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728 - MG (2009/0118263-2)
ACÓRDÃO
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Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Raul Araújo,
conhecendo em parte e, nessa parte, dando provimento ao recurso especial, acompanhando
o voto divergente do Ministro Luis Felipe Salomão, e o voto da Sra. Ministra Maria Isabel
Gallotti, no mesmo sentido, a Turma, por maioria, conheceu em parte do recurso especial e,
nessa parte, deu-lhe provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Luis Felipe Salomão, que
lavrará o acórdão.
Vencido o Sr. Ministro João Otávio de Noronha que dava provimento ao recurso
especial para anular o acórdã[Link] com o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão os Srs.
Ministros Raul Araújo e Maria Isabel Gallotti.
Não participou do julgamento o Sr. Ministro Antonio Carlos Ferreira.
Brasília (DF), 30 de junho de 2011(Data do Julgamento).
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RECURSO ESPECIAL Nº 1.145.728 - MG (2009/0118263-2)
RELATÓRIO
Os autores pediram indenização por danos morais e materiais, afirmando que Valéria é
mãe de Natália, portadora de paralisia cerebral decorrente da falta de atendimento adequado no
pós-parto.
Relataram o seguinte: Valéria teve uma gravidez tranquila e, com exceção da diabetes,
nada houve que fugisse do previsível. Quando entrou em trabalho de parto, foi atendida na
Maternidade Otaviano Neves pelo médico que a acompanhou durante o pré-natal.
Afirmaram que a salas cirúrgicas estavam cheias e que Valéria teve de esperar até que
uma fosse desocupada. Já na sala de parto, a criança nasceu apresentando “circular dupla de
cordão”. Foi atendida pelo obstetra em razão do atraso da pediatra. Quando ela chegou na sala de
cirurgia, cinco minutos depois do nascimento de Natália, o bebê apresentava asfixia.
Valéria não teve mais notícias da filha até as 23 horas, quando informaram-na de que
Natália seria transferida para a CTI, pois seu estado era grave.
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neonatologia. Vários peritos foram nomeados, mas declinaram posteriormente do encargo ante a
necessidade da especialidade.
Até que a autora, afirmando que não tinha condições de arcar com os honorários de um
especialista, requereu fosse oficiada a Central de Perícias Médicas do Foro para que indicasse um
perito. Foi nomeada a Dra. Silvia Guelman, sem indicação de qualificação na área requisitada.
a) vulneração das disposições do artigo 535, II, do Código de Processo Civil ante a
rejeição dos embargos declaratórios, nos quais foram apontadas omissões, principalmente no que
tange à prova produzida nos autos;
c) vulneração dos artigos 932, III, do Código Civil de 2002, tendo em vista que a
responsabilidade dos hospitais por erro medico é subjetiva. Neste ponto, indicou-se divergência de
entendimento jurisprudencial;
d) a prova pericial não foi conclusiva, pois não foi indicada a existência de culpa ou de
nexo de causalidade, sendo que o acórdão recorrido adotou, como fundamento de sua decisão,
trechos da perícia que contém apenas suposições, o que levou à vulneração das disposições do
artigo 333 do CPC;
f) incabível a fixação de danos materiais à primeira autora, porquanto ela não está
impedida de desenvolver atividades lucrativas;
O recurso especial foi devidamente contra-arrazoado e veio a esta Corte por decisão
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positiva de admissibilidade.
É o relatório.
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RECURSO ESPECIAL Nº 1.145.728 - MG (2009/0118263-2)
EMENTA
VOTO
O caso sub judice está embasado em erro médico; nada obstante, os autores aviaram a
ação apenas em desfavor da Maternidade Octaviano Mendes, onde os fatos se desenrolaram. Essa
empreitada foi bem sucedida, tendo em vista o entendimento fixado nas instâncias de origem de que
a responsabilidade do hospital é objetiva.
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Não houve discussões sobre a relação existente entre os médicos e o hospital, ou entre
o hospital e os autores. Estes chegaram a apontar falha na prestação de serviços relativos ao
atendimento hospitalar, afirmando que a paciente teve de esperar por vaga no centro cirúrgico, o que
teria retardado o parto; mas a discussão caiu no vazio, pois o hospital comprovou o contrário.
Nada mais foi alegado em relação ao hospital, de forma que o fundamento jurídico
preponderante cingiu-se à existência de erro médico fundado em imperícia.
E, quanto à questão do erro médico entendo que não está elucidada adequadamente,
cabendo as seguintes considerações.
