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As Empresas Mais Verdes Do Mundo: Uma Análise Das Ferramentas de Gestão Adotadas Pelas Empresas Listadas No Ranking Da Interbrand

O estudo analisa as 50 empresas mais verdes do mundo, segundo o ranking da Interbrand, em relação à certificação ISO 14001 e à publicação do relatório socioambiental da Global Reporting Initiative (GRI). A pesquisa revela que essas ferramentas de gestão não são consideradas fundamentais no modelo do ranking e que sua presença varia entre as empresas listadas, dependendo da região geográfica. Conclui-se que nem todas as empresas no ranking possuem a certificação ISO 14001 ou publicam relatórios GRI, evidenciando a necessidade de uma análise mais profunda sobre suas práticas de gestão ambiental.
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As Empresas Mais Verdes Do Mundo: Uma Análise Das Ferramentas de Gestão Adotadas Pelas Empresas Listadas No Ranking Da Interbrand

O estudo analisa as 50 empresas mais verdes do mundo, segundo o ranking da Interbrand, em relação à certificação ISO 14001 e à publicação do relatório socioambiental da Global Reporting Initiative (GRI). A pesquisa revela que essas ferramentas de gestão não são consideradas fundamentais no modelo do ranking e que sua presença varia entre as empresas listadas, dependendo da região geográfica. Conclui-se que nem todas as empresas no ranking possuem a certificação ISO 14001 ou publicam relatórios GRI, evidenciando a necessidade de uma análise mais profunda sobre suas práticas de gestão ambiental.
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As Empresas Mais Verdes Do Mundo: uma análise das ferramentas de gestão

adotadas pelas empresas listadas no ranking da Interbrand

JOSÉ AUGUSTO DA SILVA SANTOS NETO


gutosilvaneto@[Link]

LILIAN ALIGLERI
[Link]@[Link]
As Empresas Mais Verdes Do Mundo: uma análise das ferramentas de gestão adotadas
pelas empresas listadas no ranking da Interbrand.

Resumo
Pessoas e empresas buscam informações de fácil acesso que permitam tomar decisões. Essa
realidade fomentou a criação de diversificados rankings anualmente atualizados que
congregam informações sobre empresas de diversos setores, utilizados para a elaboração de
análises e avaliação. Paralelamente, a mídia e as organizações listadas reproduzem as
classificações de melhores colocadas como fonte confiável de informação. Este estudo teve
como objetivo analisar as 50 empresas mais verdes do mundo, segundo o ranking da
consultoria Interbrand, em relação a certificação ISO 14001 e a publicação do relatório
socioambiental no modelo da Global Reporting Initiative (GRI). Trata-se de uma pesquisa
exploratório-descritiva com abordagem qualitativa assentada em dados secundários. Percebe-
se que o modelo metodológico adotado na concepção do ranking da Interbrand não
considerada a certificação ISO 14001 e a publicação do relatório socioambiental no modelo
da Global Reporting Initiative (GRI) como elementos fundamentais para a seleção das
empresas. A análise dos dados permitiu concluir que a ISO 14001 e o relatório GRI não estão
presentes em todas as empresas listadas. Além disto, entre aquelas que possuem tais
ferramentas de gestão, ficou evidente que a sua presença é variável, dependendo da região
geográfica analisada.

Palavras-chave: ISO 14001, Global Reporting Initiative, Empresa Verde.

Abstract
People and companies seek easy access to information that allows for decision-making. Such
reality encouraged the creation of annually updated diversified rankings that bring together
information on companies from various sectors used for the preparation of analyses and
assessment. At the same time, the listed media and organizations reproduce the best-placed
ratings as a reliable source of information. This study aimed to analyse the 50 greenest
companies in the world, according to the ranking of Interbrand consultancy, considering ISO
14001 certification and the publication of the socio-environmental report based on the Global
Reporting Initiative (GRI). This is an exploratory and descriptive research with qualitative
approach based on secondary data. It can be noticed that the methodological model used in
designing the ranking of Interbrand does not take into consideration ISO 14001 certification
and the publication of the socio-environmental report on the Global Reporting Initiative (GRI)
as key elements for companies’ selection. Data analysis support the conclusion that ISO
14001 and GRI report are not present in all listed companies. Moreover, among those that use
such management tools, it became clear that their presence varies depending on the analysed
geographic region.

