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A Criação Das Sociedades de Leasing em Angola e A Contabilização Das Locações Financeiras

O artigo analisa a criação de sociedades de leasing em Angola e a contabilização das locações financeiras, destacando o desconhecimento dos contabilistas da Província de Benguela sobre o tema. A pesquisa revela diferenças significativas nos tratamentos contábeis entre Angola, Brasil e Portugal, além de identificar a necessidade de um enquadramento mais claro nas normas contábeis angolanas. O estudo é relevante devido ao crescente interesse por fontes alternativas de financiamento no contexto econômico angolano.

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A Criação Das Sociedades de Leasing em Angola e A Contabilização Das Locações Financeiras

O artigo analisa a criação de sociedades de leasing em Angola e a contabilização das locações financeiras, destacando o desconhecimento dos contabilistas da Província de Benguela sobre o tema. A pesquisa revela diferenças significativas nos tratamentos contábeis entre Angola, Brasil e Portugal, além de identificar a necessidade de um enquadramento mais claro nas normas contábeis angolanas. O estudo é relevante devido ao crescente interesse por fontes alternativas de financiamento no contexto econômico angolano.

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A criação das sociedades de leasing em Angola e a contabilização das

locações financeiras

João Santos Velho


Mestre em Finanças – Portucalense; Docente e Investigador na Faculdade de Economia da
Universidade Katyavala Bwila, Benguela, Angola
santvelho@[Link]

Vasco Salazar Soares


Doutoramento em Gestão; Docente ISVOUGA e PORTUCALENSE; Investigador CEPESE e
CETRAD
[Link]@[Link]

Carlos Quelhas Martins


Doutoramento em Gestão; Professor Especialista em Contabilidade; Docente ISVOUGA e
ISCAP; Investigador CEPESE e CETRAD
carlosamartins@[Link]

Área Temática: A - Normalização Contabilística e Relato Financeiro


RESUMO

O presente artigo trabalho visa estudar as questões relativas ao conhecimento dos Contabilistas

da Província de Benguela no que diz respeito ao processo de criação das Sociedades de Leasing

e respetiva contabilização à luz da natureza dos contratos estabelecidos pelos Decretos n.º

64/11 e Decreto nº 65/11, de 18 de abril de 2011. Analisam-se os processos de evolução da

locação financeira e respetiva contabilização na esfera dos PALOP´s, Brasil e Portugal e

analisa-se os resultados de um inquérito realizado a 49 Contabilistas, representativos da

população da Província de Benguela. Os resultados mostram uma diversidade de tratamentos

entre o Brasil, Portugal e a realidade de Angola. Os inquéritos mostram também um forte

desconhecimento da realidade dos processos de locação financeira e respetivo processo de

contabilização por parte dos Contabilistas de Benguela, Angola.


1. INTRODUÇÃO

A economia angolana vem registando fortes investimentos nos sectores produtivos e sociais,

facto que tem obrigado os operadores económicos a procurarem fontes de financiamentos mais

expeditas para dar respostas às necessidades de recursos financeiros de que necessitam, com

vista à persecução dos projetos de investimento concebidos.

As tradicionais fontes de financiamento bancário de um modo geral, não respondem à procura

de recursos financeiros por parte dos investidores, afetando a concretização dos projetos

concebidos, adiando-os, ou como muitas vezes acontece, impedindo a sua concretização.

Com a entrada no mercado financeiro da Bolsa de Valores, das Sociedades de Leasing e de

Factoring, é esperada uma nova dinâmica no desenvolvimento e concretização dos vários

projetos de investimento, por se constituírem fontes de financiamento alternativas, capazes de

responder à actual procura de recursos financeiros por operadores económicos deficitários.

O Plano Geral de Contabilidade em vigor em Angola não é conclusivo quanto ao procedimento

contabilístico mais correto para as operações de leasing financeiro. Este vazio, permite um

tratamento contabilístico diferente de profissional para profissional, daí a pertinência do

presente artigo.

Assim sendo este artigo tem como principal objetivo enquadrar a temática da locação

financeira, perceber a forma de tratamento internacional ao nível dos PALOP´s, Portugal e

Brasil e verificar até que ponto, os Contabilistas da Província de Benguela, aos quais se efetuou

um inquérito, têm conhecimento da locação financeira e do modo de registo contabilísitco mais

correto, tendo em conta as ditas práticas internacionais e a natureza da atividade.


2. REVISÃO DA LITERATURA: O SURGIMENTO DO LEASING E PROCESSO DE

CONTABILIZAÇÃO DAS LOCAÇÕES NO UNIVERSO DOS PALOP´s, BRASIL E

PORTUGAL

2.1. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO LEASING A NÍVEL INTERNACIONAL

Segundo Agustini (1995), o termo leasing é do gerúndio do verbo inglês to leasing que significa

arrendar. As raízes históricas do leasing segundo Sousa e Famá, em artigo publicado na Revista

Cadernos de Pesquisa em Administração, São Paulo, v.1, n.4, pp. 62-76, 1º sem/971, datam do

século XVIII A.C, com Hamurabi – considerado o primeiro legislador do mundo que,

regulamentou entre outros assuntos, as transações comerciais e as relações de propriedade.

