Asma e Doença
Pulmonar Obstrutiva
Crônica
Similaridades, diferenças e sobreposição
Profª Bruna Berbert
Asma
Asma no mundo e no Brasil
• De acordo com a OMS, estima-se que mais de 339 milhões de pessoas
sofram com a asma globalmente, com 417.918 mortes atribuídas à doença
em 2016.
• No Brasil, estima-se que 23,2% da população brasileira viva com a doença.
• Em 2021, o SUS registrou 1,3 milhão de atendimentos relacionados à asma
na Atenção Primária à Saúde.
• Entre 2019 e 2023, o Brasil registrou 12.195 óbitos por asma
• É a doença crônica mais comum na infância (13% de prevalência) e a maioria
dos pacientes desenvolve sintomas antes dos 5 anos de idade
[Link]
[Link]
Mas o que é asma?
• Doença respiratória crônica, com muitas fenótipos (variações), caracterizada
por inflamação crônica das vias aéreas.
• É mediada por medidas excessivas de memória a alergênios inalados
• A asma causa sintomas respiratórios que melhoram ou pioram em momentos
diferentes e que podem ser leves ou graves, frequentes ou pouco frequentes.
Gina, 2024
Fisiopatologia da asma
mecanismos
Principais
Inflamação das vias Hiper responsividade Obstrução das vias
aéreas brônquica aéreas
Obstrução ao fluxo aéreo
Inflamação crônica, edema, Resposta bronco-constritora expiratório, variável e
aumento de secreção exagerada à estímulos
reversível espontaneamente
ou com tratamento
Mecanismos da asma
Inflamação das vias aéreas
A inflamação nas vias respiratórias é mediada por células do sistema imunológico, como
mastócitos, eosinófilos, linfócitos T e células dendríticas. Quando uma pessoa com asma é
exposta a alérgenos ou outros gatilhos, ocorre uma ativação dessas células inflamatórias.
Liberação de mediadores inflamatórios
A ativação das células inflamatórias libera uma série de mediadores químicos, como histamina,
leucotrienos, interleucinas (especialmente IL-4, IL-5, IL-13) e outros. Esses mediadores causam
vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e atração de mais células inflamatórias para o
local, intensificando a inflamação.
Broncoconstrição
A inflamação das vias aéreas provoca um estreitamento dos brônquios devido ao aumento da
contração da musculatura lisa brônquica. Isso resulta em dificuldades respiratórias, como
sibilância (chiado) e dispneia.
Mecanismos da asma
Aumento da produção de muco
As células inflamatórias também estimulam a produção excessiva de muco nas vias respiratórias.
Esse excesso de secreção mucosa pode bloquear os brônquios e dificultar ainda mais a respiração.
Hiper-reatividade brônquica
Pacientes com asma têm uma sensibilidade aumentada nas vias aéreas. Isso significa que as vias
respiratórias reagem de maneira exagerada a estímulos que, em pessoas sem asma, não
causariam problema. Esse fenômeno está relacionado à inflamação crônica e ao remodelamento
(alteração estrutural) das vias aéreas.
Remodelamento das vias aéreas
Em casos de asma não controlada, as vias aéreas podem sofrer alterações estruturais, como
espessamento da parede brônquica, aumento do número de células musculares lisas e alteração
da matriz extracelular. Isso pode levar a uma obstrução das vias aéreas que se torna mais difícil de
reverter, mesmo com tratamento.
Gatilhos Infecções Fumaça do
respiratórias tabaco
Alergênicos
virais Animais
Emoções
Ácaros
Exercício físico
Pólen intenso Predisposição
genética
Ar frio
Perfume
Poeira
Uso de algumas medicações
Sintomas da pessoa com asma
• Sibilância
• Dispneia
• Aperto no peito
• Tosse (mais frequente à noite ou no início da manhã)
Sibilos
Sons respiratórios anormais caracterizados por um
ruído agudo e assobiante, semelhantes a um chiado,
que ocorrem principalmente durante a expiração.