Keywords: ISO 14001, Global Reporting Initiative, Green Company.


1 Introdução
Desde a revolução industrial, os recursos naturais passaram a ser consumidos pela
sociedade humana mais rápido do que a capacidade de reposição do planeta, o que levou a
escassez de recursos e a diminuição da quantidade de água potável no mundo. Além disto,
segundo dados da World Wide Fund for Nature (WWF), houve um incremento de 34% na
emissão de dióxido de carbono na atmosfera desde o início da revolução industrial no século
XVIII. Desde então, a temperatura média da Terra aumentou cerca de 0,8ºC, o que tem gerado
consequências adversas para a vida dos habitantes do planeta. Portanto, como citado no
relatório Visão 2050, publicado em 2010 pelo World Business Council for Sustainable
Development “atualmente, as nossas sociedades estão no perigoso caminho da
insustentabilidade” (WBCSD, CEBDS, 2012).
Estas informações ampliam a cobrança por parte da sociedade em relação à conduta
das empresas com marcas reconhecidas e maior participação de mercado. As empresas,
percebidas historicamente como poluidoras e desbravadoras do ambiente natural, necessitam
resgatar a sua legimitidade social e reverter à imagem de vilãs dos problemas ambientais.
Principalmente com o avanço da consciência ambiental da população, as empresas que
investem em gestão ambiental poderão se valorizar por meio de iniciativas de green
marketing. Portanto, a gestão ambiental organizacional tem constituído uma temática de alta
relevância nas agendas públicas e privadas em distintos países, sendo reconhecida como fator
imprescindível para o sucesso das organizações (FIORINI e JABBOUR, 2014).
Paralelamente, o desenvolvimento econômico e a tecnologia digital de dados
conduzem a uma grande e seletiva procura por informações sobre as empresas dos diversos
setores da economia, que estejam prontamente disponíveis. Aumenta a necessidade não
somente de mais informações, mas de informações mais organizadas, compreensíveis,
precisas e atuais para a uma economia de tempo de pesquisa e, também, a possibilidade de se
realizarem comparações. Essa realidade fomentou a criação de diversificados rankings
anualmente atualizados que congregam, em um só espaço, informações sobre distintas
empresas de diversos setores e são utilizados como base de comparação para a elaboração de
análises, avaliação e tomada de decisão. (ANTUNES, CORRAR e KATO, 2004; FIORINI e
JABBOUR, 2014).
Nos últimos anos ampliou-se a publicação de rankings que atestam a preocupação das
empresas com o meio ambiente. Newsweek, Interbrand, Corporate Knights e Greenpeace são
exemplos de instituições que elaboram periodicamente rankings de empresas “verdes”.
Paralelamente, a mídia e as organizações nomeadas reproduzem as listas de melhores
colocadas como base confiável de informação sobre o desempenho ambiental de excelência.
Os rankings são utilizados para potencializar o reconhecimento das empresas que adotam
práticas socioambientalmente responsáveis. Mas, será que as empresas melhores listadas nos
rankings ambientais possuem, de fato, um modelo de gestão mais proativo e estruturado?
Este estudo teve como objetivo analisar as 50 empresas mais verdes do mundo,
segundo o ranking da consultoria Interbrand, em relação a certificação ISO 14001 e a
publicação do relatório socioambiental no modelo da Global Reporting Initiative (GRI).
Partiu-se da premissa de que as empresas que alcançam níveis elevados no ranking devem
possuir um modelo de gestão ambiental mais organizado e estruturado e, portanto, maior
comprometimento com uma abordagem avançada de gestão ambiental.

2 Revisão Bibliográfica
Identificar e gerenciar riscos ambientais, a partir do monitoramento de informações, é
uma prática cada vez mais presente em empresas que buscam envolver-se com o tema
ambiental. ELEFSINIOTIS e WAREHAM (2005) definem a gestão ambiental como a
totalidade de ações organizacionais organizadas de forma sistematizada para monitorar os
impactos ambientais das atividades e gerenciar questões pertinentes à dimensão ambiental.
Jabbour e Jabbour (2013) corroboram ao afirmar que as organizações apresentam diferentes
níveis de envolvimento com a gestão ambiental e distingue três estágios evolutivos: proativo,
preventivo e reativo. A figura abaixo apresenta as principais características de cada estágio
proposto pelos autores.

