UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO
Curso de Fisioterapia
CLAUDIA RUANA MILAN
GISLAINE APARECIDA DE OLIVEIRA MOTA
AVALIAÇÃO DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM
MULHERES: INFLUÊNCIA DO QUESTIONAMENTO
SOBRE A PREVALÊNCIA
Bragança Paulista
2016
CLAUDIA RUANA MILAN – R.A. 001201200970
GISLAINE APDA DE OLIVEIRA MOTA – R.A. 001201201600
AVALIAÇÃO DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM
MULHERES: INFLUÊNCIA DO QUESTIONAMENTO
SOBRE A PREVALÊNCIA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao curso de Fisioterapia da
Universidade São Francisco como
requisito parcial para obtenção do título
de Bacharel em Fisioterapia.
Orientadora Temática: Profª.Ms. Nathalia
Aiello Montoro.
Orientadora Metodológica: Profª Ms.
Grazielle Aurelina Fraga de Sousa.
Bragança Paulista
2016
CLAUDIA RUANA MILAN
GISLAINE APARECIDA DE OLIVEIRA MOTA
AVALIAÇÃO DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM
MULHERES: INFLUÊNCIA DO QUESTIONAMENTO
SOBRE A PREVALÊNCIA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao curso de Fisioterapia da
Universidade São Francisco, como
requisito parcial para obtenção do título
de Bacharel em Fisioterapia.
Data de aprovação: __/__/__
Banca Examinadora:
Profª Ms. Nathalia Aiello Montoro (Orientadora Temática)
Universidade São Francisco
Profª Ms. Grazielle Aurelina Fraga de Sousa (Orientadora Metodológica)
Universidade São Francisco
Profª Ms. Vitor Piquera de Oliveira (Examinador Convidado)
Universidade São Francisco
Claudia Ruana Milan
Dedico a Deus, sobretudo por me proporcionar a oportunidade de evoluir a cada dia.
Aos meus pais, que depositaram suas esperanças na minha capacidade e aos
orientadores que foram substrato para tornar este sonho possível. Por último, gostaria de
dedicar este trabalho à pessoa que eu era no exato momento em que fiz a escolha por
esta profissão, responsável por edificar meu espírito e me tornar mais humana.
Gislaine Aparecida de Oliveira Mota
Dedico este trabalho de graduação em Fisioterapia a Deus, aos meus pais e aos meus
orientadores, que me incentivaram e cooperaram de alguma maneira para a elaboração
deste trabalho.
AGRADECIMENTOS
Claudia Ruana Milan
Agradeço infinitamente a Deus, primeiramente pelo singular fato de me permitir a
existência, depois por me proporcionar saúde e me manter firme na extensa caminhada
que é a busca pelo conhecimento. Ao longo destes anos como universitária pude contar
com o apoio de diversas pessoas que constituíram base sólida para possibilitar a
concretização deste sonho.
Agradeço em especial à minha mãe, Evalda Apda Custódio Pinto, por cada dia de sua
vida dedicado à minha educação e à formação do meu caráter, por desempenhar seu papel
de mãe de um modo singular e excepcional, também por ser um exemplo de perseverança
e representar a mulher que eu gostaria de me tornar um dia. Ao meu pai, Claudio Milan,
que se fez presente em todos os instantes, fornecendo suporte e motivação, junto de minha
mãe, incentivando cada passo rumo ao sucesso.
Agradeço também a alguém que partilhou todos os momentos – bons e ruins, que pude
experimentar durante a graduação: Giovanni Magalhães. Obrigada pela compreensão e
plena confiança na minha capacidade, por cada sopro de esperança em meu coração,
muitas vezes exausto da luta. Agradeço também pelo incentivo ao amadurecimento
emocional frente aos desafios que a vida reserva.
A minha irmã, Carmen Milan Bertolini, que mesmo estando longe sempre se mostrou
orgulhosa de tudo aquilo que conquistei e continuo a conquistar, que partilha do meu
sangue e da minha vontade de vencer, que nunca deixou de me acolher e sempre
promoveu incentivo para que eu não me contentasse com nada inferior ao meu
merecimento.
Agradeço a minha companheira de batalha, Gislaine Apda de Oliveira Mota, que é um
ser humano extraordinário e possui esplêndida competência intelectual, obrigada pelos
valiosos anos de amizade, e por todo o empenho dedicado não só a este trabalho, mas a
tudo o que se propõe a fazer. Também às nossas orientadoras, docentes Nathália Aiello
Montoro e Grazielle Aurelina Fraga de Sousa, por nos guiarem pelo caminho certo. Em
especial à professora Nathália por representar uma grande inspiração às minhas ambições
profissionais e dedicar-se entusiasmadamente a extrair o máximo de nossas capacidades.
.
Agradeço à professora Katiuscia Rosetti Scasni, que embora não tenha participação no
presente trabalho, proporcionou-me aprendizado com tanto amor e dedicação que fez
despertar em mim uma sede insaciável de conhecimento por determinados assuntos,
influenciando imensamente o rumo da minha carreira. Obrigada pelos conselhos, querida
professora.
Também gostaria de citar a coordenadora do curso, professora Patrícia Teixeira Costa, de
quem tive o privilégio de ser aluna, por quem nutro profunda admiração em vista de sua
competência e brilhante capacidade profissional, agradeço por demonstrar em todos os
momentos que nunca podemos nos dar por satisfeitos quando o assunto é conhecimento.
A todo corpo docente da Universidade São Francisco, que configura nossa preciosa fonte
do saber, muito obrigada.
AGRADECIMENTOS
Gislaine Aparecida de Oliveira Mota
Agradeço primeiramente a Deus, que me amparou em todos os momentos, me dando fé
e forças para não desistir, nos momentos mais difíceis quando não encontrava soluções,
Deus em sua infinita bondade me iluminou e me deu coragem para encontrar o melhor
caminho, certamente sem sua misericórdia eu não chegaria até aqui.
Agradeço ao meu pai José Maria Mota por todo apoio, amor e motivação prestados, que
sempre esteve ao meu lado me dando forças para seguir em frente, que se esforçou muito
para tornar esse momento possível, à minha mãe Roseni de Oliveira Mota que teve em
todos os momentos um bom conselho, sempre com sua grande sabedoria me orientou a
perseverar e seguir meus objetivos. Agradeço grandemente por terem acreditado em mim,
sem o apoio da minha família essa jornada não seria concluída.
