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Memorial

Eduarda Resende de Paula, nascida em 2005 em Goiás, compartilha sua trajetória de vida marcada por desafios familiares e escolares, incluindo a convivência com um pai emocionalmente instável e dificuldades de aprendizagem devido ao TDAH. Após a adoção de um irmão e a separação dos pais, ela encontrou na Psicologia um caminho para entender e ajudar os outros, refletindo sobre suas experiências pessoais. Atualmente, cursando Psicologia na Universidade de Uberaba, Eduarda busca transformar suas vivências em apoio e acolhimento para aqueles que enfrentam dores semelhantes.

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Duda Resende
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Eduarda Resende de Paula, nascida em 2005 em Goiás, compartilha sua trajetória de vida marcada por desafios familiares e escolares, incluindo a convivência com um pai emocionalmente instável e dificuldades de aprendizagem devido ao TDAH. Após a adoção de um irmão e a separação dos pais, ela encontrou na Psicologia um caminho para entender e ajudar os outros, refletindo sobre suas experiências pessoais. Atualmente, cursando Psicologia na Universidade de Uberaba, Eduarda busca transformar suas vivências em apoio e acolhimento para aqueles que enfrentam dores semelhantes.

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Memorial

Meu nome é Eduarda Resende de Paula, nasci no dia 02 de março de 2005, em Caçu,
uma pequena cidade do interior de Goiás. Venho de uma família boa, mas marcada por
desequilíbrios e dificuldades que moldaram minha forma de ver a vida e o mundo. Sou
filha de um advogado e de uma mãe que, inicialmente, trabalhava com montagem de
festas infantis e que hoje atua com a Herbalife, mostrando sempre sua capacidade de
resiliência e reinvenção diante dos desafios.

Minha infância foi vivida em grande parte na fazenda dos meus avós paternos. Cresci
em contato direto com a natureza, um espaço que me permitiu liberdade, criatividade e
descobertas. Tinha uma rotina típica de criança do interior: andava a cavalo, subia em
árvores, corria atrás de pintinhos e acordava cedo para pegar os ovos das galinhas. Essas
experiências me marcaram profundamente, pois me ensinaram a valorizar as pequenas
coisas e a simplicidade da vida.

Apesar de um ambiente externo agradável e cheio de aprendizados, dentro de casa as


relações familiares eram mais complexas. Meu pai, mesmo presente fisicamente,
mostrava-se muitas vezes ausente emocional e psicologicamente. Suas atitudes
variavam entre momentos de carinho e de lazer — como quando andávamos de
bicicleta, víamos filmes juntos ou jogávamos algum jogo — e explosões de raiva que
me deixavam confusa e insegura. Em alguns momentos, ele chegava a reagir de forma
violenta diante das minhas dificuldades escolares, como no episódio em que quebrou
um lápis em minha cabeça porque eu não conseguia aprender na primeira tentativa.
Desde cedo, percebi a instabilidade emocional dele e costumo brincar dizendo que tive
“dois pais”: o meu pai e o “monstro”. Esse contraste de sentimentos me levou, com o
tempo, a refletir sobre as dores emocionais que cada pessoa carrega e a importância de
buscar ajuda, algo que desejo que ele tivesse feito.

Minha trajetória escolar foi marcada por muitos desafios. Sempre estudei em escolas
particulares, mas desde cedo apresentei dificuldades significativas de aprendizagem.
Posteriormente, fui diagnosticada com TDAH, o que me trouxe uma explicação para
muitas das dificuldades que enfrentava. No entanto, ainda assim, vivi constantemente
sob pressão para ter um desempenho escolar melhor. Durante boa parte da infância e
adolescência, minha rotina incluía a escola pela manhã e aulas de reforço no período da
tarde, o que fazia com que meu tempo fosse quase todo dedicado aos estudos, mesmo
quando não obtinha os resultados esperados.