Fonte: Jabbour e Jabbour (2013, p. 35).


Figura 1. Representação dos estágios evolutivos da gestão ambiental no modelo de
transformação

Já González-Benito e González-Benito (2006) revisam a literatura, a fim de identificar


os fatores determinantes da pró-atividade ambiental de uma empresa, identificando as
seguintes categorias de gestão:
a) práticas organizacionais e de planejamento: remetem à implementação de um
sistema de gestão ambiental (SGA), isto é, um conjunto de elementos inter-
relacionados utilizados para desenvolver e implementar uma política ambiental com o
propósito de atingir objetivos definidos pela organização.
b) práticas operacionais: mudanças no sistema de produção e operações podem estar
relacionadas ao produto ou ao processo operacional. O primeiro inclui práticas focadas
em ecodesign e o segundo está direcionado a ecoeficiência e outros modelos
produtivos sustentáveis; e
c) práticas comunicacionais: visam comunicar e divulgar as ações ambientais às partes
interessadas na empresa. Essas práticas buscam objetivos comerciais e o
estabelecimento de relações com os stakeholders, dessa forma, não são focadas em
melhorar o desempenho ambiental e, sim, em divulgá-lo.
A norma ISO 14001 e a publicação do Global Reporting Initiative (GRI), utilizadas
neste artigo para analisar as 50 empresas mais verdes do mundo, são exemplos da primeira e
da última categorias apontadas González-Benito e González-Benito (2006). A norma ISO
pode ser qualificada como um sistema de gestão ambiental e o relatório GRI é um padrão de
comunicação organizacional dos impactos das organizações. Ambos contribuem para
aprimorar os sistemas de informação ambiental, o que na concepção de Bengtsson e Ågerfalk
(2011), podem desempenhar um papel central, como ferramentas para a melhoria dos
indicadores de sustentabilidade.
A Norma ISO 14001
As normas da série ISO 14000 abarcam o mais conhecido e utilizado sistema de gestão
ambiental do mundo. Elas são publicadas pela Organização Internacional para Padronização
(International Standardization for Organization - ISO). Lançada em 1993, a série 14.000, que
contém a norma NBR ISO 14001, foi criada com o objetivo de estabelecer estruturas e
procedimentos para a melhoria contínua do desempenho ambiental das empresas. A adoção da
norma demanda uma mudança cultural na organização, requerendo capacitação dos
funcionários, implantação de programas/sistemas de comunicação, definição de padrões
internos, reformulação dos processos produtivos e dos equipamentos de proteção ambiental
(OLIVEIRA e PINHEIRO, 2010). As normas da série apresentam diretrizes para Auditorias
Ambientais, Avaliação do Desempenho Ambiental, Rotulagem Ambiental e Análise do Ciclo
de Vida dos Produtos, Requisitos para organismos de validação e verificação de GEE, entre
outros.
A série está alicerçada na integração entre os conceitos de qualidade e meio ambiente
utilizando-se do modelo PDCA (Plan-Do-Check-Act), conforme apresentado na Figura 2. A
base para elaboração do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é o mesma do Sistema de
Gestão da Qualidade (SGQ).

Fonte: ABNT. NBR ISO 14001 (2004, p. 6).


Figura 2. Modelo de Gestão Adotado na Série ISO 14000

A norma certificável ISO 14.001 foi publicada em 1996 e a partir de um processo de


revisão iniciado em 2011 foi readequada no ano de 2015. O principal objetivo da norma é
permitir que as organizações estabeleçam processos para gerenciar o risco ambiental,
reduzindo o consumo de recursos naturais e custos operacionais, tendo um compromisso de
melhoria contínua de seu desempenho ambiental. Portanto, Forte (2003) afirma a norma que a
norma colabora com o comprometimento com a prevenção da poluição e melhorias contínuas
na gestão empresarial.
Ressalta-se, todavia, que a ISO 14.001 não define resultados ou níveis de desempenho
dos processos ambientais, nem institui valores para indicadores de controle. Entretanto, um
estudo realizado por González, Sarkis e Adenso-Diaz (2008) junto à indústria automotiva
demonstrou que as empresas certificadas na NBR ISO 14001 incorporaram práticas de gestão
dos recursos com implicações importantes para a preservação ambiental.
Por abranger um conjunto de práticas flexíveis, pode ser aplicada em qualquer tipo de
organização, independentemente do porte, do ramo de atividade (BOIRAL, 2007), podendo
ser adaptada à realidade dos diferentes países. Existem mais de 300.000 certificações ISO
14.001 em 171 países ao redor do mundo (ISO, 2013).

