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GLOSSÁRIO LGBT
Quando o assunto é gênero e sexualidade alguns termos podem causar confusão no momento
da produção de reportagens. Para auxiliar no seu trabalho como jornalista e evitar a
produção/reprodução de preconceitos, escolhemos algumas palavras-chaves e apresentamos
breves definições sobre a temática que podem ser rapidamente consultadas na correria das
redações.
Caso ainda tenha dúvidas, lembre-se que sempre pode consultar fontes que trabalham com
esta temática. No fim deste glossário, há uma lista de contatos úteis que podem te ajudar nesta
tarefa.
Gênero
O conceito de gênero foi formulado para distinguir as dimensões biológicas e sociais, baseado
no fato de que há machos e fêmeas na espécie humana, mas a maneira de ser homem e de ser
mulher é, na verdade, percebida pela cultura. Surge a partir do movimento feminista nos anos
1970. Assim, gênero difere de sexo, é produto da realidade social, não da anatomia dos
corpos. Uma pessoa não irá, necessariamente, identificar-se com o mesmo gênero designado
na hora do nascimento! É o caso de pessoas transexuais, por exemplo.
Identidade de Gênero
Experiência interna e individual do gênero de cada pessoa - que pode, ou não, corresponder ao
sexo atribuído no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por
livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou
outros). A identidade de gênero inclui também outras expressões de gênero, como vestimenta,
modo de falar e maneirismos.
Sexo biológico
Conjunto de informações cromossômicas, órgãos genitais, capacidades reprodutivas e
características fisiológicas secundárias que diferenciam machos e fêmeas. Não é o mesmo que
gênero.
Sexualidade
Engloba os modos pelos quais as pessoas expressam e vivem seus desejos e seus prazeres
corporais, em sentido amplo. Em geral, diz respeito à vida privada. Matérias que tratam de
pessoas transexuais, por exemplo, devem abordar preferencialmente a questão do gênero, não
da sexualidade (que pode, ou não, ser homossexual).
Identidade sexual
Conjunto de características sexuais que diferenciam cada pessoa das demais e que se
expressam pelas preferências sexuais, sentimentos ou atitudes em relação ao sexo. A
identidade sexual é o sentimento de masculinidade ou feminilidade que acompanha as
pessoas. Nem sempre está de acordo com o sexo biológico ou com a genitália da pessoa e
pode mudar ao longo da vida.
Orientação sexual: Seria por quais indivíduos uma pessoa sente atração sexual. Quando a
pessoa sabe que tem atração por alguém sem ser obrigatoriamente romântica.
É bom aproveitar esse espaço para exemplificar: uma mulher homossexual deseja ter relações
com mulheres. Uma mulher trans e hétero é uma pessoa que nasceu em um corpo masculino,
se identifica com mulher (identidade de gênero) e se sente atraída por homens.
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Também é bom lembrar que as pessoas não são divididas entre homo, bi ou hetero e se estão
em algum ponto de um espectro. Além disso a sexualidade da pessoa pode mudar com o
tempo.
Orientação sexual, não “opção”
É a capacidade, de cada pessoa, de ter uma profunda atração emocional, afetiva ou sexual por
indivíduos de gênero diferente, do mesmo gênero ou de mais de um gênero - assim como ter
relações íntimas e sexuais com essas pessoas.
Homossexualidade, não “homossexualismo”
Homossexualidade é o termo correto. É quando há atração afetiva e/ou sexual por uma pessoa
do mesmo sexo. Assim como não há explicações para a heterossexualidade, não há para a
homo. Atenção: o sufixo “ismo” dá a ideia de doença e está incorreto! Desde 1992, a
homossexualidade não está inclusa na Classificação Internacional de Doenças (CID).
Heterossexual
Pessoa que se relaciona sexual e/ou afetivamente com pessoas do sexo/gênero diferente do
seu.
Lésbicas / Homossexuais
Mulheres que se relacionam afetiva e sexualmente com outras mulheres. O termo “lésbica” é
dito, inclusive, como político destas mulheres, principalmente por sofrerem um estigma maior
que alguns gays - como no caso de homens heterossexuais, que enxergam a sexualidade das
lésbicas como um fetiche. Também por isso, a sigla de “lésbicas” está agora à frente da sigla
LGBT, como forma de garantir maior visibilidade.
Gays/ Homossexuais
Homens que se relacionam afetiva e sexualmente com outros homens. Podem assumir
publicamente ou não. Em alguns países, assumir-se gay têm uma conotação política, portanto
cria uma diferenciação em relação ao homossexual.