Na audiência de conciliação, ficou estipulado que a perícia deveria ser realizada por
profissional(is) especializado(s) em neurologia e neunatalogia. Compulsando os autos, vê-se que
foram nomeados diversos profissionais, que declinaram do cargo por não possuírem as
especialidades requeridas. Até que a penúltima médica nomeada fez uma proposta de honorários no
valor de R$ 5.000,00, que seriam pagos, segundo a condução do processo realizada pelo Juiz
primeiro, pelos autores, que não tiveram condições financeiras de suportar tal custo. Observa-se
inclusive que estão sob o pálio da justiça gratuita. Assim, uma nova nomeação foi feita, dessa vez
incidindo em médica componente do quadro permanente do Tribunal, Silvia Guelman (e-STJ, fls.
361).
A causa de pedir está assentada na imperícia médica: obstetra não tem competência
para realizar os primeiros procedimentos no nascituro. Por esse viés de pensamento, há de se
pressupor que um médico não especializado seja inapto para desenvolver uma perícia que tem por
fim a apuração de danos de ordem neurológica;
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- o pediatra chegou à sala de parto alguns minutos após o nascimento da
segunda autora, fato que evidencia que a maternidade contrariou o artigo 2o da Portaria n.
96/94.
Os autos não indicam deficiência na realização do pré-natal, mas também não indicam
que a primeira autora tenha sido submetida a exames que pudessem detectar má-formação
neurológica do feto.
Consta do acórdão:
"O exame dos autos, constata-se que a nota APGAR 7-8, dada para o
recém-nascido, foi conferida no primeiro e quinto minutos pelo obstetra (prontuário
f. 19, TJ), considerando a terceira requerente normal ao nascimento.
Os autores indagaram a perita oficial se, 'com base na apgar 7/8, considerada
satisfatória, atribuída à periciada, pós-nascimento (resposta ao quesito nº 17, da ré),
e nos relatos de que a evolução da dinâmica de pré-parto ocorria sem incidentes,
dispensando, dessa forma, a cesariana, pode-se afirmar que a instalação da lesão
cerebral teve origem em evento consumado após o trabalho de parto, eliminando,
assim, qualquer interferência na saúde na fase intra-uterina?' (f. 611, TJ). A perita
oficial, sobre o quesito formulado, respondeu: "caso persista a referida avaliação
('apgar 7/8') e, partindo da presunção de inocorrência de sofrimento fetal agudo, é
possível afirmar que a instalação da lesão cerebral teve origem em evento
consumado após o trabalho de parto. O quadro de entrada no centro de terapia
intensiva contrasta com a caracterização do estado nos primeiros cinco minutos
pós-parto.' (f. 619-v, TJ)
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'3- A Maternidade Octaviano Neves é dotada de vários berçários, inclusive de
'berçário de alto risco' e este se equipara a uma UTI?
R: Conforme documentação obtida por diligência, havia uma separação de
unidade de risco usual e alto risco; todavia não disponibilizava recursos técnicos e
humanos para equiparação com UTI. (f. 310, TJ)
(...)
Em primeiro lugar, a nota APGAR é um teste realizado para avaliação dos 5 sentidos no
primeiro, quinto e décimo minuto após o nascimento. Se o obstetra deu nota 7, com ao qual
concordou o pediatra, que significa asfixia moderada, há de entender que a avaliação foi correta.
Depois, vê-se que das respostas acima indicadas pela perita, não há conclusão sobre
nada, nenhum erro ou equívoco médico; parte de pressupostos e hipóteses.
Esse fato não passou despercebido pelo recorrente (maternidade), que, em seus
embargos declaratórios, pontuou a falta de conclusão da perícia em relação à causa provável de
dano. Observe-se:
E, continua o embargante:
"... Com efeito a perita se resume a falar que não há documentação bastante
para configurar, com certeza, nenhuma das hipóteses, em que pese afirmar que
assistência foi corretamente prestada pela Apelante.
(...)
20. Passa, então, a perita a responder, em tese, várias questões hipotéticas,
tanto do Apelante, como dos Apelados. Sem nunca precisar, contudo, que a doença
da 2a Apelada é decorrente de situação ao parto.
(...)
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Realmente, todas as respostas da perícia têm alguma pressuposição, não sendo
ela conclusiva na verificação da origem do dano" (e-STJ - fl. 1.220).
Quanto à convulsão que a segunda autora teve após algumas horas depois do
nascimento, não há registros documentais suficientes para avaliação da situação, segundo a perita.
Não fosse por tudo isso, há de se considerar que nem toda patologia neurológica pode
ser detectada logo que a criança nasce, mormente quando o pré-natal não aponta nada nesse
sentido. Há certas patologias de ordem neural cuja causa é desconhecida da medicina moderna. A
acusação de imperícia médica teria cabimento se comprovado que o médico provocou, com sua
ação inábil, o desenvolvimento da doença e o que deixou de estancá-la, se possível fosse. Não há
nos autos, nem o acórdão apontou, nenhum viés de conduta inadequada por parte do corpo clínico da
maternidade.
