INTERNATO – 2025.
Estudo Dirigido: Vigilância em Saúde na Prática Médica e o Papel do Médico nos
Sistemas de Informação em Saúde
Este estudo dirigido é destinado a 6 duplas e 1 trio de acadêmicos de medicina, com o
objetivo de explorar a integração da vigilância em saúde na prática médica cotidiana,
enfatizando o papel do médico no uso de sistemas de informação como o SINAN (Sistema
de Informação de Agravos de Notificação), SIM (Sistema de Informação sobre
Mortalidade), SI-PNI (Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações),
e outros ferramentas digitais do SUS (Sistema Único de Saúde) no Brasil. Cada dupla
receberá um caso clínico diferente e complexo para análise, discussão e apresentação.
Orientações Gerais para as Duplas:
Analisem o caso considerando aspectos epidemiológicos, éticos, legais e
operacionais.
Utilizem referências como a Portaria GM/MS nº 6.734/2025 (lista de agravos
de notificação compulsória) e diretrizes da OMS/OPAS.
Preparem uma apresentação de 10-15 minutos (SLIDES), incluindo
respostas às 3 perguntas orientadoras.
Discutam como os sistemas de informação facilitam a detecção precoce, o
controle de surtos e a tomada de decisões baseada em evidências.
APRESENTAÇÃO em 25.11.2025
A seguir, os 7 casos clínicos, cada um atribuído a uma dupla e um trio (Dupla 1 a Dupla
7).
Caso 1: Surto de Dengue em Área Urbana (Dupla 1 – BRUNA E RAISA)
Uma médica de família atende uma paciente de 35 anos com febre alta, dor retro-orbital
e rash cutâneo em um bairro periférico de São Paulo. Exames confirmam dengue sorotipo
2. Nos dias seguintes, mais 5 casos semelhantes surgem na mesma unidade básica de
saúde (UBS), incluindo uma gestante com complicações hemorrágicas. A região tem
histórico de infestação pelo Aedes aegypti, mas os dados de vigilância local estão
desatualizados devido a falhas no registro eletrônico. A médica deve notificar os casos e
coordenar com a vigilância municipal, mas enfrenta resistência comunitária por medo de
estigmatização.
Perguntas Orientadoras:
1. Como a vigilância epidemiológica pode ser aplicada para mapear e controlar o
surto, considerando o papel do médico na integração de dados clínicos com
indicadores ambientais?
2. Qual é o papel do médico no uso do SINAN para notificação compulsória e
análise de tendências, e como isso impacta a resposta intersetorial?
3. Quais desafios éticos e operacionais surgem ao lidar com sistemas de
informação incompletos, e como propor soluções para melhorar a adesão
comunitária?
Caso 2: Tuberculose Multirresistente em População Vulnerável (Dupla 2 – ANA
MARIA E LUCAS)
Um médico infectologista em um hospital público do Rio de Janeiro diagnostica
tuberculose pulmonar multirresistente (TB-MDR) em um homem de 42 anos, morador de
rua e usuário de drogas. O paciente tem contatos próximos em abrigos sociais, e o
rastreamento revela falhas no tratamento anterior devido a perda de seguimento. O caso
exige notificação imediata e investigação de contatos, mas o sistema de informação
hospitalar não está integrado ao SINAN, levando a atrasos na atualização de dados
epidemiológicos regionais.
Perguntas Orientadoras:
1. De que forma a vigilância em saúde contribui para o rastreamento de contatos e
prevenção de transmissão em populações vulneráveis como esta?
2. Como o médico deve utilizar sistemas como o SINAN e o SITE-TB para
registrar e monitorar casos de TB-MDR, garantindo a continuidade do cuidado?
3. Quais são os impactos de barreiras como a falta de integração entre sistemas de
informação, e como o médico pode advocar por melhorias em políticas públicas?
Caso 3: Reação Adversa Grave a Vacina em Campanha de Imunização (Dupla 3 –
EMILE E CAROL)
Durante uma campanha de vacinação contra sarampo em uma escola de Brasília, uma
criança de 8 anos desenvolve anafilaxia minutos após receber a dose. A pediatra
responsável notifica o evento via SI-PNI, mas descobre que há relatos semelhantes em
outras unidades, sugerindo um lote problemático. O caso envolve coordenação com a
Anvisa e vigilância nacional, complicada por desinformação nas redes sociais que afeta
a adesão à campanha.
