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Prova de Direito Constitucional

A Constituição é a lei suprema que define a organização política e os direitos dos cidadãos, com classificações que incluem sua origem, mutabilidade, elaboração, função, forma e extensão. O documento também aborda o Poder Constituinte, a vigência e eficácia das normas constitucionais, além de princípios de interpretação e a evolução dos direitos fundamentais. Os primeiros artigos da CF/88 estabelecem os fundamentos do Estado brasileiro, a separação dos poderes, os objetivos da República e os princípios das relações internacionais.
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Prova de Direito Constitucional

A Constituição é a lei suprema que define a organização política e os direitos dos cidadãos, com classificações que incluem sua origem, mutabilidade, elaboração, função, forma e extensão. O documento também aborda o Poder Constituinte, a vigência e eficácia das normas constitucionais, além de princípios de interpretação e a evolução dos direitos fundamentais. Os primeiros artigos da CF/88 estabelecem os fundamentos do Estado brasileiro, a separação dos poderes, os objetivos da República e os princípios das relações internacionais.
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Conceitos Fundamentais da Constituição

A Constituição é a lei suprema de um Estado, estabelecendo a


organização política, os direitos e deveres dos cidadãos, e os limites do
poder estatal.

Classificação das Constituições:

●​ Quanto à origem:
Promulgada: Resulta da deliberação de uma Assembleia Constituinte,
representando a vontade popular. A CF/88 é um exemplo de Constituição
promulgada.
Outorgada: Imposta por um governante sem a participação popular.

●​ Quanto à mutabilidade/alterabilidade:
Rígida: Exige um processo legislativo mais dificultoso e específico para sua
alteração do que o processo de leis ordinárias. A Constituição Brasileira de
1988 é considerada rígida.
Semirrígida: Parte pode ser alterada por processo ordinário e outra parte
por processo específico.
Flexível/Não rígida: Pode ser emendada sem um trâmite especial, com
facilidade.
Imutável: Não permite emendas.

●​ Quanto à elaboração:
Dogmática: Baseada em dogmas e ideologias específicas, sendo elaborada
em um determinado momento histórico. A CF/88 é dogmática.
Histórica: Fruto de um longo processo evolutivo e de costumes.

●​ Quanto à função:
Garantia: Visa assegurar os direitos fundamentais. A CF/88 possui essa
característica.
Dirigente: Estabelece metas e programas a serem implementados pelo
Estado para alcançar fins sociais. A CF/88 também é dirigente.

●​ Quanto à forma:
Escrita: Contida em um documento formal. A CF/88 é escrita.
Não escrita/Costumeira: Baseada em costumes, tradições e jurisprudência.

●​ Quanto à extensão:
Analítica: Detalhada, abordando diversos temas e direitos de forma
pormenorizada. A CF/88 é analítica.
Sintética: Mais concisa, tratando apenas dos princípios e direitos essenciais.
Quanto à ideologia:
Eclética: Combina diferentes ideologias e princípios. A CF/88 é eclética.

●​ Poder Constituinte: o Poder Constituinte é a capacidade de criar,


modificar, revisar, revogar ou adicionar algo à Constituição de um
Estado.
Poder Constituinte Originário (1º grau): É o poder que estabelece a
Constituição de um novo Estado, organizando-o e criando os poderes. Ele é
inicial, ilimitado e incondicionado.
Poder Constituinte Derivado (2º grau): Está inserido na própria Constituição
e é limitado por ela, sendo passível de controle de constitucionalidade.
Reformador: Modifica as normas constitucionais por meio de emendas
constitucionais.
Revisor: Adequa a Constituição à realidade social. Foi estabelecido para
revisão anômala da Constituição.
Decorrente: Concede aos estados-membros o poder de elaborar suas
próprias Constituições (capacidade de auto-organização).
●​ Vigência das Normas Constitucionais: uma nova Constituição revoga
a Constituição anterior. Parte da Constituição antiga pode continuar
valendo se autorizada pela nova.
Inconstitucionalidade Superveniente: Ocorre quando normas (leis)
existentes entram em conflito com uma nova emenda constitucional,
tornando-se inconstitucionais.
Repristinação: Quando uma lei é revogada por outra volta a existir se a lei
revogadora for revogada.
Desconstitucionalização: Uma norma constitucional antiga passa a ter
patamar de lei ordinária.

●​ Eficácia das Normas Constitucionais:

Normas de Eficácia Plena: Produzem todos os seus efeitos imediatamente,


independentemente de complementação por norma infraconstitucional. -
- Exemplos incluem a inviolabilidade do domicílio (Art. 5º, XI) e a separação
dos Poderes (Art. 2º).
Normas de Eficácia Contida (Redutível ou Restringível): Produzem a
plenitude dos seus efeitos, mas seu alcance pode ser restringido por lei
posterior. Exemplos incluem a assistência religiosa (Art. 5º, VII), a escusa de
consciência (Art. 5º, VIII), o livre exercício de trabalho, ofício ou profissão
(Art. 5º, XIII), a liberdade de locomoção (Art. 5º, XV), e a desapropriação (Art.
5º, XXIV e XXV).

Normas de Eficácia Limitada (Mediata ou Reduzida): Não produzem a


plenitude de seus efeitos e dependem de uma lei integradora para sua
completa aplicabilidade.
Princípio Institutivo: Traçam esquemas gerais de estruturação e atribuições
de órgãos, entidades ou institutos, para que o legislador ordinário os
estruture em definitivo.
Princípio Programático: Traçam diretrizes e fins almejados pelo Estado na
consecução dos fins sociais.

