Ela ainda estava aprendendo o básico; ainda ontem, ela havia sido advertida por reagir exageradamente, e apertar o
botão três vezes por qualquer coisa remotamente urgente; e agora estava sendo repreendida por fazer muito pouco.
Alguns dias, aquele trabalho era simplesmente difícil demais! – Depressão na fontanela. – Ben examinou o bebê imóvel
com eficiência, enquanto Celeste o tirava da balança e preparava um soro intravenoso. Ela estava apavorada com a ideia
de aplicar uma agulha de IV em um bebê tão doente, mas aquilo fazia parte do curso, e era algo que ela precisava
aprender a fazer. Ela havia começado com homens grandes e musculosos, com veias que mais pareciam trilhos, e depois
havia praticado em adultos doentes. Ela havia até mesmo aplicado IVs em algumas crianças, e em poucos bebês, mas
nenhum tão doente como aquele, e não com a mãe observando ansiosamente; e agora, Meg estava lá também! – Baixo
turgor da pele. – Ben continuou com sua avaliação, e sacudiu a cabeça ao ver o tremor leve das mãos dela, enquanto
Celeste segurava o bracinho flácido com uma das mãos e posicionava a agulha com a outra. – Deixe que eu faço. – Ele
assumiu a tarefa sem maiores comentários, e ela ficou feliz por isso. O bebezinho era gordo, e as veias dele seriam
difíceis de achar em uma situação normal, mas com um quadro de desidratação as coisas ficaram ainda mais
complicadas e mesmo Ben, com as mãos tão firmes, precisou de algumas tentativas para conseguir aplicar o IV,
finalmente achando uma veia no pé da criança. – Consegui. – Ele colheu algumas amostras de sangue, e segurou o tubo
do IV firmemente para que Celeste pudesse conectá-lo com a bolsa e então colocar as ataduras, imobilizando
cuidadosamente o pezinho, enquanto a mãe observava de perto. Enquanto Ben liberava os fluidos do IV que ele queria
que o bebê recebesse, ele olhou para Celeste e fez uma observação adicional: – Você poderia colocar a máscara, por
favor? – Ela não tinha visto Ben pôr máscara, e ele não havia pedido a Meg que colocasse uma. Celeste rangeu os
dentes, mas fez o que ele havia mandado. Aquilo estava se tornando um padrão familiar; durante as duas semanas em
que eles estavam trabalhando juntos, Ben andava, na falta de uma palavra melhor, irritante! Ela já estava sendo
superprotegida pelos colegas, e já se sentia desconfortável o suficiente com aquilo, mas Ben parecia estar em uma
missão para assegurar que ela cuidasse apenas dos pacientes mais seguros, mais calmos, com os quadros menos
contagiosos, e quando ele não estava sugerindo que ela colocasse a máscara, pedia que lavasse as mãos! Como se ela
precisasse ser lembrada disso! Ainda assim, como Ben estava agora conversando com a mãe, não era hora nem lugar
para discussões; ela teria que deixar aquela conversa para mais tarde. – Ele tem nove meses. – Ben estava checando as
informações com a mãe ansiosa, enquanto Celeste suava por detrás da máscara. – Está correto? – Somente nove meses
– disse a mãe. – Eu sei que ele parece ser mais velho. – Há quanto tempo ele está doente? – perguntou Ben. – Ele
começou a vomitar ontem, três vezes, talvez quatro. – E hoje de manhã? – Ele disparava perguntas, enquanto
continuava a examinar o bebê e pedia uma dose extra de fluidos para ele. Celeste já o havia colocado no balão de
oxigênio, e os pediatras estavam a caminho, mas Ben estava examinando o abdômen do menino cuidadosamente,
preocupado e pensando se eles não estavam precisando mesmo era dos cirurgiões. – De que cor era o vômito? – Verde.
– Certo... – Ele verificou a fralda do bebê e, ainda não satisfeito com o exame do abdômen, pediu a Meg que avisasse a
equipe cirúrgica. Depois de falar rapidamente com a mãe, ele telefonou para o setor de imagens para solicitar um
ultrassom urgente. – Eu acho que é um íleo – disse Ben, esperando ao telefone no posto das enfermeiras, enquanto
Celeste lavava cuidadosamente as mãos na pequena pia, e mesmo assim, de forma incrivelmente irritante, ele
empurrou a garrafa de álcool na direção dela, quando ela foi enxugar as mãos. – E esse diagnóstico significa que eu
posso entrar lá sem máscara, agora? – Celeste perguntou, e então franziu a testa. – Ou será que isso virou uma doença
transmitida pelo ar, de repente? – Ela observou a mandíbula dele tensionando. – Você só precisa ter cuidado – Ben
observou. – Nessa idade, ele pode ter sarampo, catapora, caxumba... Aqui. – Ele empurrou a garrafa de álcool na
direção dela novamente, enquanto ela se sentava no banquinho para fazer suas anotações, mas ela a ignorou. – Você
deveria usar isto – ele insistiu. – Por quê? – Celeste desafiou. – Porque nós ainda não sabemos o que há de errado com
o bebê, e porque você deveria... – Ben. – Ela fez um clique com a caneta, colocando-a na mesa. – Embora eu agradeça
sua preocupação, eu realmente não preciso que você cuide de mim. – Eu não estou cuidando de você... Eu só estou... –
Deixando-me paranoica! – disse Celeste. – Ben, eu posso derrotar você nesse joguinho de paranoia sobre gravidez
qualquer dia! Ele duvidava, mas segurou a língua. – Eu só estou me certificando de que você tome as precauções
devidas – ele disse. – Eu já falei com o meu obstetra, com a enfermeira especializada em doenças infecciosas, com Meg,
e estou tomando as precauções que todo mundo toma. Estou sendo o mais prudente e cuidadosa possível, mas lidar
com pessoas doentes faz parte do trabalho de enfermeira – ela disse calmamente. – Eu não vejo qual é o problema em
tomar algumas precauções a mais – ele resmungou. – Eu não posso andar por aí em uma roupa de astronauta – disse
Celeste –, e nem as enfermeiras nas alas de pediatria ou oncologia, nem as operadoras de raio-X que não sabem se
estão grávidas, mas podem estar... – Ela podia ver as linhas na testa dele diminuindo, enquanto a enfermeirachefe
falava de forma ríspida com a funcionária responsável pelos registros. – E tudo o que podemos fazer é sermos sensatas,
todo o tempo, não apenas quando estamos visivelmente grávidas, então, obrigada pela sua preocupação; e não, eu não
vou usar isto... – ela empurrou a garrafa de álcool de volta para ele –, porque acontece que eu sou alérgica. – Tudo bem!