Utilizou-se de trechos da perícia técnica, dando-lhes interpretação que não coaduna com
o restante do laudo. Portanto, as omissões apontadas em sede de embargos declaratórios são
fundamentais para o deslinde da lide.
Toda alegação de erro médico deve ter suporte na prova técnica, pois sendo o julgador
leigo no assunto, tem de trazer a si elementos especializados que lhe dêem embasamento ao
julgamento. As regras da experiência indicam que a perícia feita no corpo de um processo judicial
deve indicar se o profissional acusado prestou, dentro dos anais médicos, o socorro devido e
tempestivo, em relação e enquanto desenvolvia-se a patologia; e, se o profissional adotou os
procedimentos indicados nos tais anais, em relação às circunstâncias periciadas; ou se excedeu-se
na aplicação dos meios propedêuticos; e, nas hipóteses de patologias não elucidadas pela ciência
médica, esclarecer que não há estudos conclusivos sobre o assunto e, nesse caso, se o médico
conduziu-se, ou não, de forma razóavel diante das circunstâncias que lhe envolviam no momento do
atendimento.
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Ademais, o acórdão não apontou eventual falha no atendimento à criança, também não
relacionou a doença a nenhuma falha médica. Data venia, a mera ausência do pediatra nos minutos
iniciais é insuficiente para tanto, exceto se tivesse nos autos algum elemento que indicasse que
somente o pediatra teria condições de ter adotado alguma providência especial nos dois ou três
minutos em que ausente da sala de parto.
Sabe-se que o nascimento de crianças com excepcionalidades que lhe tolhem os atos da
vida entendida pelo homem como normal representa, muitas vezes, uma dor lancinante para os pais,
que melhor lidam com isso quanto mais avançam em maturidade e equilíbrio.
Portanto, in casu, entendo que, para o deslinde da questão posta, de forma mais distante
de meras suposições, devem os autos retornar à origem para que as omissões apontadas nos
embargos declaratórios da Maternidade Octaviano Neves sejam esclarecidas.
Por todo o exposto, conheço do recurso especial ante a vulneração do artigo 535,
II, do Código de Processo Civil; anulo o acórdão de fls. 1.243/1.248, e-STJ ; e determino a
devolução dos autos ao Tribunal de origem para que outra decisão seja proferida como se
entender de direito.
É como voto.
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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUARTA TURMA
Relator
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS FONSECA DA SILVA
Secretária
Bela. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : MATERNIDADE OCTAVIANO NEVES S/A
ADVOGADO : ANDRÉ MARTINS MAGALHÃES E OUTRO(S)
RECORRIDO : VALÉRIA MENDES SPAGNOL FERREIRA E OUTROS
ADVOGADO : JULIANO FONSECA DE MORAIS
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Adiado por indicação do Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
Brasília, 21 de outubro de 2010
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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUARTA TURMA
Relator
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS PESSOA LINS
Secretária
Bela. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : MATERNIDADE OCTAVIANO NEVES S/A
ADVOGADO : ANDRÉ MARTINS MAGALHÃES E OUTRO(S)
RECORRIDO : VALÉRIA MENDES SPAGNOL FERREIRA E OUTROS
ADVOGADO : JULIANO FONSECA DE MORAIS
SUSTENTAÇÃO ORAL
Dr(a). LEONARDO DE ABREU BIRCHAL, pela parte RECORRENTE: MATERNIDADE
OCTAVIANO NEVES S/A
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Após o voto do Sr. Ministro João Otávio de Noronha, Relator, dando provimento ao
recurso especial para cassar o acórdão recorrido, pediu vista o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
Aguardam os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Aldir Passarinho Junior.
Brasília, 26 de outubro de 2010
Documento: 1014085 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 08/09/2011 Página 15 de 11
CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUARTA TURMA
Relator
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. ANTÔNIO CARLOS PESSOA LINS
Secretária
Bela. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : MATERNIDADE OCTAVIANO NEVES S/A
ADVOGADO : ANDRÉ MARTINS MAGALHÃES E OUTRO(S)
RECORRIDO : VALÉRIA MENDES SPAGNOL FERREIRA E OUTROS
ADVOGADO : JULIANO FONSECA DE MORAIS
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Adiado para a próxima sessão por indicação do Sr. Ministro Relator.
