Aquele Que Segue Sem Rumo
Aquele Que Segue Sem Rumo
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Alexion Viator
Aquele que segue sem rumo
O PALADINO HERÓI
VOLUME I
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Sumário
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Nota do Autor
Atualmente, escrevo esse livro no ano 150 da Era das Sombras Fulguras, a guerra
contra Umbralócus acabou já tem 26 anos; durante minha juventude, atuei como um
dos mensageiros da União Sombra, caminhei por diversos cantos de Sombraalém,
fazendo qualquer tarefa que me era incubida, acionando aparatos mágicos de
comunicação estendida, vagando por zonas de batalha, entregando mensagens a
soldados ou a seus líderes, raramente tendo contato com altos escalões, mas
sempre fazendo um trabalho considerável e ao meu ver: significativo.
Durante minhas peregrinações, ao lado de meus companheiros, todos sentíamos
medo, não atoa, considerando que podíamos morrer a qualquer momento, porém,
todos possuímos memórias parecidas, onde ficamos mais calmos e corajosos
quando nos encontrávamos com o grupo Anti-Umbra. Não foram muitas as vezes
que esse encontros ocorreram - consigo contar em uma das mãos - porém, todas
foram significativas e marcaram a mim e a todos os meus companheiros que a
presenciaram.
É um fato que todos todos os membros da Anti-Umbra foram importantes na guerra
(não é atoa que era considerado um grupo de elite), todos os seus membros
desempenharam papéis fundamentais para a proteção de Sombraalém, mas para
aqueles que podem estar lendo isso de uma outra era, acredite no que te digo,
poucos, ou nenhum, era tão majestoso, quanto o Paladino do grupo: Albar.
Eu, particularmente, só o vi umas duas vezes, e todas foram marcantes, sua
presença no campo de batalha inspirava os Sombralenianos e espantava as
Sombras, a ponto de todos ficarem perplexos quando a notícia de sua queda
chegou em nossos ouvidos. Era algo simplesmente inacreditável, mas que de forma
infeliz, fazia sentido, pois ao final, ainda era uma guerra.
Não me orgulho disto que direi, mas desenvolvi uma certa fixação pela pessoa
Albar, não pelo seu "eu heroico" que todos conheciam, sobre isso todos já cantavam
desde antes de sua morte, mas sim, em sua pessoa, em quem realmente ele era. E
com isso, passei anos vagando, já que com o fim da guerra, isso se tornou possível,
e reunindo informações por onde passava, qualquer fagulha informação acendia em
mim um fogo de determinação que me forçava a continuar a ir a procura de quem
realmente era Albar. Minha jornada terminou, ironicamente, próximo ao centro do
Geroj, o lugar onde tudo começou segundo minhas pesquisas.
Agora possuo 58 anos, vivi uma vida longa para um Tiefling viajante, mas estou
satisfeito, e agora mais do que tudo sinto que consigo colocar aqui tudo o que
adquiri durante minha vida. Para aqueles que lerem isto, não sei se usaram o que
escrevo como fonte histórica, como livro de entretenimento ou como contos que se
contam para crianças dormirem, mas eu, Alexion Viator, espero que aprecie o que
está em sua mão agora.
Aprecie a leitura.
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Capítulo I
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Voltando ao que ocorreu no primeiro ataque, aqueles que conseguiram fugir antes
da segunda invasão estavam famintos e desesperados, e com isso eles vagaram
para o mais longe que puderam, muitos indo em direção ao centro de Sombraalém.
Alguns grupos conseguiram chegar a vilas ou cidades, e de imediato contaram tudo
o que presenciaram, e por mais horrendo que fosse, a notícia se espalhara de forma
deveras rápida, o que a tornava crível de mais para ser meramente ignorada. Tendo
tudo isto em vista uma atitude precisava ser tomada de maneira urgente, então que
algumas diferenças são deixadas de lado e pequenas alianças surgem em meio ao
caos; grupos de povoadores pararam de tentar expandir suas fronteiras, e se
focaram completamente em se preparar para um possível avanço, naquela situação
a mentalidade deles era algo próximo há "Enquanto a névoa negra existir, provável
que sejamos atacados novamente", o que de fato, não estava errado.
Já faziam 2 semanas que ocorrera a invasão inicial, o medo se alastrava, pois
ninguém sabia de fato contra o que estavam lutando, e para piorar, depois deste
tempo, alguns soldados também começaram a avistar as criaturas aladas, dando
tempo para que se protegessem... E pensar que por muito, isso não foi o suficiente.
Como citado anteriormente, as sombras voadoras voltaram, mas dessa vez, não
estavam sozinhas, mas acompanhadas de barcos negros com criaturas tão
hediondas quanto elas, e no momento que atracaram, o centro-sul de Sombraalém
foi dizimado, sem qualquer chance de reação. As coisas vindas das sombras
haviam ocupado uma quantidade de espaço considerável e daqui em diante, iriam
expandir este domínio.
Com parte da costa Sul tomado pelas criaturas da massa negra disforme, uma
mobilização foi iniciada, esses seres obscuros eram demasiadamente fortes, e
necessitavam de muito para serem combatidos, e portanto, mesmo alguns grupos,
culturas e etnias não se tolerando, uma trégua informal fora formada, de maneira
que tanto os povoadores quanto os povos originários cooperassem, para que assim
Sombraalém não fosse completamente tomada por esses seres, que neste
momento, para fácil identificação passaram arbitrariamente a serem chamados de
Umbravóis, estes que viam do que agora também era conhecido como Umbralócus.