O Relatório no Modelo do Global Reporting Initiative


Um número cada vez maior de empresas busca aumentar a sua legitimidade em
relação ao desempenho socioambiental e, ao mesmo tempo, garantir a transparência da
comunicação com suas partes interessadas (ALIGLERI, ALIGLERI e KRUGLIANSKAS,
2009). Portanto, a publicação de balanços sociais ou relatórios de sustentabilidade
empresariais tem servido como forma de demonstrar as iniciativas, resultados, atitudes e
investimentos, por meio do uso de vários indicadores ou parâmetros, em prol do
desenvolvimento sustentável (OLIVEIRA et al, 2014).
A adesão ao modelo de relatório proposto pela Global Reporting Initiative é relevante
entre as empresas globais (MARIMON, 2012). A Global Reporting Initiative foi criada em
1997 como um projeto do CERES (Coalition for Environmentally Responsible Economies) e
do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Hoje é uma organização
independente e global, com sede em Amsterdam, que conta com a colaboração de
especialistas de vários países de todo o mundo e possui uma estrutura de governança
multistakeholder proveniente de empresas, organizações não governamentais, trabalhadores
consultores, governos, universidades, institutos de pesquisa e associações empresariais. A
GRI desenvolve ferramentas e recursos para ajudar as organizações a elaborarem um relatório
de sustentabilidade (GRI, 2015).
A estrutura de relatório proposta pelo GRI envolve conteúdos e indicadores acordados
internacionalmente, sendo constantemente aperfeiçoada. As categorias de desempenho
ambiental, social e econômicos são segmentadas em indicadores e divididos em
subcategorias. A versão mais recente, denominada G4 foi desenvolvida para ser
universalmente aplicáveis a todas as organizações, tanto de grande como de pequeno porte,
em todo o mundo e pode envolver o relato de 91 indicadores.
Especificamente em relação ao desempenho ambiental, o G4 propõe a divulgação de
34 indicadores que envolvem os seguintes temas: materiais, energia, água biodiversidade,
emissões, efluentes e resíduos, produtos e serviços, conformidade, transporte, geral, avaliação
ambiental de fornecedores e mecanismos de queixas e reclamações relacionadas aos impactos
ambientais.
Sobre o uso do GRI, Oliveira et al (2014) ressaltam que a adoção voluntária das
empresas no relato estruturado das práticas ambientais utilizando-se de um modelo que
permite a comparabilidade de desempenho e disponibilizado publicamente na internet é um
grande indício do comprometimento da empresa com a sociedade em que está inserida.

O Ranking da Interbrand
A Interbrand define-se como uma consultoria global que cria e gerencia valor de
marca. Possui 31 escritórios em 27 países. Foi fundada em 1974 nos Estados Unidos da
América e atualmente atua nas áreas de identidade visual e verbal, estratégia, brand valuation
e design ambiental.
O ranking das 50 empresas mais verdes de mundo é desenvolvido em parceria com a
Deloitte, a partir a listagem da própria Interbrand que apresenta as 100 melhores empresas
globais (Best Global Brands Report). De acordo com Jez Frampton, CEO global da
Interbrand, as empresas foram classificadas de duas formas: em relação as suas iniciativas de
sustentabilidade e sobre a forma como o público percebe esses esforços, ou seja, combina a
percepção pública dos consumidores com a performance ambiental demonstrada a partir de
informações e dados disponíveis para o mercado.
As informações sobre o desempenho ambiental das empresas são obtidas pela Deloitte,
baseado em informações disponíveis publicamente para 83 indicadores envolvendo seis
dimensões: governança, logística e transporte, produtos e serviços, engajamento das partes
interessadas, operações, cadeia de suprimentos. Já a pesquisa com os consumidores é
realizada nos 10 países com maior PIB (Produto Interno Bruto), sendo assim, no estudo de
2014 as localidades escolhida foram: Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Rússia, China,
Índia, Japão. Brasil e Estados Unidos da América. O survey contou com a participação de
15.000 clientes dos países propostos, envolvendo seis categorias: autenticidade (percepção de
credibilidade na declaração ambiental da marca), diferenciação (diferenciação percebida no
esforço ambiental da marca em relação a outros competidores, presença (sensibilização dos
consumidores para atividades verdes da marca e sua reputação verde no mercado), relevância
(importância percebida da declaração ambiental da marca); consistência (consistência de
comunicação da marca em seus pontos de contato) e compreensão (nível de compreensão das
atividades verdes da marca) (INTERBRAND, 2014). Na Tabela abaixo são apresentadas as
empresas e o seu posicionamento no ranking.

