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A Perspectiva Do Enfermeiro
A Perspectiva Do Enfermeiro
A Perspectiva Do Enfermeiro
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Nowadays one of the major objectives in health is the Humanization of Nursing Care
which requires a necessity of the humanization. This way, it´s pertinent to develop a
study about the “Humanization of Nursing Care – in a nurse perspective”. This study
has a main objective understand which is the nurses perception in this thematic.
However, to give an answer to this study, there were considered less important aspects
such as: which practices are used, the difficulties and strategies in the installment of
nursing care and the way of overcome it.
Was remarked that to all the interview had the humanization as a fundamental part in
this profession. However not all of the nurses were able to identify the global form of
the humanization concept which influences in application of humanized nursing care in
the daily practices. According with the professionals the humanization of nursing care
goes through several techniques, although there were referred by the professionals some
difficulties to ensure the implementation of it. The professional know that they can´t
always put into practice an effective humanization of the nursing care in their daily
practices. Even so, they presented some strategies which could be benefic to improve
these aspects: the dedication and involvement of the multidisciplinary team.
(Fernando Pessoa)
Dedico este trabalho aos meus pais, a minha
irmã, ao Luís e a todos os que participaram e
contribuíram para a minha formação ajudando-
me a realizar o sonho
DE SER ENFERMEIRA…
AGRADECIMENTOS
Aos enfermeiros que participaram neste estudo, pela contribuição que me deram para o
mesmo.
Por fim e não menos aos meus pais, a minha irmã, ao Luís e a todos os meus amigos,
pela união, ajuda, amizade e cumplicidade.
I. Introdução 11
[Link] 15
[Link]ção do tema 15
[Link] teórico 16
[Link].1Humanização 16
[Link].2 Percepção 17
[Link].3 A saúde 17
[Link].4 A enfermagem 18
[Link].5 A pessoa 18
[Link]ção do tema 38
[Link] de partida 38
[Link]ões de investigação 39
[Link] gerais 40
[Link] específicos 40
[Link] de estudo 42
[Link]ção/ amostra 44
[Link]áveis 45
[Link]ções éticas 49
V. Conclusão 60
VI. Bibliografia 61
Anexos
ÍNDICE DAS TABELAS
[Link]ÇÃO
A presente monografia surge no âmbito do plano curricular do 4º ano e como parte dos
requisitos para obtenção do grau de licenciatura de Enfermagem, da Universidade
Fernando Pessoa, Faculdade de Ciências da Saúde, Unidade de Ponte de Lima. Com
este trabalho de investigação pretende-se promover a construção duma postura ideal
perante a procura constante do saber científico ao longo da nossa carreira profissional,
assim como para a forma mais adequada de proceder a uma investigação. A realização
deste trabalho pretende ser pertinente, objectivo, claro e sistematizado.
Segundo a mesma autora, desde a ancestralidade que o cuidar se evidência, pois” (…)
desde que existe vida, existem cuidados que foram desenvolvidos no sentido de cuidar
da própria vida, pois só assim ela poderia permanecer” (Festas, 1999, p. 61).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
clínicos, não só devido às expectativas para a prática deste tema, mas também às
experiências vivenciadas durante os mesmos, assim como o interesse pelo conteúdo
teórico aprendido ao longo deste percurso, aumentou o interesse sobre esta temática.
Outro aspecto não menos importante que veio reforçar esta escolha e que dentro em
breve se irá tornar crucial, é a vontade de aumentar os conhecimentos sobre a mesma,
de forma a que como profissional de saúde consiga de forma plena a humanização dos
cuidados em enfermagem. Neste sentido, emergiu para o investigador a seguinte
pergunta de partida:” Qual a importância da humanização dos cuidados na perspectiva
do enfermeiro?”. Tendo em conta a mesma, houve a necessidade de ser delineados os
objectivos do estudo.
Para dar resposta a esta problemática optou-se por um tipo de estudo de carácter
fenomenológico descritivo, de metodologia qualitativo, sendo que o método utilizado
foi a entrevista pessoal semi-estruturada, recorrendo a um guião de entrevista
estruturado pelo investigador tendo por base a revisão bibliográfica, como instrumento
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Humanização dos cuidados de enfermagem
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Foi ainda referido pelos entrevistados que existem certas dificuldades para a realização
de práticas humanizadas. Sobressaíram então a falta de recursos humanos, as condições
físicas e a metodologia utilizadas. Tendo em conta as dificuldades apresentadas pelos
entrevistados, a organização e o trabalho em equipa foram as estratégias referidas para
as colmatar, embora se verificasse algumas incongruências nas respostas obtidas.
Assim conclui-se que nesta área ainda falta caminhar e investir para a realização da
mesma, porque o objectivo desta profissão é o cuidar da pessoa que passa pelo bem -
estar físico e mental, e pelo respeito pelos seus direitos e dignidade da mesma.
Resta agora referir que foi com grande empenho e dedicação que este trabalho
monográfico foi elaborado e que, pelo seu carácter, contribuiu para o desenvolvimento
pessoal e intelectual, assim como a aquisição de capacidades que, ao longo deste curso
de licenciatura, ainda não tinham sido adquiridos.
Com a realização deste trabalho monográfico espera-se então, que este contribua para a
reflexão acerca da excelência do cuidar, enquanto enfermeiros e da importância da
humanização dos cuidados de enfermagem na sua pratica diária.
Deseja-se, assim, que a leitura seja agradável e que o fruto da mesma se traduza em
efeitos semelhantes.
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Humanização dos cuidados de enfermagem
II Fase conceptual
Neste capítulo irá ser exposto o tema, o porquê da eleição do mesmo, a pergunta de partida,
assim como, será apresentado o quadro teórico deste trabalho monográfico e os seus
objectivos. É neste capítulo que se delimitará o tema.
2.1-Tema:
Segundo Lakatos e Markoni (2003, p.218) tema é o “ (…) assunto que se deseja provar ou
desenvolver” na investigação. O tema desta investigação consiste na importância da
humanização dos cuidados de enfermagem do ponto de vista do enfermeiro.
Após apresentação do tema deste trabalho monográfico, será importante perceber quais as
motivações para a escolha do mesmo, o investigador pretende explicar a importância de
estudar esta questão (Fortin, 2003). Esta assenta principalmente em motivações pessoais e
académicas do investigador.
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Humanização dos cuidados de enfermagem
não menos importante que veio reforçar esta escolha e que dentro em breve se irá tornar
crucial, é a vontade de aumentar os conhecimentos sobre a mesma, de forma a que como
profissional de saúde consiga uma plena humanização dos cuidados em enfermagem.
Por estes motivos tornou-se pertinente estudar o tema, de forma a verificar a opinião dos
enfermeiros sobre a humanização dos cuidados no seu desempenho diário.
2.3-Quadro teórico:
Após uma pesquisa e uma selecção da informação, procede-se à construção de uma matriz
teórica, no qual irão ser definidos os conceitos chave, que por sua vez, constituirão as bases
para o desenvolvimento deste trabalho monográfico.
[Link].1 Humanização
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Humanização dos cuidados de enfermagem
[Link].2. A percepção
Segundo este autor, no dia-a-dia, qualquer pessoa é confrontado com uma quantidade de
estímulos, que são interpretados através de um fenómeno que se designa por percepção. O
mesmo pode ser definido como um processo de interpretar estímulos, em que o produto
final é o significado, que depende de factores estruturais e de factores funcionais do
indivíduo. Tal actividade ocorre na base de uma estruturação de estímulos, cuja finalidade
consiste em integrar numa unidade, numa categoria, um conjunto de estímulos
independentes, como que ligados entre si, na base da procura dos elementos mais
invariantes e profundos dos estímulos, de forma à que se possa efectuar previsões e na base
de uma interpretação com a finalidade de se lhes atribuir significado (Ferreira, 2001)
Neste sentido pretende-se através deste trabalho monográfico, conhecer a percepção dos
enfermeiros sobre a humanização e as suas práticas humanizadas.