Com tréguas firmadas, estava na hora de se preparar para algo grandiosamente
terrível, uma guerra estava para começar, uma que afetaria Sombraalem de
diversas formas nunca vistas até o momento em que escrevo, então, no ano 1 da
era das Sombras Fulguras, iniciava-se a Guerra contra Umbralócus, o principal
marco para o nosso calendário atual.
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Capítulo II
Por volta do ano 63, a guerra contra Umbralócus estava longe de terminar, as
criaturas vindas das sombras continuavam avançando conforme mais deles
chegavam à costa; variações diferentes foram surgindo, e resistir era cada vez mais
difícil. Nesta época, já havíamos perdido 1/4 de nossa costa, e planos eram feitos e
refeitos para lidar e conter a situação. Refugiados que sobreviveram aos ataques,
vagavam para o mais longe possível, do horror negro e verdejante, dos horrores do
outro lado, e é uma dessas peregrinações que irei enfatizar: um pequeno grupo
composto por aproximadamente 12 viajantes humanos chegam a vila conhecida
como Geroj, próxima ao centro de Sombraalém. Era uma vila simples, sem muito
para se gabar, os barracos em que os plebeus moravam eram simples e feitos de
madeira, a grande maioria trabalhava como coletores nas densas florestas próximas
ou como lavradores, e o senhores destas terras possuíam casas em melhor
qualidade, e vários servos, e é com isso em mente que o líder do grupo em
peregrinação faz um acordo de serventia com o dono das terras na época, eles e
seus companheiros serviriam ao seus novos mestres em troca de moradia e um
pouco de comida. Com o acordo selado, agora esse grupo de humanos - em sua
grande maioria de cabelos castanhos e olhos escuros - trabalhava para os senhores
de Geroj, sendo que seus sobrenomes eram Amisit, já que todos pertenciam à
mesma família, de forma direta ou indireta.
Como servos não havia do que reclamar, ou melhor, não podiam reclamar, no
sentido mais literal possível, afinal, eram refugiados vindos de longas distâncias e
que estavam desesperados para sobreviver, e com isso, o que lhes era requisitado
sempre deveria ser atendido, e foi nisso, que em meio a humilhações e desonras
dentro de aproximadamente 1 ano após esse grupo chegar a estas terras, a esbelta
esposa do líder do grupo trouxe ao mundo uma criança, uma criança que possuía
olhos castanhos e cabelos loiros; seu nascimento fora conturbado, a mãe teve que a
parir sua cria praticamente sozinha, pois o trabalho dos demais membros fora
requisitado de forma urgente pelo senhor das terras, mas então que após 10 horas
em gritos e dores, um choro ressoa pela simples cabana, um choro alto o suficiente
para que até aqueles que estavam fora à trabalho conseguissem ouvir, então nasce
a criança Albar Amisit.
Albar viveu sua infância como servo, aprendeu a respeitar seus superiores desde
de criança para que, tanto ele quanto seus parentes não fossem punidos por
desobediência e insubordinação. Aprendeu desde cedo a lavrar a terra, ordenhar
vacas e a limpar pisos, sempre sendo tratado como mais um servo pelos seus
senhores, embora recebesse respeito para com a sua família. Quando completou 3
anos de idade, Albar ganhou uma prima, essa que se chamava Déllie, e que era sua
melhor amiga desde que se lembrava, e embora nunca tivessem tempo para
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brincar, eles exerciam trabalhos juntos e sempre conversavam, e comiam um com a
companhia do outro. Quando Albar completou 9 anos de idade e Déllie 6, ao que
parece, eles teriam feito algum trabalho muito importante de forma mal feita ou
desajeitada, o que por algum motivo despertou a ira de seu senhor, este que estava
pronto para castigar Albar e Déllie, mas Albar se jogou na frente e atraiu a culpa
para si, ao final de uma noite longe de casa, Albar voltava para seus familiares com
hematomas no corpo e um corte no lado superior esquerdo do rosto, corte esse que
não sumiria com o tempo, eu mesmo o presenciara anos mais tarde, o curioso, é
que parece que diferente de quando havia nascido, Albar nunca mais havia
chorada, em seu próprio grupo havia quem ficasse assustado ao pensar nisso.
Aos 12 anos, as terras de Geroj recebiam uma visita incomum: alguns emissários
de certas divindades estavam vagando em direção à costa, para poderem auxiliar
com a guerra, e enquanto ficavam em Geroj pregavam as palavras de seus mestres
aos donos das terras e aos servos, suas palavras representavam liberdade e
autonomia, para fazer o que bem quisesse. A princípio Albar não se importou com a
situação, nascido servo tinha certeza que morreria servo, a ideia de liberdade nunca
lhe chamará a atenção, era indiferente a isso, o trabalho para a sobrevivência vinha
primeiro; porém ao contrário dele, sua prima via aquilo de maneira especial,
acreditando fortemente na melhora que eles podiam causar em Sombraalém e na
situação que eles mesmos estavam. Antes que os emissários partissem, Déllie
recebeu um pingente de pedra com um formato de asas, e com ele em sua posse,
passou a rezar para as divindades todas as noites, pedindo sempre bênçãos e
proteções aos seus familiares.