Agradeço também а todos оs professores qυе mе acompanharam durante а graduação,
еm especial às professoras Nathalia Aiello Montoro e Grazielle Aurelina Fraga de Sousa,
por todo conhecimento, paciência e didicação, fundamentais para a elaboração deste
trabalho.
Agradeço aos meus amigos que me ajudaram e incentivaram, que estiveram presentes em
minha vida, tornando a caminhada mais branda. Que me ampararam nos momentos de
estresse e me alegraram perante as tristezas e angústias.
Agradeço a minha amiga e companheira Cláudia, pela paciência frente as dificuldades,
sou muito grata por ter a oportunidade de partilhar este trabalho com uma pessoa tão
dedicada, agradeço por enfrentar ao meu lado todos os obstáculos que se fizeram
presentes não só na elaboração deste trabalho, mas no decorrer da graduação. Obrigada
por todo esforço, espero que continue presente em minha vida.
“O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a
um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos,
no mínimo fará coisas admiráveis.”
José de Alencar
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ------------------------------------------------------------------------ 8
2 OBJETIVOS --------------------------------------------------------------------------- 11
2.1 Objetivo Geral ---------------------------------------------------------------------- 11
2.2 Objetivos Específicos ---------------------------------------------------------------- 11
3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS -------------------------------------------- 12
4 ARTIGO CIENTÍFICO -------------------------------------------------------------- 14
5 ANEXOS--------------------------------------------------------------------------------- 27
5.1 ANEXO I - Normas da Revista ----------------------------------------------------- 27
5.2 ANEXO II - Cópia do Parecer de aprovação do CEP --------------------------- 30
8
1. INTRODUÇÃO
A bexiga é um órgão sacular músculo membranoso que tem a função de armazenar
urina para que, no momento apropriado, ela seja expelida pela uretra através de sua
contratura. A continência urinária é mantida pelo funcionamento correto e coordenado
do músculo detrusor e das estruturas da uretra. Para que haja continência é necessária
uma pressão intra-uretral maior do que a pressão intravesical no repouso ou durante os
esforços, sendo que, no repouso, a vascularização da submucosa, o tônus da musculatura
lisa e estriada são determinantes, e durante os esforços é preciso que haja a transmissão
passiva do aumento da pressão intra-abdominal à uretra, além de contração ativa e
reflexiva da musculatura estriada parauretral. A incontinência se dá quando estes
sistemas estão em desequilíbrio (BARACHO, 2002).
A disfunção pode ser classificada de acordo com a sintomatologia: incontinência
de urgência (IUU), por esforço (IUE) ou mista (IUM). Sendo IUU caracterizada por um
intenso e incontrolável desejo de urinar, juntamente com contrações do músculo
detrusor, que resultam na perda involuntária de urina; IUE durante esforços físicos,
quando há aumento na pressão intravesical e esta supera a pressão intra-uretral, com
ausência de contração do músculo detrusor, em situações de tossir, espirrar, rir, pular,
correr ou até mesmo andar ou mudar de posição; e IUM, que consiste na apresentação
de sintomas de ambos os tipos descritos anteriormente em IUU e IUE, isto é,
caracterizada por sintomas irritativos e de esforço. Os três tipos resultam na perda
involuntária de urina (BARACHO, 2002).
Estudos epidemiológicos mostram uma prevalência variando entre 30 e 55% em
adultos jovens e constatam seu aumento progressivo com a idade (TOLEDO, 2011). No
entanto este acometimento não se restringe apenas à idosas, embora este configure um
dos mais expressivos fatores de risco, mas também atinge jovens e na meia-idade, devido
a várias causas, sendo as maiores evidências a gravidez, o parto e as mudanças
hormonais da menopausa. Outros fatores são: obesidade, cirurgias ginecológicas,
constipação intestinal, doenças crônicas, hereditariedade, uso de determinados fármacos,
consumo de cafeína, tabagismo exercícios físicos, assim como diversos processos
fisiopatológicos e situacionais (DELARMINDO et al., 2013). São citados, ainda,
antecedentes relacionados a acidente vascular cerebral, paridade, tipos de parto, peso do
recém-nascido, depressão, limitação funcional, consumo de álcool, altos índices de
9
massa corporal, hipertensão arterial e fragilidade do tecido conjuntivo e dos músculos
do assoalho pélvico (MARTINES; TAMANINI, 2015).
Estima-se que existam no mundo aproximadamente 200 milhões de pessoas
apresentando algum tipo de IU, destas, a prevalência é duas vezes maior em indivíduos
do sexo feminino, diretamente proporcional ao aumento de idade e amplamente variável
(VIRTUOSO et al., 2009). O processo de envelhecimento, embora fisiológico, é
caracterizado por maior vulnerabilidade às doenças, que podem interferir direta ou
indiretamente na autonomia, mobilidade, destreza manual, lucidez e capacidade
funcional das vias urinárias inferiores e da bexiga, favorecendo a IU. Alguns estudos
apontam que a prevalência é mais acentuada entre os 40 e 60 anos. A elevada
prevalência e os possíveis gastos gerados ao sistema de saúde fazem da IU um problema
de saúde pública (LANGONI et al., 2014).
A prevalência da disfunção em mulheres independentemente da idade é superior
a 50% e a incidência da IU é diretamente proporcional à idade, atingindo 25% após a
menopausa, porém estima-se que apenas uma a cada quatro sintomáticas procure ajuda
médica. (BOTELHO et al., 2007). Dentre as razões da não procura pelo tratamento
destacam-se a desinformação devido ao fato do médico dizer que o tratamento não era
necessário, achar normal a perda, não ter tempo ou interesse pelo problema (SILVA;
LOPES, 2009).
Após confirmado o diagnóstico mediante à avaliação urodinâmica, que consiste
numa ferramenta que torna possível determinar a causa dos sintomas, avaliar a função
do músculo detrusor e esfíncteres além de apontar fatores de risco que podem
comprometer o trato urinário superior. Se trata de um estudo funcional do trato urinário
baixo, englobando avaliações das fases de enchimento e esvaziamento vesical,
juntamente com a medida das pressões vesical, uretral e abdominal, podendo a paciente
ser conduzida ao tratamento mais adequado para seu quadro (JÚNIOR; FILHO; REIS,
2010). Os resultados obtidos na etapa de avaliação podem confirmar ou modificar o
diagnóstico clínico e, baseando-se na história clínica e exame físico, influenciar na opção
de intervenção. As opções de tratamento podem ser cirúrgicas, medicamentosas ou
fisioterapêuticas, estas nas modalidades de cinesioterapia e eletroterapia (KNORST et
al., 2012). O tratamento cirúrgico não é efetivo em todos os casos, além da possibilidade
de recidiva dos sintomas antes de cinco anos, não sendo este priorizado (BERNARDES
et al., 2000).
