificação
assente em realidades tão diversas como o Turismo Desportivo e o Golfe, o de
Natureza, o Religioso, o Cultural, a Náutica de Recreio, os Congressos e o
Turismo de Cruzeiros.

Estes objectivos devem ser prosseguidos, não só pela definição de regras claras
para o sector e dos instrumentos próprios desta área específica de acção
governativa, mas, também, através da concepção e desenvolvimento de
políticas integradas e desenvolvidas conjuntamente com outras áreas da acção
governativa, como sejam a cultura, o ambiente e ordenamento, o emprego e a
formação profissional, os transportes, o desporto, a promoção da imagem, a
diplomacia económica e os apoios à promoção externa bem como à
internacionalização.

Neste quadro, são objectivos e acções prioritárias do Governo:

- A definição e revisão, quando necessária, do enquadramento legal do


sector a partir de normas e princípios estruturantes relativos a toda a
actividade turística;

- O crescimento da procura quer no mercado interno, quer no externo,


procurando, assim, diversificar e aumentar a receita real e os fluxos
turísticos, designadamente através de:

- campanhas de promoção de imagem e de comunicação


orientadas para a afirmação de Portugal como destino
turístico de qualidade;

- campanhas selectivas, através dos organismos oficiais e


das agências regionais de promoção turística orientadas
para destinos, produtos ou marcas e dirigidas a segmentos
específicos de mercado e consumidores;

- campanhas de promoção dos vinhos e da gastronomia


portuguesa nos mercados mais relevantes;

- campanhas dirigidas ao mercado interno tendo por


objectivo estimular o turismo com base no conceito
“Conhecer Portugal”, envolvendo as regiões de turismo, as
autarquias e o sector empresarial bem como entidades
associadas ou ligadas ao turismo e à cultura;

- desenvolvimento de programas de promoção e de


animação de zonas turísticas específicas, em colaboração
com as autarquias, as regiões de turismo e o sector
empresarial, envolvendo a divulgação de eventos regionais
e a respectiva calendarização;

- campanhas dirigidas à sensibilização dos portugueses para


a importância do conceito “Bem Receber” relativamente
aos turistas que nos visitam;

- promoção específica dirigida ao desenvolvimento em mercados


prioritários, designadamente o espanhol;

- coordenação com as áreas sectoriais do transporte aéreo e do serviço


aeroportuário na definição dos mercados de aposta da promoção
externa turística;

- desenvolvimento, numa perspectiva transversal, de estudos,


iniciativas e acções com vista a conseguir uma maior competitividade
das operações e das taxas aeroportuárias;

- lançamento ou consolidação de rotas turísticas aproveitando a


riqueza histórica, arquitectónica e cultural do país;
- estímulo, apoio e dinamização das acções inerentes à realização, em
Portugal, de eventos culturais ou desportivos que potenciem o
Turismo e sejam veículos de promoção externa do nosso país
capazes de aumentar a procura;

- Aumento das taxas de ocupação procurando quebrar os problemas


decorrentes da sazonalidade e fomentar o equilíbrio entre zonas de
maior concentração e alternativas regionais, garantindo uma gestão
flexível da oferta turística;

- Estímulo à realização de actividades de animação lúdicas, culturais e


desportivas destinadas a segmentos e nichos de procura fora da
época alta;

- Qualificação da oferta, promovendo a qualidade e a excelência


designadamente através:

- do aprofundamento do acompanhamento e do apoio à


instalação e ao licenciamento de projectos turísticos
estruturantes, bem como da revisão do respectivo quadro
legal;

- da flexibilização e da modernização da legislação aplicável


à aprovação da instalação e ao licenciamento de
empreendimentos turísticos;

- do apoio ao desenvolvimento de produtos turísticos


resultantes da recuperação do património;
- da criação de “Áreas de Protecção Turística”, visando
identificar e definir áreas de vocação preferencial para o
turismo;

- da criação de Planos de Desenvolvimento Turístico de base


regional (Douro e Alqueva);

- da revisão do regime jurídico de instalação e


funcionamento dos estabelecimentos de restauração e
bebidas;

- da definição de novas regras de Avaliação e Classificação


do Alojamento Turístico e criação de um Centro para esse
efeito;

- da reformulação da sinalização rodoviária e turística, em


colaboração com o M.A.I.;

- do fomento de infra-estruturas destinadas à realização de


actividades de animação como complemento à base
hoteleira existente.

- A reforma da Organização Institucional do Turismo Português


designadamente através:

- da revisão da Lei-Quadro das Regiões de Turismo;

- do reforço e da capacidade de intervenção da Direcção-


Geral do Turismo (DGT), designadamente através da sua
intervenção na elaboração dos instrumentos de
planeamento;

- do aprofundamento da actividade do Instituto do Turismo


de Portugal (ITP) na sequência da concentração neste
organismo das competências de promoção turística;

- do apoio financeiro e técnico à captação e realização do


investimento, em articulação com a Agência Portuguesa de
Investimento (API);

- da reformulação do Sistema de Recolha e Tratamento de


toda a Informação Estatística relativa ao sector e a sua
disponibilização às empresas em tempo oportuno;

- O aumento da competitividade e incentivo à evolução positiva de


produtividade, designadamente através da:

- aposta e reenquadramento da formação valorizando a


atitude comportamental e a cultura do serviço turístico;

- redefinição da rede escolar, tornando-a mais operativa e


mais próxima das necessidades dos destinos;

- estudo do regime fiscal aplicável em Portugal sobre as


empresas e sobre o serviço turístico, procedendo à sua
comparação com o que se verifica em mercados
concorrentes e adopção de medidas em razão das
conclusões e da situação das contas nacionais;
- fomento de programas de apoio à inovação, à introdução
de tecnologias de informação, na divulgação turística e na
reconversão e melhoria de processos de gestão.
5. AGRICULTURA

A agricultura portuguesa encontra-se num momento em que terá de responder


a novos desafios e oportunidades.

Será exigido um esforço a todo o sector, agricultores, associações


representativas e à própria administração pública, no sentido da adaptação e de
tirar o máximo partido da nova Política Agrícola Comum (PAC), a qual confere
uma maior liberdade de opções produtivas associada a uma maior
responsabilização.

O acordo final da Reforma da PAC permitiu salvaguardar aspectos positivos que


deverão ser agora implementados a favor de uma agricultura mais competitiva
(promovendo a sua reconversão), dinamizadora do espaço rural, valorizadora
dos recursos naturais, paisagísticos e patrimoniais e fornecedora de alimentos
de qualidade.

A viabilidade da actividade assenta numa dinâmica generalizada de adaptação à


mudança, de confiança e de esperança no futuro.

Continuar a credibilizar e a dignificar as actividades agrícola e florestal,


enquanto actividades essenciais no nosso País, são propósitos importantes do
Governo.

O sector agro-florestal precisa de verdade, de dedicação, de empenhamento


político, de progresso técnico e de capacidade de negociação internacional, mas
também de mobilização, de rigor e sobretudo, de muito trabalho e de um
grande esforço colectivo.

O País precisa de produzir mais e melhor, respeitando o ambiente e tendo


presente que a agricultura desempenha uma multiplicidade de funções como a
produção de alimentos, a gestão do território e a coesão social e territorial que
justificam e valorizam o papel desempenhado por todos os seus intervenientes
e contribuem decisivamente para um Desenvolvimento Sustentável.

Constitui um objectivo estratégico, para o qual se tem que mobilizar a


sociedade civil, o combate ao abandono das terras agrícolas e florestais de
modo a contrariar os efeitos nefastos que produz no território nacional, em
particular nas zonas desfavorecidas.

No plano europeu, o Governo assumirá, plenamente, o seu direito à iniciativa e


procurará, através de uma política consistente de alianças, salvaguardar os
interesses nacionais, nomeadamente em futuras reformas sectoriais que se
avizinham, caso particular do sector do açúcar.

Atribui-se às negociações do futuro Fundo Agrícola Europeu para o


Desenvolvimento Rural uma grande importância para o reforço da
sustentabilidade do espaço rural nacional. Nesta matéria, será prosseguida a
defesa da atribuição de recursos suficientes e de uma flexibilidade, ao nível da
programação, assente no princípio da subsidiariedade.

No plano das relações externas, há que garantir que, nas negociações no


quadro da Organização Mundial do Comércio, a agricultura não seja utilizada
como “moeda de troca” e seja preservado o modelo agrícola europeu. O
Governo empenhar-se-á pela estabilidade dos mecanismos de apoio interno,
tendo presente o capital negocial obtido pela reforma da PAC de 2003, na
prudência no acesso ao mercado, particularmente para produtos sensíveis e
ainda pela defesa das indicações geográficas.

Na área institucional e administrativa, o Governo preconiza as seguintes


medidas:

- a reforma na estrutura e no funcionamento do Ministério e dos


serviços a ele associados, incluindo o desenvolvimento de uma
política sistemática de qualificação dos recursos humanos, no quadro
das oportunidades criadas pelo programa operacional para a
modernização da administração pública;

- a operacionalização da Reforma da PAC, destacando o regime do


pagamento único e a condicionalidade, bem como a programação da
futura política de Desenvolvimento Rural para o próximo período
2007-2013, assente num amplo debate e participação de todas as
entidades com intervenção relevante nestas questões;

- a reorientação global e conjugada da investigação, do ensino e da


formação profissional, através de um sistema coordenado de
programação e de avaliação e com base numa rede de unidades
produtivas privadas e colaborantes.

- o apoio à partilha da gestão da política agrícola com organizações


agrícolas com representatividade e capacidade técnica comprovadas;

- o apoio ao desenvolvimento das estruturas interprofissionais,


promovendo uma maior integração entre a produção e a agro-
indústria, como forma privilegiada de promoção e organização para a
comercialização de produtos agrícolas;

O Governo promoverá na área produtiva e do desenvolvimento:

- a adopção de um referencial de prioridades que valorize a


competitividade, a defesa do ambiente, a segurança alimentar, a
qualidade e especificidade, a inovação, a multifuncionalidade e a
diversificação económica das explorações agrícolas, da agro-indústria
e das zonas rurais;

- no âmbito dos programas estruturais em vigor:


- o apoio à melhoria da gestão das explorações agrícolas
para dar resposta às crescentes exigências ao nível do
ambiente, segurança alimentar e bem-estar animal através
do lançamento do “sistema de aconselhamento agrícola”
com a colaboração de entidades com capacidade técnica
comprovada;

- a simplificação dos procedimentos administrativos, na


relação entre os utentes e os diversos serviços do Ministério
da Agricultura, Pescas e Florestas, nomeadamente ao nível
das candidaturas no âmbito dos vários instrumentos de
apoio;

- a prioridade ao rejuvenescimento do tecido empresarial;

- a implementação do Plano Nacional para o Desenvolvimento da


Agricultura Biológica;

- o reforço dos factores de competitividade do sector agro-industrial


com especial atenção à inovação, à qualidade e à internacionalização;

- a concessão, aos agricultores portugueses, de idênticas condições às


que usufruem os seus mais directos concorrentes, designadamente
através da utilização das “Indemnizações Compensatórias” previstas
na regulamentação europeia sobre regiões desfavorecidas;

- a defesa da base produtiva tradicional das regiões, enquanto não


forem identificadas alternativas económicas susceptíveis de basear
uma reconversão produtiva viável.
O Governo procurará reforçar a confiança dos consumidores, através das
seguintes medidas:

- a realização sistemática de acções de controlo e fiscalização, bem


como de informação pública permanente, transparente e rigorosa;

- a reestruturação dos organismos com competências na área da


fiscalização e controlo da qualidade alimentar, no sentido de uma
definição clara de responsabilidades;

- o incentivo aos sistemas reconhecidos de qualidade dos alimentos,


bem como o apoio a actividades de informação aos consumidores,
através da introdução de uma medida para a “Qualidade dos
Alimentos” no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural.

Por fim o Governo manterá, na sequência do trabalho desenvolvido pelo


anterior Governo, uma particular atenção na criação das condições necessárias
para o equilibrado desenvolvimento da actividade cinegética em Portugal.
6. FLORESTAS

O Governo atribui ao sector florestal português uma prioridade política


fundamental. A floresta constitui um dos mais valiosos recursos naturais que
Portugal possui, sendo decisivo prosseguir e aprofundar a estratégia delineada
com vista à sua preservação, desenvolvimento e gestão florestal sustentável.

A floresta possui uma diversidade de funções que importa valorizar, desde a


sua componente de fileira económica, passando pelo seu contributo para a
conservação da natureza e para o equilíbrio do ambiente em matéria de
promoção da biodiversidade, de defesa contra a erosão, de correcção dos
regimes hídricos e de qualidade do ar e da água.

A relação da sociedade portuguesa para com a floresta alterou-se


dramaticamente com os incêndios florestais de 2003, gerando um consenso
nacional quanto à necessidade de uma aposta clara em políticas públicas
coerentes de gestão da floresta e de ordenamento do território.

Assim, o Governo está empenhado em continuar a reforma do sector florestal


(RESF), na prossecução, entre outros, dos seguintes objectivos:

- imprimir coerência intersectorial, garantindo a conservação dos


recursos;

- promover o ordenamento dos espaços florestais e a sua gestão


sustentável, implementando os instrumentos de ordenamento e
gestão florestal, designadamente os Planos Regionais de
Ordenamento Florestal (PROF), as Zonas de Intervenção Florestal
(ZIF) e os Planos de Gestão Florestal (PGF);
- consolidar o sistema de prevenção, detecção e primeira intervenção
na defesa da floresta contra incêndios, com a participação activa das
organizações do sector e das autarquias;

- aumentar a eficiência dos recursos disponíveis, promovendo a


avaliação dos resultados do investimento público no sector;

- aproximar os serviços das populações e partilhar responsabilidades


com as organizações do sector;

- garantir o envolvimento activo dos cidadãos na defesa dos espaços


florestais;

- consolidar o novo modelo institucional para o sector.


7. PESCAS

O Governo intervirá no sentido de promover a criação de condições que tornem


o sector pesqueiro português mais moderno e competitivo, assegurando, assim,
a sua sustentabilidade, no quadro da Política Comum de Pescas.

Para o efeito desenvolverá uma política de modernização estrutural, quer ao


nível da produção, quer ao nível da indústria transformadora dos produtos da
pesca e da aquicultura, incentivando o investimento no sector e orientando-o
para responder às actuais exigências de competitividade empresarial e aos
requisitos da Política Comum de Pescas, nomeadamente no que respeita à
conservação dos recursos e à qualidade dos produtos.

Assim, o Governo propõe-se a:

- promover a modernização das estruturas produtivas do sector, dos


portos de pesca e de outros equipamentos de interesse colectivo,
com o objectivo de garantir a qualidade e valorização dos produtos
da pesca, a preservação ambiental e a dinamização integrada das
comunidades piscatórias;

- modernizar a frota de pesca, promovendo a melhoria das condições


de segurança, habitabilidade e conservação do pescado a bordo;

- assegurar a manutenção e o eventual reforço das possibilidades de


pesca da frota nacional que opera em pesqueiros externos;

- garantir a sustentabilidade das pescas nacionais, através de medidas


de gestão dos recursos cujos pareceres científicos o aconselhem;
- dinamizar a cooperação com países terceiros, em especial com os de
língua oficial portuguesa;

- investir na melhoria das estruturas de apoio à investigação, com


destaque para os navios de investigação, estações piloto de
aquicultura e laboratórios especializados, de forma a melhorar a
capacidade operacional e facilitar a transferência de conhecimentos
aos agentes económicos;

- adequar a formação profissional às necessidades emergentes do


evoluir do sector, por forma a compatibilizar a qualificação exigida
pelo mercado de trabalho com o perfil técnico-profissional dos
profissionais do sector;

- assegurar o adequado controlo e fiscalização da Zona Económica


Exclusiva Nacional, através da utilização de sistemas de localização
por satélite e de uma intervenção coordenada dos meios humanos e
materiais disponíveis;

- regulamentar os condicionalismos ao exercício da pesca lúdica com o


objectivo de assegurar uma gestão nacional dos recursos e de a
compatibilizar com o exercício da pesca comercial.
8. OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES

Uma das atribuições importantes do Estado é garantir a implementação de


redes de infra-estruturas modernas e eficazes, de forma a favorecer e melhorar
a mobilidade de pessoas e bens e da informação, com maior segurança, rapidez
e comodidade, enquanto factor decisivo para o crescimento, desenvolvimento
económico e qualidade de vida.

A promoção das obras públicas, enquanto investimento público selectivo e


indutor da criação de riqueza, deve alicerçar-se num planeamento estratégico
fundamentado em avaliações sócio-económicas consistentes e direccionada
para os grandes objectivos:

- melhoria da qualidade de vida dos cidadãos;


- aumento da competitividade da economia;
- promoção da mobilidade para o estabelecimento de novas
centralidades;
- fortalecimento da coesão e cooperação inter-regional;

que devem contribuir para a:

- convergência do desenvolvimento nacional com a média europeia;


- desenvolvimento sócio-económico sustentado.

Os grandes investimentos em Obras Públicas devem ser compatibilizados com


as linhas fundamentais das políticas de ordenamento do território e de
salvaguarda dos valores ambientais e do património histórico-cultural.

Em matéria de acessibilidades, os projectos nacionais devem privilegiar a


conexão à rede transeuropeia, tendo em vista a minimização dos
constrangimentos derivados da nossa localização geográfica e a valorização dos
nossos recursos naturais e geo-estratégicos em matéria de transportes
rodoviários, ferroviários, marítimo e aéreo, reforçando o papel das relações
transatlânticas. Para tal, contribuirá também a implementação de um sistema
logístico, integrador dos diversos modos de transporte e potenciador de uma
mobilidade mais eficiente e rentável.

O Estado não deve absorver funções que outras entidades públicas e não
públicas consigam gerir com mais eficácia, ou que possam beneficiar de uma
maior prontidão, se desempenhadas por agentes mais próximos dos problemas.

O Estado deve conservar e reforçar a sua função reguladora, mantendo como


propósito geral a optimização da aplicação dos recursos públicos.

O Governo aposta na cooperação institucional com entidades públicas e


privadas de reconhecida competência técnica e científica, para a aplicação de
novas tecnologias e políticas de inovação no sector das obras públicas, com o
objectivo de se alcançar maiores índices de qualidade e segurança.

As avaliações prévias dos diversos projectos devem ser de natureza sócio-


económica, incluindo os aspectos ambientais para além da componente
financeira, tendo em vista a optimização da aplicação dos fundos públicos,
promovendo-se a divulgação pública dos benefícios esperados com a sua
concretização e o seu grau de cumprimento. Neste sentido será apresentado
um conjunto de instrumentos de medida que permitam avaliar da qualidade e
eficiência dos investimentos e dos serviços prestados.

A conservação e a segurança representam dois aspectos fundamentais dos


equipamentos públicos. A primeira porque conduz a economias manifestas e a
segunda porque não é tolerável que uma sociedade civilizada não garanta à
população a utilização confiante daqueles equipamentos.

No domínio dos transportes importa incorporar na definição de estratégias os


planos de acção, as metas e objectivos que venham a ser aprovados para o
sector quer no plano nacional para as alterações climáticas, quer na estratégia
nacional para o desenvolvimento sustentável (2005-2015), reduzindo a
intensidade energética e a emissão de poluentes e resíduos.

