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BG Leda

Leda, uma jovem órfã, enfrenta pesadelos e eventos sobrenaturais em um orfanato, levando a um crescente medo e ódio da comunidade que a acusa de bruxaria. Após uma praga devastar a vila e a morte de seu único amigo, Leda é resgatada por cavaleiras e levada a um santuário, onde descobre ter um sangue especial que a torna imune à doença. Treinando sob a orientação de figuras religiosas, Leda busca entender seu poder e o mistério de seu passado, enquanto os pesadelos permanecem como um lembrete de que sua luta ainda não acabou.

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Eduardo Fontes
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BG Leda

Leda, uma jovem órfã, enfrenta pesadelos e eventos sobrenaturais em um orfanato, levando a um crescente medo e ódio da comunidade que a acusa de bruxaria. Após uma praga devastar a vila e a morte de seu único amigo, Leda é resgatada por cavaleiras e levada a um santuário, onde descobre ter um sangue especial que a torna imune à doença. Treinando sob a orientação de figuras religiosas, Leda busca entender seu poder e o mistério de seu passado, enquanto os pesadelos permanecem como um lembrete de que sua luta ainda não acabou.

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Background Leda

Leda era uma jovem órfã que vivia em um pequeno orfanato de uma vila no interior.
Cresceu alegre e cheia de vida, convivendo com as outras crianças do lugar. Por volta
dos dez anos de idade, começaram os pesadelos. Noites repletas de gritos e terror a
faziam acordar apavorada. As cuidadoras e as outras crianças começaram a se assustar,
aquilo não era normal. Coisas estranhas também começaram a acontecer no orfanato
durante a noite... coisas que pareciam sobrenaturais.

Como os sonhos não cessavam, Leda buscava conforto nos amigos de infância com
quem havia crescido. Passavam o tempo brincando ou fazendo pequenos trabalhos na
vila em troca de algumas moedas. Com o tempo, porém, a maioria deles se afastou, por
medo ou por causa dos rumores. As pessoas diziam que ela era estranha, forte demais
para uma menina franzina, e que nunca adoecia. “Ela traz azar”, murmuravam.
“Ninguém sabe de onde veio. ”

Logo, todos passaram a olhar para ela com desconfiança. Todos, exceto um garoto, um
pouco mais velho, que claramente nutria um sentimento por ela. Ele se tornou seu único
conforto na vila. Então, de repente, os pesadelos cessaram. As coisas estranhas pararam
de acontecer. Algumas crianças voltaram a falar com ela, e por cerca de um ano, a vida
pareceu tranquila.

Contudo no inverno daquele mesmo ano, uma praga assolou a vila.

Tudo começou com uma caravana de mercadores. A doença parecia inofensiva no


início, mas logo se espalhou. Pessoas começaram a morrer de febre. Leda percebeu,
horrorizada, que aquilo lembrava seus antigos pesadelos sobre a morte, o abandono, os
animais mortos. Era como se os sonhos tivessem se tornado reais.

Ela tentou ajudar como podia, mas logo vieram os murmúrios:


— Por que todos ficam doentes, menos ela?
— Por que minha filha teve que morrer, e ela continua viva?
— Ela deve ter feito isso!

O medo virou ódio. As pessoas começaram a acusá-la abertamente de bruxaria. Logo,


até as crianças do orfanato se voltaram contra ela, todas exceto Zeke o mesmo garoto,
seu único amigo.

Vendo o crescente ódio dos aldeões, ele decidiu fugir com ela.
— Vamos para a floresta — disse. — Lá seremos mais bem-vindos que aqui.

Partiram na calada da noite. Caminharam por meio dia até montarem acampamento.
Leda notou que o rapaz estava cansando rápido, mas preferiu não comentar. Dormiram
de mãos dadas. Ele estava quente, febril — e não pelo mesmo motivo que ela.

Ao amanhecer, ele ardia em febre. Desesperada, Leda tentou cuidar dele, mas nada
funcionava. Decidiu voltar para a vila, acreditando que talvez lá pudessem ajudá-lo.
Carregou-o nas costas, por meio dia de viagem. Ao chegar, encontrou apenas desolação.
As casas estavam silenciosas, as pessoas imóveis, mortas. A terra cinzenta. Tudo havia
sucumbido.