São causados pela passagem de ar através de vias
aéreas estreitadas ou obstruídas, como acontece na
asma e na DPOC Vídeo de domínio publico, disponível em [Link]
Exacerbação da asma
Também chamada de crise de asma ou ataque de asma é a piora
aguda ou subaguda (súbita ou gradual) dos sintomas (falta de
ar, tosse, chiado ou aperto no peito) e da função pulmonar, em
comparação com a condição usual da pessoa. As exacerbações
são frequentemente desencadeadas por infecção viral do trato
respiratório superior, exposição ao pólen ou poluição, ou baixa
adesão ao tratamento, mas também podem ocorrer em pessoas
sem nenhum desses fatores de risco. Exacerbações graves
podem ser fatais, mesmo em pessoas com sintomas pouco
frequentes.
Asma brônquica – Mesmo problema, vários
nomes
• Bronquite asmática
• Bronquite alérgica
• Hiperreatividade brônquica
Inflamação crônica das vias aéreas
Achados broncoscópicos
• Alteração na coloração da mucosa (hiperemia)
• Espessamento da parede brônquica
• Pode haver secreção espessa e levar à obstrução
parcial
• Pode ocorrer colapso brônquico devido à inflamação e
remodelação brônquica
Para reforçar
[Link]
Diagnóstico da asma
• Baseado em sinais de sintomas clínicos
• Espirometria (VEF1/CVF <80%, VEF1 <80%)
• Avaliação do pico de fluxo expiratório – Quando a diferença entre a média das medidas de
PEF efetuadas pela manhã e à noite apresentarem um valor superior a 20% em um período
de duas semanas (média do PFE da manhã – média do PFE da noite > 20% = asma)
• Avaliação do quadro alérgico – Testes cutâneos de leitura imediata
• Dosagem de IgE específica
O que é o VEF1/CVF?
O índice VEF1/CVF (ou relação Tiffenau) é o parâmetro na espirometria que avalia a função
pulmonar e diagnostica doenças respiratórias, como asma e DPOC.
VEF1 (Volume expiratório forçado no primeiro segundo)
Volume de ar que um indivíduo consegue expirar no primeiro segundo de uma expiração
forçada, após uma inspiração máxima.
CVF (Capacidade vital forçada)
Volume total de ar que pode ser exalado de forma forçada após uma inspiração máxima.
VEF1/CVF (%)
Representa a proporção do ar expirado no primeiro segundo em relação ao volume total da
expiração forçada.
O que é PFE?
Dispositivo portátil onde o paciente inspira profundamente até encher os pulmões,
coloca o bocal do dispositivo na boca e fecha bem os lábios, na sequência, expira com máxima
força e rapidez.
Uso do Pico de Fluxo Expiratório na Asma
1. Diagnóstico da Asma
Um PFE reduzido pode indicar obstrução das vias aéreas, ajudando na suspeita de asma.
2. Monitoramento do Controle da Doença
O PFE é útil para acompanhar a evolução da asma e a resposta ao tratamento.
Pacientes podem monitorar diariamente os valores para identificar piora antes de uma crise.
3. Ajuste do Tratamento
Médicos usam os valores do PFE para ajustar a medicação (ex.: broncodilatadores).
4. Detecção Precoce de Crises
Quedas significativas no PFE indicam piora da asma, permitindo medidas preventivas antes de
uma crise grave.
O que é dosagem de IgE específica?
Exame laboratorial que mede os níveis de imunoglobulina E (IgE) direcionada a alérgenos
específicos.
É utilizado para diagnosticar alergias, incluindo asma, rinite alérgica, dermatite atópica e entre outras.
Uma amostra de sangue é coletada e analisada para verificar a presença de IgE específica contra
determinados alérgenos, como pólen, ácaros, fungos, epitélio de animais e alimentos.
Se os níveis de IgE estiverem elevados para um alérgeno específico, isso indica sensibilização
alérgica.
Em pacientes com asma
Ajuda a identificar os gatilhos alérgicos que podem piorar a asma (ex.: ácaros, pólen, mofo).
Auxilia na escolha do tratamento, como evitar exposições e considerar imunoterapia (vacinas para
alergia).
Complementa outros testes alérgicos
Tratamento farmacológico
Medicações de Medicações de
controle/manutenção resgate
Tratamento farmacológico – Medicações de controle
São usadas para controlar os sintomas da asma a longo prazo e prevenir crises.
Devem ser tomadas diariamente, mesmo que a pessoa esteja bem.
Alguns exemplos incluem:
•Corticosteroides inalatórios: Como a budesonida, fluticasona e beclometasona, medicamentos
de primeira linha para o controle da inflamação das vias respiratórias.
•Broncodilatadores de longa duração: Como o salmetrol e formoterol, usados em conjunto com
corticosteroides para melhorar o controle dos sintomas.