Tendo como enquadramento as orientações anteriores, propomo-nos levar a


cabo as seguintes acções:

8.1 OBRAS PÚBLICAS

- desenvolvimento do Plano Rodoviário Nacional adequando-o às


exigências das novas centralidades, prosseguindo com a construção
da rede dos principais IP’s e IC’s já projectados;

- combate à sinistralidade rodoviária pretendendo-se não só identificar


e eliminar os “pontos negros” na rede existente, como também
incorporar nos futuros projectos normas de segurança, de forma a
reduzir as causas dos sinistros;

- desenvolvimento de uma estratégia para a segurança e a qualidade


da mobilidade rodoviária, no âmbito da construção de novos eixos
viários e na conservação dos existentes, promovendo uma “cultura
rodoviária”, no quadro do Instituto das Estradas de Portugal,
enquanto centro dinamizador de inovação e qualidade, nas áreas do
planeamento, projecto, construção, conservação e da gestão das
rodovias;

- desenvolvimento do novo modelo de financiamento das infra-


estruturas rodoviárias, assente predominantemente no princípio do
utilizador-pagador, de modo a contribuir para a sustentabilidade
financeira do sistema, salvaguardando a necessidade de medidas de
discriminação positiva que permitam evitar injustiças regionais e
fiscais;

- criação de um Fundo para a conservação, beneficiação e segurança


da infra-estrutura rodoviária, baseado num quadro de neutralidade
orçamental, através da reafectação de receitas inerentes ao sector;

- continuação dos projectos de ligação da rede de auto-estradas


nacionais às redes transeuropeias de auto-estradas e execução das
infra-estruturas rodoviárias que completam a rede fundamental de
acessibilidades às áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e às
cidades de média/grande dimensão;

- criação de um novo modelo que, em conjunto com a redefinição das


opções do Plano Rodoviário Nacional, promova a desclassificação de
infra-estruturas rodoviárias que tenham interesse ou dimensão local
ou intermunicipal, entregando a sua administração às autarquias
locais, com base num quadro adequado de transferências financeiras;

- implementação de uma rede nacional de plataformas logísticas,


associando o sector privado, de forma a assegurar a fluidez nos
movimentos das mercadorias e a sua integração no sistema inter-
modal europeu;

- revisão da legislação subjacente aos contratos de empreitadas e


serviços correlacionados, de modo a maximizar os benefícios dos
investimentos públicos;

- criação do “Observatório de Obras Públicas”, no âmbito do Conselho


Superior de Obras Públicas, com o objectivo de avaliar o grau de
cumprimento dos objectivos iniciais e a incidência das alterações de
valores e condições durante o período de execução das empreitadas;

- combate à sinistralidade laboral na construção civil, através da


promoção de uma verdadeira cultura de segurança.

8.2 PORTOS E TRANSPORTES MARÍTIMOS

- reestruturação do modelo de gestão dos portos, através da eventual


constituição de uma Holding, de modo a obter economias de escala,
redução de custos e aumento da competitividade das estruturas
portuárias do País;

- continuação do esforço de investimento na modernização das


principais infra-estrutruras portuárias, com vista a atingir maior índice
de produtividade e a cumprir as novas necessidades em matéria de
segurança portuária;
- prossecução de uma política de desenvolvimento empresarial da
gestão portuária, através do alargamento de concessões de serviço
público das actividades portuárias, incentivando o investimento
privado;

- aposta no desenvolvimento das auto-estradas marítimas do Atlântico


e no Transporte Marítimo de Curta Distância, com o objectivo de
operar uma transferência modal da rodovia para o transporte
marítimo, de forma a corresponder às preocupações ambientais, e
potenciar os recursos naturais e geo-estratégicos do País;

- desenvolvimento de uma política de apoio à internacionalização e à


modernização das empresas de navegação nacionais;

- construção e modernização das infra-estruturas rodo-ferroviárias de


acesso aos portos e necessárias ao estabelecimento da inter-
modalidade (com particular prioridade à acessibilidade ao Porto de
Sines), que permitirá ao transporte marítimo afirmar-se como
alternativa competitiva e sustentada face aos restantes modos de
transporte.

8.3 TRANSPORTES AÉREOS

- constituição de um cluster aeronáutico português, com vista à


optimização dos processos de inter-face entre os diferentes
operadores na cadeia aeronáutica, designadamente as companhias
de aviação, a gestão dos aeroportos, o controlo do tráfego aéreo, a
entidade reguladora do sector, e outros;
- prossecução da política de privatização da TAP, procurando as
parcerias estratégicas que viabilizem a reestruturação empresarial do
Grupo TAP, conferindo-lhe condições de sustentabilidade num
mercado internacional altamente competitivo;

- continuação do esforço de modernização e reequipamento das


principais infra-estruturas aeroportuárias do país, de modo a
maximizar a sua capacidade e a prolongar o seu período de
utilização, salvaguardando os níveis de qualidade do serviço a
prestar;

- prossecução dos estudos relativos ao aeroporto da OTA, de modo a


poder caracterizar adequadamente o empreendimento. No entanto, a
sua concretização não é prioritária e ele não arrancará na presente
legislatura;

- definição de uma rede integrada de aeródromos secundários,


localizados estrategicamente em todo o território nacional, que
permitam potenciar este meio de transporte como uma das formas de
contribuir para o desenvolvimento inter-regional, nomeadamente pela
promoção de localização de actividades económicas, do turismo e do
combate aos fogos florestais e de outras situações de emergência;

- actualização do quadro legal em matéria de segurança aérea e


aviação civil correspondendo às actuais exigências internacionais para
o sector.
8.4 TRANSPORTES TERRESTRES

- conclusão da revisão do actual quadro legislativo e complementação


da Lei de Bases do Sistema de Transportes Terrestres e do regime
jurídico do transporte público, devidamente harmonizado com as
normas e recomendações europeias e a reformulação da orgânica do
sector público dos transportes, com particular destaque para a
concepção de um modelo sustentável para os sistemas de transportes
colectivos nas aglomerações urbanas;

- redefinição dos modelos de gestão e metas de eficiência económica


para as empresas públicas de transportes colectivos, com base em
benchmarks internacionais e na avaliação do valor acrescentado
social dos serviços que prestam, identificando planos de intervenção
em caso de incumprimento daquelas metas;

- definição de um plano de integração física, tarifária e lógica dos


transportes colectivos nas principais aglomerações urbanas;

- contratualização com as empresas concessionárias, públicas e


privadas, da prestação do serviço público de transportes - optando
progressivamente pela subsidiação à procura - bem como com as
entidades públicas gestoras das infra-estruturas;

- abertura à iniciativa privada das empresas actualmente detidas pelo


Estado ou nas quais o Estado e outras entidades públicas detenham,
directa ou indirectamente, a maioria do capital social, favorecendo
também a participação das autarquias no capital e na gestão;

- concretização das acções previstas no âmbito das orientações já


definidas para a futura rede ferroviária de alta velocidade;
- elaboração do Esquema Director da Rede Ferroviária Nacional como
base de preparação do Plano Ferroviário Nacional, visando a definição
de estratégia de acção coerente, unificadora e integradora para a
rede enquanto parte do sistema global de transportes;

- apoio técnico e financeiro à concepção e construção de estruturas de


articulação entre diferentes modos de transporte, com especial
prioridade à ligação entre transportes ferroviários e rodoviários, de
acordo com uma visão conjugada e complementar dos diferentes
meios de transporte;

- conclusão da modernização da rede ferroviária suburbana do Grande


Porto, com a concretização da ligação a Marco de Canavezes;

- conclusão dos estudos, projectos e respectivas intervenções que


permitam a finalização da modernização do troço ferroviário entre
Lisboa e Porto, no âmbito do Eixo Atlântico em 2007;

- conclusão até final de 2006, da modernização da Linha da Beira Baixa


até à Guarda;

- modernização da Linha do Oeste, por forma a dotá-la de parâmetros


técnicos e de qualidade consentâneos com os existentes nos troços
da rede ferroviária já intervencionada;

- continuação do processo de supressão e reclassificação de passagens


de nível sem guarda ou sem vigilância permanente em todos os
troços de caminho de ferro, de modo a aproximar o nosso País dos
índices europeus;
- criação de incentivos à renovação das frotas das empresas
transportadoras públicas ou privadas, de modo a dotar o parque de
transportes públicos urbanos, interurbanos e regionais, de veículos
menos poluentes, mais rápidos e seguros com maior comodidade,
subordinados à efectiva adopção e cumprimento de necessárias
medidas de articulação modal integradoras do sistema de
transportes.

Em particular, quanto aos transportes urbanos e nomeadamente aos


transportes nas Áreas Metropolitanas e obedecendo ao já referido princípio da
integração física, tarifária e lógica:

- consolidação das Autoridades Metropolitanas de Transportes;

- elaboração de um Plano Geral de Mobilidade em cada Área


Metropolitana em consonância com o disposto nos PDM e na
observância das necessárias condições de intermodalidade e de
preservação ambiental;

- adopção de estratégias e projectos, visando a alteração da repartição


modal em favor do transporte público, mediante medidas legislativas
e administrativas dissuasoras da utilização de transporte individual
nas áreas urbanas. Estes serão apoiados em medidas apropriadas de
gestão da via pública, possibilitando a criação de corredores
prioritários para transportes públicos ou transportes individuais com
elevado nível de ocupação, especialmente nos acessos às áreas
metropolitanas e às cidades mais congestionadas;

- conclusão das intervenções nas linhas de Sintra, Azambuja e Praias


do Sado, quadruplicação da Linha de Cintura no troço Chelas – Braço
de Prata e arranque da modernização da linha de Cascais;
- conclusão das negociações entre o Estado e o operador da extensão
do serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal;

- concretização do Museu Nacional Ferroviário;

- aceleração do processo de instalação do Metro ao Sul do Tejo e


lançamento do concurso público internacional, no âmbito do projecto
do Metropolitano Ligeiro do Mondego;

- conclusão da primeira fase do Metro do Porto e definição das novas


linhas que irão assegurar a expansão no quadro do sistema integrado
de transportes da Área Metropolitana do Porto.
9. POLÍTICA ENERGÉTICA

Portugal iniciou um processo firme de recuperação de um atraso importante na


liberalização e abertura dos mercados energéticos, que se vinha reflectindo em
óbvios prejuízos para os consumidores e para as empresas portuguesas. Nesse
sentido, a consolidação do processo de liberalização iniciado será um objectivo
da política de energia, visando uma melhor afectação de recursos e consumos
energéticos e a melhoria das condições competitivas das empresas.

Nesta área, o Governo manterá a mesma linha de actuação que se continuará a


desenvolver em torno dos seguintes eixos estratégicos:

- a consolidação do processo de modificação do quadro estrutural do


sector;

- a reorganização da oferta energética;

- a promoção dos recursos endógenos, a par da diminuição da


dependência energética;

- a promoção da eficiência da procura energética e da minimização dos


efeitos da utilização da energia do ambiente.

Para o cumprimento dos objectivos estratégicos definidos, o Governo terá ou


manterá, como prioritárias, as seguintes medidas:

- o reforço e consolidação dos mecanismos de concorrência e de


abertura dos sectores de electricidade e gás natural;

- a supervisão efectiva por parte da Autoridade da Concorrência dos


preços dos combustíveis;
- o desenvolvimento do Mercado Ibérico da Electricidade, com defesa
intransigente dos interesses nacionais;

- o desenvolvimento da recente filosofia de consolidação em cada uma


das diferentes fileiras energéticas, no domínio dos petróleos, gás
natural e electricidade;

- o estudo da eventual separação entre as actividades de importação e


distribuição de alta pressão e distribuição capilar de gás natural,
dentro dos termos dos contratos de concessão existentes;

- o apoio ao desenvolvimento das energias renováveis (energia eólica,


energia solar, mini-hídricas e energia das marés);

- a promoção de aproveitamentos hidroeléctricos de fins múltiplos,


para produção de energia e aproveitamento da água;

- o desenvolvimento das políticas de conservação e utilização racional


da energia;

- o estímulo às políticas de diminuição da intensidade energética do


produto, numa trajectória de desenvolvimento sustentável;

- o incentivo ao consumo de energias ambientalmente mais eficientes.


10. COMUNICAÇÕES

O acesso à informação é hoje visto como um catalizador para o sucesso das


economias, sobretudo para as economias baseadas no conhecimento.

A disponibilização generalizada de infra-estruturas e serviços de comunicações


electrónicas (nomeadamente a Internet de banda larga em todo o território
nacional) a preços competitivos, por via de um mercado concorrencial, é um
factor crítico para o aumento da produtividade e competitividade das empresas,
contribuindo decisivamente não apenas para o crescimento presente, mas
lançando igualmente os alicerces para o crescimento futuro.

É ainda essencial enquanto garante de um elevado nível de info-inclusão e


coesão social.

As características especiais recomendam a manutenção de uma autoridade


reguladora independente, com poderes em matéria de verificação dos níveis de
concorrência e de qualidade do serviço. A total independência desta autoridade
é vista pelo Governo como condição imprescindível para a credibilização das
decisões do mesmo e consequente imagem, junto de clientes e investidores,
das empresas cotadas do sector.

A escassez de recursos, nomeadamente de espectro, condiciona a total


liberdade de entrada de operadores, sendo apropriado regular as respectivas
condições de acesso. Torna-se, portanto, necessário um especial cuidado na
regulação da concorrência entre os operadores, prevenindo-se práticas de
coordenação de preços ou mesmo de abuso de posição dominante ou de
práticas predatórias, conducentes à manutenção de situações dominantes por
parte dos operadores já instalados.
Também deve ser evitada a apropriação indevida ou excessiva de rendas
económicas, potencialmente importantes, por parte daqueles que a elas têm
acesso. Sendo os recursos escassos propriedade do Estado, ou seja, dos
cidadãos, é natural que estes partilhem dos benefícios gerados pela sua
exploração. Assim, deve o Estado, no que respeita à eventual atribuição de
licenças futuras, procurar afectar as mesmas aos operadores que demonstrem
maior capacidade de geração de valor, sem prejuízo para a qualidade de
serviço, partilhando com os beneficiários dos serviços o valor assim criado.

Quando determinadas tecnologias sejam identificadas como cruciais para o


desenvolvimento do país, mas cuja exploração se possa revelar pouco
interessante para os operadores privados, o Estado promoverá o licenciamento
da exploração das mesmas por concurso público, outorgando as licenças
sobretudo em função da solidez tecnológica da proposta e das contrapartidas
pretendidas, as quais deverão ser concedidas preferencialmente sob a forma de
crédito fiscal de imposto ou similar concedido aos promotores.

O Estado deverá, ainda, apoiar e promover as empresas nascentes que se


dedicam ao desenvolvimento de novos serviços de base tecnológica virados
para as telecomunicações, na óptica da sociedade de informação,
nomeadamente através dos apoios disponíveis em matéria de investigação
científica aplicada e sob a forma de participações de capital de semente.
III
REFORÇAR A JUSTIÇA SOCIAL
GARANTIR
A IGUALDADE DE OPORTUNIDADES
1. SAÚDE

INVESTIR NA SAÚDE É INVESTIR NAS PESSOAS

A saúde é um bem e um direito de todos os cidadãos. Constitui uma das


políticas sociais que mais contribui para uma sociedade justa e solidária.

Será, por isso, prioridade do Governo continuar a reforma estrutural do sector


da saúde, de forma a criar um verdadeiro Sistema Nacional de Saúde em
Portugal focalizado no primado do cidadão. Um sistema que chegue a todos os
portugueses, independentemente da sua condição social ou do local onde
vivam.

O essencial é que todos, sem excepção, tenham acesso aos melhores cuidados
de saúde sempre que deles necessitem.

No Governo anterior, a partir de 2002, iniciaram-se profundas alterações no


tradicional Serviço Nacional de Saúde público (SNS), de natureza monopolista e
administrativa. A opção passou por evoluir do conceito de SNS para um novo
paradigma de Sistema Saúde misto, combinado e interligado, onde coexistam
entidades públicas, privadas e sociais, que actuem em rede de modo integrado
e orientadas para as necessidades dos utentes.

Porque o importante não é quem faz a saúde. O importante é a quem ela se


destina.

O Estado tem um papel insubstituível no Sistema de Saúde como garante do


direito constitucional dos portugueses, que se concretiza no acesso universal
aos cuidados de saúde de forma tendencialmente gratuita.

Assim, o Governo continuará a ter um papel na gestão das estruturas da saúde.


Mas, sempre que se comprove que os sectores privado e social gerem com
maior eficácia, menores custos e, essencialmente, com um evidente benefício
para quem carece de cuidados, há que optar por esta via.

Porque o fundamental é garantir às pessoas um atendimento de qualidade, em


tempo útil, com eficácia e com humanidade, através de um Sistema de Saúde
centrado no cidadão e orientado para a prestação de cuidados de saúde a
quem precisa e não para a satisfação das necessidades internas do próprio
sistema.

Como devem ser os próprios interessados a julgar a política de saúde, o


Governo procurará assegurar a diversidade na oferta e a liberdade de escolha
dos utentes. Só assim é possível chegar aos portugueses, pois são eles que
devem avaliar, mais tarde, o sucesso desta política.

O Programa do Governo para a área da saúde, até ao final da legislatura, será


norteado pela concretização de objectivos estratégicos e pela implementação
de diversas medidas:

Objectivos:

- propiciar melhores cuidados de saúde e com maior proximidade ao


utente, assumindo o desafio da qualidade;

- garantir a acessibilidade dos portugueses aos cuidados de saúde, em


especial no que se refere às listas de espera cirúrgicas e à melhoria
do acesso aos cuidados primários;

- assegurar a sustentabilidade financeira do sistema, incrementando a


eficiência e o rigor na aplicação dos recursos disponibilizados;

- optimizar e promover os Recursos Humanos do sector;


- adoptar o Plano Nacional de Saúde como vector estruturante;

- continuar os programas de prevenção e tratamento da


Toxicodependência, alcoolismo e de combate ao VIH/SIDA.

Medidas:

- completar a reestruturação do Serviço Nacional de Saúde, baseando


a sua organização e funcionamento num conceito de sistema
articulado de Redes de Cuidados Primários, de Cuidados
Diferenciados e de Cuidados Continuados;

- aprofundar e desenvolver a reorganização da Rede de Cuidados


Primários vocacionando-a como o primeiro contacto dos cidadãos,
sempre que possível, com o Sistema de Saúde, e proporcionando a
cada português o seu Médico de Família e um atendimento
atempado, eficaz e humanizado;

- operacionalizar o conceito de Rede de Cuidados Primários em que


possam coexistir estabelecimentos e operadores públicos, privados e
sociais com explicitação dos resultados e ganhos de saúde a atingir
para a população, assegurando a gestão dos Centros de Saúde:

- ou através da gestão pública directa de acordo com os


princípios do [Link] nº.60/2003 de 1 de Abril,

- ou através da gestão contratualizada com abertura


preferencial às cooperativas de profissionais de saúde, e
também a entidades do sector social e à iniciativa
autárquica, universitária e/ou outras, utilizando modelos de
contratualização baseados em capitações e em incentivos
ligados a ganhos de saúde;
- incrementar a curto prazo «programas de melhoria» na gestão
corrente dos Centros de Saúde:

- atribuição de Médico de Família através da identificação de


vagas nas listas dos Médicos;

- melhoria da produtividade através da negociação de


objectivos concretos e individuais;

- melhoria da qualidade de acesso focalizada na maior


facilidade de agendamento de consultas, reduzindo o
tempo de espera para as marcações e melhorando a
pontualidade no atendimento;

- reformular, aprofundando e aperfeiçoando, o Regime de


Remuneração Experimental - RRE nos Centros de Saúde;
contratualização de serviços com grupos de Médicos dos Centros de
Saúde incluindo acordos de intersubstituição e complementaridade;

- aumentar a eficácia dos sistemas de triagem nos Serviços de


Urgência Hospitalares, que permitam o tratamento prioritário das
situações mais urgentes;

- adoptar progressivamente o modelo de profissionalização das


Urgências que possibilitem maior flexibilidade na gestão dos recursos
humanos utilizados;

- desenvolver e aprofundar a separação formal da função de


«financiamento e contratação» da função de «prestação»,
consolidando a metodologia de estabelecer contratos-programa para
todos os Hospitais, com a correspondente fixação de objectivos a
atingir por essas unidades hospitalares e com explicitação do
financiamento como contrapartida dos resultados alcançados;

- aprofundar o modelo organizativo da Rede de Hospitais SA, com a


criação de uma estrutura de decisão e acompanhamento tipo
“Holding”;

- assegurar o planeamento e controlo de objectivos na Rede de


Hospitais SA, com vista a alcançar uma melhoria contínua da
qualidade e o aumento da eficiência e da produtividade,
desenvolvendo:

- programas transversais de qualidade;

- a promoção da acreditação dos Hospitais;

- a gestão atempada e humanizada dos Serviços de


Urgência;

- a articulação efectiva com os Cuidados Primários e


Continuados;

- o sistema de incentivos na política de gestão dos Recursos


Humanos;

- o processo de informatização dos Hospitais;