●​ Princípios de Interpretação Constitucional:

Princípio da Unidade: A Constituição deve ser interpretada em seu todo,


globalmente, para evitar antagonismos.
Princípio da Máxima Efetividade: A interpretação deve buscar a máxima
efetividade das normas constitucionais, especialmente em relação aos
direitos fundamentais.
Princípio Integrador: Desdobramento do princípio da unidade, relacionado
à integração das questões políticas e sociais.
Princípio da Conformidade Funcional: O intérprete maior da Constituição
(STF) deve manter intocável o princípio da independência dos poderes.
Princípio da Harmonização: Busca estabelecer a inexistência de hierarquia
entre os princípios de interpretação da Constituição.
Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Diante de normas
com múltiplos significados, a preferência deve ser por aquela que melhor
se aproxime do sentido constitucional.
Princípio da Proporcionalidade: Visa tornar a interpretação das normas em
face da Constituição proporcional e razoável, sempre com bom senso.

●​ Evolução dos Direitos Fundamentais (Gerações/Dimensões): os


direitos fundamentais são direitos inerentes ao ser humano,
essenciais para uma vida digna e para a garantia da democracia.

Direitos de Primeira Dimensão/Geração (Liberdades Negativas): Surgiram


no século XVII e focam na proteção das liberdades públicas e direitos
individuais. Exigem uma abstenção do Estado (não fazer). Incluem direitos
à vida, liberdade, propriedade, manifestação, expressão e voto.
Direitos de Segunda Dimensão/Geração (Liberdades Positivas/Direitos
Sociais): Exigem uma prestação positiva do Estado (fazer), ou seja, sua
intervenção para garantir a proteção total da liberdade do indivíduo.
Incluem o direito à saúde, trabalho, educação e greve.
Direitos de Terceira Dimensão/Geração (Solidariedade/Fraternidade):
Voltados para a proteção da coletividade e a solidariedade. Abordam
preocupações com o meio ambiente, conservação do patrimônio histórico
e cultural.
Direitos de Quarta Dimensão/Geração: Propostos pelo Professor Paulo
Bonavides, resultam da globalização e visam universalizar os direitos
fundamentais. Exemplos incluem o direito à democracia, à informação e ao
comércio eletrônico entre os Estados.

Complemento ao Estudo: Artigos 1º, 2º, 3º e 4º da Constituição


Federal de 1988

Os primeiros artigos da Constituição Federal de 1988 estabelecem os


fundamentos, os Poderes, os objetivos e os princípios das relações
internacionais da República Federativa do Brasil. Eles são a base da nossa
organização estatal.

Artigo 1º: Fundamentos da República Federativa do Brasil

O Art. 1º da CF/88 estabelece os pilares sobre os quais o Estado


brasileiro se constitui. Ele descreve a forma de Estado, a forma de governo,
o sistema de governo e os fundamentos da República.

Caput: "A República Federativa do Brasil, formada pela união


indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em
Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:"
Forma de Estado: Federação (união indissolúvel de entes
federados).
Forma de Governo: República (e não Monarquia).
Sistema de Governo: Presidencialismo (implícito no Art. 76, que
trata do Presidente da República).
Regime Político: Democrático (Estado Democrático de Direito).

-​ Inciso I: A soberania​
​ É o poder supremo do Estado, que se manifesta tanto
internamente (capacidade de impor sua vontade dentro de seu
território) quanto externamente (igualdade perante outros Estados e
independência em suas relações internacionais).
-​ Inciso II: A cidadania​
​ Cidadania significa a condição de cidadão, ou seja, o gozo dos
direitos políticos que permitem a participação na vida política do
Estado (votar, ser votado, propor leis).
-​ Inciso III: A dignidade da pessoa humana​
​ É o valor supremo da ordem jurídica brasileira. Significa que a
pessoa humana é o centro do ordenamento jurídico e não pode ser
tratada como mero objeto. Todos os demais direitos e garantias
constitucionais visam a assegurar a dignidade da pessoa humana.
-​ Inciso IV: Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa​
​ O trabalho é valorizado como meio de realização pessoal e de
contribuição social. A livre iniciativa garante a liberdade econômica,
mas deve estar sempre em conformidade com os valores sociais do
trabalho, ou seja, a liberdade econômica não pode violar os direitos e
a dignidade do trabalhador.
-​ Inciso V: O pluralismo político​
​ Garante a coexistência de diversas ideias, ideologias, partidos
políticos e formas de organização social. É a liberdade de crença e
pensamento no âmbito político, fundamental para um Estado
Democrático de Direito.
Parágrafo único: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por
meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
Constituição."​
​ Consagra o princípio democrático e a soberania popular, prevendo as
formas de exercício do poder pelo povo:

Democracia Indireta/Representativa: Através de representantes eleitos


(deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidente).

Democracia Direta/Participativa: Exercida diretamente pelo povo, através


de mecanismos como plebiscito, referendo e iniciativa popular
(mencionados no Art. 14 da CF/88).

Artigo 2º: Separação dos Poderes

"São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o


Legislativo, o Executivo e o Judiciário."​
​ Este artigo consagra a Teoria da Separação dos Poderes (ou Teoria
dos Freios e Contrapesos), proposta por Montesquieu. Cada Poder possui
funções típicas (primordiais) e funções atípicas (secundárias).

Independência: Um Poder não se subordina ao outro.


Harmonia: Apesar de independentes, os Poderes devem colaborar entre si
para o bom funcionamento do Estado, evitando conflitos desnecessários.
A separação de poderes é uma cláusula pétrea (Art. 60, § 4º, III, da
CF/88), ou seja, não pode ser abolida por emenda constitucional.

Artigo 3º: Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil

O Art. 3º estabelece as metas e finalidades que o Estado brasileiro


deve buscar incessantemente. São objetivos que demandam uma atuação
ativa do Estado.

-​ Inciso I: Construir uma sociedade livre, justa e solidária


Livre: Garantia das liberdades individuais e coletivas.
Justa: Redução das desigualdades sociais e econômicas.
Solidária: Promoção da cooperação e do bem-estar social.