•Antileucotrienos: Como o montelukaste, que ajudam a reduzir a inflamação e prevenir os
sintomas de asma.
•Anticorpos monoclonais: Como omalizumabe e mepolizumabe, usados em casos graves ou
resistentes a outros tratamentos.
Tratamento farmacológico – Medicações de resgate
São usadas para aliviar rapidamente os sintomas durante uma crise de asma.
São indicadas quando há dificuldades respiratórias agudas.
Exemplos incluem:
•Broncodilatadores de curta duração: Como o salbutamol (albuterol), que ajudam a abrir as vias
respiratórias rapidamente.
•Anticolinérgicos: Como o ipratrópio, que pode ser usado em combinação com os
broncodilatadores de curta duração em casos mais graves
Tratamento não farmacológico da asma
• Controle de fatores desencadeantes
• Técnicas de controle respiratório
• Exercício físico regular
• Educação e autocontrole
• Uso correto do inalador
• Plano de ação para a asma
• Controle do peso
• Tratamentos complementares (abordagens alternativas, como a acupuntura, yoga e técnicas de
relaxamento)
Fisioterapia na asma
Após o tratamento farmacológico de pacientes com pneumopatia
crônica, frequentemente um déficit funcional permanece, que é
associado à dispneia, fadiga muscular e descondicionamento físico
Reduzir a hiper-reatividade brônquica
Melhorar o padrão respiratório e reduzir o uso de musculatura acessória
Auxiliar na mobilização e remoção de secreções
Aumentar a resistência e força dos músculos respiratórios
Melhorar a tolerância ao exercício e reduzir dispneia
Prevenir complicações pulmonares
Fisioterapia na asma
Treinamento Muscular Respiratório (TMR)
Objetivo: Fortalecer os músculos inspiratórios e expiratórios para reduzir a fadiga respiratória.
• Uso de dispositivos como Threshold IMT
• Exercícios para fortalecimento do diafragma
Reeducação Respiratória
Objetivo: Melhorar o padrão respiratório e reduzir o esforço respiratório.
• Respiração diafragmática – Favorece a ventilação mais profunda e eficiente
• Respiração com lábios semicerrados – Melhora a resistência expiratória e reduz a sensação de
dispneia
Técnicas de Higiene Brônquica
Objetivo: Auxiliar na mobilização e eliminação de secreções em casos de asma com hipersecreção.
• Drenagem postural – Facilita a eliminação de secreções pelo posicionamento do corpo
• Técnica de Expiração Forçada (TEF) – Ajuda a remover muco sem causar broncoespasmo
• Pressão Expiratória Positiva (PEP) – Uso de dispositivos para abrir vias aéreas e facilitar
expectoração
Fisioterapia na asma
Exercícios Físicos e Reabilitação Pulmonar
Objetivo: Melhorar a tolerância ao esforço e reduzir a dispneia durante atividades diárias.
• Treinamento aeróbico
• Exercícios resistidos para fortalecer a musculatura global
• Controle da respiração durante o exercício para evitar crises
Educação e Controle da Doença
Objetivo: Ensinar o paciente a reconhecer sintomas, controlar gatilhos e utilizar corretamente a
medicação.
• Técnicas para evitar crises asmáticas durante o exercício
• Uso correto de inaladores e espaçadores
• Estratégias para reduzir o impacto de gatilhos ambientais
Plano de ação para pacientes asmáticos
Zona verde: Aqui é onde você deve estar todos os dias!
Sintomas são esporádicos ou aparecem menos de duas vezes por semana
Uso de broncodilatador não é diário, no máximo duas vezes por semana
Boa tolerância às atividades físicas
Sono não interrompido por sintomas de asma
As medidas do seu PFE estão acima de 80% do seu melhor resultado
Conduta: Mantenha a medicação X na dose Y
Plano de ação para pacientes asmáticos
Zona amarela: Sua asma está saindo do controle!
Aja prontamente para voltar à zona verde
Aparecem sintomas de asma com maior frequência, mais de duas vezes por
semana
Acorda durante a noite com chiado ou tosse
Usa broncodilatador mais frequentemente que o usual
Os valores do seu PFE estão entre 50 e 80% do seu melhor resultado
Conduta: Aumente seu medicamento preventivo para a dose X
Plano de ação para pacientes asmáticos
Zona vermelha: Você está com crise de asma!