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Capítulo III
Quando alcançou 17 anos, por volta do ano 81 da era das Sombras Fulguras, Albar
já era um homem reconhecido nas terras de Geroj, sendo visto como uma das
figuras mais humildes pelos servos, e como um dos melhores serventes pelos seus
mestres, e até este momento ele viveu sua vida ajudando seus familiares e os
demais com tudo que podia, não desperdiça seu esforço ou fazia trabalhos mal
feitos, e quando possuí tempo, trabalhava para livrar os outros de suas tarefas
diárias mais rapidamente; mas, ao que parece, algo hediondo quase viera a ocorrer
com um dos seus por volta desse período, sua prima Déllie, havia crescido também,
agora era uma dama esbelta, bondosa e atraete, sabendo disso um dos senhores
chamou Déllie para seus aposentos durante uma madrugada e ali mesmo tentou
desonra-la, a prima de Albar, esta que na época possuía 15 anos, com muito
esforço conseguiu escapar da situação, pois por sorte, seu pai passara por perto no
momento do ataque, e sem pensar, partiu para cima de seu senhorio. Déllie voltou
correndo para as cabanas de seus parentes, aos prantos, e depois de se acalmar,
contou tudo que ocorrera aos demais, todos indignaram-se com o ocorrido, o pai de
Albar junto de mais alguns servos correram para a casa do seu senhor para intervir
antes que a situação piorasse, enquanto a mãe de Albar e outras servas ficaram ao
lado de Déllie, e Albar ficou rodando as cabanas, esperando notícias e evitando que
um desastre chegasse até elas.
Tudo citado anteriormente havia ocorrido durante uma madrugada, ao amanhecer,
Albar tendo virado a noite avistou seu pai e os demais voltando com seu tio, que
estava estranhamente "concisos". A prima de Albar junto a algumas servas haviam
caído em sono profundo após o drama da noite anterior, e Albar sem perder tempo
questionou o que ocorreu. Ao que parece, o tio de Albar quase matou o senhorio, e
enquanto seu pai e alguns outros servos chegaram para detê-lo, outros servos do
interior da moradia correram para avisar aos demais senhores, acreditando que ao
delatar tal ocorrido poderiam ganhar certo prestígio. A situação era incerta, porém
era certo que as coisas não ocorreriam bem, no pior dos casos, o tio de Albar seria
morto e os demais seriam exilados, sendo novamente obrigados a peregrinação em
meio a uma guerra que crescera de forma alarmante nos últimos anos.
Durante o período da manhã, um enviado teria chego as cabanas onde ficavam os
servos e teria repassado uma mensagem a Albar e seu grupo.
"Diante os crimes cometidos contra seu senhorio Myrley Phirt, Keron Amisit deverá
se apresentar até o pôr do sol para que seja executado. Se os demais membros do
grupo Amisit quiserem ficar nas terras de Geroj deverão entregar a garota de nome
Déllie aos senhorios, para que ela possa redimir o dano causado pelo grupo de
servos Amisit."
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Por motivos óbvios, todos que ouviram ficaram indignados, não apenas pela
execução de um dos seus, mas também por estarem sendo forçados a entregar
alguém que sofrerá tão recentemente nas mãos daqueles que os fizeram sofrer.
Para os senhores, o que havia ocorrido era um ato de insubordinação hediondo e
deveria ser punido de forma a evitar que isso se repetisse, então a execução foi
declarada, e muitos também acham que a garota deveria ser usada de exemplo
para os demais onde “ou eles aceitavam o que era requisitado, ou mais pessoas
iriam sofrer”; eles provavelmente queriam passar a ideia de que um poderia sofrer
pelos demais.
Durante a tarde, nenhum servo da área que pertencia Albar trabalhou, todos
pensavam na situação, de forma caótica, alguns queriam pelo menos entregar uma
refeição digna a Keron antes que partisse, outros queria lutar por suas dignidades,
enquanto Albar, estava mais confuso do que nunca; por um lado, seu tio morreria de
qualquer jeito, e sua prima e melhor amiga deveria ser entregue ao sofrimento para
que os demais ficassem bem, enquanto por outro, ele começara a se cansar de algo
que ele nunca sequer havia reclamado de fato, nascido servo e crescido servo,
Albar nunca soube o que era uma vida além desta, ser e pensar de maneira livre
nunca foi algo que o interessou, sua vida era uma jaula, sem pensamentos, e por
tanto não poderia contestá-la, mas o quão errado aquilo parecia, o acertava em
cheio a cada minuto que se passava.
Antes do pôr do sol, Keron teria chamado seu sobrinho em segredo, para que
pudessem conversar, durante o diálogo, Keron teria dito que já era um homem
condenado, mas que Déllie ainda não estava, e naquele momento, Keron teria
implorado pela ajuda de Albar. Keron esclareceu que o pai de Albar estava cada vez
mais convencendo os demais a se juntarem a revolta, com isso, ele temia que um
conflito estava para se iniciar, e eles provavelmente não sobreviveriam; Keron sabia
que Albar nunca tivera uma vida além desta, e por tanto não poderia contradizê-la
facilmente, ao menos não sozinho; seu tio lhe explicou que os senhores não eram
burros, apenas estavam enraivecidos, eles provavelmente deixariam que ficassem
caso simplesmente não houvesse quem entregar, e neste momento Keron fez seu
último apelo, onde ele explicou o que tinha em mente, ele se esgueiraria pelos
estábulos para roubar um cavalo com o intuíto de que Albar fugisse com Déllie, para
que assim ela estivesse segura e adquirisse a liberdade que tanto desejava desde
que os enviados haviam passado por Geroj. Quando ouviu, Albar provavelmente
ficou catatônico, sem reação, mas foi convencido após analisar o semblante
desesperado de seu tio, e após lembrar do quão importante Déllie era para ele,
então que, com muito receio e medo, Albar aceita a missão que ele havia entendido:
fugir com Déllie e protegê-la do que viesse.
Ao pôr do sol, Keron fingiu que enlouqueceu, se jogando em cima de guardas, ele
conseguiu com muito esforço roubar um cavalo sozinho o levando para longe, onde
entregou a Albar e a sua filha Déllie, ao qual fizeram uma breve despedida, pois não
havia tempo a perder, e então que Albar e Déllie desaparecem em meio a um
bosque escuro, indo rumo ao Noroeste. Como último ato, Keron teria fingindo uma
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loucura extrema, procurando duas cabanas vazias de alguns servos, e teria ateado
fogo nelas, fingindo ser um "inimigo" para ambos os lados1.