Para a Associação Portuguesa de Leasing e Factoring (ALF), na brochura O Leasing em

Portugal, publicada em 2007, refere que a história do leasing remonta a 2.000 anos Antes de

Cristo e que os Sumérios utilizavam uma forma de leasing operacional para financiar

ferramentas e alfaias agrícolas e que o leasing financeiro da terra e dos edifícios tornou-se

bastante popular na Europa durante o período medieval por virtude das limitações impostas à

transmissão por herança de propriedades plenas.

A locação de material rolante para os caminhos de ferro nos anos 40 do século passado

constituiu o primeiro exemplo conhecido de um leasing financeiro de equipamento comercial

ou industrial. As locadoras, conhecidas ao tempo por “companhias de vagões” contaram-se

entre as primeiras a serem registadas na Grã-Bretanha e a tirarem partido da forma jurídica da

responsabilidade limitada (ALF, 2007, p. 5)2.

1
Disponível em [Link]

2 Disponível em: [Link]


Segundo Miranda e Miranda, em artigo publicado na Revista Virtual Direito Brasil Publicações,

volume 2 – n.º 2 (2008, pp. 2, 3, 4);3 O arrendamento mercantil ou leasing foi introduzido nos

Estados Unidos por volta de 1700, pelos colonos ingleses em Baltimore e Filadélfia. Entretanto,

referem, que sua real expansão ocorreu em Março de 1941 durante a Segunda Guerra Mundial,

com a promulgação da “Lend and Lease Act” em 11-03-1941, pelo então presidente Roosevelt.

O governo americano efetuava empréstimos de equipamentos bélicos aos países aliados, sob a

condição de finda a guerra, serem eles adquiridos ou devolvidos. Todavia, é na década de 50

que nasce o leasing de forma plena nos Estados Unidos. Nesta altura destaca-se o caso do

empresário Boothe Jr., proprietário de uma empresa de alimentos na Califórnia, necessitando

de atender um contrato muito importante de fornecimento firmado com o exército, e não

possuindo equipamentos e disponibilidades para adquiri-los, resolveu alugá-los. Sem o

dispêndio grande de capital, criou em 1952, uma sociedade com o capital de 20 mil dólares, e

o seu sucesso foi tão grande e imediato com o prestígio e crédito bancário que conseguiu. A

indústria do leasing, no sentido contemporâneo, inicia-se com o estabelecimento, em 1952, em

São Francisco da Califórnia, da primeira locadora conhecida, que ainda hoje opera sob a sigla

USL (United States Leasing ou U.S. Leasing).

Ainda segundo os autores, a Inglaterra foi o primeiro país europeu a praticar o leasing em 1960.

Na Alemanha o leasing começou a ser praticado desde 1965 sob duas formas principais: o

operacional (Operate – leasing) e o financeiro (Finanzierungs – leasing). Em França, apesar de

em 1961 se registarem já operações de leasing só, em 1966 surge a lei que tratou do crédit-

bail.

Segundo Silva et. al. (2006), embora já com raízes históricas nos Estados Unidos da América,

o leasing conhece o seu maior desenvolvimento após a segunda guerra mundial, enquadrado na

3 Disponível em: [Link]


política comercial de grandes empresas industriais e mais tarde passou a ser exercida por

empresas especializadas.

A figura do leasing tal como se entende hoje, tem vindo a apresentar em vários países taxas de

crescimento bastante expressivas, tendo já sido adotado por grande parte do tecido empresarial

dos países Europeus e América, tais como Brasil, Portugal, Espanha, entre outros, como meio

de financiamentos privilegiado de médios e longos prazos.

De acordo com a Associação Portuguesa de Leasing e Factoring ( 2007) em Portugal nos finais

dos anos 70 e num contexto global de profunda descapitalização das empresas e de fortes

necessidades de investimento privado, com vista ao relançamento da economia, o Governo cria

o primeiro quadro regulamentar da locação financeira (Decretos-Lei 135 e 171/79). Fortemente

inspirada no credit-bail francês, a locação financeira é definida como sendo a operação através

da qual a locadora disponibiliza ao locatário o gozo económico pleno de um bem móvel ou

imóvel, por tempo determinado, contra o pagamento de uma quantia periódica (renda), estando

contratualmente garantida ao locatário uma opção de compra no termo do contrato, mediante o

pagamento de um montante fixado à partida (valor residual). Durante os anos 80 com especial

destaque para o segundo quinquénio, a locação afirmou-se em Portugal como uma das mais

populares formas de financiamento dos investimentos, com taxas de crescimento do volume de

negócios do sector que chegaram a ultrapassar os 100%.

No princípio da década de 90, a locação financeira contribuía já com mais de 10% para o

financiamento do investimento global. Com exceção de 1994 – ano negro para o sector na

sequência da mudança dos critérios de contabilização e alteração da fiscalidade do produto – as

sociedades de locação financeira (sociedades de leasing ou locadoras, como também são

conhecidas) apresentam um forte crescimento.