Apresenta chiado, falta de ar e tosse
Não consegue realizar suas atividades habituais
O broncodilatador dá pouco alívio ou seu efeito dura pouco tempo
Seu PFE está abaixo de 50% do seu melhor resultado e melhora pouco com o uso
de broncodilatador
Conduta: Use o broncodilatador na dose usual em intervalos de 30 minutos, até três
vezes ao dia. Se não obtiver melhora, procure auxílio médico, inicie predinisona ou
predinisolona via oral na dose X
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
DPOC no mundo e no Brasil
A DPOC afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas globalmente, tornando-se a
terceira causa de morte no mundo, com 3,23 milhões de óbitos registrados em 2019.
Estudos indicam que a prevalência de DPOC entre adultos com mais de 40 anos no Brasil é
de aproximadamente 17%, com variações regionais.
E no país, foi a quinta causa de morte, com uma taxa de mortalidade anual de 51,5 por
100.000 habitantes entre 2010 e 2018.
Em setembro de 2021, a DPOC resultou em 5.010 internações nos hospitais do SUS em
todo o Brasil.
Mas o que é DPOC?
Doença pulmonar prevenível e tratável, heterogênea, caracterizada por
sintomas respiratórios crônicos (dispneia, tosse, produção de escarro e/ou
exacerbações) e limitação ao fluxo aéreo, decorrentes das anormalidades das
vias aéreas (bronquite, bronquiolite) e/ou alvéolos (enfisema) que causam
obstrução persistente, propriciadas usualmente pela inalação de gases ou
partículas nocivas, como consumo de tabaco
Gold, 2024
Pulmão enfisematoso. Fonte: Livro “Tratado de Fisiologia Médica”, Guyton & Hall, 11ª edição.
Patogênese da DPOC
Aprisionamento
Destruição aéreo
parenquimatosa
Inalação de Limitação ao fluxo
partículas e aéreo
gases
Mecanismos
anormais de Alteração da função
defesa pulmonar
GOLD, 2024.
Bronquite crônica
Doença pulmonar que Enfisema
provoca inflamação e Destruição generalizada e
produção de muco nos irreversível das paredes
brônquios, ou que alveolares
dificulta a respiração
Sintomas
Falta de ar
Tosse crônica
Diagnóstico da DPOC
Escarro
Fatores de risco
Espirometria
Tabaco
Estabelecer o
Ocupacionais
diagnóstico
Poluição
Genética
Adaptado de: GLOBAL INITIATIVE FOR CHRONIC OBSTRUCTIVE LUNG DISEASE, 2024.
Fator de risco genético?
Alfa-1 Antitripsina (AAT) e a Deficiência Enzimática
A AAT uma proteína produzida principalmente pelo fígado, que tem a função
de proteger os pulmões, evitando que enzimas como a elastase destrua as
paredes dos alvéolos.
Quando há uma deficiência de AAT, essa proteção é comprometida, e a
elastase pode destruir a estrutura dos pulmões, levando ao desenvolvimento
precoce de doenças pulmonares, como a DPOC.
É uma condição genética que é herdada de forma autossômica recessiva
(herdar uma cópia do gene defeituoso de cada genitor)
Pessoas com deficiência grave de AAT têm um risco aumentado de
desenvolver DPOC, muitas vezes em idades mais jovens, e mesmo aqueles
que nunca fumaram.
Classificação da gravidade da DPOC
Em pacientes com VEF1/CVF <0,70 (pós broncodilatador)
VEF1: Volume expiratório forçado no primeiro segundo; CVF: Capacidade vital forçada.
Adaptado de: GLOBAL INITIATIVE FOR CHRONIC OBSTRUCTIVE LUNG DISEASE, 2024.
Classificação multidimensional da DPOC - ABCD
Adaptado de: GLOBAL INITIATIVE FOR CHRONIC OBSTRUCTIVE LUNG DISEASE, 2024.
Escala do Medical Research Council - mMRC
A escala do mMRC é composta por apenas cinco itens, sendo que o paciente escolhe o
item que corresponde a quanto a dispneia limita suas AVD.
Em caso de pacientes analfabetos, o aplicador deverá realizar a leitura dos itens e anotar a
resposta fornecida pelo paciente
Escala COPD Assesment Test (CAT)
É composto de oito itens, denominados tosse, catarro,
abertura no peito, falta de ar, limitações nas atividades
domiciliares, confiança em sair de casa, sono e energia.