Colocou o rapaz em uma cama limpa e cuidou dele como pôde. Passaram-se dias. No
terceiro dia, sonhou com uma mulher que lhe disse para ter fé, a ajuda viria. Leda
acreditou. No oitavo dia, a febre diminuiu. Ele se sentou, comeu, sorriu. Leda chorou de
alegria. Ele a beijou na testa, e por um instante, tudo pareceu dar certo.

Mas na manhã seguinte, ao tocá-lo, encontrou o corpo frio. O calor havia desaparecido,
substituído por um frio que trazia a solidão. Leda chorou até dormir. Enterrou o corpo
no dia seguinte e pensou em desistir, mas não teve coragem.

Naquela noite, sonhou novamente com a mulher.


— Ainda deve ter fé — disse a voz.
— Por quê? — respondeu Leda. — Eu tive fé. Acreditei. E perdi tudo.
— Você já chegou tão longe. Por que desistir agora? Ainda há esperança.

Mesmo relutante, ela esperou. No décimo segundo dia, um grupo de cavaleiras chegou à
vila. Montavam cavalos bem alimentados, trajavam armaduras limpas e símbolos
sagrados. Leda se escondeu em uma das casas e ouviu:
— A doença chegou até aqui?
— Talvez. Ou um diabo.
— Precisamos ser rápidas, antes que ele fuja.

Sem querer, Leda fez uma tábua ranger. Quando olhou de volta, uma cavaleira já estava
diante dela, espada em punho.
— Não se mova, ou corto sua garganta!

Uma segunda mulher, de porte mais imponente, interveio.


— Calma. Parece que temos uma sobrevivente. Está doente, garota?
— N-não… não estou.
— Há mais alguém vivo?
— Não… só eu.

Leda contou o que aconteceu. A capitã lamentou chegarem tarde demais, e avisou que a
criatura responsável ainda poderia estar por perto. As outras cavaleiras a olhavam com
desconfiança, olhares que Leda já conhecia. Ainda assim, lembrou-se das palavras do
sonho e manteve a esperança.

A capitã pousou uma mão firme em seu ombro.


— Está tudo bem agora — disse.

Ordenou que queimassem a vila, para evitar a propagação da doença. Leda observou em
silêncio as chamas consumirem tudo que conhecia.

— Você virá conosco — disse a capitã. — Não há mais nada aqui para você, certo?

Leda apenas assentiu.


Durante a noite, atravessaram a floresta à luz de tochas e magias simples. De repente,
um grito, uma das cavaleiras foi arrastada para o alto. Uma criatura alada, semelhante a
um morcego humanoide, sugava uma luz acinzentada de seu corpo.
O grupo reagiu. A batalha foi feroz. Uma a uma, as cavaleiras tombavam. Quando tudo
parecia perdido, Leda caiu ao lado da capitã ferida. O medo tomou conta, mas
lembrando-se de que nada mais tinha a perder, levantou-se.
A criatura avançou, mas antes que a alcançasse, a capitã desferiu um golpe fatal, e com
uma forte luz abateu o monstro.

Após a luta, recolheram os corpos das companheiras e montaram acampamento. A


capitã orou, e uma luz emanou de suas mãos, curando milagrosamente uma das
cavaleiras.
— O que foi isso? — perguntou Leda.
— Com o tempo, entenderá — respondeu a mulher.

Levaram-na a uma fortaleza distante, um imenso santuário dedicado à deusa Helena.


Lá, Leda conheceu a Santa Melissa, uma clériga de fé inabalável, e Eleonor, uma elfa
tímida que se tornou como uma irmã.

Treinou por seis anos, desenvolvendo corpo e espírito. Descobriu, pelas palavras da
capitã Karj e da santa, que possuía um sangue especial, imune à praga e talvez tocado
pela própria deusa. Disseram-lhe que deveria ter cuidado, pois sem disciplina, seu dom
poderia se tornar perigoso para si e para os outros.

Apesar disso, Leda sentia que havia mais. Algo que não lhe contavam. Ainda assim,
encontrou conforto em Eleonor e em sua nova vida. E, por um tempo, os pesadelos
cessaram. Mas, no fundo, Leda sabia que aquilo não havia terminado, principalmente
naquela noite.

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