Ainda segundo a ALF, com a publicação em 1995 dos Decretos-Lei 72 e 149, de 15 de abril e

24 de junho, respectivamente, o quadro regulamentar é alterado, flexibilizando-se alguns dos


parâmetros das operações e simplificando-se o formalismo dos contratos. As locadoras

financeiras, que desde 1992, (Decreto-Lei 298/92, 31 de Dezembro) tinham ascendido à

Categoria de Instituições de Crédito (antes eram empresas para bancárias), passam a poder

oferecer em locação quaisquer bens móveis ou imóveis e desde então também aos particulares,

alargando-se desta forma, substancialmente o seu âmbito de actuação e mercado. Embora se

tivesse tornado possível aos Bancos exercer a actividade, estes não enveredaram, desde logo,

por esse caminho pelo que, no essencial, a locação financeira continuou a ser disponibilizada

pelas sociedades de locação financeira até finais da década de 90. No final desta década o sector

iniciou um período de profunda reestruturação com várias aquisições, fusões e integração nos

próprios bancos.

A APELEASE – Associação Portuguesa de Empresas de Leasing foi constituída em 1984 e

manteve-se como tal até 2005. Neste ano funde-se com a APEF – Associação Portuguesa de

Empresas de Factoring, por incorporação desta última na APELEASE, dando origem a ALF –

Associação Portuguesa de Leasing e Factoring. A ALF contava nessa altura com 27

Associadas, representando quase 100% do total das entidades que exercem a actividade de

locação financeira e de factoring em Portugal.

Em 1982, constituem-se as primeiras locadoras em Portugal: SLIBAIL e LOCAPOR. Em 1983,

foram constituídas mais quatro sociedades de locação financeira mobiliária: EUROLEASING,

LEASINVEST, SOFINLOC, LUSOLEASING e ainda a IMOLEASING (primeira locadora

imobiliária). No final da década de 80, inicia-se um processo de constituição de novas

sociedades, que irão ter continuidade no princípio dos anos 90, atingindo em meados da década,

mais de 30 operadores no mercado. A partir de 1997 assiste-se já ao desaparecimento de

algumas locadoras, em resultado de ações de reestruturação dos grupos financeiros. Durante os

anos 80, com especial destaque para o segundo quinquénio, a locação afirmou-se em Portugal

como uma das mais populares formas de financiamento dos investimentos, com taxas de
crescimento do volume de negócios do sector que chegaram a ultrapassar os 100%.

Actualmente conta com cerca de 36 associados, conclui a ALF.

De acordo com Fortuna (1992), citado por Sandro Hutter Chimisso no seu artigo publicado na

Revista de Administração da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões

P. 80 (2013),4 no Brasil, país da América latina, as primeiras operações de leasing aconteceram

em 1967, referentes ao arrendamento de máquinas de escrever por grupos industriais. O sector

ganhou impulso durante a década de 70, quando grupos financeiros internacionais e

posteriormente nacionais decidiram concentrarem-se na expansão das operações, começando a

divulgação dos contratos através de redes de agências bancárias. As modalidades mais usuais

no Brasil são o leasing operacional e o financeiro. Refere o autor que o leasing financeiro surgiu

vinculado às necessidades das empresas da existência de uma entidade que tivesse condições

de oferecer financiamento de longo prazo, além das linhas tradicionais de crédito e as de

repasses de BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), retirando de tal operação o lucro

necessário que permitia exercer ou ampliar as suas actividades.

O setor desenvolveu-se em razão da necessidade de inovação tecnológica, da mecanização das

indústrias, da influência do imposto de renda sobre o imobilizado e da intensidade com que o

nível dos negócios reflete sobre o capital necessário para investimentos, permitindo à financiada

usufruir de lucro necessário sem imobilização de capital.

Adianta ainda o mesmo autor, que as operações de arrendamento mercantil foram reguladas em

1974, através da Lei n.º 6099 e a sua última alteração significativa foi através da Resolução do

Banco Central n.º 2309/96, obedecendo a normas estabelecidas pelo Conselho Monetário

Nacional. A partir desse momento passou a ser praticado oficialmente no mercado financeiro,

tornando-se uma alternativa para financiamento de longo prazo e de alta flexibilidade,

adequando-se ao fluxo de caixa e de investimentos das indústrias e empresas. Uma

4 Disponível em: [Link]


particularidade de realça é o Leasing de Importação onde uma empresa de leasing estrangeira

arrenda um bem de capital produzido no exterior, sem similar nacional, para empresas

arrendatárias sediadas no Brasil, bem como a modalidade do Leasing de Exportação onde uma

empresa de leasing brasileira arrenda um bem adquirido no mercado interno para empresas

arrendatárias no exterior.

Finalmente afirma que o leasing para pessoas físicas, foi regulamentado a partir da Lei n.º

7132/83 (com características de um financiamento, pois não permite a dedutibilidade das

contraprestações como despesas nem a aceleração da depreciação).

Reis (2013, pp. 7-8)5 na sua monografia de licenciatura em Contabilidade e Administração,

datada de Abril de 2013, refere que em Cabo Verde o leasing tem como antecedentes o Decreto-

Lei n.º 45/95 de 11 de setembro, onde o Legislador debruça-se sobre o tema, definindo no artigo

n.º 1º, que “Sociedade de locação financeira é uma instituição parabancária que tem como

objeto exclusivo o exercício..., financeira (leasing)” (pp.7-8). Por seu lado, Reis continua,

afirmando que o Decreto n.º 37/2000 define a locação financeira como “... contrato pelo qual

uma das partes se obriga, contra retribuição, a conceder a outra o gozo temporário de uma coisa,

adquirida ou construída por indicação desta e que a mesma pode comprar, total ou parcialmente,

num prazo convencionado, mediante pagamento de um preço determinado ou determinável,

nos termos do próprio contrato” (p., 8).