Durante alguns dias, Albar e Déllie viajaram a cavalo para longe de onde estavam,
sem uma rota ou destino, Albar apenas seguia em direção reta, enquanto Déllie
passava a dirigir suas orações para que os dois ficassem seguros e para que
chegassem a alguma vila logo. Durante o tempo de viagem, pararam várias vezes
para descansar, em meio à floresta, às vezes Albar conseguia fazer algumas
fogueiras improvisadas que aprendeu com o coletor de Geroj, enquanto Déllie se
apertava em um canto tentando conformar-se com o que aconteceu a ambos, a
noite sempre chorando enquanto lembrava de seu pai; para se distrair, começou a
brincar com alguns pequenos animais que via, o que não durou muito, com sua
missão em mente, Albar não a deixava se afastar muito ou se aproximar de
criaturas desconhecidas, o que sempre a deixava mais chateada, então que ela
encontrou um pequeno consolo ao ficar acariciando o cavalo que os levava em
viagem, este que ainda deixa-va o Albar receoso, porém menos, o suficiente para
que ele permitisse, mas para que baixasse a guarda.
Após duas semanas de viagem taciturna, os dois finalmente haviam chegado a
uma vila relativamente distante da anterior, porém esta possuía senhorios que
conheciam de forma vagarosa os seus antigos mestres, e com isso, ambos
receosos com a situação e não querendo haver vinculação com tal gente
novamente, ficaram apenas poucos dias no local, sobre o pretexto de serem
viajantes a mando da religião que Déllie acreditava, o que servia de desculpa inicial,
antes que eles voltassem a viajar, para bem longe2; e assim as viagens foram se
repetindo, chegando em vilas e saindo após 2 a 3 dias, e após quase 2 meses de
viagem, tanto Albar quanto Déllie não mais reconheciam onde estavam, a região
havia mudado completamente, já era um novo lugar, e após encontrarem uma
cidade, eles encontrariam um novo começo.
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Os membros do grupo sabiam o que Keron estava fazendo, e com muita dor decidiram apenas
aceitar, não queria que o seu esforço fosse em vão, todos acreditavam e gostavam muito dele, além
de se sentirem contentes, por pelo menos dois terem escapado.
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Déllie provavelmente não se sentia nenhum um pouco feliz com as mentiras que contavam, acredito
que ela considerava uma traição com os emissários verdadeiros que havia avistado anos antes.
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Capítulo IV
Ainda no ano 81, Albar e Déllie chegaram a cidade de Apoléia, um lugar quase
encantador, possuía muralhas e uma quantidade razoável de guardas,
conglomerados de casas feitas de pedras se espalhavam pela vista, às ruas de
barro com marcas de carroça onde crianças brincavam de pega-pega, aos cantos
existiam moradias mais simples compostas por barracos de madeira onde ficava a
parte menos privilegiada; mulheres andavam com cestas na cabeça possuindo, pão
frutas ou roupas puídas, enquanto homens dirigiam carroças, carregavam arcos e
espadas ou ficavam em pequenas barracas tentando vender artigos úteis para
pessoas comuns. Após chegarem a cidade, a primeira coisa que fizeram foi buscar
informação, com isso, ele descobriu que havia um convento na cidade, este que era
da mesma fé de sua prima; Albar então aproveitou que sua prima era forte em sua
fé e a com isso em mente, decidiu a colocarem neste convento, apenas de forma
temporária, antes que conseguisse um lar, Déllie a primeira vista recusou isso,
naquele momento Albar era sua única família e ela não deseja se separar dele,
porém Albar se manteve resistente, afirmou que era apenas por um tempo, e após
ter uma conversa com o líder do fé na cidade, o alto elfo Erdanwill, este que aceitou
Déllie, ela foi posta no convento, lugar onde passaria receber abrigo e comida.
Enquanto isso, Albar passou a dormir nas ruas, ele vendeu seu cavalo, e passou a
trabalhar como um tipo de serviçal geral, oferecendo seus serviços a praticamente
qualquer um, em troca de dinheiro. Durante 1 ano, Albar trabalhou de forma
incessante, e após adquirir alguns recursos passou a ficar em uma pousada, onde
começou a guardar o dinheiro de forma mais concisa; Albar nunca deixava de fazer
visitas a Déllie quando possível, mesmo que no começo ela tenho sido resistente e
tenha ficado com raiva de Albar, depois de um tempo ela passou a adorar os
momentos no qual ele estava presente, sempre sorrindo quando ouvia que ele vinha
vê-la.
Albar se tornou conhecido em Apoléia, homens aguardavam por seu serviço e com
ele terminado o chamavam para beber, mulheres apreciavam sua gentileza e doçura
com elas, e crianças se divertiam e dançavam ao redor dele. Para Albar, serviço era
serviço, mas se além do trabalho se ele pudesse agradar alguém, ele ia além de
seus limites, e foi esse seu jeito que o fez ser reconhecido e adorado por muitos.
Albar estava cansado após o primeiro ano de serviço, ele desejava que Déllie
estivesse segura, e no convento de fato ela estava, porém Albar acreditava que era
seu dever manter ela segura, com base na promessa que havia feito a seu tio,
porém, ele ainda dormia em uma pousada, e o dinheiro não era o suficiente para
mudar sua vida, é neste momento, que Albar decide que mudaria o rumo disso e se
tornaria um mercenário.