-​ Inciso II: Garantir o desenvolvimento nacional​


​ Desenvolvimento em todas as suas dimensões: econômico,
social, tecnológico, ambiental, etc., visando ao progresso do país de
forma sustentável e inclusiva.
-​ Inciso III: Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais​
​ Combate às formas de exclusão social e busca por uma
distribuição mais equitativa da riqueza e das oportunidades, tanto
entre as pessoas quanto entre as diferentes regiões do país.
-​ Inciso IV: Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem,
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.​
​ Este objetivo reforça o princípio da igualdade e da não
discriminação, exigindo que o Estado promova ações afirmativas
para assegurar que todos tenham acesso a direitos e oportunidades,
independentemente de suas características.

Artigo 4º: Princípios das Relações Internacionais

Este artigo estabelece as diretrizes que devem guiar a atuação do


Brasil no cenário internacional.

-​ Inciso I: Independência nacional​

O Brasil é um Estado soberano e não se subordina a outros países ou


a organizações internacionais.

-​ Inciso II: Prevalência dos direitos humanos​


​ Os direitos humanos são um valor fundamental que deve ser
promovido e respeitado em todas as ações diplomáticas e acordos
internacionais do Brasil.
-​ Inciso III: Autodeterminação dos povos​
​ Respeito ao direito de cada povo de escolher livremente seu
sistema político, econômico, social e cultural, sem interferências
externas.
-​ Inciso IV: Não-intervenção​
​ O Brasil não deve intervir nos assuntos internos de outros
Estados, assim como não admite que outros Estados intervenham
em seus próprios assuntos.
-​ Inciso V: Igualdade entre os Estados​
​ Todos os Estados são soberanos e devem ser tratados como
iguais no plano internacional, independentemente de seu poder
econômico ou militar.
-​ Inciso VI: Defesa da paz​
​ Busca pela solução pacífica de conflitos e promoção da paz
mundial.
-​ Inciso VII: Solução pacífica dos conflitos​
​ Privilégio da negociação, arbitragem e outros meios
diplomáticos para resolver disputas internacionais.
-​ Inciso VIII: Repúdio ao terrorismo e ao racismo​
​ O Brasil condena e combate o terrorismo e o racismo em todas
as suas formas.
-​ Inciso IX: Cooperação entre os povos para o progresso da
humanidade​
​ Promoção da colaboração em diversas áreas (científica,
tecnológica, cultural) para o benefício de toda a humanidade.
-​ Inciso X: Concessão de asilo político​
​ É um direito humanitário e uma tradição da diplomacia
brasileira, que acolhe estrangeiros perseguidos por motivos políticos.

Parágrafo único: "A República Federativa do Brasil buscará a


integração econômica, política, social e cultural dos povos da América
Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de
nações."​
​ Este parágrafo demonstra uma prioridade da política externa
brasileira para com a América Latina, buscando a integração regional.

●​ Estudo dos Direitos Fundamentais (Art. 5º da CF/88)

O Art. 5º da Constituição Federal de 1988 é o cerne dos direitos e deveres


individuais e coletivos no Brasil.