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RECURSO ESPECIAL Nº 1.145.728 - MG (2009/0118263-2)
RELATÓRIO
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O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais deu parcial provimento à
apelação da maternidade, ora recorrida, nos termos da seguinte ementa (fls. 1.200-1.211):
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E
MATERIAIS - PRELIMINAR - NULIDADE DE SENTENÇA - REJEITADA -
HOSPITAL - RESPONSABILIDADE OBJETIVA - RISCO NA PRESTAÇÃO DO
SERVIÇO - ÔNUS DA PROVA - INTELIGÊNCIA DO ART. 6º, VIII e 14, DO
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - DEVER DE INDENIZAR
CONFIGURADO - DANOS MATERIAIS - RESSARCIMENTO DEVIDO - DANO
MORAL - REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO - CORREÇÃO
MONETÁRIA. Rejeita-se a preliminar de nulidade da r. sentença, pois o MM.
Juiz abordou, segundo o seu livre convencimento motivado, a questão
posta, resolvendo-a de acordo com os motivos e elementos que expôs e
que resultaram no dispositivo que deu pela procedência da ação,
cumprindo, assim, as exigências do art. 93, IX da CR/88 e do art. 458 e art.
131 do CPC. Nos moldes do que preconizam os arts. 6º, VIII e 14, caput e §
3º, do CDC, cabe ao hospital-fornecedor demonstrar a segurança e a
qualidade da prestação de seus serviços, devendo indenizar o
paciente-consumidor que for lesado, em decorrência de falha naquela
atividade. No tocante aos danos materiais referentes as despesas com o
tratamento da menor, diante do reconhecimento da responsabilidade do
hospital, no caso em tela, é devida a referida indenização dos prejuízos que
causou aos autores. A indenização deve se dar em valor que não enseje o
enriquecimento desarrazoado de uma parte em detrimento da outra,
atendida a finalidade pedagógico-punitiva da condenação. A correção
monetária, quanto a indenização por danos morais, é devida a partir da r.
sentença.
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danos morais, o que não ocorreu;
c) afronta aos arts. 932, III, e 951 do CC, uma vez que a responsabilidade dos
hospitais por erro médico é subjetiva e regida pelo direito civil, sendo certo que essa entidade
só pode ser considerada prestadora de serviços, e portanto sujeita às normas do CDC, no
tocante aos serviços relacionados com o estabelecimento empresarial, tais como a estada
do paciente, as instalações hospitalares, entre outros;
d) equívoco quanto à prova pericial, cujo laudo não foi conclusivo, devendo ser
tal documento analisado pelo STJ, para constatação de que não houve culpa ou nexo de
causalidade no presente feito, tratando-se de questão puramente objetiva, tal qual a versada
no REsp 120.195, cujo relator verificou a data dos documentos para formar sua convicção
acerca da interpretação errônea do Tribunal a quo naquele caso. Ademais, o laudo pericial
não concluiu pela inexistência de doenças ou anomalias anteriores ao parto que possam ter
prejudicado o nascimento e desenvolvimento da neonata;
e) dissídio jurisprudencial com aresto do STJ quanto à fixação dos danos
morais, que, no feito sob análise, foi exacerbado (setenta e seis mil reais);
f) violação do art. 334, II e III, do CPC, em virtude de o Tribunal ter ignorado a
confissão da primeira recorrida quanto ao retorno às atividades estudantis e estágio
remunerado, errando na apreciação do valor jurídico da prova;
g) desconsideração do teor dos arts. 428, § 2º, e 432 da CLT que, regulando o
trabalho do aprendiz, prevê o pagamento de um salário mínimo-hora e uma jornada diária não
superior a seis horas;
h) dissídio pretoriano com arestos do STJ, porquanto a incidência da correção
monetária deve ocorrer a partir da data em que fixados os danos morais, uma vez que, nas
condenações por responsabilidade extracontratual (danos morais), não faz sentido ser o
termo inicial fixado em tempo pretérito ante a ausência do valor do dano;
i) violação do art. 335 do CPC, ao não fazer incidir as regras de experiência
para considerar que o atendimento por médicos de outras qualificações é prática comum na
vida dos hospitais, sem que isso traga complicações para o recém-nascido.
Foram apresentadas contrarrazões ao recurso (fls. 1.353-1.358) pugnando
pelo não conhecimento do especial, em virtude da incidência das súmulas 7 e 126 desta
Corte, bem como à ausência de infração aos dispositivos elencados.
O recurso foi admitido pelo Tribunal a quo (fls. 1.360-1.363).
O Ministro Relator deu provimento ao apelo, reconhecendo a violação do art.
535 do CPC, uma vez que a questão do alegado erro médico não teria sido elucidada a
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contento, mormente em razão da ausência de menção, na instância ordinária, sobre o fato de
a perita judicial - médica componente do quadro permanente do Tribunal -, ter a necessária
especialização (neurologia e neonatologia) para desenvolver a perícia, cujo fim é a apuração
de danos de ordem neurológica.