[Link] 3 A saúde
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Humanização dos cuidados de enfermagem
contínuo; toda a pessoa deseja atingir o estado de equilíbrio que se traduz no controlo do
sofrimento, no bem-estar físico e no conforto emocional, espiritual e cultural(Conselho de
Enfermagem, 2001).
[Link].4 A enfermagem
[Link].5 A pessoa
A pessoa é um ser social e agente intencional de comportamentos baseados nos valores, nas
crenças e nos desejos da natureza individual, o que torna cada pessoa num ser único, com
dignidade própria e direito a auto-determinar-se. Os comportamentos da pessoa são
influenciados pelo ambiente no qual ela vive e se desenvolve. Toda a pessoa interage com o
ambiente: modifica-o e sofre a influência dele durante todo o processo de procura
incessante do equilíbrio e da harmonia. Na medida em que cada pessoa, na procura de
melhores níveis de saúde, desenvolve processos intencionais baseados nos valores, crenças
e desejos da sua natureza individual, podemos atingir um entendimento no qual cada um de
nós vivencia um projecto de saúde. A pessoa pode sentir-se saudável quando transforma e
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Humanização dos cuidados de enfermagem
integra as alterações da sua vida quotidiana no seu projecto de vida, podendo não ser feita a
mesma apreciação desse estado pelo próprio e pelos outros (Conselho de Enfermagem,
2001).
Desde que surge a vida, que existem cuidados, porque é preciso tomar conta da vida para
que ela possa permanecer. Os homens, como todos os seres vivos, sempre precisaram de
cuidados, porque cuidar, tomar conta, é um acto de vida que tem primeiro, e antes de tudo,
como fim, permitir à vida continuar, desenvolver-se, e assim lutar contra a morte (Collière,
1999).
Garantir a sobrevivência era – e continua a ser – um facto quotidiano, donde uma das mais
velhas expressões da historia do mundo: tomar conta. Ainda hoje esta expressão corrente
tomar conta, cuidar, transmite o sentido inicial e original da palavra (Collière, 1999).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Nesse sentido Nightingale sonhou com uma enfermagem que colocasse o utente, ao seja, a
pessoa que sofre, no centro das atenções. Assim pretendia que o enfermeiro olhasse o
utente como um todo e não apenas pela soma das partes, de facto o ser humano deve ser
valorizado como um ser único e individual e acima de tudo auto responsável pela sua
saúde. Enquanto que, o modelo biomédico encara um utente como um conjunto de células a
visão holística vê-o como um ser único, possuidor de dignidade e de capacidades para
decidir o que quer (Carvalho, 2002).
Numa abordagem mais recente Watson caracteriza a enfermagem como uma “ciência
humana de pessoas e experiências saúde - doença humanas que são mediadas pelas
transacções de cuidados profissionais, pessoais, estéticos e éticos”, onde o objectivo é
auxiliar o indivíduo a atingir um elevado grau de harmonia dentro de si, de modo a
promover a saúde, prevenir a doença, cuidar o doente e restaurar a sua saúde (2002).
1- uma visão do homem como pessoa de valor para ser apreciada, respeitada, educada, compreendida e
assistida; no geral uma visão filosófica de uma pessoa com um eu inteiramente funcional e integrado. O
homem é mais do que a soma das suas partes.
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Humanização dos cuidados de enfermagem
2- um enfoque nas relações humanas, transacções entre as pessoas, o seu ambiente, como isso afecta a saúde e
o curar num sentido amplo.
3-uma abordagem à transacção do cuidar do homem pelo homem entre o enfermeiro e a pessoa e como isso
afecta a saúde e a cura.
4- um enfoque no processo não - médico do cuidar e no cuidar pelo enfermeiro de pessoas com varias
experiências na saúde doença.
6- uma posição de que o conhecimento de enfermagem é distinto de, mas complementar ao conhecimento
médico.
A enfermagem é a profissão que tem uma responsabilidade ética e social, tanto para o indivíduo como para a
sociedade, para ser responsável pelo cuidar e estar na vanguarda das necessidades de cuidados da sociedade
no presente e no futuro.
Este mesmo autor coloca o utente no centro da atenção da profissão de enfermagem e faz
com que a enfermagem seja realizada com uma concepção de cuidados que se orienta tanto
para o cuidar humano como para o cuidar técnico e científico, que em rigor são uma única
entidade central na ciência e arte de enfermagem (Queirós, 2001).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Segundo Martires (2003) a pessoa deve ser entendida numa dimensão holística, emergindo
duas premissas básicas: a pessoa reage sempre como um todo unificado; e a pessoa, como
um todo, é diferente de e mais do que a soma das partes.
A. 1 – Responsabilidade
1 – Aceita a responsabilidade e responde pelas suas acções e pelos juízos profissionais que elabora.
3 – Consulta peritos em enfermagem, quando os cuidados de enfermagem requerem um nível de perícia que
está para além da sua competência actual ou que saem do âmbito da sua área de exercício.
4 – Consulta outros profissionais de saúde e organizações, quando as necessidades dos indivíduos ou dos
grupos estão para além da sua área de exercício.
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Humanização dos cuidados de enfermagem
7 – Actua na defesa dos direitos humanos, tal como descrito no Código Deontológico.
12 – Aborda de forma apropriada as práticas de cuidados que podem comprometer a segurança, a privacidade
ou a dignidade do cliente.
14 – Reconhece as suas crenças e os seus valores e a forma como estes podem influenciar a prestação de
cuidados.
De acordo com Petit (cit. In Hesbeen, 2004, p. 87), “ cuidar é uma atitude, uma maneira de
estar na vida que induz a um verdadeiro olhar para o outro e para o mundo”. O mesmo
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Humanização dos cuidados de enfermagem
autor afirma que o cuidado exige inúmeras competências e aptidões e como tal, é uma
conduta ética que consiste em descobrir o outro na sua singularidade e em acompanhá-lo
com a finalidade de proteger a sua vida, respeitando-o sempre, sem exercer sobre ele poder.
A saúde não deixe de existir quando se adoece. Necessita também de engenho e dos múltiplos recursos de
profissionais, para conseguir ser alcançada, para permitir á pessoa em sofrimento evoluir para o seu próprio
bem-estar, sinónimo da sua harmonia pessoal, singular, não comparável a qualquer outra.
Watson (2002, p.52) declara que “a enfermagem e cuidados de saúde de qualidade, exigem
hoje em dia um respeito humanista pela unidade funcional do ser humano. (...) O fenómeno
da saúde/doença tem de ser abordado a partir de uma base conceptual ampla”.
A visão holística do homem como ente que é corpo, mas é também espírito e um ser em relação com os
outros, nunca deve ser esquecida sendo, pelo contrário fundamental em todo o nosso viver. Corpo e espírito
unem-se e completam-se de tal maneira que pensar um sem o outro seria impossível.