Perguntas Orientadoras:
1. Como a vigilância de eventos adversos pós-vacinação (AEFI) integra-se à
prática médica para garantir a segurança imunológica populacional?
2. Qual o papel do médico na inserção de dados no SI-PNI e na análise de padrões
para detecção de riscos associados a lotes de vacinas?
3. Quais estratégias o médico pode adotar para superar desafios como fake news,
utilizando sistemas de informação para comunicação eficaz com a comunidade?
Caso 4: Doença Ocupacional em Trabalhadores de Indústria Química (Dupla 4 –
IARA E ENZO)
Um médico do trabalho em uma fábrica de produtos químicos em Belo Horizonte atende
um operário de 50 anos com pneumoconiose por exposição crônica a sílica. Investigação
revela que outros 10 trabalhadores apresentam sintomas semelhantes, mas os registros de
saúde ocupacional não foram notificados ao CEREST (Centro de Referência em Saúde
do Trabalhador) via SINAN. O caso envolve conflito com a empresa, que minimiza os
riscos para evitar sanções.
Perguntas Orientadoras:
1. De que maneira a vigilância em saúde do trabalhador pode ser aplicada para
identificar e mitigar riscos ocupacionais em ambientes industriais?
2. Como o médico deve interagir com sistemas como o SINAN e o SIAB (Sistema
de Informação da Atenção Básica) para notificar agravos relacionados ao
trabalho?
3. Quais dilemas éticos enfrentados pelo médico em casos de conflito de interesses,
e como os sistemas de informação podem apoiar denúncias e ações preventivas?
Caso 5: Surto de Intoxicação Alimentar em Evento Coletivo (Dupla 5 – ANA
VITÓRIA E DANIELA)
Em um festival gastronômico em Recife, uma médica de emergência atende múltiplos
casos de diarreia aguda, vômitos e febre, afetando cerca de 50 participantes. Análises
laboratoriais confirmam Salmonella em amostras de alimentos. A notificação ao SINAN
é urgente para rastrear a fonte, mas a complexidade surge da mobilidade dos participantes
(de vários estados) e da falta de integração entre sistemas estaduais de vigilância sanitária.
Perguntas Orientadoras:
1. Como a vigilância sanitária e epidemiológica colabora na investigação de surtos
alimentares para prevenir disseminação interestadual?
2. Qual é o papel do médico na utilização do SINAN para notificação em bloco e
integração com dados de laboratórios e vigilância ambiental?
3. Quais desafios logísticos em eventos coletivos podem ser mitigados por meio de
sistemas de informação, e como propor protocolos de resposta rápida?
Caso 6: Diagnóstico de HIV e Notificação de Parceiros (Dupla 6 – PABLO, CAIO
E TAINÁ)
Uma infectologista em uma clínica de DST/AIDS em Porto Alegre diagnostica HIV em
uma mulher de 28 anos, grávida, com CD4 baixo. A paciente relata múltiplos parceiros,
incluindo um em outra cidade. A notificação ao SINAN é obrigatória, mas envolve
questões de confidencialidade ao rastrear parceiros, complicadas por estigma social e
barreiras no acesso a dados intermunicipais.
Perguntas Orientadoras:
1. De que forma a vigilância em saúde sexual integra-se à prática médica para
controle de epidemias como o HIV, incluindo prevenção vertical?
2. Como o médico deve manejar o SINAN e o SICLOM (Sistema de Controle
Logístico de Medicamentos) para notificação e monitoramento de contatos?
3. Quais aspectos éticos e legais surgem na notificação de parceiros, e como os
sistemas de informação podem equilibrar privacidade e saúde pública?
Caso 7: Surto de Doença Emergente em Contexto de Migração (Dupla 7 – EDEN E
OTÁVIO)
Um médico de fronteira em Manaus atende refugiados venezuelanos com sintomas de
uma variante de COVID-19, incluindo fadiga extrema e complicações neurológicas. O
surto afeta uma comunidade indígena próxima, exigindo notificação imediata ao CIEVS
(Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde). A complexidade aumenta
com a migração transfronteiriça e a integração precária de sistemas de informação
internacionais.
Perguntas Orientadoras:
1. Como a vigilância em saúde global se aplica a surtos emergentes em contextos
de migração, protegendo populações vulneráveis como indígenas?
2. Qual o papel do médico no uso do CIEVS e do SINAN para alerta precoce e
coordenação com redes internacionais como a OMS?
3. Quais barreiras transfronteiriças nos sistemas de informação podem ser
superadas, e como o médico contribui para políticas de equidade em saúde?