Ainda segundo o mesmo autor, o Decreto n.º 37/2000, de 28 de agosto faz as seguintes

distinções nos artigos n.º 2º e n.º 3º:

5 Disponível em:
[Link]
%20empresas%20em%20Cabo%20Verde%20-
20An%C3%A1lise%20pr%C3%A1tica%20de%20efeitos%20econ%C3%B3micos,%20financeiros%20e%20con
tabil%C3%[Link]
- Locação financeira mobiliária como sendo aquela que respeita apenas a bens de

equipamento, e;

- Locação financeira imobiliária aquela que tem por objeto exclusivo bens imóveis

afectados ao investimento produtivo na indústria, agricultura, comércio ou em outros

sectores de manifesto interesse económico ou social, assim como imóveis destinados a

habitação.

Em 2003 é publicado o Aviso n.º 1/2003 do Banco de Cabo Verde que clarifica os elementos

essenciais que devem ser tidos em conta nos contratos de locação financeira, entre os quais se

destacam o valor do contrato, valor residual, duração do contrato e periodicidade.

Em 7 de julho de 2003 é promulgado o Decreto-Lei n.º 21/2003, que introduz alterações no

regime de contabilização da locação financeira.

2.2. O LEASING EM ANGOLA

No caso de Angola esta modalidade de financiamento é nova e pouco praticada. Contudo,

instrumentos normativos foram aprovados e publicados a partir de 2011. Trata-se do Decreto

Presidencial n.º 64/11, de 18 de abril, que aprova o Regulamento do Contrato de Locação

Financeira, e do Decreto Presidencial n.º 65/11, de 18 de abril, que aprova o Regulamento Sobre

a Actividade das Sociedades de Locação Financeira e que consta do Diário da República n.º 72,

I Série, de 18 de abril de 2011.

A entrada em vigor destes instrumentos, permitirá dinamizar o nível de investimentos na

economia com forte influência na actividade empresarial. De referir que actualmente estas

operações são praticadas por alguns bancos comerciais tais como o Banco Internacional de

Crédito (BIC), Banco de Fomento Angola (BFA), Banco Angolano de Investimento (BAI),

Banco de Poupança e Crédito (BPC), o Banco Económico (BE), com um forte pendor para o

leasing automóvel.
No caso de Angola, o Decreto Presidencial n.º 65/11, de 18 abril de 2011, define que sociedades

de locação financeira são instituições financeiras não bancárias, que têm por objecto exclusivo

o exercício da actividade de locação financeira, podendo acessoriamente alienar, ceder por

exploração, locar ou efectuar outros actos de administração sobre bens que lhe sejam restituídos

em virtude de resolução de um contrato de locação financeira ou por motivos do não exercício

do direito de compra pelo locatário, assim como locar bens móveis fora dos casos em que os

bens lhes hajam sido restituídos no termo do contrato de locação financeira. Estas sociedades,

devem constituir-se como sociedades comerciais sob a forma de sociedades anónimas. Para

além destas sociedades, os bancos podem igualmente celebrar contratos de locação financeira.

A actividade de locação em Angola é supervisionada pelo Banco Nacional de Angola.

2.3. O PLANO GERAL DE CONTABILIDADE DE ANGOLA E A CONTABILIZAÇÃO

DAS LOCAÇÕES FINANCEIRAS

Os contratos de locação resultam em factos patrimoniais que devem ser reconhecidos na

contabilidade dos intervenientes. Pelo facto, passamos a apresentar alguns conceitos

contabilísticos e questões de harmonização das informações a elas relacionadas.

No caso particular de Angola os mesmos são regulamentados pelo Decreto n.º 82/2001, que

cria o Plano Geral de Contabilidades e demais anexos publicados no Diário da República n.º

52, I Série, em vigor até a data. Na República de Angola, desde a independência até à data

vigoraram três planos de contas, a saber:

- Plano de Contas Nacional, aprovado pelo Decreto n.º 250/79 de 19 de outubro de 1979,

publicado no Diário da República n.º 280, I Série, de 27 de novembro de 1979, baseado num

sistema de economia centralizada e com foco na necessidade da implantação de uma

contabilidade uniformizada nas diversas unidades económicas que se constituiu como um

instrumento indispensável para a planificação e aplicação dos princípios do cálculo económico,


tendo como objectivo final o controlo eficaz da actividade económico-financeira das empresas,

com maior incidência às Unidades Económicas Estatais (U.E.E). O Plano de Contas Nacional

aprovado por esse Decreto era extensivo as Empresas Mistas e Privadas com as devidas

adequações;

- Em 1989 e no âmbito do Programa de Saneamento Económico e Financeiro (S.E.F) e

na necessidade de se reestruturar o sistema empresarial e do método de gestão a utilizar, com

vista a garantir uma maior autonomia e consequente responsabilização na gestão das empresas

estatais com o objectivo de atingirem elevado grau de eficiência e rentabilização, criando assim

condições de mudança quanto a dependência das U.E.E ao Orçamento Geral do Estado (O.G.E)

como fonte de financiamento para o investimento, para um sistema de Autofinanciamento e de

amplo recurso ao crédito bancário, uma vez que a estreita dependência ao O.G.E, não

permitindo assim que as empresas formassem os seus próprios fundos é aprovado o Plano de