Este autor ainda reforça esta afirmação declarando que “ o ser humano, pelo simples facto
de existir, é detentor de uma dignidade constitutiva e inviolável e merece todo o respeito,
que não diminuem nem desaparecem quando está doente” ( 2004, p. 58)
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Os cuidados de enfermagem tomam por foco de atenção a promoção dos projectos de saúde
que cada pessoa vive e persegue. Neste contexto, procura-se, ao longo de todo o ciclo vital,
prevenir a doença e promover os processos de readaptação após a doença. Procura-se,
também, a satisfação das necessidades humanas fundamentais e a máxima independência
na realização das actividades da vida diária, bem como se procura a adaptação funcional
aos défices e a adaptação a múltiplos factores – frequentemente através de processos de
aprendizagem do cliente (Conselho de Enfermagem, 2001).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Do ponto de vista das atitudes que caracterizam o exercício profissional dos enfermeiros, os
princípios humanistas de respeito pelos valores, pelos costumes, pelas religiões e por todos
os demais previstos no Código Deontológico enformam a boa prática da enfermagem.
Neste contexto, os enfermeiros têm presente que "bons cuidados" significam coisas
diferentes para diferentes pessoas, e, assim, o exercício profissional dos enfermeiros requer
sensibilidade para lidar com estas diferenças perseguindo-se os mais elevados níveis de
satisfação dos clientes (Conselho de Enfermagem, 2001).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Segundo Timby (2007), um relacionamento, associação entre duas ou mais pessoas, ocorre
durante o período em que são oferecidos serviços de enfermagem, estabelecendo-se, assim,
uma relação entre o enfermeiro e o paciente. Os enfermeiros oferecem serviços, ou
habilidades, que auxiliam pessoas, conhecidas como pacientes ou clientes, a promover ou
restaurar sua condição de saúde a lutar contra os problemas de saúde que estejam além de
suas capacidades ou a morrer com dignidade.
Integridade psicossocial
A humanização dos cuidados de enfermagem passa principalmente pela relação que tem
com o doente. Assim será importante definir e explicar a relação de ajuda entre o
enfermeiro e o doente.
Para se poder ajudar de forma adequada, a enfermeira deve, em primeiro lugar, saber e
acreditar que o cliente, independentemente da natureza do seu problema de saúde, é o único
detentor dos recursos básicos para o resolver. Partindo deste ponto, o papel da enfermeira é
oferecer ao cliente, sem impor, os meios complementares que lhe permitam descobrir ou
reconhecer os recursos pessoais a utilizar como quiser, para resolver o seu problema
(Lazure, 1994).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Por outras palavras “a enfermeira assiste o cliente, orienta-o e faculta-lhe cada uma das
etapas do processo de resolução do problema. Não toma decisões por ele nem deve
substitui-lo em aspectos relativos à sua participação na acção”(Lazure, 1994, p.13).
De uma forma geral, a palavra relação subentende a presença de elos, de contactos, de uma
de coexistência. No domínio da relação de ajuda, a expressão “estar em relação” toma um
sentido muito mais profundo do que na linguagem corrente. Nesta expressão a palavra
“estar”engloba não só a presença física da enfermeira junto do cliente mas também de todo
o seu ser. Ela já não se limite a desempenhar um papel ou uma tarefa (Lazure, 1994, p.14).
Uma relação de ajuda, enfermeiro - cliente, bem sucedida, representa uma diferente ordem
de interacções daquelas que ocorrem numa relação de amizade. Este facto não se deve a
qualquer superioridade do enfermeiro, mas a confiança mútua e responsabilidade em
assistir os outros que caracteriza a verdadeira relação profissional (Balzer, 2004).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
assegurar, promover e respeitar dos mesmos. A dignidade humana é o núcleo essencial dos
direitos humanos.
Assim o enfermeiro ao longo da sua carreira deverá garantir ao ser humano o respeito ao
seu direito à vida, à liberdade, igualdade, dignidade e desenvolvimento da sua
personalidade. Deste modo compete ao enfermeiro garantir a qualidade e continuidade dos
cuidados, assumindo essa responsabilidade e contribuindo para criar um ambiente propício.
(Ministério da Saúde, 1999).
A humanização dos cuidados de enfermagem surge também pelo respeito dos direitos dos
doentes, deste modo, será importante referir alguns dos principais temas que aborda. Assim
o doente tem direito a (Ministério da Saúde, 1999):
No desenvolvimento destes direitos e com base na relação de ajuda que se estabelece entre
o enfermeiro e o utente, Balzer salienta que existem vários princípios a ter em conta, e
nessa linha de pensamento, ainda refere que os utentes aquando da prestação de cuidados
esperam (Balzer, 2004):
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Ser informado acerca do seu estado de saúde, ter resposta para as suas perguntas,
compreendendo claramente o que o enfermeiro lhe explica.
Esperar ser tratado com cortesia e que os enfermeiros sintam por eles um interesse
verdadeiro.
É através destes princípios que se poderá estabelecer uma boa relação de ajuda, que,
segundo o mesmo autor passa por estabelecer uma interacção humana, que engloba o calor
humano, o respeito, a autenticidade, a empatia, a auto-exposição, a especificidade, as
perguntas, a expressão de opinião, o humor e o espiritualismo (Balzer, 2004).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Segundo Pinto (2006), humanizar é, tornar humano, cuidar a pessoa como pessoa, dar-lhe
atenção e responder de uma forma positiva a toda a sua esperança, quando confiou nos
serviços de saúde e a eles recorreu para reencontrar-se na plenitude da sua realização
pessoal.
O conceito de prestar cuidados ou cuidar designa a atenção especial que se vai dar a uma
pessoa que vive uma situação particular com vista a ajudá-la, a contribuir para o seu bem-
estar, a promover a sua saúde (Hesbeen, 2000).
Deste modo, ao enfermeiro, é pedido que preste cuidados de enfermagem humanizados que
visem o bem - estar físico e psicológico ou seja o reencontro com o seu equilíbrio (Cabral,
2001). O mesmo autor afirma que a primeira regra e o que deve estar na base da
humanização é o respeito pelo ser humano que cada um de nós é (Cabral, 2001).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Noutras palavras Coutinho (2005) refere que a humanização é parte integrante desta
profissão, e qualquer intervenção ou acto de enfermagem, já que praticado por um ser
humano e na medida em que se dirige a outro ser humano com igual valor e dignidade, só
poderá ser humanizado. Por isso, e segundo mesmo autor, o facto da humanização dos
cuidados ser uma temática cada vez mais actual e pertinente, constitui uma expressão da
competência profissional.
Para que os profissionais de saúde sejam agentes de humanização é importante que sejam
possuidores de uma identidade pessoal dinâmica e em constante auto- actualização, que
apresentem valores e crenças individuais mas que sejam capazes de se adaptar às situações
que lhes vão surgindo, desenvolvendo as suas capacidades intelectuais, praticando a sua
relação interpessoal com a pessoa doente, aceitando o seu quadro de valores, crenças e
desejos individuais. È necessário que os profissionais estabeleçam uma relação empática
com base na comunicação de forma a realizar um diagnóstico correcto, tornando assim
possível a elaboração do plano de cuidados de enfermagem que responde às necessidades
do doente (Pinto, 1996).
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Cabral (2001), reforça a ideia afirmando que humanizar é cuidar do outro tendo em conta
os seus valores e o modo como o outro gosta ou quer ser cuidado. E não como o enfermeiro
acha que ele quer ser cuidado, ao seja atender as necessidades. Este autor ainda afirma que
a humanização é para todos, não só um dever ou um direito de alguns, porque “somos
pessoas, seres de relação, onde a humanização tem de ser a base da nossa actuação”
(Cabral, 2001, p. 17).
As práticas dos cuidados humanizados são vários e segundo vários autores este têm a sua
importância. A personalização de cuidados pode ser vista através da afirmação de Coutinho
(2005), que declara que, assumir o dever de humanizar implica dar atenção à pessoa,
considerando-a na sua totalidade, mas reconhecendo também a sua individualidade face aos
outros, e tendo em conta o contexto em que se insere, familiar e comunitário.
