0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações2 páginas

8

Ben visita uma casa que está considerando comprar e sente uma conexão emocional ao imaginar reformá-la. Durante uma queda de energia, ele se encontra com sua vizinha Celeste, que está grávida e enfrenta dificuldades pessoais. Eles compartilham uma refeição na praia, onde Celeste revela detalhes sobre sua situação e o pai do bebê, gerando um momento de empatia entre eles.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações2 páginas

8

Ben visita uma casa que está considerando comprar e sente uma conexão emocional ao imaginar reformá-la. Durante uma queda de energia, ele se encontra com sua vizinha Celeste, que está grávida e enfrenta dificuldades pessoais. Eles compartilham uma refeição na praia, onde Celeste revela detalhes sobre sua situação e o pai do bebê, gerando um momento de empatia entre eles.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

superado aquilo e era o melhor amigo de Ben de novo, agora que tinha um genuíno cliente em potencial para a casa.


Eu posso dar uma olhada? – Ben perguntou. – Não até abrirmos para visitação no final de semana – disse o corretor. –
Depois disso, eu posso marcar uma visita particular para você. – Na verdade, eu estou trabalhando neste final de
semana – disse Ben –, então não se preocupe. – Mas você vai vir dar uma olhada? – o corretor perguntou, ansioso. –
Como eu disse... – Ben deu de ombros. – Eu estou trabalhando, mas isso não é um problema, realmente. Na verdade, eu
vou visitar outra casa esta noite. Aquilo certamente fez com que o corretor pegasse o telefone. Uma visita particular foi
marcada em menos de uma hora, e Ben andou à vontade pela casa que estava pensando seriamente em chamar de lar.
Seria preciso muito trabalho; a cozinha estava um desastre, e o banheiro do andar de baixo teria que ser totalmente
refeito, mas o quarto principal já havia sido reformado, com janelas que iam do chão ao teto com uma vista espetacular
da baía, e um banheiro fantástico. Sim, a casa era grande demais para uma pessoa, mas ela simplesmente parecia ser a
escolha certa. Ele poderia reformá-la, pensou Ben, fazer tudo bem devagar, reconstruir a cozinha, organizar o quintal...
De pé no quarto principal, olhando pela janela para a baía, Ben sentiu o primeiro sopro de contentamento em anos, a
primeira, primeiríssima sensação de como estar em casa deve ser, finalmente. Apesar de sua indiferença com o
corretor, apesar de ter sacudido a cabeça ao descobrir o preço da casa e que o proprietário queria um acordo rápido,
ele estava apenas jogando o jogo necessário. Ben mal podia esperar pelo leilão. Uma onda de calor atingiu Ben quando
ele abriu a porta de seu apartamento. Ele abriu as janelas, ligou um ventilador e colocou seu jantar na geladeira; então,
tirou a roupa e rezou para que o chuveiro estivesse frio naquela noite, o que felizmente aconteceu. Depois de tomar
banho, vestiu shorts e foi para a cozinha. De repente, sem aviso, ouviu-se um ruído longo, como um rosnado, e tudo
parou. Aquilo estava acontecendo em todo lugar em Melbourne: quedas de energia todas as noites, por causa dos
sortudos que tinham ar-condicionado e, egoisticamente, ligavam os aparelhos no máximo. Ben tinha apenas um
ventilador, que agora, obviamente, não estava funcionando. Ele foi até o lado de fora para checar os fusíveis, só para
garantir que o problema não era só dele, e olhando para a fileira de unidades da rua, viu Celeste fazendo a mesma coisa.
Ela vestia um par de shorts lilás desta vez, e uma blusa preta sem mangas. O cabelo dela estava molhado, e ela parecia
bastante irritada. – De novo! – Ela revirou os olhos, acenou de leve para ele, e voltou para o que certamente se tornaria
uma fornalha em breve; ao contrário do apartamento dele, o de Celeste tinha a vantagem questionável de receber todo
o sol da tarde. E foi então que aquele incômodo o atingiu de novo: uma sensação estranha, há muito tempo esquecida,
que lhe deu um frio no estômago enquanto abria a geladeira às escuras e retirava as embalagens plásticas que trouxera
da delicatessen; um estranho sentimento de preocupação por uma pessoa. Ben não queria vizinhos que aparecessem à
sua porta sem aviso e, certamente, jamais imaginara que seria um vizinho que fizesse uma coisa dessas, mas lá estava
ele, na soleira da porta dela. Ela atendeu segurando uma tigela de cereal e estava claramente aborrecida com a invasão,
mas tentava ser educada. – A eletricidade deve voltar em algumas horas; isto anda acontecendo bastante ultimamente
– disse Celeste, fechando a porta. Ela não estava realmente irritada com ele, e não queria parecer rude; estava
simplesmente tentando ignorar o fato de que ele vestia apenas um par de shorts. O que era normal, obviamente, no
meio de uma onda de calor. Se ele tivesse chegado dois minutos mais tarde, ela mesma teria que se vestir novamente
antes de atender a porta! A visão do corpo dele exposto a fez corar mesmo assim, e ela não queria que ele percebesse.
