Tiraram os tubos de Matthew esta noite – Ben explicou, seguindo-a até a pequena cozinha.
– Ele está indo muito bem, e
eles esperam poder transferi-lo da UTI pela manhã. Aquelas eram boas notícias! – Poderia ter sido uma história bem
diferente. Belinda não para de me dar tapinhas nas costas, e até o consultor de neurologia foi à Emergência para dizer
“Bom trabalho”. Eu disse a eles que o crédito é todo seu. – Ele observou o rosto dela ficar corado com o elogio. – Eu sei
que é difícil decidir entre esperar para ver ou chamar por ajuda. – Pode ser – Celeste admitiu, tirando uma jarra enorme
de chá gelado do refrigerador e servindo copos altos para os dois. – Quero dizer, você não quer parecer um idiota, ou
reagir exageradamente a qualquer coisa... – Exagere! – Ben disse, simplesmente. – Pelo menos por enquanto, até você
acumular mais experiência e enquanto o seu “botão dos palpites” estiver funcionando direito. – “Botão dos palpites”? –
Celeste franziu as sobrancelhas ao ouvir o termo estranho. – O que é isso? – Quando você tem um palpite sobre alguma
coisa, quando você tem certeza... mas não certeza absoluta. Ela já tinha percebido o que ele ia dizer antes mesmo de ele
explicar, mas enquanto ele explicava, ela sentia o tom cor-de-rosa de suas bochechas chegar mais perto do vermelho,
consciente de que ele não estava exatamente olhando nos olhos dela. O “botão dos palpites” dela estava funcionando,
mas por motivos diferentes agora, e ela o desligou rapidamente. Ela definitivamente não ia desenvolver uma paixonite
por outro colega de trabalho! Olhe só onde aquilo a havia levado. E era bom ter um amigo. Eles se sentaram na pequena
sala de estar, assistindo à “pesagem” no programa favorito dela, enquanto Celeste resmungava que deveria ser uma
candidata. Ben estava mais do que um pouco desconfortável, e tentava não demonstrar; ele podia ver a pilha de
roupinhas de bebê dobradas perfeitamente em cima da tábua de passar, e embora ainda faltassem semanas para o
parto, havia um cheirinho suave de bebê na casa, o que provavelmente tinha a ver com a loção de bebê que Celeste
estava passando nas mãos, mas ainda assim... Então, ele foi buscar a jarra de chá gelado e, quando voltou, encheu o
copo que ela estava segurando; e ele não seria um ser humano se não tivesse percebido o decote dela; teria que ser
cego para não notar. Ben não era exatamente o tipo de homem que prefere seios, mas os dela eram tão voluptuosos
que ele sentiu, de repente, como se tivesse levado um chute na virilha, com o desejo que não lhe era mais familiar.
Então, ele se sentou. Ele percebeu que não conseguia mais sentir aquele cheirinho de bebê, apenas o perturbador
cheiro de Celeste. A sala estava quente demais, e obviamente ela repetia automaticamente o gesto de levantar os
braços e segurar os cabelos no alto da cabeça, enquanto continuava a falar; então os cabelos lhe caíam sobre os ombros
de novo, e ela levantava os braços mais uma vez. – Eu preciso ir... – Já? – Celeste disse, mas então eles continuaram a
conversar, sobre isto e aquilo, e de repente já passava das dez horas da noite. Olhando para ele, parado perto da porta
e se preparando para realmente ir embora desta vez, Celeste se flagrou pensando que tinha tido a melhor noite dos
últimos tempos. Tinha sido bom demais, até. Porque entre todas as coisas idiotas que ela poderia estar pensando,
estava mesmo era imaginando como seria receber um beijo de boa noite dele. Pensando no que faria se aquela boca
maravilhosa chegasse um pouco mais perto. – Obrigado pelas flores, a propósito. – Ben quebrou a linha de pensamento
dela. – Você não precisava ter feito aquilo. – Não foi um problema. – Não, você realmente não precisava. – Ben sorriu. –
Elas estarão mortas em dois dias; eu vou esquecer de regá-las. – Eu não vou. – Celeste sorriu de volta. – Apenas
aproveite. F o i u m a l í v i o fe c h a r a p o r t a à s c o s t a s d e l e! CAPÍTULO 4 ELES IGNORAVAM um ao outro no
trabalho, obviamente. Bem, eles não mencionavam as noites passadas em frente à televisão, nem as caminhadas na
praia e, às vezes, enquanto ela se sentava na sala de convivência e ouvia Deb tagarelar sobre o quanto ela estava certa
de que Ben a convidaria para sair em breve (quando Ben já havia comentado com Celeste que estava incomodado com
os flertes constantes de Deb), ou quando a glamourosa Belinda começava a falar de forma amistosa demais sobre ele,
embora Celeste se mantivesse calma como um Buda desafiado, por dentro ela estava espumando de raiva e poderia,
certamente, estrangular as duas para que ficassem caladas. Ela gostava dele. E quanto a isso, estava tudo bem. Afinal,
metade do departamento gostava dele daquele jeito também, e ela dificilmente poderia ser considerada como minoria;
não, havia um problema um pouco maior. Às vezes, ah, às vezes, Celeste tinha aquela impressão incômoda que só podia
ser causada quando duas pessoas se envolvem. Às vezes, ah, às vezes, Celeste tinha a sensação fugidia de que Ben
gostava dela também. Ela dizia a si mesma que estava imaginando coisas, exatamente como Deb. Porque não havia
chance nenhuma de Ben estar interessado nela. Então, por que ele estava agindo de forma tão estranha? Quando o
coffee break terminou, ela voltou para a ala pediátrica, e tentou dizer ao seu coração idiota para parar de bater tão
depressa só de olhar para ele; é claro que não adiantou. E seu coração acelerou de vez uma hora mais tarde, embora
por razões totalmente diferentes, quando uma mãe meio histérica colocou um bebê molenga nos braços de Celeste. Ela
tocou a campainha de emergência antes mesmo de despi-lo. Ele era grande e gordo, e mal abriu os olhos enquanto
Celeste o despia com eficiência, e fazia algumas observações preliminares. – Ele não para de vomitar... – A mãe estava
tentando não chorar. – Eu o levei ao clínico ontem, ele disse que era um problema gástrico e me mandou dar líquidos
para ele... Nenhuma ajuda havia chegado, e Celeste tocou a campainha de emergência outra vez. O pulso do bebê
estava acelerado, e a temperatura dele estava alta, portanto ela o colocou no balão de oxigênio e tocou a campainha de
emergência de novo enquanto empurrava o carrinho com o material para soro intravenoso, finalmente decidindo
colocar a cabeça para fora do cubículo. – Alguém pode vir me ajudar? – ela estourou, e lançou um olhar frenético para
Ben, que estava mostrando a um paciente um raio-X de tornozelo. – Agora! – Aperte o bo