Nesse mesmo sentido, o autor supra citado, afirma que os cuidados de enfermagem têm por
fundamento um clima de respeito pela sua individualidade e dignidade. Deste modo o que
deverá estar na base da humanização é o respeito pelo ser humano que é cada um de nós,
não esquecendo a individualidade própria, da qual derivam necessidades e desejos.
No entanto Rabaias (2003) declara que é importante que a equipa de enfermagem saiba
acolher a família como elemento integrante desta mesma equipa. Pois, segundo este autor, é
necessário fazer todos os esforços para manter a família junta no hospital e dentro do
possível favorecer a sua participação nos cuidados.
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Estas afirmações justificam-se através da afirmação de Pinto (2006) que diz que o ser
humano já tem relações humanas. A família, os colegas, os amigos, não podem estar fora
do processo que o doente está a viver. Devem ser chamados para dar uma colaboração
integrada na recuperação que se pretende.
A relação interpessoal enfermeiro - família é sem duvida determinante para a qualidade dos
cuidados prestados ao doente, uma vez que tal como diz Collière (1989), é esta relação que
se torna o eixo dos cuidados, no sentido em que é simultaneamente o meio de conhecer o
doente e de compreender o que ele tem, ao mesmo tempo que detém em si próprio um valor
terapêutico.
Por isso, ter disponibilidade para ouvir os outros e compartilhar as suas preocupações e
angústias, procurando minimizá-las são atitudes que cabem dentro do conceito de
humanização, como afirma Rafael (1994).
O mesmo autor afirma que é importante que o utente sinta que existe alguém para o receber
digna e respeitosamente e que, com rapidez e personalizadamente o esclareça e o
encaminha.
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Outros dos valores importantes para uma prática de cuidados humanizados, são a empatia, a
capacidade de comunicação que são factores de equilíbrio nas relações utente /equipa de
saúde. Além de uma boa comunicação que traduz-se no orientar o doente na relação com o
meio hospitalar e com os outros doentes (Rafael, 1994).
Por outro lado e como refere a carta dos direitos e deveres do doente, o utente tem direito à
ser tratado o respeito pala dignidade humana, receber cuidados apropriados ao seu estado
de saúde, confidencialidade de toda a informação clínica, e privacidade na prestação de
todo e qualquer acto médico.
Os cuidados de enfermagem devem assim ser dirigidos à pessoa, que possui um quadro de
valores e crenças, um sentido único e individual para a sua existência, dotando-o de
liberdade, dignidade e autonomia (Coutinho, 2005).
E como afirma Rafael (1994), cada doente é diferente de qualquer outro e merece ser
atendido e tratado de forma diferente, tendo sempre presente que, além de ser doente, é uma
pessoa, com direitos que devem ser respeitados.
Para Rafael a maior parte das vezes, os profissionais são em número insuficiente nos locais
de trabalho (Rafael, 1994). Reforça-se esta afirmação através das palavras de -Neves (2005,
p.23) quando diz que “o deficiente ratio de enfermeiros existente nalgumas situações é um
dos factores condicionantes para a humanização de cuidados de excelência”.
Outra condicionante referida é o espaço físico que é considerado como condicionante para
a humanização dos cuidados de enfermagem. Coutinho (2005) salienta a importância das
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Pois segundo Pinto (1996), a humanização dos espaços gere um ambiente não apenas
limpo, mas agradável para facilitar uma atitude positiva, quer no doente que espera, quer no
profissional que serve.
Nesse mesmo sentido, contribui para a humanização todo o profissional de saúde que
recusa a rotina, não vê no doente apenas alguém que a ele recorre em busca de auxilio mas
também uma pessoa inteira, como tal presa de emoções, receios, angustia ou desesperos,
pessoa essa, que é a própria razão de ser, a sublime justificação da existência do
profissional de saúde (Osswald, 2002).
(…) até que ponto as condições dadas, nomeadamente aos enfermeiros, não são por vezes, elas próprias,
factor de desumanização na saúde, como o deficiente ratio enfermeiro/doente, existente nalgumas instituições
e serviços. Do ainda pouco reconhecimento das competências profissionais dos enfermeiros, apesar de
possuírem cada vez maior e mais qualificada formação. A escassez de recursos, nomeadamente materiais,
com que se deparam no dia-a-dia da sua prática diária.
Para fazer face as dificuldades encontradas, o desempenho do papel do enfermeiro deve ser
rigoroso e adequado de modo a satisfazer as necessidades dos doentes e a cumprir o seu
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Humanização dos cuidados de enfermagem
papel enquanto profissional de saúde. Assim segundo alguns autores certas práticas são
necessárias para superar as dificuldades encontradas.
Falar de humanização nos cuidados de saúde é referir-se a uma relação humana capaz em
toda a prestação de cuidados, sendo uma exigência necessária para quem cuida de pessoas
(Rodrigues, 2003). Por isso, torna-se necessário uma organização e uma gestão do tempo
adequada, de modo a poder atender a todos os cuidados necessários.
(…) reconhecemos que a actualização e competência técnico-profissional é sem dúvida importante, mas
insuficiente. É necessário um verdadeiro ambiente humano e humanizante que passa pela capacidade de
estabelecer relações com os colegas, com os profissionais de saúde e com o cliente/família.
Para Rafael (1994, p. 31) “há serviços em que a equipa de saúde, mercê de um forte espírito
de entre - ajuda, consegue até disfarçar algumas carências e proporcionar um ambiente
acolhedor e de confiança”.
De modo a melhorar os cuidados prestados e tornar a profissão cada vez mais eficiente,
foram salientados dois aspectos importantes para a prática de cuidados.
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Sendo que segundo Pereira (2006, p.118), neste contexto, afirma que
(…) Compreende-se que são responsáveis pela humanização não apenas as administrações, mas todos os
serviços, não apenas os directores mas todos os profissionais, não apenas os profissionais especializados,
mesmo administrativos, mas também os auxiliares de acção médica, os maqueiros, os recepcionistas, os
porteiros. E até mesmo os doentes, também eles são responsáveis pela humanização da saúde, na forma como
se relacionam com os técnicos e com os outros doentes, nos diversos serviços por onde vão passando.
Assim através destas palavras percebe-se que a humanização deve se estender por todos os
membros que constituem e utilizam os serviços de saúde.
Relativamente ao empenho, e como afirma Neves (2005,) não se pode pensar em prestar
cuidados humanizados sem investir com seriedade na sua própria humanização. E como
afirma Cabral (2001, p.17), “Humanização gere humanização!”.
2.4-Delimitação do tema:
38
Humanização dos cuidados de enfermagem
“(…) é a incerteza que o investigador pretende resolver sobre algo na população realizando
aferições nos sujeitos de estudo” (Hulley e tal., 2008, p.35).
A pergunta de partida é definida por Quivy e Campenhoudt (2008, pp.31,32) como sendo a
etapa “ (…) através da qual o investigador tenta exprimir o mais exactamente possível o
que procura saber, elucidar, compreender melhor”.
Desta forma, a pergunta de partida que emergiu do tema foi: Qual a importância da
humanização dos cuidados na perspectiva do enfermeiro?
Segundo Santos (2003) estas constituem questões precisas e específicas que servem de
ponto de partida para pôr em prática uma estratégia para lhes encontrar a resposta.
As questões são:
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Humanização dos cuidados de enfermagem
Na opinião de Lakatos e Marconi (2003) o objectivo de estudo está ligado a uma visão
abrangente do tema e relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenómenos eventos,
quer das ideias estudadas.
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Humanização dos cuidados de enfermagem
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Humanização dos cuidados de enfermagem
A fase metodológica caracteriza-se pela tomada de decisão acerca dos métodos a utilizar
para responder à problemática e planeamento de cuidados da colheita de dados. As decisões
metodológicas tomadas durante esta fase, têm implicações na integridade, leitura e utilidade
clínica dos resultados (Polit e tal., 2004).