Entendeu o eminente Relator que, tendo a causa de pedir se assentado na
imperícia médica, os fatos considerados pelo Tribunal a quo para condenar a maternidade ao
pagamento de indenização por danos materiais e morais não teriam sido suficientemente
examinados, tais como: o nexo de causalidade entre o dano e a ausência do pediatra na sala
de parto; a efetiva realização de exames que atestassem que o feto não sofria de má
formação neurológica anteriormente ao parto; e a inadequação da conduta do corpo clínico da
maternidade tendente a ocasionar ou deixar de estancar, se possível, o desenvolvimento da
doença.
É o relatório.
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EMENTA
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VOTO
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De outra parte, o estabelecimento hospitalar é fornecedor de serviços e, como
tal, responde objetivamente pelos danos causados aos pacientes (art. 14, caput, do CDC),
toda vez que o fato gerador for o defeito do seu serviço (art. 14, § 1º).
Em outras palavras, a responsabilidade objetiva da sociedade empresária do
ramo da saúde não equivale à imputação de uma obrigação de resultado; apenas lhe impõe o
dever de indenizar quando o evento danoso proceder de defeito do serviço, sendo cediça a
imprescindibilidade do nexo causal entre a conduta e o resultado.
É esse o preceito insculpido no § 1º do art. 14 do Código Consumerista:
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o
consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as
circunstâncias relevantes, entre as quais:
I - o modo de seu fornecimento;
II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III - a época em que foi fornecido.
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ao fornecimento de recursos materiais e humanos auxiliares adequados à prestação dos
serviços médicos e à supervisão do paciente, hipótese em que a responsabilidade objetiva da
instituição (por ato próprio) exsurge somente em decorrência de defeito no serviço prestado
(art. 14, caput, do CDC);
(ii) os atos técnicos praticados pelos médicos, sem vínculo de emprego ou
subordinação com o hospital, são imputados ao profissional pessoalmente, eximindo-se a
entidade hospitalar de qualquer responsabilidade (art. 14, § 4, do CDC);
(iii) quanto aos atos técnicos praticados de forma defeituosa pelos profissionais
da saúde vinculados de alguma forma ao hospital, respondem solidariamente a instituição
hospitalar e o profissional responsável, apurada a sua culpa profissional. Nesse caso, o
hospital é responsabilizado indiretamente por ato de terceiro, cuja culpa deve ser comprovada
pela vítima de modo a fazer emergir o dever de indenizar da instituição, de natureza absoluta
(arts. 932 e 933 do CC), sendo cabível ao juiz, demonstrada a hipossuficiência do paciente,
determinar a inversão do ônus da prova (art. 6º, VIII, do CDC).
4. Retomando o caso concreto em apreço, o Tribunal a quo, decidindo pelo
dever de indenizar da instituição hospitalar, delineou a seguinte moldura fática (fls.
1.200-1.211):
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evento consumado após o trabalho de parto. O quadro de entrada no
centro de terapia intensiva contrasta com a caracterização do estado nos
primeiros cinco minutos pós-parto." (f. 619-v, TJ)
Cumpre destacar, ainda, que houve demora no atendimento da neonata no
CTI, o que contribuiu, consideravelmente, para o agravamento das seqüelas
suportadas pela criança.
Do laudo pericial extraí-se que:
"3- A Maternidade Octaviano Neves é dotada de vários berçários, inclusive
de 'berçario de alto risco' e este se equipara a uma UTI?
R: Conforme documentação obtida por diligência, havia uma separação de
unidade de risco usual e alto risco; todavia não disponibilizava recursos
técnicos e humanos para equiparação com UTI. (f. 310, TJ)
[...]
26- Tendo nascido o bebê às 21:30h e enviado ao CTI às 22:35, pode-se
afirmar ter ocorrido demora neste envio, mesmo estando a criança
anteriormente assistida em uma UTI?
R: São fatores críticos o lapso de tempo envolvido e os procedimentos de
suporte cardio-respiratório que antecedem a transferência, tanto mais
críticos se maior gravidade guarda o distúrbio. " (f. 312, TJ)
Constata-se do laudo pericial, das respostas dos quesitos 16 a 20, que "a
prestação do socorro imediatamente após a constatação das crises
convulsivas, poderia evitar o agravamento do quadro e que a ocorrência de
crises convulsivas podem ampliar uma lesão preexistente ao parto, sendo
que crises convulsivas prolongadas e repetitivas não socorridas a tempo
podem resultar no tipo de lesão semelhante ao da autora." (f. 315, TJ)
Assim, entendo que não há dúvida quanto à responsabilidade civil da
maternidade requerida, visto que restou devidamente demonstrado no feito
a negligência da ré no atendimento prestado às autoras, mãe e filha, na
ocasião do nascimento.