10
O tratamento conservador é de primeira escolha, preconizado para os diferentes
tipos de IU, envolve o fortalecimento dos músculos pélvicos, descrito por Arnold Kegel
na década de 1940. Estes exercícios consistem na identificação e contração ativa dos
músculos esfincterianos urinários e anais (BOTELHO et al., 2007). Além disto, a
atuação fisioterapêutica em mulheres com IU pode envolver terapia comportamental e
recursos complementares como a eletroterapia por estimulação endovaginal
(BERNARDES et al., 2000).
No Brasil, a procura por tratamento é baixa, aproximadamente 10,7% das
mulheres procuram por atendimento ginecológico com queixa de perda urinária em
alguma fase da vida (CHIAPARA et al., 2007). Pessoas acometidas pela IU demoram a
procurar ajuda. Os sintomas podem perdurar por anos sem que as mulheres busquem ou
recebam auxílio e orientação de que existe tratamento. Principalmente mulheres que
apresentam graus leve e moderado de incontinência não costumam buscar ajuda por
entenderem como fisiológica a perda urinária (KNORST et al., 2006). O fato da IU não
ser vista como algo sério ou anormal e ser considerada parte do processo de
envelhecimento, baixa expectativa nos benefícios de tratamento e desconhecimento em
buscá-lo, vergonha ou medo de consultar um profissional de saúde dificultam a demanda
pelo atendimento (SILVA et al., 2007).
Embora a IU não coloque diretamente a vida de pessoas em risco, é uma condição
que pode trazer sérias implicações médicas, sociais, psicológicas e econômicas, afetando
diretamente de forma negativa a qualidade de vida (RETT et al., 2007).
2. OBJETIVO
11
2.1 Objetivo geral:
Verificar a influência do questionamento sobre a identificação da Incontinência Urinária
visando mensurar se existe aumento dos relatos na população quando questionada.
2.2 Objetivos específicos:
- Investigar a prevalência de Incontinência Urinária na população estudada;
- Comparar a identificação da disfunção mediante relatos em prontuário e após
abordagem por questionamento;
- Reconhecer qual dos tipos de Incontinência Urinária é mais frequente na população
estudada;
- Verificar o impacto da Incontinência Urinária na qualidade de vida da população
estudada.
12
3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARACHO E. Fisioterapia Aplicada à Obstetrícia: Aspectos de Ginecologia e
Neonatologia, 2002, 3ª ed, editora MEDSI, cap24. p. 274-277.
BERNARDES, N.O.; PÉRES, F.R.; SOUZA, E.B.L.; SOUZA, O.L. Métodos de
tratamento utilizados na incontinência urinária de esforço genuína: um estudo
comparativo entre cinesioterapia e eletroestimulação endovaginal. RBGO, 22 (1):
49-54, 2000. Disponível em <[Link]
72032000000100009&script=sci_arttext>. Acesso em 23 set. 2015.
BOTELHO F.; SILVA C.; CRUZ F. Incontinência Urinária Feminina. Ata
Urológica. Cidade do Porto – Portugal, 24(1): 79-82, 2007. Disponível em
<[Link] Acesso em 30 mai. 2015.
CHIAPARA T.R.C.; CACHO D.P.; ALVES A.F.D. Incontinência feminina.
Assistência fisioterapêutica e multidisciplinar. São Paulo. Livraria Médica Paulista
Editora; 2007.
DELARMELINDO, R.C.A.; PARADA, C.M.G.L.; RODRIGUES, R.A.P.;
BOCCHI, S.C.M. Estratégias de enfrentamento da incontinência urinária por
mulheres. Rev Esc Enferm USP. 47(2): 296-303, 2013. Disponível em <
[Link]
4>. Acesso em 05 mar. 2015.
KNORST M.R.; CAVAZZOTTO K.; HENRIQUE M.; RESENDE T.L.;
Intervenção fisioterapêutica em mulheres com incontinência urinária associada
ao prolapso de órgão pélvico. Rev Bras Fisioter, São Carlos, 16(2): 102-7, mar./abr.
2012. Disponível em <[Link]
12000200004&script=sci_aRtText>. Acesso em 20 mai. 2015.
LANGONI, C.S.; KNORST, M.R.; LOVATEL, G.A.; LEITE, V.O.; RESENDE, T.L.
Incontinência urinária em idosas de Porto Alegre: sua prevalência e sua relação
com a função muscular do assoalho pélvico. Fisioter Pesq. 21(1): 74-80, 2014.
Disponível em <[Link]
29502014000100074&script=sci_arttext&tlng=pt>. Acesso em 23 set. 2015.
MARTINES, G.A.; TAMANINI, J.T.N. Relação entre atividade física e
incontinência urinária: informações relevantes ao educador físico. Revista Saúde
e Pesquisa, 8(1): 149-155, jan./abr. 2015. Disponível em <
[Link] Acesso
em 17 set. 2015
RETT M.T.; SIMÕES, J.A.; HERRMANN, V.; GURGEL, M.S.C; MORAIS, S.S.
Qualidade de vida em mulheres após tratamento da incontinência urinária de
esforço com fisioterapia. Rev Bras Ginecol Obstet. 29(3): 134-140, 2007; Disponível
em < [Link]
72032007000300004&script=sci_arttext>. Acesso em 23 set. 2015.
13
JÚNIOR NA, FILHO MZ, REIS RB. Urologia Fundamental, 1ª ed, Editora
Planmark; 2010, cap24, p. 230-237.
SILVA L.; LOPES M.H.B.M. Incontinência urinária em mulheres: razões da não
procura por tratamento. Rev Esc Enferm USP, 43(1): 72-8, 2009. Disponível em
<[Link] Acesso em 29 mar. 2015.