Para cada item, o paciente escolhe apenas uma opção
de resposta, cuja pontuação varia de zero a cinco.
Ao final do teste, soma-se a pontuação de todas as
respostas e, assim, avalia-se o impacto clínico da
DPOC conforme a pontuação de estratificação.
Os resultados variam de acordo com a faixa dos escores
obtidos, classificados da seguinte forma em relação ao
impacto clínico:
6 -10 = leve
11- 20 = moderado
21- 30 = grave
31- 40 = muito grave.
Manifestações extrapulmonares da DPOC
Ciclo dispneia-inatividade
Adaptado de: Ramon, M. A. et al. The dyspnoea–inactivity vicious circle in COPD: Development and external validation of a conceptual model. European Respiratory Journal 52, (2018).
Tratamento farmacológico
Medicações de Medicações de
controle/manutenção resgate
Tratamento farmacológico – Medicações de controle
São aquelas usadas de forma regular, para controlar a inflamação e a obstrução das vias aéreas e são
indicadas para pacientes com sintomas constantes ou em casos de DPOC moderada a grave.
Broncodilatadores de Longa Duração
• Beta-agonistas de longa duração (LABA) - Exemplos: Salmetrol, Formoterol
Como funcionam: Estimulam os receptores beta-2 nos pulmões, relaxando os músculos das vias aéreas
e facilitando a respiração. São usados para manutenção contínua da função pulmonar.
• Anticolinérgicos de longa duração (LAMA) - Exemplos: Tiotrópio, Aclidínio, Glicopirrôni
Como funcionam: Bloqueiam os receptores muscarínicos, impedindo a contração dos músculos das
vias aéreas e reduzindo a secreção de muco, ajudando a manter as vias aéreas abertas por mais
tempo. São usados principalmente em casos mais graves de DPOC.
Tratamento farmacológico – Medicações de controle
Combinação de LABA e LAMA:
Alguns medicamentos combinam um beta-agonista de longa duração e um anticolinérgico de longa
duração em um único inalador. Exemplos: Umeclidínio/vilanterol, Indacaterol/glicopirrônio
São usados para aumentar a eficácia do tratamento e reduzir a necessidade de múltiplos inaladores.
Tratamento farmacológico – Medicações de controle
Corticosteroides Inalatórios (ICS)
Os corticosteroides inalatórios ajudam a reduzir a inflamação nas vias aéreas,
aliviando os sintomas e prevenindo a progressão da doença. Exemplos:
Budesonida, Fluticasona, Beclometasona
•Agem diretamente nas vias aéreas, reduzindo a inflamação e a produção de
muco.
•Geralmente são usados em combinação com LABA em pacientes com
DPOC moderada a grave, especialmente quando há frequentes
exacerbações.
Tratamento farmacológico – Medicações de resgate
As medicações de resgate são utilizadas para tratar exacerbações ou
quando os sintomas de DPOC pioram repentinamente. Têm efeito rápido e
são indicadas para alívio imediato da dispneia e outros sintomas agudos.
Broncodilatadores de Curta Duração (SABA e SAMA)
São medicamentos que proporcionam alívio imediato da obstrução das vias
aéreas.
•Beta-agonistas de curta duração (SABA): Salbutamol, Fenoterol. Têm
efeito rápido para dilatar as vias aéreas, facilitando a respiração e são
usados durante uma crise aguda ou quando há dificuldade respiratória
repentina.
•Anticolinérgicos de curta duração (SAMA): Ipratrópio. Tem efeito rápido,
relaxando os músculos das vias aéreas e aliviando a falta de ar, são
utilizados durante as exacerbações
Tratamento farmacológico – Exacerbações
Antibióticos
Se houver uma infecção bacteriana associada à exacerbação (como uma infecção respiratória),
antibióticos podem ser prescritos. Exemplos: Amoxicilina/clavulanato, Azitromicina, Levofloxacino
Corticosteroides Sistêmicos
Em exacerbações graves da DPOC, os corticosteroides orais ou intravenosos podem ser usados para
reduzir a inflamação e melhorar a função respiratória. Exemplos: Prednisona, Metilprednisolona
Oxigenoterapia
Em casos graves de exacerbação com hipoxemia (baixo nível de O2 no sangue), a oxigenoterapia
pode ser necessária para manter os níveis de oxigênio adequados.