- a captura do potencial significativo de melhoria ainda


existente.
- aplicar formas de gestão nos Hospitais do Sector Público
Administrativo (SPA), com utilização de critérios de gestão
empresarial pelas administrações públicas, assentes na celebração de
contratos-programa anuais, utilizando sempre que possível, nestes
Hospitais metodologias e processos de gestão já introduzidos e
testados com sucesso na rede de Hospitais SA;

- implementar o novo modelo de gestão dos Hospitais com ensino


universitário;

- aplicar o novo regime previsto para o Internato Médico;

- reconhecer a importância da prestação de cuidados diferenciados aos


doentes urgentes/emergentes e os ganhos em saúde que daí
resultam, promovendo o alargamento da área de intervenção do
INEM – Instituto Nacional de Emergência Médica em todas as suas
vertentes;

- aprofundar e desenvolver a Rede de Cuidados Continuados e de


Acolhimento Hospitalar para doentes crónicos, doentes idosos e
doentes necessitando de longas recuperações, em especial, mediante
contratualização protocolada, a celebrar com o sector social e
privado;

- finalizar o Programa Especial de Combate às Listas de Espera


Cirúrgicas (PECLEC), de modo a resolver o limitado número de casos
ainda existentes, relativos à lista registada em 30 de Junho de 2002;

- implementar um novo modelo de gestão para os doentes inscritos


para cirurgias nos Hospitais – o SIGIC, Sistema Integrado de Gestão
dos Inscritos para Cirurgia - visando diminuir o tempo médio de
espera, quer por via da contratualização com entidades privadas e
sociais, quer pela melhoria de eficiência na mobilização dos recursos
do próprio sistema, nomeadamente aumentando o tempo de
utilização dos blocos operatórios; ao mesmo tempo melhorar o
funcionamento das consultas externas hospitalares;

- alargar progressivamente ao resto do País o novo sistema – SIGIC –


que inicialmente se aplica nas regiões-piloto do Alentejo e Algarve, e
que envolve todos os hospitais nacionais, públicos e privados, e
controla todo o processo desde a inscrição até à realização da
cirurgia, maximizando a utilização da capacidade de oferta existente
no SNS;

- adoptar e fixar para cada caso necessitando de intervenção cirúrgica


um tempo de espera admissível, o qual uma vez ultrapassado dará
origem à emissão de um vale-cirurgia a ser utilizado pelo utente em
Hospitais ou Clínicas convencionadas do sector social e privado,
concedendo assim uma outra opção sem custo para o cidadão,
acentuando o princípio da liberdade de escolha;

- fixar como objectivo até ao final da legislatura que qualquer cidadão,


em qualquer região do País, aguardará apenas 6 meses, em média,
pela cirurgia para que estava inscrito;

- reforçar o estabelecimento, no âmbito do SNS, de Parcerias


Público/Privado, com a concessão da gestão de unidades prestadoras
de cuidados a entidades privadas ou de natureza social, segundo
princípios de eficiência, responsabilização, contratualização e de
demonstração de benefícios para o serviço público de saúde;

- proceder ao desenvolvimento e lançamento dos concursos públicos


para as 9 (nove) Unidades Hospitalares já anunciadas, e negociar e
adjudicar a construção e gestão da Unidade Hospitalar de Loures,
cujo concurso público foi já efectuado e as propostas dos
concorrentes apresentadas;

- implementar o Plano Nacional de Saúde, o qual constituirá a matriz


estratégica e estruturante da política de saúde e da reforma
estrutural em curso, com objectivos de obter de forma sustentada
ganhos de saúde para a população;

- desenvolver os vários programas e planos específicos que integram o


Plano Nacional de Saúde, nomeadamente:

- Plano Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas;

- Plano Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças


Cardiovasculares;

- Programa Nacional de intervenção integrada sobre


Determinantes da Saúde e dos Estilos de Vida;

- Programa de Controlo da Diabetes Mellitus;

- Programa de Informação e Educação sobre Estilos de Vida


saudáveis;

- Programa de Formação contínua para profissionais de


saúde;

- Programa Nacional de luta contra a SIDA, a gripe, a


tuberculose e a asma;
- Planos oncológico, da dor, da vacinação e da prevenção
rodoviária.

- adoptar um Programa Nacional de Prevenção ao Alcoolismo, com


meios humanos, técnicos e financeiros reforçados, para a informação,
o aconselhamento, a formação profissional, e tratamento e
reabilitação e a reinserção social;

- desenvolver Programas Nacionais de Luta Anti-tabágica e combater o


consumo do Tabaco;

- criar uma Carta Nacional de Equipamentos de Saúde, com vista a


evitar sobreposição de estruturas e a proporcionar uma correcta
gestão da capacidade instalada;

- assegurar a informatização dos Serviços e Entidades a operar no


SNS, estabelecendo redes de articulação entre eles e na ligação com
os restantes operadores da Saúde;

- desenvolver um novo sistema de Cartão do Utente do SNS, com


novas funcionalidades operacionais que identifique o utente perante
o sistema, que certifique os respectivos direitos e que assegure a
confidencialidade de toda a informação relativa ao doente, dando
resposta a necessidades básicas do sector, tais como:

- identificar de forma inequívoca e actualizada todos os


utentes do SNS, referenciando-o ao longo da cadeia de
prestação de cuidados de saúde;

- registar centralmente os cuidados de saúde prestados a


cada utente nas diversas unidades de saúde, bem como as
prescrições de MCDT’s e a venda de medicamentos
prescritos no SNS;

- identificar a entidade pagadora responsável por suportar a


assistência médica a cada utente;

- estabelecer um repositório credível de informação que


permite uma melhor articulação das entidades envolvidas;

- assegurar progressivamente o acesso diferenciado aos Meios


Complementares de Diagnóstico e Terapêuticos (MCDT’s), com
liberdade de escolha pelos utentes através da gestão de uma rede de
prestadores assente em normas de certificação de qualidade, e
contratualização em quantidade e preço dos serviços a prestar;

- desenvolver o novo processo de requisição/prescrição de MCDT’s,


lançando de início uma experiência piloto;

- prosseguir e monitorizar a política do medicamento assente numa


estratégia de informação que garanta um maior rigor na prescrição e
utilização dos medicamentos – através do reforço dos instrumentos
de comunicação com os profissionais de saúde e cidadãos – e
acautele a sustentabilidade da despesa;

- dar continuidade à opção política de promoção e consolidação do


mercado de medicamentos genéricos – que tem reforçado a
acessibilidade do cidadão ao medicamento através da introdução no
mercado de medicamentos de menor custo, permitindo, por essa via,
a comparticipação de medicamentos inovadores e de promoção da
generalização da prescrição por Denominação Comum Internacional
(DCI);
- desenvolver uma política nacional de racionalidade terapêutica,
através da promoção da qualidade da prescrição, da dispensa e do
uso dos medicamentos, a nível do ambulatório e hospitalar,
nomeadamente pela adopção de instrumentos de apoio à decisão e
pelo desenvolvimento da prescrição electrónica;

- implementar o Plano da Farmácia Hospitalar tal como estipulado na


Resolução do Conselho de Ministros nº128/2002, de 25 de Setembro;

- proceder à reforma do sistema de comparticipações, com vista à


obtenção de uma solução socialmente mais justa, garantindo ao
mesmo tempo, que as doenças mais incapacitantes e os doentes de
menores recursos tenham acesso privilegiado ao medicamento;

- contribuir para o reforço da competitividade no sector farmacêutico,


nomeadamente através da redução de custos de contexto, da
promoção de programas de investigação e desenvolvimento e do
apoio a actividades de exportação e internacionalização do sector
designadamente por intermédio de parcerias;

- apoiar o funcionamento e a operacionalidade da Entidade Reguladora


da Saúde, autoridade administrativa independente e elemento
fundamental da reforma estrutural em curso que enquadra a
participação e actuação dos operadores públicos, privados e sociais
no âmbito da prestação dos cuidados de saúde;

- lançar um Centro de Atendimento da Saúde que permita o


aconselhamento e o encaminhamento mais eficaz dos utentes do
SNS, funcionando como um call-center que garanta uma triagem
preliminar e uma maior acessibilidade, com melhor definição do local
mais indicado;
- dignificar as carreiras profissionais, estabelecendo regras de
progressão baseadas em critérios de qualificação científica, técnica e
profissional;

- melhorar o processo de recrutamento, formação e educação dos


profissionais de saúde, a qualidade académica e pedagógica dos
docentes e o seu interesse e dedicação na investigação científica;

- proporcionar estímulos e incentivos aos profissionais de saúde que


facilitem a aplicação da nova Lei de Gestão Hospitalar em articulação
com os órgãos de gestão das Administrações regionais de saúde;

- desenvolver, através do IDT - Instituto da Droga e


Toxicodependência, uma Política para a Toxicodependência cuja
maior aposta é na prevenção, sem descurar o tratamento, a
reinserção e redução de riscos e minimização de danos;

- avaliar a Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga desenvolvida


nos últimos 4 anos, até ao final do ano de 2004;

- preparar e aprovar até ao final do ano de 2004 uma nova Estratégia


Nacional para o período de 2004-2008 e que deverá estar alinhada
com a Estratégia Europeia de Luta Contra a Droga;

- dar prioridade às abordagens preventivas que cujo enfoque assente


na promoção de estilos de vida saudáveis e na prevenção do abuso
do álcool e de tabaco; a Escola continuará a ser um espaço
privilegiado para tais intervenções, apostando-se cada vez mais na
formação de professores, pais e educadores;

- dar continuidade à política de prevenção comunitária, com


envolvimento das Autarquias, através da implementação dos Planos
Municipais de Prevenção, Planos Intermunicipais de Prevenção e
Planos Integrados, no sentido de progressivamente cobrir todo o
território nacional;

- definir uma política de intervenção nas prisões, com


complementaridade de estratégias;

- colocar em prática Programas de prevenção da doença, com


destaque para o papel a desempenhar pelo Médico de Família,
devendo reconhecer-se todas as situações potencialmente graves no
nosso tempo, tais como o VIH/SIDA e outras doenças sexualmente
transmissíveis, a tuberculose, as hepatites, as diversas doenças
oncológicas, a diabetes, as doenças associadas ao tabagismo e a
Toxicodependência;

- intensificar o combate e a luta contra a SIDA, através da Comissão


Nacional de Luta Contra a Sida (CNLCS), propondo como medida
prioritária o conhecimento do padrão epidemiológico da infecção no
nosso País;

- desenvolver um Plano Nacional de Luta contra a SIDA, visando os


objectivos e metas seguintes, para o período 2004-2006:

- criar um sistema de obtenção permanente de dados que


permita a monitorização da epidemia através de
indicadores epidemiológicos, o mais próximos da realidade;

- aumentar em 30% o número de indivíduos que conhecem


os métodos correctos de prevenção da infecção pelo VIH,
assim como o seu estado serológico para o VIH;
- reduzir para metade o número de novas infecções pelo
VIH, por transmissão vertical, por ano, em Portugal;

- manter a garantia a todos os utentes do Serviço Nacional


de Saúde infectados pelo VIH/SIDA, do acesso aos
cuidados de saúde adequados, de acordo com as
recomendações internacionais nesta matéria;

- dispor de um médico responsável ou de uma equipa


multidisciplinar responsável pela área do VIH e IST, em
70% dos Centros de Saúde da rede de cuidados primários
de saúde;

- estruturar e implementar os Centros de Terapêutica


Combinada de acordo com a Rede de Referenciação
Hospitalar de Infecciologia;

- integrar as respostas sociais apoiadas financeiramente pela


CNLCS na rede de cuidados continuados da saúde e nas
iniciativas de acção social do Ministério da Segurança
Social, da Família e da Criança;

- existência de legislação que proteja os direitos pessoais,


sociais e económicos da pessoa seropositiva para o
VIH/SIDA.
2. SEGURANÇA SOCIAL

A profunda reforma da Segurança Social é, não apenas inevitável, como


urgente, na continuação do trabalho inovador e estruturante desenvolvido pelo
XV Governo.

Como qualquer reforma sustentada, tem de se basear no justo equilíbrio entre


criação e distribuição de riqueza nacional e numa abordagem aproximativa.
Mas, simultaneamente, tem de ser visível a prazo, simples de entender e
pragmática na execução.

As reformas sociais exigem muito tempo para produzir em pleno os seus


resultados de equidade e de eficiência. E exactamente porque são geracionais,
devem ser inadiáveis.

Os diagnósticos estão todos feitos. O Livro Branco da Segurança Social constitui


um excelente instrumento de análise que apresenta diferentes propostas de
acção.

É tempo de se avançar na reforma, com coragem e com o sentido de se


encontrar o maior denominador comum na sociedade portuguesa. Não se
poderá iludir a reforma com medidas avulsas, que quase sempre tornam os
sistemas mais opacos e incoerentes, ou assumir um espírito de mudar
cosmeticamente algo para que tudo fique substantivamente na mesma.

O XVI Governo Constitucional reafirma as opções enformadoras da reforma da


segurança social aprovada pelo XV Governo Constitucional, assumindo o
compromisso da sua plena execução.
Neste âmbito, continuam a ser princípios fundamentais da acção governativa:

- o princípio da co-responsabilização social do Estado, das empresas e


das famílias, o que significa que se tomem medidas que tornem
viável uma crescente e harmoniosa cultura e prática de partilha de
riscos; trata-se de uma vertente essencial da reforma, porque ao
mesmo tempo cultural e geracional, comportamental, técnica e
financeira; esta cultura previdencial revela-se mais protectora das
futuras gerações e disponibiliza mais o Estado para as situações de
acrescida dificuldade social;

- um custo tão moderado quanto possível para as gerações futuras, o


que exigirá, entre múltiplos aspectos, um maior equilíbrio entre a
repartição e a capitalização dos benefícios futuros ou, por outras
palavras, entre a solidariedade dos activos para com os inactivos e o
auto-aforro compulsivo ou voluntário;

- um nível de prestações sociais tão justo e eficaz quanto possível,


aprofundando o princípio da discriminação positiva a favor dos mais
pobres, idosos ou das famílias mais numerosas, premiando o
contributivismo na formação das pensões e que, face à manifesta
insuficiência das pensões mais baixas, assegure os meios de
financiamento solidário para se atingirem, com visibilidade a prazo,
valores mínimos de dignidade;

- o incentivo ao trabalho e à poupança, com a adopção de mecanismos


de financiamento que aliviem as empresas e os trabalhadores dos
encargos de redistribuição que a toda a comunidade se impõem, que
não sejam um factor de distorção da competitividade e que não
atrofiem a flexibilidade e a mobilidade laborais, mecanismos que
deverão ser enquadrados por regras claras, estáveis, congruentes e
justas de incentivo ou compensação fiscal para a poupança;

- o rigor e estabilidade das regras como garante da imprescindível


supervisão pública dos diferentes mecanismos públicos, privados e
mutualistas de protecção social;

- a adopção da prática da flexibilidade das soluções para ocorrer a


eventualidades em permanente mutação e complexidade, eliminando
a obsessão do uniformismo social, da estandardização técnica e da
desumanização burocrática;

- o carácter cada vez mais indissociável dos riscos sociais (o


desemprego, a velhice, a saúde, a solidão, a dependência, etc.), o
que obriga a um tratamento dos mesmos de uma forma integrada,
coerente e não meramente reparadora ou indemnizatória, mas
crescentemente preventiva e dignificadora através da inserção social;

- a garantia de que a reforma da Segurança Social não seja isolada de


outras importantes reformas, em particular da fiscal, da laboral e da
saúde.

Por outro lado, importa continuar a promover e consolidar uma nova dimensão
ética das relações e transferências sociais, fundada nos princípios da
solidariedade, da subsidiariedade, da proporcionalidade dos meios e da
subsunção aos novos desafios e respostas sociais.
A solidariedade, enquanto valor e fundamento inalienável da dignidade
humana; a subsidiariedade, enquanto afirmação de uma cultura social de
partilha solidária de riscos e não apenas de uma atitude passiva de
dependência; a proporcionalidade de meios, tendo em atenção a sintonia entre
as macro-políticas e as micro-iniciativas e o justo equilíbrio entre a riqueza e a
sua distribuição.

Neste quadro de valores e referências, destacam-se as seguintes orientações e


medidas essenciais:

- a concretização da reforma da segurança social aprovada pelo XV


Governo Constitucional, de forma faseada, coerente e articulada, que
permita um justo equilíbrio entre direitos e deveres sociais, entre a
resposta pública e a contratual, entre a equidade social, a eficiência
económica e a liberdade de escolha, criando condições de
sustentabilidade geracional da Segurança Social pública;

- o desenvolvimento articulado dos diferentes pilares (público,


empresarial, familiar e individual) da segurança social, o que implica
assumir a complementaridade de uma maneira clara e definitiva,
com:

- uma maior consistência dos benefícios fiscais para


estimular as pensões complementares (públicas ou
privadas);

- o reforço da supervisão dos Fundos de Pensões e criação


de mecanismos de garantia e portabilidade das pensões
complementares.
- a concessão, no conjunto das prestações sociais, de absoluta
prioridade ao aumento das pensões mínima e social, de uma forma
orçamentalmente sustentável e convergente para o salário mínimo
nacional líquido;

- a concretização do princípio da diversificação das fontes de


financiamento da Segurança Social, designadamente diminuindo as
contribuições sobre os rendimentos do trabalho e com o objectivo de
lhe conferir maior neutralidade económica e fiscal;

- a articulação da reforma da segurança social com a reforma fiscal e a


laboral, por forma a incentivar a poupança, a eliminar factores de
distorção na economia e a flexibilizar o mercado de trabalho;

- o reforço dos mecanismos efectivos de combate à fraude (rendimento


social de inserção, subsídio de doença, subsídio de desemprego) e à
evasão e não pagamento das contribuições sociais;

- assegurar a medida do rendimento social de inserção reforçando os


princípios :

- da inserção social, profissional e comunitária que a ele


deve estar associado em termos de eficácia social;

- do efectivo controlo da sua atribuição e acompanhamento;


- a concretização efectiva do princípio da subsidiariedade
social, incentivando, promovendo e protegendo iniciativas
locais, voluntárias, privadas e mutualistas de protecção
social;

- o desenvolvimento e aprofundamento do mecenato social;

- a transformação gradual do financiamento directo às Instituições


Particulares de Solidariedade Social em financiamento directo às
famílias beneficiárias, segundo critérios de equidade social;

- o apoio aos idosos mais carenciados e isolados, aos doentes graves e


aos cidadãos atingidos por incapacidade absoluta e definitiva;

- a atribuição de ênfase às políticas de apoio às situações mais


gravosas de viuvez, orfandade e de crianças em situação de risco;

- a definição e execução de uma política diferenciada para a chamada


4ª idade, em articulação estreita com a política de cuidados de saúde
e estimulando a oferta de cuidados de longa duração para idosos
dependentes;

- a definição e concretização de um programa nacional de apoio às


pessoas idosas, privilegiando o apoio domiciliário e as estruturas de
convívio e de combate ao isolamento e insegurança, e discriminando
positivamente as famílias que acolhem os mais velhos no seu seio;
- a reestruturação e simplificação, em conjugação com o Ministério da
Justiça, do instituto de adopção de crianças;

- concretização do Plano Nacional de Acessibilidades;

- a concretização de medidas de estímulo ao tele-trabalho e ao


trabalho domiciliário de cidadãos portadores de deficiência;

- a criação de novas prestações sociais de apoio aos deficientes


profundos;

- a previsão legal da possibilidade de pensões de reforma parcial em


conjugação com a prestação de trabalho a tempo parcial;

- o reforço dos mecanismos de capitalização na Segurança Social, bem


como da eficiência financeira da sua gestão;

- a melhoria da protecção em caso de acidentes de trabalho e de


doenças profissionais;

- a racionalização dos serviços do sistema de segurança social,


tornando-os mais eficientes e aperfeiçoando o grau de proximidade e
de informação tempestiva aos interessados.

O Governo compromete-se ainda a estudar e a propor soluções para as


questões pendentes relativas aos espoliados das antigas colónias portuguesas.
3. FAMÍLIA E CRIANÇA

É dever do Estado criar condições para fortalecer a instituição familiar,


reconhecendo a família como elemento fundamental da sociedade.

No respeito pela identidade e individualidade da família, cabe ao Estado definir


políticas no sentido de apoiar e estimular o desenvolvimento pleno das funções
específicas da família, respeitando a sua autonomia, e, sem esquecer os direitos
do indivíduo afirmar os direitos da família / direitos sociais.