Segundo nos descreve Fortin (2003, p.108) pode se afirmar que é “ no decurso deste estudo
que o investigador determina os métodos que utilizará para obter as respostas às questões
de investigação colocadas”.
Desta forma, a fase metodológica foi constituída pelo tipo e métodos de estudo, a
população e amostra escolhida, as variáveis deste estudo, o instrumento de colheita de
dados, as considerações éticas tidas em conta, bem como o tratamento de dados.
42
Humanização dos cuidados de enfermagem
Para Moniz (2003) a investigação qualitativa torna-se cada vez mais utilizada, uma vez que
recorre a métodos que são capazes de compreender fenómenos de forma holística no seu
contexto, na medida em que dá profundidade à riqueza das experiencias dos indivíduos.
Nesta linha de pensamento surge Ribeiro (2007, p. 65) que afirma que:
“ A investigação qualitativa tem por objectivo estudar as pessoas nos seus contextos naturais(…) é um
trabalho de proximidade e interactivo, dado que exige contacto face a face com o individuo (…) o que permite
desenvolver uma ideia aprofundado do modo como as pessoas pensam, sentem, interpretam, experimentam os
acontecimentos em estudo”
Assim o método de estudo deste trabalho monográfico será o método qualitativo, uma vez
que o objectivo deste trabalho será observar, descrever e interpretar o problema. Assim
como indica Fortin (2003, p. 148), neste estudo ” (...) o investigador não se coloca como
perito, dado que é de uma nova relação sujeito - objecto que se trata (...) ”.
43
Humanização dos cuidados de enfermagem
3.2- População/amostra:
Segundo Hulley e tal (2008, p. 46) “população é um conjunto completo de pessoas que
representam determinadas características em comum (… )”, onde se pretende estudar a
percepção de humanização de cuidados de enfermagem segundo os enfermeiros.
Por razões de tempo e acessibilidade não faz sentido trabalhar com toda a população, a
solução é trabalhar apenas uma amostra (Almeida e Freire, 2003). A amostra consiste num
subgrupo da população, seleccionada para obter informações relativas a essa população
(Hulley e tal, 2008). Esta deve ser representativas da população visada, ou seja, ter as
mesmas características, sendo considerada, “ uma réplica em miniatura da população alvo”
(Fortin, 2003, p. 202).
A população alvo deste estudo é constituída por enfermeiros da região norte a trabalhar
directamente com utentes.
Para Fortin, a escolha dos participantes faz-se “ (…) por meio de critérios de selecção que
asseguram uma relação íntima dos participantes com a experiência que se quer descrever e
analisar.” (2003, p.149).
Como critérios de selecção para definir a amostra do estudo estipularam-se dois critérios,
sendo eles:
Aquando da escolha dos elementos da amostra foi decidido escolher apenas enfermeiros
que trabalhassem em contexto hospitalar. Esta escolha, surge devido a uma opção do
investigador, tendo em conta o facto de que a realidade e o trabalho desenvolvido com os
44
Humanização dos cuidados de enfermagem
utentes em meio hospitalar serem diferentes comparando com outras realidades. Desta
forma decidiu-se não juntar diferentes realidades, de modo, a restringir um enviesamento
dos dados recolhidos.
Esta amostra foi seleccionada através de uma amostragem não probabilística por rede. Nas
amostragens não probabilísticas, os elementos que participam foram seleccionados de uma
forma não aleatória, pois os elementos não apresentam a mesma probabilidade de inclusão
e participação (Polit e tal., 2004).
A amostragem por redes é uma técnica que consiste em escolher sujeitos que seriam
difíceis de encontrar de outra forma, segundo critérios determinados. “Torna-se por base as
redes sociais, as amizades (…), esta técnica é também chamada de «em bola de neve»”
(Fortin, 2003, p.211).
Deste modo foi escolhido doze enfermeiros com as características da população escolhida,
para constituir a amostra deste trabalho de investigação.
Na escolha do número desta amostra pelo investigador, foi tido em conta o tempo solicitado
para a realização deste estudo, assim como aquilo que referem os autores, que uma amostra
de grande tamanho é de evitar em investigação qualitativa, porque gera um enorme
amontoado de dados, difícil de analisar. Assim convém incluir tantos sujeitos quantos os
necessários para atingir a «saturação» dos dados. Este conceito de saturação é muitas vezes
mencionado nos relatórios de investigação qualitativa e faz referência ao momento da
colheita de dados a partir do qual o investigador não aprende nada de novo dos
participantes (Fortin, 2003).
3.3- Variáveis:
As variáveis atributos são as características dos sujeitos num estudo. Esta informação serve
para traçar um perfil das características dos sujeitos da amostra (Fortin, 2003). Assim esta
45
Humanização dos cuidados de enfermagem
variável inclui: idade, género, estado civil, grau académico, anos de prática, escolha da
profissão e serviço onde trabalha.
A técnica utilizada para a colheita de dados foi a entrevista, uma vez que esta permitiu uma
maior flexibilidade para aprofundar a área temática pretendida. Para Quivy e Campenhoudt
(2008, p. 192) na entrevista estabelece-se
(…) uma verdadeira troca, durante a qual o interlocutor do investigador exprime as suas percepções de um
acontecimento ou de uma situação, as suas interpretações ou as suas experiencias, no passo que através das
suas perguntas abertas e das suas reacções, o investigador facilita essa expressão, evita que ele se afasta dos
objectivos de investigação e permite que o interlocutor aceda a um grau máximo de autenticidade e de
profundidade.
Considerando então este estudo, foi elaborado pelo investigador um guião de entrevista
semi estruturada (anexo 2), de forma a conter as perguntas correspondentes aos temas
centrais e, enquanto guião, serviu de fio condutor no decorrer da entrevista. Este tem por
base a pesquisa bibliográfica e as questões de investigação elaboradas.
46
Humanização dos cuidados de enfermagem
Para Quivy e Campenhoudt (2008) o instrumento de colheita de dados deve ser elaborado
de forma a conseguir adquirir as informações necessárias. Com o guião de entrevista a
pessoa exprime-se livremente acerca de temas sugeridos pelo investigador através das
questões formuladas, obtendo-se desta forma as respostas abertas e livres de associações,
sem haver indução das mesmas.
A entrevista estava dividida em duas partes, uma primeira parte quantitativa para
caracterização da amostra seleccionada e a segunda constituída pelas questões que fazem
parte do guião da entrevista semi estruturada.
Cada entrevista teve a duração necessária para que os enfermeiros pudessem responder com
o máximo de tranquilidade e à vontade possível. As referidas entrevistas foram gravadas,
após consentimento dos entrevistados, com recurso a um gravador áudio, de modo a
proporcionar ao entrevistado a sua liberdade de percurso, a livre exposição oral dos seus
conhecimentos e das suas expectativas.
A colheita de dados foi realizada entre o dia 2 de Março de 2010 e 17 de Março de 2010. O
processo da execução das entrevistas teve uma duração média de 00.12 minutos.
47
Humanização dos cuidados de enfermagem
Anteriormente à iniciação da colheita de dados propriamente dita foi efectuada uma pré -
colheita para verificar se os resultados, com a aplicação do instrumento de colheita de
dados, davam resposta aos objectivos inicialmente propostos, uma vez que o guião da
entrevista foi elaborado pelo investigador.
