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Ben e Celeste compartilham suas experiências de perda e relacionamentos, revelando suas vulnerabilidades e a dificuldade de seguir em frente. Enquanto conversam sobre suas vidas, ambos reconhecem que não estão prontos para um relacionamento sério, mas desejam construir uma amizade. A interação entre eles se torna um alívio emocional, proporcionando conforto em meio à dor de suas perdas.
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Ben e Celeste compartilham suas experiências de perda e relacionamentos, revelando suas vulnerabilidades e a dificuldade de seguir em frente. Enquanto conversam sobre suas vidas, ambos reconhecem que não estão prontos para um relacionamento sério, mas desejam construir uma amizade. A interação entre eles se torna um alívio emocional, proporcionando conforto em meio à dor de suas perdas.
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Eu cometi muitos – ele admitiu. – Mas nenhum caso, nada de que você se arrependa.

– Oh, eu me arrependo de muita


coisa – disse Ben. – Você é solteiro, divorciado... – Ela soava como o questionário no site de relacionamentos de Belinda,
e ele se encolheu por dentro. – Viúvo – ele disse, e então foi a vez dela de julgar, Ben sabia: ele já havia passado por
aquilo muitas vezes. – Você sente muitas saudades dela? – ela perguntou, gentilmente. – Sinto – Ben admitiu, e foi o
suficiente. Ele deixou um pouco de areia escorrer por entre seus dedos, concentrando-se nos pequeninos grãos em vez
de em si mesmo, e então olhou para o relógio. – A eletricidade já deve ter voltado, à esta hora. – E se tiver voltado? –
Celeste sorriu. – Eu estou gostando da conversa... você estava me contando como sente falta dela. Deus, ela era
insistente. Ele realmente deveria se levantar e ir embora, mas ela havia confessado tanto sobre si mesma, e, pegando
outro punhado de areia, ele deixou que os grãos lhe escorressem pelo punho cerrado e admitiu um pouco da verdade. –
Eu sinto saudades por Jennifer, também. – O silêncio de Celeste era paciente. – Ela amava viver. – Ele olhou para a água
e quase pode ver o rabo de cavalo louro dela balançando enquanto ela corria. – Ela estaria certamente correndo ou
nadando agora, achando um tempo para fazer exercícios depois do trabalho. – Ela se mantinha em forma? – Perfeita
forma. – Ben assentiu, mas havia um pensamento dolorido ali porque, apesar de Jennifer fazer tudo certo, apesar de
seu estilo de vida saudável, no final nada havia adiantado. – O que ela fazia? – Ela também era médica, da Emergência. –
O que aconteceu? – Celeste perguntou, mas Ben sacudiu a cabeça, sem querer comentar o assunto. – Vamos. – Já era
realmente hora de ir, e não somente porque ele não queria falar sobre aquilo. Ele estava fazendo um favor a ela. Uma
mulher no estado de Celeste não precisava mesmo ouvir como Jen havia morrido. Então, ele segurou as mãos dela e
ajudou-a a se levantar, e eles caminharam lentamante de volta, conversando distraidamente sobre isso e aquilo, até
Celeste encontrar uma brecha novamente. – Você saiu com alguém de novo... quero dizer, desde...? – Ela morreu há
três, quase quatro anos – Ben disse, respondendo à pergunta não formulada. – Oh. – Eu tive alguns encontros. – Ele deu
de ombros. – Embora provavelmente fosse muito cedo. – Você ainda as compara com ela? – Celeste perguntou, indo
diretamente ao ponto até onde ninguém mais ousava ir, mas Ben simplesmente ignorou a pergunta e, feliz com a
distração, abriu os portões que davam para os apartamentos, mas Celeste esperou pacientemente. – Ainda? – ela
perguntou. – Como? – Você compara as outras mulheres com ela? Ela era uma coisinha insistente, como um pequeno
pica-pau, bicando a madeira, bicando... – Eu costumava comparar – Ben admitiu. – Mas não agora, não é justo para
ninguém. – Principalmente porque ela parece ter sido a Supermulher – Celeste resmungou, e a resposta dela foi tão
divertida que Ben sorriu. – Então – ela pressionou –, você está pronto agora? – Talvez, mas não para nada sério. – Oh,
eu tenho certeza de que vai haver muitas candidatas. – Celeste sorriu. Afinal, ela havia ouvido as risadinhas e fofocas no
vestiário; Ben poderia escolher quem quisesse! – E você? – Eles estavam sentados nos degraus do apartamento dela
agora, a conversa e a amizade muito recentes, muito frágeis para correr o risco de quebrar se ela o convidasse para
entrar. E, de qualquer forma, a energia ainda não havia voltado, então eles se sentaram nos degraus e começaram a se
conhecer um pouco melhor. – Eu não estou exatamente em condições de namorar. – Celeste revirou os olhos. – Você
pode me imaginar saindo para dançar? – Acho que não! – E eu ainda estou naquela fase “todos os homens são