Neste sentido devem ser cumpridos os objectivos que constam do Programa do


Governo anterior, bem como o que está definido nas Grandes Opções do Plano
para 2003 e para 2004.

Tendo em conta o que já foi aprovado ou regulamentado durante este ano de


2004, como evolução dentro do mesmo espírito programático, destacam-se as
seguintes orientações e medidas essenciais:

- execução plena do Plano Global para a Família/Cem Compromissos


para uma Política de Família (2004/2006), nas diversas vertentes
interdisciplinares ou interministeriais nele previstas;

- criação efectiva de uma rede nacional – que abranja todo o território


nacional de acordo com um diagnóstico de necessidades a elaborar –
de Centros de Apoio à Vida como medida específica de apoio à
grávida em dificuldade, de apoio à grávida inserida em famílias
carenciadas e de apoio à Criança que vai nascer (prevenção em caso
de perigo de abandono infantil, inclusive);
- implementação de medidas que favoreçam a natalidade e a defesa do
direito à vida;

- na vertente da denominada conciliação e partilha de tarefas


domésticas: promover a sensibilização das empresas para a
necessidade de definir horários de trabalho que sejam compatíveis
entre os cônjuges, por forma a garantir, dentro do possível, um maior
período de tempo conjuntamente dedicado à vida familiar por parte
dos mesmos;

- promover a evolução gradual das políticas de fiscalidade familiar, por


forma a impedir o surgimento de situações tributárias de
desvantagem para as famílias, nomeadamente no que respeita ao
sustento e alimento dos filhos menores à sua guarda;

- prosseguir uma evolução no sentido de os centros de mediação


familiar não serem apenas centros de preparação para o divórcio sem
grandes conflitos mas, também, quando os cônjuges assim o
desejarem, verdadeiros centros de terapia familiar;

- promoção de uma política gradual de incentivos às famílias que


pretendam acolher no seu seio os seus idosos, como forma de
garantir o adequado e desejado contacto intergeracional da família
alargada, reconhecendo ainda o papel insubstituível dos avós na
criação de um verdadeiro espírito familiar, em ambiente de
estabilidade;

- garantindo o respeito pela liberdade individual de cada cidadão e das


famílias, definir políticas pro-activas que favoreçam a evolução da
taxa de natalidade e invertam a assustadora tendência de
envelhecimento da população portuguesa;

É também dever do Estado olhar para a Criança como sujeito de direitos e


manifestar, através da definição de políticas próprias, a sua preocupação em
especial com aquelas que já nascem sem família ou que, por vicissitudes várias,
vêm a dela ficar privadas.

Incluem-se nestas situações todas as crianças vítimas de abandono precoce,


sujeitas a maus-tratos de toda a natureza, bem como aquelas que vivendo
embora no seio de um reduzido núcleo familiar, são objecto de indiferença e
mesmo de total desinteresse.

O Estado deve intervir, criando instrumentos adequados a evitar o sofrimento


das crianças, em estreita articulação com as instituições que as apoiam
directamente.

Assim, a política para a Criança do Governo criará condições no sentido de


afirmar:

- o primado do direito na problemática da criança em risco, vitimada


ou sem família;

- o entendimento do primado da sociedade civil sobre o estado no


apoio à Criança;

- a nuclearidade das IPSS e das Misericórdias na acção social em favor


das crianças;

- a mudança da tradicional e danosa postura depositária institucional


de crianças para a intervenção precoce e devolutora da criança à sua
ou a outra família (adopção).
Para tanto, o Governo preconiza o seguinte:

- estabelecer e reforçar “pontes activas” entre a segurança social e a


saúde;

- agilizar as relações entre a segurança social e os tribunais;

- agilizar e temporizar o acolhimento em instituições de todas as


crianças, procurando caminhar-se para tempos mínimos de
permanência (1 a 3 anos);

- desinstitucionalizar crianças por reavaliação, bem como por agilização


desburocratizada da adopção;

- credibilizar o Estado como pessoa de bem impondo rigor e justiça


célere nas decisões concernentes aos Direitos da Criança, muito
especialmente das que estão em perigo ou foram já vitimadas.
4. IGUALDADE

O Governo reconhece o importante trabalho realizado pelo Executivo anterior


na elaboração dos dois documentos orientadores e enquadradores da política a
desenvolver nesta área: o II Plano Nacional para a Igualdade e o II Plano
Nacional contra a Violência Doméstica.

O combate a todas as formas de discriminação em função do sexo, a


reafirmação da igualdade de direitos e, sobretudo, a garantia de iguais
oportunidades para mulheres e homens são objectivos essenciais para a
consolidação da democracia portuguesa.

A aposta na transversalidade das políticas promotoras da igualdade


desenvolvida pelo Governo anterior foi positiva e permitiu levar a igualdade a
todas as áreas sectoriais. A construção de uma sociedade mais equilibrada,
num país de recursos limitados como o nosso, exige um esforço crescente na
implementação de projectos conjuntamente planificados.

Destacamos, desde já, a prioridade política para duas áreas em concreto: a da


conciliação entre a vida familiar e profissional e a continuação de um trabalho
integrado que contribua para diminuir o flagelo da violência doméstica.

Será determinante prosseguir com o projecto de reestruturação dos dois


organismos que actuam directamente nesta área, já iniciado pelo XV Governo,
e que vai no sentido de construir parcerias e pontes com as outras áreas e
projectos de intervenção.

Dar-se-á continuidade às seguintes áreas:


- garantir o cumprimento rigoroso do Código de Trabalho e respectiva
legislação complementar no que respeita à igualdade no acesso ao
trabalho e ao emprego, à igualdade de oportunidades na progressão
na carreira e à protecção da maternidade e da paternidade;

- sensibilização da sociedade em geral, e dos parceiros sociais em


particular, para as vantagens decorrentes de uma mais harmoniosa
distribuição do tempo dedicado ao trabalho e à família, o que
pressupõe um maior envolvimento dos homens na partilha de tarefas
familiares e o apoio a políticas que facilitem a conciliação;

- colaboração com os países de expressão portuguesa, nomeadamente


no âmbito da CPLP, nos quais a situação das mulheres é
particularmente frágil e difícil e onde a experiência portuguesa deve
ser aproveitada;

- incentivar uma mais equilibrada presença de ambos os sexos em


lugares de decisão política e económica. A participação, tanto de
homens como de mulheres, nos processos de tomada de decisão, é
fundamental para que as decisões vão ao encontro da realidade, dos
problemas e das necessidades que ambos os sexos enfrentam na
gestão do seu dia a dia e das respectivas famílias;

- prossecução de uma política de articulação intensa e de intervenção,


a todos os níveis, no combate à violência doméstica. As raízes
transgeracionais e muito complexas deste drama exigem uma
intervenção a jusante e a montante dos problemas; junto das famílias
no seu conjunto, mas também destinadas especificamente às vítimas,
aos agressores e aos seus filhos. Assim, na linha do intenso e
inovador trabalho desenvolvido pelo XV Governo no combate à
violência doméstica e do preconizado no II Plano Nacional, dar-se-á
prioridade à continuação do trabalho em rede iniciado com todas as
áreas sectoriais da acção governativa e com a sociedade civil.

No ano de 2005 celebram-se os 10 anos da Plataforma de Acção de Pequim. É


altura de rever os objectivos então propostos e reajustá-los à evolução da
sociedade portuguesa. Este será, sem dúvida, um objectivo para o que se exige
uma atenção prioritária.
5. IMIGRAÇÃO

Portugal, país de emigrantes, tem nos últimos anos assistido à entrada de um


número considerável de estrangeiros das mais diversas proveniências. A
recepção de imigrantes – para além dos benefícios que pode ter do ponto de
vista da supressão de algumas carências ao nível do tecido produtivo nacional –
cria ao Estado novas responsabilidades.

Considerando que os recursos nacionais são escassos, não se pode adoptar


uma política de “porta aberta”. O Estado deve, pois, ser rigoroso na regulação
dos fluxos migratórios para que possa ser responsável e solidário na integração
dos imigrantes. Só assim teremos capacidade para assegurar aos que nos
procuram condições para a sua realização profissional, pessoal e humana.

As características inovadoras do trabalho do XV Governo permitem que, pela


primeira vez, Portugal tenha uma política de imigração baseada num edifício
legislativo global e coerente que possibilita, por um lado, uma rigorosa
regulação das entradas de imigrantes, com base nas necessidades do mercado
de trabalho e, por outro, uma verdadeira política de acolhimento com vista à
integração.

Importa destacar a criação dos Centros Nacionais e Locais de Apoio ao


Imigrante, verdadeiros pontos de contacto descentralizado da administração
com os imigrantes, vocacionados para dar respostas concretas aos problemas
mais prementes das comunidades estrangeiras em Portugal.

A política de imigração deverá continuar a ser vista como estruturante e


transversal, tendo presente uma visão positiva dos contributos da imigração
legal para a sociedade portuguesa. As acções a desenvolver devem articular os
interesses das várias comunidades imigrantes e das minorias étnicas com o
todo nacional. O caminho deve ser a inclusão e não a exclusão ou a
marginalização.

O grande objectivo político da legislatura do XVI Governo, na sequência do


trabalho iniciado pelo XV Governo, irá centrar-se no desenvolvimento das
políticas de integração centrado em duas grandes áreas: o aprofundamento dos
direitos de cidadania e uma atenção especial às segundas e terceiras gerações
de imigrantes em Portugal.

Neste quadro de referências, o Governo considera indispensável:

- a promoção de iniciativas para aprofundar o conhecimento dos


direitos e deveres de cidadania junto das comunidades imigrantes e
também da comunidade de acolhimento;

- o desenvolvimento, nas crianças e nos jovens filhos de imigrantes, de


um sentido de pertença e filiação à sociedade portuguesa, através de
programas inclusivos de formação pessoal e social, escolar,
profissional e parental, nomeadamente o Programa Escolhas – 2ª
Geração;

- a criação de uma entidade que promova o diálogo inter-religioso num


quadro de tolerância e conhecimento, através de uma intervenção
centrada no sistema educativo;

- a apresentação de um Plano Nacional para a Imigração para os


próximos dois anos;

- a consolidação do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias


Étnicas como estrutura de execução das políticas de acolhimento e de
integração;
- a colaboração com o Serviços de Estrangeiros e Fronteiras e com a
Inspecção do Trabalho no sentido de combater eficazmente a
imigração ilegal e a exploração da mão-de-obra imigrante;

- o desenvolvimento de estudos científicos, através do Observatório da


Imigração, que sirvam como suporte para acompanhamento dos
fenómenos migratórios e das políticas de integração;

- o enquadramento e apoio à criação e ao desenvolvimento de


actividades pelas associações representativas das comunidades de
imigrantes, bem como das ONG’s com trabalho na área da integração
através, nomeadamente, do estabelecimento de contratos de
programa específicos;

- o estabelecimento, em colaboração com as autarquias locais, de


planos de integração das comunidades de imigrantes e minorias
étnicas, no respeito pelas respectivas culturas, assegurando-lhes
condições de vida condignas;

- o combate a todas as formas de discriminação étnico-racial ou


qualquer expressão de xenofobia.
6. AMBIENTE E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO

As políticas do Ambiente e do Ordenamento do Território a prosseguir pelo


Governo fundamentam-se em princípios de sustentabilidade, transversalidade,
integração, equidade e da participação.

Estes princípios serão concretizados através das seguintes medidas de política


de Ordenamento do Território e de Ambiente:

- conclusão da elaboração do programa Nacional da Política de


Ordenamento do Território (PNPOR) num quadro de desenvolvimento
equilibrado e sustentável do território nacional, integrando o
progresso social, a eficiência económica e a protecção ambiental, e
tendo por objectivos estratégicos a redução das desigualdades
territoriais e a preservação dos recursos naturais e da qualidade e
diversidade dos ecossistemas;

- definição das políticas nacionais de ordenamento para as diversas


componentes do território, incluindo:

- uma política de qualidade de vida com enfoque nas


cidades, áreas metropolitanas e rede urbana;

- uma política de valor acrescentado, centrada em


estratégias de ocupação turística, residencial e empresarial
(comercial e industrial) e aprovação de novos projectos e
programas de âmbito local e Regional;

- uma política de estruturação territorial que defina as redes


fundamentais de infraestruturas e de equipamentos;
- uma política de valorização dos recursos naturais que
enquadre o desenvolvimento agrícola e florestal com a
conservação da natureza;

- uma política para o litoral, num quadro de gestão


integrada das zonas costeiras. Execução dos POOCs
aprovados e avaliação de estudos e Programas em zonas
de particular sensibilidade.

- promoção de Planos Regionais de Desenvolvimento do Território


(PRDT), que estabeleçam apostas estratégicas, comprometendo a
administração central, regional e local nas componentes políticas,
económicas, sociais, ambientais, de ordenamento do espaço,
localização de actividades e de infraestruturação de âmbito regional e
conclusão da elaboração dos PROTs em curso;

- elaboração de Planos Sectoriais que alcancem a articulação das


políticas sectoriais com os princípios supra enunciados das políticas
de ordenamento do território e ambiente e abertura da discussão
pública do Plano Sectorial da Rede Natura;

- reordenação e reequilíbrio do sistema urbano nacional desenvolvendo


os centros urbanos que desempenhem um papel estratégico e
estruturante na organização do território nacional, enquadrando a
implantação dos equipamentos de utilidade pública, sistemas de
transportes e redes de infraestruturas;

- valorização da definição de sistemas de cidades uninucleares ou poli-


nucleares, tendo em conta a hierarquia dos centros urbanos, e os
seus sistemas relacionais (proximidade, complementaridade,
interdependência, concorrência), bem como a revitalização do
interior, das zonas rurais e de fronteira;
- elaboração de Planos Intermunicipais de Ordenamento do Território,
optimizando as funções comuns de mobilidade, redes de
equipamentos e de infraestruturas, gestão dos centros urbanos,
segurança e participação pública, coordenando e integrando
actividades económicas, a qualificação do ambiente urbano, a
definição de políticas habitacionais e a promoção de centros de lazer;

- promoção da elaboração de Agendas XXI Locais e apoio à sua


realização;

- estímulo da actualização dos Planos Directores Municipais de forma a


constituírem a verdadeira base de planeamento e ordenamento do
território nacional acautelando a sua compatibilização com os
restantes níveis do planeamento nacional e regional;

- revisão das metodologias e prazos de avaliação, aprovação e revisão


dos PDMs de forma a agilizar e dar maior eficácia a este instrumento
essencial do Planeamento;

- dinamização e criação de pólos de desenvolvimento local e regional,


privilegiando as áreas do interior mais desfavorecidas, de modo a
impedir e a inverter as tendências para a desertificação e
empobrecimento e a sazonalidade recorrente nessas áreas;

- desenvolvimento ordenado do espaço rural, concluindo o processo de


infraestruturação básica do território e apoiando a modernização das
acessibilidades e a instalação de actividades que impeçam a sua
descaracterização cultural e ambiental;
- conservação e valorização do património natural, designadamente os
meios hídricos, solos e florestas, bem como das áreas de elevado
valor paisagístico;

- articulação do processo de planeamento dos recursos hídricos com o


planeamento dos sectores de utilização, o planeamento regional, o
ordenamento do território e a conservação e a protecção do
ambiente;

- conclusão dos trabalhos com vista à constituição de uma base


normativa em que uniformize e harmonize os regimes das áreas da
Reserva Ecológica Nacional, dos Corredores Ecológicos, Áreas
Protegidas, Zonas de Protecção Especial, Rede Natura e espaços
florestados de protecção, de modo a constituir a base normativa de
uma Rede Ecológica Nacional;

- continuação das medidas de requalificação do litoral, com prioridade


para as intervenções mais urgentes que visem a remoção dos
factores que atentem contra a segurança de pessoas e bens ou
contra valores ambientais essenciais em risco;

- promoção de uma nova dinâmica de gestão integrada, ordenamento,


requalificação e valorização das zonas costeiras, dando uma
visibilidade e operacionalidade acrescidas ao Programa Finisterra;

- estabelecimento de um sistema permanente de monitorização das


zonas costeiras, que permita identificar e caracterizar as alterações
nelas verificadas com a utilização das mais modernas tecnologias de
recolha e tratamento da informação e disponibilização através da
Internet;

- promoção de uma reforma dos regimes jurídicos aplicáveis ao litoral;


- incentivo à requalificação ambiental das lagoas costeiras e de outras
áreas degradadas e a regeneração de praias e sistemas dunares,
concretizando e realizando projectos de valorização ambiental em
diversos pontos do território;

- conclusão do enquadramento jurídico geral relativo a águas (Lei da


Água), materializando as orientações da Directiva-Quadro, definindo
os sistemas de gestão das bacias hidrográficas, os modos de
envolvimento dos utilizadores dos sistemas, o regime de gestão dos
empreendimentos de fins múltiplos e a articulação com outros
sectores de actividade económica nacional;

- execução dos programas previstos nos Planos da Bacia Hidrográfica e


no Plano Nacional da Água procurando atingir níveis optimizados de
qualidade e satisfação das necessidades de consumo;

- avaliação e redefinição da actual estratégia e dos modelos de gestão


empresarial dos recursos hídricos através, designadamente, do
reforço da independência e da capacidade da função reguladora que
ao Estado compete;

- análise e revisão do Regime de concessões;

- elaboração do Plano Nacional de Conservação da Natureza e da


Biodiversidade;

- harmonização das políticas de desenvolvimento infraestrutural e da


construção de grandes equipamentos de interesse colectivo com as
medidas que visem garantir a inviolabilidade das áreas protegidas ou
a redução ao mínimo dos seus impactes;
- reforço e optimização dos mecanismos de avaliação e do controlo da
qualidade do ar, bem como da informação aos cidadãos;

- desenvolvimento e aplicação de uma estratégia para a gestão da


qualidade do ar em recintos fechados, iniciando tal prática pelos
edifícios públicos, de modo a assegurar aos seus utilizadores uma
garantia de qualidade adequada para o ar interior;

- aprovação da legislação relativa à qualidade do ar em recintos


fechados e sua compatibilização com o normativo europeu já
aprovado, relativo à eficiência energética dos edifícios;

- avaliação do modelo legal da acção fiscalizadora das situações e


actividades ruidosas;

- promoção da elaboração e aplicação de um Plano Nacional de Gestão


de Resíduos;

- aposta nas acções preventivas da produção de resíduos, promovendo


apoios e incentivos financeiros às entidades que evidenciem a
utilização de Sistemas de Gestão Ambiental e que demonstrem os
melhores desempenhos ambientais nesta matéria;

- promoção e desenvolvimento de sistemas integrados de recolha,


tratamento, valorização e destino final de resíduos por fileira (por
exemplo, óleos usados, solventes, têxteis, plásticos e matéria
orgânica);

- reestruturação do sector público empresarial dos resíduos,


promovendo uma acrescida participação do sector privado,
concorrência regulação e transparência do mercado, recorrendo à
contratação de operadores privados credenciados para a gestão
deste tipo de serviços públicos;

- apoio à generalização de sistemas integrados de triagem e


valorização de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) incluindo
compostagem e valorização energética limitando ao indispensável a
deposição em aterro de RSU, bem como sistemas de recolha selectiva
rigorosa de todos os resíduos industriais e perigosos que actualmente
contaminam os RSU (pilhas e acumuladores, tintas, solventes, óleos,
medicamentos);

- adopção de indicadores médios de produção por sector ou sub-sector


de actividade em função, entre outros, da dimensão das unidades
produtivas e do número dos seus trabalhadores, atribuindo-se, ao
industrial, o ónus da prova da eventual produção abaixo daqueles
valores;

- cumprimento integral do Plano Estratégico de Gestão dos Resíduos


Hospitalares;

- criação de legislação reguladora do licenciamento das entidades


gestoras das unidades de tratamento dos resíduos hospitalares, em
função da respectiva capacidade e competência técnica;

- encerramento das incineradores hospitalares que actualmente se


localização e laboram em locais inadequados para a protecção da
saúde pública e do ambiente;

- dar execução ao Plano Nacional de Alterações Climáticas (PNAC) e às


disposições relativas ao Sistema Europeu de Comércio de Emissões;
- promover o aumento da eficiência ambiental e energética da
economia, a utilização de recursos endógenos e renováveis e
minimizar as emissões e a produção de efluentes;

- implementar o sistema do “Controlo Integrado de Poluição” e de


atribuição do “Licenciamento Ambiental” nos termos do Direito
Comunitário;

- preparação da introdução do novo sistema de responsabilidade civil


ambiental.

