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Flamingoos 3

Jorge encontra um sofá mágico que se torna seu terapeuta, ouvindo suas frustrações e oferecendo conselhos sobre aceitar a vida como uma palhaçada. Ele é então levado a uma sala cheia de criaturas improváveis, onde é nomeado Porta-Voz Temporário da Caos Autorizado e recebe a missão de desarmar um liquidificador quântico. O liquidificador, que pode transformar o planeta em purê de batata, é um presente que ele carrega consigo.

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Flamingoos 3

Jorge encontra um sofá mágico que se torna seu terapeuta, ouvindo suas frustrações e oferecendo conselhos sobre aceitar a vida como uma palhaçada. Ele é então levado a uma sala cheia de criaturas improváveis, onde é nomeado Porta-Voz Temporário da Caos Autorizado e recebe a missão de desarmar um liquidificador quântico. O liquidificador, que pode transformar o planeta em purê de batata, é um presente que ele carrega consigo.

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…e ele voltou mesmo. Porque não tinha mais opção lógica sobrando.

Quando chegou na
sala, o sofá de marshmallow tinha crescido e agora ocupava toda a parede norte.
Tinha até janelinhas de chocolate branco e uma chaminé soltando fumaça cor-de-rosa
com cheiro de algodão-doce queimado. Sentou. O sofá engoliu ele até a cintura e
começou a massagear as costas dele com mãos invisíveis. Era gostoso demais pra ser
verdade, então ele desconfiou imediatamente. De repente uma voz saiu de dentro do
próprio sofá: “Relaxa, Jorge. Eu sou o seu sofá-terapeuta. Pode chorar, gritar,
contar seus podres. Aqui dentro tudo fica entre nós… e as fibras de poliéster.”
Jorge contou tudo: a infância, as derrotas no futebol da várzea, o dia que terminou
com a Camila 2019 por mensagem de WhatsApp com emoji de carinha triste, o medo de
nunca conseguir nada na vida. O sofá ouviu tudo em silêncio. Quando ele terminou, o
sofá falou com voz maternal: “Você já pensou que talvez o universo esteja te
trollando justamente porque você aguenta? Tipo, você é o beta tester oficial das
piores ideias cósmicas?” Jorge ficou quieto. O sofá continuou: “Olha, vou te dar
uma dica que ninguém te conta: toda essa palhaçada toda para quando você parar de
correr atrás da lógica. Aceita que virou palhaçada e começa a curtir a palhaçada.”
Nesse momento o teto abriu como uma lata de sardinha e desceu uma escada de corda
feita de luz de neon. O sofá empurrou ele gentilmente pra fora e disse: “Vai lá.
Terceiro andar, sala 333. Não esquece de levar o presente do Seu Zé.” Jorge subiu.
Cada degrau da escada cantava uma música diferente de infância: Chiquititas, É o
Tchan, Xuxa, Backstreet Boys em português, tudo fora do tom. Quando chegou no
terceiro andar viu um corredor com carpete vermelho e portas douradas. A placa da
sala 333 dizia: “Conselho de Criaturas Improváveis – Favor não alimentar os membros
com paradoxos antes das 15h.” Ele bateu. A porta abriu sozinha. Dentro tinha uma
mesa redonda gigante. Sentados estavam: o pinguim de charuto, um unicórnio com
tatuagem de âncora no pescoço, uma avestruz usando óculos de grau, um cacto
humanoide com chapéu de caubói e uma lâmpada falante que piscava enquanto falava.
Todos olharam pra ele. O unicórnio falou primeiro: “Chegou o humano. Cadê meu café
sem lactose?” Jorge respondeu que não tinha trazido. A avestruz enfiou a cabeça
debaixo da mesa e disse: “Sabia. Ele nunca traz nada.” O cacto riu e soltou
espinhos que viraram confete. A lâmpada falou: “Silêncio. Vamos direto ao ponto.
Jorge, você foi escolhido pra ser o Porta-Voz Temporário da Caos Autorizado. Sua
função é manter o equilíbrio entre a ordem e a completa zona. Aceita?” Jorge
perguntou o que acontecia se ele recusasse. O pinguim respondeu: “A gente te
transforma em planilha de Excel eterna.” Jorge aceitou na hora. O unicórnio
aplaudiu com os cascos. A avestruz tirou a cabeça debaixo da mesa e entregou um
crachá que dizia: “Jorge – Agente do Caos Nível Iniciante”. A lâmpada piscou três
vezes e falou: “Primeira missão: desarmar o liquidificador quântico antes que ele
transforme o planeta em purê de batata com consciência.” Jorge perguntou onde
estava o liquidificador. Todos apontaram pro presente embrulhado que ele ainda
carregava no bolso. Ele abriu. Dentro tinha um liquidificador miniatura cor-de-rosa
com olhinhos desenhados e um bilhete: “Não ligue no máximo. Beijos, o universo.”

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