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002

Em Aethelgard, Kaelen, um mergulhador, busca a 'Pérola do Pensamento' nas Cidades Submersas de Zinco, onde descobre que o conhecimento está contido em seres vivos e não em livros. Enquanto isso, o ferreiro Ignis tenta forjar uma espada de luz solar sólida, utilizando a 'Lágrima de uma Estrela Cadente' como catalisador, reescrevendo as leis da física. Sua criação atrai a atenção dos Senhores do Caos, mas a espada permanece poderosa enquanto alguém de coração justo a empunhar.

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Em Aethelgard, Kaelen, um mergulhador, busca a 'Pérola do Pensamento' nas Cidades Submersas de Zinco, onde descobre que o conhecimento está contido em seres vivos e não em livros. Enquanto isso, o ferreiro Ignis tenta forjar uma espada de luz solar sólida, utilizando a 'Lágrima de uma Estrela Cadente' como catalisador, reescrevendo as leis da física. Sua criação atrai a atenção dos Senhores do Caos, mas a espada permanece poderosa enquanto alguém de coração justo a empunhar.

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O Eco dos Reinos Esquecidos

Após a partida de Elara da Montanha Oca, o mundo de Aethelgard não foi o único a
sentir o tremor da mudança. Nas profundezas do Oceano de Mercúrio, as Cidades
Submersas de Zinco começaram a ressonar com um som que não era ouvido há eras:
o Canto das Baleias de Cristal. Essas criaturas, cujas barbatanas eram feitas de
prismas que decompunham a luz da água em cores inexistentes no espectro visível,
eram as verdadeiras guardãs da biblioteca biológica do planeta. Kaelen, um
mergulhador de profundidade equipado com um traje de couro de leviatã reforçado
com placas de bronze alquímico, foi o primeiro a notar que a pressão das águas
estava mudando. Onde antes havia o peso esmagador do abismo, agora havia uma
leveza quase etérea, como se a própria gravidade tivesse decidido tirar um dia de
folga.

Kaelen buscava a "Pérola do Pensamento", um objeto que, segundo os mapas de


navegação estelar, continha a consciência coletiva de todos os poetas que já haviam
naufragado naquelas coordenadas. A descida foi perigosa; ele teve que desviar de
recifes de coral que se moviam como mãos gigantes tentando capturar a luz das
lanternas. Ao chegar às ruínas de uma catedral subaquática, Kaelen deparou-se com
um cardume de peixes-lanterna que formavam padrões fractais no escuro. Cada
movimento dos peixes escrevia uma frase em uma língua morta. Ele percebeu que a
biblioteca não era composta por livros, mas por seres vivos. Para acessar o
conhecimento, ele não precisava de força, mas de silêncio.

Ao meditar no centro da nave da catedral, Kaelen sentiu a água entrar em seus


pulmões, mas não para afogá-lo. O líquido fora transmutado pelo Éter Azul de Elara
em oxigênio puro. Ele viu a história do mundo passando por seus olhos: a criação das
montanhas, a separação dos mares e o momento exato em que a primeira estrela
aprendeu a brilhar. Ele compreendeu que Aethelgard era um organismo vivo, e que
os humanos eram apenas os glóbulos brancos tentando protegê-lo de uma infecção
de apatia. Kaelen emergiu três dias depois, não com uma pérola na mão, mas com
uma canção na voz que poderia curar qualquer doença da alma.

A Forja do Tempo e as Engrenagens de Bronze

Enquanto o oceano se acalmava, no alto dos Picos de Obsidiana, o ferreiro cego


chamado Ignis trabalhava em uma tarefa impossível. Ele estava tentando forjar uma
espada feita de luz solar sólida. Ignis não usava seus olhos para ver o metal; ele ouvia
as vibrações dos átomos batendo contra a bigorna de diamante. Para ele, o ferro tinha
um som grave e terroso, enquanto o ouro soava como um riso distante. O problema
era que o sol de Aethelgard, agora triplo e esmeralda, emitia uma nota musical que ele
ainda não conseguia harmonizar. Ele precisava de um catalisador, algo que unisse a
matéria bruta ao espírito puro.
Foi então que uma viajante vinda das Terras de Cristal entregou a ele um frasco
contendo a "Lágrima de uma Estrela Cadente". Diziam que as estrelas choravam
apenas quando viam algo de beleza absoluta. Ao derramar a lágrima sobre o metal
incandescente, uma explosão de som e cor varreu a oficina. O martelo de Ignis não
batia mais contra o metal, mas contra o próprio tecido do espaço-tempo. A cada golpe,
uma nova constelação aparecia no céu noturno. Ele não estava apenas forjando uma
arma; ele estava reescrevendo as leis da física. A espada, quando concluída, não tinha
lâmina. Era apenas um cabo de marfim que, quando empunhado por alguém de
coração justo, projetava uma vontade capaz de cortar a própria ignorância.

Ignis sabia que sua obra atrairia a atenção dos Senhores do Caos, entidades que viviam
nas fendas entre os segundos. Eles detestavam a ordem e a beleza, preferindo o vazio
cinzento da entropia. Mas o ferreiro estava preparado. Ele tinha embutido na arma o
segredo do ritmo. Enquanto houvesse alguém capaz de manter a batida do coração em
sincronia com o universo, a espada nunca se apagaria. A notícia da criação de Ignis
espalhou-se como fogo em palha seca, chegando aos ouvidos de reis e mendigos,
mudando para sempre a balança de poder no continente.

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