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Albar começou a fazer serviços mais complexos, indo desde a caça de bestas até a
perseguição e apreensão de ladrões urbanos ou baderneiros que se juntavam em
grupos pequenos em florestas. Albar passou a ser atrair mais atenção a si, agora
além de querido pelos moradores, era respeitado por caçadores e guardas, ao
mesmo tempo que temido e odiado por criminosos; após meio ano de trabalho
árduo e incansável, Albar juntou dinheiro o suficiente para comprar uma cabana nos
cantos da cidade, pequena e humilde, mas o suficiente para ser sua moradia, então
que só faltava um passo, convidar Déllie para morar com ele.
Déllie já sabia que Albar estava reservando dinheiro para uma moradia, embora
estivesse ressentida de que ele esquecera de sua promessa, Albar chegou ao
convento, e com o coração acelerado - sem saber o motivo - pediu para que ela
dividisse o mesmo teto que ele, imagino que Déllie ficou surpresa e sem reação por
um tempo, mas ela muito feliz aceitou, e ainda naquele dia, ambos passaram a
morar juntos, sendo que Déllie ainda frequentava o convento ao menos 1 vez por
semana, pois sua fé agora havia se tornado mais forte do que nunca, e ela havia
conhecido muitas pessoas que admirava naquele local.
Então começaram a morar juntos, Albar continuava seu trabalho como mercenário
e Déllie ficava em casa cuidando de moradia de ambos, e após mais meio ano,
ambos já haviam percebido o quão apertada era casa, mas isso não os
incomodava, na verdade, acabou os aproximando, e de vez em quando, ambos
decidiam sair para passear pela cidade, aproveitando o tempo em outro lugar, desde
pequenas tavernas onde comiam e ouviam música até a praça onde eles
acariciavam animais, apreciavam a vista ou brincavam com algumas crianças órfãs
do convent; Albar sempre se impressionava com a delicadeza de Déllie, e Déllie se
alegrava com a bondade de Albar para com os outros. Neste processo, de sair uma
vez ou outra, Albar percebia que a esbeltez de Déllie estava atraindo alguns olhares
indesejados, e talvez movido pelo seu dever - e quem sabe algo a mais -, Albar
tornou-se meio paranóico, a ponto de ter uma breve discussão com Déllie,
discussão essa que a entristeceu fortemente e fez com que ela voltasse para o
convento por alguns dias. Albar, sabendo que estava errado, mas não querendo
abrir mão de seu dever, decidiu tentar algo mais ousado, se voltando para o
convento ele avistou Déllie cuidando de flores com algumas crianças, então ele
esperou ela ficar só, se aproximando para conversar com ela, e então propôs uma
união entre ambos; imagino que novamente Déllie tenha ficado perplexa e confusa,
porém, ela também ficou pensando no tempo em que estava no convento, e talvez
por faltas de alternativas, ela aceitou, e segundo as informações que consegui, ela
"estava muito feliz" enquanto conversava com sobre isso com as cuidadoras e
cuidadores do convento, o que ao meu ver deveria ser verdade, embora talvez
houvesse algo a mais; a decisão de Albar é meio estranha, não encontrei nenhuma
resposta explicita por trás de sua decisão, porém acredito que parte dos motivos
sejam sua paranoia com o seu dever, onde ao fazer isso ele diminuiria o olhar de
alguns com Déllie que agora era casada, e para convence-la continuar perto dele,
que ao ver do mesmo, era mais seguro, mas por outro lado, acredito que também
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tivesse certa emoção nesse pedido, uma emoção que nem Albar sabia que possui,
embora isso seja apenas uma suposição minha.
Ambos, Albar e Déllie, faziam parte de um casório agora, unidos em matrimônio no
ano 82, sem festas ou cerimônias, apenas um documento por escrito e uma benção
advinda daquele de maior escalão da própria religião seguida por Déllie: Erdanwill,
este que foi o responsável por guiar a união e os votos de ambos. No começo a
união não mudou a relação deles, Déllie provavelmente não sabia o que fazer já que
era muito nova e não possui qualquer tipo de experiência nesse sentido, e Albar
provavelmente não sabia o que havia feito, ao final, suas motivação para tal era
principalmente seu dever, porém, com o passar do tempo isso mudaria, a relação
dos dois iria progredir de forma calma e gradual.
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Capítulo V
No ano 83 da Era das Sombras Fulguras, Albar foi requisitado para uma missão,
nela ele se juntaria a um pequeno grupo de outros mercenários para espantar
alguns contrabandistas que vagavam pelas florestas; então, eles se dirigem ao
local, foram extenuantes semanas a procura deles em meio a mata densa, porém
após encontrá-los, através de estratégias e armadilhas bem preparadas, ao longo
de uma semana de combate e de caça, o grupo de de bandidos foi desmantelado.
Os mercenários juntos voltaram a cidade Apoléia, todos cansados, embora alguns
ainda quisessem comemorar, estes que convenceram os demais, e assim o grupo
fez, com bebidas, mulheres, música e comida, a taverna estava mais animada do
que nunca, todos se embriagaram aquela noite.
