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O V Consenso Brasileiro sobre Helicobacter pylori, apresentado na XXIV Semana Brasileira do Aparelho Digestivo, atualiza as diretrizes terapêuticas devido à resistência crescente à claritromicina. As novas recomendações incluem a adição de bismuto, maior inibição ácida e aumento da dose de amoxicilina nas terapias. O consenso também destaca a importância de testes de sensibilidade e o papel potencial dos probióticos no tratamento.
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O V Consenso Brasileiro sobre Helicobacter pylori, apresentado na XXIV Semana Brasileira do Aparelho Digestivo, atualiza as diretrizes terapêuticas devido à resistência crescente à claritromicina. As novas recomendações incluem a adição de bismuto, maior inibição ácida e aumento da dose de amoxicilina nas terapias. O consenso também destaca a importância de testes de sensibilidade e o papel potencial dos probióticos no tratamento.
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V Consenso Brasileiro sobre

Helicobacter pylori: O que há


de novo?
Diante do avanço contínuo da resistência à claritromicina,
torna-se imprescindível atualizar as recomendações
terapêuticas para Helicobacter pylori. Na XXIV Semana
Brasileira do Aparelho Digestivo (SBAD), realizada de 13 a 15
de novembro de 2025 em São Paulo, o Núcleo Brasileiro para
Estudo do H. pylori e Microbiota apresentou as diretrizes do
novo consenso brasileiro, cuja publicação oficial está
prevista para o primeiro semestre de 2026.

Como superar a resistência aos


antibióticos?
O V Consenso Brasileiro irá focar em três pilares para
otimizar a eficácia terapêutica:

1. Adição de bismuto: Auxilia a superar resistência a


claritromicina, levofloxacino e metronidazol.
2. M a i o r i n i b i ç ã o á c i d a : U s o d e b l o q u e a d o r á c i d o
competitivo de canal de potássio (PCAB) ou aumento da
dose e frequência de IBP.
3. Maior dose de amoxicilina: Estratégia já discutida em
outro post do Gastropedia (Terapia dupla com altas doses
de amoxicilina: faz sentido utilizar para erradicação de
Helicobacter pylori?)

1ª linha de tratamento para H.


pylori
1. E s q u e m a q u á d r u p l o c o m b i s m u t o , m e t r o n i d a z o l e
tetraciclina com IBP ou PCAB (quando disponível) por 10
a 14 dias
2. Terapia tríplice de claritromicina e amoxicilina por 14
dias, otimizada com associação ao bismuto e/ou
substituição do IBP pelo PCAB (quando disponível) duas
vezes por dia
3. Na indisponibilidade do bismuto, pode ser empregada a
terapia dupla com amoxicilina 3-4 g/dia, em 3 ou 4
tomadas ao dia associada ao IBP (em dose alta, 3 a 4
vezes ao dia), ou preferencialmente ao PCAB (Vonoprazan
20 mg duas vezes ao dia) quando disponível, por 14 dias
4. A terapia concomitante com IBP ou PCAB (quando
disponível) por 14 dias pode ser uma opção.

2ª linha de tratamento
Regra de ouro: não repetir o esquema usado em 1ª linha. Estão
indicados:

1. E s q u e m a q u á d r u p l o c o m b i s m u t o , m e t r o n i d a z o l e
tetraciclina com IBP ou PCAB (quando disponível) por 10
a 14 dias
2. Esquema amoxicilina-levofloxacino-bismuto associado a
IBP ou PCAB (quando disponível) por 14 dias
3. Na indisponibilidade do bismuto, pode ser empregada a
terapia dupla com amoxicilina 3-4 g/dia, em 3 ou 4
tomadas ao dia associada ao IBP (em dose alta, 3 a 4
vezes ao dia), ou preferencialmente ao PCAB (Vonoprazan
20 mg duas vezes ao dia) quando disponível, por 14 dias
Terapias de resgate
Mais uma vez: não repetir esquemas previamente utilizados.
Estão indicados:

1. E s q u e m a q u á d r u p l o c o m b i s m u t o , m e t r o n i d a z o l e
tetraciclina com IBP ou PCAB (quando disponível) por 10
a 14 dias
2. Terapia tripla com rifabutina e amoxicilina, associada a
IBP ou PCAB (quando disponível) por 14 dias,
especialmente quando a terapia quádrupla com bismuto não
estiver disponível ou se já foi utilizada.
3. Na ausência de bismuto e rifabutina, a terapia dupla com
amoxicilina 3-4 g/dia, em 3 ou 4 tomadas ao dia
associada ao IBP (em dose alta, 3 a 4 vezes ao dia), ou
preferencialmente ao PCAB (Vonoprazan 20 mg duas vezes
ao dia) quando disponível, por 14 dias

Alergia a penicilina
1ª linha

1. E s q u e m a q u á d r u p l o c o m b i s m u t o , m e t r o n i d a z o l e
tetraciclina com IBP ou PCAB (quando disponível) por 10
a 14 dias
2. T e r a p i a d u p l a c o m t e t r a c i c l i n a e P C A B , q u a n d o
disponível, por 14 dias

2ª linha: Pode ser utilizada uma das opções anteriores não


empregadas, além e terapia tríplice com quinolona e
claritromicina por 14 dias.
Quando recomendar testes de
sensibilidade antibiótica na
prática clínica?
A terapia tríplice de IBP-Amoxicilina-Claritromicina e
IBP-Amoxicilina-Levofloxacino idealmente devem ser
empregadas após testes de sensibilidade, quando
disponíveis
Após três falhas terapêuticas, os testes de
sensibilidade deveriam ser empregados, quando
disponíveis.

Qual é o papel dos probióticos?


Algumas cepas probióticas específicas podem exercer efeito
adjuvante no tratamento de H. pylori, contribuindo tanto
para aumentar as taxas de erradicação quanto para reduzir os
efeitos colaterais associados ao uso de antibióticos.

No entanto, ainda são necessários estudos adicionais para


definir com precisão quais cepas, quais doses, em que
momento e por quanto tempo a suplementação deve ser realizada
para otimizar esses benefícios

Considerações finais
Em síntese, o novo consenso brasileiro representa um avanço
importante e aproxima o país das recomendações internacionais
mais recentes para o manejo do H. pylori. O documento reforça
o papel da associação de bismuto (ainda dependente
das farmácias de manipulação no Brasil, o que restringe sua
ampla adoção) e também valoriza o uso, quando disponível,
dos PCABs (embora o seu custo ainda limite a aplicação em
alguns cenários).
Referência
1. COELHO, LGZ. V Consenso Brasileiro sobre a infecção por
H. pylori. Apresentado em: XXIV Semana Brasileira do
Aparelho Digestivo (SBAD); 2025; São Paulo, Brasil.

Como citar este artigo


Lages RB. V Consenso Brasileiro sobre Helicobacter pylori: O
que há de novo? Gastropedia 2025, Vol II. Disponível em:
[Link]
eiro-sobre-helicobacter-pylori-o-que-ha-de-novo/

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