➔​ Art. 5º: Princípio da Igualdade


Igualdade Formal: Todos são tratados da mesma maneira perante a lei.
Igualdade Material: Trata-se de dar tratamento especial para aproximar os
mais fracos dos mais fortes, visando alcançar a igualdade real.
-​ Inciso I: Igualdade entre Homens e Mulheres:
Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, afastando
qualquer discriminação, embora se permitam algumas diferenças
previstas em lei (ex: Art. 7º, XXX da CF/88).
-​ Inciso II: Princípio da Legalidade:
Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em
virtude de lei.
-​ Inciso III: Vedação à Tortura e Tratamento Desumano ou
Degradante:
A tortura é definida pela Lei 9.455/97 como constranger alguém com
violência ou grave ameaça, causando sofrimento físico ou mental, para
obter informação, confissão, provocar ação criminosa, ou em razão de
discriminação racial ou religiosa, ou como castigo pessoal.
-​ Inciso IV: Liberdade de Manifestação do Pensamento:
É livre a manifestação do pensamento (oralmente, por escrito, etc.),
sendo vedado o anonimato. Visa coibir manifestações imorais e implica
responsabilização civil e/ou criminal.
-​ Inciso V: Direito de Resposta e Indenização:
Assegura o direito de resposta proporcional ao agravo, além de
indenização por dano material, moral ou à imagem. O direito de resposta
deve usar o mesmo meio da ofensa. O dano material abrange danos
emergentes e lucros cessantes. O dano moral exige que a ofensa tenha
sido de conhecimento de terceiros. Podem ser requeridos de forma
autônoma ou cumulativa.
-​ Inciso VI: Liberdade de Consciência e Crença:
É inviolável a liberdade de consciência e de crença, garantindo o livre
exercício dos cultos religiosos e a proteção aos locais de culto e sua liturgia.
Este inciso compreende um direito e duas garantias. Não permite, por
exemplo, a criação de seitas que utilizem sacrifício de seres humanos.
-​ Inciso VII: Assistência Religiosa:
Assegura a prestação de assistência religiosa em entidades civis e
militares de internação coletiva, nos termos da lei.
-​ Inciso VIII: Escusa de Consciência:
Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa,
convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de
obrigação legal imposta a todos e recusar-se a cumprir prestação
alternativa fixada em lei (ex: serviços comunitários, serviços bancários). A
escusa de consciência só é válida se a lei prever uma prestação alternativa.
-​ Inciso IX: Liberdade de Expressão da Atividade Intelectual,
Artística, Científica e de Comunicação:
É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de
comunicação, independentemente de censura ou licença. A censura foi
totalmente abolida do sistema jurídico brasileiro.
-​ Inciso X: Inviolabilidade da Intimidade, Vida Privada, Honra e
Imagem:
São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas, assegurado o direito a indenização por dano material ou moral
decorrente de sua violação. Para pessoas públicas (políticos, atores,
músicos, etc., que ganharam notoriedade), a intimidade e vida privada
podem ter um alcance diferente.
-​ Inciso XI: Inviolabilidade do Domicílio:
A casa é asilo inviolável, não podendo ninguém nela penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito, desastre,
para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. O
conceito de "casa" abrange qualquer compartimento habitado, aposento
de habitação coletiva, e compartimento privado onde se exerce profissão
ou atividade (área interna não acessível ao público).
-​ Inciso XII: Inviolabilidade de Sigilo das Comunicações:
É inviolável o sigilo da correspondência, comunicações telegráficas,
de dados (computadores e dispositivos) e telefônicas. No caso das
comunicações telefônicas, o sigilo pode ser quebrado por ordem judicial
para fins de investigação criminal ou instrução no processo penal.
Exceções: Interceptação telefônica - Uma pessoa legalmente autorizada
intercepta uma chamada telefônica, com ou sem o conhecimento de um
dos interlocutores, e a grava ou encaminha a um órgão de segurança
pública. O fato de um interlocutor saber da interceptação não a
desconfigura; Gravação clandestina: Gravação feita por um dos
interlocutores sem conhecimento do outro. Não é ilícita, a menos que seja
confidencial e divulgada sem justa causa; Gravação ambiental: Gravação de
conversa sem o uso do telefone. É lícita somente em casos de organizações
criminosas. O sigilo da conversa entre advogado e cliente é absoluto,
exceto se o advogado fizer parte de organização criminosa.
-​ Inciso XIII: Liberdade de Exercício de Trabalho, Ofício ou Profissão:
É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas
as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Garante a liberdade de
escolha profissional, vedando a limitação laboral arbitrária pelo Estado,
desde que a opção não transgrida norma proibitiva. Assegura que a
profissão é determinada pelo indivíduo e suas aptidões, não pelo Estado.
-​ Inciso XIV: Acesso à Informação e Sigilo da Fonte:
Assegura a todos o acesso à informação e o resguardo do sigilo da
fonte, quando necessário ao exercício profissional. Possui tríplice alcance:
direito de informar, de se informar e de ser informado. A violação dessa
garantia pode ser protegida por Habeas Data. O sigilo da fonte é essencial
para o êxito de investigações jornalísticas.
-​ Inciso XV: Liberdade de Locomoção no Território Nacional:
É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo
qualquer pessoa entrar, permanecer ou sair com seus bens. É um
desdobramento do direito de liberdade e não pode ser restringido
arbitrariamente pelo Estado, exigindo devido processo legal e ordem
escrita e fundamentada para sua privação. Este direito não é absoluto e
pode ser restringido em casos específicos, observando o princípio da
ponderação.
-​ Inciso XVI: Direito de Reunião:
Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos
ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem
outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas
exigido aviso prévio à autoridade competente. Este direito tem estreita
ligação com as liberdades individuais de pensamento e locomoção, e só é
exercitável no interesse da preservação da ordem pública (proibição de
pessoas armadas). A liberdade de reunião implica agrupamento
organizado, transitório e com finalidade determinada. Requisitos: reunião
pacífica e sem armas, fins lícitos, e aviso prévio (não é autorização). O
direito de passeata também é assegurado.
-​ Inciso XVII: Liberdade de Associação:
É plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de
caráter paramilitar. A associação é uma reunião estável e permanente com
um fim lícito comum. É um direito coletivo que se diferencia da reunião
pela duração e finalidade. Associações de caráter paramilitar são aquelas
com fins ilícitos, formadas por corporações privadas armadas, fardadas e
adestradas, mas que não integram as forças armadas ou polícia.
-​ Inciso XVIII: Criação e Funcionamento de Associações e
Cooperativas:
A criação de associações e cooperativas independe de autorização,
sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento. A
personalidade jurídica é adquirida por mero depósito dos estatutos. Essa
vedação não é absoluta, pois as associações devem ter fins lícitos e não
paramilitares. Não é permitida qualquer interferência estatal no
funcionamento das cooperativas após sua constituição legal.
-​ Inciso XIX: Dissolução e Suspensão de Associações:
As associações só podem ser compulsoriamente dissolvidas ou ter
suas atividades suspensas por decisão judicial. Para a dissolução (término),
exige-se o trânsito em julgado da decisão (sem mais recursos). A
suspensão é uma paralisação temporária. As associações com fins lícitos
adquirem personalidade jurídica após registrar seus estatutos e atos
constitutivos em cartório.
-​ Inciso XX: Ninguém será Compelido a Associar-se ou Permanecer
Associado:
Consagra três garantias: direito de adesão voluntária, faculdade de
desvincular-se espontaneamente, e o status negativo de não se associar a
nenhuma associação. No entanto, a filiação a Conselhos Regionais (CREA,
OAB, CRM, CRC, etc.) para o exercício profissional é uma exceção a este
inciso.
-​ Inciso XXI: Legitimidade das Entidades Associativas:

As entidades associativas, quando expressamente autorizadas pelos


filiados, têm legitimidade para representá-los judicial ou
extrajudicialmente (ex: sindicatos negociando salários).
-​ Inciso XXII: Direito de Propriedade:
É garantido o direito de propriedade, abrangendo qualquer direito
de conteúdo patrimonial ou econômico que possa ser convertido em
dinheiro. A utilização e o desfrute devem estar em conformidade com a
função social da propriedade. O interesse social pode prevalecer sobre o
individual, como na desapropriação para reforma agrária de propriedade
rural improdutiva.
-​ Inciso XXIII: Função Social da Propriedade:
A propriedade atenderá à sua função social. Para propriedade
urbana, atende quando se conformar às exigências do plano diretor. Para
propriedade rural, atende aos critérios de aproveitamento racional e
adequado, utilização dos recursos naturais, preservação do meio ambiente,
e disposições sobre relações de trabalho e exploração que favoreçam
proprietários e trabalhadores.
-​ Inciso XXIV: Desapropriação:
A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e
prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos na
Constituição. A desapropriação é um procedimento administrativo pelo
qual o Poder Público impõe a perda de um bem ao proprietário,
substituindo-o por justa indenização, em prevalência do interesse público
sobre o particular. A indenização pode ser em dinheiro ou títulos da dívida
pública.
Desapropriação por Utilidade Pública: Visa concretizar ações de
comodidade e utilidade coletiva, sem caráter de urgência, mas oportuna e
conveniente (ex: construção de clínicas, melhoria de transportes, criação de
estádios).
Desapropriação por Necessidade Pública: Ocorre por caráter de
urgência, para evitar prejuízos irreparáveis ao interesse coletivo (ex: socorro
público em calamidade, imóveis em área de risco).
Desapropriação por Interesse Social: Relacionada à justa distribuição
da propriedade, buscando melhor aproveitamento, utilização ou
produtividade da propriedade em benefício da coletividade (ex: criação de
colônias agrícolas, construção de casas populares, desenvolvimento
turístico).
-​ Inciso XXV: Requisição Administrativa:
No caso de iminente perigo público, a autoridade competente
poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário
indenização ulterior, se houver dano.
-​ Inciso XXVI: Impenhorabilidade da Pequena Propriedade Rural:
A pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela
família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos
decorrentes de sua atividade produtiva. A lei disporá sobre os meios de
financiar seu desenvolvimento.
Conceito de Pequena Propriedade Rural: Aquela explorada direta e
pessoalmente pela família, que é sua força de trabalho, e que garanta a
subsistência e progresso social/econômico dentro de área fixada por região
e tipo de exploração, podendo usar auxílio de terceiros.
Requisitos para a impenhorabilidade: O bem deve ser explorado
economicamente pela família, e o débito deve decorrer da atividade
produtiva.
-​ Inciso XXVII: Direitos Autorais:
Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou
reprodução de suas obras (literárias, artísticas, científicas, fotográficas,
programas de computador), transmissível aos herdeiros pelo tempo que a
lei fixar.
Domínio Público: Obras entram em domínio público 70 anos após 1º
de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Obras audiovisuais
e fotográficas, 70 anos após 1º de janeiro do ano subsequente à divulgação.
Pertencem ao domínio público obras de autores falecidos sem sucessores
ou de autor desconhecido (ressalvada proteção a conhecimentos étnicos e
tradicionais).
-​ Inciso XXVIII: Proteção às Participações Individuais em Obras
Coletivas, Imagem e Voz Humanas:
Assegura a proteção às participações individuais em obras coletivas
(direito autoral), à reprodução da imagem e voz humanas (direito de
personalidade), inclusive nas atividades desportivas (direito de arena).
Direito de Arena: Faculdade das entidades desportivas de negociar a
imagem coletiva do espetáculo, com obrigação de repassar 20% do valor
comercializado aos atletas (salvo acordo em contrário).
-​ Inciso XXIX: Proteção à Propriedade Industrial:
A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais,
à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
distintivos, visando o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e
econômico do País. Garante o direito de obter a patente e sua utilização
exclusiva temporária. Marcas podem ser de comércio (mercadorias),
serviço (autônomo, entidade ou empresa) e indústria (produtos).
-​ Inciso XXX: Direito de Herança:
É garantido o direito de herança, que é o conjunto de bens, direitos e
deveres patrimoniais do falecido. Impede que o Estado se aproprie dos
bens na ausência de herdeiros diretos.
-​ Inciso XXXI: Sucessão de Bens de Estrangeiros:
A sucessão de bens de estrangeiros situados no Brasil será regulada
pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou filhos brasileiros, sempre que
lhes for mais favorável que a lei pessoal do de cujus.
-​ Inciso XXXII: Defesa do Consumidor:
O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor. O
consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto
ou serviço como destinatário final. O Código de Defesa do Consumidor (Lei
8.078/90) regulamenta este direito.
-​ Inciso XXXIII: Direito à Informação dos Órgãos Públicos:
Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas
no prazo da lei (15 dias), sob pena de responsabilidade. Ressalvadas aquelas
cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. A
violação pode levar a mandado de segurança e reparação por prejuízo.
-​ Inciso XXXIV: Direito de Petição e Obtenção de Certidões:
Assegura a todos, independentemente de pagamento de taxas:
a) Direito de Petição: Pleitear e formular pedidos à Administração Pública
em defesa de direitos ou contra ilegalidade/abuso de poder. Pode ser
exercido por qualquer pessoa física ou jurídica identificada, sem
necessidade de advogado. O pedido pode ser encaminhado a qualquer
órgão do poder público (Executivo, Legislativo, Judiciário, autarquias,
empresas prestadoras de serviços públicos). Não pode haver cobrança de
taxas.
b) Obtenção de Certidões: Obter certidões em repartições públicas para
defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. A
certidão é um documento público que comprova a existência de um fato.
-​ Inciso XXXV: Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição:
A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça
a direito. Significa que somente o Poder Judiciário tem a prerrogativa de
solucionar conflitos de interesses quando provocado, dizendo o direito
aplicável ao caso concreto.

Questões Objetivas de Direito Constitucional I

Instruções: Escolha a alternativa correta para cada questão.