TOLEDO D.D.; DEDICAÇÃO A.C.; SALDANHA M.E.S.; HADDAD M.;
DRIUSSO P. Physical Therapy treatment in incontinent women provided by a
Public Health Service. Fisioter. Mov. 24 (2): 327-335, 2011. Disponível em
<[Link] Acesso em 30 mai. 2015.
VIRTUOSO J.F.; BALBÉ G.P.; DIAS R.G.; MAZO G.Z. Sintomas de
incontinência urinária em idosos praticantes de atividade física. Fit Perf J. 8(5):
366-371, 2009. Disponível em <[Link]
ublication/272810959_Sintomas_de_incontinncia_urinria_em_idosos_praticantes_d
e_atividade_fsica/links/[Link]> Acesso em 28 mai. 2015.
14
4. ARTIGO CIENTÍFICO
Avaliação de Incontinência Urinária em Mulheres: Influência de Questionamento
Sobre a Prevalência
Claudia Ruana Milan1; Gislaine Aparecida de Oliveira Mota1; Grazielle Aurelina
Fraga de Sousa1; Nathalia Aiello Montoro1
1
Universidade São Francisco, Bragança Paulista, Brasil.
Correspondência: C. Milan, Universidade São Francisco. Rua Antônio Moretti 73,
Joanópolis, SP 12980-000, Brasil. claudia_ruana@[Link].
RESUMO
A incontinência urinária (IU) consiste na perda involuntária de urina e é classificada como
incontinência urinária de esforço (IUE), incontinência urinária de urgência (IUU) ou
incontinência urinária mista (IUM). Este estudo teve por objetivo principal verificar a
eficácia do questionamento sobre a presença da IU e mensurar se há aumento do relato
na população após abordagem, e também identificar os tipos e influência na qualidade de
vida (QV). Estudo transversal com análise de prontuários realizado no Estratégia de
Saúde da Família (ESF) Nilda Colli, em Bragança Paulista-SP, onde inicialmente foram
coletados dados sócio demográficos e registrados o número de relatos espontâneos e casos
em que não houve relato de IU, para posterior realização de visita domiciliar. Incluiu-se
mulheres de 18 a 90 anos que realizaram a Colpocitologia de janeiro a agosto de 2015 no
ESF. Durante a visita, as voluntárias foram questionadas sobre presença da IU, e tiveram
a mesma qualificada pelo “International Consultation on Incontinence Questionnaire –
Short Form” (ICIQ-SF). Das 41 participantes, a média de idade foi 53±13,8 anos. Foram
identificados 9,7% (n=4) relatos de IU e, após abordagem por questionamento, 61%
(n=25) das mulheres relataram perda urinária. Sobre os tipos de IU, a IUM foi
predominante 60% (n= 15), seguida de IUE com 28% (n=7) e IUU com 12% (n=3). O
escore referente à QV foi de 10,9 (±4,9). Revelou-se predominância de relatos da IU
mediante questionamento, sugerindo a eficácia da implantação de uma abordagem
rotineira acerca da presença de IU na atenção primária.
Palavra Chave: fisioterapia, incontinência urinária, prevalência
15
Introdução
O mecanismo de continência urinária ocorre com o funcionamento correto e
coordenado do músculo detrusor e estruturas uretrais. Para que haja continência é
necessária uma pressão intra-uretral maior do que a pressão intravesical no repouso ou
durante os esforços, sendo que a incontinência ocorre justamente quando estes sistemas
estão em desequilíbrio1. A incontinência urinária (IU) é definida como qualquer perda
involuntária de urina, estando na maior parte dos casos relacionada à perda de força
muscular no assoalho pélvico (MAP). Trata-se de uma disfunção mais frequente no sexo
feminino, sendo classificada como incontinência urinária de esforço (IUE),
incontinência urinária de urgência (IUU) ou incontinência urinária mista (IUM). Estudos
epidemiológicos mostram uma prevalência variando entre 30 e 55% em adultos jovens
e constatam seu aumento progressivo com a idade2.
O tratamento conservador de primeira escolha, preconizado para os diferentes
tipos de IU envolve o fortalecimento dos músculos pélvicos, descrito por Arnold Kegel
na década de 1940. Estes exercícios consistem na identificação e contração ativa dos
músculos esfincterianos urinários e anais3. Além disto, a atuação fisioterapêutica com
mulheres com IU pode envolver terapia comportamental e recursos complementares
como a eletroterapia.
No Brasil, a procura por tratamento é baixa, aproximadamente 10,7% das
mulheres procuram por atendimento ginecológico com queixa de perda urinária em
alguma fase da vida4. Pessoas acometidas pela IU demoram a procurar ajuda. Os
sintomas podem perdurar por anos sem que as mulheres busquem ou recebam auxílio e
orientação de que existe tratamento. Principalmente mulheres que apresentam graus leve
e moderado de incontinência não costumam buscar ajuda por entenderem como
fisiológica a perda urinária5. Alguns autores apontam razões para a não procura de
tratamento: o fato da IU não ser vista como algo sério ou anormal e ser considerada parte
do processo de envelhecimento, baixa expectativa nos benefícios de tratamento e
desconhecimento em buscá-lo, vergonha ou medo de consultar um profissional de
saúde6.
O objetivo do presente trabalho foi verificar a eficácia do questionamento sobre
a presença da IU visando mensurar se existe aumento dos relatos na população quando
16
feita a abordagem. Além disso, pretende-se reconhecer os tipos de disfunção e verificar
o seu impacto na qualidade de vida da população estudada.
Materiais e métodos
O trabalho se trata de um estudo transversal aprovado pelo Comitê de Ética e
Pesquisa da Universidade São Francisco (Parecer Nº: 1.190.121).
Participantes
Foram incluídas mulheres de 18 a 90 anos que compareceram ao Estratégia de
Saúde (ESF) Nilda Colli, em Bragança Paulista, SP, para realização do exame de
Colpocitologia entre os meses de Janeiro a Agosto de 2015. Todas as participantes que
apresentaram IU e aceitaram participar, assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido. Foram excluídas mulheres que não possuíam cognitivo preservado para
responder ao questionário, que se negaram a participar da pesquisa, bem como aquelas
que não foram encontradas em suas residências para coleta de dados.
Instrumentos
Para avaliação de perdas urinárias e qualidade de vida, aplicou-se o International
Consultation on Incontinence Questionnaire - Short Form (ICIQ-SF), traduzido e
validado para a língua portuguesa por Tamanini et al.7. Trata-se um questionário que visa
avaliar o impacto da IU na qualidade de vida, qualificando a perda urinária dos pacientes
analisados. É composto por quatro questões que avaliam a frequência, a gravidade e
impacto da IU, além de oito itens relacionados às causas ou situações de IU apresentadas
pelos pacientes.