Contas Empresarial aplicável a todas as unidades económicas estatais e privadas; através do

Decreto n.º 70/89, de 23 de dezembro de 1989 e publicado no Diário da Republica n.º 65, I

Série. Com o decorrer da evolução do mercado este plano foi-se tornando inadequado e em

2002 houve necessidade de se rever novamente a estrutura do Plano de Contabilidade

Empresarial;

- Assim, nesse ano, foi aprovado o Plano Geral de Contabilidade através do Decreto n.º

82/2001 de 16 de novembro, publicado no Diário da República n.º 52, I Série, em vigor até à

data. A aprovação deste instrumento teve como base a crescente globalização da economia

mundial e a necessidade de harmonizar as práticas locais com as internacionais com vista a

permitir a melhoria da informação contabilística produzida, o conhecimento da contabilidade e

respectivo controlo, comparação das informações no tempo e no espaço.

Da análise efectuada aos planos de contabilidade atrás referidos, nenhum deles faz menção à

contabilização do leasing ou locação financeira. O primeiro derivou do modelo económico que


detinha o monopólio do sector bancário e a centralização da economia, e os demais a falta de

regulamentação e a inexistência de entidades viradas para este tipo de negócio.

2.4. COMPARAÇÃO DA CONTABILIZAÇÃO DA LOCAÇÃO FINANCEIRA NO

UNIVERSO DOS PALOP´S, BRASIL E PORTUGAL

Os aspectos contabilísticos sobre leasing têm suscitado muita controvérsia internacional.

Definida a natureza do contrato como leasing operacional, pode-se dizer que não existem

quaisquer divergências. No entanto o mesmo não se pode dizer da locação financeira.

Por exemplo, Silva et. al. (2006, p. 279) aventa que “(...) a inscrição do valor dos bens locados

no activo e do valor das rendas a pagar no passivo do balanço da empresa locatária apareceu

justificada no Offiicial Summary of Financial Accouting Standards Board n.º 13, pelo

entendimento de que todo “o leasing” que transfere substancialmente todos os benefícios e

riscos da propriedade para o locatário deve ser contabilizado por este como uma aquisição de

um activo e a assunção de uma responsabilidade (...) e como uma venda pelo locador (...). As

outras modalidades de leasing devem ser contabilizadas como “operating leases”, isto é como

arrendamento de propriedade”.

Porém, e segundo Alves (2011, p. 24), a Associacion Española de Contabilidad (AECA) é mais

cuidadosa quanto à integração patrimonial dos bens em regime de locação, entendendo que o

bem só deve integrar no património do locatário desde que haja da parte deste a intenção final

de compra, privilegiando-se a realidade económica sobre a realidade jurídica. No entanto,

outros organismos e autores defendem o contrário, ou seja, que o bem deve figurar no

património do locador e que o locatário deve contabilizar apenas o pagamento das rendas, sem

prejuízo da movimentação das contas de ordem ou da inscrição de informações complementares

no anexo às demonstrações financeiras, posição defendida pela Leaseurope - Federação

Europeia das Associações de Leasing, manifestada na “Declaração de Sevilha em 1983”.


Esta controvérsia, na contabilização do leasing financeiro está relacionada fundamentalmente

com a aceitação, ou não, do princípio contabilístico da substancia sob a forma e,

consequentemente com o conceito de activo.

Devido às divergências, surgiram na Europa duas correntes teóricas: A Corrente Continental e

a Corrente Anglo-Saxónica. Os defensores da primeira não faziam diferenciação entre locação

operacional e financeira, sendo os bens locados registados como elementos do activo no

imobilizado do locador e sendo, por isso, objecto das respectivas reintegrações anuais. As

rendas recebidas eram contabilizadas como proveitos na escrita do locador e na escrita do

locatário e, as rendas pagas deveriam ser contabilizadas como fornecimentos e serviços de

terceiros, devendo no anexo ao Balanço e Demonstração dos Resultados ser indicada a

informação relativa às rendas a satisfazer em exercícios futuros e os bens objecto do contrato

deveriam figurar no património do locatário apenas depois de exercida a opção de compra pelo

valor residual do contrato.

Por sua vez a Corrente Anglo-saxónica, defende que o objecto do contrato de locação financeira

deve ser contabilizado em primeira instância como investimentos na escrita do locador e após

a entrega do bem, deve registar como vendas, e consequente, o valor em dívida, reconhecido

como conta a receber no activo. Na escrita do locatário e no momento da celebração do contrato,

a locação deve ser escriturada pelo valor do activo e como conta a pagar no passivo.

No caso do Brasil, observa-se um confronto de princípios entre a classe contabilística e os

aspectos jurídicos. A classe contabilística procura defender o principio da substância sob a

forma. O Comité de Padrões Contábeis do Brasil (CPC, art.35), destaca “para que a informação

represente com propriedade as transações e outros eventos que ela se propõe a representar, é

necessário que essas transações e eventos sejam contabilizados e representados de acordo com

a sua essência ou substancia e sua realidade económica, e não meramente sob sua forma legal”,

com reflexo na recomendação artigo n.º 1º e n.º 2º, do Conselho Federal de Contabilidade do
Brasil (CFC) citado por Rech, J.S.; Cunga. M.F.; Pereira,I.V. e Oliveira, R.O. (s.d.)6,que

recomenda, que “na aplicação dos princípios fundamentais de contabilidade há situações

concretas, a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais”.

