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Matenadaran

O autor relata sua experiência ao chegar em Ierevan, Armênia, destacando a importância da escrita e da fé cristã na cultura armênia, contrastando com a perda de valores cristãos no Brasil. Ele discute a crescente violência contra as mulheres e a ineficácia das medidas de proteção, além de criticar a influência do wokismo como uma nova forma de heresia que subverte valores sociais. O texto conclui que a violência é resultado da destruição dos valores cristãos, sugerindo que a reconstrução social depende do reconhecimento dessa realidade.

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Matenadaran

O autor relata sua experiência ao chegar em Ierevan, Armênia, destacando a importância da escrita e da fé cristã na cultura armênia, contrastando com a perda de valores cristãos no Brasil. Ele discute a crescente violência contra as mulheres e a ineficácia das medidas de proteção, além de criticar a influência do wokismo como uma nova forma de heresia que subverte valores sociais. O texto conclui que a violência é resultado da destruição dos valores cristãos, sugerindo que a reconstrução social depende do reconhecimento dessa realidade.

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MATENADARAN

Depois de mais ou menos sessenta horas voando ou dormindo em aeroportos à espera de


conexões, aterrissei em Ierevan. Era um desejo antigo, instigado pelas imagens do Ararat e pelo
fato de a Armênia ter sido o primeiro país no mundo a adotar o cristianismo como religião oficial.
Informações na chegada? Qual nada! Recorri à ajuda de uma senhora para comprar o bilhete do
ônibus para o centro da cidade, mas quem disse que este chegaria na meia hora seguinte? Era
fim de tarde e receei as dificuldades ampliadas pela noite. Desisti do ônibus. Com alguma
dificuldade entabulei uma conversa dominada por mímica com um motorista de van. E lá me fui.
Desci mais ou menos perto do hotel que reservara. Sem mapa, pedi ajuda a um transeunte.
Como ele iria na mesma direção que eu deveria assumir, me acompanhou até o cruzamento da
rua do hotel. Antes de nos despedirmos revelei que meu interesse era conhecer um pouco da
história de seu país. Me disse então que não poderia perder a chance de visitar o museu de
Matenadaran.
Dois dias depois, ambientado na agradável Ierevan, visitei o museu, à frente do qual uma
estátua de Mesrop Matshots testemunha a gratidão dos armênios por sua contribuição para
consolidar seu sistema de escrita. Para quem, como eu, não tem conhecimento nesta área, a
visita não é lá muito interessante. Valeu, porém, para que percebesse o valor atribuído pelos
armênios à escrita e às palavras.
Em que medida isto contribuiu para sua fortaleza espiritual? Segundo São Martinho, o trabalho
desenvolvido na escrita apartou os armênios dos demais povos e fortaleceu a fé cristã ao tornar
profanos os alfabetos estrangeiros, usados na transcrição de obras pagãs e livros de Zoroastro.
O reconhecimento foi muito além: Matshots integra a galeria de santos da igreja armênia.
Por que razão recordei esta passagem? Porque nas últimas décadas engolimos no Brasil todo
tipo de seitas e sincretismos, de picaretas da religião a rituais anímicos e mesmo satânicos,
desprezando nossas raízes cristãs.
Teria sido um processo natural? Certamente não. Os inimigos da Igreja, aqueles que conspiram
dia e noite mas não vencerão, disseminaram a idéia de que as religiões são todas similares
porquanto deístas. Hipnotizados por esta armadilha – que embaralhou tolerância com desídia e
abjuração,- franqueamos nossas fronteiras espirituais. E a conta a pagar já vai alta.
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Um dos temas do momento no Rio Grande do Sul é a violência contra as mulheres,
particularmente sua versão letal, o feminicídio. Medidas protetivas, tornozeleira eletrônica e
campanhas educativas têm sido insuficientes, ainda que sem elas possivelmente a situação
seria ainda pior.
Os veículos de comunicação, sempre à caça de assuntos rumorosos, clamam por medidas
adicionais de proteção. O que pretendem? Que cada mulher ameaçada seja acompanhada 24
horas por dia, sete dias por semana? Muito mal comparando, lembro do que aconteceu com a
escravidão: tornou-se inviável quando não havia feitor que chegasse para conter a fuga dos
escravos.
A violência tem raízes profundas no Brasil. Nossos dirigentes prevaricaram na identificação de
suas causas enquanto ela aumentava de forma acelerada. A grita por mais policiamento, por
medidas e leis mais rigorosas deu com os burros n´água. É mais do mesmo. Então, o que fazer?
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O cristianismo já enfrentou algumas heresias peso-pesado. Uma delas, o catarismo, lá pelo
século XIII, defendia a existência de um Deus bom, puro espírito, e de um mau, que criou o
corpo humano. Apresentando-se como Crianças da Luz, os cátaros rejeitavam a hierarquia da
Igreja, acreditavam na reencarnação, diziam perseguir a pureza espiritual e pregavam
abstinência de carne e relações sexuais, exceto as que não procriam. Por óbvio, os que viviam
segundo preceitos que entendemos como normais, casando, tendo filhos, sendo fiéis, eram
considerados Crianças das Trevas.
Há uma heresia de fundo, sempre contemporânea, cuja essência inspiraria, séculos à frente,
outras heresias, como o próprio catarismo. Me refiro à heresia gnóstica, segundo a qual o mundo
material é intrinsecamente mau, a propriedade privada deve ser evitada, o suicídio pode ser até
recomendado para os que se julgam preparados e a salvação não vem pela fé ou pelas obras,
mas por conhecimentos secretos.
Mas em que medida isto nos diz respeito? É o que veremos a seguir.
Edward Feser, em seu artigo “Wokism is the new face of na old heresy, and it can be defeated
again” ([Link] defende que o
wokismo não passa de uma variação do estilo de política gnóstico-maniqueísta, segundo a qual
o “mundo cotidiano está totalmente imerso no mal – “racismo sistêmico”, “supremacia branca”,
“patriarcado”, “heteronormatividade,” “transfobia” e coisas do tipo, todas interligadas para formar
uma estrutura sufocante de opressão “interseccional””.
Céus! E eu, que achava que o mundo era mais simples, até que o wokismo despejasse na
humanidade uma caçamba de esterco para que nos sentíssemos soldados do mal.