Procedimentos
Foi realizada análise de dados dos prontuários das mulheres que compareceram
ao ESF Nilda Colli para realização do exame de colpocitologia visando identificar e
registrar separadamente o número de relatos espontâneos de IU, bem como casos em que
não houve relato espontâneo da perda urinária. A partir das informações disponíveis,
foram coletados também dados pessoais e de contato (nome, idade, IMC, variáveis
obstétricas, telefone e endereço). Posteriormente foram realizadas visitas domiciliares
acompanhando a equipe do ESF às residências das mulheres, que tiveram seus
prontuários analisados na primeira etapa para realização de questionamento sobre
presença de IU, incluindo a verificação da veracidade dos dados contidos nos prontuários
17
sobre a ocorrência da disfunção, além de apresentação e aplicação do questionário ICIQ-
SF.
Análise dos dados
Os dados foram tabulados no programa estatístico SPSS versão 22.0 e analisados
por meio da estatística descritiva com cálculo de média e desvio padrão para as variáveis
obstétricas, idade, IMC e pontuação no ICIQ-SF. Foi estimado em porcentagem o produto
da subtração entre o número de relatos espontâneos e o número de relatos após
questionamento a respeito da IU. Também em porcentagem se expressou a raça e
prevalência de IU, bem como seus tipos (IUE, IUU, IUM).
Foi utilizado o índice Kappa para verificar a concordância entre as formas de
identificação da ocorrência de IU: via prontuário e via questionamento. O teste Mann-
Whitney foi utilizado para comparação das variáveis: idade, parto normal e parto cesárea,
entre as mulheres com e sem IU. Os testes Correlação de Spearman e Exato de Fisher
foram utilizados, respectivamente, para verificar correlações e associações entre as
variáveis, sendo adotado nível de significância de p≤0,05.
Resultados
Inicialmente foram analisados 61 prontuários, destes foram excluídos 20 sujeitos,
resultando numa amostra final composta por 41 voluntários, com média de idade
52,93±13,8 anos. A maioria das mulheres era da raça branca 82,9% (n=34), seguida de
12,2% (n=5) da raça negra e 4,9% (n=2) parda. O estado civil prevalente foi de mulheres
casadas 63,8% (n=27), seguido de 14,6% (n=6) divorciadas, 12,2% (n=5) solteiras e 7,3%
(n=3) viúvas (tabela 1).
18
Tabela 1: Dados Sociodemográficos e Obstétricos da Amostra
Mulheres com IU Mulheres sem IU Total
(n=25) (n=16) (n=41)
Média (DP) Média (DP) Média (DP) Valor do p
Idade 57 (±12) 46,31 (±14,31) 52,93(±13,8) 0,026*
IMC 28,52 (±5,11) 28,53 (±5,38) 30,47 (±5,1) 0,847
Gestações 3,32 (±1,86) 2,31 (±1,99) 2,92 (±1,95) 0,101
Partos Vaginais 1,64 (±2,1) 1,31 (±2,02) 1,51 (±2,08) 0,663
Partos Cesáreas 1,32 (±1,4) 0,93 (±1,43) 1,17 (±1,39) 0,295
Raça n(%) n(%) Total
Branca 22 (88%) 12 (75%) 34 (82,9%)
Preta 0 2 (12,5%) 5 (12,2%)
Parda 3 (12%) 2 (12,5%) 2 (4,9%)
Estado Civil Total
Casadas 27 (63,8%)
Divorciadas 6 (14,6%)
Solteiras 5 (12,2%)
Viúvas 3 (7,3%)
*p<0,05 - teste Mann-Whitney
Dos sujeitos participantes da pesquisa, 61% (n=25) apresentaram a disfunção e
39% (n=16) não apresentaram. Das mulheres que apresentaram IU, foram identificados
9,7% (n=4) relatos em prontuário e, após abordagem por questionamento, 51,2% (n=21)
relataram a presença de perda urinária (figura 1). O Teste Exato de Fisher demonstrou
associação significativa entre a identificação da disfunção e a abordagem através de
questionamento (p<0,001), o que não ocorreu com a abordagem por relato espontâneo
(p>0,05). Em relação à concordância entre as formas de identificação da presença de IU,
o Índice Kappa não indicou concordância estatística entre o relato espontâneo e o relato
após questionamento para reconhecimento da disfunção (p>0,05).
19
Figura 1: Comparação do relato de incontinência urinária apontado em prontuário e após
abordagem por questionamento
0 5 10 15 20 25
Relato em Prontuário Relatos Após Questionamento
Dentre aquelas que relataram perda urinária, a média de idade foi 57±12 anos, a
raça de maior prevalência foi branca, com 88% (n=22). Ainda considerando mulheres
com IU, em relação ao estado civil, a maioria era casada 68% (n=17), o índice de massa
corpórea (OMS, 1997) coletado em prontuário variou de 20 a 40 kg/m², e teve média de
28,52±5,11. Em relação aos dados das mulheres que não apresentaram a disfunção, a
média de idade foi de 46,31 (±14,31) e do IMC foi 28,53 (±5,38), quanto à raça, a mais
prevalente foi a branca, com 75% (n=12) (tabela 1). Ao realizar a comparação entre as
variáreis sociodemográficas das mulheres com IU e sem a disfunção, foi observada
diferença significativa somente para idade, sendo maior nas mulheres com IU (p<0,05;
teste Mann-Whitney).
Em relação aos antecedentes obstétricos presentes entre as mulheres com perda
urinária, a média de gestações foi de 3,32±1,86 por indivíduo, quanto à via de parto, a
média foi de 1,64±2,1 para partos vaginais e 1,32±1,4 para cesáreas. Entre as mulheres
que não apresentaram a disfunção, a média de gestações foi de 2,31±1,99, sendo a média
de partos vaginais de 1,31±2,02 e de partos cesáreas de 0,93±1,43 (tabela 1). O teste
Mann-Whitney não indicou diferença significativa quanto à média de partos vaginais ou
cesáreas, quando comparadas as mulheres com ou sem a disfunção (p>0,05).