Parte 1: Conceitos Fundamentais da Constituição e Poder Constituinte

1.​ A Constituição Federal de 1988 é classificada, quanto à sua origem,


como:

a) Outorgada

b) Pactuada

c) Promulgada

d) Dualista​

2.​ Em relação à mutabilidade ou alterabilidade, a Constituição Federal


de 1988 é considerada:

a) Flexível
b) Semirrígida

c) Rígida

d) Imutável​

3.​ O Poder Constituinte Originário possui como características


principais ser:

a) Derivado, limitado e condicionado

b) Inicial, ilimitado e incondicionado

c) Reformador, condicionado e transitório

d) Revisor, autônomo e limitado​

4.​ A reformulação (modificação) das normas constitucionais através de


emendas constitucionais é uma atribuição do Poder Constituinte:

a) Originário

b) Revisor

c) Decorrente

d) Reformador​

5.​ (OAB/FGV) No que tange à vigência e eficácia das normas


constitucionais, assinale a afirmativa correta:

a) A repristinação ocorre quando uma lei é revogada por outra, mas


volta a existir se a lei revogadora for revogada.
b) Uma nova Constituição não revoga automaticamente a
Constituição anterior, apenas suspende sua eficácia.

c) As normas infraconstitucionais elaboradas na época da


Constituição antiga sempre se tornam inconstitucionais com a
entrada em vigor de uma nova Constituição.

d) Normas de eficácia plena dependem de complementação por


norma infraconstitucional para produzir todos os seus efeitos.​

6.​ As normas constitucionais que produzem a plenitude de seus efeitos,


mas podem ter seu alcance restringido por lei posterior, são
classificadas como de eficácia:

a) Limitada

b) Plena

c) Contida

d) Programática​

7.​ O princípio de interpretação constitucional que busca estabelecer a


inexistência de hierarquia entre quaisquer princípios de
interpretação da Constituição é o da:

a) Máxima Efetividade

b) Unidade

c) Harmonização

d) Proporcionalidade​
8.​ A respeito das gerações ou dimensões dos direitos fundamentais, os
direitos à saúde, ao trabalho e à educação são exemplos de direitos
de:

a) Primeira Geração

b) Segunda Geração

c) Terceira Geração

d) Quarta Geração​

Parte 2: Artigo 5º da CF/88 - Direitos e Deveres Individuais e Coletivos

9.​ (OAB/FGV) O Art. 5º da Constituição Federal estabelece que "todos


são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
e à propriedade, nos termos seguintes". Com base no conceito de
igualdade material, assinale a afirmativa correta:

a) Igualdade material significa que todos devem ser tratados da


mesma maneira, sem qualquer diferenciação.

b) A igualdade material busca tratar de forma especial os mais fracos


para aproximá-los dos mais fortes.

c) A igualdade material é um conceito que se confunde com a


igualdade formal.

d) O princípio da igualdade material é absoluto e não admite


exceções.​

10.​A respeito do inciso III do Art. 5º da CF/88 ("ninguém será submetido


a tortura nem a tratamento desumano ou degradante"), a Lei nº
9.455/97 define tortura, entre outras situações, como constranger
alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe
sofrimento físico ou mental, com o fim de:

a) Obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira


pessoa.

b) Aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.

c) Provocar ação ou omissão de natureza criminosa.

d) Todas as alternativas anteriores estão corretas.​

11.​ O Art. 5º, IV, da CF/88 dispõe que "é livre a manifestação do
pensamento, sendo vedado o anonimato". A vedação ao anonimato
visa:

a) Impedir qualquer forma de manifestação de pensamento.

b) Coibir a manifestação de conteúdo imoral e possibilitar a


responsabilização civil e/ou criminal.

c) Limitar a liberdade de expressão apenas a meios escritos.

d) Excluir a manifestação oral do alcance da proteção constitucional.​

12.​(Concurso Público) De acordo com o Art. 5º, V, da CF/88, é


assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da
indenização por dano material, moral ou à imagem. O dano moral,
para ser reconhecido, depende da necessidade de saber se:

a) O dano material abrangeu os lucros cessantes.

b) A ofensa foi proferida por meio escrito.

c) Terceira pessoa tomou conhecimento da ofensa.


d) A indenização foi requerida de forma autônoma.​

13.​ Sobre a liberdade de consciência e de crença, o Art. 5º, VI, da CF/88


estabelece que é inviolável, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos e garantida a proteção aos locais de culto e a sua
liturgia. Diante disso, é correto afirmar que:

a) Permite a criação de seitas de magia negra utilizando o sacrifício


de seres humanos.

b) Compreende apenas o direito de consciência, não a liberdade de


crença.

c) Assegura o livre exercício dos cultos religiosos, mas não a proteção


aos locais de culto.

d) Garante um direito e duas garantias.​

14.​O Art. 5º, VIII, da CF/88 permite a escusa de consciência. Um cidadão


pode alegar tal escusa para eximir-se de obrigação legal imposta a
todos e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei. Isso
significa que a escusa de consciência só pode ser alegada quando:

a) A obrigação legal imposta a todos não permite uma prestação


alternativa.

b) A prestação alternativa está prevista em lei.

c) Não há qualquer obrigação legal imposta.

d) A crença religiosa não tem previsão em lei.​

15.​Conforme o Art. 5º, X, da CF/88, são invioláveis a intimidade, a vida


privada, a honra e a imagem das pessoas. No que tange à intimidade
e vida privada das pessoas públicas (políticos, atores, músicos, etc.), é
correto afirmar que:

a) Não há qualquer distinção em relação às pessoas não públicas,


sendo sua intimidade e vida privada absolutamente invioláveis.

b) Possuem uma esfera de intimidade e vida privada mais restrita


devido à notoriedade.

c) A Constituição não prevê proteção à intimidade e vida privada das


pessoas públicas.

d) A proteção à intimidade e vida privada é absoluta para todas as


pessoas, públicas ou não.​

16.​O Art. 5º, XI, da CF/88, estabelece a inviolabilidade do domicílio.


