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Aula 2

O documento aborda o conceito de recurso no contexto jurídico, definindo-o como um meio para contestar decisões judiciais com características essenciais como voluntariedade e previsão legal. Além de recursos, menciona sucedâneos recursais, que são formas alternativas de revisão de decisões, e classifica os recursos de acordo com diferentes critérios, como objeto, causa de pedir e fim pretendido. Por fim, lista os recursos admissíveis em diferentes graus de jurisdição.

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O documento aborda o conceito de recurso no contexto jurídico, definindo-o como um meio para contestar decisões judiciais com características essenciais como voluntariedade e previsão legal. Além de recursos, menciona sucedâneos recursais, que são formas alternativas de revisão de decisões, e classifica os recursos de acordo com diferentes critérios, como objeto, causa de pedir e fim pretendido. Por fim, lista os recursos admissíveis em diferentes graus de jurisdição.

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RECURSOS

CONCEITO

Para Humberto Theodoro Júnior, recurso é o meio ou remédio impugnativo apto para
provocar, dentro da relação processual ainda em curso, o reexame da decisão judicial,
pela mesma autoridade judiciária, ou por outra hierarquicamente superior, visando a
obter-lhe a reforma, invalidação, esclarecimento ou integração.

Parte da doutrina diferencia ainda recurso de sucedâneos recursais, que seriam formas de
ver revista uma decisão judicial por outros meios que não sejam os recursos.

Dessa forma, o recurso teria cinco características essenciais, sendo elas:


a) voluntariedade: não existe recurso sem uma petição que o proponha. Essa petição pode
ser proposta pelas partes, terceiros prejudicados e Ministério Público;
b) expressa previsão em lei federal: por exemplo, na Lei dos Juizados Especiais;
c) desenvolvimento no próprio processo no qual a decisão impugnada foi proferida.
d) manejável pelas partes, terceiros prejudicados e Ministério Público; e
e) com o objetivo de reformar, anular, integrar ou esclarecer decisão judicial.

Fundamento e natureza do direito ao recurso

O recurso é uma tendência humana. Se origina da insatisfação face a um único julgamento


e da possibilidade de erro ou má-fé do julgador.

Além dos recursos, existem outras formas de rever decisões judiciais, divididas em
sucedâneos recursais externos e internos.

Sucedâneos recursais externos:

São desenvolvidos por um processo diferente daquele no qual a decisão impugnada foi
proferida. Exemplos: ação rescisória (prevista no CPC, por exemplo no caso de julgado
firmado com base em lei considerada inconstitucional – art. 525, §15º), ação anulatória
(residual em relação à ação rescisória); reclamação constitucional, mandado de segurança
e embargos de terceiro (ações reais, ações de execução).

Mandado de segurança: cabível nas hipóteses de decisão interlocutória não enfrentada


por Agravo de Instrumento.

Sucedâneos recursais internos:

Reexame necessário: art. 496 do CPC  sentença proferida contra a Fazenda Pública ou
que julgar procedentes os embargos à execução fiscal;

§3º coloca um limite mínimo de valores de condenação para que a remessa necessária
seja obrigatória.

Não tem reexame necessário nos Juizados Especiais, na forma do art. 13 da Lei n.
10.259/01 e do art. 13 da Lei n. 12.153/09.
Porque o reexame necessário não é recurso? Ausência de voluntariedade; não há
dialeticidade; não há prazo de interposição; não se encontra entre o rol de recursos do
CPC; legitimação recursal se restringe às partes, terceiro prejudicado e MP.

Correição parcial: aplicável diante da inversão da ordem na prática dos atos


procedimentais, gerando uma confusão procedimental. Cabível quando não houver
recurso próprio para aquela decisão judicial. Não é recurso porque não está no rol de
recursos.

Pedido de reconsideração: Não há previsão legal. Construção jurisprudencial, da práxis.


Não consta do rol de recursos.

Impugnação e embargos à execução: art. 525, §1º do CPC – impugnação ao cumprimento


de sentença.

Classificação dos recursos:

Quanto ao objeto imediato do recurso


a) Recursos extraordinários: visam a proteção e a preservação da boa aplicação do direito.
Objetivam manter o respeito às leis ou à jurisprudência já uniformizada, por exemplo;
b) Recursos ordinários: visam proteger o interesse da parte. São a maioria dos recursos.

Quanto à causa de pedir


a) fundamentação livre: não há um rol de matérias alegáveis;
b) fundamentação vinculada: há um rol de matérias alegáveis.

Quanto à abrangência da matéria impugnada


Regra: recurso limitado pela decisão recorrida e fundamentos do recurso.
Exceção: art. 1.013, §3º, I, CPC. Nesses casos, acórdão já resolve o mérito.
a) recursos toais: visam impugnar a integralidade da sentença;
b) recursos parciais: visam impugnar somente parte da sentença.
Ex.: Fernanda e Carlos, dano moral, lucros cessantes e danos emergentes.

Independência ou subordinação
a) recurso independente: aquele oferecido pela parte dentro do prazo recursal
independentemente da conduta da parte contrária;
b) recurso adesivo: aquele oferecido pela parte em razão do recurso da parte adversa.
Obs.: Necessário apresentar contrarrazões em ambos os casos.

Quanto ao fim pretendido pelo recorrente


a) reforma: se requer a modificação para algo mais favorável;
b) invalidação: se requer a cassação, visando novo julgamento;
c) esclarecimento ou integração: se requer o aperfeiçoamento da decisão proferida.

Atos sujeitos a recurso

Apenas atos praticados pelo juiz são passíveis de recurso. O juiz se manifesta através de
despachos, decisões interlocutórias e sentenças. Dos despachos geralmente não cabem
recursos, mas caso seja algo absurdo, cabem embargos.
RECURSOS ADMISSÍVEIS

Recursos do 1º grau de jurisdição:

a) apelação (arts. 994, I e 1.009);


b) agravo de instrumento (arts. 994, II e 1.015);
c) embargos de declaração (arts. 994, IV e 1.022);

Recursos em face dos acórdãos dos tribunais:

a) embargos de declaração (arts. 994, IV e 1.022);


b) recurso ordinário para o STJ e STF (arts. 994, V e 1.027);
c) recurso especial (arts. 994, VI e 1.029);
d) recurso extraordinário (arts. 994, VII e 1.029);
e) embargos de divergência no STF e STF (arts. 994, IX e 1.043).

Recursos nos tribunais para decisões monocráticas;

a) agravo interno (arts. 994, III e 1.021);


b) agravo em recurso especial ou extraordinário (arts. 994, VIII e 1.042)

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