Continua a merecer, por último, um particular relevo a orientação do Governo


em matéria de resíduos industriais perigosos. A decisão assumida no sentido da
anulação do processo de incineração dedicada tomada pelo XIII Governo, e a
posterior opção pela co-incineração (nunca concretizada, quer por si, quer pelo
Governo que lhe sucedeu, nos seis anos que tiveram de actuação) leva a que o
XIV Governo Constitucional se comprometa, na sequência das decisões
tomadas pelo Governo anterior, a concluir o processo conducente à instalação
de um sistema nacional eficiente e ambiental/sustentável, de recolha e de
tratamento de resíduos industriais perigosos.
7. CIDADES, DESENVOLVIMENTO REGIONAL E ADMINISTRAÇÃO
LOCAL

7.1 CIDADES

UMA POLÍTICA PARA AS CIDADES – ESTRATÉGIA PÚBLICA E DINÂMICA


PRIVADA

É essencial promover a qualidade de vida nas cidades através do


desenvolvimento sustentado assente, fundamentalmente, na melhoria da
relação com o ambiente, na ética e no respeito pelo Homem, bem como na
sustentabilidade económica, através de criação de valor acrescentado para os
cidadãos, para o Estado e para as autarquias.

A dinâmica da evolução das sociedades, gerou um fenómeno de forte e rápida


concentração de pessoas e actividades nos centros urbanos e uma profunda
transformação do mundo rural.

O diagnóstico dos graves problemas trazidos pela construção urbana está feito
e é consensual: urbanização indisciplinada, irracional ocupação do solo,
tendência para a especulação imobiliária, deficiências e insuficiências nas infra-
estruturas urbanas que deveriam suportar o crescimento das cidades, forte
pressão para recuo dos limites de protecção das redes ecológicas fundamentais.

O combate ao caos urbanístico deve, por isso, ser efectuado através de


modelos integradores que compreendem a geografia política, económica e
ambiental das cidades e das suas redes urbanas.
Por sua vez, o conjunto das redes urbanas deve promover o território na sua
globalidade, contribuindo para o desenvolvimento da estratégia nacional da
política de cidades, evitando assimetrias regionais, combatendo a desertificação
do interior e promovendo a coesão e a personalidade do território.

O Governo tem para estes problemas respostas centradas em dois objectivos


fundamentais: a melhoria da qualidade de vida das populações nas áreas
urbanas e a aposta no desenvolvimento equilibrado, harmónico e sustentado
das Cidades.

Estas linhas de força da política para as cidades só terão sucesso se assentarem


na cooperação activa entre a administração central e o poder local, o sector
público e o sector privado, executando uma nova política que contribua para o
desenvolvimento harmonioso dos centros urbanos, para a eliminação das bolsas
de pobreza, do suburbanismo e da insegurança, promovendo a participação de
investimento privado no desenvolvimento de espaços públicos de qualidade, na
inclusão social e na revitalização dos centros urbanos, bem como na valorização
do território.

Tal política será prosseguida pela execução das seguintes medidas:

- desenvolvimento de uma Estratégia Nacional para a Política das


Cidades;

- dinamização de uma estratégia de utilização do solo, visando a


criação de valor e a competitividade das cidades;

- promoção do investimento público, central e local, que conduza ao


aumento da qualidade de vida, integrado numa visão do
desenvolvimento metropolitano, através dos programas de
requalificação e reordenamento urbanos, de sistemas articulados de
mobilidade (transportes e acessibilidades), bem como de sistemas
articulados de utilidades (comunicações, energia, água, saneamento e
gás);

- aperfeiçoamento e consolidação dos Programas POLIS, tendo em


conta que o financiamento público e o desenvolvimento do espaço
público devem alavancar a utilização do investimento privado na
promoção dos ambientes desejados;

- estimular o investimento privado no desenvolvimento urbano, bem


como na mobilidade e nas utilidades, através de modelos de parcerias
público-privadas, garantindo a prossecução da estratégia/interesse
público, assente em modelos de governância previamente definidos;

- apoio à consolidação das áreas urbanas existentes, promovendo-as


internacionalmente como destinos de investimento turístico;

- adopção de orientações planificadoras ao nível dos instrumentos de


regulamentação urbanística, através de modelos tridimensionais e
económicos com os respectivos planos de acção, formando equilíbrios
adequados entre a habitação, o emprego, os equipamentos, o
património, a mobilidade, a segurança, a saúde e a educação;

- dinamizar a utilização e fruição dos espaços públicos (parques, matas


ou zonas verdes) e promover a animação das cidades, bem como
criar centros de proveito que contribuam para a manutenção dos
espaços públicos, através da elaboração e execução de um Plano
Nacional de Espaços Verdes nas Cidades, associados a modelos de
gestão empresarial;

- reforço dos mecanismos de participação dos cidadãos, através de


fóruns de discussão, na definição das opções estratégicas de política
urbana, privilegiando o capital do conhecimento e da inovação;

- desenvolvimento de programas de apoio à elaboração de planos


municipais ou intermunicipais de ordenamento do território,
compreendendo e definindo uma estratégia das regiões e da rede
urbana, não só nas suas vertentes social e económica, mas também
na definição de interfaces com os sectores agrícola, industrial, de
logística e de turismo, bem como com as interfaces aeroportuárias e
ferroviárias, nomeadamente as novas cidades TGV;

- privilegiar a escala humana através de circuitos pedonais e de


ciclovias, da utilização do transporte público, bem como do
afastamento do transporte de pesados dos centros urbanos,
incentivando políticas que diminuam a circulação automóvel nos
centros dos aglomerados urbanos, em especial nas áreas notáveis do
ponto de vista histórico-cultural ou ambiental;

- modernização dos sistemas de apoio à gestão das cidades, através,


designadamente, do programa das Cidades Digitais e das Regiões
Digitais, associado à gestão do cadastro e das receitas fiscais,
optimizando ou promovendo uma base de dados única entre registos
das conservatórias, das finanças e das autarquias locais.
Deverá, ainda, ser prosseguida uma estratégia nacional para a informação
geográfica, orientada para a promoção de uma cobertura cartográfica
homogénea e exaustiva, nos tipos e escalas necessários, para o território
nacional, a par de um Cadastro Nacional Multifuncional sistemático para o
território nacional e de um Sistema Nacional de Informação Geográfica com os
conteúdos adequados e eficaz.

7.2 DESENVOLVIMENTO REGIONAL

REFORÇO DA COESÃO TERRITORIAL

O reforço da coesão territorial deve assentar na concretização adequada da


estratégia nacional de desenvolvimento sustentável, identificando e criando
mecanismos de desenvolvimento do potencial endógeno das regiões, através
dos clusters regionais existentes, como sejam o vinho, o têxtil, o automóvel, a
petroquímica, o conhecimento, as energias renováveis, o turismo religioso, a
saúde, a agricultura e a floresta.

As componentes económica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável


exigem uma actuação sobre os diversos instrumentos de planeamento e a
integração das diversas políticas, criando e desenvolvendo condições de
excelência para transformar estas regiões em destinos nacionais e
internacionais, nomeadamente a habitação de qualidade, serviços alimentados
por redes de utilidades e infra-estruturas, indústria, pólos industriais associados
a pólos tecnológicos e de formação.

O desenvolvimento das regiões deve ter em conta a convergência real com as


economias mais desenvolvidas do espaço comunitário, passando
necessariamente pelo desenvolvimento regional harmónico e não por um mero
crescimento económico estatisticamente associado ao litoral, evitando-se a
desertificação do interior.

A garantia da qualidade de vida está associada a redes comerciais e a eventos


culturais e desportivos que permitam espaços de lazer.

Para estes clusters, que identificam e caracterizam as regiões e as suas marcas,


é vital encontrar escala urbana para sustentar o desenvolvimento, através da
competitividade das regiões, das áreas metropolitanas e das comunidades
intermunicipais.

Esta visão integrada das regiões, que promove e reforça a coesão territorial,
será sustentada por projectos transfronteiriços, projectos de carácter sócio-
económico e ambiental de nível regional, mas também por projectos sectoriais
que influam a qualidade de vida das regiões, como sejam projectos de saúde,
educação, segurança, de mobilidade regional associada à logística (aeroportos,
aeródromos, portos marítimos e fluviais, ferroviários de passageiros, em
particular TGV, e ferroviários de mercadorias).

Estes projectos serão ainda completados e integrados pelos projectos


desenvolvidos pelas autarquias, tendo em conta o modelo que se preconiza
para o desenvolvimento das cidades.

O objectivo de potenciar as dinâmicas regionais implica:

- a identificação dos pólos de desenvolvimento regional e local,


incluindo a dimensão transfronteiriça;
- a integração dos diversos instrumentos das várias políticas numa
base territorial comum, evitando as assimetrias regionais;

- a criação de emprego e qualificação dos recursos humanos,


especialmente no interior do país, apostando na ligação entre o
ensino superior e o tecido empresarial local;

- o desenvolvimento de uma rede de cidades médias, com pólos de


competências especializados, associada a redes de comunicações e à
utilização racional dos equipamentos colectivos à escala regional.

DIAGNÓSTICO DAS NECESSIDADES DE INVESTIMENTO PÚBLICO QUE


CONTRIBUA PARA O REFORÇO DA COESÃO TERRITORIAL

Considerando o valor do capital público e considerando essencialmente o capital


semente para potenciar o investimento privado, por forma a aplicar eficazmente
os recursos financeiros nacionais e comunitários, é necessário ter-se em conta
o Plano de Desenvolvimento Regional do período 2000 a 2006, integrando-o
com os projectos enquadrados nos capítulos anteriores, desenvolvendo
modelos empresariais de implementação e avaliação de resultados intercalares
deste mesmo plano.

Por outro lado, torna-se imperativo elaborar estudos de prospectiva e de


análise da evolução económica e social do País, que permitam fundamentar um
conjunto de quadros de referência que identifiquem as prioridades de
investimento público à escala regional.
NEGOCIAÇÃO DAS PERSPECTIVAS FINANCEIRAS

É necessário avaliar os resultados da aplicação dos fundos comunitários no


reforço da coesão territorial e identificar os elementos de dinamismo da
aplicação dos fundos comunitários, maximizando as experiências positivas e
eliminando as situações de menor eficiência.

Este trabalho, associado ao Plano Estratégico Nacional e aos projectos


prioritários de desenvolvimento regional e das cidades, permitirá dotar os
negociadores portugueses com a informação adequada à maximização das
oportunidades oferecidas pelo quadro das novas perspectivas financeiras da
União Europeia.

As condicionantes nacionais deste processo incluem:

- a necessidade do reforço de infra-estruturação do país com destaque


para a superação das assimetrias regionais ao nível das redes de
transportes, comunicações e energia;

- a cobertura regional adequada ao nível da distribuição de água para


consumo humano, tratamento das águas residuais urbanas e
tratamento de resíduos sólidos urbanos e de resíduos industriais;

- a valorização da componente ambiental e de protecção da natureza,


com destaque para a gestão da rede Natura 2000 que cobre quase
um quarto do território nacional;
- o reforço da política comunitária de desenvolvimento rural como
instrumento de fixação de população no interior do país e de
promoção de práticas de agricultura extensiva de grande valor
acrescentado, associadas a promoção de produtos alimentares com
denominação de origem.

7.3 ADMINISTRAÇÃO LOCAL

O XVI Governo Constitucional assume a descentralização administrativa como


uma prioridade absoluta no contexto da correcção das graves assimetrias
regionais de que o nosso País padece.

A “revolução tranquila” iniciada pelo anterior Governo será assim prosseguida


com firmeza e determinação, consolidando-se ou criando-se medidas que
permitirão aproximar mais o poder dos cidadãos, através da transferência de
competências e de meios para as mais diversas entidades intermunicipais e
municipais, sem esquecer o particular papel que pode igualmente ser
desempenhado neste âmbito pelas freguesias.

Serão assim desenvolvidas acções concretas que visam dar a substância e


visibilidade às áreas metropolitanas, ultrapassando-se a fase de criação e de
definição do quadro de atribuições de financiamento dos respectivos órgãos.

A este nível serão executadas medidas que dotarão tais estruturas de órgãos de
apoio técnico-administrativos próprios e definirão o seu modelo de
financiamento, apostando na dinamização de novas parcerias público-privadas.
Eleger-se-á igualmente como prioritário o combate à desertificação de inúmeras
zonas do País, vítimas de políticas de desenvolvimento desequilibrado,
geradoras de macrocefalias de deficiente qualidade de vida. Tal objectivo será
conseguido com recurso a acções de promoção e requalificação de infra-
estruturas urbanas adequadas para fixação de pessoas e de promoção de
condições para a atracção de investimentos.

Será igualmente prosseguido o investimento na formação dos recursos


humanos das mais diversas autarquias, procurando desenvolver novas
competências capazes de promover o eficaz aproveitamento das suas
potencialidades.
8. HABITAÇÃO

Portugal registou o maior nível de investimento habitacional da União Europeia


a 15, com um peso de 8% no PIB, seis pontos percentuais acima da média
europeia, que é de apenas 2%. Contudo, e ao contrário do que seria desejável,
os níveis de produtividade apresentam uma evolução oposta e divergente, em
resultado de se tratar de investimento não reprodutivo e pelo facto do sector de
construção residencial ser o que apresenta o maior diferencial de produtividade
face aos restantes países da Europa.

As políticas habitacionais levadas a cabo nos últimos anos contribuíram para um


crescimento sem paralelo da construção residencial, em resultado do estímulo
público à aquisição de casa própria, que absorveu 90% de todo o esforço
financeiro que o Estado destinou à política de habitação.

A indústria de construção civil ajustou-se aos incentivos públicos e aumentou a


oferta habitacional, projectando Portugal como o país europeu com a maior
percentagem de construção nova, cabendo-nos no entanto o último lugar em
termos de reabilitação urbana.

A inexistência de um verdadeiro mercado de arrendamento e a falta de


alternativa à aquisição de casa própria originou um sobre-endividamento das
famílias, que cresceu de 20% para mais de 100% em apenas dez anos.

O número de alojamentos praticamente duplicou nos últimos trinta anos, sendo


hoje de 4,8 milhões, apresentando Portugal o segundo maior índice da Europa
em número de alojamentos por família (1,38).
Mas o crescimento do número de alojamentos novos é particularmente
impressivo se comparado com o número de alojamentos vagos que, não tendo
parado de crescer, atinge as 544.000 habitações, de acordo com o Censos
2001.

Nos últimos vinte anos, o Estado apoiou a construção de cerca de 50.000 fogos
destinados a famílias com dificuldades financeiras mas ainda assim, e de acordo
com os Censos de 2001, existem cerca de 80.000 pessoas a residir em
alojamentos precários, situação que importa solucionar no mais curto período
de tempo possível.

É orientação central da política de habitação a execução dos programas de


realojamento das famílias de baixos recursos que vivam sem condições de
habitabilidade, aproveitando sempre que possível o património habitacional já
existente e que se encontra degradado.

Assim, no domínio da habitação social, o XVI Governo Constitucional:

- incentivará e apoiará os municípios portugueses no recurso aos


fundos de investimento imobiliário para a concretização das
operações de realojamento;

- assegurará que as operações de realojamento levadas a cabo pelos


municípios sejam tanto quanto possível dispersas, evitando a criação
de núcleos residenciais de densidade excessiva;

- incentivará as operações de realojamento por recurso à utilização de


fogos devolutos, nomeadamente em centros históricos e áreas
críticas de reconversão urbanística;
- promoverá a qualidade habitacional, incentivando a recuperação dos
fogos degradados e dotando-os de condições de habitabilidade
adequadas;

- garantirá o controlo e a fiscalização da qualidade construtiva nos


empreendimentos apoiados pelo Estado;

- incentivará a utilização das técnicas construtivas que melhor


assegurem a durabilidade das construções.

- apoiará financeiramente os municípios, através do PROHABITA, na


construção de equipamentos sociais, recreativos e desportivos
complementares aos empreendimentos habitacionais de forma a
contribuir para uma melhor qualidade de vida e integração social dos
residentes.

O XVI Governo Constitucional procederá à Reforma do Arrendamento Urbano,


de forma a:

- criar um mercado dinâmico, capaz de atrair investimento privado


nacional e estrangeiro para a construção e reabilitação urbana;

- proporcionar a mobilidade dos cidadãos, em especial dos recursos


humanos mais jovens, facilitando o acesso ao mercado de trabalho;
- incentivar a colocação no mercado de arrendamento dos fogos vagos
(aproximadamente 544.000), criando uma alternativa mais económica
à aquisição de casa própria.
9. DEFESA DO CONSUMIDOR

Ao longo das últimas décadas as relações de consumo têm sofrido múltiplas


alterações caracterizando-se, actualmente, por uma especial complexidade e
um dinamismo próprio que impõem a adopção de uma política de
consumidores, cujas linhas estratégicas devem ter por base um maior reforço
dos seus direitos e, em paralelo, uma fiscalização eficaz do cumprimento dos
deveres legais que, nesta matéria, incumbem aos agentes do mercado.

A relevância que a política de defesa do consumidor assume hoje no seio da


União Europeia, bem como o reconhecimento do seu carácter transversal em
áreas tão díspares quanto o comércio electrónico, o acesso à justiça, a
segurança alimentar ou os serviços de interesse geral, colocam esta política no
centro das prioridades das sociedades modernas.

Nesse contexto, o Governo afirma o seu empenho em:

- redefinir os estatutos do Instituto do Consumidor, de modo a adaptar


este organismo ao actual enquadramento institucional, no quadro das
recentes transformações económicas e legislativas em matéria de
protecção dos consumidores;

- instituir o Sistema Português de Defesa do Consumidor com o


objectivo de assegurar a aplicação, de um modo concertado, dos
direitos dos consumidores, designadamente, à luz dos princípios da
prevenção, da participação, da desburocratização, da celeridade, da
eficiência e do acesso ao direito e à justiça;

- dar prossecução a uma política abrangente de formação e informação


para o consumo, nomeadamente reforçando a intervenção do
Instituto do Consumidor nesta área, bem como através do recurso a
parcerias entre várias entidades da administração pública e entre
estas e outras de natureza privada, destacando-se, neste âmbito, as
associações de consumidores;

- desenvolver a rede de educação do consumidor, no sentido de


intensificar a sensibilização para as problemáticas do consumo junto
das comunidades escolares;

- incrementar o recurso às novas tecnologias enquanto mecanismo


privilegiado do acesso dos consumidores à informação;

- intensificar a relação entre a administração central e os serviços


autárquicos de apoio ao consumidor, nomeadamente através da
actualização dos protocolos em vigor e do incentivo à criação de mais
serviços de âmbito local, valorizando, assim, a proximidade com o
cidadão;

- implementar uma rede de cooperação entre os países que integram o


espaço da lusofonia, de modo a promover uma efectiva partilha de
recursos, troca de experiências e estabelecimento de diálogo
institucional acerca das temáticas do consumo;

- proceder à revisão da legislação mais relevante na área do direito do


consumo, de modo a assegurar a sua actualização e reforçar a sua
adequação às novas realidades do mercado;
- redefinir o regime jurídico do registo e da concessão do apoio técnico
e financeiro do Estado às associações de consumidores e a outras
entidades que exerçam actividade na defesa dos consumidores;

- fomentar a criação de meios alternativos de resolução de conflitos,


através dos mecanismos de mediação, conciliação e arbitragem,
enquanto instrumentos especialmente aptos à prossecução de uma
justiça acessível e pronta.

Nesse sentido, o Governo manterá o apoio aos meios de resolução extrajudicial


de conflitos de consumo actualmente existentes e apoiará a criação de novas
estruturas em regiões ou sectores de actividade económica em que estas se
mostrem necessárias, promovendo a sua integração, sempre que possível, na
rede europeia de resolução extrajudicial de conflitos de consumo (EEJ-Net).
IV
INVESTIR NA QUALIFICAÇÃO DOS
PORTUGUESES

1. CULTURA
O XVI Governo Constitucional prosseguirá, no domínio da Cultura, uma política
de continuidade relativamente ao Governo anterior, nomeadamente quanto aos
seus pressupostos básicos e principais metas a atingir.