É fato incontroverso nos autos que não havia pediatra na sala de parto no
momento do nascimento da segunda requerente.
O artigo 2º da Portaria nº 96 de 14 de junho de 1994 prevê:
2. O atendimento na sala de parto consiste na assistência ao RN pelo
neonatologista ou pediatra, no período imediatamente anterior ao parto, até
que o recém-nato seja entregue aos cuidados da equipe profissional do
berçário/alojamento conjunto.
Portanto, através da leitura de tal artigo e do posicionamento da Perita
oficial acerca deste assunto, percebe-se ser imprescindível a presença do
pediatra no momento do parto, melhorando as perspectivas de atendimento
ao recém-nascido.
Acrescento que, devido à ausência de tal profissional na sala de parto no
momento do nascimento da segunda requerida, o obstetra que realizou o
trabalho de parto atribuiu a nota de APGAR para o recém-nascido.
Somente depois de aproximadamente vinte minutos, o pediatra veio discutir
a nota de APGAR atribuída pelo obstetra.
Desta forma, a nota de APGAR 7-8, concedida pelo obstetra prevalece,
posto que não foi impugnada no momento oportuno, porque não havia um
pediatra na sala de parto para contestá-la.
Acrescento, a nota de APGAR 7-8 faz presumir que a segunda requerente
nasceu em perfeitas condições de saúde. Neste ponto, vale transcrever a
resposta do quesito proposto na letra K, às fls. 772:
"Caso persista a referida avaliação ("APGAR 7/8") e, partindo da presunção
de inocorrência de sofrimento fetal agudo, é possível afirmar que a
instalação da lesão cerebral teve origem em evento consumado após o
trabalho de parto. O quadro de entrada no centro de terapia intensiva
contrasta com a caracterização do estado nos cinco primeiros minutos
pós-parto."
Ademais, não cumpre analisar se houve erro na avaliação de tal profissional
(obstetra) uma vez que a referida função cabia ao pediatra, que deveria
estar na sala de parto naquele momento e a nota atribuída pelo obstetra
somente prevaleceu exatamente porque o pediatra estava ausente em
momento que sua presença era imprescindível, configurando tal ausência a
negligência do requerido, que agiu em desobediência à portaria ministerial.
Analisando o conjunto probatório dos autos, em especial pelo depoimento
do médico obstetra da primeira requerente, o Dr. LUIZ GILBERTO DE
GARCIA GUERZONI, tem-se que ao longo da gravidez, não foi detectado
qualquer problema neurológico na criança, tendo a gravidez transcorrido
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normalmente, com o bebê nascido a termo e com peso dentro dos
parâmetros considerados normais.
Ainda, o laudo pericial confirma a presença de circular de cordão não
implica necessariamente em complicações para o recém nascido.
Não há nos autos elementos suficientes para autorizar a conclusão de que a
anomalia cerebral apresentada pela segunda requerente era anterior ao
parto, e mesmo que fosse, a situação da neonata certamente foi agravada
pela insuficiência respiratória posterior, não tratada a tempo oportuno e de
modo conveniente pela requerida.
A il. Expert afirma no laudo pericial, às fls. 315, que:
"...a prestação de socorro imediatamente após a constatação das crises
convulsivas fossem prolongadas e repetitivas não socorridas a tempo
podem resultar no tipo de lesão semelhante àquela hoje apresentada pela
segunda requerente."
Portanto, conclui-se que houve negligência da ré em não disponibilizar um
pediatra para assistência durante o parto e na demora do atendimento da
recém nascida no CTI, o que acarretou em progressivo agravamento do
quadro neurológico da segunda requerente, desde o nascimento, de acordo
com o laudo pericial, configurando-se a falha na prestação do serviço.
Ora, permissa venia, a analogia empregada no raciocínio não viceja, pois atinge
conclusão com base em evidências insuficientes e independentes entre si, qual seja, a de
que a incompetência de um obstetra para prestar atendimento a um recém-nascido com
problemas graves no parto, por ser esta a atribuição de um pediatra, implicaria concluir que
um médico perito sem especialização em neurologia seria incompetente para elaborar o
laudo.
5.1. Outrossim, aponta-se a alegada falta de relação causal entre a ausência de
pediatra na sala de parto (em que é dada a luz a uma criança com o cordão umbilical ao
redor do pescoço), e o dano por esta sofrido (em decorrência de falta de oxigenação).