Com base nestes argumentos, o Comité de Pronunciamentos Contábeis (CPC), no seu

pronunciamento contábil n.º 06, alínea 20, 21 e 227, refere:

- No começo do prazo de arrendamento mercantil, os arrendatários devem reconhecer, em

contas especificas, os arrendamentos mercantis financeiros como activos e passivos nos seus

balanços por quantias iguais ao valor justo da propriedade arrendada ou, se inferior, ao valor

presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil, cada um determinado no inicio

do arrendamento mercantil. As transações e outros eventos são contabilizados e apresentados

de acordo com a sua substancia e realidade financeira e não meramente com a forma legal,

apesar de que a forma legal de um acordo de arrendamento mercantil seja a de que o arrendatário

possa não adquirir a propriedade legal do activo arrendado, prevalecendo assim a substancia e

a realidade financeira porquanto o arrendatário adquira os benefícios económicos do uso ao

activo arrendado durante maior parte da sua vida económica.

Se tais transações de arrendamento não forem reflectidas no balanço do arrendatário, os

recursos económicos e o nível de obrigações de uma entidade estão registados a menos,

distorcendo dessa forma os índices financeiros.

Esta posição contraria ao postulado na Lei n.º 6099, de 12 de setembro de 19748, revista e

actualizada pela Lei n.º 7132, de 26 de outubro de 19839, conforme se descreve:

6
Disponível em: [Link]
7 Disponível em [Link]
8
Disponível em: [Link]
9
Disponível em: [Link]
- Art. 3º - Serão escriturados em conta especial do activo imobilizado da arrendadora os

bens destinados a arrendamento mercantil;

- Art. 4º - A pessoa jurídica arrendadora manterá registro individualizado que permite a

verificação do fator determinante da receita e do tempo efetivo de arrendamento;

- Art. 11º - Serão consideradas como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica

arrendatária as contraprestações pagas ou creditadas por força do contrato arrendamento

mercantil.

A mesma Lei continua:

§ 1º A aquisição pelo arrendatário de bens arrendados em desacordo com as disposições desta

Lei, será considerada operação de compra e venda.

Art. 12º. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de

depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil.

Observa-se aqui a obrigatoriedade da observância da forma legal da propriedade, sobrepondo-

se a princípio da substancia sob a forma.

Em Angola para além dos Decretos n.º 64/11 e n.º 65/11 ambos de 18 de abril e os Avisos n.º

16 e n.º 17 do Banco Nacional de Angola, nenhum outro normativo foi publicado que definisse

o procedimento contabilístico a seguir. Todavia alguns autores como Lousã (2012), refere que

a aquisição de um imobilizado resultante de um contrato de leasing financeiro, obedece ao

princípio da substancia sob a forma devendo para o efeito no acto de aquisição contabilizar-se

como Outros Valores a Pagar – compra de imobilizado por contrapartida de imobilizados. Essa

opinião é corroborada por Magro e Magro (2008), procedimento este que também era aplicado

em Portugal (na vigência do Plano Oficial de Contabilidade, POC), conforme Silva (2004).

Almeida, Miranda, Nogueira, Aleixo e Nunes (2014. p.106), propõem a seguinte

contabilização:

Ótica do locatário:
Pela celebração do contrato e recepção de imobilizado regista-se conforme abaixo descrito:

Tabela n.º 1 – Contabilização da Locação Financeira na Ótica do Locatário

Débito Crédito

Imobilizações corpóreas Empréstimos bancários

Fonte: Elaboração Própria

A falta de um órgão reitor independente (Comissão Nacional de Normalização Contabilística)

para formulação de normas e de interpretação de procedimentos contabilísticos em Angola,

permite a existência de pontos de vista diferentes no procedimento de contabilização do leasing

financeiro concorrendo para não uniformização da informação contabilística, no caso Balanço

e Demonstração dos Resultados, bem como a distorção das análises que dali se extrai, tais como

indicadores de posição financeira e de desempenho entre outros.

Nesta perspectiva foi feita uma pesquisa bibliográfica dos procedimentos contabilísticos do

leasing financeiro praticados em Portugal, Brasil, Cabo Verde e Angola tendo-se chegado ao

quadro comparativo apresentado a seguir:

Tabela nº 2 - Quadro comparativo do esquema de contabilização na óptica do locatário