Bissexual
Pessoa que se relaciona sexual e/ou afetivamente com quaisquer gêneros/sexos.
Pansexual
O termo em geral é tratado como polêmico, mas se refere a pessoas cujo desejo sexual é
abrangente, podendo se dirigir inclusive a objetos.
Homoafetivo
Adjetivo que começou a ser utilizado como eufemismo para transitar no meio jurídico. É
usado para generalizar a multiplicidade de relações homoafetivas. Conota aspectos
emocionais e afetivos envolvidos na relação amorosa entre pessoas do mesmo sexo/gênero.
Portanto, nem sempre ao tratar de homossexuais e relações homossexuais, o termo
homoafetivo é o mais adequado – afinal, não se trata do indivíduo, nem todas as relações são
afetivas/amorosas.
Queer
A teoria queer (ou estudos queer) pode ser percebida como um movimento teórico e político
difuso e transnacional, que, de maneira geral, estabelece uma crítica a um modelo de
hegemonia e aos seus próprios binarismos (hetero/homo; homem/mulher), o qual separaria os
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corpos dos sujeitos entre normais e anormais.
A palavra queer, especificamente, de origem anglófona, usualmente era utilizada para
designar homossexuais de forma pejorativa, significando “estranho” “ridículo” ou “esquisito”.
Em português, para estabelecer uma comparação, seria como dizer “veado”, “bicha” ou
"sapatão) ao sujeito não heterossexual.
As raízes da teoria queer remetem ao movimento feminista de segunda onda, ao movimento
negro do sul dos Estados Unidos e ao movimento gay que, na segunda metade da década de
oitenta, num contexto de epidemia de AIDS, passou a ser apontado como a queer
nation (nação queer, apontada como responsável pela contaminação). O termo, então, foi
reapropriado e passou a reunir aqueles que estabeleciam, em seus trabalhos, críticas a todo
esse regime capaz de relegar corpos à abjeção.
Entre os autores que desenvolveram (desenvolvem) trabalhos sob uma perspectiva queer estão
Adrienne Rich, Guy Hocquenghem, Gayle Rubin, Nestor Perlongher, Judith Butler, Eve
Kosofsky Sedwick e Beatriz Preciado.
LGBT, não GLS
A sigla GLS não é mais utilizada, pois entende-se que ela é excludente. Em LGBT, lésbicas,
gays, bissexuais, travestis e transexuais são contemplados. Em GLS, apenas gays, lésbicas e
simpatizantes (pessoas solidárias ou abertas em relação às identidades LGBT).
LGBTI
Abrange também pessoas identificadas como ‘Intersex’. A sigla é utilizada por organizações
como a ONU e a Anistia Internacional como um padrão para designar esta parcela da
população.
LGBTQI
Apesar da sigla LGTB ser a mais utilizada no Brasil, nos Estados Unidos se incluem também
o Q e o I, representando as palavras “Queer” e “Intersex”.
Heteronormatividade
Termo que descreve o conjunto de normas sociais que associam o comportamento
heterossexual ao "padrão". Essa expressão é utilizada para se referir à ideia de que o
comportamento heterossexual é o único válido socialmente ou, em alguns casos, o único
existente.
Intersexual / Intersexuado / Hermafrodita
O termo hermafrodita caiu em desuso. O correto é usar intersexual, para o caso de pessoas
com uma variedade de condições genéticas e/ou somáticas – e acabam apresentando anatomia
reprodutiva e sexual que não se ajuda às definições típicas do feminino ou do masculino.
Androginia
É um termo genérico, usado para descrever pessoas que assumem postura social (também
relacionada à vestimenta), comum a ambos os gêneros (feminino e masculino)
Drag Queen
É uma pessoa identificada com o gênero masculino (neste caso, não interessa a orientação
sexual da pessoa) que se veste com roupas femininas de forma satírica e extravagante para o
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exercício da profissão em shows e outros eventos. Não deixa de ser um tipo de
“transformista”, pois o uso das roupas está ligado a questões artísticas.
Drag King
Versão “masculina” da Drag Queen. Ou seja, quando uma mulher se veste com roupas
masculinas para fins artísticos / de trabalho.
Crossdresser
Pessoa que, sendo de um sexo ou gênero, apenas se veste como o que é socialmente aceito
como “do outro” sexo ou gênero. Assim, em geral, na rotina diária, sua vida é condizente com
as expectativas sociais associadas ao sexo biológico/nascimento. Podem ser tanto hetero,
homo, bi ou pansexuais.