Depois de redigido o guião de entrevista este precisa de ser testado antes da sua utilização
definitiva aplicando-o numa parte da população com as mesmas características da
população escolhida para o estudo (Lakatos e Marcony, 2007). Esta etapa é de todo
indispensável pois permite corrigir ou modificar o instrumento, porque os pré teste são
avaliações das entrevistas, medidas ou procedimentos que o investigador realiza para testar
a sua funcionalidade, adequabilidade e fiabilidade (Hulley et al., 2008).
Neste sentido, o pré teste foi efectuado a três enfermeiros que se enquadram nos critérios da
população escolhida, ou seja, reúnem as mesmas características da amostra seleccionada.
Não fazendo os mesmo parte da posterior colheita de dados.
48
Humanização dos cuidados de enfermagem
A investigação aplicada a seres humanos pode, por vezes, causar danos aos direitos e liberdades da pessoa.
Por conseguinte, é importante tomar todas as disposições necessárias para proteger os direitos e liberdades das
pessoas que participam nas investigações.
Para se poder realizar a colheita dos dados foi necessário um consentimento (Anexo1)
prévio por parte dos entrevistados.
49
Humanização dos cuidados de enfermagem
Após recolhido o material para a realização do estudo, este foi submetido a análise de
conteúdo técnica que à partida se revela mais adequada, pois possibilita o tratamento da
informação recolhida tendo em conta os discursos de diferentes autores.
Segundo Bogdan (1994) existe uma variedade de maneiras de trabalhar a análise dos dados.
Numa das abordagens, a análise é concomitante com a recolha dos dados e fica
praticamente completa no momento em que os dados são recolhidos. Esta é considerada
pelo autor a abordagem mais frequentemente utilizada pelos investigadores de campo
experientes.
Ora, dada a pouca experiencia do investigador, optou-se pela outra abordagem que envolve
a recolha de dados antes da realização da análise. No entanto, o processo de audição e
transcrição das entrevistas permitiu que alguma análise fosse efectuada concomitantemente
com a recolha de dados.
50
Humanização dos cuidados de enfermagem
Para Fortin o tratamento de dados (2003, p.135) “ deve ser congruente em relação aos
objectivos e ao desenho do estudo”, segundo este vise descrever relações, verificar relações
entre as variáveis ou comparar grupos.
Relativamente à exploração do material, esta é considerada por Bardin (2004, p.101), como
sendo “ (…) operações de codificação, desconto ou enumeração, em função de regras
previamente formuladas”.
Deste modo, foi codificada cada entrevista com a letra E e um número de 1 a 12, o que
significa que, por exemplo, E1 se refere à entrevista do primeiro enfermeiro que foi
entrevistado.
Segundo o autor supracitado (1986, p.114), a unidade de contexto “ (…) é o segmento mais
largo de conteúdo que o analista examina quando caracteriza uma unidade de registo.”
51
Humanização dos cuidados de enfermagem
52
Humanização dos cuidados de enfermagem
[Link] EMPÍRICA
Como afirma Fortin (2009), é nesta etapa que está incluída a colheita de dados, e é onde
se faz a organização e o tratamento dos resultados. Nesta fase da investigação passa-se à
interpretação, análise e conclusão dos resultados.
Todo este trajecto terá como base de fundamentação o marco teórico efectuado
anteriormente.
Para realização deste trabalho de investigação, a amostra escolhida foi constituída por
doze enfermeiros com características próprias de acordo com a necessidade para dar
resposta aos objectivos pretendidos.
52
Humanização dos cuidados de enfermagem
A amostra alvo foi caracterizada de acordo com as seguintes categorias: idade, género,
estado civil, grau académico, anos de prática, escolha da profissão e o serviço em que
actualmente se encontra a trabalhar.
Género
Masculino Feminino
53
Humanização dos cuidados de enfermagem
Idade n. %
[26;30] 4 33
[31;35] 3 25
[36;40] 4 33
[41;45] 0 0
[46;50] 1 8
Total 12 100
n. Tamanho da amostra
Idade
[26;30]
[31;35]
[36;40]
[41;45]
[46;50]
53
Humanização dos cuidados de enfermagem
Estado Civil n. %
Casado 9 75
Solteiro 2 17
Divorciado 1 8
Total 12 100
n. Tamanho da amostra
Estado Civil
Casado
Solteiro
Divorciado
Quanto ao Estado Civil é possível constatar que nove das enfermeiras da amostra são
casadas, duas são solteiras e uma é divorciada.
Grau académico n. %
Licenciatura 7 64
Bacharelato 3 27
Especialidade 1 9
Total 12 100
n. Tamanho da amostra
53
Humanização dos cuidados de enfermagem
Grau académico
Licenciatura
Bacharelato
Especialidade
No que concerne ao grau académico este engloba sete enfermeiras com licenciatura, três
enfermeiras com bacharelato e duas com especialidade de reabilitação.
Anos de prática n. %
[1;5] 2 17
[6;10] 4 33
[11;15] 2 17
[16;20] 3 25
[21;25] 1 8
Total 12 100
n. Tamanho da amostra
Anos de prática
[1;5]
[6;10]
[11;15]
[16;20]
[21;25]
54
Humanização dos cuidados de enfermagem
Relativamente, aos anos de prática desta profissão esta vai desde 5 aos 25 anos. Sendo
que duas enfermeiras já trabalham entre os 1 e 5 anos, quatro enfermeiras entre os 6 a
10 anos, dois entre os 11 e 15 anos, três entre os 16 e 20 anos, e uma pessoa entre os 21
e 25 anos.
Escolha da Profissão
1ª escolha
2ª escolha
Outra
A escolha desta profissão, foi para oito das enfermeiras entrevistadas a primeira escolha,
contudo três referiram ser a segunda escolha e apenas uma como sendo a última
escolha.
54
Humanização dos cuidados de enfermagem
Serviço n. %
Medicina 10 83
Ortopedia 1 8
Cirurgia 1 8
Total 12 100
n. Tamanho da amostra
Serviço
Medicina
Ortopedia
Cirurgia
Pode-se constatar que dez destes enfermeiros trabalham num serviço de medicina, um
num serviço de ortopedia e um enfermeiro a trabalhar em cirurgia.
54
Humanização dos cuidados de enfermagem
Os dados referentes a análise qualitativa efectuada a cada uma das questões levantadas,
serão apresentados através de tabelas sínteses. Através destas, foram identificadas nas
respostas dadas pelos entrevistados, as respectivas áreas temáticas, das quais emergiram
as categorias deste estudo e consequentemente as unidades de registo e de contexto
assim como o score, o que permitiu, com facilidade, construir com coerência a
interpretação dos resultados.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Segundo Pinto (2006), humanizar é, tornar humano, cuidar a pessoa como pessoa, dar-
lhe atenção e responder de uma forma positiva a toda a sua esperança, pois ao confiar
nos serviços de saúde, pretende reencontrar-se na plenitude da sua realização pessoal.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
O conceito de prestar cuidados ou cuidar designa a atenção especial que se vai dar a
uma pessoa que vive uma situação particular com vista a ajudá-la, a contribuir para o
seu bem-estar e a promover a sua saúde (Hesbeen, 2000).
Segundo Martires (2003, p. 25) a pessoa deve ser entendida numa dimensão holística,
emergindo duas premissas básicas: “ A pessoa reage sempre como um todo unificado; e
a pessoa, como um todo, é diferente de e mais do que a soma das partes”.
A última unidade de registo que surgiu após análise deste quadro é a personalização dos
cuidados na humanização. Na personalização dos cuidados, apenas cinco enfermeiras
referiram ser o conceito mais apropriado para definir a humanização de cuidados.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
E, como afirma Cabral (2001, p.16), a primeira regra e o que deve estar na base da
humanização é “o respeito pelo ser humano que cada um de nós é”.
