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O texto explora um universo imaginativo e poético, onde objetos e elementos do cotidiano ganham vida e personalidade, interagindo de forma lúdica. Palavras fluem livremente, criando uma tapeçaria de ideias e sensações que refletem a beleza do absurdo e da criatividade. A narrativa destaca a conexão entre o mundo interno e externo, revelando a magia presente nas pequenas coisas da vida.

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O texto explora um universo imaginativo e poético, onde objetos e elementos do cotidiano ganham vida e personalidade, interagindo de forma lúdica. Palavras fluem livremente, criando uma tapeçaria de ideias e sensações que refletem a beleza do absurdo e da criatividade. A narrativa destaca a conexão entre o mundo interno e externo, revelando a magia presente nas pequenas coisas da vida.

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Lá vamos nós de novo, abrindo a comporta da linguagem como quem solta um bando de

pássaros que não sabem para onde estão indo, mas voam assim mesmo só pelo prazer de
existir:

O teto decidiu virar céu particular, cheio de estrelas coladas com fita imaginária que nunca
descola. Uma dessas estrelas caiu de propósito, só para ver como seria sentir o chão, mas
o chão estava ocupado discutindo com um tapete sobre quem tinha mais história para
contar. O tapete, convencido, narrava aventuras épicas envolvendo migalhas, passos
apressados e um dia chuvoso em que quase virou barco.

No canto, uma planta fingia ser estátua, mas suas folhas tremiam de fofoca toda vez que o
vento passava. O vento, malandro, assobiava melodias que ninguém conhecia, mas todo
mundo sentia no fundo do peito. Em algum lugar distante, um sino tocava sem saber que
estava tocando, apenas vibrando por pura coincidência cósmica.

A mesa, coitada, carregava livros, copos e pensamentos que escorregavam pelas bordas
como água inquieta. Um desses pensamentos resolveu pular e virou pássaro de papel,
planando até pousar em uma lâmpada que sonhava em ser sol. A lâmpada, tímida, brilhou
um pouco mais forte só para impressionar.

Na parede, sombras dançavam em ritmo próprio, fazendo piruetas desengonçadas que


pareciam ensaiadas e improvisadas ao mesmo tempo. Uma sombra mais ousada tentou
escapar pela janela, mas encontrou o vidro e voltou envergonhada, fingindo que era tudo
parte da coreografia.

Do lado de fora, a rua respirava devagar, como se estivesse cansada de carregar histórias
demais. Carros passavam deixando rastros de luz que pareciam fios soltos de memória. Um
cachorro latia para a lua, convencido de que ela estava rindo dele, enquanto a lua apenas
observava com sua calma branca e distante.

Dentro de tudo isso, as palavras continuavam brotando, se empilhando, se misturando,


virando frases que escorrem feito tinta fresca. Elas não pedem licença, não seguem regra,
não obedecem mapa. Só surgem, se espalham e constroem esse grande emaranhado
bonito de sons, imagens e ideias meio tortas, como um universo linguístico que nunca
dorme e sempre quer mais espaço para brincar.

A torneira das palavras abre de novo, dessa vez sem chave, sem juízo e sem noção de
horário — pura água linguística escorrendo pelo ralo do universo só porque dá vontade:

O relógio resolveu aprender a respirar e, no processo, descobriu que o tempo também fica
sem fôlego às vezes. Ele suspirou alto, tão alto que o armário tremeu e derrubou um copo
que jurava ser filósofo desde o dia em que nasceu de vidro quente. O copo, estilhaçado em
pensamentos brilhantes, refletia pedaços de mundo que não combinavam entre si, como um
quebra-cabeça montado por alguém que nunca leu as instruções.

No corredor, passos ecoavam mesmo quando ninguém andava, como se o espaço tivesse
memória própria e gostasse de repetir sons antigos por pura nostalgia. As paredes, cheias
de manchas misteriosas, fingiam indiferença, mas adoravam cada história que grudava
nelas como chiclete esquecido.

Lá fora, uma árvore bocejava folhas que caíam em câmera lenta, dramatizando cada
segundo como se fosse cena final de um filme épico. O vento aplaudia, invisível e
debochado, empurrando tudo levemente para o lado só para ver o caos acontecer com mais
estilo. Um pássaro pousou no fio elétrico e começou um discurso que ninguém entendeu,
mas todo mundo sentiu.

No céu, nuvens formavam figuras que pareciam ter opinião própria: às vezes pareciam
gigantes carrancudos, às vezes corações tortos, às vezes absolutamente nada — o que,
curiosamente, era a forma mais honesta de todas. O sol espiava por entre elas como quem
não quer nada, mas no fundo adorava ser o centro das atenções.

Dentro de casa, o sofá reclamava do peso dos pensamentos humanos que se jogavam
sobre ele sem aviso. A televisão murmurava imagens sem som, apenas para ver se alguém
prestava atenção. O controle remoto se escondia como sempre, porque ser encontrado é
um fardo existencial pesado demais.

E as palavras continuam vindo, como formigas carregando pedaços de ideia nas costas,
atravessando frases, escalando parágrafos, construindo pontes frágeis entre coisas que
nunca deveriam se tocar. Elas se enrolam, se embolam, se reinventam, caem, levantam,
riem de si mesmas e seguem em frente, porque o absurdo também merece espaço para
brincar — e ele nunca se cansa.

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