Sobre os tipos de IU, segundo ICIQ-SF, a IUM foi predominante 60% (n=15),
seguida de IUE e IUU com 28% (n=7) e 12% (n=3), respectivamente (figura 2). A média
de escore total do questionário ICIQ-SF foi de 10,9 (±4,9) e na escala específica de
qualidade de vida a média foi de 5,4 (±3,3) pontos.
20
Figura 2: Tipos de Incontinência Urinária
Tipos de Incontinência Urinária
80
Porcentagem
60
40
20
0
IUU IUE IUM
Discussão
A IU afeta principalmente mulheres na faixa etária de 40-60 anos, embora o Brasil
não disponha de dados abrangentes acerca da disfunção, a partir de estudos sobre a
prevalência de IU e informações levantadas nos censos populacionais feitos no país
sugere-se que haja um número aumentado de mulheres incontinentes a partir da meia-
idade8. Entre a amostra da pesquisa, a idade das voluntárias variou entre 38 e 87 anos,
apresentando uma média de 57,16±11,96 anos, demonstrando resultado semelhante ao
estudo realizado por Oliveira et al.9, que avaliou os fatores de risco relacionados à
ocorrência da incontinência urinária feminina em 253 mulheres, dividindo as pacientes
em dois grupos: 102 mulheres com IU e 151 sem IU, sendo que a média de idade do grupo
com IU foi de 54,1 ±11,4 anos e do grupo controle de 38,7± 14,2 anos. Outros estudos
demonstram a prevalência de IU em mulheres pertencentes a faixa etária semelhante,
como o realizado por Berlezi et al.10 com 112 mulheres com idade média de 58,69±4,46
anos, e por Pedro et al.11, que estudou 43 mulheres e obteve em sua pesquisa média de
idade de 50,7 anos. Assim como Sacomori, Negri e Cardoso12, que identificaram em seu
estudo maior proporção de mulheres incontinentes com idade maior ou igual a 56 anos.
A média de idade das voluntárias do presente estudo coincide com a literatura, a qual
demonstra maior incidência de IU com o avançar da idade, o trabalho demonstrou
diferença significativa entre as idades das mulheres com IU comparadas aquelas sem a
disfunção, sendo maior nas mulheres com IU, confirmando o avançar da idade como fator
21
de risco. A discrepância das idades ocorreu devido o fator do critério de inclusão ter sido
mulheres 18-90 anos.
Segundo Leroy, Lopes e Shimo13, a prevalência de IU pode ser, em geral,
considerada mais elevada entre brancas e hispânicas do que entre negras e asiáticas. No
presente estudo, a maior parte das mulheres que tiveram relato positivo de IU mediante
questionamento foram declaradas brancas. Trabalho semelhante realizado por Rett et al.14
constatou que das 26 mulheres incluídas em seu estudo, 76,9% pertenciam à raça branca.
Outro feito por Fenner et al.15 através de entrevista constatou que das 892 mulheres
brancas participantes 33,1% apresentaram IU, enquanto apenas 14,6% das 1922 negras
tinham a disfunção. Assim como Anger et al.16 demonstrou em seu estudo feito com
mulheres acima dos 65 anos, onde 91,4% destas eram brancas e somente 3,8% eram
negras. Todavia há divergências na literatura neste aspecto, se fazendo necessário um
número maior de estudos científicos específicos para comprovar influência racial na
prevalência da disfunção.
Em relação ao índice de massa corpórea, a maioria das mulheres com IU
encontravam-se em sobrepeso ou obesidade, sendo que este fator tem sido apontado como
risco para a IU. A sobrecarga no assoalho pélvico pode alterar sua função de sustentação
dos órgãos pélvicos e de controle miccional. Estudo realizado por Subak et al.17, com 40
mulheres com sobrepeso e obesas que participaram de um programa de redução de peso,
demonstrou após três meses de intervenção que houve perda de 5% a 10% do peso inicial,
essas reduções acarretaram diminuição de 50% na frequência de IU, demonstrando que a
diminuição de peso é um coadjuvante no tratamento de IU e na melhora da qualidade de
vida. Em estudo de Castro et al.18, que foi realizada avaliação com 24 mulheres candidatas
à cirurgia bariátrica com IMC ≥40Kg/m2, demonstrou que destas 17 mulheres (70,8%)
apresentavam IU no pré-operatório e após 1 ano da realização da cirurgia apenas cinco
pacientes (20,8%) delas permaneceram incontinentes. Trabalho feito por Ranasinghe et
al.19 constata ainda que para cada quilograma perdido houve melhora de 0,05 na
pontuação do ICIQ-SF.
No nosso estudo, a média de gestações por mulher com presença de IU foi de 3,32,
Peeker e Peeker20 afirmam que a ocorrência de gestação está relacionada com o risco de
gerar IU, que se eleva quando associada com parto vaginal e multiparidade. Os autores
identificaram também que, após o parto vaginal, a prevalência de IU aumenta de 30 para
50%. Porém a mudança no terminal motor do nervo pudendo observada da gestação ao
parto foi similar tanto após parto vaginal quanto cesárea. Riesco et al.21 afirma que a
22
gestação, mais do que o parto, se relaciona à ocorrência de IU. Solans-Domènech,
Sánchez e Espuña-Pons22 mencionam em seu estudo que além da gestação representar
um fator de risco para a ocorrência da IU, o fato de a mulher ter apresentado a disfunção
durante a gravidez contribui para que ela apresente perda de urina no puerpério.
Em relação ao tipo de parto neste trabalho, a média de partos vaginais foi de 1,37,
enquanto a média de partos por via cesariana foi de 1,04 partos por mulher, considerando
aquelas que relataram perda urinária, já as mulheres que não apresentaram a disfunção a
média de partos vaginais foi de 1,31 e a média de partos cesarianas foi de 0,93. Não houve
associação significativa entre número de partos por via e presença de IU, embora os
autores identifiquem que, após o parto vaginal, a prevalência de IU aumenta de 30 para
50%. Porém a mudança no terminal motor do nervo pudendo observada da gestação ao
parto foi similar tanto após parto vaginal quanto cesárea. Riesco et al.21 afirma que a
gestação, mais do que o parto, se relaciona à ocorrência de IU.