Humanizar é cuidar do outro, tendo em conta, os seus valores e o modo como o outro
gosta ou quer ser cuidado. E não como o enfermeiro acha que ele quer ser cuidado, mas
sim ter em conta as suas necessidades.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Por isso, e segundo mesmo autor, o facto da humanização dos cuidados ser uma
temática cada vez mais actual e pertinente, constitui uma expressão da competência
profissional.
Na análise desta segunda temática, verifica-se que apenas uma destas enfermeiras
entrevistadas considera que a humanização dos cuidados de enfermagem é a base de
actuação desta profissão, mas também que esta actuação é parte integrante da profissão.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
De acordo com o quadro acima, na unidade de registo referente as práticas dos cuidados
humanizados, oito entrevistados referiram prestar cuidados tendo em conta a
personalização dos cuidados. A personalização de cuidados pode ser vista através da
afirmação de Coutinho, (2005), que declara que, assumir o dever de humanizar implica
dar atenção à pessoa, considerando-a na sua totalidade, mas reconhecendo também a sua
individualidade face aos outros, e tendo em conta o contexto em que se insere, familiar
e comunitário.
Nesse mesmo sentido, o autor supra citado, afirma que os cuidados de enfermagem têm
por fundamento um clima de respeito pela sua individualidade e dignidade. Deste modo
o que deverá estar na base da humanização é o respeito pelo ser humano que é “cada um
de nós”, não esquecendo a individualidade própria, da qual derivam necessidades e
desejos.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Pois, segundo o mesmo autor, é necessário fazer todos os esforços para manter a família
junta no hospital e dentro do possível favorecer a sua participação nos cuidados.
Estas afirmações justificam-se através da afirmação de Pinto (2006) que diz que o ser
humano já tem relações humanas. A família, os colegas, os amigos, não podem estar
fora do processo que o doente está a viver. Devem ser chamados para dar uma
colaboração integrada na recuperação que se pretende.
Por isso, ter disponibilidade para ouvir os outros e compartilhar das suas preocupações e
angústias, procurando minimizá-las são atitudes que cabem dentro do conceito de
humanização, como afirma Rafael (1994).
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
O mesmo autor afirma que é importante que o utente sinta que existe alguém para o
receber digna e respeitosamente e que, com rapidez e personalizadamente o esclareça e
o encaminha.
Outros dos valores importantes para uma prática de cuidados humanizados, são a
empatia, a capacidade de comunicação que são factores de equilíbrio nas relações utente
/equipa de saúde. Além de uma boa comunicação que traduz-se no orientar o doente na
relação com o meio hospitalar e com os outros doentes (Rafael, 1999).
Os cuidados de enfermagem devem assim ser dirigidos à pessoa, que possui um quadro
de valores e crenças, um sentido único e individual para a sua existência, dotando-o de
liberdade, dignidade e autonomia (Coutinho, 2005).
E como afirma Rafael (1994), cada doente é diferente de qualquer outro e merece ser
atendido e tratado de forma diferente, tendo sempre presente que, além de ser doente, é
uma pessoa, com direitos que devem ser respeitados.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Quanto a segunda unidade de registo sobre o espaço físico, este é considerado como
condicionante para a humanização dos cuidados de enfermagem. Coutinho (2005)
salienta a importância das condições físicas e Organizacionais para permitir uma
prestação de cuidados humanizados tendo em vista a excelência.
Pois segundo Pinto (1996), a humanização dos espaços gere um ambiente não apenas
limpo, mas agradável para facilitar uma atitude positiva, quer no doente que espera quer
no profissional que serve.
Contribui para a humanização todo o profissional de saúde que recusa a rotina, não vê
no doente apenas alguém que a ele recorre em busca de auxilio mas também uma pessoa
inteira, como tal presa de emoções, receios, angustia ou desesperos, pessoa essa, que é a
própria razão de ser, a sublime justificação da existência do profissional de saúde.
(Osswald, 2002)
A referência a estas categorias é ainda reforçada pela afirmação de Neves (2005, p. 25)
Até que ponto as condições dadas, nomeadamente aos enfermeiros, não são por vezes, elas próprias,
factor de desumanização na saúde, como o deficiente ratio enfermeiro/doente, existente nalgumas
instituições e serviços. Do ainda pouco reconhecimento das competências profissionais dos enfermeiros,
apesar de possuírem cada vez maior e mais qualificada formação. A escassez de recursos, nomeadamente
materiais, com que se deparam no dia-a-dia da sua prática diária.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Nesta categoria verifica-se que as dificuldades encontradas para uma boa prática de
cuidados humanizados, são várias. Sendo que desta emergiram três unidades de registo.
Para a maioria dos enfermeiros a falta de recursos humanos e o método de trabalho são
condicionantes para umas boas práticas. E apenas para três dos entrevistados o espaço
físico é considerado uma dificuldade para a prática de cuidados de enfermagem
humanizados.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Relativamente a unidade de registo a organização, constata-se que das doze, apenas oito
enfermeiras identificaram o mesmo, como sendo uma estratégia utilizada para
ultrapassar as dificuldades encontradas para a prestação de cuidados humanizados.
Falar de humanização nos cuidados de saúde é referir-se a uma relação humana capaz
em toda a prestação de cuidados, sendo uma exigência necessária para quem cuida de
pessoas (Rodrigues, 2003). Por isso torna-se necessário uma organização, e uma gestão
do tempo adequada, de modo a poder atender a todos os cuidados necessários.
Outra categoria que surge após análise deste quadro é a disponibilidade. Na unidade de
registo referente a disponibilidade, três enfermeiros referiram ser uma estratégia para
ultrapassar as dificuldades encontradas no dia-a-dia, para a prestação de cuidados
humanizados.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Nesta categoria verifica-se que as estratégias utilizadas encontradas para uma boa
prática de cuidados humanizados, são várias. Sendo que desta emergiram três unidades
de registo. E para a maioria dos enfermeiros a organização e o método de trabalho que
ajuda a ultrapassar as dificuldades encontradas para a prestação de cuidados
humanizados. Enquanto para três dos enfermeiros entrevistados a disponibilidade é
utilizada para superar esta dificuldade, e apenas para dois referiram o trabalho em
equipa.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Nesta ultima temática sobre possíveis estratégias futuras, nove enfermeiras entrevistadas
referiram que o empenho é uma estratégia alcançável para superar as dificuldades do
dia-a-dia, quatro enfermeiros referiram o envolvimento da equipe multidisciplinar para
uma prestação de cuidados mais humanizadas. E apenas uma pessoa referiu que ambas
estas estratégias são necessárias para a prestação de melhores cuidados de enfermagem
humanizados.
Nesta categoria referente a opinião dos enfermeiros, acerca de outras estratégias que não
estão ao alcance actualmente para ultrapassar as dificuldades, mas que poderiam
facilitar a prestação de cuidados humanizados. Os enfermeiros referem que o empenho e
o envolvimento de toda a equipe multidisciplinar ajudariam para a melhoria de cuidados
humanizados.
Relativamente ao empenho, e como afirma Neves (2005) não se pode pensar em prestar
cuidados humanizados sem investir com seriedade na sua própria humanização. E como
afirma Cabral (2001, p.17) “Humanização gere humanização”.
(…) compreende-se que são responsáveis pela humanização não apenas as administrações, mas todos os
serviços, não apenas os directores mas todos os profissionais, não apenas os profissionais especializados,
mesmo administrativos, mas também os auxiliares de acção médica, os maqueiros, os recepcionistas, os
porteiros. E até mesmo os doentes, também eles são responsáveis pela humanização da saúde, na forma
como se relacionam com os técnicos e com os outros doentes, nos diversos serviços por onde vão
passando.
