Aluno: João Vitor Gibim Rezende
Curso: Medicina
Turma: 1
Professor: Mariana Maciel
Eixo: TICS
Data de entrega: 02/10/2025
A Instrução Sistemática em Consciência Fonêmica e Fonética como Estratégia
para Dificuldades de Leitura:
A recomendação para a instrução sistemática em consciência fonêmica e fonética para
crianças com dificuldades ou deficiências de leitura é uma diretriz de alta evidência
(Grau 1A), sublinhando a importância de intervenções direcionadas para o
desenvolvimento da alfabetização. Essa abordagem se fundamenta na premissa de que a
capacidade de processar os sons da fala é um pré-requisito essencial para a aquisição da
leitura e da escrita. A estratégia consiste em um ensino explícito e estruturado das
habilidades que compõem a consciência fonológica, um construto amplo que envolve a
capacidade de refletir e manipular as estruturas sonoras da linguagem oral, desde
unidades maiores como sílabas e rimas até as menores, os fonemas (SEABRA; DIAS;
MONTIEL‐COMPANY, 2007).
A consciência fonêmica, especificamente, refere-se à habilidade de reconhecer e
manipular os fonemas individuais, enquanto a fonética (ou o princípio fônico)
estabelece a relação entre esses sons e as letras (grafemas) que os representam. O
desenvolvimento desses componentes não ocorre de forma espontânea para todas as
crianças, sendo crucial para o sucesso acadêmico, conforme demonstrado pela
correlação positiva entre o desempenho em tarefas de consciência fonológica e as notas
escolares no ensino fundamental (PAULA; MOTA; KESKE-SOARES, 2005). Portanto,
a instrução sistemática visa preencher lacunas nesse desenvolvimento por meio de um
plano pedagógico que progride de habilidades mais simples para as mais complexas.
A implementação dessa estratégia se dá por meio de atividades planejadas e sequenciais,
que devem ser frequentes para maximizar o aprendizado. A prática com jogos
fonológicos, exercícios de rimas e aliterações, e tarefas que envolvem a segmentação de
palavras em sílabas e, posteriormente, em fonemas individuais, são altamente eficazes
(SANTOS; BARBY; VESTENA, 2022). O objetivo é levar a criança a perceber que as
palavras faladas são compostas por unidades sonoras discretas. Um programa de ensino
estruturado deve incluir tanto a instrução direta sobre os sons das letras quanto
exercícios práticos de manipulação sonora, independentemente do método de
alfabetização (fônico ou silábico) adotado pela escola, visto que a consciência
fonológica influencia positivamente o processo em ambos os contextos (MEDEIROS;
OLIVEIRA, 2008).
A intervenção se mostra particularmente eficaz quando adquire um caráter terapêutico,
sendo uma ferramenta valiosa no processo de alfabetização de crianças que apresentam
dificuldades (PAULA; MOTA; KESKE‐SOARES, 2005). Estudos demonstram que a
terapia fonoaudiológica focada na consciência fonológica resulta em melhorias
significativas no desempenho da escrita sob ditado, mesmo em crianças com desvios
fonológicos, evidenciando o impacto direto dessa habilidade na codificação ortográfica
(MOTA; FILHA; LASCH, 2007). A relação entre a consciência fonológica e os níveis
de escrita é tão robusta que a proficiência em manipular os sons da fala está diretamente
associada a uma escrita mais avançada e com menos erros (ETTORE et al., 2008).
Além das abordagens tradicionais, a inclusão de atividades lúdicas e criativas pode
amplificar os resultados. A musicalização, por exemplo, demonstrou ser uma ferramenta
poderosa para o aprimoramento da consciência fonológica em crianças escolares. A
exploração de ritmo, melodia e rimas em canções facilita a percepção e a segmentação
de sons, tornando a aprendizagem mais engajadora e acessível (LUCENA; CORRÊA;
LUCHESI, 2023). Essa abordagem multidisciplinar reforça a ideia de que a estimulação
fonológica pode ser integrada a diversas práticas pedagógicas, potencializando o
desenvolvimento das habilidades precursoras da leitura e da escrita em crianças com
dificuldades de aprendizagem.
Referências:
ETTORE, B.; MANGUEIRA, A.; DIAS, B.; TEIXEIRA, J.; NEMR, K. Relação entre
consciência fonológica e os níveis de escrita de escolares da 1ª série do ensino
fundamental de escola pública do município de porto real - rj. Revista Cefac, v. 10, n.
2, p. 149-157, 2008. [Link]
LUCENA, D.; CORRÊA, C.; LUCHESI, M. Consciência fonológica de crianças
escolares após treino musical. Revista Neurociências, v. 31, p. 1-21, 2023.
[Link]
MEDEIROS, T.; OLIVEIRA, E. A influência da consciência fonológica em crianças
alfabetizadas pelos métodos fônico e silábico. Revista Cefac, v. 10, n. 1, p. 45-50,
2008. [Link]
MOTA, H. B.; FILHA, M. C. A. P.; LASCH, S. S. A consciência fonológica e o
desempenho na escrita sob ditado de crianças com desvio fonológico após realização de
terapia fonoaudiológica. Revista Cefac, v. 9, n. 4, p. 477-482, 2007.
[Link]
PAULA, G. R.; MOTA, H. B.; KESKE-SOARES, M. A terapia em consciência
fonológica no processo de alfabetização. Pró-Fono Revista De Atualização Científica,
v. 17, n. 2, p. 175-184, 2005. [Link]
SANTOS, J. M.; BARBY, A. O. M.; VESTENA, C. L. B. Consciência fonológica no
ensino da leitura a estudantes com dificuldade de aprendizagem nos anos iniciais.
Revista Psicopedagogia, v. 39, n. 118, 2022. [Link]
4057.20220002
SEABRA, A. G.; DIAS, N. M.; MONTIEL-COMPANY, J. M. Desenvolvimento dos
componentes da consciência fonológica no ensino fundamental e correlação com nota
escolar. Psico-Usf, v. 12, n. 1, p. 55-64, 2007. [Link]
82712007000100007