Tabela 1. Ranking das empresas mais verdes do mundo em 2014, segundo a Interbrand

Fonte: Criado pelos autores com base nos dados obtidos na publicação das 50 empresas mais verdes do mundo
da Interbrand em 2014.

A Interbrand disponibiliza pouca informação sobre os procedimentos metodológicos e


estatísticos adotados para classificar as empresas, o que dificulta a compreensão dos
resultados apresentados.
No Brasil o ranking foi divulgado por importantes veículos de comunicação como o
Jornal Valor Econômico (VALOR, 2014), a Revista Exame (BARBOSA, 2014) e no caderno
de Economia do Portal G1 (G1, 2014).

3 Metodologia
A pesquisa buscou identificar a presença de ferramentas de gestão ambiental entre as
empresas reconhecidas como as mais verdes do mundo. Portanto, analisou as 50 empresas
mais verdes do mundo, segundo o ranking da consultoria Interbrand, em relação a
certificação ISO 14001 e a publicação do relatório socioambiental no modelo da Global
Reporting Initiative (GRI).
Trata-se de uma pesquisa exploratório-descritiva com abordagem qualitativa assentada
em dados secundários. Segundo Cervo, Bervian e Silva (2007), as pesquisas descritivas têm o
objetivo de propiciar maior entendimento sobre a frequência com que um fenômeno ocorre,
sua correlação e conexão com outros fenômenos.
A amostra é composta pelas 50 empresas do ranking da Interbrand listadas como as
mais verdes do mundo no ano de 2014. A seleção do referido ranking se deu devido à ampla
divulgação nacional e internacional em meios de comunicação especializados na área de
gestão, a atuação global da consultoria e a publicação anual, desde 2008, de rankings de
marca em vários países.
A escolha da certificação ISO 14001 e do relatório socioambiental no modelo da GRI
se deu uma vez que ambos são iniciativas multistakeholders de reconhecimento internacional,
que visam a melhoria do desempenho ambiental das empresas, sendo apoiadas por
importantes instituições globais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a
Organização Mundial do Comércio (OMC).
Os dados referentes à existência da certificação ISO 14001 foram coletados a partir de
buscas realizadas nos websites das empresas. Em alguns casos, quando a informação não foi
encontrada em textos, documentos ou relatórios disponibilizados, encaminhou-se um e-mail
para o setor de relacionamento com cliente das empresas em cada uma das áreas geográficas
envolvidas no estudo. Os dados referentes à publicação do relatório ocorreram a partir da base
dados online pública da Global Reporting Initiative, sendo considerada a disponibilização do
relatório do ano de 2014.
Os dados foram coletados entre os meses de abril e junho de 2015. As informações
foram organizadas em gráficos elaborados em planilhas de Excel com base nos dados obtidos
nos websites das empresas, nas publicações de GRI e no ranking 50 Best Global Green
Brands of 2014 da Interbrand.

4 Apresentação e Análise dos Resultados


Características das Empresas Classificadas pela InterBrand
Dentre as dez primeiras empresas listadas no ranking, quatro delas são indústrias
automotivas e ocupam as quatro colocações iniciais, já apresentados na Tabela 1. Ressalta-se
que a indústria automotiva representa um total de 20% das empresas mencionadas no ranking,
seguida pelo setor de tecnologia e eletrônicos, conforme exibido no Gráfico 1.
Gráfico 1. Setor de Atuação das Empresas que Compõem o Ranking

10

5
4
3
2 2 2 2 2 2 2
1 1 1 1 1 1 1

Fonte: os autores, baseado nos dados disponibilizados pela Interbrand (2014).