55
Humanização dos cuidados de enfermagem
Para que o investigador consiga de uma forma precisa e profunda efectuar uma análise
crítica dos dados que foram analisados e tratados achou-se pertinente fazê-lo, através
dos objectivos de investigação deste estudo. Desta forma tentar-se-á, com os dados
obtidos, dar resposta a cada uma delas e tornar-se-á mais facilitador apontar estratégias
para colmatar alguns constrangimentos detectados ao longo do estudo e dar
cumprimento aos objectivos formulados.
De modo a retirar uma conclusão dos resultados e das implicações que deles decorrem,
Fortin (1999, p. 329) refere que:
(…) o investigador é levado a comparar, a constatar os resultados e servir-se da teoria, dos trabalhos de
investigação que tratam o mesmo fenómeno a da prática profissional para fazer inferências.”
Através dos resultados obtidos nas entrevistas, pode-se verificar que a maioria das
respostas vai de encontro com a revisão bibliográfica efectuada, no entanto, em algumas
das questões os mesmos ficam aquém das afirmações dos autores.
59
Humanização dos cuidados de enfermagem
De acordo com estes resultados o investigador pode concluir que nenhum dos
entrevistados conseguiu, de acordo com os autores dar uma definição abrangente e
correcta da humanização dos cuidados de enfermagem. Tendo em conta que a
humanização dos cuidados se baseia em três aspectos importantes: a perspectiva
biopsicossocial, a personalização dos cuidados e o cuidar humano, verificou-se que dos
doze entrevistados que apenas cinco referiram dois destes aspectos. Os restantes apenas
referiram um. Isto pode levar a pensar que a humanização dos cuidados ainda não está
de forma clara presente nos profissionais, o que deixa o investigador preocupado pois
este é um dos aspectos mais importantes desta profissão.
Com base nestes resultados, o investigador pode afirma que o conceito em articulação
com a importância da humanização na prática dos cuidados ainda não é muito claro para
os enfermeiros, o que poderá por em causa a pratica de cuidados humanizados.
59
Humanização dos cuidados de enfermagem
Nesta temática, conclui-se que nem todos os enfermeiros utilizam as mesmas práticas
para levar a cabo a humanização de cuidados de enfermagem, o que está de encontro
com a necessidade de se aprofundar os conhecimentos acerca da mesma temática.
Assim sendo podemos considerar que o enfermeiro, na sua actuação, não depende
apenas de si, mas também do ambiente que o envolve e o influencia. As condições e
dinâmicas de trabalho a que os enfermeiros estão sujeitos são também referidos por
estes como condicionantes do processo de humanização. Neste ponto merece o destaque
o facto de que os enfermeiros consideraram o espaço físico como um factor inibidor
visto que este, na maior parte das vezes, não possui condições que permitam um cuidar
humanizado.
59
Humanização dos cuidados de enfermagem
Para superar dificuldades para uma boa prática de cuidados humanizados foram
salientadas varias estratégias, a organização, a gestão dos recursos e o trabalho em
equipa. Para oito dos doze dos enfermeiros entrevistados a organização ajuda a
59
Humanização dos cuidados de enfermagem
Conclui-se que são várias as atitudes utilizadas para superar as dificuldades encontradas
para a prestação de cuidados humanizados, no entanto essas são necessárias para a sua
prática diária com o objectivo de humanizar. Parece pertinente segundo o investigador
referenciar que tendo em conta as dificuldades apresentadas anteriormente, a
organização e o trabalho em equipa parecem de todo estratégias oportunas para as
colmatar. Parece haver alguma contradição aquando das respostas dadas acerca da
disponibilidade pois apesar desta ter de estar sempre presente independentemente de
qualquer constrangimento, também referem a falta de recursos humanos. O que torna
mais difícil haver disponibilidade.
Nesse sentido, e como estratégia futura para superar essas dificuldades, foi referido que,
para além de colmatar as falhas e constrangimentos referidos, o esforço e a dedicação
diário por todos os profissionais é decisiva para uma boa prática de cuidados. Por isso
foi ainda referido que só com empenho e o envolvimento de toda a equipe e instituições
que contribui neste processo do cuidar, se poderá obter cuidados humanizados por
excelência.
Assim conclui-se que nesta área ainda falta caminhar e investir para a realização da
mesma, porque o objectivo desta profissão é o cuidar da pessoa que passa pelo bem -
estar físico e mental, e pelo respeito pelos seus direitos e dignidade da mesma.
59
Humanização dos cuidados de enfermagem
V CONCLUSÃO
O tema deste trabalho surgiu por interesse pessoal e curiosidade despertada durante os
ensinos clínicos, e pelo interesse dos conteúdos teóricos aprendidos ao longo deste
percurso.
60
Humanização dos cuidados de enfermagem
Verificou-se que os conhecimentos dos profissionais sobre esta temática não estão
totalmente eficazes, notando-se uma necessidade de repensar nas práticas que levam à
humanização. Os entrevistados não conseguiram identificar as práticas utilizadas para
humanizar, no entanto, essas podem ser praticadas mas os enfermeiros não as vêm como
tal.
Apesar de tudo, e tendo os mesmos consciência que no seu dia-a-dia nem sempre
conseguem por em pratica uma humanização de cuidados efectiva, apresentaram
algumas estratégias que poderiam ser benéficas para melhorar estes aspectos: o
empenho e envolvimento da equipe multidisciplinar. Um investimento interessante nos
serviços ou mesmo da instituição seria facilitar momentos de reflexão em grupo sobre
temas desta importância.
Para finalizar pode-se dizer que esta experiencia foi extremamente enriquecedora, pois
permitiu aprofundar conhecimentos numa área de grande importância para a prática
desta profissão. Revelou-se também gratificante, pois contribui para o desenvolvimento
do investigador no campo da investigação.
Esta temática abre muitas portas para posteriores estudos de investigação. Pretende-se
de futuro aprofundar a mesma e, possivelmente dar continuidade a este estudo tentando
percebê-lo de um prisma diferente, ou seja, qual a percepção dos utentes sobre a
61
Humanização dos cuidados de enfermagem
Nesta perspectiva surge outra sugestão para desenvolver futuramente, como um estudo
comparativo entre a percepção do enfermeiro sobre a humanização de cuidados de
enfermagem em nos cuidados de saúde diferenciados, e do enfermeiro que trabalham
em cuidados de saúde primários. Cada um destes enfermeiros contacta com o utente
numa fase diferente do seu desenvolvimento vital e de saúde, sendo que como tal, os
cuidados prestados são bem diferentes.
Resta agora referir que foi com grande empenho e dedicação que este trabalho
monográfico foi elaborado e que, pelo seu carácter, contribuiu para o desenvolvimento
pessoal e intelectual, assim como a aquisição de capacidades que, ao longo desta
licenciatura, ainda não tinham sido adquiridas, no sentido de que num futuro
profissional ele irá contribuir para colaborar em possíveis mudanças de comportamentos
quer a nível profissional, como Enfermeira, quer a nível social, como pessoa.
62
Humanização dos cuidados de enfermagem
VI BIBLIOGRAFIA
61
Humanização dos cuidados de enfermagem
62
Humanização dos cuidados de enfermagem
Ministério da Saúde. (1999). Carta dos direitos e deveres dos doentes. Direcção
Geral da Saúde, 2ª edição.
63
Humanização dos cuidados de enfermagem
Salamon, D. (1991). Como fazer uma monografia.2ª edição brasileira São Paulo,
Livraria Martins Fontes Editora Ltda.
64
Humanização dos cuidados de enfermagem
Walter Hesbeen. (2004). Cuidar neste mundo: Contribuir para um universo mais
cuidador. Lusociência, 1ª edição.
65