A política cultural do Governo tem por primeiro objectivo a promoção do


primado da Pessoa, dos direitos humanos e da cidadania.

Só mulheres e homens cultos, capazes de compreensão e conhecimento crítico


da realidade, podem exercer, de uma forma responsável, os seus direitos e a
assumir, plenamente, a sua cidadania.

O Governo atribui à política cultural um papel central e transversal no conjunto


de todas as políticas sectoriais, devendo, por isso, ser sublinhado que o referido
papel identitário e estruturante da Cultura só pode ser integralmente realizado
pelo acesso do maior número possível de cidadãos aos bens e actividades
culturais.

Sendo a cultura um verdadeiro laço entre o passado e o futuro e uma


componente determinante da identidade nacional, a sua tradução política
deverá ter por objectivo primordial a promoção dessa mesma identidade.

O crescimento económico e uma maior justiça social só podem conduzir a um


desenvolvimento integral e duradouro se forem acompanhados por igual
desenvolvimento cultural.

Na verdade, sem uma Cultura viva e criativa não é hoje possível qualquer
desenvolvimento.
Para alcançar estes objectivos, a política cultural tem de se apresentar de uma
forma criativa, aberta, descentralizada e de responsabilidade solidária e
conduzida numa perspectiva de longo prazo.

O conjunto de responsabilidades no domínio cultural deve ser partilhado com os


agentes e criadores culturais, com as autarquias locais, universidades,
fundações, empresas e outras instituições, para além dos particulares.

Para tanto, proceder-se-á a uma descentralização através de uma progressiva


transferência de competências e meios, adequados ao aumento das
capacidades e das responsabilidades das autarquias locais e de outras
entidades, quer na conservação e manutenção do património imóvel e dos
centros históricos, quer no estímulo à criação e ao apoio às Artes do
Espectáculo.

Se a Cultura é, por essência, inovadora, o Estado deve estimular e apoiar a


criação cultural, aceitando e reconhecendo a pluralidade das suas expressões.

Este pluralismo, por si, reforça o valor da tolerância e tenderá, por certo, a
evitar qualquer tentativa de dirigismo, devendo, antes, garantir uma melhor e
mais racional gestão dos recursos financeiros, técnicos e humanos disponíveis,
por parte do Ministério da Cultura, bem como um progressivo reforço dos meios
orçamentais disponíveis.

No âmbito da Revisão da Lei do Mecenato, proceder-se-á à:

- definição do Estatuto de Mecenas;

- criação de uma Comissão Interministerial, com uma ampla


representação da sociedade civil, para apreciação de projectos de
relevante interesse nacional, passíveis de financiamento, por via da
Lei do Mecenato, pelo Ministério da Cultura;
- criação de mecanismos de controlo dos financiamentos atribuídos,
visando uma rigorosa prestação de contas e a avaliação dos
projectos, nomeadamente no que se refere aos seus resultados e aos
respectivos efeitos multiplicadores, numa clara implementação da
metodologia trabalho/projecto;

- protecção, salvaguarda e valorização do património arquitectónico


(arquitectura como passado, presente e futuro) e do património
arqueológico, aproximando-os dos cidadãos e abrindo-os ao País e ao
Mundo;

- articulação entre o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação,


de forma a poder levar a Cultura às escolas (quer pelo
aproveitamento do equipamento escolar excedentário, quer pelo
envolvimento de professores do quadro do Ministério da Educação
sem docência atribuída, quer, ainda, pelo programa de actividades
extra-curriculares, pela formação artística desde o nível primário, pela
formação de professores e animadores culturais, pelo programa de
educação de adultos, pelo programa de formação de cidadãos
europeus, bem como pela campanha de sensibilização e educação
para o património);

- promoção internacional da língua e da cultura portuguesas, enquanto


vectores da política externa, nomeadamente com recurso à efectiva
coordenação dos organismos activos no plano externo, nos domínios
em referência tutelados por diversos ministérios;

- Estímulo, com recurso ao mecenato, da abertura de concursos,


prémios, bolsas de formação e bolsas para criação e educação
artística.

A criação de emprego na área cultural, em colaboração com o Ministério das


Actividades Económicas e do Trabalho e com as autarquias, é, também, um dos
objectivos centrais do XVI Governo Constitucional.
O reforço da acção do Instituto Português de Museus, será, também, um dos
objectivos deste Governo, para o que estabelecerá diferentes categorias de
museus e descentralizará competências para as direcções dos mesmos.

Nessa perspectiva, importará:

- regulamentar a Lei-Quadro dos Museus Portugueses, após a sua


promulgação;

- criar o Conselho de Museus, órgão de consulta da Ministra da Cultura,


para questões no domínio da política museológica;

- regulamentar o sistema de credenciação de museus, reforçar os apoios


técnicos e financeiros à sua qualificação, designadamente no âmbito da
RPM (Rede Portuguesa de Museus) e criar os núcleos de apoio previstos
na Lei-Quadro dos Museus Portugueses;

- desenvolver uma estratégia continuada de divulgação nacional e


internacional dos museus portugueses, das suas colecções e actividades,
através da publicação sistemática de roteiros, da criação de “websites” e
de campanhas de publicidade, tendo em vista o aumento de públicos;

- assegurar a execução das propostas apresentadas pelo Grupo de


Trabalho Educação-Cultura, no domínio da articulação museu-escola;

- prosseguir o inventário do património móvel e a respectiva


informatização;

- reforçar o investimento na qualificação de recursos humanos e na


descentralização de competências a nível regional e municipal;

- dar prioridade às obras de requalificação e instalação dos Museus sob


tutela directa do Ministério da Cultura, ou integrados na Rede Portuguesa
de Museus, como o Museu Nacional de Arqueologia; o Museu do Chiado;
o Museu do Côa; o Museu Machado de Castro (em Coimbra); o Museu de
Évora; o Museu de Aveiro; o Museu de Coimbra; o Museu da Ciência (da
Universidade de Lisboa); o Museu de História de Portugal; o Museu de
Arte Contemporânea de Elvas, o Museu do Douro e o Museu Municipal de
Portimão;

- dotar os Teatros Nacionais, as Orquestras Nacionais e a Companhia


Nacional de Bailado das regras e dos meios adequados, para lhes permitir
maior prestígio e eficácia na prestação de serviços públicos é, também,
uma das preocupações do XVI Governo.

O Governo continuará ainda a apoiar o projecto da Casa da Música do Porto.

Serão desenvolvidos novos projectos, em articulação com as Delegações


Regionais do Ministério da Cultura e com as Autarquias, contando com o apoio
do POC, de forma que a existência de teatros em capitais de Distrito, como
Faro, Portalegre, Leiria e Beja e outros teatros ou recintos culturais como o
Centro de Artes da Covilhã e a Academia de Música de Espinho sejam uma
realidade.

O Governo promoverá a concretização de Faro como Capital Nacional da


Cultura 2005, alargando a realização de eventos culturais a outras cidades do
Algarve, o que permite dar continuidade à política cultural de incentivo e
estímulo de novos pólos culturais fora das grandes áreas metropolitanas.

A composição do Conselho Cultural, ao qual competirá pronunciar-se sobre as


actividades científicas e culturais, incluirá individualidades de reconhecido
mérito propostas pelas Autarquias e das Universidades.

Proceder-se-á à definição do estatuto profissional dos criadores e de outros


agentes culturais, em colaboração com outros Ministérios e com forte aposta na
formação e qualificação de Recursos Humanos, bem como na criação de
emprego.
Proceder-se-á, também, à definição de mecanismos de regulação de mercado,
apoiando a difusão da produção de cinema, financiada por dinheiros públicos,
em particular pela regulamentação da Lei-Quadro.

O Governo tudo fará para levar a bom porto a Descentralização dos


equipamentos e programação sustentável com a criação de redes e novos
Regulamentos de apoio.

A modernização dos organismos públicos com o objectivo de alcançar uma


maior agilidade e eficácia nas respostas às necessidades do País no domínio da
criação artística será, também, uma das prioridades do Governo, através da
adopção de medidas que privilegiem a internacionalização da Cultura
Portuguesa, designadamente no espaço europeu, no Brasil e na CPLP.

Essa mesma internacionalização da cultura portuguesa contemporânea no Brasil


deverá corresponder a um elemento chave de toda uma estratégia de
experimentação e desenvolvimento do “Laboratório”, com o objectivo de
estimular a criação artística e o aparecimento de novas linguagens, decorrentes
do confronto entre diferentes áreas artísticas e científicas.

O Governo promoverá uma política de respeito pelos Arquivos, através de uma


sistemática criação de arquivos privados de interesse nacional.

A promoção do livro, a ampliação da Rede de Leitura Pública, em articulação


com a rede de bibliotecas escolares e a revisão do regime Jurídico do Depósito
Legal, bem como do Regime Jurídico para a Promoção do Livro e da Leitura,
serão objectivos do Governo no que respeita a esta área.

Outra das preocupações do Governo será a de articular a política do Ministério


da Cultura com a política dos Ministérios do Turismo e do Ambiente e
Ordenamento do Território, através da criação de oferta de Turismo Cultural.
Serão, ainda objectivos do Governo:

- aumentar a taxa de execução do Programa Operacional da Cultura


(POC);

- regulamentar a Lei de Bases do Património Cultural Português


(aprovada, ainda, na vigência do XIV Governo Constitucional);

- proceder ao levantamento rigoroso das necessidades de intervenção


no património construído e concluir o inventário do património móvel
nacional;

- associar mais intensamente as instituições relevantes e os


Portugueses em geral à identificação, guarda e protecção do
património;

- dar prioridade e planear as intervenções de conservação e restauro


do Património Histórico e Artístico Nacional e, no espaço da CPLP,
articulando as várias instituições nacionais que se dedicam a esta
actividade;

- dar formação de base e qualificação de mão-de-obra e de técnicos


especializados para intervirem nesta Campanha;

- elaborar programas de celebrações iminentes de efemérides, com


grande potencial de atracção de turismo, como sejam os Quinhentos
Anos da Chegada ao Ceilão, a reconstituição do Périplo de São
Francisco Xavier ou os Duzentos Anos da Abertura de Portos no
Brasil;

- definir o mandato negocial para os iminentes trabalhos de


elaboração, no seio da UNESCO, de uma convenção relativa à
Protecção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais;
- garantir a participação activa, incluindo a auscultação à sociedade
civil, na negociação dos novos Programas europeus de apoio ao
sector audiovisual e cultural (programas de 3ª geração), aprovados
muito recentemente pela União Europeia;

- sensibilizar e formar os agentes activos nos sectores culturais para


um melhor aproveitamento das fontes de financiamento europeu, até
agora quase ignoradas, tanto no caso MEDIA, como no caso Cultura
2000.
2. EDUCAÇÃO

O futuro de Portugal está indissociavelmente ligado ao que de bom ou mau for


realizado no plano da qualidade da educação e da formação. Promover o
crescimento sustentado do país, com os desejados níveis de coesão e
qualificação é um desafio que o Governo pretende ganhar.

Este desafio centra-se no domínio cultural, mas concretiza-se na afirmação


cívica dos portugueses e na qualificação dos recursos humanos. Por isso, o
Governo entende como decisiva a continuidade da opção estratégica de
articulação entre as políticas de educação e formação.

Para tanto, o Governo irá:

- defender uma escola assente no respeito por valores como o


trabalho, a disciplina, a exigência, o rigor e a competência, na busca
da excelência;

- desenvolver políticas educativas que dêem respostas objectivas às


necessidades de cada aluno, a fim de melhorar a sua educação e a
sua formação, prosseguindo metas ambiciosas aferidas
internacionalmente e combatendo assimetrias sociais e regionais;

- valorizar e fazer respeitar o estatuto do docente, prestigiar a


profissão e consolidar as condições de estabilidade, motivação e de
formação necessárias para ganhar os desafios de uma sociedade em
constante mutação;
- continuar o desenvolvimento de uma cultura de avaliação das
instituições, dos docentes, dos funcionários e dos alunos, que tenha
consequências no seu desempenho e no desenvolvimento
organizacional, profissional e humano.

Isto, apostando numa educação:

- com sentido de modernidade, que ajude a combater os atrasos


estruturais e os bloqueios ao desenvolvimento da cultura científica;

- de responsabilidade, em que cada agente assuma o papel que lhe é


devido no desenvolvimento da sua actividade e na afirmação da
cidadania;

- aberta ao mundo, que prepare os nossos jovens para os desafios da


globalização;

- mais solidária, que não esqueça aqueles que verdadeiramente


precisam;

- e que reforce a identidade nacional, incentivando o orgulho na nossa


história, na nossa língua e na nossa cultura.

A acção governativa continua a ter como pressuposto essencial, contrariar o


estatismo a que está sujeita a educação em Portugal.

O quase monopólio da escola pública que ainda existe, em todos os níveis de


ensino, não é o modelo desejável. Não por ser pública, mas pelo facto de há
muito estar sujeita a limitações no seu funcionamento e na sua cultura, que
contrariam o princípio constitucional da liberdade de ensinar e aprender, de
escolher e de aceder a um bem que toda a população portuguesa sustenta.

Um maior equilíbrio entre as organizações pública, social e privada, enquanto


destinatários das políticas educativas e do esforço de financiamento, é um
objectivo que importa alcançar.

Baseando-se nestes princípios fundamentais, o XVI Governo Constitucional, no


seguimento da política do anterior Governo, levará à prática, em matéria de
educação e formação, as seguintes medidas:

- a avaliação do desempenho das escolas, com publicitação dos


resultados e criação de um sistema de distinção do mérito e de apoio
às que demonstrem maiores carências;

- o desenvolvimento de condições que promovam a melhoria dos


desempenhos na literacia e numeracia;

- o desenvolvimento de um conjunto de iniciativas sistematizadas de


combate ao abandono durante a escolaridade obrigatória e
desenvolvimento de centros de apoio social escolar (equipas
multidisciplinares para apoio aos alunos e famílias carenciadas e
desestruturadas);

- o desenvolvimento do sistema de avaliação aferida em cada um dos


ciclos do ensino básico visando a sua integração no sistema de
avaliação regular;

- a promoção do ensino tecnológico e do ensino profissional, em


estreita articulação com os centros de formação, de forma a dotar de
competências adequadas todos os alunos que tendo concluído a
escolaridade básica, desejem entrar no mercado de trabalho;

- a progressiva transferência de competências para a administração


local, especialmente no pré-escolar e ensino básico, sem prejuízo das
funções de coordenação e de avaliação a nível central;

- a promoção do crescimento e qualificação da rede social de ensino


pré-escolar em articulação com as autarquias locais, as instituições
privadas de solidariedade social (IPSS) e a iniciativa privada, de
forma a atingir uma taxa de cobertura média de 90% no grupo etário
dos 3 aos 5 anos;

- o aperfeiçoamento do modelo de recrutamento, vinculação e gestão


dos recursos humanos, de modo a seleccionar os mais competentes
em termos pedagógicos e científicos, bem como a reduzir o
considerável número de docentes sem carga lectiva atribuída e o
excessivo número de destacamentos e requisições;

- a criação de condições para a modernização e profissionalização da


gestão dos estabelecimentos de ensino, simplificando processos,
clarificando responsabilidades e prestigiando a figura do Director de
Escola;

- a progressiva coordenação e integração tutelar da educação com a


formação profissional inicial e ao longo da vida;

- a criação de uma rede na Internet exclusiva dos professores para


apoio e interacção, facilitando a partilha de experiências, o
desenvolvimento de trabalho em grupo e o acesso a informação e
materiais;

- o desenvolvimento do programa de bibliotecas escolares e de um


sistema de empréstimo de manuais aos alunos mais carenciados;

- a estruturação de um sistema que avalie e incentive a qualidade


pedagógica e científica dos manuais escolares, de modo a reduzir o
esforço que, anualmente, é exigido às famílias na sua aquisição;

- o forte investimento em programas de formação contínua de


professores, com prioridade para o primeiro ciclo do ensino básico e
para os domínios das tecnologias da informação e do multimédia;

- a promoção do desporto escolar, conferindo-lhe o estatuto de


prioridade no que diz respeito à formação dos jovens.

A administração educativa deve atingir padrões mais elevados, quer de


eficiência e estabilidade na utilização dos recursos humanos e materiais
disponíveis, quer de eficácia na prossecução dos objectivos de gestão fixados.
Impõe-se, por isso, desenvolver o projecto em curso de reforma organizativa e
de processos na Administração Educativa.

O Governo concretizará a estrutura orgânica dos serviços no respeito pelas


regras de funcionamento da Administração Pública e da autonomia das escolas.
Dar-se-á corpo, de forma progressivamente mais intensa, à subsidiariedade da
função autárquica para com a função central, através, sobretudo, de uma
política de descentralização de competências e em nome de um maior
envolvimento das comunidades locais e das famílias na vivência e no sucesso
do sistema de ensino.
Para tanto, o Governo promoverá as seguintes medidas:

- a progressiva articulação com o Ministério da Educação dos serviços


da formação profissional e da educação de adultos, por forma a
promover o ingresso dos jovens no mercado de trabalho e assegurar
a sustentabilidade da educação e formação ao longo da vida;

- a simplificação da complexa e pesada estrutura administrativa


desconcentrada, evitando a proliferação de níveis de decisão e de
enquadramento da rede escolar;

- a concepção e o desenvolvimento de um sistema de informação


integrado, que assegure ao Ministério da Educação os instrumentos
indispensáveis ao planeamento e à gestão do sistema educativo e
garanta aos cidadãos e instituições o acesso rápido à informação
estatística actualizada, sistematizada e coerente.
3. ENSINO SUPERIOR

A qualificação dos Portugueses é uma condição essencial para a promoção do


seu desenvolvimento e para a rápida aproximação dos níveis mais elevados já
atingidos pelos nossos parceiros europeus.

Um ensino superior de elevada qualidade e exigência é condição indispensável


ao sucesso colectivo.

A criação de um espaço europeu do ensino superior, consubstanciado na


Declaração de Bolonha, constitui a linha mestra de orientação para o
desenvolvimento do ensino superior.

No quadro descrito, a acção que o Governo irá prosseguir neste domínio terá
como objectivo estratégico adequar, modernizar e internacionalizar o ensino
superior.

O prosseguimento deste objectivo estratégico far-se-á no quadro dos seguintes


princípios essenciais:

- aposta na qualidade;

- garantia de igualdade de oportunidades no acesso de alunos ao


sistema de ensino superior;

- liberdade de ensino, pressupondo-se para esse efeito a observância


de regras que garantam a aproximação à igualdade de tratamento
entre o ensino superior público e não público;

- aumento de produtividade do sistema de ensino superior, através de


uma gestão mais eficiente no sentido de obter ganhos de eficácia,
optimizando os recursos postos à sua disposição;
- internacionalização do sistema nacional de ensino superior.

Dando concretização ao objectivo estratégico fixado, o Governo desenvolverá


medidas em torno dos seguintes eixos principais de actuação:

- Adequação da oferta formativa às necessidades sociais;

- Promoção da qualidade;

- Promoção da igualdade de oportunidades;

- Modernização;

- Internacionalização.

Neste âmbito, e tendo em vista a adequação da oferta formativa às


necessidades sociais, o Governo procederá:

- À reorganização da rede de ensino superior;

- ao desenvolvimento de sinergias entre os subsistemas universitário e


politécnico;

- à reorganização do sistema de graus e diplomas no quadro da


concretização do processo de Bolonha e à sua aplicação às diferentes
áreas de formação;

- à alteração da estrutura da oferta de formação, através,


designadamente, de:

- aumento da oferta de formação inicial nas áreas prioritárias


da saúde, das ciências e tecnologias e das artes;
- desenvolvimento da oferta de formação profissional
pós-secundária pelos estabelecimentos de ensino superior
(cursos de especialização tecnológica);

- promoção da oferta de formação para novos públicos,


designadamente através do desenvolvimento de
modalidades de aprendizagem ao longo da vida;

- resposta às necessidades concretas do mercado de


trabalho, quer no plano da formação inicial, quer no plano
da formação avançada, quer ainda no plano da
especialização e reconversão.