Tipo de endividamento
Contas a movimentar
País
Natureza do facto Fornecedor
Empréstimo
de Débito Crédito
financeiro
imobilizado
Pela celebração do
Considera Imobilizações Empréstimos
contrato e entrega do
empréstimo corpóreas sobre locações
Portugal imobilizado
Pagamento do
Empréstimo Dep. Ordem
principal
Custos Financeiros
Pagamento dos juros Dep. Ordem
juros
Pela celebração do
Fornecedor de
contrato e entrega do Sem tratamento Sem tratamento
Serviços –
imobilizado/Lei contabilístico contabilístico
aluguer
6099//74 12 Set
Brasil Fornecedores
Pagamento
Custo operacional Serviços ou
do principal
Dep. Ordem
Fornecedores de
Custo operacional Serviços ou
Pagamento dos Juros
Dep. Ordem
Empréstimo Imobilizações Empréstimo sobre
Pela celebração do
financeiro corpóreas locações
Cabo contrato
Verde e entrega do
imobilizado
Pelo pagamento do
Empréstimo Dep. Ordem
principal
Pelo pagamento dos
Custos financeiros Dep. Ordem
juros
Outros valores a
Pela celebração do
Fornecedor de pagar –
contrato por Lousã e Imobilizados
Imobilizado fornecedor de
Magro
imobilizados
Pela celebração do Empréstimos -
contrato por Rui Empréstimos Imobilizados Outros
Almeida e Sabino Empréstimos
Angola Pagamento do Outros valores a
Fornecedor de Depósitos a
principal 1ª variante pagar –fornecedores
imobilizado Ordem
por Lousã e Magro de imobilizados
Pagamento do
Principal 2ª variante
Empréstimos – Depósitos a
por Rui M.P. de Empréstimo
Outros Empréstimos Ordem
Almeida, Sabino José
de Miranda
Fonte: Adaptada a partir dos autores consultados.

Assim, conclui-se que a problemática da classificação do leasing ou locação financeira para

tratamento contabilístico é bastante polêmica, controversa e baseia-se em perspectivas de

interpretação tendo em consideração os aspectos legais e os princípios de contabilidade

geralmente aceites, conforme discutido nesta fundamentação teórica.

3. METODOLOGIA E RESULTADOS

3.1. ESTUDO EMPÍRICO E METODOLOGIA

No sentido de aferirmos sobre o conhecimento da locação financeira, leasing, e da sua possível

contabilização na região de Benguela por parte dos profissionais de contabilidade, elaboramos

um inquérito visando obter respostas para as nossas hipóteses de investigação. Realizamos,

asssim, um inquérito que foi direcionado e distribuído aos Contabilistas da Província,

conhecidos da Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola.


3.2. HIPÓTESES DE ANÁLISE

Com base no referencial teórico divulgado na parte precendente, foram definidas as seguintes

hipóteses de investigação que pretendemos estudar:

H1: A maioria dos contabilistas em Angola revela conhecimento sobre o tema da locação

financeira?

H2: A maioria dos contabilistas em Angola classificação a locação financeira como

empréstimos obtidos?

H3: Os contabilistas com maior conhecimento da atividade de locação financeira tenderão a ser

os que revelam maior conhecimento no processo internacionalmente recomendável de

contabilização?

3.3. AMOSTRA E SUA CARATERIZAÇÃO

O inquérito foi direcionado aos cerca de 60 contabilistas inscritos na Ordem dos Contabilistas

e Peritos Contabilistas de Angola da Província de Benguela e obtivemos 49 respostas válidas.

Dos 49 inquiridos, a maioria encontra-se dentro da faixa etária que vai dos 20 aos 39 anos de

idade, representando 75,5% da amostra, sendo 75,5% do sexo masculino e 24,5% do sexo

feminino. De referir ainda que 20,4% possuem o ensino médio, 77,6% são licenciados e 2%

são mestres.

Relativamente ao tempo de serviço ou experiência profissional, formação e situação na Ordem

dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola, dos 49 inquiridos, 32,7% possuem menos

de cinco anos de experiência, 46,9% têm entre seis a dez anos de experiência, 14,3% entre onze

a vinte anos e 6,1% possuem mais de vinte anos de experiência. Dos 100% dos inquiridos,

93,9% são contabilistas, 6,1% outros (técnicos de contabilidade). Quanto a sua relação com a

Ordem 55,1% estão inscritos, 44,1% não estão inscritos.


3.4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

De seguida analisaremos os resultados obtidos ao questionário efetuado que nos permite

responder às hipóteses de investigação.

Relativamente à hipótese 1:

H1: A maioria dos contabilistas em Angola revela conhecimento sobre o tema da locação

financeira?

Tabela n.º 3 – Como classificam as sociedades de locação financeira os contabilistas da


Província de Benguela

Percentagem Percentagem
Frequência Percentagem válida cumulativa

Entidades Financeiras que


15 30,6 30,6 30,6
emprestam dinheiro

Entidades Fornecedoras de
20 40,8 40,8 71,4
Imobilizados

Não Sei 14 28,6 28,6 100,0

Total 49 100,0 100,0

Fonte: Elaboração Própria

Os resultados mostram que apenas 30,6% dos inquiridos identificam as sociedades de locação
financeira como entidades do setor financeiro. Dos restantes inquiridos, 28,6% não sabem o
que são as sociedades de locação financeira e 40,8% identificam-nas erradamente como
fornedecores de imobilizado.

Tabela n.º 4 – Teste da hipótese 1


Valor de Teste = 1 (1= sociedade financeira)

95% Intervalo de Confiança

Sig. Diferença da Diferença

t gl (bilateral) média Inferior Superior

caraterizacaosoclocfinanceira 8,825 48 ,000 ,97959 ,7564 1,2028

Fonte: Elaboração Própria


Os dados mostram-nos através do teste “t” que podemos rejeitar a hipótese 1 com 99% de
confiança.

Relativamente à hipótese 2:

H2: A maioria dos contabilistas em Angola classificação a locação financeira como

empréstimos obtidos?

