meus vizinhos – ela retrucou.
Eles estavam lá, na frente da fileira de unidades de um dormitório que era um tanto de
feiura num cenário tão encantador. Sem dúvida, um dia uma incorporadora jogaria tudo no chão e construiria um
prédio luxuoso ou um hotel, mas agora elas eram apenas umas fileiras de unidades velhas e bastante degradadas, que
ofereciam aluguel barato e acesso à praia, e estavam cheias de mochileiros procurando um canto por algumas semanas
e o eventual inquilino comum, o que era obviamente o caso de Celeste. Ao chegarem à unidade dela, ficou claro que ela
se destacava das outras, a pequena faixa de grama na frente havia sido aparada e havia vasos de girassóis na pequena
entrada. Ficava claro que aquilo era um lar. – Obrigada novamente pelo seu interesse. – Ela deu um grande sorriso. – E
se você precisar de uma xícara de açúcar... Ele riu. – Eu saberei aonde vir. – Eu ia dizer que você terá que bater na porta
ao lado. O médico acabou de me colocar numa dieta. Ele riu novamente e acenou um adeus. Dirigindo-se para a sua
unidade, entrou, ligou a cafeteira elétrica e observou em torno de si o interior sombrio antes de dirigir-se para o
chuveiro fraco, imaginando se ele jorraria água quente ou fria essa manhã. Ele esperava que o apartamento dela fosse
melhor que o dele. Era um pensamento estranho para aparecer de repente em sua cabeça, mas ele só esperava que
fosse melhor, isso era tudo. Com certeza, do lado de fora ele era extremamente bem cuidado. Talvez o marido dela o
tivesse pintado. E ele tinha esperanças de que a mobília dela fosse mais bonita do que a fornecida pelo senhorio. Ainda
assim, isso não compensaria o barulho... Saindo do chuveiro, ele podia ouvir seus vizinhos brigando novamente, e para
Ben, quanto mais cedo fosse o leilão, melhor. Ele fez um pouco de café e sorriu novamente enquanto colocava colheres
de açúcar nele. Ela não precisava fazer dieta, ela era curvilínea, sim, mas estava grávida. Ele pensou naquele traseiro
arredondado adorável, requebrando pela praia na frente dele, e apenas a imagem dela, tão clara em sua memória,
deixou-o sobressaltado, então, ele imediatamente voltou sua mente para pensamentos mais práticos. A taxa glicêmica
dela estava provavelmente alta. Ela deveria estar no sétimo mês de gravidez, ou quase isso... Ele forçou-se a empurrá-la
para fora de sua cabeça, e não iria permitir-se outro pensamento com ela, mas mesmo assim, sentiu-se desconfortável
quando, dirigindo pela escorregadia entrada de sua garagem, viu Celeste regando seus girassóis e acenando para ele.
Ele acenou de volta, um tanto relutante. Ben não gostava de acenar para os vizinhos ou, apesar de sua brincadeira,
aparecer para pedir açúcar, ou procurando bater papo. Se ela não parecesse precisar de ajuda na praia, ele teria
continuado direto na caminhada, fechado. Era exatamente como ele gostava que as coisas fossem. Uau! À medida que
ele dirigia passando por ela, Celeste podia sentir seu rosto ficar vermelho mesmo enquanto ela, ah, acenava tão
despreocupadamente. Ele. Era. Lindo! Lindo! Bem acima de 1,80m com ombros largos, as pernas dele eram grossas e
sólidas como as de um jogador de rúgbi, e aquele cabelo castanho e um tanto longo caindo pesado sobre seus olhos
enquanto ele a encarava na praia, já a fazia querer acariciá-los. E quanto àqueles olhos verdes... Por que diabos não
havia médicos como aquele onde ela trabalhava? Então, ela parou de sentir-se com 24 anos e solteira e se lembrou que
havia jurado manter homens afastados pela próxima década, no mínimo. E também, em algumas semanas ela iria ser
mãe. Engraçado, por um momento ela havia esquecido. Conversando com Ben, batendo papo enquanto caminhavam,
por um momento ela havia esquecido que estava grávida, e tinha apenas se sentindo como, bem, como uma mulher
normal! O que ela era, claro, não havia nada mais feminino ou normal do que uma gravidez. Mas naquela manhã ela
havia fantasiado e corado, e dito todas as coisas erradas na frente de um homem muito sexy. Celeste tinha suposto,
embora ela não tivesse lido ou alguém tivesse dito isso, que o “botão fantasia” ficava desligado durante a gravidez, que
se entrava num estado de reclusão hormonal no qual os homens não eram atraentes, e você não flertava ou mesmo
olhava duas vezes. E por seis meses havia sido daquele jeito... E ficaria daquele jeito, Celeste disse a si mesma com
firmeza. Não que ela devesse se preocupar. Um chute vigoroso de seu bebê a lembrou que naquele assunto ela não
tinha escolha, dificilmente ela era candidata a qualquer tipo de romance. CAPÍTULO 2 – CELESTE, o que você está
fazendo aqui? – Meg, a enfermeira-chefe, desaprovou com a cabeça enquanto Celeste lhe entregava o atestado médico
que lhe permitia voltar ao trabalho, se juntava à turma de enfermeiras que iria tomar parte no plantão daquele dia e
estava ali para receber suas tarefas. – Estou bem para trabalhar, ontem tive outra consulta com meu obstetra – Celeste
explicou. Meg verificou o atestado e, mesmo depois de ler que estava tudo bem e que Celeste podia trabalhar, não
tinha muita certeza. – Você estava exausta quando a mandei para casa na semana passada, Celeste. Fiquei muito
preocupada com você. – Estou bem agora, depois da licença de saúde e de ter descansado tanto. Quando Meg não
pareceu convencida, Celeste abriu o jogo: – Meu teste de tolerância à glicose veio um pouco alto, era esse o problema
comigo, mas faz dez dias que comecei uma dieta, e além disso, venho descansando, fazendo ioga e caminhando pela
praia. Eu me sinto fantástica... e algumas pessoas trabalham direto até as últimas semanas de gravidez! – Não na
Emergência – disse Meg –, e você certamente não irá tão longe. Com quantas semanas você está? – Trinta – disse
Celeste. – E o médico disse que estou ótima. Meg não pôde mais discutir depois dessa declaração e, de qualquer forma,
aquele não era o lugar ideal para esse tipo de conversa. Então, ela mostrou o quadro de avisos paras as enfermeiras,
explicando o histórico dos pacientes dispersos pelas diferentes salas que compunham a Emergência. – Quando a sala de
observação abrir, Celeste pode ficar lá... – Eu não preciso ficar plantada em um lugar só – disse Celeste, culpada por
estar recebendo a tarefa mais leve do plantão, mas Meg a encarou. – Eu não tenho pessoal suficiente para passar todo
meu tempo poupando você por conta de sua gravidez, Celeste. Se seu médico diz que você está bem para trabalhar, e
você concorda, tenho que aceitar. Estou apenas distribuindo as tarefas aqui.