Feser sintetiza o drama: “Há o apelo a várias formas de gnose (Teoria Crítica da Raça, teoria
feminista, estudos de gênero, etc.) que supostamente permitem ao adepto perceber essa
opressão de uma maneira que outros não conseguem. Há a divisão maniqueísta entre aqueles
que são iluminados por essa gnose e os perversos que a resistem”.

Assim, se olharem pra você com um misto de incompreensão, pena e repulsa, não estranhe:
você pertence aos malvados que não conseguem ver as coisas como elas são.
O ódio dos cátaros ao corpo tem manifestações claras no wokismo, como a idéia de que o ser
humano é o câncer do planeta, assim como a “normalização do aborto, da eutanásia e da
ausência de filhos”. A condenação cátara da violência estatal em nome da manutenção da lei e
da ordem encontra um paralelo nos chamados woke para “desfinanciar a polícia e acabar com o
estado carcerário”.
A rejeição cátara de carne e produtos lácteos encontra um paralelo na moda contemporânea do
“veganismo moralizante” e o combate à propriedade privada encontra um paralelo na recusa
woke de aplicar leis contra a vagabundagem e o furto em lojas.
Feser denuncia isto como a radical subversão da vida humana normal, em nome de um “delírio
metafísico paranóico”, que por ser moda antes de ser verdade encontra apoio em muitos ricos e
poderosos. Não chega a ser um sistema, senão uma mistura de temas e sensibilidades
vagamente relacionados.

Fechando seu texto, Feser defende que a solução não pode prescindir de severidade:
“Também seria fatalmente ingênuo tratar o wokeismo simplesmente como uma tendência política
entre outras, merecendo o mesmo respeito e a mesma voz. Pelo contrário, ele deveria ser
tratado da mesma forma que tratamos o nazismo, o segregacionismo e outras ideias que são
inerentemente destrutivas para a coesão social básica – como algo que deve ser completamente
eliminado dos currículos escolares, do governo e de outras instituições, bem como do discurso
respeitável. Portanto, o Estado não apenas não deveria favorecê-lo, mas nem mesmo deve
permanecer neutro em relação a ele. Ao contrário, os governos devem ativamente trabalhar para
erradicar o wokeismo de todas e quaisquer instituições sobre as quais tenham algum poder ou
influência. Uma vez que tal purga é precisamente o que os woke pretendem para os não-woke,
essa política resulta tanto em merecido castigo quanto na autopreservação da sociedade.”

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O que fazer quanto à violência?
Nossa cultura foi sendo dilapidada: de cordiais passamos a violentos, de leais nos tornamos
enganadores, de fraternos nos transformamos em indiferentes.
Não tenho a receita e acho que ninguém tem o roteiro da reconstrução. Mas tenho uma
convicção: antes de qualquer passo efetivo é preciso reconhecer que a violência desenfreada
que padecemos é o resultado da destruição dos valores cristãos, destruição esta que
obviamente implodiu a coesão social e a família.
Enquanto não reconhecermos esta realidade seguiremos enxugando gelo e assistiremos,
impotentes, o aumento do que pretendemos combater.

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