Em relação ao país de origem das cinquenta empresas listadas, identificou-se que 24


delas tem os Estados Unidos da América como país sede, seguida pelo Japão com 6 empresas
citadas, a Alemanha com cinco indicações e na sequencia, com 3 companhias mencionadas
está a Coreia do Sul, França e Holanda. A Espanha é o país de origem de duas empresas. Já a
Suécia, a Finlândia e a Suíça possuem apenas uma indicação cada no que se refere a origem
geográfica das empresas do ranking.
Por continente, uma análise da origem das empresas, evidencia o continente americano
compreende 48% das empresas citadas, o continente europeu abrange 34% delas e o
continente asiático tem uma participação de 18%. Empresas originárias da África e da
Oceania não tiveram nenhuma indicação na publicação da Interbrand.
Dentre as empresas listadas no ranking, 94% possuem unidade de atuação no Brasil,
representando 47 empresas. As únicas empresas que não operam em território brasileiro são:
H&M no setor de vestuário, Ikea no ramo mobiliário doméstico e a Disney que está no ramo
do entretenimento. Ainda sobre a região geográfica de atuação das empresas listadas, foi
possível constatar que todas elas possuem unidade de atuação no continente europeu.

Certificação ISO 14001 entre as Empresas Listadas


Quanto à presença da certificação ISO 14001 nas operações dos países de origem,
poucas foram as empresas que não relataram em seus websites a existência de tal certificação,
sendo elas: Nokia, Ikea, Zara, Starbucks, H&M e Disney. Com isso, verificou-se que 88% das
citadas no ranking possuem ISO 14001 no seu país sede, conforme apresentado no Quadro 1.
Quadro 1. Empresas com Certificação ISO 14001 no país sede

Fonte: os autores

No que se refere à certificação ISO 14001 em unidades instaladas no continente


europeu, identificou-se que, proporcionalmente, as empresas apresentaram um resultado
superior se comparado aos seus países sede. Um total de 45 empresas possui o certificado,
totalizando 90% do ranking. Dentre as empresas que não possuem a certificação aparecem:
Ikea, Zara, H&M, Starbucks e Disney, conforme disposto no Quadro 2.

Quadro 2. Empresas com Certificação ISO 14001 em Unidades Instaladas na Europa

Fonte: os autores

Em relação à existência da certificação ISO 14001 nas operações brasileiras,


apresentado no Quadro3, identificou-se que 37 empresas dentre as 47 que atuam em território
nacional possuem tal certificado, o que corresponde a 78% do total.

Quadro 3. Empresas com Certificação ISO 14001 em Unidades Instaladas no Brasil

Fonte: os autores
Portanto, pode-se afirmar que as empresas listadas no ranking possuem, em sua
maioria, a certificação ISO 14001, estando alinhadas com um sistema de gestão ambiental.
Todavia, os dados possibilitam inferir que a adoção varia dependendo do país ou região
geográfica. Parece que há um compromisso maior das empresas em regiões nas quais a
legislação é mais rigorosa e a sociedade civil possui maior nível de educação ambiental e
preocupação com a conservação do meio ambiente.

Publicação de Relatório Socioambiental no modelo da GRI


No ano de 2014 a publicação do GRI foi adotada por 88% das empresas em seus
respectivos países de origem, o que representa 44 organizações, conforme descrito no Quadro
4. Vale ressaltar, que a Chevrolet e a Pepsi publicaram o relatório através das organizações
que detém estas marcas, sendo GM e PepsiCo respectivamente.

Quadro 4. Empresas que Publicaram o Relatório no modelo GRI no país sede

Fonte: os autores

Pode-se observar que, embora todas as empresas listadas no ranking possuem


operações na Europa, apenas 36% das 50 empresas consideradas como as mais verdes do
mundo pela Interbrand publicaram GRI específico para relatar os impactos sociais e
ambientais de operações neste continente, como pode ser observado no Quadro 5.

Quadro 5. Empresas que Publicaram o Relatório no modelo GRI em Unidades


Instaladas na Europa

Fonte: os autores

No Quadro 6 são apresentadas as empresas que publicam o relatório GRI das operação
brasileiras, considerando as 47 empresas que atuam em território nacional. Identificou-se que
apenas 12,8% delas, o que representa seis empresas, publicaram o GRI para relatar os
impactos socioambientais da operação. As únicas organizações que adotaram o relatório
foram: Toyota, Volkswagen, Coca-Cola, Siemens, 3M e Heineken.