Albar chegou em casa bem tarde da noite, cansado e meio embriagado, estressado
por conta do trabalho, ao que parece, isso não acabou bem, desnorteado e sob
efeito do álcool, Albar não possuía mais noção da realidade, o que resultou em uma
desgraça, onde ele acabou agredindo sua agora esposa: Déllie. Ao acordar pela
manhã, Albar não se lembrava de nada, porém via o semblante de Déllie e
possivelmente um hematoma que causara, com isso, em lágrimas, ajoelhou-se e
desculpou-se de forma profunda, ele não sabia o que tinha feito, mas sabia que era
culpado, por não tê la protegido, ele falhou com a missão que lhe fora confiada, e
pelo contrário do que foi requisitado, ele foi o possivelmente foi o responsável por
machucá-la, neste momento Albar teria certeza de desistir após perder tudo pelo
que trabalhara nos últimos anos. Porém os laços criados sorriam para Albar, seu
vínculo com Déllie naquele momento era mais forte, e Déllie sabia disso, ela então o
perdoou, possivelmente com algumas ressalvas e com muito medo do próprio
marido, mas ainda sim, arranjou forças e o perdoou. Imagino eu que Albar tenha
ficado desacreditado, vagando por estas mesmas terras ouvi histórias de que ele
teria ficado mais de 1 mês sem apresentar serviços, acredito eu, que estava
cuidando de Déllie da melhor forma que podia, como uma forma de redenção, mas
claro, isso não passa de achismo meu.
Albar voltava a trabalhar, dessa vez, para começar bem aceitou trabalhos mais
simples, durante quase 1 ano ele se concentrou em fazer apenas o necessário para
que pudesse sustentar ele e Déllie, quase sempre sozinho; ao que parece, depois
daquele dia, ele nunca mais bebeu, imagino isso porquê nas vezes que eu o vi,
mesmo em momentos calmos ele era o único que não possuía uma caneca de
cerveja ou uma garrafa de licor em uma das mãos.
No ano 84, com seus 19 anos, Albar aceitou uma missão junto ao seu antigo grupo,
os contrabandistas haviam reafirmado o bando, e novamente estavam agindo, só
que dessa vez, de forma mais brusca e asquerosa, os membros dessa vez não
possuíam qualquer pudor em suas ações, atacando viajantes, roubando cargas,
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abusando de mulheres indefesas, entre outros crimes hediondos. Após tempos de
busca, preparação e combate, Albar e seu grupo conseguiram novamente
derrotá-los, mas havia algo diferente dessa vez, no local onde ficava a base dos
bandidos estava presente o mandante dos criminosos, um baronete de Apoléia
chamado Skirow; ao que parecia, ele desejava reduzir a influência local através dos
bandidos para poder ascender hierarquicamente. Tal pessoa possuía muito poder, e
por tal, alguns membros do grupo optaram por deixá-lo livre desde que eles os
ajudasse também, Albar, não viu dessa forma, ao encarar Skirow, ele viu em seus
olhos profundo arrependimento e desgosto pela falha, ou algo próximo isso. Albar o
deixou ir, não por querer algo - de fato ele não requisitou nada -, mas por acreditar
que este homem poderia ser redimido, assim como ele; então Albar o deixou partir
com um aviso, e Skirow agradeceu imensamente, prometendo que quando as
coisas se ajeitassem ele os recompensaria de maneira adequada. Eu sei destes
acontecimentos porque estas foram uma das poucas informações que eu consegui
extrair de Albar diretamente.
Após meses em serviço como mercenário, a informação de que Albar havia
deixado o mandante livre vazou, Albar não se arrependia e por tanto não negou ter
feito isso, os membros que desejavam mais com a libertação deles foram presos,
enquanto o Albar deu sorte, onde por ser querido pelos demais e todos saberem
sua boa índole, o voto foi para que ele ficasse solto, porém, sua "licença" para atuar
como mercenário foi revogada, e ele não mais poderia atuar assim; sem surpresas,
Skirow também ficou livre, provável que tenha pago uma fiança para isso. Com a
perda de sua principal fonte de renda, durante um tempo a situação apertou, Albar
voltou a fazer serviços menores apenas para poder manter sua vida com sua
esposa, mas com o passar do tempo, as coisas foram se ajeitando, Albar teria
conseguido um contrato como guarda costas parcial de um fazendeiro local, o que
ajudou ele a se manter, o que era algo muito bom a essa altura, tal que com ele
sempre guardando um pouco de dinheiro, conseguia viver uma boa vida.
Com o passar do tempo, Albar agora tinha 21 anos de idade, e tudo viraria de
cabeça para baixo em sua vida neste ponto, pois Déllie lhe anunciava que estava
esperando por uma criança de ambos. Tal notícia bateu fortemente em Albar, que
não fazia ideia do que deveria fazer, mas com certeza, ele deve ter ficado feliz com
aquilo, pois finalmente, após 4 longos e tortuosos anos, ele voltaria a ter uma
família. A notícia foi espalhada, o próprio Erdanwill passou pela casa deles para
poder abençoar a criança e desejar o melhor para o casal, pelo que ouvi ele até
tinha levado uma garrafa de vinho, mas Déllie recusou a beber por causa da criança
e Albar já não mais bebia, então Erdanwill voltou com a garrafa inteira para o
convento.
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Capítulo VI
Atuando como guarda costa ou como serviçal, Albar trabalhava com mais afinco do
que nunca, com a notícia de que sua mulher estava grávida, ele teria que prover
praticamente o dobro, e cada dia de trabalho, em sua cabeça, era demasiadamente
radiante; Albar ainda saia com Déllie de vez em quando, embora menos, pois agora
ele estava ainda mais superprotetor e paranoico com sua esposa, aponta dela
mesma ter que pôr a cabeça dele no lugar certo, como ela fizera isso, eu já não sei.
Rumores começaram a circular a cidade, de que alguns guardas da cidade estava
sendo subornados com o propósito de deixar quase qualquer um passar pelos
portões; e isso era preocupante, tal que tendo essa informação como verdade, não
se sabia quem poderia entrar, e com quais intenções, claro, muitos negaram, e
provar, não era uma tarefa muito fácil.
