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Carta Canalizada

Fernanda expressa suas dificuldades emocionais e reconhece falhas na relação com sua filha Manuela, refletindo sobre medos e culpas que a impediram de se conectar plenamente. Ela admite que o amor sempre esteve presente, mas a falta de comunicação e acolhimento gerou distâncias. Fernanda deseja reconstruir a relação, reconhecendo a força de Manuela e a necessidade de enfrentar os problemas juntos.
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Carta Canalizada

Fernanda expressa suas dificuldades emocionais e reconhece falhas na relação com sua filha Manuela, refletindo sobre medos e culpas que a impediram de se conectar plenamente. Ela admite que o amor sempre esteve presente, mas a falta de comunicação e acolhimento gerou distâncias. Fernanda deseja reconstruir a relação, reconhecendo a força de Manuela e a necessidade de enfrentar os problemas juntos.
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Carta canalizada

De: Fernanda Muniz


Para:Manuela Muniz Favero

Filha… em muitos momentos eu tenho me sentido presa,limitada,


culpada, ou simplesmente não soube como agir com você, isso me
faz pensar que eu posso ter falhado em muitas coisas…
Muitas vezes me senti presa dentro de mim mesma. Tinha coisas
que eu queria dizer, atitudes que eu queria ter, mas algo sempre me
parava. Não era você,eram meus medos, minhas culpas e a
sensação constante de “não saber por onde começar”.
Meu carinho por ti nem sempre saiu do jeito certo,muitas vezes saiu
em forma de silêncio, mas eu espero que isso não tenha te feito
pensar que ele não existe, eu nunca aprendi a demonstrar amor de
forma leve, e isso fez parecer que eu não sentia, quando na verdade
eu sentia até demais.
Teve momentos em que meus sentimentos e emoções me
dominaram. Eu tentava ser forte, mas por dentro eu tava confusa,
instável, com sentimentos que eu mesma não entendia. Isso me
afastou, mesmo quando meu coração queria se aproximar.
Muito do que ficou entre nós foi medo. Medo de errar, medo de
machucar, medo de encarar verdades que doíam em mim, e talvez
fossem doer em você também. Nem tudo o que eu senti eu consegui
entender ou interpretar da forma correta, e por isso guardei demais
dentro d mim.
Eu sei que falhei em assumir meu “papel”como deveria em alguns
momentos. Tentei controlar quando devia acolher, me calei quando
devia proteger. Hoje reconheço que nem sempre fui a referência
segura que tu merecia. Mesmo com todas as falhas, meu amor por ti
sempre foi constante, e extremamente intenso e [Link] eu
não tenha demonstrado com palavras ou gestos, mas me importei
do jeito que consegui, pensando no seu bem, mesmo quando não
soube mostrar.
Eu vivi tentando equilibrar demais as coisas ao mesmo tempo e
acabei me perdendo emocionalmente. Não consegui sustentar tudo,
e isso refletiu na nossa relação. Não foi desinteresse,é muito menos
sua culpa ou de alguma atitude sua, foi reflexo do meu cansaço
interno.
Se em algum momento você se sentiu sozinha, saiba que isso nunca
foi falta de amor. Foi falta de “habilidade” ou “responsabilidade”
emocional [Link] carreguei mais peso do que consegui sustentar
e deixei que isso nos afastasse.
Eu sei que do jeito que as coisas estão hoje, você não pode na ta
100% “satisfeita” com a nossa relação, eu posso não estar também.
Existe um vazio, uma sensação de que algo importante não foi
preenchido entre nós,né?Mesmo tentando me convencer do
contrário, eu reconheço que essa relação não trouxe a satisfação
emocional que deveria, e entendo que errei em não ter demonstrado
tanto, ou talvez me esforçado mais. Mas ao mesmo tempo, eu penso
que muita coisa se completou. Um “ciclo” entre nós chegou a um
ponto de consciência: não dá mais pra fingir que está tudo
perfeitamente bem, algo precisa ser conversado, decidido, ou até
encerrado pra que haja mais verdade e abertura daqui pra frente.
Parte de mim acredita que o afastamento foi “inevitável”. Não por
falta de amor, mas porque continuar do mesmo jeito estava
machucando. Eu penso que, em certos momentos, sair
emocionalmente foi a única forma que encontrei de “sobreviver” ao
que eu sentia. Mesmo sabendo disso, eu travo. Eu sei que mudanças
são necessárias, mas tenho dificuldade em deixa-las acontecer. Fico
presa entre o medo de perder de vez, ou dar tudo errado e a
situação só piorar e o medo de encarar uma transformação, algo
novo que exige coragem emocional.
Eu reconheço que não consegui sustentar essa relação como
deveria. Faltou presença, acolhimento, estabilidade, conversa,
momentos, tempo de qualidade ou até quantidade….Talvez eu tenha
priorizado outras coisas ou simplesmente não soube cuidar do
vínculo da forma mais saudável, mas isso não tem um pingo de culpa
sua.
Hoje em dia eu não consigo enxergar com “clareza”o futuro dessa
relação. Me sinto sem direção, sem saber qual é o próximo passo ou
se ainda existe um caminho em comum. Isso me traz insegurança e
uma sensação de medo, mas não queria que tu se sentisse na
obrigação de resolver essa situação, porque não foi tu quem criou
ela, tu não precisa se preocupar em resolver.
No fundo, meus pensamentos Ainda me [Link] fico presa em
culpas, medos , coisas do passado, e nos “e se”. Penso demais, faço
de menos, e isso mantém tudo exatamente onde está, sem nenhuma
mudança, ou avanço, mesmo sabendo que não é o melhor lugar.
Talvez, muitas vezes me afastar foi por não querer transparecer
mês problemas pra você, ou torná-los maior, ou gerar preocupação
em ti, não foi a melhor forma de lidar, eu sei.
Eu queria te dizer que, apesar de tudo, tu sempre foi parte do meu
lugar seguro. Mesmo quando a nossa relação parecia instável,
dentro de mim existia a ideia de família, de pertencimento, de que tu
é e sempre foi “casa”, lugar de conforto, pra mim.
Eu queria reconhecer a mulher forte que você se tornou, queria
demonstrar mais o quanto orgulho eu sinto de ti. Tua coragem, Tua
presença, Tua luz. Às vezes isso até me intimidou, porque você
cresceu mais confiante do que eu jamais fui ou possa ser, e é lindo
como tu cresce mais a cada dia.
e eu me calei onde deveria ter admirado em voz alta, mas eu sempre
te admirei, tu sempre foi como uma “”inspiração” pra mim, eu jamais
teria a cabeça que tu tem hoje quanto tinha a sua idade, se duvidar,
até hoje existem situações em que tu lida melhor que eu, ou que tu
me ensina algo.
O que eu não digo é o quanto me arrependo. Eu olho para o que deu
errado entre nós mais do que para o que ainda pode ser
reconstruído. Carrego tristezas que nunca soube como dividir com
você, mas isso na é por na “confiar” ou achar que você não me
entenderia, é uma questão minha, de não querer parecer
“vulnerável” ou algo do tipo.
Existe uma verdade em mim tentando vir à tona. Eu sei o que sinto,
sei onde errei, sei o que ficou mal resolvido. Mas te chamar pra
conversar sobre isso, falar isso em voz alta me assusta,porque torna
tudo real demais, faz a minha ficha cair totalmente, e com essa parte
eu ainda não aprendi a lidar…
Mesmo sem falar, eu observo, reflito e espero. Boa parte de mim
acredita que ainda há algo que pode crescer daqui, se houver
tempo, paciência, maturidade, e conversa. E eu reconheço que isso
tem que vir muito mais da minha parte do que da tua, pq afinal, a
adulta aqui sou eu, não você.
As vezes eu me pego pensando se tu sabe e percebe o quanto eu
me importo, mesmo quieta meu não sabendo demonstrar. Mas eu
sei que amor sem gestos ou palavras pode machucar…