Tabela n.º 5 – Como reconhecem contabilisticamente as locações financeiras os


contabilistas da Província de Benguela

Percentagem Percentagem
Frequência Percentagem válida cumulativa

Reconhecer a Dívida como


13 26,5 26,5 26,5
Empréstimo

Reconhecer a Dívida em
24 49,0 49,0 75,5
Outros Valores a Pagar

Não Sei 12 24,5 24,5 100,0

Total 49 100,0 100,0

Fonte: Elaboração Própria

Os resultados evidenciam que apenas 26,5% dos inquiridos reconhecem contabilisticamente as

locações financeiras como empréstimos obtidos (conta 33.9 - outros empréstimos), revelando

desconhecimento da natureza das operações efetuadas pelas sociedades locadoras, reguladas

pelo setor financeiro conform dispõe o Decreto Presidente n.º 65/11, de 18 de abril de 2011.

Tabela n.º 6 – Teste da hipótese 2


Valor de Teste = 1

95% Intervalo de Confiança

Sig. Diferença da Diferença

t gl (bilateral) média Inferior Superior

opcoescontabilizacaolocatario 9,505 48 ,000 ,97959 ,7724 1,1868

Fonte: Elaboração Própria

Os dados mostram-nos através do teste “t” que podemos rejeitar a hipótese 2 com 99% de

confiança.
Relativamente à hipótese 3:

H3: Os contabilistas com maior conhecimento da atividade de locação financeira tenderão a ser

os que revelam maior conhecimento no processo internacionalmente recomendável de

contabilização?

Tabela n.º 7 – Correlação entre o nível de conhecimento do que é a locação financeira através dos Decretos
Presidenciais nº. 64º e n.º 65 de 2011 e a correta contabilização ao abrigo desse enquadramento

caraterizacaoso opcoescontabiliz
clocfinanceira acaolocatario

rô de Spearman caraterizacaosoclocfinanceira Coeficiente de Correlação 1,000 ,405**

Sig. (bilateral) . ,004

N 49 49

opcoescontabilizacaolocatario Coeficiente de Correlação ,405** 1,000

Sig. (bilateral) ,004 .

N 49 49

**. A correlação é significativa no nível 0,01 (bilateral).


Fonte: Elaboração Própria

A estatística do qui-quadrado referente à correlação de Spearman, que é adequada para amostras

pequenas, evidencia uma correlação significativa ao nível de 99% de confiança, mostrando uma

clara associação entre o nível de conhecimento do que é a locação financeira através dos

Decretos Presidenciais n.º 64 e n.º 65, de 2011 e a correta contabilização ao abrigo desse

enquadramento. Estes resultados permitem-nos aceitar a hipótese 3.

4. CONCLUSÕES

O leasing financeiro, afigura-se como uma alternativa viável pelo facto de ser de acesso mais

rápido e de não exigir garantias adicionais dos locatários.

No caso de Angola a sua introdução no mercado financeiro, representa uma novidade e

oportunidade que deve ser aproveitada pelo tecido empresarial, face às dificuldades financeiras
que as empresas apresentam, associadas às poucas alternativas que o mercado oferece quanto à

captação de financiamentos de terceiros de outra natureza.

Os primeiros passos foram registados em 2011 com a promulgação dos Decretos Presidenciais

n.º 64/11 e n.º 65/11, ambos de 18 abril de 2011, que regulamentam os contratos de locação

financeira e a actividade e legalização das sociedades vocacionadas para este tipo de negócio.

Dada a recente introdução no mercado, poucos são aqueles que dominam este instrumento e

quase não se faz recurso do mesmo para a aquisição de diversos equipamentos para a actividade

produtiva por parte dos operadores económicos. De igual modo, uma parte considerada dos

profissionais de contabilidade tem dificuldades de interpretar e contabilizar um contrato desta

natureza, conforme os resultados referentes à rejeição das hipóteses 1 e 2 o comprovam. Torna-

se também evidente, pela aceitação da hipótese 3, que os contabilistas que conhecem o

enquadramento legal da locação financeira e respetivas sociedades, dado pelos Decretos

Presidenciais n.º 64/11 e n.º 65/11, ambos de 18 abril de 2011, são aqueles que melhor dominam

a correta classificação contabilística, à luz deste enquadramento.

No entanto, os resultados não encerram em si a solução da problemática, pelo facto de não

existir até aqui uma Comissão de Normalização Contabilística, órgão que deve zelar pelo estudo

dos conflitos das normas já existentes, aproximando-as às normas vigentes em outros países

por forma a permitir a harmonização contabilística ao nível dos vários organismos regionais em

que Angola se encontra inserida, como a South Afrique Development Communite.

Para que este objetivo seja alcançado, é recomendável que a Ordem dos Contabilistas e Peritos

Contabilistas de Angola conjuntamente com o Ministério das Finanças e demais órgãos

interessados na normalização contabilística procedam a um estudo para a criação a breve trecho

duma Comissão de Normalização Contabilística com o objetivo de sanar todas as divergências

existentes não só no tocante a contabilização das locações financeiras, nem como de outras que

o plano de contas nacional angolano não apresenta claramente um procedimento a seguir, e,


noutros casos em que se observa um distanciamento dos procedimentos observados em outros

países com os quais Angola possuí relações económicas muito fortes.

Recomenda-se o aprofundamento deste estudo por académicos, membros da Ordem dos

Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola, gestores de empresas e outras personalidades

de uma forma em geral.

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