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O texto é uma narrativa poética e surreal que explora a vida cotidiana através de objetos e elementos inanimados que ganham vida e personalidade. Através de descrições vívidas, o autor cria um ambiente onde pensamentos e sentimentos se entrelaçam, revelando a beleza da aleatoriedade e da imaginação. A obra convida o leitor a apreciar a simplicidade e a complexidade do mundo ao seu redor, celebrando a linguagem e a criatividade.

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O texto é uma narrativa poética e surreal que explora a vida cotidiana através de objetos e elementos inanimados que ganham vida e personalidade. Através de descrições vívidas, o autor cria um ambiente onde pensamentos e sentimentos se entrelaçam, revelando a beleza da aleatoriedade e da imaginação. A obra convida o leitor a apreciar a simplicidade e a complexidade do mundo ao seu redor, celebrando a linguagem e a criatividade.

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Fechado — lá vai uma torrente de 2.

700 caracteres de puro aleatório, palavrório sem mapa,


cérebro em modo liquidificador elétrico:

O ventilador girava como se estivesse fugindo do próprio passado, enquanto a cortina


respirava poeira dourada que nunca pediu para existir. No canto da sala, um caderno aberto
fingia ser pássaro, mas só sabia bater páginas como asas cansadas. A caneta observava
tudo com inveja, desejando ter pernas para atravessar a mesa e pular direto na xícara de
café morno. O café, por sua vez, refletia o teto como um lago improvisado, onde peixinhos
imaginários ensaiavam um balé subaquático cheio de erros lindos. Do lado de fora, a rua
conversava com o asfalto em sotaque de pneu gasto e buzina apressada, enquanto um
cachorro preguiçoso filosofava sobre o sentido das sombras que escorregavam pelo muro.

Dentro da geladeira, um tomate sonhava em virar estrela de cinema, praticando poses


dramáticas entre alfaces tímidas e um pote de maionese que jurava ter visto o futuro. O
futuro, claro, estava ocupado demais tentando dobrar o tempo como quem dobra lençol
rebelde. No quarto, o travesseiro guardava segredos em forma de sonhos tortos, e o
cobertor reclamava que ninguém nunca agradece seu trabalho noturno de aquecer
pensamentos congelados.

A lâmpada piscou como quem dá uma piscadela conspiratória para o escuro, que
respondeu com silêncio sabor baunilha. Na parede, um quadro entediado imaginava ser
janela para um deserto onde nuvens corriam de patins e cactos vendiam limonada feita de
vento. O relógio na estante tentava correr para frente, mas sempre acabava voltando três
passos para trás só para causar drama.

Lá fora, um pombo se achava oráculo e julgava humanos com olhar sério, enquanto uma
folha dançava sem música, guiada apenas pela vontade caprichosa do ar. O ar, aliás,
estava ocupado espalhando boatos sobre uma chuva que talvez viesse, talvez não, talvez
fosse só mais uma mentira meteorológica vestida de cinza.

E no meio de tudo isso, palavras continuavam nascendo, tropeçando, se esbarrando,


formando frases que não pediram licença, pintando o mundo com tinta linguística maluca,
caindo, levantando, rindo de si mesmas e seguindo em frente como se a própria
aleatoriedade fosse um destino perfeitamente planejado.

Chegando com outra avalanche de palavras — sem mapa, sem lógica, sem freio, só pura
matéria verbal circulando pelo espaço como partículas bêbadas depois de uma festa
quântica:

A janela resolveu colecionar reflexos como quem junta figurinhas raras, mas sempre perdia
as melhores quando alguém respirava perto demais. O vidro tremia de curiosidade,
tentando entender por que as nuvens mudam de humor com tanta facilidade. As nuvens,
cheias de soberba fofa, fingiam não ouvir, enquanto desfilavam em formatos duvidosos que
pareciam elefantes, dragões e, às vezes, absolutamente nada.

No chão, um grão de poeira declarou independência e montou seu próprio país


microscópico, completo com hino desafinado e bandeira feita de fiapo. O fiapo, orgulhoso,
dançava sem ritmo, rodopiando até ficar tonto e cair dentro de um sapato esquecido. O
sapato, coitado, só queria descansar, mas foi obrigado a ouvir longas palestras sobre
liberdade, existência e o drama de ser minúsculo.

Na cozinha, a torneira contava piadas que ninguém achava graça, exceto a esponja, que ria
com entusiasmo suspeito. O detergente assistia a tudo com ar de professor cansado,
enquanto o prato sujo meditava sobre sua própria natureza efêmera. Em algum lugar entre
o balcão e o teto, uma mosca planejava a fuga perfeita, mas sempre se distraía com sua
própria sombra.

O corredor parecia maior do que realmente era, como se estivesse esticando o espaço por
pura vaidade. As paredes cochichavam segredos antigos, pintados em camadas de tinta
que já esqueceram seus nomes. Uma lâmpada solitária piscava em ritmo de coração
eletrônico, imaginando ser estrela em um universo particular.

No quarto, o espelho praticava mentiras educadas, devolvendo versões levemente


melhores de tudo o que olhava para ele. A cama bocejava, reclamando que pensamentos
pesam mais do que corpos. O despertador fingia ser durão, mas tremia só de imaginar o
momento em que teria que gritar novamente.

Do lado de fora, a noite se espalhava como tinta derramada, engolindo ruas, postes e
conversas que não queriam acabar. Um gato atravessava telhados com a confiança de
quem sabe segredos antigos, enquanto estrelas piscavam como cúmplices silenciosas.

E no meio desse caos delicado, as palavras continuam surgindo, se multiplicando,


escorregando umas sobre as outras, formando pontes frágeis entre ideias que nunca se
conheceram, até que tudo vire um grande emaranhado de linguagem viva, pulsante,
confusa, deliciosa — exatamente como o mundo quando a gente para de tentar organizar
demais e só deixa acontecer.

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