Segundo Higa, Lopes e Reis23, o parto vaginal associa-se com um aumento de
casos de IU em comparação ao parto cesariana, porém o parto vaginal não pode ser
apontado como causador isolado da IU, lesões e traumas no assoalho pélvico são mais
comumente associados à disfunção. Na literatura, em comparação à nulíparas, ambos
tipos de parto mostram-se associados com a presença de IU, porém a tensão mecânica
gerada durante o parto vaginal pode representar risco adicional para ocorrência de perda
urinária24.
Sobre os tipos de IU na amostra do estudo, a IUM foi predominante com 60% das
mulheres. No presente, como já descrito, a classificação foi feita pelo questionário ICIQ-
SF, que não configura a forma mais adequada para caracterização os tipos de IU, devido
ao direcionamento de suas questões estar relacionado apenas ao relato acerca dos
sintomas urinários, referidos exclusivamente pelas mulheres, para uma análise mais
precisa faz-se necessário exame urodinâmico. O dado apresentado assemelha-se ao
encontrado no trabalho de Dedicação et al.25 onde a maioria das mulheres, 44,16%,
apresentou IUM.
Considerando a epidemiologia, em estudo realizado por Freire26, a IU foi duas
vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens, sendo fator agravante na
qualidade de vida em mulheres. No presente estudo, de acordo com os dados expressos
no ICIQ-SF, a IU afeta negativamente a qualidade de vida nas mulheres, sendo que a
média de pontos totais no questionário foi de 10,9 e na escala específica de qualidade de
vida a média foi de 5,4 pontos. Ao relacionar os achados com Freire26, a autora cita que
23
existem muitas mulheres que não procuram os cuidados de saúde adequados devido à
influência de tabus e pré-conceitos, vergonha e/ou falta de informação, evitando falar
sobre o problema. A falta de tratamento pode afetar negativamente a qualidade de vida.
Em outro estudo realizado por Knorst27 no qual foi aplicado o questionário que avalia
qualidade de vida, King’s Health Questionnaire (KHQ), antes e após intervenção por
elestroestimulação e treinamento dos músculos do assoalho pélvico foi obtido resultado
significativo com relação a 7 dos 8 domínios abordados no KHQ (impacto da IU,
limitação de atividade diária, limitações físicas, limitações sociais, relacionamento
pessoal, emoção e sono/disposição, excetuando percepção geral de saúde), com base
nesse resultado, reafirmamos a importância da abordagem em relação à disfunção visando
identificar o problema para possibilitar intervenção adequada e consequente promoção de
melhora na qualidade de vida da população feminina.
Do total de participantes da pesquisa, 61% relataram perda urinária, destas, 9,7%
de relatos de IU foram encontrados em prontuário e 51,2% relataram a presença de perda
urinária após o questionamento. Em trabalho realizado por Silva e Lopes6 com 35
voluntárias durante seis meses sobre as razões da não procura por assistência demonstrou
que grande parte delas não conhecia nenhuma forma de tratamento e mais da metade não
buscou ajuda profissional. Das diversas razões relatadas, destacam-se com maior
frequência o fato de acharem normal a perda urinária, não considerar um problema
importante e a questão do médico dizer que não era necessário. Os autores ainda discutem
o fato das mulheres acharem normal perder urina por não considerarem este um problema
importante, destaca-se o fato de que em alguns casos o médico afirmou que não havia
necessidade de tratamento. A questão da atitude de outros profissionais de saúde em
relação ao tema indica a necessidade de informação e atualização dos mesmos quanto ao
manejo da disfunção, chamando a atenção para as possibilidades de tratamento
convencional, de baixo custo e de possível implementação na atenção primária. Em
relação ao questionamento expresso no presente trabalho, observou-se maior prevalência
de relatos de IU após abordagem por parte do profissional da saúde quando comparados
aos relatos registrados em prontuário, demonstrando a importância da inserção do
questionamento acerca da disfunção na atenção primária.
A respeito das limitações encontradas no estudo, salienta-se o pequeno número
amostral e a diferença acentuada na faixa etária, que podem ser justificados pelo fato do
critério de inclusão ter sido mulheres que realizaram o exame de Colpocitologia e este
permitir grande variação de idade. Também pelo questionamento ter sido realizado
24
através de visitas domiciliares, limitando ainda mais o tamanho amostral pela ausência
dos sujeitos em suas residências. Outra limitação do estudo se dá pela classificação de IU
ter sido realizada através de questionário que considerava apenas a queixa da paciente, ou
seja, não configura um método totalmente fidedigno de avaliação, sendo fundamental a
utilização de exames objetivos como o urodinâmico e avaliação física detalhada para o
diagnóstico do tipo de IU.
Conclusão
O estudo revela a prevalência de relatos da IU mediante questionamento em
comparação aos relatos espontâneos, bem como a predominância de IUM na amostra
estudada. Demonstra também o impacto que a IU exerce na QV, sugerindo a eficácia da
implantação do questionamento rotineiro acerca da presença da disfunção na atenção
primária.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Baracho E. Fisioterapia Aplicada à Obstetrícia: Aspectos de Ginecologia e Neonatologia,
3ª ed, Rio de Janeiro: Medsi, 2002. Cap24. p. 274-277.
2. Toledo D.D.; Dedicação A.C.; Saldanha M.E.S.; Haddad M.; Driusso P. Physical herapy
treatment in incontinent women provided by a Public Health Service. Fisioter. mov.
Junho de 2011; 24(2): 327-335.
3. Botelho F.; Silva C.; Cruz F. Incontinência Urinária Feminina. Ata Urológica. Cidade do
Porto - Portugal. 2007. 24(1): 79-82
4. Chiapara T.R.C.; Cacho D.P.; Alves A.F.D. Incontinência feminina. Assistência
fisioterapêutica e multidisciplinar. São Paulo. Livraria Médica Paulista Editora; 2007.
5. Knorst M.R.; Cavazzotto K.; Henrique M.; Resende T.L.; Intervenção Fisioterapêutica
em Mulheres com Incontinência Urinária Associada ao Prolapso de Órgão Pélvico. Rev
Bras Fisioter, , mar./abr. 2012; 16(2) 102-7.
6. Silva L.; Lopes M.H.B.M. Incontinência urinária em mulheres: razões da não procura por
tratamento. Rev Esc Enferm USP, 2009. 43(1): 72-8.
7. Tamanini, José Tadeu Nunes et al . Validação para o português do "International
Consultation on Incontinence Questionnaire - Short Form" (ICIQ-SF). Rev. Saúde
Pública, Jun. 2004; 38(3): 438-444.