Uma informação inusitada chegou aos ouvidos dos cidadãos de Apoléia,
patrocinado por um quase barão, haveria uma grande apresentação no centro da
cidade, uma aberta para o público. Déllie desejava muito ir, pois nunca havia visto
uma apresentação como a que estava a ser divulgada antes, porém Albar negou,
pois o mesmo não tinha como levá-la, teria que ser um guarda no dia, deixando-a
muito descontente, então que neste momento surge Erdanwill, ele planejava levar
as crianças do convento para o local, e algumas freiras iriam com ele, se fosse o
desejo de Déllie, ela poderia acompanhá-los, e claro que era queria muito; enquanto
isso, Albar ficou receoso, sua cisma com a segurança e bem estar de Déllie e de
seu filho não o deixaram ceder facilmente, mas após muito tempo de insistência,
Albar finalmente cedeu, ele acompanhou Déllie, Erdanwill e seu grupo acompanhou
até a onde seria o ocorrido o evento, na grande praça no centro, onde algumas
arquibancadas estavam sendo posicionadas, era possível ver alguns homens em
preparação, com algumas jaulas ao longe; alguma contendo criaturas incomuns e
raras, outras contendo lonas cobrindo seja lá o que havia lá dentro; só era possível
ouvir os sons saindo de lá de dentro, sons tortuosos e horrorosos, meio cansados.
Albar se assustou, mal haviam chegado ao local e já se arrependia de sua decisão,
decidiu tentar levar Déllie de volta, mas ela se irritou e gritou com ele dizendo que
ficaria, Albar então teve de aceitar, não queria machucá-la com suas tentativas de
arrastá-la para casa, então entregando sua proteção ao homem que os casou, com
um grande pesar em seu peito, Albar se dirigiu ao homem a quem prestará serviço.
O serviço ocorreu bem, Albar deveria acompanhar seu chefe em alguns acordos de
terra e de vendas, e durante o processo não percebeu nada de preocupante por
perto, seu senhor estava seguro, e o pagamento já lhe parecia garantido; neste
momento então, do ponto que Albar e seu senhor estavam, são ouvidos diversos
20
gritos ecoando acompanhados dos sons de pessoas fugindo, algo havia acontecido;
olhando para o lado Albar avista uma multidão de pessoas correndo desesperadas,
isso o preocupou mais do que tudo, pois após a multidão ele ouviu um rugido de
fera que poderia ser capaz de estourar vidros.
Albar percebeu que as pessoas vinham do lado ao qual era o centro da cidade, e
sem pensar duas vezes, deixou sua tarefa e seu senhor de lado e correu para ver o
que estava a acontecer, neste momento Albar estava com o coração acelerado e a
mente turva, quanto mais corria, mais se aproximava, e quanto mais perto chegava,
mais a paisagem mudava; casas pegavam destruídas, o chão estava rachado,
corpos de todo tipo por toda parte, o cheiro de sangue empestava o ar; então ele
chegou em um local conhecido, uma rua larga onde deveriam haver algumas alguns
conglomerados de casas altas, então ele o vê, o monstro das lendas que lhe
contaram quando era criança, era enorme, possui dois grandes chifres dois pares
de braços, cascos e principalmente, uma pelagem densa e negra como as sombras
acompanhada de olhos esmeraldas verdejantes, esta era a primeira vez que Albar
se encontrava com um Umbravóis, um dos seres que expulsou sua família de sua
terras; suas pernas tremiam, aquele ser era horrendo, com seu pelo seco em
sangue, corpos masculinos sem vida em seus braços e pernas infantis penduradas
em seus dentes, Albar, fugiu, se escondendo entre as casas; ele e a criatura ainda
estavam relativamente distantes do centro, então, se esgueirando pelos cantos mais
escuros que podia ver, com muita caltela, ele consegui se distanciar o suficiente
para que pudesse se mover mais rapidamente e de forma despercebida, então
começou a correr o mais rápido que conseguia.
Quando Albar chega no local, a situação era horrível, bestas que tinham fugido
atacavam sem piedade, muitos estavam caídos no chão, sem vida, diversas jaulas
estavam arrebentadas, e os poucos de pé, eram mercenários e aventureiros que
estavam enfrentando as criaturas; ele normalmente deixaria o combate de lado para
iniciar suas buscas, porém mudou de ideia ao ver Erdanwill no campo de batalha
que o centro havia se tornado, e em busca de respostas rápidas, Albar se juntou ao
confronto. O confronto deve ter durado uns 20 minutos, com o combate finalizado,
Albar não descansou, e nem daria tempo para os demais descansarem, correndo
até o líder do convento, o dirigiu uma única pergunta.
"O que aconteceu com Déllie? Onde a Déllie está?"
O Erdanwill então o entregaria um pingente de pedra em formato de asa e
apontaria para uma pilha de corpos que não estava muito distante, enquanto dizia
que sentia muito a Albar, este, que desacredito, caminhou vagamente até a pilha,
ajoelhou-se ao chegar, e sem qualquer respeito, revirou o monte, carcaça por
carcaça fora removida, idosos, homens, mulheres e crianças, esmagados,
perfurados, devorados, todos mortos; então ele à vê, com seu peito perfurado,
imóvel e vazia de alma; naquele momento, pela primeira vez desde o seu
nascimento, Albar desabava em lágrimas, enquanto os demais presentes sairiam do
local, muitos indo atrás da fera negra que caminhava por Apoléia.
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Capítulo VII
Nem mesmo Albar sabe por quanto tempo ele ficou de joelhos com Déllie sem vida
em seus braços, ele só sabe que foi tempo o suficiente para que a noite chegasse, e
junta dela o último grito da criatura acompanhado a sua derrota. Não houve
qualquer tipo comemoração aquela noite, depois que o combate foi encerrado,
alguns foram ajudar os feridos enquanto outros foram remover os corpos, até onde
vi, parece que durante este incidente, morreram aproximadamente 204 pessoas, e
foi destruído 1/6 da cidade, dezenas de família foram rompidas, incluindo claro, a de
Albar.