Nesse ponto, uma vez mais, ouso discordar do eminente Relator pelas razões
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anteriormente expostas, fundamentadas com a transcrição de trechos da sentença e do
acórdão, atestando exatamente o contrário.
De fato, quanto ao ponto, vale lembrar que infirmar a decisão recorrida
demanda o revolvimento de matéria fático-probatória, o que é defeso a este Tribunal, ante o
óbice contido na Súmula 7 do STJ, sendo esse, por si só, motivo suficiente ao afastamento
da alegação de afronta ao art. 535 do CPC.
6. De modo à completa elucidação da celeuma, transcreve-se passagem do
laudo pericial (fls. 427), somente para reforçar a convicção já completamente formada, bem
como para demonstrar que, se o laudo, em alguns momentos, partiu de pressupostos e
hipóteses, isso se deveu à carência de documentação enviada pelo hospital, à falta de
uniformidade entre as descrições dos profissionais assistentes pertencentes ao quadro da
instituição, entre outros:
Uma vez no berçário de alto risco, evoluiu com respiração irregular e às
22:35 horas, desenvolveu franco quadro convulsivo. A entrada no Centro
de Terapia Intensiva deu-se dentro do intervalo de uma hora da referida
crise (fls. 25 a 27, prontuário médico hospitalar enviado pelo NeoCenter).
Segundo o relato da unidade intensiva, deu entrada com Hood (aparato
que concentra oxigênio em torno da cabeça do recém-nascido), mas
imediatamente procedeu-se à entubação endo-traqueal e instalação do
sistema de ventilação mecânica. Os dados explicitados em tabela - incluída
no sub-item "Exame de Documentos" indicam que a saturação de oxigênio
em Hood foi damonta de 37% e após instalação de ventilação mecânica
ascendeu para 81%. Os outros dados da tabela são indicativos de grave
insuficiência respiratória. Não há documentação suficiente para descrever o
quadro e procedimentos no intervalo que medeia a convulsão
testemunhada às 22:35 horas e o momento de entrada na área de cuidados
intensivos, descrita como sendo "duas horas de vida."
[...]
Pontos técnicos críticos na situação em tela envolvem a definição do marco
inicial da alteração descrita como convulsão e definição do período de
redução do déficit respiratório crítico para preservação do sistema nervoso
da recém-nascida. O primeiro implicaria em redefinição do momento de
intervenção e/ou transferência para a unidade intensiva. Um limitante, em
casos desta natureza, é a caracterização de movimentos atípicos como
tipificadores, ou não, de quadro convulsivo. De fato, não há uniformidade
entre as descrições dos profissionais assistentes e a valorização dos sinais
observados foi desigual. É possível que a decisão para observação em
unidade intensiva pudesse ter sido antecipada, o que permitiria melhor
documentação.
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Com efeito, repugna ao Direito a idéia de que aquele que retardou o labor
pericial, quer pela imprecisão da documentação, quer por seu envio tardio e paulatino, venha
a Juízo alegar a inconclusividade da perícia.
Por conseguinte, não se verifica violação ao art. 535 do CPC, uma vez que o
Tribunal de origem pronunciou-se de forma clara e suficiente sobre todas as questões postas
nos autos.
A mera leitura do recurso de apelação e dos embargos declaratórios, em cotejo
com os respectivos acórdãos, ressalta a ausência dos vícios apontados pela recorrente,
sendo certo que esta insurge-se contra as decisões que lhe foram desfavoráveis com o claro
intuito de rediscussão do mérito.
Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos
trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para
embasar a decisão.
Não há omissão, tampouco, quando o julgador adota outro fundamento que não
aquele perquirido pela parte, consoante dessume-se dos seguintes precedentes: AgRg no
Ag 428.554/RJ, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 17/06/2003, DJ
12/08/2003 p. 219; REsp 726.408/DF, Rel. Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado
em 15/12/2009, DJe 18/12/2009; REsp 679.135/GO, Rel. Ministro Aldir Passarinho Junior,
Quarta Turma, julgado em 15/12/2009, DJe 08/02/2010.
7. No que tange à violação ao art. 335 do CPC, melhor sorte não assiste à
recorrente.
É que a solicitação de aplicação das regras de experiência para considerar que
o atendimento por médicos de outras qualificações é prática comum na vida dos hospitais,
sem que isso traga complicações para o recém-nascido, consubstancia manifesta
infringência à norma expressa do Ministério da Saúde - que prevê a permanência de médico
pediatra na sala de parto (Portaria 96/94).
Assim, trata-se de pedido juridicamente impossível, porquanto repudiado pelo
Direito.
