DPC II
I- Continuação da fase postulatória:
a) Audiência de conciliação e mediação (art. 334 CPC)
- Trata-se de ato voltado à obtenção da autocomposição das partes. Poderá ser
designada diante de direitos que admitam a negociação.
- A audiência do art. 334 do CPC é um direito das partes, as quais deverão se
manifestar pelo interesse ou não que ela ocorra.
- OBS: o autor manifestará o seu interesse na PI (art. 319, inciso VII do CPC). Já o
réu poderá manifestar o seu desinteresse em até 10 dias, antes da audiência (art. 334
§ 5º).
OBS2: Esta audiência não será realizada tão somente nas hipóteses do § 4ª do art.
334.
OBS3: O não comparecimento injustificado será punido com multa de até 2% sob o
valor da causa ou vantagem econômica, sendo considerado ato atentatório à
dignidade da justiça. Este valor é revertido ao Estado.
OBS4: Segundo o STJ, é inaplicável multa por ausência a esta audiência, se a parte
foi representada por advogado com poderes para transigir.
b) Respostas do réu:
- Processo dialético e contraditório > arts. 9 e 10 do CPC (trazem redação de decisão
surpresa)
- Frente ao pedido do autor, o réu poderá se manifestar das seguintes formas:
b.1) Contestação (arts. 335 à 342 do CPC)
- Trata-se da defesa por excelência, do réu no processo civil, por meio da qual ele
impugna as alegações apresentadas pelo autor na PI.
- A contestação é orientada pelos seguintes princípios:
Principio da eventualidade ou concentração:
- Significa que toda a matéria de defesa deve ser alegada pelo réu na oportunidade
da concentração, sob pena de preclusão (336 CPC)
OBS: Exceções > contudo, certas matérias poderão ser alegadas mesmo após a
contestação, conforme art. 342 CPC.
Princípio da impugnação específica:
- Previsto no art. 341 do CPC, representa a exigência de que o réu se defenda de
forma pormenorizada, rebatendo ponto a ponto da petição inicial. A desobediência a
este principio poderá acarretar a revelia quanto aos pedidos não impugnados.
- Exceções: art. 341 I e III.
- Não ocorrerá a presunção de veracidade dos fatos alegados na inicial se mesmo o
réu não impugnando especificamente tratar de: fatos que não admitam confissão; a
PI não estiver acompanhada de documento indispensável; os fatos estiverem em
contradição com a defesa, considerada em seu conjunto.
OBS: contestação por negativa geral.
As pessoas indicadas no parág. Único do art. 341, não precisa impugnar
especificamente em sua contestação podendo contestar de forma geral (“que os
fatos alegados não correspondem com a verdade”). Isso se aplica ao advogado
dativo, defensor público e curador especial (curador especial é um instituto do
processo civil previsto no art. 72 do CPC.
Classificação da defesa:
- Em sede de contestação, o réu poderá responder ao autor tanto no plano da relação
processual (preliminares), quanto no plano do direito material (questões de mérito).
- Estas defesas se desdobram em:
1º- Defesa processual > o réu poderá impugnar o conteúdo formal da ação. Tem por
objetivo a regularidade do processo e é sempre uma forma de defesa indireta.
Continuação Contestação:
- Há contestação a defesa processual se subclassifica em:
- Peremptório > são as que buscam a EXTINÇÃO do processo.
> Ex: inépcia da PI, litispendência, coisa julgada, perempção, etc.
- Dilatória > Não objetivam extinguir mas sim prolongar o tempo do processo.
Ex: alegar incompetência do órgão
- Incorreção do valor da causa; (PI)
- Art. 292 CPC > valores da causa da PI ou da reconexão.
- Conexão indevida da gratuidade de justiça.
- Representação incorreta do autor
- Art. 75 CPC> será representado em juízo ativa e passivamente (Municipio
representado por vereador)
OBS: Preliminares de contestação > (art. 337 CPC)
- Trata-se de tópico de contestação destinado a alegação de matérias processuaid.
São assim chamados porque sua analise antecede ao mérito. As matérias do art. 357
CPC, são revestidas de caráter prejudicial, uma vez que podem acarretar a extinção
do processo.
Art. 337 CPC> OBS: Inciso I > É uma defesa de regra dilatória.
Inciso II > Pode ser dilatório ou Peremptório.
Inciso III > Dilatório
Inciso IV > Será peremptório, salvo se o vicio for sanável.
Inciso V > Art. 486, parág. 3º) Perempção é a extinção do processo fundado no
abandono reiterado da causa pelo autor; Quando o auto de causa por 3x a esta
modalidade de extinção, será reconhecida à perempção e uma nova ação não poderá
ser proposta.
Art. 337 – Inciso VI > 1º ao 3º CPC
- Quando o réu comparece no processo para informar que ele não foi citado, supre
todos os problemas do processo.