Pessoas trans
Expressão usada para se referir tanto às travestis quanto às pessoas transexuais. Para englobar
a variedade de identidades, é utilizada também a grafia trans* (com asterisco).
Transexual
Pessoas que se identificam, através da nominação, vestimenta e transformações corporais,
como pertencentes ao gênero diferente do “sexo” atribuído no nascimento e querem ser
reconhecidas socialmente no gênero que desejam. Denomina-se mulher trans a pessoa que se
apresenta de acordo com características associadas social e culturalmente ao gênero feminino;
transexual masculino, ou homem trans, são pessoas que se apresentam de acordo com as
características associadas social e culturalmente ao gênero masculino. Atenção: não é
recomendado que, em matérias, o jornalista busque resgatar o nome atribuído à pessoa no
nascimento, a não ser que a/o próprio entrevistada/o fale sobre o assunto. Também, não é
adequado o uso de expressões como “nasceu homem”, para mulheres trans, nem “nasceu
mulher” para homens trans. Tais termos trazem à tona discussões sobre o que é ser
mulher/homem - lembrando que o gênero é construído, também, social e culturalmente.
Questões sobre genitália não devem ser abordadas pelo jornalista, pois também são
extremamente privadas (assim como a sexualidade do/a entrevistado/a).
Travesti
Termo tipicamente brasileiro e utilizado em alguns países da América Latina. Designa
pessoas que se assumem e/ou se identificam com características físicas, sociais e culturais de
gênero diferentes do seu “sexo” atribuído no nascimento. Isso não significa negação do sexo
genital. Estas pessoas podem modificar seu corpo fazendo uso de silicone, cirurgias,
hormonização e malhação. Por anos, transexuais e travestis foram “diferenciadas” pela
questão da cirurgia de redesignação sexual (ou “troca de sexo”). Na verdade, fazer ou não a
cirurgia é uma escolha pessoal que vai muito além destas definições - e não diz respeito ao
jornalista (a não ser, é claro, que o/a entrevistado/a queira falar a respeito). A travesti, não “o”
travesti: no caso de pessoas que se identificam com o gênero feminino (usam roupas, por
exemplo, ou se portam de maneiras compreendidas como femininas), o correto é utilizar o
artigo A, não O. Na dúvida, o jornalista deve sempre perguntar à pessoa como ela prefere ser
identificada.
Transgênero
Expressão que pode englobar as pessoas que transitam entre os gêneros, tanto as travestis
quanto as pessoas transexuais. O termo não é tão utilizado no Brasil.
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Cisgênero
Expressão bastante recente no âmbito dos estudos de gênero e dos movimentos sociais. É
utilizada para se referir a pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao
nascer. Isto é, configura uma concordância entre a identidade de género e o sexo biológico de
um indivíduo e o seu comportamento ou papel considerado socialmente aceito para esse sexo.
Homem trans/ Mulher trans
Quando uma pessoa nasceu com as características que definem seu sexo como masculino,
mas se identifica com o gênero feminino e se considera uma pessoa do gênero feminino, essa
pessoa é uma mulher trans. Por outro lado, quando uma pessoa nasceu com características que
definem seu sexo como feminino, mas se identifica com o gênero masculino e se considera
uma pessoa do gênero masculino, essa pessoa é um homem trans. Importante: não utilizar
transexual masculino ou transexual feminino.
Desejo/Prática/Identidade
Uma pessoa pode ter um desejo (por exemplo, relacionar-se com alguém do mesmo sexo) e
barrá-lo, não tendo práticas ou identidades semelhantes a ele. O contrário também pode
ocorrer: na prática, uma pessoa pode se relacionar com alguém do mesmo sexo, mas não se
identificar como homossexual ou bissexual. A prática pode ser homossexual (como no caso
de condições específicas, a exemplo de presídios, albergues ou trabalhos sexuais), mas a
identificação segue heterossexual.
HSH/MSM
Siglas cunhadas e utilizadas pelos profissionais da saúde, principalmente para dar conta de
questões como prevenção de HIV/aids, sem entrar em questões culturais, de identidade de
gênero ou orientação sexual. HSH, ou “homens que fazem sexo com homens” e MSM, ou
“mulheres que fazem sexo com mulheres”, não identifica a orientação sexual ou a identidade
de gênero, mas o comportamento/prática das pessoas para fins de promoção de saúde.
Fontes: Manual de Comunicacão LGBT da ABGLT (Associacão Brasileira de Gays,
Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e Série Diálogos (material produzido pela
ONG Somos - Comunicacão, Saúde e Sexualide). Contatos para dúvidas:
[Link]