Quadro 6. Empresas que Publicaram o Relatório no modelo GRI em Unidades na


Instaladas no Brasil

Fonte: os autores

Tais dados indicaram que a publicação do relatório GRI, diferentemente da ISO


14001, parece ser percebida pelas empresas como uma importante ferramenta de comunicação
em seu país de origem. Portanto, a prestação de contas sobre os impactos socioambientais
ainda precisa ser ampliada para outras regiões de mundo onde as empresas possuem operação.

5 Considerações Finais
Este estudo teve como objetivo analisar as 50 empresas mais verdes do mundo,
segundo o ranking da consultoria Interbrand, em relação a certificação ISO 14001 e a
publicação do relatório socioambiental no modelo da Global Reporting Initiative (GRI). Para
tanto, foi realizada pesquisa exploratório-descritiva com abordagem qualitativa, utilizando-se
de dados secundários disponíveis na internet.
Percebe-se que o modelo metodológico adotado na concepção do ranking da
Interbrand não considerada a certificação ISO 14001 e a publicação do relatório
socioambiental no modelo da Global Reporting Initiative (GRI) como elementos
fundamentais para a seleção das empresas. A análise dos dados permitiu concluir que a ISO
14001 e o relatório GRI não estão presentes em todas as empresas listadas pelo ranking.
Além disto, entre aquelas que possuem tais ferramentas de gestão, ficou evidente que a
sua presença é variável, dependendo da região geográfica analisada. Parece que há um maior
comprometimento com uma abordagem avançada de gestão ambiental nos países sede das
organizações e no continente europeu.
Portanto, propõe-se que Interbrand passe a adotar o relatório GRI e a ISO 14001 como de
métricas de seleção e avaliação das empresas. Estas ferramentas ratificam o compromisso da
gestão das empresas com meio ambiente e permitem análise mais precisa, trazendo assim,
resultados mais concisos aos avaliadores. Além disto, os dados disponibilizados publicamente
na web nos relatórios GRI, quando avaliados longitudinalmente para uma mesma empresa e
analisados comparativamente a outras organizações do setor, também podem tornar-se uma
importante fonte de informações para mensurar o desempenho ambiental e trazer legitimidade
ao processo de escalonamento das organizações.
Acredita-se ser importante para a estruturação dos rankings de desempenho ambiental,
utilizar ferramentas de gestão e sistemas de informação que podem colaborar para a
classificação de gestão ambiental empresarial mais eficaz (DAO, LANGELLA e CARBO,
2011).
Existem, ainda, muitos desafios para a pesquisa que merecem a atenção da
comunidade de pesquisa, por exemplo, levantar o desempenho ambiental obtido pelas
empresas mais bem colocadas nos rankings ambientais em relação à emissão de gases de
efeito estufa, consumo de água por produto, emissões de efluentes e geração de resíduos.
Outro estudo interessante refere-se à comparação das empresas listadas num ranking
ambiental em relação a outros que também buscam escalonar o desempenho ambiental das
organizações para identificar possíveis consistências e divergências entre eles.
Aos pesquisadores das áreas de gestão ambiental, a presente pesquisa apresenta resultados e
destaques a um tema ainda pouco explorado e potencializa as discussões em relação a maneira
como consumidores, estudiosos e outros públicos podem analisar o desempenho ambiental
das empresas. Espera-se que os resultados obtidos possam fomentar novos desenhos
metodológicos para os rankings e novas iniciativas nas organizações, através do estreitamento
da relação entre gestão ambiental e sistemas de informação.
Como limitação do trabalho, destaca-se que os resultados não podem ser generalizados, pois
são baseados no estudo de um único ranking publicado num ano específico.

6 Referências
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para uso. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2004.
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Responsabilidade e sustentabilidade do negócio. São Paulo: Atlas, 2009.
ANTUNES, M. T. P; CORRAR, L. J.; KATO, H. T. A eficiência das informações divulgadas
em "melhores & maiores" da revista exame para a previsão de desempenho de empresas.
Revista Contabilidade e Finanças. Universidade de São Paulo, São Paulo, Edição Especial,
p. 41 - 50, 30 junho 2004. Disponível em:
[Link] Acesso em: abril, 2015.
BARBOSA, V. As 50 marcas mais verdes do mundo em 2014. Portal Exame, 24 de junho de
2014. Disponível em: [Link]
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