– Você já jantou? – ele perguntou para a porta que se fechava, e ela fez uma pausa, olhando de forma culpada para a
tigela de cereal, que provavelmente não era a melhor opção de jantar para uma mulher nos últimos meses de gravidez,
e imediamente se colocou na defensiva. – Não dá para cozinhar sem eletricidade. – Não precisa, eu tenho bastante. –
Ele mostrou os pratos, para tentá-la. – Vamos comer na praia, é bem mais fresco lá. E era. Havia uma brisa deliciosa
vinda do sul, e enquanto Celeste caminhava na areia à beira-mar, Ben podia praticamente ouvir o chiado quando os
tornozelos vermelhos e inchados dela tocavam a água. – Eu devia ter vindo para cá mais cedo. – Celeste deu um suspiro
de alívio. – Eu sempre tenho vontade de vir, e fico tão feliz quando chego aqui... – Eu também. – Ben sorriu, e era tão
bom, depois de um dia tão agitado, simplesmente caminhar e não ter que dizer muita coisa, apenas observar os
cachorros, os barcos, os casais... simplesmente ser. E depois sentar. Galinha ao molho de estragão e maionese, com
salada grega, era certamente muito melhor que cereal, e acompanhada de uma salada de frutas frescas, era
praticamente a refeição mais saudável de toda a gravidez dela. O bebê deu um chute satisfeito quando ela se recostou
novamente. – Estava delicioso, obrigada! – De nada. – Ben engoliu em seco, sentindo-se desconfortável. – Olhe, me
desculpe se eu destratei você no trabalho. – Você não fez nada disso – Celeste disse, franzindo a testa. – Fiz, sim – disse
Ben –, ou melhor, eu não deixei claro que nós já nos conhecíamos. – Está tudo bem. – Eu só gosto de manter as coisas
separadas do trabalho... – Está tudo bem – disse Celeste. – Esta noite nunca aconteceu. – Ela se virou para o lado onde
ele estava, e sorriu para ele. – Você está gostando do seu novo emprego? – É bom – Ben assentiu com a cabeça. – Você
morava em Sidney antes? – Celeste resolveu verificar, porque tinha ouvido Meg comentar a respeito. – Morava. – Ben
não deu mais detalhes. – Quanto tempo faz que você trabalha lá? Ela não respondeu por um momento, porque estava
ocupada em se acomodar novamente na areia, fechando os olhos de puro prazer. – Quase três meses. – Ela entreabriu
um dos olhos. – Eu não acho que eles ficaram particularmente felizes quando eu apareci para meu primeiro plantão.
Felizmente, ele não era politicamente correto o bastante para fingir que não tinha ideia do que ela estava falando. Em
vez disso, ele simplesmente sorriu, e Celeste fechou aquele olho e finalmente, finalmente, finalmente relaxou. – Meu
Deus, isto é bom. – Ela suspirou, depois de cinco minutos de um confortável e delicioso silêncio. E a vista também é boa,
pensou Ben, muito boa, sem dúvida. Os cílios dela tocavam suas faces de leve, os joelhos dela estavam levantados, e sua
barriga parecia se mover como se tivesse vontade própria... como a de Jennifer, pensou Ben, e então interrompeu
aquele devaneio abruptamente. – Então, não existe um sr. Mitchell? – ele perguntou. – Não. – Os olhos dela ainda
estavam fechados. – Você tem algum contato com ele, o pai do bebê? – Não. – Ele sabe? – Ben perguntou, embora não
fosse da conta dele. – Quero dizer, ele está ajudando você? – Ele achou que estava ajudando – disse Celeste. – Ele me
deu dinheiro para fazer um aborto. – Oh! – Ben olhou fixamente para ela. – Eu estava na residência de obstetrícia
quando descobri que estava grávida, e havia bebês por toda a parte... não que isso tenha feito com que eu quisesse um;
eu fiquei apavorada, na verdade, mas... – Você não precisa me contar mais nada, se não quiser. Mas ela queria; deitada
ali, com os olhos fechados, perdida e sozinha e realmente, realmente confusa. Talvez, como todos diziam, falar ajudasse
a clarear suas ideias. Valia a pena tentar, de qualquer modo, porque a ioga certamente não havia funcionado! – Ele é
casado. – Ela abriu os olhos então, e fechou-os de novo, e mesmo naquele pequenino espaço de tempo ela viu a
expressão dele mudar. Foi aquele momento em que você é julgada, opiniões são formadas, e a outra pessoa presume
saber tudo sobre você. – Eu não sabia disso, não que isso mude alguma coisa. – Vocês ficaram juntos por muito tempo?
– Ele quis saber. – Três meses. – Celeste fungou. – Ele foi o meu primeiro, verdadeiro…Eu simplesmente acreditei nele.
Quero dizer, eu sabia porque não saíamos com tanta frequência, e porque não podíamos frequentar a casa um do
outro... – Como? – Não importa – ela resmungou. – Então, para onde vocês iam? – Passear de carro, jantar, um hotel de
vez em quando... – Ela olhou nos olhos verdes e límpidos dele. – Ele é um pouco mais velho do que eu, bem mais velho,
na verdade – Celeste disse, e então ficou quieta por algum tempo. Certo ou errado, ele a estava julgando; estava
tentando não julgar, mas não conseguia. Por que as pessoas não pensavam? Por que as pessoas eram tão descuidadas?
E agora havia esse bebê... Ele fechou os olhos e pensou em Jennifer; nos planos que eles tinham feito, em quanto eles
haviam desejado um filho, e embora ele não dissesse uma palavra, ela podia sentir a censura dele. – Então, você nunca
come

Você também pode gostar