- Perempção = Perempção é a perda do direito de ação devido à inércia ou
desinteresse da parte autora, que resulta no abandono do processo por três vezes
consecutivas. Isso significa que, após a perempção, a parte autora não pode mais
propor nova ação com o mesmo objeto e contra o mesmo réu.
Inciso VII> § 4º do art. 337 CPC
Inciso VIII > serão conexas as ações quando existir entre elas um vinculo na causa
de pedir ou pedido (art. 55 CPC)
Ex: Ação de alimentos e investigação de paternidade envolvendo as mesmas partes;
Ação de exoneração de alimentos e majoração de alimentos.
Inciso IX> Art. 70 à 76 CPC !!! Art.76 > incapacidade processual ou irregularidade
de representação !!!
A falta de autorização corresponde ao consentimento exigido às pessoas casadas
quando se tratar do ajuizamento de ação que verse sobre direito real imobiliário
(que tratem de imóveis, como por exemplo usucapião).
O consentimento a ser dado pela esposa é chamado de Outorga Uxória e o
fornecido pelo marido é a Outorga Marital. (O inciso IX dilatório ou
peremptório)
OBS: O consentimento entre cônjuges quando se tratar de regime de separação
absoluta de bens.
Inciso X> O réu poderá apontar a existência de cláusula que defina a arbitragem como
justiça competente;
Trata-se de defesa peremptória, uma vez que o processo instaurado no judiciário será
extinto e uma nova ação poderá ser movida perante a justiça arbitral.
Inciso XI> A legitimidade das partes e interesse processual são condições da ação, ou
seja, requisitos para que o direito de ação seja exercido.
OBS: Ilegitimidade do autor > Arts. 338 e 339 CPC
Inciso XII> Abrange a exigência da apresentação de garantia para o ajuizamento de
certas ações.
Ex: ação rescisória (art.968 II, do CPC).
XIII. Tanto réu quanto o autor podem impugnar a gratuidade concedida um ao outro.
Dilatória
OBS: A incompetência é relativa, a concessão indevida da gratuidade de justiça e a
impugnação ao valor da causa eram alegadas em peças autônomas, de forma apartada,
antes do CPC/15. Atualmente, todas devem ser alegadas em sede de contestação, como
preliminares ao mérito.
OBS: Além das matérias previstas no art. 337 CPC, o réu poderá alegar como matéria
processual clausula abusiva de eleição de foro (Art. 64 § 4º do CPC)
OBS: com exceção da incompetência relativa (de regra) e a convenção de arbitragem, o
juiz poderá reconhecer EX oficio das matérias do art. 337 do CPC. (§ 5º)
Defesa de mérito:
Corresponde aquela matéria relacionada à pretensão do autor, que diz respeito ao direito
material.
- Ao autor da ação compete provar o FATO CONSTITUTIVO DO SEU DIREITO, que
é o que ele pretende com aquela ação, o que gera o seu nascimento. Já o réu compete
provar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor.
- A defesa de mérito se divide em direta e indireta
Defesa de mérito direta: é aquela onde o réu nega a existência do fato ou suas
consequências jurídicas. Negar ser o causador do dano ou se opor ao valor pretendido
de indenização.
Defesa de mérito indireta: É aquela onde o réu, reconhecendo sua responsabilidade,
alega alguma matéria EXTINTIVA (prescrição e decadência;
remissão(perdão)/remição(pagamento); compensação)
Impeditivo (incapacidade do contratante, vícios do negócio, como erro, dado, caução);
(modificativo novação, cessão de crédito, parcelamento da decisão, caso fortuito, etc…)
Forma e prazo da contestação: 15 dias úteis O prazo será de 15 dias úteis, a contar nos
termos do art. 335 do CPC. OBS: possuem prazo em dobro a Fazenda Pública, MP,
Defensoria Pública e Litisconsortes com advogados diferentes, de escritórios diferentes
e desde que em autos físicos.
Reconvenção
Art. 343 do CPC
Trata-se de ação que o réu apresenta em face do autor nos mesmos autos e dentro de sua
contestação. É o contra-ataque do réu, onde ele formula pretensão a seu favor.
Para a doutrina, a reconvenção acarreta a ampliação objetiva ulterior do processo, uma
vez que esta passa a contar com duas ações em uma só: a ação originária e a ação
reconvencional. OBS: como a reconvenção traz uma pretensão própria, poderá ser
apresentada em ação autônoma. Mas se vier na contestação, deverá vir em Capitulo
específico. Reconvinte é o réu que apresenta a reconvenção e reconvindo é contra quem
se apresenta, que é o autor da ação originária. Terceiras pessoas podem ser incluídas na
reconvenção. OBS: são devidos honorários sucumbência tanto na ação principal quanto
na reconvenção (art. 85, §1 do CPC)