cachorros”. – Provavelmente, é uma opção bastante inteligente nessa fase – Ben concordou. – Eu mesmo tenho sido um
pouco cachorro ultimamente. – Conte-me tudo! – Ela realmente o fez rir, de tão ansiosa que estava por uma fofoca, e
era tão fácil conversar com ela que, sem saber exatamente como, ele começou a falar: – Eu estava saindo com alguém;
ela era ótima, mas embora eu tenha sido franco com ela desde o começo... – Ela não quis ouvir? – Celeste completou
por ele. – Ela ouviu no começo, disse que queria a mesma coisa que eu... e então, bem, o relacionamento ficou mais
sério. Ela começou a dar indiretas, dando a entender que queria coisas diferentes. – Ele olhou para os olhos castanhos e
sorridentes dela. – Como morar juntos. – E não era assim para você? – ela perguntou, espertamente. – Talvez algum dia,
mas ela também começou a falar sobre filhos. E de uma coisa eu tenho certeza, eu não quero filhos. – Nunca? – Nunca –
ele respondeu, enfaticamente. Ela entendeu o recado, e na verdade se sentiu agradecida por ele. Oh, eles mal se
conheciam, mal haviam arranhado a superfície, mas havia certamente, se não uma atração imediata, pelo menos uma
aguda consciência do outro. O que era algo que ela não havia sentido em muito tempo; algo que estava certa, depois do
modo com que Dean a havia tratado, que jamais sentiria novamente. Mas sentada ali, olhando para os olhos verdes de
Ben, ouvindo as palavras dele, Celeste de repente percebeu que ele sentia a mesma coisa. Que ele estava lendo
cuidadosamente as regras de qualquer relacionamento em potencial, se eles decidissem investir em um. – Nós não
podíamos ser menos compatíveis, realmente – Celeste disse, depois de um momento de pausa. – Eu não estou
procurando um relacionamento, você não está procurando um relacionamento sério, e... – ela deu uns tapinhas na
barriga enorme – isto não é uma hérnia! – Eu já tinha percebido! – Ben sorriu. – Então, que tal sermos apenas amigos?
Ela olhou para os olhos verdes dele, e desta vez não corou. Oh, ela estava com uma quedinha adolescente por ele; que
mulher heterossexual não teria? Mas seu coração estava machucado demais, seu ego muito abalado, e sua alma muito
frágil para sequer pensar em seguir em frente mais uma vez. Era simplesmente agradável ter um adulto com quem
conversar. O mundo dela havia mudado tanto, e somando o fato de sua família não falar mais com ela com sua luta em
se encaixar no novo curso, era simplesmente bom, muito bom, ter Ben em sua vida, falar com uma pessoa em vez de
olhar mecanicamente para a televisão. Um amigo seria maravilhoso. E ele ainda ficou mais um pouco. Celeste entrou
em casa e trouxe dois copos de água, e então ficou brincando com margaridas enquanto eles conversavam,
desfolhando-as com os dedos, juntando-as, e quando ela não estava olhando para ele, era mais fácil para Ben falar. –
Você sabe, eu tinha tudo com Jen... – Ele passou os dedos pelos cabelos, tentando resumir como se sentia, porque era
tão fácil conversar com ela. Talvez porque ela não tivesse conhecido Jen, talvez porque os olhos dela não se enchessem
de lágrimas, como os dos amigos e familiares dele, quando ele falava sobre ela, ou porque ela não lhe lançasse olhares
de reprovação velada com os esforços fracassados dele de seguir com a vida. – Eu não quero tentar recriar o que tive...
não quero a mesma coisa com outra pessoa. Eu já passei pela experiência, e já sei como é. – Sorte sua, então. – Ben
piscou os olhos com a resposta. Realmente, ele podia ser qualquer coisa, menos sortudo, mas pensando bem, sim, ela
estava certa, ele tinha tido sorte de ter Jen em sua vida por algum tempo. – Eu daria tudo para poder dizer para este
pequenino que o pai dele e eu estávamos apaixonados. – Vocês estavam? – Ben perguntou. – Eu achava que sim. – Ela
deu de ombros. – Mas olhando em retrospecto, era só uma atração, eu acho... e me parece que você teve a coisa real.
Ele não respondeu, porque naquele momento o som da televisão dela quase estourou as janelas do apartamento, e
aplausos se ouviram da unidade ao lado, enquanto a eletricidade voltava ao normal. – Eu preciso trabalhar um pouco...
– Ben se levantou. – Bem, obrigada pelo jantar… – Celeste sorriu. – E o bebê agradece, também. – De nada. – Eu me
ofereceria para retornar o favor, mas estou tendo problemas em fazer o jantar para uma pessoa só no momento – ela
disse, ironicamente. – Eu não esperava que você o fizesse. Ele não esperava nada dela. Celeste sabia, assim como Ben.
Mas, na noite seguinte, quando ele chegou à casa, depois do trabalho, encontrou vasos de girassóis em sua porta; a
maneira dela de agradecer, ele imaginou. – Eu tenho boas notícias pra você – disse Ben, ao bater à porta dela. – Eu
estou precisando. Entre – ela convidou.

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