As coisas começaram a se perder quando eu não consegui mais


equilibrar tudo, algo que eu sempre tentei fazer. Emoções,
responsabilidades, dores antigas e nossa relação ficaram pesadas
demais juntas. Algo sempre saía do lugar, e eu nunca soube priorizar
direito.
Houve um momento em que eu simplesmente parei. Não avancei,
não resolvi, não agi, não de um passo a frente e pensei que não
pudesse dar nenhum pra traz també[Link] presa esperando que o
tempo resolvesse o que eu não tive coragem de enfrentar. Esse
adiamento custou caro para nós duas.
Eu desisti de “”lutar”” em alguns momentos. Não porque não
importava, mas porque me senti fraca, cansada e sem energia
emocional, e não queria de forma alguma passar isso pra ti ou
aparentar que estava assim. Defender nossa relação exigia uma
força que eu pensei que não tivesse.
Mesmo assim, eu sabia que havia escolhas a serem feitas. Eu via
caminhos diferentes, futuros possíveis, mas recusei.O medo de
errar, ou piorar tudo me paralisou mais do que qualquer certeza.
Em certos momentos, eu quis retomar o controle, impor minha
visão, agir com firmeza, me mostrar mais “mãe” sabe. Achei que
liderar significava decidir sozinha, quando na verdade isso também
afastou e silenciou.
Também teve palavras ditas sem cuidado, pensamentos impulsivos,
falas mal interpretadas, palavras ditas no momento errado,conversas
rasas onde deveriam existir escutas profundas. Falei quando não
devia e me calei quando mais importava.
No fundo, tudo isso foi uma tentativa de não me machucar mais, ou
“falhar [Link] não tava tentando ferir, eu tava tentando
“sobreviver” ao que já doía demais dentro de mim, de alguma forma
eu pensei que não fosse pesar tanto pra ti dessa maneira.
Hoje eu consigo ver que minha forma de lidar com as coisas ou
situações criou distâncias que não precisavam ser tão grandes. Mas
naquela época, era o único jeito que eu conhecia.
Nada disso diminui o amor que existe. Apenas explica as falhas
humanas que moldaram o que fomos.
Que você saiba que o que houve fala mais das minhas limitações do
que do seu valor. Você NUNCA foi o problema.

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