– Ben estourou, mais irritado consigo mesmo do que com ela. Se o médico dela estava contente em deixá-la trabalhar, e
o hospital ainda a estava empregando, se Celeste queria continuar trabalhando, bem, não era da conta dele. Então, por
que ele estava tão preocupado com ela? Aquilo o incomodou o dia inteiro e, mais tarde, durante a noite, quando,
confuso, ele foi ao supermercado e, parado com a cestinha na mão, decidiu comprar filé orgânico porque era melhor
para o bebê; o que, mais uma vez, não era algo com que ele devesse se importar. De qualquer modo, ele colocou o
produto na cestinha e ainda incluiu uma caixa de suco de laranja enriquecido com ferro. Ele sabia que estava
exagerando, e tinha todos os motivos para isso. Dentro de poucos dias, seria o aniversário da morte de Jen, e não era de
se espantar que ele estivesse chateado. Mas resolveu fazer o que sempre fazia, e escolheu não pensar no assunto. Uma
rotina muito tênue havia se estabelecido; não todos os dias, nem dia sim, dia não, mas de vez em quando. Ele ia até o
apartamento dela, perguntava se ela queria jantar, ou ouvia quando ela vinha regar os girassóis à sua porta e colocava a
cabeça para fora para perguntar se ela queria ver um filme, ou algo assim. Era uma boa companhia, só isso. E ela estava
muuuuuito contente. Contente de não ter que se esforçar para ser inteligente demais, e simpática demais, como ela
fazia quando estava no trabalho; era tão bom poder conversar e reclamar à vontade, ou sentar-se com os pés para cima,
apoiados na mesinha de centro dele, e assistir a um filme. E nunca, nem uma vez sequer, ele lhe passou um sermão,
nem questionou a decisão dela de continuar trabalhando. Até o final da trigésima terceira semana, até aquela noite
quando, satisfeita depois de jantar filé orgânico e salada com suco de laranja enriquecido com ferro, ela se levantou do
sofá e Ben olhou para o relógio. – São só oito e meia. – Eu estou querendo deitar cedo hoje. – Você está de folga
amanhã. – Ben franziu a testa, acompanhando-a com relutância até a porta. Durante as noites seguintes, a última coisa
que ele queria era a própria companhia. – Você tem certeza de que está bem? – Eu tenho uma consulta com o médico
amanhã. Eu quero… – Certifique-se de descansar bastante, para poder enganá-lo – disse Ben, e então interrompeu-se,
os músculos de sua mandíbula tensionando, porque o que ela fazia ou deixava de fazer não era nada da conta dele. – Eu
preciso trabalhar mais algumas semanas – disse Celeste, e Ben não comentou nada. Ele simplesmente forçou um sorriso
e abriu a porta, dizendo a si mesmo que ela não precisava de um sermão, só de um amigo, mas estava ficando cada vez
mais difícil para ele segurar a língua. Então, ela desabou a chorar. Celeste, que estava sempre sorrindo, sempre
gargalhando, que sempre tinha uma resposta pronta em qualquer situação, rendeu-se. – Eu não aguento mais! Tudo o
que ele sentiu foi alívio, alívio por ela haver finalmente percebido, porque ela não iria continuar com aquilo; e ele a
tomou nos braços e deixou-a soluçar. – Então pare – ele disse gentilmente. – Eu não tenho condições para isso – ela
argumentou, mas apenas consigo mesma. – Mas eu não consigo nem pensar em voltar lá de novo... – Eu sei. – Estou tão
cansada. – Eu sei. – E estou com medo dos germes, também. – Vamos. – Ele a levou de volta para o sofá, foi buscar um
pouco de água gelada no refrigerador, e conversou gentilmente com ela, como se fosse uma paciente, explorando as
opções dela. Ela estava com tudo em ordem, inclusive algumas economias, mas elas dariam apenas para cobrir o
aluguel. Haveria um pouco mais de dinheiro depois que o bebê nascesse, mas sem dúvida, as coisas estavam
incrivelmente difíceis para ela, financeiramente.