25
8. Langoni, C.S.; Knorst, M.R.; Lovatel, G.A.; Leite, V.O.; Resende, T.L. Incontinência
urinária em idosas de Porto Alegre: sua prevalência e sua relação com a função muscular
do assoalho pélvico. Fisioter Pesq. Mar. 2014. 2014 ; 21(1): 74-80.
9. Oliveira, E.; Zuliani, L.M.M.; Ishicava, J.; Silva, S.V.; Albuquerque, S.R.; Souza, A.M.;
Barbosa, C.P. Avaliação dos Fatores Relacionados à Ocorrência de Incontinência
Urinária Feminina. Rev Assoc Med Bras 2010; 56(6): 688-90.
10. Berlezi, E.M.; Dreher, D.; Bruinsma, F.; Prediger, F.; Bertolo, E.M. Fatores de Risco Para
Incontinência Urinária em Mulheres Pós-Menopausa. Revista Contexto Saúde, 2009; 8
(16): 77-85.
11. Pedro, A.F.; Ribeiro, J.; Soler, Z.A.S.G.; Bugdan, A.P. Qualidade de Vida em Mulheres
Com Incontinência Urinária. Rev. Eletrônica Saúde Mental Álcool Drog. Mai-Ago 2011;
7(2):63-70.
12. Sacomori, C.; Negri, N.B.; Cardoso, F.L. Incontinência Urinária em Mulheres que
Buscam Exame Preventivo de Câncer de Colo Uterino: Fatores Sociodemográficos e
Comportamentais. Cad. Saúde Pública, Jun 2013; 29(6): 1251-1259.
13. Leroy, L.S.; Lopes, M.H.B; Shimo, A,K.K. A Incontinência Urinária em Mulheres e os
Aspectos Raciais: Uma Revisão de Literatura. Texto Contexto Enfermagem, Jul-Set
2012. 21(3): 692-701.
14. Rett M.T.; Simões, J.A.; Herrmann, V.; Gurgel, M.S.C; Morais, S.S. Qualidade de vida
em mulheres após tratamento da incontinência urinária de esforço com fisioterapia. Rev
Bras Ginecol Obstet. Mar. 2007; 29(3): 134-140.
15. Fenner, D.E.; Trowbridge, E.R.; Patel, D.L.; Fultz, N.H.; Miller, J.M.; Howard, D.;
Delancey, J.O.L. Establishing the Prevalence of Incontinence Study: Racial Differences
in Women’s Patterns of Urinary Incontinence. The Journal of Urology, Apr. 2008;
179(4): 1455-1460.
16. Anger, J.T.; Rodríguez, L.V.; Wang, Q.; Chen; E.; Pashos, C.L.; Litwin, M.S. Racial
Disparities in The Surgical Management of Stress Incontinence Among Female Medicare
Beneficiaries. The Journal of Urology, May. 2007; 177(5): 1846-1850.
17. Subak, L.L.; Whitcomb, E.; Shen, H.; Saxton, J.; Vittinghoff, E.; Brown, J.S. Weight
Loss: A Novel And Effective Treatment For Urinary Incontinence. The Journal of
Urology, Jul. 2005; 174(1): 190-195.
18. Castro, L.A.; Sobottka, W.; Baretta, G.; Freitas, A.C.T.; Efeitos da Cirurgia Bariátrica na
Função do Assoalho Pélvico. ABCD Arq Bras Cir Dig, Jul. 2012; 25(4):263-268.
19. Ranasinghe, W.K.B.; Wright, T.; Attia, J.; Mcelduff, P.; Doyle, T.; Bartholomew, M.;
Hurley, K.; Persad, R.A. A. Effects of Bariatric Surgery on Urinary and Sexual Function.
BJU International, Jan. 2010; 107(1): 88-94.
26
20. Peeker, I.; Peeker, R. Early Diagnosis and Treatment of Genuine Stress Urinary
Incontinence in Women After Pregnancy: Midwives as Detectives. Journal of Midwifery
& Women’s Health, Jan.-Feb. 2003; 48 (1): 60-66.
21. Riesco, M.L.G; Trevisan, K.F.; Laister, N.; Cruz, C.S.; Caroci, A.S.; Zanetti, M.R.D.
Incontinência Urinária Relacionada à Força Muscular Perineal no Primeiro Trimestre da
Gestação: Estudo Transversal. Rev Esc Enferm USP, 2014; 48(Esp):33-9.
22. Solans-Domènech, M.; Sánchez, E.; Espuña-Pons, M. Urinary and Anal Incontinence
During Pregnancy and Postpartum: Incidence, Severity, and Risk Factors. Obstetrics &
Gynecology, Mar. 2010; 115 (3): 618-628.
23. Higa, R.; Lopes, M.H.B.M; Reis, M.J. Fatores de Risco Para Incontinência Urinária na
Mulher. Rev Esc Enferm USP, 2006; 42 (1): 187-92.
24. Rortveit, G.; Dalveit, A.K.; Hannestad, Y.S.; Hunskaar, S. Urinary Incontinence After
Vaginal Delivery or Cesarean Section. The New England Journal of Medicine, 2003; 348:
900-7.
25. Dedicação A.C.; Haddad, M.; Saldanha, M.E.S.; Driusso, P. Comparação da Qualidade
de Vida Nos Diferentes Tipos de Incontinência Urinária Feminina. Jornal Brasileiro de
Fisioterapia, Abr. 2009; 13(2): 116-122.
26. Freire, R.C.R. Perceção do Bem-Estar Sexual e Qualidade de Vida da Mulher com
Incontinência Urinária. [Tese de Mestrado]. Coimbra: Escola Superior de Saúde de Viseu,
Enfermagem de Saúde Materna, Obstetrícia e Ginecologia, 2012.
27. Knorst M.R.; Royer, C.S.; Basso, M.S.; Russo, J.S.; Guedes, R.G.; Resende, T.L.
Avaliação da Qualidade de Vida Antes e Depois de Tratamento Fisioterapêutico Para
Incontinência Urinária. Fisioterapia e Pesquisa, 2013; 20(3):204-209.
5. ANEXOS
5.1 ANEXO I - Normas da Revista Cadernos de Saúde Pública
27
28
29
30
5.2 ANEXO II - Folha de Aprovação emitida pelo Comitê de Ética e Pesquisa
31
32