Aos 12 anos, vivi um dos momentos mais significativos da minha vida: a chegada do
meu irmão. Desde os 10 anos, eu pedia aos meus pais que tivesse um irmão, e esse
desejo se concretizou quando adotamos um bebê com apenas sete meses. Essa adoção
foi muito especial para todos nós, pois sempre houve o desejo de ampliar a família, e
para mim foi como ver um sonho realizado. Hoje ele tem oito anos e é uma das maiores
alegrias da minha vida. A experiência de ser irmã mais velha me deu mais
responsabilidade, carinho e paciência, além de me ensinar sobre amor incondicional.
Em 2019, minha vida passou por uma mudança importante: a mudança para Uberlândia,
em Minas Gerais. Foi lá que iniciei meus estudos no Colégio Batista, onde concluí o
ensino médio. Essa etapa foi atravessada por um momento histórico difícil: a pandemia
da COVID-19. Passei a ter aulas on-line no primeiro e no segundo ano do ensino médio,
algo que exigiu adaptação e maturidade. A pandemia trouxe limitações, inseguranças e
até isolamento social, mas também me deu a oportunidade de repensar minha vida,
minhas escolhas e meus sonhos para o futuro.

Durante esse período, descobrimos que meu pai mantinha um relacionamento


extraconjugal, o que levou à separação de meus pais. Essa ruptura foi dolorosa, mas
fortaleceu ainda mais o vínculo que tenho com minha mãe, com quem passei a morar
novamente em Uberlândia. Minha mãe sempre foi minha grande inspiração. Desde
jovem, a via trabalhar muito, seja nas festas infantis que organizava ou, mais
recentemente, em sua atuação com a Herbalife. Cresci ao lado dela, ajudando nas festas,
fazendo doces e montando personalizados, aprendendo o valor da dedicação, da
disciplina e da coragem para se reinventar.

Atualmente, moro com minha mãe, meu irmão, meu namorado — com quem estou
desde 2020, completando cinco anos de namoro — e nossas duas cachorrinhas. Minha
família, apesar das dificuldades, é meu alicerce e minha fonte de força.

Em 2024, iniciei meu estágio em uma escola próxima de casa, atuando como monitora
(professora de apoio). Essa experiência tem sido transformadora em minha vida pessoal
e acadêmica. No início, acompanhei uma aluna autista, o que me proporcionou
aprendizados valiosos sobre inclusão, paciência e empatia. Hoje, acompanho um
menino diagnosticado com a síndrome de Kleefstra, uma condição rara que eu nunca
havia visto nem mesmo nos estudos da faculdade. Essa vivência me ensina diariamente,
exigindo de mim resiliência, criatividade e um olhar humano que vai além dos
conteúdos acadêmicos. Apesar de ser cansativo, sinto que encontrei um propósito dentro
do estágio: poder contribuir com o desenvolvimento dessas crianças e, ao mesmo
tempo, crescer como pessoa e futura profissional.

A escolha pela Psicologia foi, de certa forma, consequência natural de toda a minha
trajetória. Desde a infância, enfrentei pressões psicológicas tanto no ambiente familiar
quanto no escolar. Sofri com dificuldades de aprendizagem, cobranças, críticas e
sentimentos de inadequação. Por muito tempo, me senti incapaz, mas ao mesmo tempo,
aprendi que essas dificuldades não me definem. Pelo contrário, elas foram o
combustível para que eu buscasse entender melhor a mente humana e, principalmente,
ajudar outras pessoas a não passarem sozinhas por dores semelhantes às minhas.

Hoje, curso Psicologia na Universidade de Uberaba (UNIUBE) e estou no sexto


período. Carrego comigo cada experiência vivida, cada dificuldade superada e cada
vitória conquistada. Sei que escolhi a profissão certa, pois ela conversa diretamente com
minha história de vida. Meu objetivo é ser uma profissional que acolhe, compreende e
contribui para que outras pessoas descubram sua força, entendam suas dores e percebam
que sempre há caminhos para crescer e se reconstruir.
Olhando para trás, vejo que cada detalhe da minha vida — desde as brincadeiras na
fazenda até os momentos de dor e aprendizado — contribuiu para que eu me tornasse
quem sou hoje. Minha trajetória me mostrou que as dificuldades não precisam ser o fim,
mas podem se transformar em motivação. É com esse espírito que sigo, determinada a
construir minha carreira como psicóloga e a dedicar minha vida ao cuidado, ao
acolhimento e à transformação de vidas.

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