Segundo o STF, o conceito de "casa" para fins constitucionais
abrange:

a) Apenas o local de residência principal do indivíduo.

b) Qualquer compartimento habitado, qualquer aposento ocupado


de habitação coletiva e qualquer compartimento privado onde
alguém exerce profissão ou atividade (área interna não acessível ao
público).

c) Somente o local de pernoite do indivíduo.

d) Exclusivamente o endereço registrado no documento de


identidade.​

17.​ (OAB/FGV) O sigilo da correspondência e das comunicações


telefônicas é inviolável, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação
criminal ou instrução no processo penal (Art. 5º, XII, CF/88). Sobre as
comunicações, considere as seguintes afirmações:

I. A interceptação telefônica se dá quando uma pessoa legalmente


autorizada intercepta uma chamada telefônica, sem ou com o
conhecimento de um dos interlocutores, e grava a chamada.

II. O fato de um dos interlocutores saber da interceptação


desconfigura-a como interceptação, tornando-a uma gravação
clandestina.

III. A gravação clandestina não é ilícita, mas pode sê-lo se for


confidencial e divulgada sem justa causa.

IV. A gravação ambiental somente é lícita quando se trata de


organizações criminosas.​

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I, II e III

b) I, III e IV

c) II e IV

d) I e IV​

18.​O Art. 5º, XIV, da CF/88 assegura a todos o acesso à informação e o


resguardo do sigilo da fonte, quando necessário ao exercício
profissional. A violação dessa garantia possui uma ação específica
para proteger os indivíduos, que é o:

a) Habeas Corpus

b) Mandado de Injunção
c) Ação Popular

d) Habeas Data​

19.​A respeito do direito de reunião (Art. 5º, XVI, CF/88), é correto afirmar
que:

a) Exige autorização prévia da autoridade competente.

b) Deve ser pacífica e com armas, desde que para fins lícitos.

c) Exige apenas aviso prévio à autoridade competente, não devendo


ser confundido com autorização do Poder Público.

d) Pode frustrar outra reunião anteriormente convocada para o


mesmo local.​

20.​(Concurso Público) Analise as características das associações e


reuniões, conforme o Art. 5º da CF/88:

I. A associação é uma reunião estável e permanente, que visa um fim


lícito comum, diferenciando-se da reunião pela duração e finalidade.

II. A criação de associações e cooperativas independe de autorização,


sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento, exceto
se tiverem caráter paramilitar.

III. As associações podem ser compulsoriamente dissolvidas ou ter


suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no caso
de dissolução, o trânsito em julgado.

IV. Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou permanecer


associado, sendo a exigência de filiação a Conselhos Regionais (OAB,
CRM, etc.) para o exercício profissional uma exceção a este inciso.​

Estão corretas as afirmativas:

a) I, II e III apenas

b) I, III e IV apenas

c) II, III e IV apenas

d) I, II, III e IV​

21.​O direito de propriedade (Art. 5º, XXII, CF/88) abrange qualquer


direito de conteúdo patrimonial ou econômico que possa ser
convertido em dinheiro. A utilização e o desfrute dessa propriedade
devem ser feitos:

a) De acordo com a livre vontade do proprietário, sem qualquer


limitação.

b) Priorizando o interesse individual em detrimento do social.

c) De acordo com a conveniência social da utilização da coisa


(função social da propriedade).

d) Exclusivamente para fins de obtenção de lucro.​

22.​(OAB/FGV) A desapropriação por necessidade ou utilidade pública,


ou por interesse social (Art. 5º, XXIV, CF/88), exige uma justa e prévia
indenização em dinheiro. A prevalência do interesse público sobre o
particular, nesse caso, visa:

a) Apenas a obtenção de bens para o Estado sem contrapartida.

b) Atender a necessidades coletivas e solucionar problemas sociais.

c) Submeter o particular aos caprichos do Poder Público.


d) Promover o lucro do Estado.​

23.​O Art. 5º, XXVI, da CF/88 trata da impenhorabilidade da pequena


propriedade rural. Para que essa propriedade não seja objeto de
penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade
produtiva, são requisitos que:

a) Seja de grande extensão e trabalhada por empregados.

b) O débito não decorra de sua atividade produtiva.

c) O bem seja explorado economicamente pela família e o débito


decorra da atividade produtiva.

d) Seja uma propriedade urbana em zona rural.​

24.​(Concurso Público) No que concerne ao direito de autor, conforme o


Art. 5º, XXVII e XXVIII, da CF/88:

a) O direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de


obras pertence aos autores por tempo ilimitado.

b) A proteção às participações individuais em obras coletivas não se


estende à reprodução da imagem e voz humanas.

c) O direito autoral protege obras literárias, artísticas ou científicas


originais, e o domínio público ocorre, via de regra, após 70 anos
contados de 1º de janeiro subsequente ao falecimento do autor.

d) O direito de arena é uma faculdade do atleta de negociar sua


imagem individual, sem repasse para as entidades desportivas.​

25.​O Art. 5º, XXXIII, da CF/88, garante o direito a receber informações dos
órgãos públicos. Esse direito pode ser excepcionado quando:
a) O pedido de informação foi de interesse particular do solicitante.

b) O sigilo da informação é imprescindível à segurança da sociedade


e do Estado.

c) A informação for de interesse coletivo ou geral.

d) O órgão público não tem tempo para prestar a informação no


prazo.​

26.​(OAB/FGV) De acordo com o Art. 5º, XXXIV, da CF/88, são assegurados


a todos, independentemente do pagamento de taxas:

I. O direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou


contra a ilegalidade ou abuso de poder.

II. A obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de


direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal.