- à criação de mecanismos para a creditação académica de formação e


experiência obtidas fora do contexto de cursos formais;

- à criação de condições para a mobilidade nacional e internacional de


estudantes e docentes.

No âmbito da promoção da qualidade do ensino superior, o Governo


promoverá:

- o estabelecimento de um sistema de acesso e ingresso exigente e


com maior responsabilização das instituições de ensino superior;

- o combate ao abandono e insucesso escolar;

- o incentivo à articulação entre a aprendizagem e a investigação e


experimentação;

- o desenvolvimento de um sistema integrado, transparente e objectivo


de avaliação e acreditação do ensino superior e da ciência;
- a revisão dos estatutos das carreiras docentes, visando valorizar a
componente pedagógica, promover a dedicação exclusiva sob a
forma positiva e assegurar a transparência de procedimentos nos
concursos.

No âmbito da promoção da igualdade de oportunidades, o Governo procederá:

- à universalização do acesso a serviços de qualidade, discriminando


positivamente, por via do financiamento, os alunos com menores
recursos materiais;

- ao aumento e melhoria da oferta de infra-estruturas (cantinas e


residências) de acção social;

- ao alargamento dos apoios prestados aos alunos do ensino superior


particular e cooperativo no âmbito da acção social;

- à discriminação positiva do mérito académico, em particular dos


alunos mais carenciados;

- ao apoio à criação de condições para o desenvolvimento da prática


desportiva dos estudantes do ensino superior;

- ao apoio à criação e desenvolvimento de condições adequadas ao


ensino dos estudantes portadores de deficiência física ou sensorial.

No âmbito da modernização e num quadro de desenvolvimento das leis de


enquadramento do ensino superior, o Governo procederá:

- ao aprofundamento da autonomia dos estabelecimentos de ensino


superior num quadro de responsabilização dos seus órgãos;
- à criação de condições para o desenvolvimento de modelos de gestão
mais eficientes e eficazes;

- à adopção mais generalizada dos mecanismos de financiamento de


base contratual, visando objectivos concretos.

Ainda no âmbito da modernização, e num quadro de igualdade de tratamento


entre o ensino superior público e não público e de definição de procedimentos
rigorosos mas simples e céleres, o Governo procederá:

- à aprovação de um novo regime jurídico de criação e reconhecimento


de estabelecimentos de ensino superior e suas unidades orgânicas;

- à aprovação de um novo regime jurídico de criação e autorização de


funcionamento de cursos;

- à revisão do Estatuto do Ensino Superior Particular e Cooperativo.

No âmbito da internacionalização do ensino superior, o Governo desenvolverá


as medidas adequadas à plena integração do sistema português no espaço
europeu, nomeadamente através:

- da aprovação dos princípios reguladores dos instrumentos para a


criação do Espaço Europeu de Ensino Superior, designadamente dos
mecanismos de suporte à mobilidade;

- da criação de condições para o funcionamento de cursos no âmbito


de parcerias europeias.

Ainda neste âmbito:


- serão desenvolvidos os mecanismos de cooperação internacional,
nomeadamente através da revisão das regras de atribuição de bolsas
e de acesso dos bolseiros (designadamente dos países de expressão
oficial portuguesa) e da regulamentação do regime do estudante
internacional;

- será dado apoio à internacionalização de cursos superiores


portugueses;

- será desenvolvido o projecto do espaço lusófono de ensino superior.

Tendo em vista a operacionalização das medidas descritas, referentes ao ensino


superior, assegurar-se-á uma articulação sustentada com os restantes
Ministérios, nomeadamente:

- com a política educativa do Ministério da Educação, em particular nos


domínios do acesso ao ensino superior, da formação inicial,
especializada e contínua de educadores e professores dos ensinos
básico e secundário e da promoção da ciência e tecnologia junto dos
jovens;

- com a política de formação dos restantes ministérios, nomeadamente


dos Ministérios das Actividades Económicas e do Trabalho e da
Educação, no domínio da formação profissional e da aprendizagem ao
longo da vida;

- com o Ministério da Saúde, no domínio da formação inicial e da


formação avançada de profissionais de saúde.
4. CIÊNCIA E INOVAÇÃO

A exigência da competitividade na era da globalização coloca à comunidade


académica, científica e empresarial acrescidos desafios, justificando o reforço e
a continuada aposta no conhecimento.

Neste contexto, a ciência, o desenvolvimento tecnológico e a inovação


assumem um papel fundamental, contribuindo para o aumento da riqueza do
país e a melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos.

São condições indispensáveis à melhoria dos desempenhos da investigação, a


ligação entre a ciência e a sociedade, o aumento da coesão nacional através da
transferência do conhecimento entre regiões e a combinação das políticas
nacionais e comunitárias no espaço europeu de investigação.

O sistema nacional de inovação deverá organizar-se em torno de lógicas de


inovação em vários níveis de intervenção, articulando as estratégias
empresariais, o sistema científico, as infra-estruturas tecnológicas, os serviços e
políticas públicas, visando atingir os objectivos estratégicos definidos a nível
nacional e europeu.

Uma actuação vigorosa na exploração do potencial resultante da convergência


de actuações dos sistemas de ensino superior, ciência, tecnologia e inovação
com o tecido produtivo, assegurará a dinamização dos factores-chave da
competitividade da nossa economia.

No quadro descrito, a acção que o Governo irá prosseguir terá como objectivo
estratégico reforçar o papel da ciência, tecnologia e inovação na sociedade
portuguesa.

O prosseguimento deste objectivo estratégico far-se-á no quadro dos seguintes


princípios essenciais:
- aposta na qualidade;

- garantia de igualdade de oportunidades, baseada no mérito, no


acesso a incentivos e programas de ciência, tecnologia e de inovação;

- aumento de produtividade do sistema científico, tecnológico e de


inovação, através de uma gestão mais eficiente no sentido de obter
ganhos de eficácia, optimizando os recursos postos à sua disposição;

- internacionalização do sistema científico, tecnológico e de inovação


nacional;

- promoção de um espírito empreendedor nos meios científico e


académico que conduza ao reforço da ligação entre estes e as
necessidades das empresas e da sociedade.

Dando concretização aos objectivos estratégicos fixados, o Governo


desenvolverá medidas em torno dos seguintes eixos principais de actuação:

- aumento do investimento público em ciência e inovação;

- promoção de um ambiente facilitador para o investimento privado em


ciência e inovação;

- aumento e qualificação dos recursos humanos em ciência e inovação;

- promoção do emprego científico;

- estímulo da procura de inovação;


- introdução de novos processos organizacionais e metodologias
científicas em todos os sectores da sociedade portuguesa;

- reforço da coesão económica, social e territorial através da promoção


do conhecimento de base regional e local;

- promoção da internacionalização do sistema científico, tecnológico e


de inovação.

No âmbito do aumento do investimento público em ciência e inovação, o


Governo:

- reforçará as capacidades de actuação das unidades de investigação,


Laboratórios de Estado e infra-estruturas tecnológicas;

- aumentará a qualidade e a eficácia do apoio público à investigação,


desenvolvimento tecnológico e inovação, dedicando uma atenção
sistemática à qualidade da despesa pública.

No âmbito da promoção de um ambiente facilitador para o investimento privado


em ciência e inovação o Governo procederá:

- à simplificação do enquadramento regulamentar e dos procedimentos


administrativos para o investimento privado em ciência,
desenvolvimento tecnológico e inovação;

- ao fomento dos mecanismos financeiros inovadores de apoio às


actividades de investigação, desenvolvimento e inovação;
- ao incentivo à utilização de recursos próprios das empresas no
financiamento de acções de investimento, desenvolvimento
tecnológico e inovação;

- à promoção da capacitação das instituições do sistema científico,


tecnológico e de inovação para o acesso a fontes privadas de
financiamento.

No âmbito do aumento e qualificação dos recursos humanos em ciência e


inovação o Governo promoverá a formação avançada de recursos humanos e a
mobilidade dos investigadores e apoiará programas sistemáticos de divulgação
e promoção da ciência e da tecnologia dirigidos aos jovens e à comunidade em
geral, com particular destaque nas áreas das ciências exactas e experimentais.

No âmbito da promoção do emprego científico, será impulsionada a criação de


empresas de base tecnológica e apoiada a inserção de recursos humanos
qualificados em ciência e tecnologia nas empresas e instituições de
investigação, desenvolvimento e inovação.

No âmbito do estímulo à procura de inovação, o Governo promoverá:

- a inovação e o desenvolvimento tecnológico, facilitando o


aprofundamento das relações entre o sistema científico, tecnológico e
de inovação e o tecido empresarial;

- o apoio à investigação, desenvolvimento e inovação empresarial em


áreas-chave e à participação de empresas portuguesas e associações
empresariais em programas internacionais;

- o reforço da valorização recíproca das oportunidades geradas pela


aplicação precoce das novas tecnologias no meio empresarial;
- o aumento do número de patentes registadas e o incentivo à criação
de centros de desenvolvimento empresarial.

No que se refere à introdução de novos processos organizacionais e


metodologias científicas em todos os sectores da sociedade portuguesa,
promover-se-á uma cultura de inovação no tecido económico, na administração
e nos serviços públicos, incorporando novos saberes, tecnologias e
metodologias e reafirmar-se-á a ciência como instrumento de modernização do
Estado e da sociedade.

No âmbito do reforço da coesão económica, social e territorial, promover-se-á o


reforço da ciência e da inovação como instrumento impulsionador do
desenvolvimento regional e local.

No quadro da promoção da internacionalização do sistema científico,


tecnológico e de inovação, apoiar-se-á a participação em projectos e programas
europeus e internacionais de investigação, desenvolvimento e inovação.

As medidas previstas, no âmbito da ciência e inovação, serão desenvolvidas


através de uma adequada e sistemática articulação com os vários ministérios
cuja área de actuação apresente inter-relação com os domínios de acção
enunciados, nomeadamente:

- na introdução de melhorias tecnológicas e de inovação nas empresas,


com o Ministério das Actividades Económicas e do Trabalho;

- na utilização do conhecimento, nomeadamente nos processos


organizacionais, incorporando novos saberes, tecnologias e
metodologias científicas nos serviços da Administração Pública, com
todos os ministérios;
- na definição de necessidades de investigação e inovação em resposta
a desafios identificados por cada uma das áreas sectoriais, com os
ministérios sectoriais.
5. SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO

O desenvolvimento da Sociedade da Informação e do Conhecimento, através do


seu impacto estruturante na Sociedade Portuguesa, vai ajudar a superar os
grandes desafios que Portugal defronta, funcionando como uma alavanca das
capacidades nacionais.

Este desenvolvimento está intrinsecamente ligado aos principais desafios da


sociedade portuguesa, focalizando-se nos seguintes quatro objectivos:

- aumentar a eficácia e eficiência do sistema económico, a


competitividade e a produtividade do tecido empresarial;

- aumentar as habilitações, competências e conhecimento dos


portugueses, principais substratos da capacidade de desenvolvimento
sustentado do país;

- contribuir para a modernização, racionalização, responsabilização e


revitalização da Administração Pública;

- dinamizar a sociedade civil, promovendo o bem-estar e a qualidade


de vida dos cidadãos.

Tendo em vista alcançar tais objectivos, devem ser mantidas e reforçadas as


medidas estratégicas lançadas pelo XV Governo Constitucional, como:
- o alinhamento com as políticas europeias referentes ao
desenvolvimento da Sociedade da Informação, nomeadamente o
compromisso dos Estados-membros relativamente à Estratégia de
Lisboa e aos Planos de Acção eEurope 2002 e 2005, bem como com
as grandes iniciativas internacionais;

- o reforço da liderança, coordenação transversal e capacidade de


implementação, assegurada na dependência da Presidência do
Conselho de Ministros;

- a execução dos documentos aprovados em Conselho de Ministros em


2003: Plano de Acção para a Sociedade da Informação; Plano de
Acção para o Governo Electrónico; Iniciativa Nacional para a Banda
Larga; Programa Nacional de Compras Electrónicas e o Programa
Nacional para a Participação dos Cidadãos com Necessidades
Especiais na Sociedade da Informação, que definiram as linhas de
acção até final de 2006.

A realização da Sociedade da Informação e do Conhecimento passa, em


primeiro lugar, pela aposta na generalização do acesso e da utilização das
tecnologias de informação e da comunicação a todos os portugueses e por
projectar a cultura e língua portuguesas a nível universal. Neste âmbito, um
factor fundamental para a aceleração da Sociedade da Informação no futuro
próximo é o acesso a banda larga para todos, a preços acessíveis.

Assim, serão implementadas as seguintes acções:

- massificar a utilização de terminais de Banda Larga nos agregados


familiares;
- apoiar a construção de redes em Banda Larga em regiões
desfavorecidas – Redes Comunitárias;

- promover, com o envolvimento da sociedade civil, a info-inclusão;

- assegurar a generalização da Banda Larga na Administração Pública;

- promover a acessibilidade digital para os Cidadãos com Necessidades


Especiais;

- promover a utilização dos pontos públicos de acesso;

- ligar em banda larga todas as escolas públicas do ensino básico e


secundário;

- disponibilizar uma infra-estrutura de fibra óptica própria para o ensino


superior e investigação;

- promover a Investigação & Desenvolvimento e a formação avançada


em tecnologias de informação e da comunicação, por forma a
reforçar a capacidade de inovação neste domínio.

A melhoria das qualificações dos portugueses, deve beneficiar da utilização das


em tecnologias de informação e da comunicação, de forma a: promover uma
cultura digital e facilitar o acesso, a produção e a difusão de Conhecimento.

As principais medidas são:


- massificação da utilização das em tecnologias de informação e da
comunicação no processo de ensino - aprendizagem, nas escolas do
ensino básico e secundário (incluindo o apoio à aquisição de
computadores pessoais pelos professores);

- implementação em todas as instituições de ensino superior da


incitava e-U/Campus Virtuais;

- ampliação e desenvolvimento da Biblioteca do Conhecimento Online


(b-on);

- criação de um sistema nacional de certificação em Tecnologias de


Informação e da Comunicação.

A realização da Sociedade da Informação e do Conhecimento passa,


igualmente, por uma completa adequação do quadro jurídico que contribua
para uma maior, melhor e mais segura utilização das tecnologias de informação
e da comunicação.

Na área do Governo Electrónico, pretende-se colocar o Cidadão e as empresas


no centro das atenções, melhorar a qualidade e a comodidade dos serviços e
reforçar os meios de participação activa no exercício de cidadania.
Simultaneamente, pretende-se aumentar a eficiência, reduzir custos e contribuir
para a modernização do Administração Pública.

A visão do Governo Electrónico para Portugal consiste em colocar o sector


público entre os melhores prestadores de serviços no nosso País. Para este
efeito, todas as entidades públicas têm de se focalizar no essencial – no
Cidadão individual (pessoas) e colectivo (empresas), os clientes dos serviços
públicos.
Neste âmbito, a disponibilização de serviços públicos cada vez mais interactivos
ou transaccionais é uma prioridade, pelo que será feita uma aposta clara na
reformulação e simplificação de processos criticos.

As principais acções de cariz interministerial, a implementar no âmbito do


Governo Electrónicio são:

- o desenvolvimento da segunda fase do Portal do Cidadão;

- a implementação do Programa Nacional das Compras Electrónicas


(incluindo a adaptação do quadro legal existente);

- a definição de um modelo de interoperabilidade de toda a


infraestrutura da Administração Pública;

- a promoção da racionalização das comunicações;

- o desenvolvimento de um portal da administração e do funcionário


público;

- o apoio à divulgação de software aberto na administração pública;

- a criação de um plano de segurança digital nacional;

- implementação da videoconferência e outras tecnologias


colaborativas nas actividades inter-ministeriais.

A utilização das tecnologias de informação e da comunicação cria condições


para uma Cidadania mais informada, e interventiva, susceptível de aprofundar a
participação democrática.
Neste âmbito, as principais medidas a implementar são:

- a criação de um portal que permita uma maior participação dos


cidadãos nas políticas nacionais, através do comentário a medidas
legislativas;

- a criação de condições para que o voto electrónico venha a ser


adoptado, desde que salvaguardado o indispensável consenso político
e social.

Procurar-se-á ainda assegurar a disponibilização tendencialmente gratuita do


Diário da República Electrónico a todos os cidadãos.

A Sociedade da Informação e do Conhecimento deverá potenciar a criação de


valor na economia portuguesa através do incentivo à expansão do modelo de
negócio electrónico e à sua utilização pelos agentes económicos, com particular
destaque para as pequenas e médias empresas (PME). Assim, para além da
dinamização do comércio electrónico junto das PME, apostar-se-á na promoção
da utilização da factura electrónica, no apoio à indústria nacional e no estímulo
ao empreendedorismo tecnológico.

É necessário, igualmente, desenvolver conteúdos em língua portuguesa que


permitam promover uma indústria de conteúdos inovadora e tecnologicamente
avançada, capaz de digitalizar a informação existente e de produzir conteúdos
ricos. O apoio a projectos relevantes da sociedade civil, o desenvolvimento do
Portal do Turismo e do Portal da Cultura são exemplos de iniciativas neste
domínio.

Não poderemos construir uma Sociedade de Informação sustentável sem a


plena adesão, desde o início, dos municípios portugueses. Para tal, apostar-se-á
no reforço e extensão a todo o País do programa das Cidades e Regiões
Digitais, assente em redes de cooperação (capital social) entre autarquias,
universidades, empresas e outros pólos de desenvolvimento local. O
investimento nas Regiões Digitais é fundamental para criar dinâmicas de
inovação e criação de riqueza ao nível local, traduzidas em melhoria dos
serviços das autarquias, na qualificação das pessoas e no reforço da
competitividade das empresas.

O desenvolvimento da Sociedade da Informação e do Conhecimento é uma


responsabilidade que deve ser assumida por todos os portugueses,
nomeadamente os agentes sociais de maior destaque. A implementação da
Sociedade da Informação e do Conhecimento não é um processo virtual nem
compartimentado. Necessita da colaboração estreita e articulada de toda a
sociedade.

Ainda que o Estado possa assumir um papel catalisador, promovendo e


incentivando todo um conjunto de iniciativas, os agentes mais relevantes neste
processo são os cidadãos, as empresas, as associações e as demais
organizações da sociedade civil.
6. COMUNICAÇÃO SOCIAL

O XV Governo Constitucional herdou a mais grave crise de sempre do sector


público dos media, com consequências gravíssimas não só para as empresas
públicas de audiovisual, como para os restantes agentes do sector.

Após uma clarificação política dos objectivos de reestruturação, credibilização e


estabilização do sector, o Governo empreendeu um trabalho sério, procurando
alterar uma situação que se arrastava há anos, e cujos resultados alcançados
nos últimos dois anos servem de estímulo ao lançamento de novos desafios
para a Comunicação Social do País.

Neste sentido, o Governo propõe-se a aprofundar e consolidar o processo de


reestruturação empresarial e de conteúdos da RTP e RDP, procurando atingir
um patamar de Serviço Público de Televisão e Rádio que em cada momento
orgulhe os portugueses, com orçamentos transparentes e suportáveis. Haverá
uma particular preocupação com:

- a consolidação do projecto do canal “A Dois”, mantendo-se firme a


vontade de envolver mais parceiros da Sociedade Civil num processo
de comunicação livre, sem a intervenção do Estado;

- o acompanhamento do lançamento dos canais do cabo da RTP, em


particular, do desenvolvimento do canal RTP N, com vista ao
amadurecimento da sua identidade regional e potenciando os
conteúdos regionais enquanto elemento de ligação às comunidades
portuguesas;

- a conclusão do processo de autonomização dos centros regionais da


RTP nas Regiões Autónomas;
- o acompanhamento da fusão de serviços da RTP e RDP, numa lógica
de redução de custos e eficiência empresarial, procurando não
afectar a identidade e a missão de cada empresa;

- a manutenção de um Serviço Público de Rádio para as diferentes


gerações e públicos, garantindo a efectiva defesa e promoção da
música portuguesa;

- a conclusão do processo de re-localização das diversas instalações da


empresa;

- o desdobramento da emissão dos canais internacionais da RTP e a


implementação do novo modelo de relacionamento entre a RTP África
e os PALOP.

