Night Secrets
Night Secrets
— Como uma pessoa aguenta viver assim ? — Bufei. "Se fosse eu, já teria
desistido de estudar."
Será que nem no almoço ele tem paz ? Nem pode sentar só. E... ah não, de novo
ela!
Se existe uma coisa que odeio, são manipuladores. E essa garota... fede. E fede
muito.
Me levantei da cadeira da biblioteca e me escorei na porta. Toda vez era a
mesma coisa. Yumi Takane quase se esfregava no idiota do meu irmão. Tocava o
braço dele, piscava, e sorria. Mas nem chegava até os olhos.
"Será que eu deveria cronometrar ?" Pensei, enquanto arranhava de leve a porta.
Foi quando apareceu uma outra garota. Pálida, cabelos negros e uma expressão
sorridente... sorridente demais...
Senti um vento.
Eles conversavam. Mas quanto mais ela falava, mais estranha ela parecia. Sorriso
cronometrado e curto. Olhava fixamente ao redor. Quase como um caçador.
Enquanto isso, a maluca de cabelo rosa fechou a cara. Mesmo ela sorrindo e
fingindo, dava pra ver nos olhos dela.
◆○◆
Ele se sentou. Enquanto eu polia uma bokken. Até que cortou o silêncio.
Ele piscou.
— Estava me espionando ?
— É o mínimo como seu irmão. Aliás, como você sobrevive com tanta gente na
sua cola ? — Falei, enquanto observava uma curvatura numa shinai.
— É normal.
— Pra você — Rebati.
— Você está estranho. — Bufei — Sempre fui. — O clima esfriou.
— Ok então. Faça o que quiser. — dei de ombros — Agora, dá o fora daqui antes
que o seu grupinho de malucos venha abusar da minha paciência.
Ela deu um passo para trás. Atitude de quem diz "isso estava no roteiro ?"
— Ele foi pra sala. Passar bem. — Cortei. E comecei a lixar a bokken com mais
força.
Acho que ela percebeu, pois saiu apressada. Mas quando fechou a porta deu pra
ver nítidamente uma coisa. Um olhar de ódio passou no reflexo do vidro. Um
arrepio desceu pela minha espinha.
◆○◆
A pior hora. Tem pessoas demais pra se sentir em paz. E vazio demais pra se
sentir sufocado.
E no meio daquele pôr do sol. Lá estava meu irmão. Conversando com ela. A
pálida.
—... e foi assim que aconteceu. Haha. — Ela riu, um riso de sino, curto e quase
ensaiado. Credo.
Eles continuaram trocando palavras. Foi quando senti o vento de novo. Gélido,
letal e vazio. Tinha certeza de algo, mas torcia, queria que fosse mentira.
E ela estava olhando. Exatamente como eu temia. Pareceu que fazia uma
varredura. Nem percebi que parei de andar.
End.