O que se seguiram foram dias reconstruindo a cidade, muitos indivíduos desolados
buscaram auxílio de familiares, alguns foram ajudados pelo convento, este que
adotou muitas crianças, enquanto outros se tornarem sem tetos; já Albar, após
enterrar sua amada no cemitério da cidade, este que possuía mais covas do jamais
teve antes, continuou de frente a seu túmulo por muito tempo, mal comia ou bebia,
não tinha forças para isso, apenas conseguia olhar para o que lhe representava
tudo que já teve de verdade; então que ao fim do quinto dia, Albar cai no chão
faminto, sedento e sem forças, sozinho e sem saber o que viria depois, para onde ir
agora.
Enquanto caído no chão, Albar pensou e repensou por diversas vezes, pensava
nos horrores que havia visto em uma só noite, que com certeza era o suficiente para
a vida inteira de alguns, ao mesmo tempo repensava o que poderia ter feito de
diferente, se poderia ter recusado o serviço, se poderia ter sido mais ríspido com
Déllie e principalmente, se ele deveria ter matado Skirow. Uma coisa que não contei
antes, é que enquanto Albar enterrava Déllie, Erdanwill havia se aproximado para
passar algumas informações, segundo ele, o Umbravóis avistado havia sido trago
em cárcere mágico pelos apresentadores, ele teria sido encomendado diretamente
por um baixo nobre que não havia identificado, mas algo havia dado errado, a magia
não o prendeu como deveria e ele se libertou de forma súbita, neste momento
Skirow havia aparecido do nada, confiante, e de fato tentou fazer algo, uma, duas,
três vezes, a cada vez ficava mais apreensivo, então, empurrando uma mulher, ele
saiu correndo. Alguns poucos viram isso, após essa informação uma investigação
minuciosa foi iniciada, e com ela, encontraram documentos que revelavam que
Skirow era um dos principais patrocinadores, além de ter sido quem encomendou a
criatura, após um tempo um homem se entregou também, afirmado ter sido ele
quem havia rompido a magia, pois havia sido pago pelo Skirow; a conclusão final é
que isso era parte do plano para aumentar sua influência com a derrota da
formidável criatura, porém por algum motivo não deu certo e ele fugiu, ao fim, ele
nem foi encontrado, seus pertences estavam revirados quando a investigação se
iniciou, provável que ele já estivesse longe.
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Albar, ainda no chão, olhava fixamente para o pingente, agora de mente vazia,
pensando que não salvou quem mais o importava, e quando o que importava era
salvar os outros, ele não se importou; já não possuía mais para onde voltar, ou com
quem contar, Albar, finalmente desmaiava.
O céu estava escuro, com nuvens por toda parte, ao som da chuva, Albar acordava
no convento, o Erdanwill aproximava um tempo depois, dizendo que o havia
resgatado, mas que ele deveria descansar e principalmente se alimentar.
"Compreendo o que está passando, mas não posso permitir que o número de
mortos aumente." - Disse ele.
Albar ficou em silêncio.
Erdan Will ficou um tempo olhando para Albar, provavelmente querendo se
desculpar por ter levado Déllie, mas não conseguiu por algum motivos, então,
depois de um tempo, ele levantou, calmamente caminhou até a porta e antes que
saísse se manifestou.
"Coma e descanse um pouco, cuidaremos de você por alguns dias."
Albar ficou 3 dias no convento, sendo cuidado por uma das irmãs, está em
específico era bastante amiga de Déllie, porém ela mesma não teve coragem para
iniciar uma conversa com Albar, então o primeiro dia se passou, sem eles trocarem
uma única palavra.
Ao segundo dia, a irmã tentou puxar um pouco de assunto, Albar com muita força
se manteve educado e respondia, mas as conversas eram rasas e morriam depois
de meia dúzia de palavras. Na noite deste mesmo dia, Albar encarava o pingente, e
nele, tudo que enxergava era Déllie, porém por um lapso de memória, ele se
lembrou de que aquilo era um sinal de fé, da fé de Déllie; Albar não dormiria direito,
ficaria matutando isso em sua cabeça até o dia seguinte.
No início do terceiro dia, Albar tomou a iniciativa, questionou a irmã do que se
tratavam suas crenças, então a irmã explicou para ele.
"Nós acreditamos em Eleft, senhor da liberdade e em seu irmão mais novo bäjse,
divindade da Independência própria."
"Somos guiados por nossas próprias vontades, e com isso acreditamos e os
seguimos, pois eles representam os moldes daquilo que nós mesmos desejamos e
podemos fazer." - finalizou ela.
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nunca havia entendido isso, ele se ressentiu, mantendo a garota segura, ele causou
dor a ela, ele nunca de fato havia cumprido com seu dever, nem ao menos esteve
perto disso, agora ele sabia, mas já era tarde demais para isso.
Ao lado do túmulo, Albar não sabia o que fazer, para onde ir ou o que tentar agora,
olhando para o pingente, o medo o consumia, medo este que o fazia avançar, para
qualquer lugar, e assim o fez, Albar pegou alguns dos poucos recursos que possuía
em sua casa, e então, olhando uma ultima vez para o túmulo de Déllie, Albar pediu
perdão por ser apenas ele que teria que esse “benefício”, e por não ter percebido
antes, neste momento, Albar jurou para si, passaria a vagar livre por um caminho
desconhecido, mesmo sendo egoísta, ele passaria a vagar em prol da memória de
Déllie, ele ainda não sabia, mas é isso que ser significa ser livre.
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