8. Quanto ao alegado dissídio jurisprudencial com aresto do STJ no tocante à
fixação dos danos morais que, no feito sob análise, teria sido estabelecido em patamar
exacerbado, não conheço do recurso.
Isso porque a divergência não foi comprovada nos moldes exigidos pelo RISTJ,
à míngua de similaridade fática entre os julgados confrontados.
Não obstante, verifica-se que o Tribunal, com ampla cognição fático-probatória,
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já reduzira a indenização fixada na sentença para R$ 76.000,000 (setenta e seis mil reais),
valor que não se mostra exacerbado ante as peculiaridades do caso concreto.
Consta do acórdão hostilizado:
Entretanto, razão assiste à apelante quanto ao elevado valor da
condenação de indenização por dano moral em R$ 100.000,00 (cem mil
reais), devendo ser reduzida para o patamar de R$ 76.000,00 (setenta e
seis mil reais), tal como pleiteado, pois deve se dar em valor que não enseje
o enriquecimento desarrazoado de uma parte em detrimento da outra,
atendida a finalidade pedagógico-punitiva da condenação, apesar do
sofrimento gerado pela doença da filha, que não podem ser mensurados em
valor econômico.
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10. Quanto à redução dos danos materiais a serem pagos à segunda
recorrida, ante o fato de que, entre os 14 e os 16 anos, nos termos do art. 428, § 2º, da CLT,
a remuneração é de um salário mínimo-hora, vedada a prorrogação da jornada diária de seis
horas, também não merece provimento o recurso.
É que, tendo a instância ordinária considerado adequado o valor de um salário
mínimo "a partir da data em que esta completar 14 anos até superveniente e total
convalescença", proceder à nova análise probatória para redimensionar a pensão, e formar
juízo entre a capacidade de trabalho perdida e a repercussão econômica na vida da recorrida,
ultrapassa os limites constitucionais do recurso especial, esbarrando no óbice da Súmula
7/STJ.
Seguindo esse mesmo enfoque, recentes julgados desta Corte:
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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUARTA TURMA
Relator
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. HUGO GUEIROS BERNARDES FILHO
Secretária
Bela. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : MATERNIDADE OCTAVIANO NEVES S/A
ADVOGADO : ANDRÉ MARTINS MAGALHÃES E OUTRO(S)
RECORRIDO : VALÉRIA MENDES SPAGNOL FERREIRA E OUTROS
ADVOGADO : JULIANO FONSECA DE MORAIS
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Luis Felipe Salomão,
conhecendo em parte do recurso e, nesta parte, dando-lhe provimento, divergindo do Relator, que
dava provimento ao recurso, PEDIU VISTA dos autos o Sr. Ministro Raul Araújo.
Aguarda a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti.
Não participou do julgamento o Sr. Ministro Antonio Carlos Ferreira.
Documento: 1014085 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 08/09/2011 Página 39 de 11
RECURSO ESPECIAL Nº 1.145.728 - MG (2009/0118263-2)
VOTO-VISTA
Após análise dos autos, pedindo vênia ao eminente Ministro Relator, adiro à
divergência inaugurada pelo Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, pois em seu percuciente
voto-vista propõe solução para controvérsia que em tudo se amolda ao entendimento por mim
firmado com base no exame dos fundamentos adotados pelo aresto hostilizado em confronto com
as razões deduzidas no presente apelo especial.
É como voto.
Documento: 1014085 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 08/09/2011 Página 40 de 11
CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUARTA TURMA
Relator
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
Subprocuradora-Geral da República
Exma. Sra. Dra. ANA MARIA GUERRERO GUIMARÃES
Secretária
Bela. TERESA HELENA DA ROCHA BASEVI
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : MATERNIDADE OCTAVIANO NEVES S/A
ADVOGADO : ANDRÉ MARTINS MAGALHÃES E OUTRO(S)
RECORRIDO : VALÉRIA MENDES SPAGNOL FERREIRA E OUTROS
ADVOGADO : JULIANO FONSECA DE MORAIS
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUARTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Raul Araújo, conhecendo
em parte e, nessa parte, dando provimento ao recurso especial, acompanhando o voto divergente
do Ministro Luis Felipe Salomão, e o voto da Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti, no mesmo
sentido, a Turma, por maioria, conheceu em parte do recurso especial e, nessa parte, deu-lhe
provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Luis Felipe Salomão, que lavrará o acórdão.
Vencido o Sr. Ministro João Otávio de Noronha que dava provimento ao recurso especial
para anular o acórdão.
Votaram com o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão os Srs. Ministros Raul Araújo e Maria
Isabel Gallotti.
Não participou do julgamento o Sr. Ministro Antonio Carlos Ferreira.
Documento: 1014085 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 08/09/2011 Página 41 de 11