Tratamento não farmacológico da DPOC
•Cessação do tabagismo
•Reabilitação pulmonar
•Exercícios respiratórios
•Oxigenoterapia domiciliar
•Educação e autocontrole:
•Controle de comorbidades:
•Suporte psicológico
Fisioterapia na DPOC
Exercícios Respiratórios
Essenciais para melhorar a eficiência do sistema respiratório e ajudar no controle da respiração.
Respiração com lábios franzidos
Respiração diafragmática
Técnicas de higiene brônquica
Exercícios Físicos
O exercício físico supervisionado é um dos pilares do tratamento fisioterapêutico em DPOC. Exercícios
aeróbicos
Treinamento de força
Reabilitação Pulmonar
Embora seja um tratamento mais abrangente, a fisioterapia é um componente essencial da reabilitação
pulmonar
Educação Postural e de Movimento
Tratamento de Exacerbações
Aconselhamento e Suporte Psicológico
Ajuste Individualizado
Auto manejo
Otimizar
mecânica
corporal
Redução do
Eliminar Planejar
consumo
barreiras AVD
energético
Vias
alternativas
de
execução
Apresentação clínica
ASMA DPOC
• Dispneia • Dispneia
• Sibilância • Limitação de atividade
• Tosse com ou sem • Tosse com ou sem
produção de escarro produção de escarro
• Eventos respiratórios • Eventos respiratórios
agudos (exacerbações) agudos (exacerbações)
• Multicomorbidades
Similaridades entre DPOC e asma
• Ambas são caracterizadas por inflamação crônica com alterações celulares e estruturais
(remodelamento das vias aéreas), causando espessamento das paredes das vias aéreas e
facilitando a constrição delas, o que, consequentemente, leva à restrição do fluxo aéreo
(apesar do padrão de infiltração das células e as mudanças estruturais serem diferentes).
• DPOC e asma apresentam proliferação das células produtoras de muco na parede das vias
aéreas.
Principais diferenças entre DPOC e asma
Aspectos Asma DPOC
Fatores ambientais Exposição alérgica Tabagismo
Infecções respiratórias Poluição do ar
Sensibilizadores ocupacionais Alcoolismo
Baixa condição socioeconômica
Faixa etária Todas as idades, predominando entre Geralmente a partir dos 40 anos
crianças e jovens
Sintomas Sibilancia e surtos de dispneia Dispneia e tosse crônica e produtiva
Inflamação Resposta inflamatória do tipo Th2 Resposta inflamatória do tipo Th1
Predominância de eosinófilos, Predominância de neutrófilos,
mastócitos e linfócitos CD4 macrófagos e linfócitos CD8
Características da lesão pulmonar Grandes vias aéreas Pequenas vias aéreas e parênquima
pulmonar
Limitação ao fluxo aéreo Reversível Irreversível
Diagnóstico diferencial
Aspectos Asma DPOC
Fatores ambientais Exposição alérgica Tabagismo
Infecções respiratórias Poluição do ar
Sensibilizadores ocupacionais Alcoolismo
Baixa condição socioeconômica
Faixa etária Todas as idades, predominando Geralmente a partir dos 40 anos
entre crianças e jovens
Sintomas Sibilancia e surtos de dispneia Dispneia e tosse crônica e produtiva
Inflamação Resposta inflamatória do tipo Th2 Resposta inflamatória do tipo Th1
Predominância de eosinófilos, Predominância de neutrófilos,
mastócitos e linfócitos CD4 macrófagos e linfócitos CD8
Características da lesão pulmonar Grandes vias aéreas Pequenas vias aéreas e parênquima
pulmonar
Limitação ao fluxo aéreo Reversível Irreversível
Asthma COPD Overlap (ACOS) – Síndrome de
sobreposição asma e DPOC
• É caracterizada por limitação persistente ao fluxo áereo
combinada com asma e DPOC
• É mais comum em idosos, podendo estar relacionada aos anos
de exposição ao cigarro, poluição, antígenos, além das
mudanças fisiológicas relacionadas à idade
• Poucos estudos clínicos com pacientes com sobreposição asma
e DPOC
• Tem maior frequência de exacerbação dos sintomas
• Diagnóstico desafiador, realizado por meio da história clínica,
exames complementares que indicam diagnóstico para asma ou
DPOC e determinação se existem características de ambas
sugerindo ACOS