Fazendo um percurso semelhante ao da RTP, a LUSA inverteu a sua tendência


de resultados negativos e acumulação de passivo, reduzindo custos e
reorientando a sua missão.

O Governo considera que a LUSA presta um importante Serviço Público


enquanto agência noticiosa, que deve respeitar as melhores práticas
internacionais associadas a esta actividade. Em parceria com os accionistas
privados, deverão ser identificados novos produtos e áreas de negócio, que
permitam a modernização e melhoria da qualidade dos serviços prestados.

COMUNICAÇÃO SOCIAL REGIONAL E LOCAL

O Governo pretende assegurar que o processo de concentração empresarial


coexista de forma harmoniosa com as iniciativas de pequena e média
dimensão, regionais e locais. Isso significa defender um regime de concorrência
e definir um quadro de apoio a algumas actividades de maior risco como é, por
exemplo, o caso da imprensa regional e das rádios locais.

Para tal, será implementado um sistema de apoios que obedeça a aspectos de


maior racionalidade, com melhor gestão por parte das empresas e do Estado,
criando-se as condições para que a comunicação social regional e local se
afirme como um forte instrumento de coesão nacional e de promoção do
desenvolvimento do país à escala regional, distrital e local. O sector da
radiodifusão local merece especial atenção, pretendendo-se que os operadores
tenham condições legais de crescimento, designadamente através da sua
associação regional.

A redução do peso do Estado na comunicação social regional e local será feita


depois de um período de transição durante o qual os apoios serão mais
diversificados e mais adequados às exigências do sector, designadamente na
área da formação e da inserção de profissionais, visando o surgimento de
grupos empresariais de âmbito regional de média dimensão, gerando condições
para que os órgãos de comunicação se possam modernizar e fazer face a uma
situação que, no futuro, terá mais mercado e menos Estado.

REGULAÇÃO

O Governo reconhece a importância de regular o mercado dos media ao nível


da concorrência e dos conteúdos. O dinamismo associado a esta área, em
particular devido ao aparecimento de novas plataformas e novos canais, tem
suscitado questões complexas com ameaças e oportunidades para a sociedade.

O diagnóstico da regulação dos media em Portugal está realizado e permite


aferir da importância da instituição de uma nova autoridade de regulação de
media no nosso País. É fundamental assegurar o dinamismo e a
competitividade dos media. É necessário racionalizar as atribuições, reduzir a
burocracia, impedir as prescrições das coimas. É necessário acautelar com
efectividade a defesa de públicos vulneráveis a conteúdos prejudiciais, em
particular crianças e jovens.

No entanto, e como se verificou ao longo dos últimos dois anos, o Governo


valoriza as formas alternativas de regulação, em particular a co-regulação,
abdicando de uma visão intervencionista e promovendo o entendimento entre
os agentes do sector.

Em relação ao processo de criação da nova entidade reguladora dos media,


este deu passos decisivos nos últimos dois anos:

- foi obtido o acordo para a Revisão Constitucional;

- diagnosticaram-se as competências de regulação dispersas pelas


várias entidades;

- foram identificadas as características daquilo que se pode considerar


um modelo regulador ideal, ao nível da sua constituição e
funcionamento.

- procedeu-se à previsão de custos e forma de financiamento da nova


autoridade.

O enquadramento regulatório sofrerá uma profunda alteração, com a extinção


da Alta Autoridade Para a Comunicação Social, a reformulação do Instituto de
Comunicação Social e a transferência de competências de outras entidades para
a nova autoridade reguladora.
O novo regulador assentará num modelo de gestão que garanta um conselho
de administração independente e representativo, competente e bem apoiado
por painéis de especialistas.

O Governo aposta ainda numa concepção inovadora de um modelo de


regulação aberto, que permitirá acompanhar em Portugal a tendência geral e
progressiva no sentido da convergência da regulação. Cria-se assim espaço
para se conceber num segundo momento a “federação” do ICP-ANACOM com
esta nova instância reguladora, mantendo-se ainda a integridade das suas
respectivas estruturas administrativas e orgânicas que ficariam, não obstante,
ligadas pelo topo através de um órgão de direcção comum.

O Governo pretende concluir este processo, envolvendo todos os parceiros da


comunicação social numa das mais importantes reformas do sector.

Paralelamente a este trabalho, é intenção do XVI Governo Constitucional lançar


iniciativas de co-regulação em duas diferentes áreas:

- no entendimento entre os operadores de televisão, procurando


aprofundar o âmbito do protocolo assinado em 2003 e permitindo
consolidar as relações entre as empresas;

- na obtenção de soluções que envolvam os operadores e os


profissionais do sector para, face às situações de manifesta
desregulação verificadas, promover a criação de um quadro
normativo claro, com regras que garantam o respeito pelos direitos
individuais, em particular dos públicos mais vulneráveis, e
estabeleçam condições de verificação efectiva do adequado
desempenho profissional.
A definição de um sistema regulatório completo e integrado, que estimule o
mercado, proteja os direitos dos cidadãos e assegure o normal funcionamento
das empresas é um objectivo prioritário, que será alcançado de forma colectiva.

NOVAS PLATAFORMAS

O desenvolvimento tecnológico associado às redes de distribuição de conteúdos


tem levado ao aparecimento de várias plataformas alternativas à transmissão
hertziana, com enorme potencial em novos serviços e produtos para os
cidadãos.

O Governo considera fundamental a instituição de plataformas de distribuição


de conteúdos que concorram entre si, permitindo o crescimento do mercado
dos media e uma maior e melhor escolha do cidadão.

Os avanços e recuos internacionais na utilização de novas plataformas sugerem


no entanto, alguma cautela e obrigam a uma reflexão sobre a melhor
tecnologia a adoptar.

Neste sentido, o Governo procura assegurar:

- a adopção de medidas reguladoras para a rede cabo, que permitam


uma sã concorrência dos distribuidores de televisão e dos produtores
de conteúdos e garantam uma escolha de qualidade para os
consumidores;

- o lançamento do novo concurso para a Televisão Digital Terrestre,


num cenário mais realista, que transmita credibilidade e segurança
aos novos operadores e permita uma efectiva escolha alternativa;
- o acompanhamento da massificação da tecnologia UMTS e da
Internet de banda larga, procurando identificar oportunidades que
estimulem a indústria nacional de conteúdos televisivos.

Finalmente, o Governo pretende lançar uma discussão pública alargada sobre o


futuro do audiovisual no nosso país, contando com a participação de todos os
agentes envolvidos nesta matéria, que defina uma verdadeira estratégia
nacional para esta área e permita um melhor planeamento e afectação recursos
públicos e privados no desenvolvimento do sector.
7. JUVENTUDE

O XVI Governo assume a aposta na juventude portuguesa como uma


incontornável prioridade. Com efeito, o futuro do País está indelevelmente
dependente da capacidade de integração das novas gerações na nossa
sociedade.

Com a constituição de uma nova Secretaria de Estado da Juventude, o Governo


reconhece, desde logo, a proficiência de uma eficaz e coerente articulação
entre um conjunto diversificado de políticas sectoriais, consagrando-se, assim,
uma efectiva política global e transversal de juventude.

Na verdade, uma responsável e construtiva política de juventude jamais se


poderá desresponsabilizar de matérias que, por terem um diversificado
enquadramento sectorial, não são menos fundamentais. Refira-se a título de
exemplo:

- o ensino e a vida nas escolas, universidades e institutos politécnicos;

- a formação profissional, a integração na vida activa e os problemas


inerentes ao acesso ao 1º emprego;

- o acompanhamento e combate às dificuldades geradas pela


precariedade do trabalho jovem e pelo desemprego, nomeadamente
qualificado, de jovens licenciados;

- a tomada de medidas que, positivamente, tenham em atenção o


início da vida activa, estimulem a natalidade, incorporem uma política
para a família, facilitem o acesso à 1ª habitação e sejam
impulsionadoras do espírito empreendedor das novas gerações;

- o incentivo a jovens criadores, artistas, cientistas e investigadores;


- o fomento de práticas culturais e desportivas;

- a primazia às questões de ordem social, tão relevantes como a


prevenção e combate à toxicodependência, a promoção da saúde
pública e prevenção de doenças como a SIDA, o enquadramento de
políticas de integração de minorias e de imigração, a delinquência
juvenil, violência nas escolas e outros comportamentos desviantes,
etc.

Paralelamente a toda esta indispensável articulação sectorial assumida nas


diferentes linhas de força vincadas ao longo do presente Programa de Governo,
importa destacar algumas medidas prioritárias, na área da juventude:

- o reforço da aposta no acesso às novas tecnologias de informação e


de comunicação, com vista à obtenção de um pleno êxito no
objectivo fundamental de combate à info-exclusão, enquanto
elemento essencial de promoção da desejada igualdade de
oportunidades para todos os jovens;

- a valorização do movimento associativo juvenil, promovendo a


participação e a responsabilização dos jovens na concretização de
uma política nacional de juventude;

- a prioritária preocupação com o acesso dos jovens ao 1º emprego,


promovendo a sua plena integração na vida activa e, assim,
combatendo os actuais preocupantes índices de desemprego jovem,
nomeadamente qualificado;

- a dinamização do mercado de arrendamento de forma a facilitar o


acesso à primeira habitação por parte dos jovens;
- a dinamização de uma política de Intercâmbio e Cooperação,
impulsionadora de vontades e de troca de experiências entre jovens
de diferentes proveniências e culturas, com especial ênfase no espaço
lusófono;

- a promoção de iniciativas eficazes de prevenção da


toxicodependência, da SIDA e de outros comportamentos de risco por
parte da juventude portuguesa;

- o fomento do voluntariado jovem, contando-se, nomeadamente, com


o contributo activo do movimento associativo;

- o apoio ao espírito empreendedor e à iniciativa empresarial de


jovens, nas mais diversas áreas - agricultura, indústria, comércio e
serviços, turismo, nomeadamente através do PRIME Jovem;

- o desenvolvimento de medidas específicas de apoio ao jovem


portador de deficiência;

- a promoção e divulgação de iniciativas culturais junto dos jovens,


desde logo nas escolas, incentivando a criação cultural e estimulando
a frequência de espaços e actividades culturais;

- a aposta numa política de turismo juvenil que, alicerçada no princípio


da igualdade de oportunidades, promova acções que estimulem a
mobilidade dos jovens e um conhecimento mais directo da realidade
e do património cultural, histórico e natural do nosso País;

- uma maior atenção à ocupação de tempos livres, proporcionando aos


jovens oportunidades de participação em actividades salutares e
evitando, assim, o desvio para práticas de risco;
- o desenvolvimento de acções de promoção e valorização de iniciativa
e de revelação dos novos valores na área dos jovens empresários,
cientistas, investigadores, inventores e artistas;

- o fomento da utilização dos diversos Espaços de Juventude


existentes, incentivando actividades culturais de diversa índole,
dando especial ênfase às realizadas por associações juvenis ou por
grupos informais de jovens;

- a promoção do Portal da Juventude, enquanto Espaço Virtual de


convívio e partilha de todos os jovens portugueses e elemento
absolutamente fundamental de ligação entre a juventude e as
estruturas responsáveis pela concretização da sua política.

Apostar nos jovens, como protagonistas da modernização, da mudança de


mentalidades e da recuperação do atraso estrutural do nosso País, será sempre
o vector chave da política de juventude.
8. DESPORTO

O ciclo de desenvolvimento iniciado pelo XV Governo Constitucional foi marcado


por uma actuação cuja preocupação essencial se traduziu em ir ao encontro
daquilo que é realmente importante para o sistema desportivo, procurando
articular a acção desenvolvida pelos seus principais protagonistas – a
administração pública desportiva, o movimento associativo, as autarquias
locais, as escolas e as universidades.

Foram assim cumpridas as quatro principais prioridades que enquadraram as


acções previstas para esse período temporal, a saber:

- a reestruturação da administração pública desportiva;

- o início do desenvolvimento da reforma do sistema legislativo;

- o arranque do processo de modernização e requalificação do


Complexo Desportivo do Jamor;

- a rentabilização do EURO 2004, quer ao nível económico, social e


mediático, quer no plano desportivo.

Complementarmente, torna-se indispensável procurar satisfazer as


necessidades expressas pelas distintas organizações e entidades que integram
o sistema desportivo.

Importa, agora continuar com a reforma do modelo de desenvolvimento


desportivo, assente na concretização dos seguintes objectivos estratégicos:

- o incremento dos hábitos de participação da população na prática


desportiva num ambiente seguro e saudável, por forma a contribuir
para a promoção do seu bem-estar social e para a melhoria da sua
qualidade de vida;

- o progresso técnico e a melhoria da qualidade competitiva no plano


internacional, respeitando a personalidade e a integridade física e
moral dos praticantes desportivos.

A prossecução destes objectivos deverá ser levada a cabo de forma interligada


devido ao facto de entre eles existir uma relação de complementaridade, com
suporte em linhas de actuação fundamentais.

Tendo em vista o desenvolvimento da reforma do sistema legislativo


desportivo, a legislação a ser objecto de reforma por parte do Governo
compreende entre outras matérias:

- o regime jurídico das federações desportivas;

- o regime jurídico do contrato de trabalho desportivo;

- o regime jurídico das sociedades desportivas;

- a criação do Conselho de Ética Desportiva;

- a composição, competências e funcionamento do Conselho Superior


do Desporto;

- o regime jurídico das instalações e do funcionamento das infra-


estruturas artificiais destinadas ao uso público;

- o regime da responsabilidade técnica pelas actividades desportivas


desenvolvidas nas infra-estruturas artificiais, via pública e meio
natural;
- as condições de acesso ao exercício da profissão de treinador.

Quanto à modernização da administração pública desportiva, o Governo deverá


prosseguir com o processo de desburocratização de métodos e formas de
trabalho, de modo a melhorar a qualidade dos serviços a prestar.

Nesta óptica, um aspecto fulcral que deve nortear esta linha de acção prende-
se com a criação de um sistema de informação desportiva, através de um
protocolo a celebrar com o Instituto Nacional de Estatística, no sentido de
tornar o sector desportivo objecto de um registo estatístico mais desenvolvido.

No domínio da aquisição e continuidade de hábitos saudáveis da prática


desportiva pelos cidadãos, o Governo adoptará as seguintes medidas:

- obter um contributo do sistema educativo para o desenvolvimento do


sistema desportivo, procurando introduzir uma dinâmica mais
alargada e interactiva de parceria entre a escola, o movimento
associativo desportivo e as autarquias locais na organização de
acções relativas à disciplina curricular de Educação Física e às
actividades desportivas no meio escolar;

- a dinamização do fomento e expansão do desporto no ensino


superior, tendo como principal preocupação a coordenação dos meios
de natureza pública, de maneira a evitar a duplicação de esforços e o
desperdício de recursos;

- a valorização da actividade regular das federações desportivas,


apoiando a criação de melhores condições de funcionamento, com
vista ao incremento gradual e sistemático da implantação social e
desportiva das respectivas modalidades desportivas;
- a promoção e o desenvolvimento do desporto e da actividade física
junto das pessoas com deficiência;

- a implementação do Programa Nacional de Promoção da Actividade


Física como meio de promoção da saúde pública, em total
articulação com as autarquias locais e com o contributo das
Universidades ligadas às Ciências do Desporto;

- o aprofundamento das relações entre o desporto e o ambiente com


vista a um maior aproveitamento das condições naturais para a
prática desportiva.

No âmbito da melhoria da qualidade competitiva no plano internacional, o


Governo promoverá:

- a aposta clara no desenvolvimento do desporto de alta competição e


da actividade das selecções nacionais;

- o investimento no projecto olímpico e paraolímpico, através de um


planeamento que abranja três ciclos olímpicos;

- o lançamento de um programa de avaliação e de prospecção dos


factores de excelência desportiva na população infanto-juvenil
portuguesa;

- o aumento da competitividade da actividade desportiva profissional;

No plano do reforço da dimensão internacional, o Governo irá prestar especial


atenção:

- ao apoio à organização de grandes eventos desportivos em Portugal,


de forma estudada e com critérios bem definidos;
- ao incentivo quanto à participação de dirigentes e técnicos em
congresso e outras reuniões promovida pelas federações
internacionais;

- ao fomento da cooperação desportiva bilateral e multilateral com


outros países, bem como à dinamização do intercâmbio desportivo
internacional, cabendo aqui uma referência especial ao valor que o
desporto pode ter no fortalecimento e na afirmação da Comunidade
dos Países de Língua Portuguesa.

O Governo promoverá também a valorização da qualidade da intervenção dos


recursos humanos através da prossecução das seguintes acções fundamentais:

- incentivo ao recrutamento para a estrutura associativa de pessoal


técnico especializado e dotado de qualificação elevada;

- estímulo à constituição no seio das federações desportivas, de


sectores técnicos responsáveis pela prática desportiva juvenil;

- incentivo e apoio, quer à criação nas federações desportivas de


sectores técnicos responsáveis pela gestão dos recursos humanos do
desporto, quer aos programas a desenvolver nesta área pelas
referidas entidades;

- concretização do Programa de Apoio à Investigação no Desporto;

- elaboração do programa de formação de agentes desportivos na área


do desporto de aventura/ar livre/lazer;

- criação de uma plataforma de ensino à distância e formação com


recurso a novas tecnologias;
- constituição da rede nacional de informação, incorporando uma base
de dados nacional de formadores e entidades formadoras;

- lançamento do Programa Nacional de Mobilização Desportiva dos


Jovens;

- criação do Programa de Ocupação no Desporto.

Em matéria de infra-estruturas desportivas, o Governo desenvolverá uma


política integrada, em cooperação com as autarquias locais, as escolas e os
clubes, de acordo com as seguintes prioridades:

- a valorização do parque desportivo escolar, uma vez que as


instalações escolares constituem um dos elementos básicos da rede
de infra-estruturas de uma comunidade;

- a reforma dos conceitos de espaço para o desporto, tornando-os mais


diversificados e ajustados a todos os grupos da população;

- o apoio técnico e financeiro a conceder aos projectos apresentados


pelas autarquias locais e pelo associativismo desportivo, relativos à
construção e modernização de infra-estruturas desportivas;

- a qualificação do património desportivo afecto à administração


pública desportiva;

- o apoio técnico a conceder aos projectos apresentados pelas


entidades ligadas à actividade turística;
- o incentivo e o apoio à viabilização de iniciativas que visem práticas
de gestão que minimizem, quer o consumo energético, quer a
produção e gestão de resíduos sólidos urbanos.

Relativamente ao processo de modernização do Complexo Desportivo do


Jamor, o Governo irá desenvolver a sua acção de acordo com as seguintes
medidas:

- a beneficiação e requalificação de quatro novas valências:

- Centro de Alto Rendimento


- Centro de Estágio para Desportistas
- Complexo de Ténis
- Campo de Golfe público

- o estabelecimento de parcerias com o movimento associativo e outras


entidades para a gestão de instalações específicas, atentas as
respectivas missões e vocações;

- a requalificação de instalações e áreas integrantes do Complexo,


tendo presentes objectivos de aumento e melhoria da oferta no
âmbito dos diversos níveis de prática desportiva.

No domínio da protecção da saúde dos praticantes, o Governo adoptará as


seguintes medidas:

- a modernização do Centro Nacional de Medicina Desportiva, de


maneira a que esta unidade orgânica seja considerada uma
referência na área da medicina;
- colaboração com a Ordem dos Médicos com vista a operacionalizar o
processo de credenciação especial em medicina desportiva destinado
a melhorar a qualidade dos profissionais que venham a prestar
serviços médico-desportivos;

- a aproximação da medicina ao praticante desportivo;

- a aposta na formação especializada, em colaboração com as


instituições públicas e privadas do ensino superior da área da
saúde;

- o incentivo e apoio à realização de estudos e projectos de


investigação, com divulgação dos seus resultados.

Na prossecução da afirmação e salvaguarda da ética desportiva, a acção a levar


a cabo pelo Governo assenta nas seguintes medidas:

- a modernização do Laboratório de Análises de Dopagem;

- a cooperação a estabelecer com os organismos internacionais no


âmbito das diversas Convenções celebradas pelo Estado Português;

- a colaboração a dedicar às acções de informação, formação e


investigação que venham a ter lugar no domínio dos diferentes
segmentos em que se projecta a acção anti-desportiva.

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