III. A propositura de ações judiciais de qualquer natureza.

IV. A representação por advogado para o exercício do direito de


petição.​

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II

b) II e III

c) I e IV

d) III e IV​

27.​ O princípio da inafastabilidade da jurisdição, previsto no Art. 5º, XXXV,


da CF/88, significa que:
a) A lei pode excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito, desde que haja justificativa.

b) Somente o Poder Judiciário tem a prerrogativa de, quando


provocado, dizer o direito aplicável em cada fato concreto,
solucionando um conflito de interesses.

c) O Poder Judiciário pode agir de ofício, sem provocação, para


solucionar conflitos.

d) Outros poderes podem apreciar lesão ou ameaça a direito antes


do Poder Judiciário.​

Gabarito:

1.​ c
2.​ c
3.​ b
4.​ d
5.​ a
6.​ c
7.​ c
8.​ b
9.​ b
10.​d
11.​ b
12.​c
13.​ d
14.​b
15.​b
16.​b
17.​ b
18.​d
19.​c
20.​d
21.​c
22.​b
23.​c
24.​c
25.​b
26.​a
27.​b

Questões Objetivas sobre os Artigos 1º, 2º, 3º e 4º da CF/88 (em


português)

Instruções: Escolha a alternativa correta para cada questão.

1.​ De acordo com o Artigo 1º da Constituição Federal de 1988, a


República Federativa do Brasil constitui-se em:

a) Estado Unitário

b) Estado Democrático de Direito

c) Estado Autoritário

d) Estado Confederado​

2.​ Entre os fundamentos da República Federativa do Brasil, conforme


estabelecido no Artigo 1º da CF/88, encontram-se:

a) A centralização do poder e a intervenção estatal na economia

b) A soberania, a cidadania e a dignidade da pessoa humana


c) A teocracia e o isolamento nacional

d) A oligarquia e o livre mercado sem regulação social​

3.​ O parágrafo único do Artigo 1º da CF/88 afirma que "todo o poder


emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
diretamente, nos termos desta Constituição." Essa disposição
refere-se a:

a) Exclusivamente à democracia indireta

b) Exclusivamente à democracia direta

c) Ao princípio da soberania popular, permitindo tanto o exercício


direto quanto o indireto do poder

d) Ao princípio da soberania estatal, sem participação popular​

4.​ (OAB/FGV - Adaptado) No que tange aos fundamentos da República


Federativa do Brasil, o Art. 1º, III, da CF/88 expressamente cita a
dignidade da pessoa humana. Esse fundamento implica que:

a) O indivíduo é meramente um instrumento para os fins do Estado.

b) O ser humano é o fim último do Estado e de sua ordem jurídica.

c) Somente os cidadãos com plenos direitos políticos possuem


dignidade.

d) É um princípio de importância secundária, subordinado aos


interesses econômicos.​
5.​ O Artigo 2º da Constituição Federal de 1988 dispõe que "São Poderes
da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário." Este princípio incorpora a teoria da:

a) Monarquia Absoluta

b) Teocracia

c) Separação dos Poderes (Freios e Contrapesos)

d) Governo Unitário​

6.​ (Concurso Público - Adaptado) Em relação à independência e


harmonia entre os Poderes, conforme estabelecido no Artigo 2º da
CF/88, é correto afirmar que:

a) A independência implica que um Poder é subordinado ao outro.

b) A harmonia significa que os Poderes devem colaborar para o bom


funcionamento do Estado, evitando conflitos desnecessários.

c) O Poder Legislativo não possui funções típicas.

d) A separação de poderes pode ser abolida por emenda


constitucional.​

7.​ Um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil,


conforme disposto no Artigo 3º, I, da CF/88, é:

a) Estabelecer uma sociedade totalitária.

b) Construir uma sociedade livre, justa e solidária.

c) Centralizar todo o poder no Executivo.


d) Promover a fragmentação do território nacional.​

8.​ (OAB/FGV - Adaptado) O Artigo 3º, III, da CF/88 estabelece como


objetivo fundamental "erradicar a pobreza e a marginalização e
reduzir as desigualdades sociais e regionais." Este objetivo implica
uma:

a) Postura passiva do Estado, sem intervenção.

b) Atuação ativa e constante do Estado para a redução das exclusões


sociais.

c) Meta a ser alcançada exclusivamente por meio de esforços


individuais.

d) Objetivo que diz respeito apenas a aspectos econômicos, não


sociais.​

9.​ O objetivo previsto no Artigo 3º, IV, da CF/88, "promover o bem de


todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação," reforça o princípio da:

a) Meritocracia sem intervenção estatal.

b) Discriminação positiva.

c) Igualdade e não discriminação.

d) Exclusão de minorias.

10.​O Artigo 4º da Constituição Federal de 1988 elenca os princípios que


regem a República Federativa do Brasil em suas relações
internacionais. Entre eles está:

a) A intervenção nos assuntos internos de outros Estados.


b) O repúdio ao terrorismo e ao racismo.

c) A busca pelo conflito armado para resolver disputas.

d) A subordinação a organizações internacionais.​

11.​ (Concurso Público - Adaptado) O princípio da "autodeterminação dos


povos," expresso no Artigo 4º, III, da CF/88, significa que o Brasil:

a) Tem o direito de interferir nas escolhas políticas de outras nações.

b) Deve respeitar o direito de cada povo de escolher livremente seu


sistema político, econômico, social e cultural.

c) Defende a imposição de seu próprio sistema político a outros


países.

d) Prioriza seus interesses nacionais em detrimento da soberania de


outras nações.​

12.​O parágrafo único do Artigo 4º da CF/88 afirma: "A República


Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e
cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma
comunidade latino-americana de nações." Essa disposição indica:

a) Uma aspiração de liderança global, sem foco regional.

b) Uma prioridade da política externa brasileira para a integração


regional.

c) Um desinteresse pela cooperação internacional.

d) Uma preferência por relações bilaterais à distância das


multilaterais na América Latina.​
Gabarito:

1.​ b
2.​ b
3.​ c
4.​ b
5.​ c
6.​ b
7.​ b
8.​ b
9.​ c
10.​b
11.​ b
12.​b

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